Os «jardins» da poesia portuguesa

No final de 2009 foi editada a antologia «Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI», organizada por Rui Lage e Jorge Reis-Sá. Apesar de na última década terem sido editadas as antologias, Anos 90 e Agora, organizada por Jorge Reis-Sá; Desfocados Pelo Vento. A Poesia dos Anos 80, Agora, organizada por valter hugo mãe; Poetas Sem Qualidades e A Perspectiva da Morte, ambas de responsabilidade de Manuel de Freitas, tendo inclusive saído recentemente, uma pequena antologia (10 poetas portugueses contemporâneos) na Colômbia, que organizei a pedido da revista ARQUITRAVE e intitulada A Poesia Portuguesa Hoje, foi, contudo, a antologia Século de Ouro. Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX, organizada por Osvaldo Manuel Silvestre e Pedro Serra, que verdadeiramente ainda criou alguma polémica. Realmente, cada vez mais se aceita o que aparentemente nos é "entregue de mão beijada" pelos "entendidos" e pelo cânone, daí, os poetas sem reconhecimento ou ainda em luta pelo seu espaço, pouco ou nada reagirem, no âmbito crítico, e para além disso, os membros de cadeira do cânone, não ousam por princípio, criticar os seus comparsas. Se é verdade, que não precisamos sempre de voltar a 2002, quando "os deputados do círculo de Coimbra na Assembleia da República, mais Helena Roseta, apresentaram protesto formal junto da estrutura dirigente de Coimbra 2003 (Capital Nacional da Cultura), sponsor da edição, pelo facto de Afonso Duarte, Miguel Torga e Manuel Alegre... não terem sido seleccionados. E que, em extenso artigo no Diário de Notícias, Ana Marques Gastão tenha feito a lista das ausências “intoleráveis” (o adjectivo é meu): Intelligentsia deixa de fora mais de 30 autores" (Eduardo Pitta - "Da Literatura"), seria altamente recomendável que, tal como nos portamos hoje, de forma geral, na sociedade, na política, nos valores que nos regem, etc, ou seja, de um modo absurdamente indiferente, apático e desapaixonado, tal não o fizéssemos em relação à poesia e à literatura em geral.

Assim, voltando à antologia Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, e mencionando antecipadamente, de que apesar de tudo, e até tendo em conta a falta de antologias do género, a antologia passou a ser um dos meus livros de poesia de cabeceira, terei forçosamente de referir o seguinte:

A antologia reúne num só e gigantesco (até talvez assustador) volume de mais de 2000 mil páginas, 267 poetas portugueses, que vão de Pai Soares de Taveirós (início de séc. XIII) até Pedro Mexia (nascido em 1972). Os responsáveis (sobretudo no que concerne ao séc. XX, o grande paradigma desta antologia) vacilam entre não deixar fora das margens, nenhum autor "suficientemente" canónico e a tentação inversa de deixar a marca do seu gosto pessoal, qualquer que seja a origem desse gosto (aliás, perfeitamente válida, se não se caísse por vezes no absurdo, para não dizer escândalo de algumas escolhas, quer seja pelos nomes, pelo conteúdo ou pelo espaço, atribuído neste “jardim” da poesia portuguesa).


Pode-se discordar um pouco do número de páginas (quer devessem ser mais ou menos) atribuídas a poetas como, Camões (82 páginas); Bernardim Ribeiro (19 páginas); Bocage (12 páginas); Almeida Garrett (20 páginas); João de Deus (2 páginas); Florbela Espanca (3 páginas); Teixeira de Pascoais (12 páginas); Mário de Sá-Carneiro (22 páginas); Fernando Pessoa (159 páginas); José Régio (7 páginas); Jorge de Sena (24 páginas); E. M. de Melo E Castro (6 páginas); Carlos Oliveira (19 páginas); Manuel Alegre (6 páginas); Luísa Neto Jorge (11 páginas) ou Vasco Graça Moura (16 páginas), para dar alguns exemplos (sempre sem esquecer o agradecimento que Manuel Gusmão deveria dar aos organizadores por lhe ter sido incluído um poema nesta casta de poetas). Mas, alguns "atentados" são efectuados à poesia e aos poetas, particularmente do século XX, realmente o espaço privilegiado definido pelos organizadores (isto, sem deixar de realçar uma excelente selecção, sem dúvida inatacável, que foi a efectuada relativamente aos cancioneiros dos séculos XIII e XIV).

Assim, passo a apontar alguns casos que causam bastante perplexidade. Como entender uma antologia onde são incluídos 14 poemas de Eduarda Chiote, 27 de Jorge de Sousa Braga e apenas 1 (!!!), repito, um, de Manuel Gusmão (já para não referir os 2(!) poemas de Natália Correia)? Aliás, Eduarda Chiote, com 14 poemas, possui mais do que António Maria Lisboa, António José Forte, Armando da Silva Carvalho, Fátima Maldonado e Manuel Gusmão em conjunto (é obra - de quem?). Se aceitamos as 39 páginas de Ruy Belo, como explicar as escassas páginas, tendo em conta as simetrias atrás expostas, de Herberto Helder e Mário Cesariny? Mas, guardado estava o bocado – então não é que afinal, o grande poeta das últimas décadas em Portugal se chama Daniel Maia-Pinto Rodrigues (!!!)?

Daniel Maia-Pinto Rodrigues que alguns querem à força comparar a Adília Lopes (também há quem compare a noite ao dia sem qualquer problema), com as suas vinte e tal páginas, é sem dúvida, uma, senão a maior (ao nível de Manuel Gusmão - 1 poema), das extravagâncias desta antologia (Luís Miguel Queirós, afirma que ele «escreve na arejada ignorância de toda a tradição literária»), porque parece que nesta antologia (de que apesar de tudo teremos que entender determinados critérios e metodologias, tendo em vista a editora e seus intuitos e de alguma forma, existir perfeitamente delineada uma intenção pedagógica, uma vez que a antologia deveria, ou deverá, funcionar como um largo manual poético-escolar da poesia portuguesa) por vezes, ficamos sem saber se os responsáveis colocam ou não colocam autores, tendo em conta apenas os seus gostos pessoais, ou até se conhecerão minimamente, determinados poetas e sua respectiva poesia (e falo especialmente de poetas do séc. XX, talvez até da segunda metade do séc. XX), uma vez que é o grande campo de incidência da antologia.

Isto, já para não falar na exclusão de poetas desta antologia (até tendo em conta a inclusão de outros) como, António Feijó, José Blanc de Portugal, Guilherme de Faria, Saúl Dias, António Salvado, Edgar Carneiro, Ernesto Sampaio, António Barahona, Vergílio Alberto Vieira, José Sebag, Manuel da Silva Ramos, Nuno de Figueiredo ou Carlos Bessa, só para citar nomes (poderia ainda referir mais alguns) que encarnam o número do azar (13) e que poderiam perfeitamente ter sido incluídos na antologia.

Concluindo (apesar de ser sempre mais cómodo, estar no exterior, do que no centro, de uma tarefa como esta), estamos perante uma antologia em que aos organizadores terá que ser atribuído o mérito, algo considerável, de terem conseguido juntar mais de dois mil poemas (ou fragmentos deles) de 267 poetas, num arco temporal de oito séculos, mas que até devido a tal facto, deveriam em determinadas situações, por um lado, ter sido mais exigentes consigo próprio e por outro, não acharem que este jardim (pequeno jardim) da poesia portuguesa, aceita ou aceitará qualquer planta, só porque é regada em abundância (aliás, "água de mais mata a planta").

P.S. – Se a antologia terminou com Pedro Mexia que nasceu em 1972 e que publicou pela primeira vez em 1999 – ficamos sem ter a certeza, se não ter terminado com um poeta nascido em 1974, o mais lógico (uma vez que seria terminar um ciclo temporal numa data importante, não só da sociedade, mas também, da literatura portuguesa) ou publicado pela primeira vez em 2000, se deveu ao facto de ter sido assumido o objectivo de não incluir Manuel de Freitas?

Dois poemas de Manuel Gusmão (1 poema na antologia) e Daniel Maia-Pinto Rodrigues (23 páginas na antologia – como disse numa carta que me escreveu em 2006, Herberto Helder: “E eu que ainda não li todos os gregos”):

A velocidade da luz

Há, houve uma rotação do teu corpo
e há qualquer coisa de irreparável
que me fizeste quando rodaste no mundo –
o quase homem aposta tudo em que voltará.
Joga tudo em que o mundo regressará
a essa forma de uma onda suspensa na música
a essa rotação fora dos eixos.
Porque é que dizes então «irreparável»?
Irreparável aponta para onde?

Irreparável é o mesmo que antiquíssima
e não idêntica?
A cicatriz é irreparável porque a ferida é perpétua,
esquecida e perpetua?
Tocas-lhe a milímetros de distância,
como quem não quer
a coisa,
e tu devias dar e não dar por isso.
Dir-se-ia que o ar se moveu, que uma coluna
do tempo se deslocou, dançou como a luz por entre nuvens
na parede verde de um canavial.

M.G.



Um Pequeno Poema de Amor

Nos tempos primitivos
o australopiteco dizia para a mulher:
"ó minha macaquinha, sorria
olhe ali um mamute!"
Nos tempos de hoje em dia
o homem diz para a mulher:
"ó minha dama de companhia, mamo-te."
Prefiro o setentão sinfónico dos Camel
que dizia:
ó minha dama de fantasia, amo-te.

D.M.P.R.


por João Rasteiro

Cortesia de TRIPLOV

ASA consagra 2010 o ano de Maria Alberta Menéres

A escritora Maria Alberta Menéres completou recentemente 80 anos.Trata-se de uma das mais produtivas e talentosas criadoras portuguesas,que estende a sua vastíssima obra através da literatura infantil,da poesia,do romance e do ensaio.

A escritora que é conhecida, sobretudo, pelos seus livros para a infância e juventude, iniciou a carreira pela poesia, talvez a sua maior paixão literária, com “Intervalo”, que surgiu em 1952. O seu talento rendeu-lhe, oito mais anos mais tarde, o prémio internacional de poesia Giacomo Leopardi pela qualidade de “Água-Memória”. Como poetisa, Maria Alberta Menéres aborda uma certa realidade feminina, alicerçada numa linguagem com grande riqueza rítmica.

Ainda na poesia, juntamente com Ernesto Melo e Castro (com quem casou e foram pais da cantora Eugénia Melo e Castro) organizou a “Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa”,que conheceu três edições nas décadas de 50 e 60, para em 1979 proceder à sua actualização em “Antologia da Poesia Portuguesa 1940-47”. O seu nome é habitualmente associado aos de outros poetas como Ruy Belo, Herberto Helder, João Rui de Sousa, Pedro Tamen, Cristovam Pavia e Fernando Echevarría

Mas esta dinâmica mulher de letras,licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas,que foi professora de liceu, tradutora e colaboradora de vários jornais e revistas, é reconhecida como uma das mais notáveis escritoras portuguesas de livros para os mais novos.

A sua produtividade é quase inacreditável: escreveu mais de 70 títulos, sempre com histórias vivas, capazes de prender o interesse dos mais pequenos, para quem tem uma mensagem de optimismo .Ao mesmo tempo,procura alertá-los para os aspectos mais simples do quotidiano, pois cada um deles tem algo para nos contar e nos tocar bem fundo.Tema recorrente nas suas obras é o das relações familiares, destacando, nomeadamente, a importância que os avós têm no nosso crescimento.Com a sensibilidade própria de uma poetisa, Maria Alberta Menéres cria situações originais,investe na recolha tradicional,faz versões de obras clássicas.Com um estilo narrativo peculiar,recorre a antigas oralidades para envolver o leitor num clima real com um toque de magia.

Em 1986, foi distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, “pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um alto nível de qualidade”.

Entre a sua vasta obra merece destaque “Ulisses”, que já conta com 35 edições e mais de 600 mil exemplares vendidos.

A sua editora,a Asa, resolveu consagrar 2010 como o Ano Maria Alberta Menéres, com várias iniciativas, que teve o seu ponto mais alto com a publicação de uma obra, “Camões, o super-herói da língua portuguesa”, que, segundo a autora, é “uma biografia romanceada à minha moda de um dos maiores poetas portugueses”.

Cortesia de JN

BIO - Alexandre Herculano


Nascido em 28 de Março de 1810, Alexandre Herculano estuda Humanidades no colégio dos Oratorianos com vista à matrícula na Universidade, mas a cegueira do pai força-o a abdicar desse projecto e a limitar-se a um curso prático de Comércio, estudos de Diplomática (Paleografia) e de Línguas. Desde muito jovem que a sua vocação para as letras se manifesta: lê e traduz escritores românticos estrangeiros, como Schiller, Klopstock, ou Chateaubriand, escreve poesia, conhece Castilho e frequenta os salões da Marquesa de Alorna.

Em 1831, depois do envolvimento na conspiração de 21 de Agosto contra o regime absolutista de D. Miguel, exila-se primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, e mais concretamente na biblioteca de Rennes, Herculano dedica-se ao estudo e inicia-se em Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, autores que influenciarão profundamente a sua obra.

Em 1832, chega à ilha Terceira, nos Açores, integrado na expedição liberal liderada por D. Pedro e responsável pelo cerco do Porto. Nesta cidade, e depois da vitória liberal, é nomeado, em 1833, segundo bibliotecário da Biblioteca Pública e procede à sua organização.

Colabora no Repositório Literário (1834-1835) com vários artigos, dos quais se destacam dois que podem ser vistos como uma primeira teorização portuguesa do Romantismo. O primeiro, “Qual é o estado da nossa literatura? Qual o trilho que ela hoje deve seguir?”, apresenta um diagnóstico da literatura portuguesa e avança uma solução para o seu estado de decadência: o conhecimento das literaturas estrangeiras, principalmente da alemã, uma das primeiras em que o Romantismo se implantou. No outro texto, “Poesia – Imitação – Belo - Unidade”, Herculano sublinha a necessidade de a literatura portuguesa se voltar para as suas origens e traduz uma consciência nacional e moral que limita a visão da estética romântica europeia, condenando a “imoralidade” e a “irreligião” que, em sua opinião, Byron representava. Esta consciência nacional e moral está presente desde o início da sua poesia, através de um paralelismo estabelecido entre religião e pátria, espécie de profissão de fé do poeta romântico, que Herculano integrou numa visão liberal da sociedade, visível, por exemplo, em “A Semana Santa” (1829).

Em 1836, vem a público a primeira série de A Voz do Profeta (2ª série, 1837), folheto de carácter panfletário contra a Revolução de Setembro, escrito no estilo grandiloquente de Paroles d’un Croyant de Lamennais. No ano seguinte, funda e dirige O Panorama, revista literária responsável pela divulgação da estética romântica, na qual Herculano publica estudos eruditos e as suas primeiras narrativas históricas.

Em 1838, publica A Harpa do Crente, colecção das poesias mais importantes, reeditada em 1850 com traduções/versões de Béranger (“O Canto do Cossaco”), Bürger (“O Caçador Feroz”, “Leonor”), Delavigne (“O Cão do Louvre”), Lamartine (“A Costureira e o Pintassilgo Morto”) e uma balada fantasmagórica ao gosto inglês (“A Noiva do Sepulcro”). As poesias desta colectânea apresentam reflexões sobre a morte, Deus, a liberdade, o contraste entre o inexorável fluir da vida humana e a permanência do infinito. Normalmente, estas meditações têm por testemunha uma paisagem, que impõe o sentimento da solidão e da infinitude, e traduz uma marcada oposição entre a cidade e o campo (por exemplo, “A Arrábida”). Está também presente um conjunto de poemas que se referem à guerra civil e ao exílio, testemunhos poéticos da instauração do liberalismo e da saudade do desterrado. Herculano tenta também dar voz à contemporaneidade através da poesia, à semelhança de Victor Hugo, atribuindo-lhe uma função pública, doutrinária e intervencionista e tratando temas de interesse político, social e religioso (“A Semana Santa”, “A Cruz Mutilada”; “O Mosteiro Deserto”; “A Vitória e a Piedade”, por exemplo). A nível formal, a poesia de Herculano apresenta uma retórica solene, com insistência num vocabulário evocativo do “belo horrível”, apocalíptico e sepulcral, longos eufemismos e alguns recursos clássicos como o hipérbato. A sua imaginação manifesta-se em paisagens marcadas por tempestades ou ruínas e na sugestão dos mistérios da religião e da morte. Estes traços predominantes, com especial relevo para as imagens funéreas de efeito fácil e sem grande conteúdo conceptual, estarão na base do Ultra-Romantismo, e serão também postos em prática nas narrativas históricas, especialmente em Eurico, o Presbítero.

Em 1839, é nomeado por D. Fernando bibliotecário-mor das Reais Bibliotecas das Necessidades e da Ajuda. Nesta altura, entrega-se a um sistemático trabalho de pesquisa, influenciado pelos historiadores franceses Thierry e Guizot, de que resulta a publicação, em 1842, na Revista Universal Lisbonense, das “Cartas sobre a História de Portugal”. Estas constituem o ponto de partida para a História de Portugal, cujo primeiro volume sai em 1846 (os três seguintes em 1847, 1849 e 1853) e origina uma acesa polémica com o clero porque nele é posto em causa o “milagre de Ourique”; os textos desta polémica estão reunidos nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba, publicados em 1850. É encarregado pela Academia Real das Ciências de recolher documentos antigos para a colectânea Portugaliae Monumenta Historica e, por isso, percorre várias regiões do país. Dessas viagens nasce Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem (1853-1854). O contacto directo com a realidade nacional reforça a sua convicção de que o país necessitava de reformas a vários níveis: educativo, administrativo e económico.

Em termos políticos, Herculano identifica-se com a ala esquerda do Partido Cartista. É eleito deputado pelo Porto em 1840, mas, após ter apresentado um plano de ensino popular que não chega a ser posto em prática, desilude-se com a actividade parlamentar e abandona o cargo em 1841. Adere, então, à moderada Constituição de 1838, desaprova a restauração da Carta por Costa Cabral e dedica-se à literatura e à pesquisa. Mais tarde, depois do golpe da Regeneração, o escritor abandona a neutralidade política e colabora na formação do novo governo. No entanto, acaba por se opor ao ministério de Rodrigo da Fonseca Magalhães e Fontes Pereira de Melo. Funda os jornais O País (1851) e O Português (1853), onde põe em prática uma intensa actividade polémica contra o progresso meramente material preconizado pelo referido ministério. Entre 1854 e 1859, publica os três volumes de História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É um dos fundadores do Partido Progressista Histórico, em 1856. No ano seguinte, ataca vigorosamente a Concordata com a Santa Sé. Participa na redacção do primeiro Código Civil Português (1860-1865), tendo proposto a introdução do casamento civil a par do religioso, o que originou uma nova polémica com o clero, que se pode ler no volume Estudos sobre o Casamento Civil (1866), logo colocado no Index romano. Desiludido com a vida política, retira-se para uma quinta em Vale de Lobos, arredores de Santarém, em 1867, comprada com o dinheiro ganho com a publicação dos seus livros. Aí dedica-se à vida agrícola e à produção de azeite, juntamente com D. Mariana Hermínia Meira, namorada da juventude, com quem casara em 1866, e que esperara pela realização da sua carreira literária. Neste seu exílio voluntário, Herculano continua a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, publica o primeiro volume dos Opúsculos (1872), intervém em polémicas, como a nascida da proibição das Conferências do Casino (1871) e a respeitante à emigração (1874), reúne os materiais para o quinto volume da História de Portugal e mantém uma abundante correspondência com personalidades literárias e políticas. Morre de pneumonia, depois de uma viagem a Lisboa, em 13 de Setembro de 1877.

Poeta, jornalista, político, polemista e historiador, é todavia como romancista que Herculano será mais lembrado pelas gerações vindouras. As suas narrativas históricas assinalam o nascimento de um novo género na literatura portuguesa - o romance histórico -, no qual o autor pode pôr em prática as qualidades de investigador do passado, principalmente da Idade Média, e os seus propósitos pedagógicos.

Em 24 de Março de 1838, publica n’ O Panorama a primeira narrativa histórica, O Castelo de Faria, e em Novembro Mestre Gil. Estas e outras composições, publicadas também n’ A Ilustração, foram reunidas em dois volumes em 1851, sob o título de Lendas e Narrativas. Os romances O Bobo (vindo a público n’ O Panorama em 1843 e editado em volume em 1878), Eurico, o Presbítero (1844) e O Monge de Cister (1848), escritos à semelhança das obras do escocês Walter Scott, considerado por Herculano como “modelo e desesperação de todos os romancistas”, alcançaram um sucesso imediato e desencadearam uma onda de imitações que transformou o romance histórico em moda literária nacional em meados de oitocentos.

Nestas obras, o romancista cria cenários lúgubres e de dimensões trágicas, nos quais se movimentam românticos heróis atormentados por paixões e mulheres-anjo predestinadas para o sofrimento, sobrepostos a um pano de fundo histórico minuciosamente reconstituído. Eurico, forçado a abdicar de um amor impossível por Hermengarda, professa e transforma-se num sacerdote solitário, num poeta inspirado pelo amor e pela religião, e num “cavaleiro negro” misterioso e heróico, tingido por certas cores terríveis do romance negro. Dá voz à dor em cenários de imensidão e à luz da lua, recitando longos poemas marcados por uma grandiloquência solene, compondo hinos religiosos que ecoam nos templos da Espanha visigótica, desafiando a superioridade dos adversários para salvar a donzela amada, e, finalmente, entregando-se à morte num combate desigual, única solução para o dilema que lhe dilacera a alma: ama Hermengarda, mas não pode trair os votos que o prendem a Deus. Já Vasco, frade maldito de O Monge de Cister, cujo sacerdócio não abranda o ódio que o consome, leva o seu desejo de vingança ao extremo de negar a confissão ao homem que seduzira a irmã inocente. N’ O Bobo, o protagonista, Egas, vê a amada sacrificar-se para o libertar, mas perde-a para sempre quando assassina o rival com quem ela deveria casar.

Estes amores desesperados e estas personagens vítimas de uma fatalidade que as ultrapassa, são colocados em épocas remotas que o autor empreende retratar. Assim, ganha especial relevo a reconstituição do ambiente, através da acumulação de descrições de edifícios, monumentos, ou indumentárias, referências a costumes e práticas, a formas de convivência social, e até à linguagem, numa tentativa de criar a ilusão de total fidelidade a uma realidade pretérita. No entanto, e apesar desta rigorosa encenação, nem sempre Herculano consegue esconder as suas convicções. Por exemplo, a defesa do município, apresentada em O Monge de Cister, tem por finalidade convencer os leitores do século XIX das virtudes desse sistema administrativo, e não pode ser vista apenas como uma referência ao sistema em uso no fim do século XIV. Neste, como noutros pontos da sua obra, os caminhos do historiador e do romancista cruzam-se...

Com O Pároco de Aldeia, publicado n’ O Panorama em 1844 e em volume em 1851, Herculano cria o romance campesino, que servirá de modelo a Júlio Dinis, e apresenta como protagonista a figura do padre bondoso, protector dos fracos e amado pelas crianças. Nesta obra, apresenta-se um retrato da vida rural marcado pela serenidade, e cujo ritmo é estabelecido pelo toque do sino e pelos rituais da igreja. Faz-se, assim, a apologia da superioridade do Catolicismo face ao Protestantismo, graças aos rituais e símbolos visíveis que guiam a crença popular e contribuem para a manutenção da moralidade pública.

Herculano herói do Liberalismo, guardião da moral e promotor da ideologia romântica nacional, é indubitavelmente, ao lado de Almeida Garrett, a figura fundadora do Romantismo português e a personalidade que de forma mais completa o representa.

Por Ana Maria dos Santos Marques

Este é o post número 1000.

Hórus

O deus Kneph tremendo abalava o universo:
Ísis, a mãe, então ergueu-se do seu leito,
Fez um gesto de ódio ao esposo contrafeito,
E ao verde olhar surgiu o antigo ardor imerso.

Disse ela: «Ei-lo que morre, este velho perverso,
Toda a geada do mundo em sua boca achou preito,
Amarrai seu pé torto, arriai o olho imperfeito,
Este é o deus dos vulcões e o rei do inverno adverso!

A águia passou, o novo espírito me impele,
Por ele eu me vesti com a roupas de Cibele...
É o bem-amado infante de Hermes e de Osíris!»

Fugira a deusa já em sua concha dourada,
O mar fazia rever sua imagem adorada,
E brilhavam os céus por sob o manto de Íris.

Gerard de Nerval

Os Lusíadas em língua mirandesa apresentado em Setembro

O épico de Luís de Camões, “Os Lusíadas”, foi traduzido para mirandês e vai ser apresentado em Setembro. O trabalho do investigador Amadeu Ferreira levou oito anos a concluir e vai ser apresentada no âmbito das comemorações do Dia da Língua Mirandesa.

A obra de Amadeu Ferreira, que assina a obra com o pseudónimo de Francisco Niebro, tem o prefácio de Ernesto Rodrigues, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e terá a chancela da Editora Âncora.

Em vésperas da apresentação do seu trabalho, o especialista em mirandês explicou que “os poemas cantados por Camões foram uma epopeia dos portugueses e, entre os portugueses, havia gente que possivelmente falava mirandês”. Na sua tradução de “Os Lusíadas”, o investigador indica que “todas a estâncias do poema foram vistas e revistas ao pormenor” e que “só nos últimos três anos é que a tradução ficou concluída”. “Sempre tentei aproximar-me da forma mais fiel do original”, sublinhou.

O investigador comentou as dificuldades na tradução: “Nas estâncias tentei manter a rima, a métrica, a acentuação tanto na sexta como na décima sílaba, todo o ritmo e musicalidade do poema se aproxima do original”.

O livro será apresentado a 17 de Setembro numa cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Miranda do Douro, inserida nas comemorações do Dia da Língua Mirandesa, onze anos após o reconhecimento como língua oficial em Diário da República.

Amadeu Ferreira lançou, no ano passado a edição de “Os Lusíadas” em banda desenhada da autoria de José Ruy, traduzida para a língua mirandesa. Além da obra de Camões, a dupla Amadeu Ferreira/José Ruy concluiu, também em banda desenhada, “História de um povo e de uma língua”, que conta as aventuras e desventuras do povo mirandês e da sua peculiar forma de comunicar.

Amadeu Ferreira, que é vice-presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), é um dos maiores especialistas em língua mirandesa e publicou centenas de crónicas em mirandês no PÚBLICO e Jornal Nordeste.

Outro dos trabalhos emblemáticos de Amadeu Ferreira é a tradução para mirandês de três histórias de Astérix e dos Quatro Evangelhos da Bíblia. Tem ainda em curso a publicação, em parceria com José Pedro Ferreira, de um dicionário de mirandês-português.

Cortesia de O Público

Quando fui outro


Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também filósofo, interessado por assuntos tão diversos como religião, astrologia, história e política. Um ficcionista que se desdobrava em múltiplas identidades, à procura, quem sabe, de se conhecer e de se esquecer. Nesta antologia da Alfaguara, que reúne uma selecção de poemas, ensaios, anotações e fragmentos de cartas de amor, os heterónimos escondem-se para permitirem ao leitor vislumbrar Fernando Pessoa, o poeta e o homem, na espantosa unidade que espreita por trás da sua multiplicidade.

Cortesia de CFP

Poetícia atinge as 1000 mensagens publicadas

Em dois anos e meio (912 dias), o blog Poetícia atinge as 1000 mensagens publicadas. Entre notícias, poemas, citações, biografias, eventos, poetas e muito mais, os autores do blog Poetícia têm promovido e divulgado um pouco das realidades e universos poéticos de Portugal e do Mundo.

A missão de serviço público em prol da Poesia continuará.

Poeta checo Ludvik Kundera faleceu aos 90 anos

O poeta, dramaturgo e tradutor checo Ludvik Kundera faleceu esta terça-feira aos 90 anos, anunciou a televisão pública da República Checa, a CT. O primo do romancista Milan Kundera era um membro do movimento de vanguarda literária checa, nomeadamente na poesia surrealista que assinava.

A vida de Ludvik Kundera foi marcada pela proibição da publicação das suas obras pelo regime comunista que vigorou no país entre 1948 e 1989. Publicava a maioria das suas obras sob pseudónimo ou então através de um sistema clandestino de circulação de obras dos dissidentes checos de mão em mão, conhecido pela palavra russa "samizdat".

O poeta, nascido a 22 de Março de 1920 na localidade de Brno, no leste da República Checa, Ludvik Kundera fundou, depois da II Guerra Mundial (durante a qual foi internado num campo de trabalhos forçados em Berlim, onde esteve dois anos e adoeceu com gravidade), com outros colegas o grupo pós-surrealista Ra, acompanhado pela revista "Blok". Foi em 1946 que assinou a sua primeira colectânea de poemas, "Konstantina", dois anos antes de o regime comunista que entretanto tomou o poder ter decretado que estes movimentos de vanguarda a que o escritor pertencia deveriam promover apenas a doutrina artística do "realismo socialista", como recorda a agência AFP.

Kundera escreveu teatro, um libreto de ópera, guiões para televisão e traduções de poesia alemã, tudo sob pseudónimo. Entre elas figuram as obras do poeta e escultor alemão dadaísta e surrealista Hans Arp, que conheceu em Paris no pós-II Guerra. À Rádio Checa, Kundera disse sobre os tempos de censura do regime: "Não era fácil para poetas, artistas ou gente comum que estivesse do lado errado do regime, especialmente se se tinha filhos. Eles tomavam as nossas mulheres, filhos, parentes como alvos". Na mesma entrevista de 2009, Kundera frisa que "as pessoas eram desgastadas pelo regime" pela violência psicológica, pelo medo e pelo controlo.

Depois da revolução de veludo em 1989, Ludvik Kundera começou a publicar em nome próprio pela editora Atlantis, sediada na sua terra natal, e leccionou no ensino universitário, acrescenta a Rádio Checa.

O poeta checo recebeu em 2009 o Prémio carreira Jaroslav Seiffert e em 2007 a Ordem Nacional de Mérito da República Checa.

Cortesia de O Público

Opinião do poeta Graça Moura sobre a livraria Poesia Incompleta

Sempre que viajo no estrangeiro, procuro encontrar o maior número de boas livrarias que a minha agenda me permita visitar. Posso percorrer quilómetros a deambular de umas para as outras e, uma vez chegado a qualquer delas, passar um bom bocado a tentar compreender a sua "gramática", os princípios que a organizam, os pontos fortes e os pontos fracos que poderei registar para, se for caso disso, voltar lá uma próxima vez.

Nas cidades em que permaneci mais tempo, essa minha peregrinação a livrarias converteu-se numa espécie de assinatura. Em Bruxelas, em Estrasburgo, em Paris (mas também em terras de rápida passagem e em que a recomendação de uma pessoa amiga nos põe no caminho certo, como Londres, Madrid, Roma ou Florença), fiquei a saber onde encontrar as novidades e os livros de stock, quais as livrarias em que as duas coisas se combinam com interesse, em quais se pode encontrar pessoal realmente conhecedor daquilo que está a vender, capaz de dar uma opinião, de aconselhar, de encontrar rapidamente uma referência, de "saber" da matéria e de compreender o cliente. Em compensação, por cá e salvo raríssimas excepções, o pessoal de uma livraria podia estar a vender detergentes ou margarinas com a mesma pseudo--eficiência com que vende livros ou discos. O que me faz lembrar uma jovem lojista espevitada e ansiosa por mostrar bons resultados ao patrão que uma vez, numa casa de CD, me perguntou se já conhecia aquele concerto n.º 4 de Beethoven "tocado em opus 58"…

Para quem disponha de uma biblioteca razoável, em que exista já a bibliografia essencial a uma realização pessoal elementar como leitor ou como autor, o prazer de passar numa livraria, já conhecida ou recém-descoberta, prende-se muito com o inesperado: o livro que não se sabia que existia ou que acaba de sair sobre uma temática que nos interessa, a nova edição de um texto clássico que ultrapassa em rigor e qualidade as edições anteriores, uma obra que toda a crítica competente saúda como excepcional… Nessas compras, apenas uma ideia a ter presente: o livro de bolso, com todo o seu tremendo efeito na democratização da cultura, não dura os 300 anos que todo o livro que se preze deve durar…

Houve casos de viagens que fiz ao Brasil, ao Canadá e aos Estados Unidos que valeram sobretudo pelos livros e catálogos que lá pude adquirir. Refiro os catálogos porque certos museus são hoje verdadeiros templos para o livro de arte ou as obras de investigação sobre temas ligados às artes.

Nessas deambulações fiz descobertas muito interessantes, sem procurar perder-me pelos alfarrabistas onde as coisas a sério custam preços que eu não posso pagar. Mesmo assim, não se dispensa uma passagem pelos bouquinistes de qualquer cidade do mundo ocidental. Considero que fui por vezes bafejado pela sorte: em Leipzig já comprei um Petrarca do século XVI pelo preço da chuva e, em Estrasburgo, dois ou três livros portugueses impossíveis de encontrar entre nós e relativamente baratos…

Mas as livrarias, mesmo as melhores, são geralmente pobres numa área que me interessa especialmente e que é a da poesia. Algumas limitam-se a duas ou três prateleiras de coisas sem novidade, outras insistem em títulos muito conhecidos e muitas vezes reeditados, outras limitam-se a publicações de uso escolar e pouco mais. Ocorre-me que em Barcelona descobri livrarias em que a poesia ocupa um lugar verdadeiramente nobre e merecedor de um catálogo específico só por si.

Acontece que em Lisboa acabo de descobrir uma livraria integralmente dedicada à poesia. Fica na Rua Cecílio de Sousa e chama-se Poesia Incompleta, o que envolve um princípio de paradoxo: nunca encontrei livraria mais completa para a poesia do que esta Poesia Incompleta…

Dispõe de um catálogo impressionante de livros de poesia, não apenas em português, cobrindo praticamente todas as épocas, desde os primórdios da literatura até anteontem (só porque os livros que terão saído ontem ainda não foram distribuídos…). Tem à frente um jovem livreiro que profissionalmente conhece tudo: sabe dos autores, sabe das edições, sabe das antologias, sabe das revistas, aborda as matérias com a necessária precisão e um quam satis de ironia.

Vale a pena visitá-la, recomendação que faço a quem, para férias, queira levar leituras dessa área, apenas com a prevenção de que acabamos sempre por comprar mais um ror de coisas além daquelas que lá fomos procurar… Poesia Incompleta, se o género aguentar no mundo em que vivemos, acabará sem dúvida por se tornar um lugar de culto.

Por Vasco Graça Moura

Cortesia de DNOpinião

Dublin é a nova «cidade da literatura»

Depois de Edimburgo, Melbourne e Iowa, é agora a vez de Dublin se tornar a «cidade da literatura». Berço de James Joyce, George Bernard Shaw, Samuel Beckett, Oscar Wilde e tantos outros (entre os contemporâneos, por exemplo, Colum McCann), a cidade foi escolhida pela Unesco “por causa do seu rico passado literário, pela vibrante literatura contemporânea e pela variedade de festivais e atracções que oferece”, disse a ministra da Cultura e do Turismo Mary Hanafin ao The Irish Times. O Dublin Writers Festival, o Irish Writers Centre, o Dublin Writers Museum e o James Joyce Centre são apenas alguns exemplos do espaço que é dado à literatura na cidade dos pubs. Aliás, é lá que acontecem visitas aos bares na companhia de actores que vão pelo caminho apresentando os célebres escritores.

Cortesia de CFP

Figueiredo Sobral faleceu aos 84 anos

O pintor, escultor e poeta Figueiredo Sobral, que se afirmava «um surrealista barroco», faleceu ontem no Hospital de S. José, em Lisboa, aos 84 anos, confirmou Elsa Rodrigues dos Santos, a viúva.

O corpo do artista ficará em câmara ardente a partir das 15h de sábado na igreja de S. João de Deus, na Praça de Londres, em Lisboa. O funeral sairá para o cemitério do Alto de S. João às 11h de domingo, depois da missa de corpo presente, às 10h30.

José Maria de Figueiredo Sobral dedicou-se à poesia, à pintura e, a partir da década de 1960, à escultura.

Discípulo de Lino António, Paula Campos, e Rodrigues Alves, na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, até finais da década de 1950 foi criativo e gráfico de publicidade e ilustrador de obras literárias.

Colaborador da Empresa Nacional de Publicidade e do Diário de Notícias, foi cofundador da Editora Minotauro.

Figueiredo Sobral dedicou-se à poesia, escreveu para teatro e exerceu funções de maquetista cenarista.

Segundo a viúva, o artista plástico deixa por publicar o livro de poemas e desenhos O touro a sua legenda.

Apresentou-se como pintor nos Salões Gerais de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes, na segunda metade da década de 1940, e na década seguinte começou a expor individualmente. Numa entrevista, definiu-se como «um surrealista barroco».

Começou a experimentar a escultura sem abandonar a pintura, na segunda metade da década de 1960. Tem obras escultóricas em espaços urbanos em Portugal e no Brasil.

Segundo informação da galeria Movimento de Arte Contemporânea (MAC), a que estava ligado, «os seus trabalhos desenhos e gravuras, aguarelas, colagens, cerâmicas, tapeçarias, pinturas murais e esculturas, pertencem actualmente a acervos de arte estatais, institucionais e empresariais privados e colecções particulares» tanto na Europa, como Américas, Ásia, Austrália. Em 2000 recebeu o Prémio MAC/Carreira.

Cortesia de Diário Digital / Lusa

21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo


A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que abre esta quinta-feira, deverá receber um número recorde de 700 mil visitantes durante os dez dias do evento, estimam os organizadores.

A Bienal reunirá 200 convidados, 350 expositores com 2,2 milhões de exemplares de 220 mil títulos, o que representará a mais extensa, diversificada e representativa edição da história do evento - que decorre desde 1951.

Os temas escolhidos pelos organizadores para a edição deste ano do maior evento do sector no Brasil são os escritores brasileiros Monteiro Lobato e Clarice Lispector, a lusofonia e o livro digital. Entre os destaques da Bienal, o debate “Tributo a José Saramago”, no dia 18, com a presença do biógrafo de Saramago João Marques Lopes e do realizador do documentário “José e Pilar” Miguel Gonçalves Mendes, que este sábado teve uma ante-estreia parcial na Festa Literária Internacional de Paraty, também no Brasil.

Ao longo do evento, o Espaço da Lusofonia promoverá actividades gratuitas para divulgação e propagação do ensino do português, com a participação de falantes do idioma em várias partes do mundo. Dentro da programação que aborda a Lusofonia, a Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa promoverá a Conferência de Jornalistas de Língua Portuguesa, entre os dias 15 a 17 de Agosto. Entre os temas a debater figuram “O jornalismo de língua portuguesa nos veículos públicos e privados nos países lusófonos” e “A cobertura jornalística nos - e sobre - os países de língua portuguesa”.

Paralelamente realiza-se a exposição fotográfica “Portugal Tri-Legal”, da jornalista brasileira Mônica Delicato, num resgate da cultura portuguesa, seu folclore, festas populares e artes cénicas.

Cortesia de O Público

Faleceu o poeta e escritor Ruy Duarte de Carvalho

O escritor, poeta, cineasta, artista plástico, ensaísta e antropólogo Ruy Duarte Carvalho faleceu na sua casa na cidade de Swakopmund, na Namíbia, aos 69 anos.

Desde que se reformara, o escritor passou a residir em Swakopmund, a segunda maior cidade da Namíbia, e foi ali que hoje foi encontrado já sem vida. Não são ainda conhecidas as causas da sua morte. De acordo com o filho do escritor, Ruy Duarte de Carvalho não dava notícias há alguns dias.

Nascido em Portugal, naturalizou-se angolano em 1983 por motivos que, como explica no catálogo do ciclo que o Centro Cultural de Belém lhe dedicou em 2008, se prendem com o sentimento, de que teve consciência aos 12 anos, depois de a sua família ter emigrado para Moçâmedes (Angola), de que tinha ali a sua "matriz geográfica". Em 1989 recebeu o Prémio Nacional de Literatura e o seu "Desmedida Luanda, São Paulo, São Francisco e Volta, Crónicas do Brasil" (Livros Cotovia), recebeu o Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do encontro Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, em 2008.

A sua formação passou pela Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, pelo curso de realização de cinema e televisão em Londres (realizou filmes para a TV angolana e para o Instituto do Cinema de Angola) e pelo doutoramento pela École de Hautes Études en Sciences Sociales de Paris com uma tese dedicada aos pescadores da costa de Luanda, com o título "Ana a Manda" (1989). Filmou a noite da independência de Angola (10/11 de 1975), quando estava a rodar no município do Prenda, "a bandeira portuguesa a ser arreada e a de Angola a ser hasteada", como se lê no catálogo do ciclo do CCB.

Foi professor das universidades de Luanda, Coimbra e São Paulo, além de ter sido professor convidado da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e realizou dos filmes "Nelisita: narrativas nyaneka" (1982) e "Moia: o recado das ilhas" (1989).

É autor de "Vou lá visitar pastores" (1999), da poesia de "Chão de Oferta" (1972) ou "A Decisão da Idade" (1976) - a sua poesia está reunida em "Lavra" (2005). Assinou ainda os diferentes estilos de "A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita... Fitas, Textos e Palestras" (2008), "Actas da Maianga" (2003), "Os Papéis do Inglês", "As Paisagens Propícias" (2005) e descrevia a sua obra como "meia-ficção-erudito-poéticoviajeira".

Em 2008, Rui Guilherme Lopes adaptou a obra "Vou lá visitar pastores" (1988), sobre os Kuvale, uma sociedade pastoril do sudoeste de Angola, encenada e interpretada por Manuel Wiborg e que esteve em cena noTeatro A Barraca, na Culturgest, no FITEI (Porto), no Festival de Almada e no Festival de Agosto em Maputo, Moçambique.

Cortesia de O Público

A poesia portuguesa: uma viagem literária pelo tempo

Aurelino Costa: o dizedor de poesia

Queria viver em poesia. Como isso não parece ser possível, tornou-se "dizedor" desassossegado. Com António Victorino d'Almeida, evoca agora a palavra de Miguel Torga.

Era menino e ficou encantado com a voz. A voz da mãe que lhe lia provérbios e pequenos trechos do Almanaque. A partir daí, ele dá a voz à palavra dos outros. No liceu da Póvoa de Varzim, o tímido e breve Aurelino Costa caiu numa turma "de rebeldia satânica" - assim a classificava o reitor - e o seu modo de dizer atenuava os castigos dos colegas.

Não pelas melhores razões, o reitor visitava com certa frequência a turma. E a voz de Aurelino parecia ter o dom de lhe abrandar a ira. "Quando o reitor entrava na sala, o professor Albino Campos pedia-me para ler: e eu lia." Uma leitura emocionada, sem esconder o fogo ou a mágoa que as palavras encerram: "Ele parava, silencioso, a ouvir e esquecia tudo o resto."

Advogado, poeta, actor de cinema às vezes, Aurelino Costa define--se como um "dizedor de poesia". Muitos anos depois de encetar o ofício, "a perplexidade" de ouvir a sua própria voz permanece. Persegue--o. "O dizer poesia surgiu em mim como uma inquietação." E essa inquietação leva-o a revisitar a obra de José Régio, de Miguel Torga ou de José Gomes Ferreira. Leu Ângelo de Lima e Manuel Alegre em Leninegrado. Enquanto estudante, deu voz a poemas de Régio e Antero numa homenagem ao pai de Carlos Paredes. Nesse recital no Teatro Gil Vicente, recorda, leu ainda um poema de sua autoria - dedicado à mãe, "à voz da mulher do Alma- naque".

Em Coimbra, "houve um certo desassossego: o que eu gostava era de viver em poesia, mas descobri que às vezes o estar" basta. Seguiram-se recitais na Aula Magna, em Lisboa, na companhia de António Portugal e Octávio Sérgio. A palavra de Régio muitas vezes e a "rebeldia" do seu Cântico Negro, mas Aurelino não se fixa num só nome. "Tenho amor profundo e respeito pelos bons autores de poesia. Não existe, todavia, um por quem esteja apaixonado. Todo o poeta se acomoda ao dizedor."

Autor de Poesia Solar, Na Raiz do Tempo e Pitões das Júnias, entre outras obras, um poema seu, Harpa e Delírio d'Água, foi musicado e cantado pela soprano e harpista catalã Arianna Savall. Por sua vez, o pai de Arianna, Jordi Savall convidou Aurelino para a narração em Miguel Cervantes e Las Músicas del Quixote, um dos espectáculos do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, em 2006.

Com o maestro António Victorino d'Almeida gravou, em 2001, Na Voz do Regresso, homenagem a José Régio, no centenário do nascimento do poeta - que escolhia o Diana-Bar, na Póvoa, para local de trabalho "muito simpático" no Inverno. O maestro e o dizedor voltam a encontrar-se : evocam agora a poesia de Miguel Torga.

Aurelino Costa nasceu há 54 anos em Argivai, Póvoa de Varzim. Advoga, escreve e diz. No seu curriculum consta também uma passagem pelo cinema: foi actor em Netto e o Domador de Cavalos, de Tabajara Ruas, filme rodado no Rio Grande do Sul, Brasil. "Era o secretário do delegado do império". A experiência no cinema pode repetir-se, em breve: o autor de Poesia Solar foi novamente convidado por Tabajara Ruas para integrar o elenco de Os Senhoras da Guerra. A concretizar-se o filme, desta vez aparecerá a dar corpo e voz à personagem de um coronel.

De palavras suas, enfim, será o próximo trabalho, que a Numérica vai editar no final do ano: livro poemas e um CD com os mesmos textos ditos pelo autor. O Olho d' Alho, título da obra, é um regresso à voz perturbadora do Almanaque. Na infância, conheceu um homem que tinha um olho de vidro. "Olho de vidro", dizia a mãe. "Para mim era um olho d'alho" - uma forma de "ver o mundo, de certo modo, azedo e com alguma esperança".

Cortesia DNArtes

Esplendor da tarde

Esplendor da tarde;
deve haver um amarelo
também a florir!

Yosa Buson

Faleceu o poeta italiano Luciano Erba

O poeta, professor e crítico literário italiano Luciano Erba faleceu na terça feira em Milão, aos 87 anos, segundo o diário Il Corriere della Sera, citado pela AFP.

Luciano Erba, que nascera em Milão em 1922, especializou-se em literatura francesa que ensinou na Universidade Católica daquela cidade do norte de Itália. Viveu na Suíça durante a II Guerra Mundial, e também nos Estados Unidos e em Paris.

Traduziu para italiano obras literárias francesas dos séculos XVII ao XX, sobretudo poesia, e foi ele próprio poeta galardoado com vários prémios, incluindo o prestigiado Prémio Bagutta em 1988, criado em 1926 e que distinguiu, entre outros, Claudio Magris, Primo Levi, Pietro Citati e Leonardo Sciascia.

Cortesia de O Público

Prémio Literário Casino da Póvoa 2011

Já podem ser enviados os livros para o Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do Encontro de Escritores de Expressão Ibérica Correntes d' Escritas, cuja edição de 2011 decorrerá entre 23 e 26 de Fevereiro.

O prémio de 2011 destina-se a livros de poesia publidados em portugal, 1.ª edição, entre Julho de 2008 e Junho de 2010 - exceptuam-se obras póstumas, obras completas, compilações ou obras de literatura infanto-juvenil.

O prémio, que será anunciado na cerimónia de abertura do Correntes d' Escritas e entregue na sessão de encerramento, é um prémio monetário no valor de 20.000,00 euros.

Os livros devem ser enviados, até 30 de Agosto, impreterivelmente, para:

Prémio Literário Casino da Póvoa
Correntes d’ Escritas
A/c Manuela Ribeiro
Câmara Municipal da Póvoa de Varzim
Praça do Almada
4490 – 438 Póvoa de Varzim

Biblioteca «Alma Mater» da Universidade de Coimbra disponível Online

Desde o dia 14 de Julho que qualquer cidadão com ligação à Internet pode pesquisar globalmente os documentos digitais existentes nas bibliotecas da UC através da "Alma Mater", podendo consultar em pormenor cada um dos cerca de quatro mil documentos, publicados na sua maioria antes de 1940 e correspondentes a perto de 500 mil imagens.

Segundo o comunicado da UC, a "Alma Mater" integra-se numa estratégia de desenvolvimento e modernização da UC, constituída em torno da digitalização, conservação e difusão de documentação e informação disponível na rede de bibliotecas da Universidade, incluindo livros antigos, manuscritos, cartas, fotografias e desenhos, mas também parte dos espólios de autores formados pela UC, como Almeida Garrett, Félix Avelar Brotero ou Júlio Henriques, bem como de outros que passaram por Coimbra ou lá deixaram a sua produção intelectual.

A biblioteca virtual reúne ainda diversos documentos representativos das transformações políticas, sociais, científicas e artísticas provocadas pela implementação da República em Portugal num repositório designado como "República Digital".

O projecto, desenvolvido pelo Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC) em colaboração com a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) e com a Biblioteca Municipal de Coimbra, no âmbito do programa comemorativo da UC para o Centenário da República, foi financiado pelos Ministérios da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e por fundos próprios da Universidade.

Cortesia de UC

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