Lançamento do livro Vida Crioula de Teobaldo Virgínio

No próximo dia 3 de Julho será apresentado o livro "Vida Crioula", de Teobaldo Virgínio, pelas 16h00, na Associação dos Antigos Estudantes do Ensino Secundário de Cabo Verde, sita na rua Manuela Porto, em Lisboa.

A apresentação do livro será feita pelo escritor Kwane Koudé (pseudónimo literário de Francisco Gomes Fragoso) e envolverá animação cultural, a cargo do Grupo Cénico Tchondi di Kaberdi, que fará a leitura de alguns trechos do livro Vida Crioula.

Natural da Ilha Santo Antão, de Cabo Verde, Teobaldo Virgínio tem vasta obra publicada no domínio da ficção e da poesia, foi director da revista Arquipélago e colaborou com vários órgãos de imprensa como a Vida Crioula, Morabeza, Revue Noire, Notícias do Imbondeiro (Angola) e Coluna do Norte (Brasil).

Pela sua relevante acção em prol da cultura caboverdiana foi distinguido, em 2010, com a Placa Comemorativa das festividades do Dia Municipal da Câmara da Ribeira Grande.

No acto de apresentação de Vida Crioula, serão também reveladas ao público as seus últimas obras, Folhas da Vida (poesia) e Gaudêncio, Filho Errante (prosa), publicados no país onde vive há muitos anos – Estados Unidos da América.

Cortesia de DNArtes

Os poetas

Nunca os vistes
Sentados nos cafés que há na cidade,
Um livro aberto sobre a mesa e tristes,
Incógnitos, sem oiro e sem idade?

Com magros dedos, coroando a fronte,
Sugerem o nostálgico sentido
De quem rasgasse um pouco de horizonte
Proibido...

Fingem de reis da Terra e do Oceano
(E filhos são legítimos do vício!)
Tudo o que neles nos pareça humano
É fogo de artifício.

Por vezes, fecham-lhes as portas
— Ódio que a nada se resume —
Voltam, depois, a horas mortas,
Sem um queixume.

E mostram sempre novos laivos
De poesia em seu olhar...

Adolescentes! Afastai-vos
Quando algum deles vos fitar!

Pedro Homem de Mello

Guiné-Bissau: «da poesia de combate à poesia intimista»

Uma literatura exclusivamente poética: da poesia de combate à poesia intimista

Com a independência do país, surge uma vaga de jovens poetas, cujas obras impregnadas de um espírito revolucionário, manifestam um carácter social. Os autores mais representativos são: Agnelo Regalla, António Soares Lopes (Tony Tcheca), José Carlos Schwartz, Helder Proença, Francisco Conduto de Pina, Félix Sigá.

O colonialismo, a escravatura e a repressão são denunciados por esses autores que, no pós independência imediato apelam para a construção da Nação e invocam a liberdade e a esperança num futuro melhor. O tema da identidade é abordado através de diferentes situações: a humilhação do colonizado, a alienação ou assimilação e a necessidade de afirmação da identidade nacional.

Note-se porém que a questão de identidade não é apresentada como um factor de oposição entre o indivíduo e a sociedade na qual este evolui. Ela é analisada como um conflito pessoal do indivíduo, que consciente do seu desfasamento cultural em relação à sociedade de origem, procura identificar-se com as suas raízes, da qual foi afastado pela assimilação colonial. Por conseguinte, nesta abordagem não se põe em causa a pertença do indivíduo à sociedade em questão.

Embora o recurso ao crioulo seja marginal, os autores afirmam-se como cidadãos africanos

Vejamos :

Agnelo Regalla (tema do assimilado)

Fui levado

a conhecer a nona sinfonia

Beethoven e Mozart
na música

Dante, Petrarca e Bocácio

na literatura

… Mas de ti mãe África ?

Que conheço eu de ti ?

a não ser o que me impingiram

o tribalismo, o subdesenvolvimento

e a fome e a miséria como complementos…/[vii]



Helder Proença (temas: reconstrução e esperança)

« …É assim que vamos tecendo as nossas manhãs

de ferro e terra batida

são as cores da nossa vida

onde a juventude se forja

- ardente e gloriosa no peito palpitante do futuro - … »[viii]

As primeiras publicações poéticas surgem em 1977 com a edição da primeira antologia « Mantenhas para quem luta », editada pelo Conselho Nacional da Cultura. No ano seguinte, é publicada a “Antologia dos novos poetas / primeiros momentos da construção”. Estas duas obras consagram uma poesia que instiga à reconstrução do jovem país.

Ainda em 1978, Francisco Conduto de Pina publicou o seu primeiro livro de poemas “Garandessa di nô tchon” e Pascoal D’Artagnan Aurigema editou ‘Djarama”.

Helder Proença publicou em 1982 « Não posso adiar a palavra » com duas obras poéticas.

Em 1990, surgiu uma nova colectânea poética, a “Antologia Poética da Guiné-Bissau” editada em Lisboa pela Editorial Inquérito, reunindo obras de quinze poetas, dos quais a maioria produz ainda uma poesia característica desta época.


Uma poesia mais intimista

O desencantamento dos sonhos do pós-independência imediato fez com que a euforia revolucionária desse lugar a uma poesia que se tornou mais pessoal, mais intimista, com a deslocaçao dos temas Povo-Nação para o Indivíduo. Outros temas passaram a inspirar a criação literária, tais como o amor. De entre os seus autores citemos: Helder Proença, Tony Tcheca, Félix Sigá, Carlos Vieira, Odete Semedo.

«Quisera

nesta vida

… afagar teus cabelos

sugar o doce dos teus olhos

transportar em arco-íris

o néctar da tua boca

e juntos caminharmos

ante a ânsia e o sonho … »[ix]


« A vida

nasce de gotas de Amor

- a morte

acontece no tempo

entre mim e a vida

paira um vácuo

- com sorriso

aguardo o destino[x].

Embora o português continue a ser a língua dominante na poesia guineense, o recurso ao crioulo tornou-se mais frequente, quer pela escrita em crioulo, quer pela utilização de termos e expressões crioulas em textos em português. Empregando o crioulo, os autores põem em evidencia a riqueza metafórica dessa língua, profundamente enraizada na cultura popular.

Odete Semedo, que utiliza tanto o português como o crioulo, reivindica pertencer a duas culturas:

« Em que língua escrever

as declarações de amor ?

em que língua contar as histórias que ouvi contar ?

… Falarei em crioulo ?

Falarei em crioulo !

mas que sinais deixar aos netos deste século ?

ou terei que falar nesta língua lusa

e eu sem arte nem musa

mas assim terei palavras para deixar.. . »[xi]

Várias são as publicações que dão conta destas inovações na literatura bissau – guineense: « O Eco do Pranto » de Tony Tcheca em 1992, uma antologia temática sobre a criança, editada pela Editorial Inquérito em Lisboa ; « O silêncio das gaivotas » em 1996, o segundo livro de poemas de Francisco Conduto de Pina ; « Kebur – Barkafon di poesia na kriol », uma recolha de poemas em crioulo, editada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) em 1996 ; « Entre o Ser e o Amar », uma recolha bilingue português-crioulo de poemas de Odete Semedo, publicada também pelo INEP em 1996 « Noites de insónia em terra adormecida », um outro livro de poemas de Tony Tcheka publicado também em 1996 e « Um Cabaz de Amores - Une corbeille d’amours”, recolha bilingue português-francês de poemas de Carlos Edmilson Vieira, publiacada em 1998 pelas Editions Nouvelles du Sud em Paris.

As primeiras bandas desenhadas de Fernando Júlio, exclusivamente em crioulo, apareceram na década de oitenta. Trata-se essencialmente de sátiras sociais que tiveram um grande sucesso. A música, onde a poesia crioula tem quase a exclusividade, foi também marcada pela exultação da reconstrução nacional.

Autoria de Filomena Embaló

«Crónica do Rei-Poeta Al-Mu’tamid» de Ana Cristina Silva

A existir, a ser equacionado por um qualquer levantamento estatístico, o registo do romance histórico em Portugal nos últimos anos provavelmente denunciá-lo-ia num dos lugares cimeiros, senão mesmo no topo, entre os géneros literários mais amiúde praticados pelos autores nacionais. Entre crónicas romanceadas de rainhas pretéritas – imbuídas de espíritos benfazejos, de ideais cristãos beneméritos das artes ou pugnando, altruístas, e avant son temps, em favor e defesa dos mais desfavorecidos – e revisitações dos tempos luso-imperialistas, pré e pós-descolonização (não isentas de “emboscadas” narrativas, no que respeita à leitura e interpretação dos factos pretensamente ficcionados, propiciadas por sentimentos e memórias desfiados na primeira pessoa e por decorrência não por completo sanadas nas suas feridas), o romance histórico português, poderá afirmar-se sem receios de nos afastarmos da verdade dos factos, encontra no público português terreno sólido para cada vez mais se afirmar. É verdade, sim, que tratar-se-á de um género com alguma dificuldade em escapar às temáticas supracitadas, o que em parte, e sobretudo no que respeita ao romance histórico de vertente colonialista, chamemos-lhe assim, se ficará a dever às nunca desvalorizáveis capacidades de auto-expiação ou autopsicanálise que a escrita de um tal género romanesco comportará, sobretudo quando, durante décadas, o romance português nunca se ocupou em pleno de uma tal temática, isto se exceptuarmos alguns arremedos assinados por quem, de viva presença, fez a guerra, o mais das vezes por militares operacionais que mais do que mão para a escrita revelavam, eles sim, uma vontade de, por via das palavras, expiar os dramas vividos e na pele experimentados. Vejamos, contam-se pelos dedos os relatos com mão literária desses tempos do ódio, recordando-me, assim de repente, de um Lobo Antunes, de um Vergílio Alberto Vieira, de um João de Melo, um Carlos Vale Ferraz e poucos mais, isto não entrando pela poesia, onde também, a bem da verdade, muitos outros exemplos não pontuariam, sendo de relevar, sem dúvida, vozes como a de Manuel Alegre ou, e sobretudo, a fulgurante e algo desconhecida poesia do brilhante poeta que foi Fernando Assis Pacheco. Voltemos, porém, ao âmbito e motivo destas perorações para neste cenário situarmos e darmos conta do novo romance de Ana Cristina Pereira, tão-só porque no domínio do romance histórico escapa às compartimentações prévias, optando antes por deter-se numa outra temática.

Para recriação romanesca, Ana Cristina Pereira, neste que é o seu terceiro romance editado na Presença, reincide no registo histórico (seja lá o que isso seja, desconhecendo-se as balizas exactas a partir das quais um romance deixa de ser apenas romance para ser romance histórico…), desta feita detendo-se sobre uma personagem histórica de grande aura. Nada mais nada menos que o rei poeta e creio que também dito agricultor Al-Mu’Tamid, emir e rei que foi primeiro governador de Silves, depois senhor da taifa de Sevilha, uma vez sucedendo ao seu pai no trono, Al-Mu’Tadid. É a história semi-ficcionada da sua vida, baseada em fontes que a autora no final do livro nomeia, nomeadamente os importantes escritos biográficos de Adalberto Alves e o livro «Portugal na Espanha Árabe», de António Borges Coelho, que aqui nos é dada a ler. Com conta e medida, desde já se retenha. Porque não se espraiando em demasia na efabulação de episódios da vida do rei, porque não se perdendo em excessivas decorações de teor descritivo, como é hábito acontecer noutras empreitadas do género, mais importadas com o pintar dos dias e dos tempos vividos, do que com a tentativa de chegar ao coração e ao pensamento das personagens. Ora o que Ana Cristina Silva faz é justamente optar por ir antes nessa direcção, isto é, dar-nos o tempo das personagens a partir do modo como elas pensariam os seus dias. O que daí resulta é que temos dos factos uma ideia interpretada à luz do pensamento das personagens, sobretudo, no caso, a perspectiva de Al-Mu’Tamid. Deste modo, os factos históricos surgem-nos não apenas como meros factos, distantes e frios, mas antes imbuídos de uma perspectiva humana, donde, de resto, a conseguinte reflexão sobre eles e sobre os seus efeitos. Daí decorre uma muito interessante leitura histórica, não apenas da sociedade desses tempos, mas de como as pessoas (nomeadamente os seus actores principais) pensavam e reflectiam os acontecimentos.

Relatada na primeira pessoa (estas são as memórias de um rei já moribundo, dadas a conhecer por um seu escravo e presumível filho depois de o encontrar morto sob uma palmeira no seu exílio forçado na remota Aghmât, no meio do deserto) esta história dá-nos a conhecer um homem que, vistas as coisas, foi vítima da história. Com essência de poeta, ele acaba por ceder ao longo da vida, e nas suas decisões, aos desígnios e desejos do seu pai, este um homem cruel, sedento de guerras, conquistas e vitórias, ansioso por acrescentar mais e mais territórios ao império árabe na Península. Contudo, a história movia-se, e quis o destino que Al-Mu’Tamid viesse ao mundo no exacto momento em que as hostes cristãs na Península, comandadas por Afonso VI, se reuniam para a anunciada e pressentida Reconquista. Isso veio a acontecer, vitimadas as fileiras árabes não só pelo recrudescer das forças cristãs como também por intestinas lutas entre os emires da várias taifas andaluzes, mesmo que no seu final aglutinadas sob a mão de ferro dos berberes almorávidas, estes cães ferozes na defesa dos preceitos mais conservadores e acirrados do Alcorão. Incapaz de lutar contra o rolo da História, mesmo que se revelando no campo de batalha digno sucessor dos créditos do seu pai, Al-Mu’Tamid dir-se-ia talhado para a miséria enquanto rei, já que perderia o seu trono, os seus territórios, as suas riquezas e até alguns dos seus filhos. No mais, como bom poeta (que era e que a História guardou, guarda como tal), apenas conservou a aura poética (escrevendo até ao fim dos seus dias, mesmo dentro de um calabouço – e aqui, no relato, fica apenas a dúvida de saber onde escrevia, pois encontrava-se numa aldeia de tendas no meio do deserto, quase sem vivalma e agrilhoado dentro de uma “masmorra”), o amor das suas mulheres, a amizade dos poetas, uma réstia de dignidade e a memória afectiva do seu povo. Um falhado ou um vencedor? Pelos trâmites da História, talvez um vencedor, pois apesar de um perdedor no seu tempo foi a ele que a História guardou, mais do que, por exemplo, a memória do seu pai ou outros conquistadores árabes seus predecessores. Nada de muito espantar; quem hoje, entre a massa de anónimos cidadãos, sabe nomear os ministros de, por exemplo, uma primeira república? Por outro lado, pergunte-se-lhes que foi Camões e todos saberão dizê-lo um dos nossos, senão o nosso maior poeta. Eis, ao fim e ao cabo, neste romance bem expressa a força imorredoira da poesia. Expressa, diga-se, de forma admiravelmente bem escrita.

Pedro Teixeira Neves

Cortesia de PNETLiteratura

Dia de Informação Europeana.cultura.pt

No próximo dia 1 de Julho – Dia de Informação Europeana.cultura.pt – vários organismos do Ministério da Cultura irão divulgar alguns dos seus projectos de disponibilização e agregação de conteúdos para o Portal Europeana.

A sessão decorrerá na Sala Félix Ribeiro da Cinemateca Portuguesa.

Este Dia de Informação insere-se na iniciativa cultura.pt, que pretende impulsionar a participação portuguesa na construção do Portal Europeana e aumentar a quantidade de conteúdos digitais portugueses nesse Portal através da agregação nacional/sectorial de conteúdos de outras entidades, públicas ou privadas, que desejem participar.

Informações e inscrições em www.culturadigital.pt e no sítio da Biblioteca Nacional de Portugal.

Cortesia de DGLB

Clássico na cidade de Pessoa


Portugal joga em ‘casa’ no encontro com o Brasil hoje, 25 de Junho às 15h00, em Durban. No estádio Moses Mabhida, com 70 mil lugares, cerca de metade dos bilhetes foram adquiridos por portugueses. Na cidade – com 2,7 milhões de habitantes – a presença da comunidade lusa é forte. O nome da província a que pertence, Kwa-Zulu--Natal, integra a palavra Natal por Vasco da Gama ter avistado a região a 25 de Dezembro de 1497. Durban possui um relógio em homenagem ao navegador e conta com uma estátua de Bartolomeu Dias, que dobrou o cabo da Boa Esperança em 1488.

Em 1904, foi nesta cidade que surgiram impressos os primeiros versos de Fernando Pessoa, então com 16 anos. O poeta estreou-se nos heterónimos, pois assinou com C.R. Anon no maior jornal local, o ‘Natal Mercury’. Hoje, a cidade lembra o poeta com uma estátua.

Na cidade sul-africana de Pessoa o momento agora é de expectativa. Para Raul Quintas, presidente do clube português de Durban, "as bancadas do estádio serão um caldeirão português à espera do Brasil".

Adaptado de CM

3º Prémio Literário Irene Lisboa

A Língua e a literatura portuguesas constituem veículos privilegiados da nossa Identidade e Cultura. Através das mesmas é reconhecida a Universalidade do nosso povo. Às autarquias, cabe também a sua preservação e proliferação.

Neste âmbito, o Município de Arruda dos Vinhos promove o Concurso Literário Irene Lisboa, destinado a galardoar trabalhos de reconhecida qualidade.


A escolha da Patrona do evento deve-se à importância ímpar de Irene Lisboa na nossa Literatura e Pedagogia e porque este é o concelho da sua naturalidade.


Regulamento

Artigo 1.º
Objectivos
1 - O presente regulamento tem como objecto estabelecer as condições e critérios do Concurso Literário Irene Lisboa.
2 - São objectivos deste concurso:
a) Divulgar o nome e a obra de Irene Lisboa;
b) Valorizar a Língua Portuguesa;
c) Valorizar a cultura Arrudense;
d) Criar e/ou consolidar hábitos de leitura;
e) Criar e/ou consolidar hábitos de escrita;
f) Promover a escrita criativa, valorizando a expressão literária.

Artigo 2.º
Periodicidade
O Prémio Literário Irene Lisboa realiza-se anualmente, no concelho de Arruda dos Vinhos.


Artigo 3.º
Modalidades
Os trabalhos a concurso poderão revestir as seguintes modalidades
a) Poesia (tema livre)
b) Prosa-Conto (tema livre)

Artigo 4.º
Participantes
Podem participar no concurso todos os cidadãos portugueses natos ou naturalizados e estrangeiros cuja situação de permanência no país esteja devidamente legalizada.


Artigo 5.º
Formalização das Candidaturas
1 - O trabalho a concurso é entregue dentro de envelope fechado, identificado no exterior com pseudónimo. Dentro do envelope que contém o trabalho, deve ser colocado um segundo envelope fechado, indicando o pseudónimo no exterior e contendo no seu interior a identificação do autor, morada e contacto.
2 - Cada participante pode concorrer com o máximo de dois trabalhos, por modalidade, sob pena de ser excluído do concurso caso se comprove o não cumprimento deste número.
3 - Após a identificação dos trabalhos premiados, caso se verifique a existência de mais de dois prémios do mesmo concorrente, o mesmo será excluído do concurso.


Artigo 6.º
Características das obras
1 - Só são admitidas a concurso obras inéditas, escritas em Língua Portuguesa.
2 - Devem as modalidades respeitar as seguintes características:
a) Poesia: 1 conjunto de 6 poemas, com espaço e meio entre linhas, em letra “Arial”, tamanho 12, em folhas A4. (3 exemplares).
b) Prosa (conto): mínimo de 5 páginas e máximo de 15 páginas, com espaço e meio entre linhas, em letra “Arial”, tamanho 12, em folhas A4.(3 exemplares).
3 - Todos os exemplares devem ser identificados com o pseudónimo.

Artigo 7.º
Do Júri
1 - O júri é constituído por 3 elementos indicados pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos.
2 - O júri pode não atribuir qualquer prémio, desde que devidamente fundamentada a respectiva deliberação.
3 - O júri pode atribuir Menções Honrosas, desde que devidamente fundamentada a respectiva deliberação.
4 - Das deliberações do júri não há lugar a recurso.


Artigo 8.º
Dos Prazos, Prémios e Datas dos Eventos
As datas de entrega dos trabalhos, de divulgação dos resultados e da cerimónia da entrega de prémios, bem como os prémios a atribuir e os respectivos valores são fixados, anualmente, pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos e publicitados em anexo a este regulamento, em cada nova edição do prémio literário.


Artigo 9.º
Dos Trabalhos
1 - A Câmara Municipal fica detentora dos trabalhos premiados, reservando para si todos os direitos de publicação ou divulgação dos mesmos.
2 - Os trabalhos não premiados são devolvidos, se solicitados, até dois meses, após a cerimónia de entrega dos prémios.


Artigo 10.º
Sanções
A não observância do disposto em qualquer dos números anteriores implica a desclassificação do trabalho respectivo.


Artigo 11.º
Casos Omissos
Os casos omissos no presente Regulamento são resolvidos por despacho do Presidente da Câmara ou do Vereador do Pelouro da Cultura.


Artigo 12.º
Entrada em Vigor
O presente Regulamento entra em vigor quinze dias após a sua publicação.



Datas
Data limite para entrega dos trabalhos: 30 de Junho de 2010. Os trabalhos recepcionados posteriormente são aceites, se essa for a data constante no registo dos correios.
Divulgação dos resultados: Os resultados são tornados públicos no dia 14 de Setembro de 2010.
Entrega dos Prémios: A cerimónia da entrega dos prémios é no dia 23 de Setembro de 2010.

Prémios
- Prémio Lirerário Irene Lisboa de Prosa (conto): 1000,00 €
- Prémio Literário Irene Lisboa d
e Poesia: 1000,00€

Poetícia no Mundo


Cortesia de 24counter em 14/06/2010

Conferência sobre Fernando Pessoa no Festival Lusofonia de Londres

Esta será a estreia internacional deste coletivo fundado em 2007 e que é liderada pelo maestro, compositor e percussionista Pedro Carneiro.

O programa do concerto inclui 1ª Sinfonia de Beethoven, o 2º Concerto para piano de Chopin, o qual será executado pela pianista brasileira Cristina Ortiz, e duas peças para cordas de dois compositores portugueses: Nocturno, de Joly Braga Santos, e Canto para Timor-leste, de Luís Tinoco.

Seguem-se nas três semanas do festival dezenas de concertos, espectáculos de dança, sessões de cinema, palestras sobre literatura com artistas britânicos e estrangeiros, muitos dos quais de países de língua portuguesa.

A lusofonia é o tema da edição deste ano do festival, que procura assim diferenciar-se de outros eventos da capital britânica.

“Em vez de termos só uma mistura casual de bons artistas a actuar, centramo-nos em temas específicos para dar ao festival uma identidade”, justificou o diretor, Ian Ritchie.

Outra mais valia deste festival são os locais históricos onde decorre, um bairro onde actualmente se concentram as sedes dos bancos e instituições financeiras mas onde outrora nasceu a cidade.

O facto de ser o principal centro financeiro europeu, onde todos os dias se realizam transações, cria uma analogia para o festival, que pretende promover “trocas culturais com outras partes do mundo”.

O cartaz musical inclui concertos do pianista português Artur Pizarro, do guitarrista Pedro Caldeira Cabral, do coro Gulbenkian, de A Capella Portuguesa e da soprano goesa Patricia Rozario com o violoncelista brasileiro António Meneses.

Ao compositor contemporâneo Miguel Azguime foi encomendado um trabalho, “(ThS)inking Survival Kit”, que será apresentado a 06 de julho pelo Sond’Art-te Electric Ensemble.

O trio do moçambicano Deodato Siquir, o quinteto português Sons da Gare, o septeto angolano Lindu Mona e o acordeonista brasileiro Renato Borghetti vão tocar em espaços abertos.

O fado estará também presente em vários filmes inspirados pela música que serão projectados e numa noite de prova de vinhos com o canto a cargo de Ana Sofia Varela, Ricardo Ribeiro e Liana.

Inês Pedrosa, presidente da Casa Fernando Pessoa, o professor universitário Seabra Pereira, o editor Simon Jenner e o tradutor Richard Zenith irão fazer um “retrato do maior poeta de Portugal” numa conferência a 22 de junho.

A poesia lusófona volta a ser evocada numa sessão a 08 de julho, onde estarão vários autores: o cabo-verdiano Corsino Fortes, a angolana Ana Paula Tavares e o português Valter Hugo Mãe.

O festival termina no dia seguinte com um espetáculo da Aurora Orquestra, que mistura capoeira com música barroca e contemporânea, com coreografia do brasileiro Ponciano Almeida.

Cortesia de Destak.online

Apresentação de Studi su Fernando Pessoa


Este livro contém onze “estudos”, dos quais oito já apareceram há pouco mais de quatro anos na revista Letteratura – Tradizione, sendo incluídos no Speciale: Pessoa (1888-1935), unicità e molteplicità, também organizado por Brunello De Cusatis, que foi a forma que a revista escolheu para participar nas homenagens que por todo o lado, e não só em Portugal, foram feitas a Fernando Pessoa nos setenta anos da sua morte. Os onze autores deste livro miscelâneo, que constam entre os maiores conhecedores de Pessoa do mundo, trabalham em vários centros de pesquisa de diferentes países, desde a “Equipa Pessoa” de Lisboa até algumas universidades portuguesas e italianas, como também brasileiras e americanas. A apresentação deste título contará com as presenças de José Blanco, Ivo Castro, Alfredo Margarido, Fernando J. B. Martinho, Jerónimo Pizarro, Manuel Simões, Brunello Natalle De Cusatis (organizador) e Marco Bucaioni (editor) acontece dia 23 de Junho às 19h00.

Cortesia de CFP

O imenso adeus

Um longo - imenso - adeus à noite passada!

A noite passada não tem despedida
e todavia, agora ou mais tarde, no tempo se esvai.
Ainda que a forca seja o destino
eu tudo daria para que a noite passada venha de novo
e a noite de hoje apenas o tempo de ontem.

E então esta noite seríamos dois a morar nesta casa
senhores de um segredo
que os olhos não podem não sabem não querem
esconder.
Ainda que os lábios não esmaguem
nos olhos luz intensa luz que o segredo oculto
não mais é segredo.

Niall Mór MacMhuirich

CITAÇÃO - Eugénio Lisboa

Pratiquemos, meticulosamente, a arte sinuosa de procurar, exactas, as palavras que não são.

Poetas do Mundo - Rui Knopfli

POEMAS

Cair do pano

As acácias já se incendiaram de vermelho
e o zumbido das cigarras enxameia obsidiante
a manhã de Dezembro. A terra exala,
em haustos longos, o aguaceiro da madrugada.
Ao longe, no extremo distante da caixa

de areia, o monhé das cobras enrola
a esteira e leva o cesto à cabeça,
cumprido o papel exacto que lhe coube
e executou com paciente sageza hindu.
Dura um instante no trémulo contraluz

do lume a que se acolhe, antes da sombra
derradeira. Assim, os comparsas convocados
para esta comédia a abandonam, verso
a verso, consignando-a ao olvido
e à erva daninha que, persistente, a cobrirá

irremediavelmente. O encenador faz
a vénia da praxe e, porque aplausos
lhe não são devidos, esgueira-se pelo
anonimato da esquerda alta. É Dezembro
a encurtar o tempo, o pouco que nos sobra.


Nenhum Monumento

Não são aparentes em ti as marcas de grandeza
nenhum monumento desfigura
ou altera a monotonia sem convulsões
do teu rosto quase anónimo.

A escassez de ogivas, arcobotantes.
rosáceas, burilados portais, cobra-la tu
na gravidade das tuas sombras
e do teu silêncio. Não vem sequer
da tua voz a opressão que cerra
as almas de quantos de ti
se acercam. Não demonstras,
não afirmas, não impões.
Elusiva e discretamente altiva
fala por ti apenas o tempo.


Posteridade

Um dia eu, que passei metade
da vida voando como passageiro,
tomarei lugar na carlinga
de um monomotor ligeiro
e subirei alto, bem alto,
até desaparecer para além
da última nuvem. Os jornais dirão:
Cansado da terra poeta
fugiu para o céu. E não
voltarei de facto. Serei lembrado
instantes por minha família,
meus amigos, alguma mulher
que amei verdadeiramente
e meus trinta leitores. Então
meu nome começará aparecendo
nas selectas e, para tédio
de mestres e meninos, far-se-ão
edições escolares de meus livros.
Nessa altura estarei esquecido.


Baldio

O menino que eu fui debruça-se furtivo
de meus olhos sobre o recanto da paisagem.
Entre a dureza austera dos prédios
e o largo sorriso colorido das vidraças
aquele recanto que sobrou da paisagem
pertence intacto ao menino que eu fui outrora
e o menino que eu fui outrora desce
alvoraçado de meus olhos, desliza
entre o capim, atira pedras aos galagalas
e salta sobre as velhas folhas de zinco
apodrecido, num cenário querido de girassóis
antigos. Então parto dali
e o menino que fui regressa extenuado
e adormece na sombra de meus olhos.


PEQUENA BIOGRAFIA

Rui Knopfli nasceu em Inhambane, em 1932 e viveu em Moçambique até 1975. Foi delegado de propaganda médica, poeta, crítico literário e de cinema. Opositor do regime colonialista, colaborou activamente na imprensa independente, casos de A Tribuna e A Voz de Moçambique. Lançou, com João Pedro Grabato Dias, os cadernos de poesia Caliban (1971-72), que reuniram colaboradores como Jorge de Sena, Herberto Helder, António Ramos Rosa, Fernando Assis Pacheco, José Craveirinha e Sebastião Alba. Dirigiu o caderno Letras & Artes (1972-75), da revista Tempo. Traduziu e publicou poetas como T. S. Eliot, Blake, Sylvia Plath, Kavafis, Dylan Thomas, Yeats, Robert Lowell, Pound, René Char, Apollinaire, Octavio Paz e Reverdy. Demite-se do jornal A Tribuna , por objecções de natureza ética, e deixa Moçambique em Março de 1975. Em Julho do mesmo ano radica-se em Londres onde exerceu o cargo de conselheiro de imprensa (1975-97) junto da Embaixada de Portugal na capital britânica. Em 1984 recebeu o prémio de poesia do PEN Clube. Em Portugal tem colaboração dispersa no JL e nas revistas Colóquio-Letras e Ler. Encontra-se representado em algumas antologias, designadamente em Contemporary Portuguese Poetry (Manchester, 1978) e no The Penguin Book of Southern African Verse (Londres, 1989).. Em Bruxelas foi publicado Le Pays des Autres (1995), volume que colige os três primeiros livros. A sua obra é fortemente influenciada pelas suas vivências europeias e africanas, revelando uma forte originalidade e um tom eminentemente coloquial. Morreu em Lisboa em 1998. Em 2003, a empresa nacional casa da moeda, publicou uma antologia dos seus poemas, intitulada “Obra Poética”.

Bibliografia: O País dos Outros (1959), Reino Submarino (1962), Máquina de Areia (1964), Mangas Verdes com Sal (1969), A Ilha de Próspero (1972), O Escriba Acocorado (1978), Memória Consentida (1982), O Corpo de Atena (1984) e O monhé da cobras (1997).

Cortesia de Um Buraco na Sombra

José Saramago: faleceu o Nobel da Literatura

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

José Saramago

Bem-haja José.

Poema de Sylvia Plath inspirado em pintura de René Magritte


Poema de Sylvia Plath, inspirado no quadro Homenagem a Mack Sennett, de René Magritte, o primeiro de um ciclo de poemas em que a autora, partindo de uma pintura, aborda a abrangente e sedutora temática do feminino.

THE APPLICANT/O CANDIDATO

First, are you our sort of a person?
Do you wear
A glass eye, false teeth or a crutch,
A brace or a hook,
Rubber breasts or a rubber crotch,


Primeiro, é a pessoa que queremos?
Acaso usa
Olho de vidro, muletas ou dentadura
Prótese ou gancho,
Seios ou sexo de borracha,

Stitches to show something's missing? No, no? Then
How can we give you a thing?
Stop crying.
Open your hand.
Empty? Empty. Here is a hand

Pontos a mostrar que lhe falta qualquer coisa? Não, não?
Então como podemos dar-lhe alguma coisa?
Páre de chorar.
Abra a mão.
Vazia? Vazia. Ora aqui está uma mão

To fill it and willing
To bring teacups and roll away headaches
And do whatever you tell it.
Will you marry it?
It is guaranteed


Pronta a enchê-la e disposta
A trazer um chá e a aliviar enxaquecas
E fazer tudo o que lhe disser.
Quer casar com isto?
Dá a garantia

To thumb shut your eyes at the end
And dissolve of sorrow.
We make new stock from the salt.
I notice you are stark naked.
How about this suit


De lhe fechar os olhos no fim
E dissolver-se em mágoa.
Fazemos novo stock com o sal.
Vejo que está todo nu.
Que tal este fatinho

Black and stiff, but not a bad fit.
Will you marry it?
It is waterproof, shatterproof, proof
Against fire and bombs through the roof.
Believe me, they'll bury you in it.

Preto e engomado, mas nada mal cortado.
Quer casar com isto?
É à prova de água, à prova de choque, está provado
Que é à prova de fogo e bombas no telhado.
Vá por mim, vão enterrá-lo com ele.

Now your head, excuse me, is empty.
I have the ticket for that.
Come here, sweetie, out of the closet.
Well, what do you think of that ?
Naked as paper to start

Mas a sua cabeça, desculpe lá, está vazia.
Tenho remédio para isso.
Vem cá, minha linda, sai do armário.
Ora bem, que me diz a isto?
Nua como folha em branco para já

But in twenty-five years she'll be silver,
In fifty, gold.
A living doll, everywhere you look.
It can sew, it can cook,
It can talk, talk , talk.


Mas em vinte e cinco anos será prata,
Ouro em cinquenta.
Boneca de carne e osso, toda ela.
Isto sabe costurar e cozinhar,
Isto sabe falar, falar, falar.

It works, there is nothing wrong with it.
You have a hole, it's a poultice.
You have an eye, it's an image.
My boy, it's your last resort.
Will you marry it, marry it, marry it.

Isto funciona, não tem defeito.
Se tiver um buraco, é cataplasma.
Se tiver um olho, é imagem.
Meu rapaz, é o seu último recurso.
Quer casar com isto, casar com isto, casar com isto?

Cortesia de PNET Literatura

Poesia de Albano Martins em reflexão

Amanhã, dia 18 de Junho, estará em reflexão a poesia do autor Albano Martins, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, das 18 às 20 horas.

«A presente recolha – a 3ª em vinte anos – da minha produção poética, oferece, em relação à 2ª, de 2000, algumas diferenças." 

O autor foi sensível aos argumentos de alguns amigos e decidiu recuperar, integrando-os no conjunto da sua obra, a quase totalidade dos textos de "A voz do chorinho" ou os apelos da memória, que um rigoroso escrutínio arredara, em 2000, do volume antológico Assim são as algas. Ao acervo anterior são também acrescentados os livros publicados depois de 2000, incluindo o Livro Quarto, integrado no volume onde pela primeira vez se acham reunidos os Três Poemas de Amor anunciados desde o início da década de 90 do século passado.

Neste último livro são, entretanto, recolhidos dois poemas que, por obscuras razões, não figuram na primeira edição e que, por isso, permaneciam até agora inéditos.

O capítulo final, Caderno de Argolas, recolhe os poemas de vário timbre escritos nos últimos dez anos (alguns deles inéditos, outros publicados avulsamente em livros, jornais e revistas), que, incapazes de se organizarem em livro, se expõem, ainda assim, sem constrangimento, ao olhar benévolo do leitor.

Finalmente: na secção Outros Poemas (1951-1952), é recolhido um pequeno poema esquecido durante anos num caderno escolar e publicado, em data recente, num livro dedicado ao carro eléctrico». Albano Martins

Albano Martins nasceu em 1930 na aldeia do Telhado (e não, como consta do seu registo de nascimento, em Póvoa de Atalaia), concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, província da Beira Baixa, Portugal. Licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.

Cortesia de DNArtes

Espectáculo Lisboa: O que o Turista Deve Ver


Lisboa: O que o Turista Deve Ver é um espectáculo de André Murraças construído a partir do texto homónimo de Fernando Pessoa, em que o poeta se transforma num cicerone que passeia o leitor, neste caso o espectador, por Lisboa – aquela Lisboa que o turista e todos nós devemos ver. Nos dias 17, 18, 19 e 20 de Junho, das 10:00 às 19:00, existirão 5 postos montados em 5 diferentes locais de Lisboa: Chiado (Quiosque do Largo Camões), Rossio (Livraria do Teatro Nacional D. Maria II – apenas das 14:00 às 19:00), Avenida da Liberdade (Cinema S. Jorge), Saldanha (Espaço Nimas), Jardim de São Pedro de Alcântara (Quiosque de S. Pedro de Alcântara). Em cada posto haverá hospedeiros e actores personalizados que interagem com o público a partir de elementos do texto original, e também leitores de CD que serão disponibilizados com um excerto do texto de Pessoa (em português e inglês) referente àquele local e adaptado com textos originais de André Murraças, música, ambientes sonoros e convidados surpresa. O espectador tem o tempo que desejar para, munido de um actor ou do leitor de CD, usufruir da experiência, podendo escolher o percurso a fazer ao longo dos quatro dias, decidindo quais os postos que quer ver, em que locais e por que ordem. No total os postos e os locais abarcam parte relevante do texto de Pessoa sobre aquilo que deve ser visto em Lisboa, sobretudo por quem nela habita.

O espectáculo é uma produção do grupo Cassefaz e está integrado na programação Outras Cenas das Festas de Lisboa. O acesso é gratuito embora condicionado ao número de leitores de CD e actores disponíveis: reservas através do e-mail: info@cassefaz.com ou do tel. 217 740 892 / 961 880 401 / 919 732 693.

Cortesia de CFP

Saul Williams no Festival Silêncio! 2010


Saul Williams é o convidado da segunda edição do Festival Silêncio!.

O poeta, escritor, actor e músico norte-americano sobe ao palco do Musicbox para um espectáculo único que marca a sua estreia em Portugal. A passagem de Saul Williams por Lisboa será ainda pretexto para um master class na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa numa parceria conjunta com o Centro de Estudos Anglísticos e para uma participação na rubrica «Conversas do Silêncio».

O álbum «The Inevitable Rise and Liberation of NiggyTardust», de 2007, foi produzido por Trent Reznor. O festival decorre entre 16 e 26 de Junho, com espectáculos de spoken word e de Poetry Slam.

Cortesia de Discodigital

Poesia no 27ª edição Festival de Almada

Não é uma estreia absoluta mas será “um momento único” da edição do Festival de Almada deste ano (a 27ª). "Ode Marítima de Fernando Pessoa", com direcção de Claude Régy, é para o director do Festival e do Teatro Municipal de Almada, Joaquim Benite, um desses momentos altos por que muitos esperam. O espectáculo serve de núcleo a outros (de poesia) num festival com algumas novidades e “passos em frente”. Sobre a sua criação, o encenador Claude Régy, no filme de apresentação do festival, diz que "Ode Marítima" o intimidou mas que finalmente ganhou coragem para o fazer com o actor “de grande dimensão” que é Jean-Quentin Châtelain.

A presença da poesia faz parte de uma longa tradição de um festival fundado em 1984, mas a tendência acentua-se este ano. Justifica Joaquim Benite ao P2: “Os grandes dramaturgos são grandes poetas.”

Num desses momentos, haverá Carmen.Eunice.Maria, recital de poesia que junta poemas escolhidos pelas actrizes Carmen Dolores, Eunice Muñoz e Maria de Jesus Barroso, a figura homenageada deste festival e ex-primeira dama – que foi afastada do Teatro Nacional D. Maria II por motivos políticos antes do 25 de Abril. E se o teatro não pode perder a ligação com o texto poético, como diz Joaquim Benite, o festival não pode perder a ligação com o público. E, por isso, tem vindo a crescer todos os anos “para não defraudar as pessoas”.

O orçamento passou este ano de 500 mil para 575 mil euros, e pela primeira vez chega ao Porto, tendo o Teatro Nacional de São João como um dos teatros associados. Inédito é também haver 30 criações e um total de 88 representações (no ano passado eram 49) em 16 espaços teatrais.

E pelos vários palcos que se associam ao festival – além do Teatro Municipal de Almada, o Teatro D. Maria II, o Teatro Maria Matos, o Instituto Franco-Português, o Centro Cultural de Belém, o Teatro do Bairro Alto, a Escola D. António da Costa em Almada, e outros – passarão grandes nomes do teatro de Portugal e do estrangeiro.

Desses, Charlotte Rampling será talvez a mais conhecida pela sua carreira no cinema. A actriz inglesa e Polydoros Vogiatzis protagonizam outros dos momentos altos do festival: um espectáculo que junta música e textos da romancista Marguerite Yourcenar e do poeta grego Constantin Cavafy, "Yourcenar/Cavafy".

O encenador argentino Daniel Veronese traz "Todos os governos evitaram o teatro íntimo" a partir da peça Hedda Gabler, de H. Ibsen. Também da América Latina, a narradora de lendas e contos Coralia Rodríguez, de Cuba, traz "Era uma vez um crocodilo verde". Explica a própria no filme de apresentação do festival que a história do crocodilo nasceu porque Cuba é “em forma de um crocodilo de olhos fechados, que se abrem para ouvir as histórias”.

Histórias deste e de outros tempos é o que trazem outras peças, como a encenação do franco-português Emmanuel Demarcy-Mota, director do Théâtre de la Ville. Casimiro e Carolina de Odon von Horvath é um texto “extremamente actual”, diz Benite, escrito nos anos a seguir a uma crise económica que não é a de hoje, mas a de 1929. Com a crise, a falência dos mecenas e a reflexão sobre “para que serve a arte, se não para gastar dinheiro (como pensam os mecenas)” num texto, inspirado de "O meu último suspiro de Buñuel", escrito e encenado por Jorge Silva Melo, uma meditação sobre a velhice e o esvaziamento do fim da vida.

Além de participar em "Dança da Morte2 de Ana Zamora, Luís Miguel Cintra regressa a As 10 canções de Camões, “para as entender com o público” como diz no vídeo de apresentação. O fado de Aldina Duarte mistura-se com oito instrumentos num espectáculo com direcção musical da coreógrafa Olga Roriz para quem era importante “perceber que outras vivências o fado pode ter”. Entre muitos outros espectáculos, o encenador alemão Matthias Langhoff adapta Shakespeare em "Cabaret Hamlet", “uma visão tridimensional” do texto de Hamlet, diz no filme de apresentação António Mega Ferreira, do Centro Cultural de Belém, onde será apresentado o espectáculo.

27ª edição Festival de Almada decorre de 4 a 18 de Julho de 2010.

Programa

Cortesia de O Público

1ª Edição do Prémio Literário Manuel António Pina

Estão abertas as candidaturas à primeira edição do Prémio Literário Manuel António Pina, instituído pela Câmara da Guarda.

Até 30 de Julho, podem concorrer autores portugueses com trabalhos inéditos de poesia. O galardão pretende homenagear o escritor e poeta e será entregue todos os anos. O vencedor recebe 2.500 euros. A publicação será da responsabilidade da autarquia guardense, que dedicou um ciclo à obra de Manuel António Pina no início do ano, em parceria com a editora Assírio & Alvim, à qual cabe a distribuição dos vencedores.

O júri será constituído pelo vereador do pelouro da Cultura da Câmara da Guarda, por um representante da Assírio & Alvim, um da Associação Portuguesa de Escritores, por Manuel António Pina e por uma personalidade de reconhecido mérito, a designar. O prémio será atribuído na Guarda, no dia de aniversário do escritor, a 18 de Novembro deste ano. O regulamento está em www.mun-guarda.pt.

Manuel António Pina nasceu em 1943, no Sabugal, terra de origem da família materna, enquanto o pai é oriundo de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda. O autor deixou a raia ainda pequeno por força da profissão do pai, funcionário das Finanças, tendo passado por várias localidades até se fixar no Porto, aos 17 anos. É licenciado em Direito, mas foi no jornalismo que deu cartas, entre 1971 e 2001, sempre no "Jornal de Notícias", onde foi editor e chefe de redacção. Actualmente, publica diariamente uma coluna de opinião na última página do diário portuense. Além disso, escreveu quatro dezenas de livros de poesia, ficção, literatura infanto-juvenil, ensaio e crónica, tendo sido amplamente premiado e traduzido. É ainda autor de duas dezenas de peças de teatro.

Cortesia de Jornal de Notícias

Exposição Aniversário de Fernando Pessoa


Exposição Colectiva de Artes Plásticas e Internacional de Arte Postal “Aniversário de Fernando Pessoa”, que se realiza no próximo dia 14 de Junho pelas 19h, no Museu da República e Resistência – Espaço Grandella – Estrada de Benfica 419 – 1500 Lisboa.

A exposição estará patente ao público até dia 30 de Junho.

A sessão de Abertura contará com uma sessão de poesia por Joaquim Evónio.

Irá ainda haver uma pequena palestra sobre o Fernando Pessoa pelo seu sobrinho Dr. Luís Rosa Dias

Participam os seguintes artistas:

Carruço, Carmen Lara, Carlos Gomes, H. Mourato, Fernando Infante do Carmo, David Marques, António Sem, Paulo Prates, Theia Roiz, Marco Ayres, Henrique Tigo, entre outros.

Exposição de Internacional de Arte Postal participam:

Alemanha (1) Bernhard Zilling – Austrália (1) Denis Mizzi – Brasil (5) Sérgio Monteiro de Almeida, José Roberto Sechi,Vitor Cavallo,Celso Cintra,Thiago Buoro – Bélgica/ Belgique (2) Baudhuin Simon,Stuka Fabryka – Canada (1) Artopia – Espanha/ Espana(2) Miguel Jiménez, Juan Montero Lobo – Estados Unidos/ USA (9) Jim Leftwich, David L. Alvey, T. Smith, John M. Bennett, Dan Buck, Valery Oisteanu, Mary K. Cain, Sydney Burroughs, Zo Zois – Equador/ Ecuador (1) Monica Garces Conley – França/ France (5) André Robèr, Zav, Jean Hugues, Yves Maraux, Pascal Lenoir – Holanda/ Nederland (2) Jan van dePol, Rael – Itália/ Italia(10) Enrico Pignone, Pinky, Giovanni, Emily Joe, Varese, Lancillotto Bellini, Roberto Scala, Fabio Sassi, Ruggero Maggi, Anna Boschi, Adriano Bonari – Inglaterra/ England (4) Jon Bray, Ray Bass, Skandy, Jordan Ambler – Japão/ Japan (2) Ryosuke Cohen, Keichi Nakamura – Lituania / Lietuva (1) Gytis Skudzinskas – Portugal (20) H. Mourato, Silvia Soares, Henrique Tigo, Manuel Pina, Vera Occhiucci, Gonçalo Beja da Costa, Miguel Barros, Prekatado, Henry Cruz, Aida Espadinha, Fernando Henriques, Lourdes, Ana Maria Malta, Paulo Santos, Eduardo Perestrelo, Maria Arceu,Clo Bourgar, Ana Maria Malta José Manuel Alves-Pereira, Victor Teixeira Lopes, Joaquim Sousa, Raquel Martins, Maria Azenha – República Checa/ Ceská Republika (1) Valentino Sani – Uruguai/ Uruguay (1) Clemente Padin.

BIO - Fernando Pessoa

Nasce a 13 de Junho, dia de Santo António, num prédio em frente do teatro de S. Carlos, filho de Maria Madalena Nogueira e de Joaquim Pessoa. A família do pai é oriunda de Tavira – lugar escolhido mais tarde para berço de Álvaro de Campos – e a família da mãe tem raízes nos Açores.

O pai morre de tuberculose em 1893, aos 43 anos. Dois anos mais tarde, a mãe volta a casar com João Miguel Rosa, que será cônsul português em Durban, na que é então a colónia inglesa de Natal. Em 1896 viaja com a mãe para Durban, onde fará toda a sua instrução primária e secundária. Aí se matricula em 1902 numa Escola Comercial, onde aprende os elementos da sua futura profissão. Por essa altura começa a escrever, em inglês e já sob o nome de outro – Alexander Search, o que continuará a fazer até 1910: é uma poesia de índole tradicional, muito à maneira dos românticos ingleses, e nela afloram todos os grandes temas futuros.

Faz exame de admissão à Universidade do Cabo, recebendo, pelo ensaio que é parte da prova, e entre 899 candidatos, o Queen Victoria Memorial Prize, e no ano seguinte, 1904, matricula-se no liceu de Durban. Aí se prepara para o exame do primeiro ano da Universidade, em que vem a obter a melhor nota, pelo que deveria ter acesso a uma bolsa conferida pela Colónia do Natal para ir para Inglaterra fazer um curso superior. No entanto, a bolsa é entregue ao segundo classificado (aparentemente pelo facto de ser inglês). Em 1905 volta sozinho para Lisboa e matricula-se no Curso Superior de Letras, com tão pouco entusiasmo que não chega a passar do primeiro ano.

Começa em 1907 a trabalhar como correspondente estrangeiro de casas comerciais. E, em 1908, começa a escrever poesia em português.

Publica em A Águia, durante o ano de 1912, uma série de três artigos sobre «A Nova Poesia Portuguesa», em que o «próximo aparecer do supra-Camões» é o tema-chave. Nesse mesmo ano conhece Mário de Sá-Carneiro, que pouco depois parte para Paris, e inicia com ele uma correspondência (publicada em 1951) através da qual se trocam ideias literárias e artísticas que hão-de estar na base dos «ismos» de referência da geração de Orpheu – Paulismo, Interseccionismo, Sensacionismo – na movência contemporânea das Vanguardas europeias, Futurismo, Expressionismo e Cubismo.

Uma carta a Adolfo Casais Monteiro de 1935 situará o aparecimento dos heterónimos – Alberto Caeiro, o camponês sensacionista, Ricardo Reis, o médico neo-clássico, e Álvaro de Campos, o engenheiro extrovertido – com precisão excessiva, no dia 8 de Março de 1914. O que só de certo modo (simbólico, ficcional) corresponde à verdade, pois a consulta dos manuscritos revela que os primeiros poemas de Caeiro datam de Março, e os de Campos e Reis de Junho. Será esta, porém, a fase mais produtiva de Pessoa e de todo o Modernismo. No ano seguinte, saem em Março e Junho os dois números da revista Orpheu, que na altura provocam escândalo e gargalhada mas hão-de transformar o século XX português. Aí apresenta Pessoa a peça O Marinheiro e os poemas de Chuva Oblíqua assinados com o seu nome, e principalmente, Opiário, Ode Triunfal e Ode Marítima de Álvaro de Campos. Começa por essa época, igualmente, a interessar-se por teosofia, o que marca a sua atracção de toda a vida pelos caminhos ocultos do conhecimento.

Em 1917 colabora no Portugal Futurista, outra revista central do Modernismo português, com Ultimatum de Álvaro de Campos - também publicado em separata. Envia The Mad Fiddler a uma editora inglesa, que recusa a sua publicação. Chega a estar em adiantada preparação o n.º 3 do Orpheu, de que se conhecem provas tipográficas, incluindo sete poemas de Pessoa e um longo poema, Para Além Doutro Oceano, assinado por C. Pacheco, singular personagem parecida com Álvaro de Campos que tem aí a sua única aparição.

Em 1918 publica dois opúsculos de poemas em inglês, 35 Sonnets e Antinous. No ano seguinte conhece Ofélia Queirós, e inicia em 1920 o primeiro período do seu namoro com ela: são nove meses, documentados por uma correspondência amorosa publicada em 1978. Em 1921 cria a editora Olisipo, onde publica English Poems I-II (um Antinous reescrito mais Inscriptions) e English Poems III (que contém Epithalamium), e, como escreverá mais tarde numa carta a Rogelio Buendía, só Inscriptions «são consentâneas com a decência normal». A Olisipo edita ainda A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros e a 2ª edição das Canções de António Botto.

Dirige em 1924 Athena. Revista de Arte mensal, que chega aos cinco números, e onde aparece pela primeira vez a poesia dos dois outros heterónimos maiores, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Em 1925 morre a sua mãe: em 1926 publica O Menino da sua Mãe na revista modernista Contemporânea.

Colabora com doze textos de técnica e teoria do comércio nos seis números da Revista de Comércio e Contabilidade, dirigida pelo seu cunhado Francisco Caetano Dias em 1926. Bernardo Soares aparece pela primeira vez publicamente em 1929, e, pelo menos no seu desenho de personagem, é uma espécie de resultado literário da experiência de correspondente comercial de Pessoa, usando um registo que aproxima o seu Livro do Desassossego de uma espécie de diário, o de um homem só entregue à deambulação lisboeta e ao devaneio lírico. Nesse mesmo ano se reacende o amor e a correspondência com Ofélia Queirós, ao longo de quatro meses.

O seu único livro de poemas em português, Mensagem, sai a 1 de Dezembro de 1934, e ganha um dos prémios nacionais instituídos por António Ferro.

Em Janeiro de 1935 envia a Adolfo Casais Monteiro a célebre e já citada carta sobre a génese dos heterónimos. Aí fixa, para além dos detalhes do mítico «dia triunfal» em que os heterónimos aparecem todos de seguida, a encenação daquilo a que chama o «drama em gente», e que virá organizar devidamente as relações que as personagens de poetas estabelecem entre si – e se estabelecem entre as suas obras. Assim, Alberto Caeiro surge como o Mestre, aquele que traz a verdade – a verdade da sensação. Os outros dois são os seus discípulos, um de educação clássica estrita e outro de educação moderna científica: Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O próprio Fernando Pessoa afirma considerar-se discípulo de Alberto Caeiro, acedendo então a um convívio quotidiano com os heterónimos num universo alternativo, e, dentre todos, estabelecendo uma relação privilegiada com Álvaro de Campos, seu verdadeiro alter ego. Outro membro do clã imaginário é Bernardo Soares, um semi-heterónimo por não ser inteiramente um outro como cada um dos outros é. E, é claro, a heteronímia é uma máquina de fantasias complexa e variada, tecido de relações e de contradições à volta de certos temas centrais, o sentir e o pensar, o ver e o imaginar, o saber e o sonhar, o poder criador das palavras e a verdade como contradição essencial.

É internado no Hospital de S. Luís dos Franceses. Escreve aí o seu último verso, imitado mais uma vez de Horácio, mas onde se lê, além de inquietação, a terrível e insaciável curiosidade do esotérico: «I know not what tomorrow will bring». Morre no dia seguinte, a 30 de Novembro.

A sua obra começará a ser publicada sistematicamente, em livro, só a partir de 1942, e a primeira versão de O Livro do Desassossego apenas chegará a sair em 1982. Assim atravessa todo o século XX, de que fica a ser um dos nomes maiores.

Cortesia de IC

Por Fernando Martins

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

Universidade de Florença cria Cátedra Fernando Pessoa

A partir de Setembro de 2010, está em funcionamento a Cátedra Fernando Pessoa, na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Florença.

A cargo do Prof. Doutor Piero Ceccucci, esta Cátedra contará com o apoio permanente do IC quer no que diz respeito à formação científica e pedagógica de docentes, investigadores e estudantes, quer ao disponibilizar materiais audiovisuais e uma obras especializadas em áreas como o ensino do Português Língua Estrangeira, Literatura Portuguesa e dos Países Africanos de Língua Portuguesa, assim como na área do Cinema Português.

Registe-se ainda que a Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Florença conta com cerca de 73 alunos que frequentam os Estudos Portugueses. O IC tem sido representado nesta Universidade pela Leitora Dra. Maria José Chousal.

Cortesia de IC

Aniversário do nascimento de Fernando Pessoa

Encontro de Poesia «Poetas e Palavras» em São Brás de Alportel

Na sede do Grupo Desportivo e Cultural de Machados, dando continuidade a uma iniciativa que este grupo iniciou em 2002 e que ano após ano vem realizando em parceria com a Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, integrando as Comemorações do Aniversário do Município, que decorrem ao longo do mês, vai rtealizar-se no próximo dia 13 de Junho, a partir das 15:30 horas mais uma edição do Encontro de Poesia “Poetas e Palavras”

De referir que estes encontros procuram promover o convívio e partilha entre os poetas da região e valorizar a poesia popular, uma valiosa riqueza da cultura são-brasense.

De acordo com a organização, esta 10ª edição terá um significado muito especial, pois pretende prestar homenagem a António Rosa, antigo presidente da colectividade, falecido recentemente, já que ele foi um grande mentor destas iniciativas.

Cortesia de Região Sul

Portugal, Tão Diferente de seu Ser Primeiro

Os reinos e os impérios poderosos,
Que em grandeza no mundo mais cresceram,
Ou por valor de esforço floresceram,
Ou por varões nas letras espantosos.

Teve Grécia Temístocles; famosos,
Os Cipiões a Roma engrandeceram;
Doze Pares a França glória deram;
Cides a Espanha, e Laras belicosos.

Ao nosso Portugal, que agora vemos
Tão diferente de seu ser primeiro,
Os vossos deram honra e liberdade.

E em vós, grão sucessor e novo herdeiro
Do Braganção estado, há mil extremos
Iguais ao sangue e mores que a idade.

Luiz de Camões

Revista Sfinx edita 13 poemas de Frei António das Chagas

Acabam de ser editados em São Petersburgo, no volume XXI da revista literária e artística “Sfinx” (Esfinge), 13 poemas de Frei António das Chagas, poeta português do século XVII, traduzidos em Russo.

As traduções foram realizadas por Andrei Rodosski, poeta, filólogo e tradutor, professor da Faculdade de História e da Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de São Petersburgo. Foi académico correspondente estrangeiro da extinta Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Andrei Rodosski é especialista em poesia portuguesa do século XIX, tendo traduzido figuras tão essenciais da nossa cultura como Almeida Garrett e João de Deus. O seu interesse não se limita no entanto a essa época. Traduziu poesia de trovadores medievais galaico-portugueses, e autores do século XX e contemporâneos como Mário de Sá-Carneiro, Egito Gonçalves, Alexandre O´Neill, Fernando Guimarães, Pedro Tamen, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e Joaquim Pessoa, entre outros.

Frei António das Chagas, cujo nome secular era António da Fonseca Soares, foi uma figura extremamente contraditória, a um tempo militar, poeta e eclesiástico. Nascido na Vidigueira, no Alentejo, em 1631, no seio de uma família fidalga, não concluiu os estudos devido à morte do pai e ingressou no exército aos 18 anos, tendo combatido na Guerra da Restauração. Sabe-se que foi neste período que despertou para a poesia. Existe informação que permite descrever o soldado-poeta como homem dado a excessos de vária ordem, levando uma vida desregrada, sendo que, aos 22 anos, foi obrigado a fugir para o Brasil para escapar à justiça, em virtude de, num duelo, ter causado a morte de um rival. Regressou a Portugal três anos depois e retomou a carreira das armas, tendo sido promovido a capitão em Setúbal, sinal de reconhecimento do seu valor. Contudo, aos 31 anos, abandonou a vida militar e tornou-se monge da Ordem de São Francisco em Évora, e dedicou o resto da sua vida à pregação da Fé e à penitência pelas faltas cometidas enquanto homem mundano. Foi um pregador ardente, apaixonado e empenhado, tendo viajado em pregação por todo o país e também à corte. Em 1680 passou a viver no Convento do Varatojo (Torres Vedras) que, por sua iniciativa, passou a Seminário Apostólico das Missões da Ordem dos Franciscanos. Em 1682, Frei António das Chagas fundou o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Setúbal, vindo a falecer nesse mesmo ano, no Varatojo.

Frei António das Chagas escreveu nos mais diversos estilos: romances, sonetos, glosas, madrigais, décimas e poemas heróicos, e também, na segunda fase da sua vida, sermões, elegias, cartas e cânticos espirituais, entre outros. Existe indicação de que, nesta segunda fase, desejava destruir os sonetos, romances e outra poesia da sua juventude. Podendo ser entendida como paradigma da sua época - século XVII, época do Barroco, período de ambiguidade entre fé e razão – a vida de Frei António das Chagas reflecte-se nas várias formas de que se reveste e nos temas de que é composta a sua obra. Os poemas escolhidos por Andrei Rodosski permitem aos leitores russos apreciar esta variedade formal e temática. Encontramos assim nesta selecção, por exemplo, a temática do desencanto com as coisas do mundo (soneto “À vaidade do mundo”), a dúvida e a devoção e exaltação religiosas (sonetos “Se sois riqueza, como estais despido?...”, “A Santa Maria Madalena”), a exortação à bondade (soneto “Et petrae scissae sunt”), assuntos de circunstância tratados de forma estilisticamente requintada (soneto “Ao cavalo do Conde do Sabugal, que fazia grandes curvetas”, em que os movimentos do cavalo são descritos recorrendo a referências musicais e sonoras, exemplo precursor da sinestesia interseccionista de Pessoa e Sá-Carneiro), a incessante procura (“Ao loureiro de João de Saldanha de Sousa, que está com as raízes fora da terra, sobre uma fonte”), a exaltação sensual da beleza feminina (“Romance de uma freira indo às Caldas”) e o conflito entre o espírito e os prazeres sensuais a que o poeta renunciara (romance “Ah, Francisca, vida minha!...”).

Famoso como poeta e também como pregador, Frei António das Chagas fascinou os homens do seu tempo e é capaz de fascinar hoje também – basta (re)descobri-lo.

Cortesia de agencia.ecclesia

Cavalcanti é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras

O poeta, tradutor e ensaísta Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito no passado dia 2 de Junho imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Cavalcanti será o sexto ocupante da cadeira de número 29 da instituição, que pertencia ao bibliófilo José Mindlin, falecido a 28 de Fevereiro de 2010.

Holanda Cavalcanti, que recebeu 20 votos na ABL, concorria à vaga com o jurista Eros Grau e o sociólogo Muniz Sodré, que receberam, respectivamente, 10 e 8 votos.

De acordo com a ABL, a cadeira nº 29 foi fundada por Arthur Azevedo, que escolheu como patrono Martins Pena e ocupada, sucessivamente, por Vicente de Carvalho, Cláudio de Sousa, Josué Montello e José Mindlin.

Além de escritor, Holanda Cavalcanti trabalhou como diplomata, servindo como embaixador no México, na Unesco e na União Europeia. Foi também secretário-geral da União Latina, em Paris, e presidente do PEN Clube do Brasil.

Estreiou-se na literatura em 1964, com o livro de poesias O Mandiocal de Verdes Mãos. Em 1998, publicou a coletânea Poesia Reunida, que lhe rendeu o prémio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores (UBE).

Adaptado de Veja

Faleceu o poeta António Manuel Couto Viana

Couto Viana morreu no Hospital de Santa Maria, onde se encontrava internado há dias.

Nascido em Viana do Castelo a 24 de janeiro de 1923, publicou o primeiro livro – “O avestruz lírico” – em 1948, mas a sua ligação à escrita começou em 1943, quando iniciou a publicação de textos em jornais de Viana do Castelo, Braga, Valença e Lisboa.

O gosto pelo teatro veio-lhe cedo e apurou-se mais quando, por herança do avô, recebeu o Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, disse à agência Lusa numa entrevista em setembro último.

Entre 1949 e 1951, Couto Viana dirigiu a revista infanto-juvenil Camarada e entre 1950 e 1960 a publicação de várias revistas literárias e cadernos de poesia, entre os quais Graal, Távola Redonda e Tempo Presente.

Encenou e dirigiu as companhias de teatro de ópera do Teatro Nacional de São Carlos, do Círculo Portuense de Ópera e da Companhia Portuguesa de Ópera. Entre 1986 e 1988 viveu em Macau, onde leccionou no Instituto Cultural de Macau.

A Banda da Grã Cruz de Mérito, Grão-Cruz da Falange Galega, Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo foram algumas das condecorações que o escritor recebeu ao longo da vida.

"A face Nua", "No Sossego da Hora", "Voo Doméstico", "Ponto de Não Regresso"(1982),"Estante Reservada" e "Restos de Quase Nada" são alguns dos mais de 100 títulos publicados por Couto Viana. As suas obras estão traduzidas em francês, inglês, espanhol, chinês, alemão e russo.

“Que é que eu tenho Maria Arnalda? E outros contos pícaros”, editado em 2009, e “Bichos diversos em verso”, com ilustrações de Afonso Cruz, editado em 2008, são os títulos mais recentes de Couto Viana.

Na dramaturgia publicou, entre outras, “O Caminho É Por Aqui", "A Golpes de Tesoura" e "A Rosa Verde”, esta última a sua primeira peça infantil.

Quanto a prémios, teve vários: Antero de Quental, Nacional de Poesia, Fundação Oriente e Prémio Academia das Ciências de Lisboa foram alguns dos galardões que recebeu.

Conselheiro do Conselho de Leitura da Fundação Gulbenkian, Couto Viana encontrava-se a escrever a história da Companhia Nacional de Teatro, de que foi empresário entre 1961 e 1967, disse à Lusa em setembro.

Teatro do Ensaio e Teatro do Gerifalto – onde se estrearam nomes como Rui Mendes e Morais e Castro – foram outras das companhias em que Couto Viana trabalhou.

Só na Casa do Artista, onde deu entrada em junho de 2000 para convalescer de uma cirurgia, escreveu mais de 30 obras e tinha outras tantas na gaveta, disse na mesma entrevista.

Couto Viana estreou-se como ator e figurinista em 1946 no Teatro Estúdio do Salitre, em Lisboa, pela mão de David Mourão-Ferreira, com quem fundou a Távola Redonda e de onde datava a amizade com Sebastião da Gama, colaborador da publicação.

Cortesia de Destak.pt

CITAÇÃO - Homero

À sua estultícia o homem chama destino

Danças com História apresentam Fogo que arde sem se ver

A Associação Danças com História apresenta no Palácio da Independência, no Largo de São Domingos em Lisboa, nos dias 10 pelas 17h00 e 11 e 12 pelas 16h00 do mês de Junho, uma síntese harmoniosa entre o teatro, a música e as danças da época, onde decorrem cenas da vida e os mais belos textos da lírica de Camões.

+INFO

Poetas do Mundo - Jorge Luis Borges

POEMAS

Afterglow

É sempre comovente o pôr do Sol
por indigente ou berrante que seja,
mas ainda bem mais comovedor
é o brilho desesperado e derradeiro
que enferruja a planície
quando o último sol ficou submerso.
Dói-nos reter essa luz tensa e clara,
essa alucinação que impõe ao espaço
o medo unânime da sombra
e que pára de súbito
quando notamos como é falsa,
quando acabam os sonhos,
quando sabemos que sonhamos.


Ausência

Eu haverei de erguer a vasta vida
que ainda é o teu espelho:
cada manhã hei-de reconstruí-la.
Desde que te afastaste,
quantos lugares se tornam vãos
e sem sentido, iguais
a luzes acesas de dia.
Tardes que te abrigaram a imagem,
música em que sempre me esperavas,
palavras desse tempo,
terei de as destruir com as minhas mãos.
Em que ribanceira esconderei a alma
pra que não veja a tua ausência,
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e sem piedade?
A tua ausência cerca-me
como a corda à garganta.
O mar ao que se afunda.


Despedida

Hão-de erguer-se entre o meu amor e eu
trezentas noites quais trezentos muros
e o mar será magia entre nós dois.

Apenas haverá recordações.
Oh tardes merecidas pela pena,
noites esperançadas ao olhar-te,
campos do meu caminho, firmamento
que vejo e vou perdendo...
Definitiva como um mármore,
a tua ausência irá entristecer as tardes.

A Prova
Do outro lado desta porta um homem
ignora a sua corrupção. À noite
elevará em vão alguma prece
ao seu curioso deus, que é três, dois, um,
e julgará que é imortal. Agora
ele ouve a profecia da sua morte
e sabe que é um animal sentado.
És esse homem, irmão. Agradeçamos
os vermes e o esquecimento.


Hino

Esta manhã
há no ar a incrível fragrância
das rosas do Paraíso.
Nas margens do Eufrates
Adão descobre a frescura da água.
Uma chuva de ouro cai do céu;
é o amor de Zeus.
Salta do mar um peixe
e um homem de Arigento lembrará
ter sido esse peixe.
Na gruta cujo nome será Altamira
dedos sem rosto traçam a curva
de um lombo de bisonte.
A lenta mão de Virgílio acarinha
a seda trazida
do reino do Imperador Amarelo
por naus e caravanas.
O primeiro rouxinol canta na Hungria.
Jesus vê na moeda o perfil de César.
Pitágoras revela aos seus gregos
que a forma do tempo é a do círculo.
Numa ilha do Oceano
os lebréus de prata perseguem os veados de ouro.
Numa bigorna forjam a espada
que será fiel a Sigurd.
Whitman canta em Manhattan.
Homero nasce em sete cidades.
Uma donzela acaba de caçar
o unicórnio branco.
Todo o passado volta, é uma onda,
e essas antigas coisas recorrem
porque uma mulher te beijou.




Nostalgia do presente

Naquele preciso momento o homem disse:
“O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruo.”
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.


Um sonho

Num deserto lugar do irão há uma não muito alta torre de pedra, sem portas nem janelas. No único compartimento (cujo chão é de terra e tem a forma de um círculo) há uma mesa de madeira e um banco. Nessa cela circular, um homem parecido comigo escreve em caracteres que não compreendo um longo poema sobre um homem que noutra cela circular escreve um poema sobre um homem que noutra cela circular... O processo não tem fim e ninguém poderá ler o que os prisioneiros escrevem.



Inferno, V, 129

Deixam cair o livro, porque sabem
que são personagens do livro.
(Sê-lo-ão de outro, o máximo,
mas isso não lhes interessa.)
Agora são Paolo e Francesca,
não dois amigos que partilham
o sabor de uma história.
Olham um para o outro com incrédula maravilha,
as mãos não se tocam.
Descobriram o único tesouro;
encontraram o outro.
Não atraiçoam Malatesta,
porque a traição exige um terceiro
e só existem eles no mundo inteiro.
São Paolo e Francesca
e também a rainha e o seu amante
e todos os amantes que existiram
desde Adão e a sua Eva
no prado do Paraíso.
Um livro, um sonho revela-lhes
que são formas de um sonho que foi sonhado
em terras de Bretanha.
Outro livro fará com que os homens,
sonhos também, os sonhem.


Os justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.


PEQUENA BIOGRAFIA

Jorge Luis Borges (1899-1986) Poeta, contista e ensaísta argentino nasceu em Buenos Aires e morreu em Genebra. A avó era de ascendência inglesa e Borges foi Bilingue desde a infância. Borges passou uma temporada com os pais na Europa antes de 1914. Surpreendida pela guerra, a família passou o período de 1914 -18 na Suíça. Viveu em Espanha entre 1919 e 1921 e dois anos depois regressou à Argentina. Borges começou por publicar poesia ( Fervor de Buenos Aires, 1923) e dedicou-se a escrever contos nos anos seguintes sobre temas ditos argentinos. Na revista Sur, fundada por Victoria Ocampo, publicará recensões, ensaios, poemas e contos. Conhece Adolfo Bioy Casares com quem escreverá vários livros e desenvolverá diversas actividades literárias. Durante os anos 30 foi perdendo a visão, até ficar cego. Trabalhou a partir de 1937 na Biblioteca Municipal Miguel Cané, mas a ascensão de Perón ao poder obrigou-o a abandonar. Será nomeado director da Biblioteca Nacional em 1955, depois da queda de Péron. Em 1944 surge Ficciones, que reune os contos de O jardim dos caminhos que se bifurcam (1941) e outros que coligiu sob o título de Artificios. Em 1949 publica O Aleph, outra colecção de contos. Nos anos sessenta viaja pela Europa, fazendo conferências pela Escócia, Inglaterra, França, Suíça e Espanha. Em 1967 casa-se com Elsa Millán que o acompanha aos Estados Unidos. Durante os anos setenta publica poesia (O ouro dos tigres, A rosa profunda, História da noite, entre outros volumes) e vários livros em colaboração. Viaja muito, acompanhado por Maria Kodama, com quem casará pouco antes de morrer. Em 1985 surge o seu último livro de poemas Os Conjurados.

Documentário sobre o poeta Manoel de Barros



Só dez por cento é mentira, do director Pedro Cezar é sobre o poeta matogrossense Manoel de Barros.

«A grande atração, sem dúvida, é o próprio autor dessa obra magnífica que já ocupa mais de 20 livros e será brevemente lançada em conjunto pela editora portuguesa Leya. Ele concede um precioso depoimento de cerca de 40 minutos ao diretor, que aparece intercalado entre as demais imagens do filme e basta para identificar o sorriso grande e a prosa oceânica do escritor

Manoel não aguenta mais falar muito tempo, mas cada coisa que diz é uma fileira de pérolas raras. Abençoados aqueles que moram em Campo Grande e tem a chance de tocar-lhe a campainha e ser acolhidos para um café e um dedo de prosa – o que acontece mais do que as pessoas imaginam. A todos ele dispensa algumas de suas palavras, que são sua fibra e razão, dele e nossa, de viver.» refere a crítica Neusa Barbosa

Cortesia de colunistas.ig.com.br

Bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nascido em Lisboa a 28 de Março de 1810, liberal, seguidor do Romantismo e agricultor de paixão, foi homem do saber, das artes, da escrita, da história, do jornalismo, da poesia e da política. Figura ímpar do século XIX, invejado por uns e admirado por muitos outros, conseguiu uma vida plena de actividades, defendendo os seus ideais com convicção e rejeitando o Absolutismo através da luta armada, o que conduziu ao seu exílio em França, onde escreveu os seus melhores poemas. Mesmo assim, afrontou o clero, com o rigor da história, sobre a batalha de Ourique, defendendo sempre, com verdade científica, os seus escritos. Pela sua obra foi nomeado sócio efectivo da Academia das Ciências.

Apesar de ter sido considerado, por muitos, como o maior historiador português do século XIX e de ser conhecedor dos idiomas inglês, italiano, alemão, francês e latim e de saber lógica, retórica e matemática, como homem simples que era, recusou honrarias e condecorações, retirando-se para a sua quinta de Vale de Lobos, na Azoia de Santarém, ao sentir o apelo da terra. Aí se dedicou à agricultura e assumiu uma vida simples, contrária ao reboliço dos grandes centros, como ele próprio escreveu “ancorado no porto tranquilo e feliz do silêncio e da tranquilidade”, abdicando das lutas inglórias às quais se entregou, sempre, com fulgor.

Nesta última fase da sua vida, inspirado pela força da natureza, dedicou-se à agricultura criando uma granja-modelo, com uma produção diversificada, nomeadamente de cereais, vinho e azeite. Conforme se lê no livro de Jorge Custódio intitulado O Lagar e o “Azeite Herculano”, “não há boas colheitas sem estrumes, não há estrumes sem gado e não há gado sem pastos”. Assentando toda a estrutura da propriedade agrícola nesta dedução lógica, desenvolveu um modelo de exploração que foi um marco de referência no país e no estrangeiro. Experimentou várias práticas de cultura agrícola e introduziu a beterraba como penso para o gado. Herculano foi pois caracterizado como um bom gestor agrícola e um homem com sensibilidade para o cultivo das terras e para a comercialização dos seus produtos.

Mas a área de maior desenvolvimento e a sua grande paixão foi a produção de azeite. Neste domínio explorou dois lagares, o Lagar de Azeite da Quinta de Calhariz (como rendeiro) e o lagar de Vale de Lobos na sua propriedade. As técnicas de exploração eram já muito avançadas para a época e um exemplo a ser seguido. Surge assim um azeite de elevada qualidade e reconhecido internacionalmente, o “Azeite Herculano”, que foi um marco histórico nos azeites portugueses. Todo o processo relacionado com a produção era preparado com o maior cuidado e conhecimento tecnológico no cultivo da oliveira, na apanha da azeitona, no transporte, no fabrico, no envasilhamento e engarrafamento e posteriormente na comercialização, nomeadamente na venda em casas da especialidade. O reconhecimento do seu mérito ultrapassou as fronteiras, tendo em 1876 recebido o diploma conferido pela Comissão Centenária dos Estados Unidos da América no certame de “Philadelphia Olive Oil”.

O seu último suspiro ocorreu a 13 de Setembro de 1877, perdendo o som da vida na sua última ligação à Terra, deixando de desfrutar a calmaria e a tranquilidade de Vale de Lobos, onde adquiriu a paixão pela agricultura e pela vida simples, mas sempre com o intuito de levar a cabo todas as suas tarefas na perfeição. Homem notável, de cultura europeia, ribatejano de coração, foi reconhecido internacionalmente como um dos maiores portugueses do século XIX. Teve as honras de ser sepultado em mausoléu próprio, na Capela Tumular do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.

A comemoração do bicentenário do seu nascimento, para além de legítima, é um tributo ao homem que bem serviu o país, numa época de mudanças e de evolução histórica.

Cortesia de O Mirante

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