BIO - George Gordon Byron


A obra e a personalidade romântica de Byron tiveram, no início do século XIX, grande projecção no panorama literário europeu e exerceram enorme influência nos seus contemporâneos, por representarem o melhor da sensibilidade da época, conferindo-lhe muito de sedução e elegância mundana.

George Gordon Noel Byron nasceu em Londres em 22 de janeiro de 1788. Em 1798 herdou o título nobiliárquico do tio-avô William, tornando-se o sexto Lord Byron. Ainda estudante em Cambridge, publicou o seu primeiro livro de poesia, Hours of Idleness (1807; Horas de ócio), mal recebido pela crítica da prestigiosa Edinburgh Review. Byron respondeu com o poema satírico English Bards and Scotch Reviewers (1809; Bardos ingleses e críticos escoceses). Aos 21 anos ingressou à Câmara dos Lords, partindo pouco depois em viagem pela Europa e o Oriente Médio.

Ao voltar à Inglaterra, em 1811, publicou os dois primeiros cantos de Childe Harold's Pilgrimage (1812; Peregrinação de Childe Harold), longo poema em que narra as andanças e amores de um herói desencantado, ao mesmo tempo em que descreve a natureza da península ibérica, Grécia e Albânia. A obra alcançou sucesso imediato (entre 1812 e 1819 saíram 11 edições em inglês, além de várias traduções), e sua fama consolidou-se com outros trabalhos, principalmente The Corsair (1814; O corsário), Lara (1914) e The Siege of Corinth (1916; O cerco de Corinto). Nesses poemas, de enredos exóticos e apesar das irregularidades, Byron confirmou o seu talento para descrever ambientes.

Em 1816, o pedido de divórcio de Lady Byron (Anne Milbanke), após um ano de casamento, escandalizou a sociedade inglesa, que o associou aos rumores de incesto do poeta com sua meia-irmã Augusta Leigh, e Byron resolveu deixar Inglaterra.

Na Suíça escreveu o canto III de Childe Harold's Pilgrimage (1816), The Prisoner of Chillon (1816; O prisioneiro de Chillon) e o poema dramático Manfred (1817), enigmático e demoníaco. Em Genebra viveu com Claire Clairmont e fez-se amigo de Shelley. Radicou-se depois em Veneza, onde levou existência agitada e licenciosa, documentada em cartas cheias de verve.

Compôs então o canto IV de Childe Harold's Pilgrimage (1818) e Beppo, a Venetian Story (1818; Beppo, uma história veneziana), poema em oitava-rima, de tom ligeiro e cáustico, em que ridiculariza a alta sociedade de Veneza. Em 1819 começou o poema herói-cómico Don Juan (1819-1824), sátira brilhante e atrevida, à maneira do século XVIII, que deixaria inacabada. No mesmo ano ligou-se à condessa Teresa Guiccioli, seguindo-a a Ravena onde, juntamente com o irmão dela, participou das conspirações dos carbonários.

Byron usou com igual mestria o verso curto de Walter Scott, o verso branco, a oitava-rima e a estrofe spenseriana. O seu aristocratismo reflete-se na escolha de um estilo classicista pelo qual tratou uma temática fundamentalmente romântica. Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a voltar-se contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que o seu herói demoníaco sempre se revestiu.

Como moda literária, o byronismo espalhou-se pela Europa até as últimas décadas do século XIX, com projecções crescentes e importantes nos países jovens da América. Foram sensíveis à influência de Byron, entre muitos outros, o espanhol Espronceda, os franceses Lamartine, Vigny e Musset, os russos Puchkin e Lermontov, o argentino Esteban Echeverría e o brasileiro Álvares de Azevedo.

Em novembro de 1821, tendo fracassado o movimento revolucionário dos carbonários, Byron partiu para Pisa, onde escreveu o drama The Deformed Transformed (1824; O deformado transformado). Em 1822 fundou, com Leigh Hunt, o periódico The Liberal. Foi a seguir para Montenegro e daí para Génova. Nomeado membro do comité londrino pela independência da Grécia, embarcou para aquele país em 15 de julho de 1823, a fim de combater ao lado dos gregos contra os turcos. Passou quatro meses em Cefalónia e viajou para Missolonghi, onde morreu em 19 de abril de 1824, após contrair uma misteriosa febre.

Grande Prémio Poesia da APE/CTT para Armando Silva Carvalho

Nascido em 1938 em Olho Marinho, Óbidos, Armando da Silva Carvalho é um dos nomes mais destacados da poesia portuguesa de hoje, mas a sua obra estende-se também ao domínio da ficção.

Como poeta, escreveu, entre outros títulos, «Lírica consumível», «Os ovos de oiro», «Armas Brancas», «Técnicas de engate», «Sentimento de um ocidental», «O livro de Alexandre Bissexto», «Canis Dei» e «Sol a sol».

Na ficção, é autor de «O alicate», «O uso e o abuso», «Portuguex», «Donamorta», «A vingança de Maria de Noronha», «Em nome da mãe», «O homem que sabia a mar» e, em parceria com Maria Velho da Costa, o «romance epistolar» intitulado «O Livro do Meio».

No agora premiado «O amante japonês», publicado pela Assírio e Alvim, o autor recorre ao que o ensaísta e crítico Fernando J.B. Martinho descreve como «um elemento fundamental na definição da sua poética», a ironia.

Licenciado em Direito, Armando Silva Carvalho desenvolveu diversas actividades profissionais - tendo sido, por exemplo, professor do ensino secundário e técnico de publicidade - colaborou em jornais e revistas e assinou diversas traduções.

Cortesia de Diário Digital

Sob o Sol

Sob o sol em meu leito após a água -
Sob o sol e sob o reflexo enorme do sol sobre o mar,
Sob a janela,
Sob os reflexos e os reflexos dos reflexos
Do sol e dos sóis sobre o mar
Nos vidros,
Após o banho, o café, as ideias,
Nu sob o sol em meu leito todo iluminado
Nu - só - louco -
Eu!

Paul Valéry

Ícone da literatura equatoriana falece aos 83 anos

Jorge Enrique Adoum, o escritor que descreveu o seu país, o Equador, "como um país irreal limitado por si mesmo, cortado por uma linha imaginária", morreu na passada sexta-feira, aos 83 anos.

Autor de vários romances e vencedor de prémios latino-americanos, Adoum foi durante dois anos secretário privado do Nobel de literatura Pablo Neruda, no Chile, onde se formou em Direito e Filosofia.

Neruda afirmou certa vez que em Adoum o Equador tinha o melhor poeta da América Latina.

O seu romance "Entre Marx y una mujer desnuda" (Entre Marx e uma mulher nua), de 1976, deu-lhe no México o Prémio Xavier Villaurrutia.

Lisboa a Nu

Lisboa a Nu é um evento que consiste num happening artístico multidisciplinar que tem como principal objectivo mostrar a cidade de Lisboa através do trabalho de novos artistas. A ideia é revelar aquilo que habitualmente não vemos, porque está escondido ou porque simplesmente passamos depressa demais para prestar atenção. A programação é variada. O público é convidado a participar, pode trazer consigo para o evento fotografias tiradas com telemóveis ou poemas em SMS que são depois integrados num slideshow continuo que se vai construindo ao longo da noite. Telas e tintas estão também à disposição da criatividade colectiva. A música pontua todo o evento. Um colectivo de DJ’s faz as honras da casa e pequenos grupos de música acústica actuam onde menos se espera.

Lisboa a Nu tem lugar no Op Art Café no dia 4 de Julho, pelas 21h.

www.myspace.com/lisboaanu

Poema

Na gota de orvalho o sol brilha:
a gota de orvalho seca.
Nos teus olhos, o teu brilho:
e eu tão vivo.

Poemas Ameríndios

Byron volta a Monserrate

A Parques de Sintra - Monte da Lua vai assinalar o bicentenário da passagem de Byron por Monserrate com a apresentação de uma peça de teatro, nos Jardins de Monserrate, inspirada na vida e obra do poeta inglês, uma das figuras mais influentes do Romantismo.

“The Live Literature Company” apresenta duas peças em inglês “Byron in Love” & “Byron the Poet”, nos dias 17, 18 e 19 de Julho, às 18h30. Estas duas peças distintas são da autoria de Anne Fleming, escritora inglesa que publicou já três livros sobre Byron.

O magnífico Jardim de Monserrate e uma das fachadas do seu Palácio vão ser o cenário natural deste espectáculo, encenado por Valerie Doulton, que foi apresentado pela primeira vez em 2002, e desde então tem corrido mundo, registando uma excelente aceitação por parte do público e da crítica (Durante o intervalo será servido um Colares de Honra).

“Byron in Love” & “Byron the Poet” pela The Live Literature Company
Dias 17, 18 e 19 de Julho, às 18h30, no Parque de Monserrate
Encenação: Valerie Doulton
Interpretação: Rufus Wright e Madeleine Worrall
Bilhete único: 15 euros, à venda no local do espectáculo e em www.parquesdesintra.pt

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BYPASS: Poesia e Arquitectura

A BYPASS é uma publicação hiperdisciplinar anual, editada por Álvaro Seiça Neves e Gaëlle Silva Marques, que convida vários autores, de diversas áreas e nacionalidades, a apresentarem um trabalho escrito/visual sobre o tema proposto para cada número. O tema do número inaugural é ARQUITECTURA, e será dado a conhecer na Casa Fernando Pessoa, dia 9 de Julho às 18h30, pelos editores e por Ozias Filho, de quem serão lidos alguns poemas. Haverá também lugar à apresentação do vídeo Stalk, de Pedro dos Reis.

Cortesia de CFP

The Joy of Life


by Henri Matisse
Ciclo de Pintura Erótica-Poética - Quadro 1/19

Festa Literária Internacional de Paraty 2009

Em dívida com a poesia, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começa quarta-feira (1º) e vai homenagear, em sua sétima edição, o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968). O único poeta a quem a Flip rendeu homenagem foi Vinícius de Moraes (1913-1980) na primeira edição, em 2003.

A programação oficial, que inclui 34 romancistas, ficcionistas, historiadores, jornalistas e quadrinistas, promete, além do resgate e da valorização da obra de Bandeira, reflexões sobre ciência, religião, política e direitos humanos nas ruas da histórica Paraty. "Fazia tempo que a poesia não tinha destaque na Flip. Entre os poetas, Bandeira é um dos primeiros que aparece", explicou o curador da festa, Flavio Moura em entrevista à Agência Brasil.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) fará a cobertura da Flip com notícias diárias pela TV Brasil, Agência Brasil e Rádio Nacional.

O ineditismo é a marca mais forte da sétima edição da festa. Abrindo a programação oficial, na quinta-feira (2), quatro representantes da nova geração discutem a produção de quadrinhos na mesa Novos Traços. "A Flip sempre procura dar destaque a escritores jovens, que ainda não têm carreira consolidada e em quem aposta. Este ano, o incentivo vai não apenas para escritores, mas para quadrinistas novos", disse Moura.

No mesmo dia, haverá outra atração inédita. No ano em que se completam os 200 anos de nascimento de Charles Darwin e os 150 anos de A Origem das Espécies, a Flip receberá, pela primeira vez, um cientista. O biólogo norte-americano Richard Dawkins deve levantar a bandeira do ceticismo na mesa Deus, um Delírio, título de uma de suas obras.

Também no campo da não-ficção, dois autores chineses vão debater a história recente da China e as restrições às liberdades naquele país. A mesa China no Divã será dividida entre Ma Jian, que relembra o massacre da Praça da Paz Celestial, há exatos 20 anos, no livro Pequim em Coma, e o jornalista Xinran, autor de Testemunhas da China, com relatos da revolução cultural dos anos 60. "A presença de Ma Jian e Xinran é um dos destaques, já que a Flip nunca havia recebido autores chineses", comemora o curador.

Na sexta-feira (3), o jornalismo é o destaque da programação oficial e paralela. A profissão de repórter será abordada por Jon Lee Anderson, autor da principal biografia de Che Guevara, que estará na Casa da Cultura. O local que abriga eventos paralelos também receberá o escritor Milton Hatoum, o crítico literário Francisco Foot Hardman e a professora Walnice Nogueira Galvão para uma discussão sobre a obra de Euclides da Cunha (1866-1909), autor de Os sertões. Ainda sobre jornalismo contemporâneo, o norte-americano Gay Talese participa, no palco oficial da festa, da mesa Fama e Anonimato.

No mesmo dia, Chico Buarque e Milton Hatoum dão suas visões sobre o Brasil na mesa Seqüências Brasileiras, uma das mais disputadas da Flip. Entusiasta da festa, Chico lançou recentemente Leite Derramado, em que repassa a história do Brasil a partir das memórias do narrador, que, do leito de morte, desfia passagens de apogeu e declínio de sua família por meio de quatro gerações.

No sábado (4), as atenções estarão voltadas para o português António Lobo Antunes, autor de Memória de Elefante, que retrata sua experiência no exército português na guerra colonial em Angola. Lobo Antunes é um dos poucos convidados da Flip com direito à exclusividade no palco. Em vez de dividir a mesa literária, será apenas entrevistado. Este é um dos argumentos do curador Flavio Moura para uma programação mais concisa, com 34 autores contra 41 em 2008.

Moura rebate com um forte argumento as polêmicas e suspeitas lançadas sobre uma programação menor. Antes porém, taxativo, apressa-se em dizer que a crise econômica não teve nenhuma influência na programação. Ele diz que pode ter havido problemas para captação dos recursos, mas não houve na formação das mesas.

"A crise afeta todo mundo, é uma questão séria. Mas a programação não foi afetada em nada. Ela está um pouco menor, porque você tem que priorizar o tempo para os autores falarem. Sempre que possível, tentei enxugar as mesas ao máximo. A gente quer evitar que o autor viaje para a Flip e tenha pouco tempo para falar com o público", disse.

A crise, por outro lado, deve levar à 7ª Flip reflexões sobre valores e princípios que moldaram o pensamento ocidental, mas que agora passam por profunda revisão. Ainda sob o impacto da chegada do primeiro negro ao poder nos Estados Unidos, o historiador inglês Simon Schama revisitará a história norte-americana à luz da ascensão do presidente Barack Obama. Schama estará no domingo (5) na mesa O Futuro da América, título de sua mais recente obra.

Flavio Moura reconhece que a presença de historiadores e jornalistas na programação da Flip favorece o debate sobre questões sociais e políticas. "Mas não foi intencional", assegurou. "A Flip nunca se furta a discutir temas que estão na agenda do debate. Ela procura não se pautar unicamente por isso, porque é um evento literário, mas sempre que é possível trazer esse tipo de discussão para a programação, a gente o faz."

Cortesia de Agência Brasil

Os troncos das árvores doem-me como se fossem os meus ombros
Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal
Dói-me o luar — branco pano que se rasga.

Sophia de Mello Breyner Andresen

50 anos do primeiro poema concreto português

Intitulado “Iman”, a obra incorpora textos de natureza experimental visual e divide-se em três partes às quais o autor chamou de ‘Corporais’, ‘Corpus’ e ‘Corpos’, representando a “assunção da escrita enquanto código alfabético linguístico”, revelou o poeta, de 69 anos, que integra a corrente experimentalista portuguesa.

Com 28 livros publicados, entre poesia, poesia infanto-juvenil, romance, uma antologia da poesia concreta em Portugal, em parceria com Melo e Castro, para além de diversas exposições de “poemas visuais”, ‘Iman’ será apresentado quinta-feira na Galeria Valbom, em Lisboa, pelo poeta e crítico literário Liberto Cruz.

José-Alberto Marques, que se define como um poeta “dadaísta”, afirmou que este seu livro novo é “um atentado”.

“Tem poemas para ler, poemas para ver, poemas impossíveis de ler, poemas que expressam o meu sentimento”.

Uma obra que significa também “um corte” com a poesia experimental visual, uma “segunda fase” de um poeta que reivindica a autoria do primeiro poema concreto publicado em Portugal e que disse à Lusa ir “processar” os autores de uma “Antologia da Poesia Experimental Portuguesa, dos anos 60 a 80”, por porem em causa a “paternidade” do poema intitulado “Solidão” e que tem o sub-título de “Poema Concreto”.

Segundo afirmou, na referida obra surge um apontamento em que os autores afirmam que “da década de 50, datam efectivamente os primeiros textos poéticos que apontam nítidas preocupações com uma nova escrita, embora só em 1959 ela fosse publicamente reconhecida com a publicação no suplemento Artes & Letras do Diário de Notícias, num artigo intitulado 'O idêntico inverso'”.

“Depois”, acrescentou, “há uma nota de rodapé,onde se pode ler que 'na exposição PoEx, o experimentalismo português, entre 74 e 84, patente no Museu de Serralves, de Setembro de 1999 a Janeiro de 2000, surge um texto inédito de José-Alberto Marques, com o título 'Solidão' e sub-título 'Poema Concreto', datado de 1957, que vem questionar a consagrada dupla paternidade do experimentalismo nacional”.

“É mentira que o meu texto seja inédito”, afirmou. “Inédito quer dizer não publicado. E foi. Numa revista que se pode encontrar no Museu de Serralves à guarda do director, João Fernandes. Um dos autores sabe disso. É mentira que a data seja de 1957, como a revista comprova. A revista diz 1958”.

“É, pois, mentira que se questione qualquer paternidade quando o pater tem nome e obra consequente”, afirmou o poeta que acrescentou que “tudo se deve ao Brasil”. “A Haroldo de Campos, se quiserem. Porque o primeiro poema concreto feito no mundo foi deste senhor”.

Quanto ao processo que ”talvez” vá instaurar, José-Alberto Marques afirma que “há mentiras que têm que ser denunciadas e, se levasse autores à prisão, não me custaria rigorosamente nada”.

O poeta, que inaugurará dia 9 de Julho o Festival de Poesia em Belo Horizonte, Brasil, com a performance ‘Retrato do poeta enquanto corpo inteiro’ é natural de Torres Novas, onde nasceu a 4 de Outubro de 1939. Estudou Direito, foi professor de liceu e acabou por licenciar-se em História. Actualmente reside em Abrantes onde “trabalha” a poesia, a sua “grande paixão”.

Cortesia de Lusa

Alma Minha Gentil-Antologia General de la Poesía Portuguesa

Da editora Eneida e com o apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal em Madrid, acaba de sair uma completa antologia da poesia portuguesa com o sugestivo título Alma Minha Gentil da responsabilidade de Carlos Clementson, tradutor e professor de Literatura da Universidade de Córdova.

Trata-se de uma edição bilingue onde estão representados 95 poetas, abarcando 8 séculos da nossa Literatura, das origens até à actualidade. Refira-se ainda que a antologia apresenta textos de introdução histórica a cada período estético e também outros de carácter ensaístico sobre a obra de cada poeta representado bem como sobre o contexto histórico e cultural em que ela se insere.

Esta será, certamente, uma obra de referência, que oportunamente vem cobrir uma lacuna, pois a antologia de Ángel Crespo, que ia até aos anos oitenta, se encontra há muito esgotada.

Cortesia de IC

O beijo mata o desejo

MOTE

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»

GLOSAS

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.

Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.

E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.

Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!

António Aleixo

António Jacinto faleceu há 18 anos

António Jacinto do Amaral Martins, um dos maiores vultos da literatura Angolana, completa na passada terça-feira 18 anos desde a sua morte. Nasceu em Luanda a 28 de Setembro de 1924 e faleceu em Lisboa (Portugal), vítima de doença, a 23 de Junho de 1991.

Jacinto notabilizou-se com a sua poesia de protesto, e devido à sua militância política no Movimento Popular de Libertação de Angola ( MPLA), foi exilado no Campo de Concentração de Tarrafal, em Cabo-Verde, no período de 1960 á 1972.

Voltou para Angola em 1973, e se juntou novamente ao MPLA, onde continuou com a sua militância até a independência do país frente a colonização portuguesa em 1975. António Jacinto foi nomeado Ministro da Educação e Cultura, cargo que de desempenhou até o ano de 1978.

António Jacinto deixou bibliografia onde se destacam; Poemas – 1961, Outra vez Vovô Bartolomeu – 1979, Survivre dans Tarrafal de Santiago (em português, "Sobrevivendo em Tarrafal de Santiago").

São ainda celebres os seus poemas: "O grande desafio, Poema da alienação, Carta dum contratado, Monangamba, Canto interior de uma noite fantástica, Era uma vez, Bailarina negra, Ah! Se pudésseis aqui ver poesia que não há! e Vadiagem".

Cortesia de Angola Press

Exposição surrealista recorda "escândalo" de há 60 anos

Pinturas, desenhos, objectos, poemas lidos em voz alta, instalações, performances - de tudo isto se fez, há 60 anos, na sala da Pathé Baby, em Lisboa, a primeira exposição de Os surrealistas. E foi um escândalo.

Os Surrealistas apresentaram-se então como um anti-grupo. Tinham rompido no ano anterior (1948) com o Grupo Surrealista de Lisboa, de que era figura tutelar o escritor, pintor e encenador António Pedro.

Durante 15 dias, naquela sala lisboeta de projecção de filmes, num primeiro andar, à Sé, deixou a sua marca a rebeldia dos 12 jovens pintores e poetas envolvidos no afrontamento à cultura oficial: Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom, Risques Pereira, António Maria Lisboa, Mário Henrique Leiria, Fernando José Francisco, Carlos Eurico da Costa, Carlos Calvet, Fernando Alves dos Santos, António Paulo Tomas e João Artur da Silva.

Mário Cesariny contaria, mais tarde, ter visto visitantes da exposição saírem dali em passo acelerado, passarem a porta e, em vez de descerem, subirem as escadas em caracol que ligam o rés-do-chão aos outros pisos, só alguns passos adiante se dando conta do desatino...

Também foram à exposição, mas saíram depois normalmente, descendo as escadas, Almada Negreiros, João Gaspar Simões, António Pedro, outras figuras das Artes e das Letras.

Como evocou à Lusa Cruzeiro Seixas, outro dos "dissidentes" do anti-grupo, houve alguns "sorrisos de compreensão", sorrisos complacentes. O poeta e pintor contou que António Pedro disse na altura a quem o quis ouvir que "a única coisa boa" da exposição, e que acabaria por comprar, era um "objecto" dele (Cruzeiro Seixas). "Mas não era - rebate, 60 anos volvidos, recordando o episódio - O que estava bom naquela exposição não eram objectos, era a ideia de fazermos aquilo, aquele traço grosso de liberdade que, realmente, estava dentro de nós".

O regresso dos surrealistas"

Sessenta anos depois, pela mão da Galeria Perve, Os Surrealistas "regressaram" à mesma sala, hoje com outras funções. Simbolicamente, a exposição - que é uma homenagem - abriu e vai fechar rigorosamente nos mesmos dias que em 1949: 18 de Junho- 02 de Julho.

Lá estão algumas das pinturas e alguns dos desenhos então mostrados, alguns dos poemas então lidos em voz alta, alguns dos objectos. Adicionalmente, são exibidos um curto filme de ficção dos anos 60 realizado por Carlos Calvet, com Mário Cesariny no protagonista, e três documentários de Carlos Cabral Nunes, da Galeria Perve, sobre Cesariny, Cruzeiro Seixas e a última exposição que este último fez em vida.

A homenagem completa-se com mais três pólos expositivos em Lisboa: na Perve Galeria, à Rua das Escolas Gerais, 17 e 19, e em duas salas da Rua dos Remédios, números 57, primeiro andar, e 98.

Na Perve, a exposição tem por título "Surrealismo abrangente após 1950" e apresenta obras de surrealistas realizadas após a exposição de 1949 e de artistas em que "a influência do Surrealismo é forte", como nos casos de Mário Botas, António Quadros, Raul Perez, João Rodrigues, Gonçalo Duarte, Isabel Meyrelles, José Escada, entre outros.

As exposições patentes nas duas salas da Rua dos Remédios - "Revisitação", com obras próximas do ideário surrealista (Liberdade, Amor, Poesia), e "In-situ", com obras realizadas no local - estão "correlacionadas", porque nelas participam basicamente os mesmos artistas. Entre outros, Manuel João Vieira, Inês Marcelo Curto, João Garcia Miguel, Fernando Aguiar, Chris Hales, Stanislav Miler, Ricardo Casimiro, Cabral Nunes, Nuno Espinho.

A exposição na antiga sala Pathé Baby encerra a 2 de Julho. As restantes poderão ser vistas até 31 de Julho.

Ainda em Lisboa, a 1 de Julho, o Centro Cultural de Belém acolherá o lançamento do livro-objecto artístico de Cruzeiro Seixas "Prosseguimos, cegos pela intensidade da luz", será inaugurada em Alcântara a Galeria Perve Ceutarte e, na Galeria São Bento, abrirá ao público a exposição "Objectos e formas surrealistas".

Mas a homenagem não se circunscreve a Lisboa e vai viajar para outros pontos do país:

- entre 30 de Junho e 30 de Julho, o Porto poderá ver "Os Surrealistas - ontem e amanhã" na Livraria Lello, que será cenário, no primeiro dia, do lançamento do livro-objecto artístico "Prosseguimos, cegos pela intensidade da luz".

- entre 15 de Julho e 30 de Agosto ficará patente em Torres vedras, na Galeria Municipal, a exposição "Albergue da Liberdade", que inclui a estrutura com o mesmo nome levada pelo seu autor, o arquitecto Pancho Guedes, à Bienal de Veneza e entretanto doada para integrar o espólio da Casa da Liberdade Mário Cesariny.

Cortesia de O Público

CITAÇÃO - Algernon C. Swinburne

Nas montanhas da memória, pela abundância do mundo, em todos os olhos dos homens, onde a luz da vida nele está em todas coisas passadas, a morte apenas morre.

Domínio Público

No sítio www.dominiopublico.gov.br, promovido pelo Governo Brasileiro, encontram-se obras literárias em língua portuguesa de autores de língua portuguesa e estrangeira com acesso gratuito entre Machado de Assis a Fernando Pessoa e Shakespeare a Dante. A pesquisa pode ser realizada por tipo literário, por exemplo Literatura Infantil, e por tipo de média, por exemplo texto, imagem, video e som.

Tribunal jordano condena poeta acusado de difamar Islão

Um tribunal jordano de primeira instância condenou a um ano de cadeia um poeta jordano por considerar que o escritor difamou o Islão, informaram hoje fontes judiciais.

O tribunal decidiu ainda impor ao escritor, identificado como Isalm Samhan, de 27 anos, uma multa de 10.000 euros.

O caso foi apresentado aos tribunais em Outubro passado pelo Departamento de Impressão e Publicação da Jordânia.

Este departamento acusou Samhan de usar frases do Corão de uma forma que 'insulta os profetas e os sentimentos religiosos'.

Para Samhan, que negou as acusações, a sentença foi desenhada para 'agradar aos círculos religiosos'.

O advogado do poeta, Hurani Jeir, assegurou que a decisão não se baseia em fundamentos jurídicos sólidos e disse que vai recorrer da sentença.

Cortesia de Lusa

Festival Poético SESC 2009

O Sesc (Serviço Social do Comércio) da cidade de Cornélio Procópio, no Paraná, ainda está com as inscrições abertas para o Festival Poético 2009.

Trata-se de um concurso de poesia que tem como objetivos básicos: descobrir e incentivar novos talentos e, também, dar aos poetas a oportunidade de divulgar seus trabalhos, além de propiciar o intercâmbio cultural entre todos os segmentos envolvidos no evento.

A participação está aberta a candidatos de qualquer idade, apresentando no máximo 02 (duas) poesias de própria autoria, com o tema livre. As poesias inscritas devem ser inéditas e originais. As inscrições vão até o dia 31 de julho.

O concurso oferece 03 categorias gerais e 03 subcategorias por idade. São elas:
1 - Outras cidades:
A - de 7 a 10 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
B - de 11 a 14 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
C - Acima de 15 anos - misto: 1º ao 4º classificado;

2 - Cornélio Procópio;
A - de 7 a 10 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
B - de 11 a 14 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
C - Acima de 15 anos - misto: 1º ao 4º classificado;

3 – Comerciários:*
A - de 7 a 10 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
B - de 11 a 14 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
C - Acima de 15 anos - misto: 1º ao 4º classificado;
* Comerciários e seus Dependentes, assim como Empresários do Comércio.

Período de inscrição: 04 de maio a 31 de julho de 2009 Endereço para o envio das poesias: Av Nossa Senhora do Roccio, 696 - Centro - Cornélio Procópio - PR CEP: 86300000 Data da Seleção: 14 de agosto de 2009
Premiação: 16 de outubro de 2009 às 19h30
Local: Anfiteatro da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

O resultado será divulgado na imprensa local e disponível no site do SESC/ PR www.sescpr.com.br, a partir do dia 21 de agosto de 2009. Os premiados receberão troféus, certificados e coletânea das poesias classificadas no Festival Poético 2009, e farão parte de um "Varal de Poesias" itinerante.

Além disso, os poetas que tiverem seus trabalhos selecionados poderão confirmar junto ao Sesc Cornélio Procópio, até o dia 28 de agosto de 2009, sua participação na declamação dos poemas na noite de premiação.

O Festival Poético é uma promoção do SESC - Serviço Social do Comércio de Cornélio Procópio/PR, Rotary Club, Lions Clube, Academia de Letras, Artes e Ciências e Prefeitura de Cornélio Procópio, no Paraná.

EUPL – European Union Prize for Literature 2009

A EBF – European Booksellers Federation e a FEP – Federation of European Publishers, foram indicadas como organizadoras do Prémio European Prize for Literature, a ser entregue no Outono de 2009.

Em cada ano, entre 2009 e 2011, 11 ou 12 dos 34 países que participam no Programa Cultural Europeu serão responsáveis pela selecção do seu vencedor, enquanto talento emergente, no campo da Literatura Contemporânea – ficção. Os países seleccionados, em 2009 são: a Áustria, a Croácia, a França, a Hungria, a Irlanda, a Itália, a Lituânia, a Noruega, a Polónia, Portugal, a Eslováquia e a Suécia.

O grande propósito passa por dar algum realce à criatividade e diversidade da Literatura Contemporânea Europeia, promover a circulação da literatura dentro do continente e estimular um maior interesse em trabalhos literários estrangeiros. Existirá também um galardão para uma personalidade do mundo literário europeu que assumirá o papel de “Embaixador Europeu de Literatura”, por um ano.

Para mais informação:
http://www.euprizeliterature.eu/
http://ec.europa.eu/culture/our-programmes-and-actions/doc627_en.htm

A fonte

Da espalda de um rochedo, gota a gota
límpida fonte sobre o mar caia,
Mas, ao vê-la tombar em seu regaço:
" O que queres de mim?" O mar dizia.
"Eu sou da tempestade o antro escuro;
"Onde termina o céu aí começo;
"Eu que nos braços toda a terra espreito,
"De ti, tão pobre e vil, de ti careço?...
No tom saudoso do quebrar das águas
Ao mar, serena, a fonte assim murmura:
"A ti, que és grande e forte, a pobre fonte
Vem dar-te o que não tens, dar-te a doçura!"

Victor Hugo

O livro na era da sua reprodutibilidade digital

Historicamente, somos os herdeiros de uma “ordem do livro” que conformou, durante séculos, o nosso campo cognitivo, cultural e político, ou seja, uma certa maneira de produzir saber, sentido e sociabilidade. As nossas representações, as nossas percepções e as nossas categorias foram, assim, dominadas por um conjunto de “fenómenos de longa duração”, desde a morfologia do códice à cultura do impresso, desde a identificação entre o livro e a obra até à noção de “função autor”. História longa do livro, portanto, que é, também, uma história da escrita, dos seus suportes, da sua transmissão, disseminação e recepção. É este conjunto de heranças sedimentadas que a emergência de uma sociedade de informação e em rede e o desenvolvimento das novas tecnologias digitais vêm pôr em questão: encontramo-nos num momento de transição para um novo paradigma em que se assiste a um desenvolvimento exponencial da produção de documentação e informação directamente sob forma digital e a uma progressiva digitalização dos conteúdos de uma cultura analógica e do impresso. Esta situação não pode deixar de afectar significativamente o modo tradicional de pensar a natureza e funções do livro, da escrita, da leitura e suas práticas, os modos técnicos de produção e de reprodução dos textos, as economias da autoria e edição e as formas de transmissão do saber.

José Afonso Furtado (1953) é Director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste de Gulbenkian e Docente no Curso de Pós-graduação em “Edição: Livros e Novos Suportes Digitais” da Universidade Católica Portuguesa. É membro da Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e autor de várias conferências, artigos e livros, designadamente O papel e o pixel. Do impresso ao digital: continuidades e transformações, Lisboa: Ariadne, 2007, também publicado no Brasil e em Espanha, e A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, Lisboa: Booktailors – Consultores Editoriais, 2009.


Conferências por José Afonso Furtado:
23 de Junho
Escrever, editar e ler na era digital 1

30 de Junho
Escrever, editar e ler na era digital 2
A Web social

18h30 · Sala 2 · Entrada Gratuita

>Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis.Máximo: 2 senhas por pessoa.)

Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt


Cortesia de Culturgest

Poeta da Fotografia

Nem Kok Nam, nem Sérgio Santimano, nem Naíta Ussene - o maior poeta da fotografia de Moçambique foi Ricardo Rangel. O seu "clique mágico" permitiu que o repórter de ofício fosse registando, num claro escuro pleno de nuances e de contrastes, figuras tão paradoxais como a do porteiro de um cabaré com cabeleira digna da corte de Luís XIV. Mas bastava a série construída nas décadas de 60 e 70 nos bares de prostituição da Rua Araújo, na então Lourenço Marques - hoje, no livro Pão Nosso de Cada Noite -, para se concluir que Ricardo Rangel não era apenas repórter - foi autor maior na arte da fotografia. Agora, após se ter apagado o seu olhar, podemos ouvir, em sua honra, A Night in Tunisia, pois ele era um admirador do jazz de Charlie Parker.

Cortesia de DN

CITAÇÃO - Juana Inés de la Cruz

Pára, sombra de meu elusivo amado, imagem de encanto que mais desejo, ilusão bela por que alegremente morro, doce ficção por que dolorosamente vivo.