Poema desconhecido de Borges descoberto na Biblioteca Nacional da Argentina

Um poema desconhecido do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899/1986) e cerca de mil livros com anotações suas foram encontrados na Biblioteca Nacional da Argentina onde o escritor trabalhou, divulgou a agência AFP.

A colecção de cerca de mil livros tinha sido doada àquela biblioteca depois de o escritor ter abandonado a direcção da instituição, mas caiu no esquecimento porque não estava catalogada.

Em 2004, dois investigadores iniciaram um trabalho de revisão dos mais de 900 mil livros da Biblioteca Nacional Argentina e encontram estes livros anotados com comentários de Borges e também com esquemas de obras futuras.

Uma das principais descobertas é um poema inédito, manuscrito por Borges sobre um exemplar em alemão do teólogo Christian Walch e datado de 11 de Dezembro de 1923. Os especialistas reconheceram o traço fino e preciso característico do autor: “A esperança/como um corpo de menina...”, lê-se.

“Avisámos os pesquisadores de todo mundo, das universidades de Virginia e Pittsburgh nos Estados Unidos até Leipzig e Hamburgo na Alemanha”, contou à AFP, Laura Rosato, uma das investigadoras. “Alguns deles já nos anunciaram que virão [à Biblioteca] antes do fim do ano”, acrescentou, orgulhoso, Germán Álvarez, que também trabalha na Biblioteca Nacional Argentina, da qual Borges foi director durante 18 anos.

Rosato e Álvarez reuniram e publicaram as suas descobertas numa obra de 400 páginas intitulada “Borges, livros e leituras”, editada pela própria Biblioteca Nacional.

Cortesia de O Público

Cristo Negro

3.

Agora estás cada vez mais no olhos de todas as crianças que detestam a guerra, oh Cristo cristão. Os jovens vêem em ti o cisne roxo de sangue. O cisne que teve uma cereja e nunca mais voltou. E assim te colocaram, com olhos de nómada, em todas montras. As pessoas passam, olham para o teu corpo misturado de balas e serpentes, e compreendem a cor dos ciclones, a palavra que se quebra, manhosa, no vidro dos ouvidos, o leal companheiro, a jangada que não quis ser um navio cheio de gaivotas mortas; as pessoas olham e vêem que separas tudo o que destrói a maçã de tudo aquilo que ajuda os pardais e as águias fundo das falésias e abocanha - com ternura - a carne das sereias. Ao princípio, era a água. E tu renovas com incenso a memória líquida de quem deitou fogo aos mapas, cinzenta lentidão e cidade cínica.

Fernando Grade

BIO - e. e. cummings

Edward Eastlin Cummings, que literariamente sempre assinou E.E. Cummings, ou melhor, e.e. cummings, nasceu em 14 de outubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts. Estudou em Harvard, de 1911 a 1915, especializando-se em literatura grega.

Voluntário na 1ª Grande Guerra, servindo no corpo de ambulâncias norte-americano na França, passou por uma dura experiência. Preso, por engano, com o seu amigo Slater Brown, que escrevera cartas que desagradaram ao censor francês, foi enviado a um campo de concentração (La Ferté Macé), em Orne, e ali ficou detido, incomunicável, por três meses, sem qualquer culpa, até ser libertado em dezembro de 1917. The Enormous Room, publicado em 1922, são as suas memórias do cárcere" em prosa não-convencional; segundo Hemingway, "um clássico". "uma obra que não se parece a nenhuma outra". Nos anos 20 e, mais tarde, em 1931, visitou Paris, onde morou por algum tempo, e outros países europeus, dedicando-se à poesia e à pintura.

Em 1923, sai o seu primeiro livro de poemas, Tulips and Chiinneys. Em 1925, publica & e XLI Poems e, no ano seguinte, is 5. Sua primeira incursão no teatro, Him, estréia em 1928, em Nova Iorque. De Paris, em 1931, Cummings decide conhecer a URSS e parte para Moscou, levando uma carta de apresentação de Aragon para Lília Brik. O diário dessa viagem constitui Eimi (em grego, "eu sou"), prosa experimental, que veio a ser publicada em 1931. Ainda nesse ano publica W(ViVa), poemas, e faz a sua primeira exposição, lançando CIOPW ("charcoal, ink, oil, pencil, watercolor"), livro de desenhos e pinturas. Em 1935. escreve Tom, roteiro para um balé inspirado na "Cabana do Pai Tomás", e publica (às expensas de sua mãe) um livro de poemas que os editores haviam recusado: no thanks. Em 1938, surge a primeira antologia de sua obra poética até então, Collected Poems. Seguem-se, em 1944, mais um livro de poemas, 1X1, e, em 1946, mais urna peça, Santa Claus. Volta à poesia com XAIPE, em 1950, mas a mais completa coleção de seus poemas vem a seir editada em 1954 um grosso volume de quase 500 páginas: Poems 1923-1954. Seu último livro publicado em vida, 95 Poemns, aparece cm 1958.

Cummings foi casado três vezes. A primeira mulher, Elaine Orr, que o desposou em 1918, deu-lhe a única filha, Nancy. Com a segunda mulher, Anne Barton, o poeta se casou em 1927, divorciando-se alguns anos depois. Marion Moorehouse, que conheceu em 1932, seria a grande e definitiva companheira. Desde 1924, ele se instalara em dois cômodos de uma pequena casa alugada em 4 Patchin Place, na Greenwich Village, passando os verões na casa de campo de seus pais, "Joy Farm", em New Hampshire, perto das White Mountains e do Silver Lake. Estas foram, até o fim, as suas residências. Elaine Orr casou-se novamente e foi viver na Inglaterra, levando a filha, a quem ocultou a identidade paterna. Somente quando foi morar nos EUA em 1948 e já tinha 28 anos é que Nancy veio a saber, do próprio Cummings, que ele era seu pai. Richard S. Kennedy conta essa novela. com laivos kafkianos, em sua biografia do poeta, Dreams in the Mirror (1980).

Um autêntico homem sem profissão, Cummings viveu por toda a sua vida dos parcos ganhos de poeta e pintor, a princípio ajudado pelos seus pais e avós, depois pela mulher, Marion, modelo e fotógrafa. Amigo de John dos Passos e de Ezra Pound, foi dos poucos que não abandonaram o autor dos Cantos quando este, acusado de traição ao seu país, foi internado no manicômio judiciário de Washington, o St. Elizabeth’s Hospital. Convidado para proferir conferências em Harvard, de 1952 a 1953, escreveu seis palestras, que intitulou i: six nonlectures (eu: seis nao-conferências), com as quais, descobrindo em si próprio urna extraordinária vocação para a leitura de poemas, percorreu com grande êxito de audiência colégios e universidades.

Essas conferências, gravadas ao vivo, podem ser ouvidas em discos e cassetes do selo Caedmon, assim como um bom número de poemas lidos pelo próprio poeta. Como Dylan Thomas, que não chegou a gravar Vision and Prayer; Cumrnings não deixou registrado em sua voz nenhum dos seus poemas visuais. Sua poesia, no entanto, interessou vivamente a alguns dos maiores músicos desta segunda metade do século, como John Cage, Luciano Berio e Pierre Boulez (e, entre nós, ao jovem Livio Tragtenberg). Técnicas não convencionais de vocalização, corno as que empregam esses compositores, permitem revelar a insólita musicalidade que se oculta nos poemas tipográficos de Cummings, explorando a hipersonoridade de suas microestruturas fônicas.

Cumrnings morreu em 3 de setembro de 1962, em Madison (New Harnpshire), de um ataque cardíaco. No ano seguinte, sairia uma coleção de seus últimos poemas inéditos: 73 Poems: em 1969, uma importante seleta de suas cartas: Selected Letters, organizada por E. W. Dupee e G. Sladc. Além da biografia citada, não pode deixar de ser referida a anterior, de Charles Norman (The Magic Maker: E. E. Cummings, 1958, reeditada em 1964). Dentre os livros de crítica que tratam de sua poesia, destaca-se o de Norman Friedman, E E Cummings: The Art of His Poetry, 1960.

Por Augusto de Campos

Al Berto: a dramaturgia do silêncio

Lêem-se versos como – “A memória é hoje uma ferida onde lateja a Pedra do homem, hirta como uma sombra num sonho” – e a questão que imediatamente se coloca é esta: que fronteiras traçam estas imagens? Porventura, delimitarão espaços onde se digladia o teor que faz esta escrita ser uma poesia que diz, mas que diz, mostrando, ao mesmo tempo, a carne viva que dita a urgência de ter que dizer. Daí que não haja, muitas vezes, tempo para instalar os andaimes da retórica e a voragem – o ritmo largo – acabe por se sobrepor à lentidão estudada e depurada da sintaxe e das imagens límpidas, noutras atmosferas sempre muito polidas, trabalhadas e determinadas pela pose literária.

Al berto está longe dessas oficinas almofadadas onde o arear da poética é um moldar quase solene da prata. Mas isso não significa que o tom filigrânico não ressurja no meio do impetuoso caudal: “tuas mãos de neve”, “luas incendiadas”, “os lábios incendeiam-se com vinho” – ou ainda – “cintilam peixes pelas paredes do quarto” – são disso óptimo exemplo. Imagens com figurações da intimidade, figuras de fogo, fisionomias do excesso.

Se aliarmos a disposição pioneira e “vitalista” de Al berto – tal como seria chamada no final dos anos noventa – a textos como os de “obsessividade íntima”[1] de Herberto Helder ou da “art brut”[2] de Joaquim Manuel Magalhães, entramos num mundo de metamorfoses e de abismos matéricos. Os exemplos de Mar-de-Leva (1980), que continuamos a revisitar desde o “Ponto de Mira” de há duas semanas, falam por si: “O sal tornou-se rubro e cospe flores…”, “na memória ficaram os sinais dos bosques ceifados…”, “para que possamos sobreviver ao estrondo da pólvora…”, “da água enfurecida irromperá o desasatre” – ou, num tom de glorificação trágica: “na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição”.

Esta glória semeada no coração do abismo dita uma outra característica de Al berto: o propósito dramatúrgico que envolve o relato como um água que se insinua, revolta, num aquário em permanente clímax. As vozes realmente interpelam, interrogam e contracenam com a densidade crua do Eu. Vozes de segunda e da primeira pessoas debatem-se no palco, ao mesmo tempo, sacrificial e narcísico que se vai enunciando: “onde estarão as tâmaras maduras das tuas palmeiras?”, “que murmúrio terão as pedras do teu silêncio?”, “sabes, as aves aquáticas…” ou “é tarde meu amor, estou longe de ti…”. Este relacionar íntimo e questionador parece indiferente à asserção que o corpo ininterruptamente veicula: “apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam”, “não consigo dormir com esta ferida” – ou – “levanto-me e saio para a rua”.

Seja como for, à moda de um coro que se levanta do silêncio de fundo, nos finais, a intemporalidade acena para superar a catástrofe. Esta estratégia de (verso de) ouro surge, de maneira clara, nas seis anáforas do final do poema 7 de Mar-de-Leva. As seis imagens que aí se desdobram são regidas pelas formas verbais “Acostam”, “Agitam-se”, “Se abandona”, “Pernoita”, “Cresce” e “Perdem” – e colocam em evidência o ‘não dito’ matricial dos poemas do livro: a perenidade que subjaz à transformação e que se imporá para além do tempo da história e das narrativas que o iludem. Daí, também, o apelo da infância como signo de pureza e perspicácia de um tempo que parece viver fora da respiração do tempo comum: “encolho-me no leito estreito, no fundo dele, onde o linho já não fulgura”, “por onde andará o Cabecinha? E a Tia Clementina? E o Cisisnato?” – ou ainda, em jeito de ‘quête’ sem fim – “procuro no fundo das algibeiras os bonecos da bola”.

Por Luís Carmelo

Cortesia de PNETLiteratura

7ª. Edição do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoães

Com o objectivo de homenagear o grande Homem de Letras que foi Teixeira de Pascoaes, a Câmara Municipal de Amarante, no âmbito do 120º aniversário do seu nascimento, retomou em 1997 o Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes. Em 2010 realizar-se-á a 7ª edição. A sua atribuição será feita em sessão solene, até ao fim do ano, em data a determinar.

Serão considerados os livros de Poesia, de autores portugueses, em primeira edição, publicados a partir de 1 de Agosto de 2008 e que dêem entrada na Biblioteca Municipal Albano Sardoeira – Amarante até de 30 de Setembro de 2010.

Regulamento

Livraria Poetria prepara Cidade Poética

A Livraria Poetria organiza quinta feira a primeira sessão de preparação para o Cidade Poética, um projecto que visa a realização de um encontro de poetas nacionais na cidade do Porto.

Subordinado ao tema 'Poesia Ecfrástica', escolhido por ser pouco conhecido, o primeiro encontro pretende preparar o público para o Cidade Poética, um ciclo que deverá acontecer em Março de 2011, na cidade.

'Pensámos que por ser uma tema pouco vulgar na poesia podíamos começar por aí', disse hoje à Lusa Dina Silva, responsável pela Poetria.

A responsável refere ainda que 'tema ousado e infinitamente moderno, como tudo o que é clássico', a poesia ecfrástica serve de pretexto ao diálogo entre a poesia e as artes plásticas e visuais e remete para o termo grego ekphrasis (palavra que literalmente significa descrição), que resulta da reflexão poética sobre um objecto pictórico.

'Há uma frase da Antiguidade que diz «a poesia é pintura que fala, a pintura é poesia silenciosa»', salientou Dina Silva, referindo-se ao tema escolhido por "imensos poetas" na sua obra.

A sessão tem como objectivo demonstrar que poetas, como Jorge de Sena ou Al Berto, e artistas como Paula Rego, Van Gogh, Velásquez, Kandinsky ou Júlio Resende concretizam, através das suas obras, a interacção entre a poesia e as artes visuais.

O primeiro encontro do ciclo preparatório terá lugar na galeria de arte e design DIXIT, na rua Miguel Bombarda.

O bilhete de entrada custa dois euros.

A Livraria Poetria integra um grupo de trabalho que vai realizar um ciclo de sessões de poesia no âmbito do projecto Cidade Poética, a acontecer no Porto, mas com 'expressão nacional' em 2011.

Cortesia de DNArtes

Poesia Manuscrita Pelos Hipocampos é a nova obra poética de José Luís Mendonça

A segunda edição da obra "Poesia Manuscrita Pelos Hipocampos", do escritor angolano José Luís Mendonça, foi hoje, quinta-feira, apresentada ao público na União dos Escritores Angolanos.

Segundo o autor, no livro, de 42 poemas, são encontradas poesias sobre a vida actual, "numa abordagem sobretudo que é captada pela consciência humana desde os artefactos espaciais às simples pedras do mar".

De acordo com José Mendonça, com esta obra busca reflectir a questão do tempo e do imperecível, de forma a "saber se realmente o tempo existe ou se é uma invenção do homem. Contudo, uma reflexão filosófica sobre a vida na terra e no
espaço".

Salientou que a concepção do seu livro durou vinte anos, porque os quarenta e dois poemas tiveram que reportar detalhadamente a temática que a obra aborda.

Acrescentou ainda que está em carteira uma nova obra infantil intitulada “A Rede que Pescava Sonhos de Natal”, que possivelmente poderá ser publicada ainda este ano.

Por sua vez, o escritor Abreu Paxe mostrou-se surpreendido pela forma como o escritor relacionou os elementos artísticos (hipónimos e Hiperonímia), pelo que, devolve a semântica ao próprio texto.

“A partir da organização do índice, título, há uma relação entre o conjunto. O mais atraente é o facto de existir uma ligação entre o sentido poético das palavras dentro do texto”, disse.

José Luís Mendonça, poeta e jornalista. Publicou 12 livros de poesias e um conto. A sua aparição no mundo das letras aconteceu com “Chuva Novembrina, obra à qual foi atribuída em, 1981, o Prémio “Sagrada Esperança”, pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco.

Entre outros Prémio adquiriu também o Galardão Sonangol de literatura.

Cortesia de Angola Press

Prémio Máxima Vida Literária atribuído a Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta venceu o Prémio Máxima Vida Literária pelo livro «Poesia Reunida», publicado em Fevereiro de 2009 pela Dom Quixote.

m «Poesia Reunida», prefaciado por Maria João Reynaud, encontra-se coligida toda a obra poética publicada de Maria Teresa Horta, de 1960 («Espelho Inicial») até à actualidade, incluindo obras inéditas, como o livro «Feiticeiras», nunca antes editado em Portugal.

«Poesia Reunida» é, como defende a própria, um testemunho da sua vida para os outros.

Cortesia de Diário Digital

Birds Of America: o livro mais caro do mundo vai de novo a leilão

Birds Of America, livro de John James Audubon, vai a leilão na Sotheby"s a 7 de Dezembro. Com ele estará First Folio, de Shakespeare, o livro mais importante da literatura inglesa. Mas são os magníficos pássaros de Audubon que, pela sua escala e raridade, concentrarão atenções.

Em 1820, John James Audubon viajou pelos estados do Mississípi, Alabama e Florida para observações ornitológicas. Era o início da uma investigação que tinha por objectivo documentar em pintura todas as aves da América do Norte e que transformaria Audubon numa das personalidades do seu tempo. Há dez anos, o livro daí resultante, Birds Of America, tornou-se o mais caro de sempre, ao ser arrematado por 8,8 milhões de dólares. Ontem, voltámos a ele. A Sotheby"s londrina anunciou o leilão, a 7 de Dezembro, da colecção de Lord Hesketh, falecido nos anos 1950, e entre os itens, quase obscurecendo Shakespeare e Elisabete I, está uma cópia de Birds Of America.

Frederik Fermor-Hesketh, Lord de Hesketh, descendia de uma família que desde o século XIX vinha construindo uma rica colecção livreira. Os livros que Frederik adquiria não eram reveladores de um interesse específico. Coleccionador compulsivo, procurava o raro e a excelência, o que explicará o valor e a diversidade de livros, cartas ou manuscritos que serão levados a leilão em Dezembro. Entre os destaques, encontra-se uma cópia de Comedies, Histories, & Tragedies, de Shakespeare, publicado em 1623, sete anos após a morte do dramaturgo, e conhecida como First Folio (a primeira colecção das suas peças e considerada, tão só, o mais importante livro da literatura inglesa). Há também uma colecção de 40 cartas endereçadas a Ralph Sadler, carcereiro de Maria I da Escócia, durante o seu cativeiro às mãos de Elisabete I (cinco das cartas são assinadas pela monarca) e até agora desconhecidas dos historiadores, segundo revelou ao P2 David Goldthorpe, especialista da Sotheby"s em livros e manuscritos. "Teremos a descrição de cada uma [das cartas] no catálogo [do leilão], o que fornecerá aos estudiosos todo o enquadramento necessário para extrair a relevância histórica do seu conteúdo", adianta.

O First Folio, de que supõe existirem hoje 219 cópias de um total de 750 impressas à época, está avaliado entre o milhão e o milhão e meio de libras [entre 1,215 milhões e 1,822 milhões de euros] e o conjunto de cartas em 150 mil e 200 mil libras [entre 182 mil e 242 mil euros]. Considerando que, para além deles, a Sotheby"s apresentará ainda, por exemplo, uma cópia ilustrada, datada do período medieval tardio, de Vida de Rómulo, de Plutarco, não surpreende que o jornal The Guardian tenha escrito ontem que os itens a leilão, "quaisquer que sejam os critérios, [são] parte de uma colecção verdadeiramente extraordinária." David Goldthorpe afirma isso mesmo ao P2, manifestando as grandes expectativas da Sotheby"s quanto ao leilão de Dezembro. O maior destaque, porém, será Birds Of America: o livro de um filho de franceses nascido em 1785 no Haiti; de um homem que se tornaria para os seus contemporâneos a encarnação do espírito de um novo país, os Estados Unidos, que foi a sua pátria adoptiva.

Mais de dois séculos depois, a sua obra, um livro monumental quer pela dimensão, quer pelo impacto, tornar-se-ia a mais cara de sempre num leilão. A Sotheby"s avalia-a entre 4 e 6 milhões de libras [entre 4,8 milhões de euros e 7,3 milhões de euros]. Ou seja, muito acima do "livro mais importante da literatura inglesa".

Como explica Goldthorpe, a riqueza de Birds Of America nasce de uma combinação de factores: "A raridade, a dimensão e o nível artístico." A raridade: crê-se que existam apenas 119 cópias completas do livro, das quais 11 na posse de privados. A dimensão: John James Audubon propôs-se a "desenhar aves em tamanho real", sendo assim obrigado a recorrer às maiores folhas existentes, as chamadas "double elephant" (66 por 96,5 cm). O nível artístico: depois de caçar as aves, Audubon colocava-as em pose realista com o auxílio de pedaços de arame, imprimindo à pintura uma vivacidade e expressividade até aí ausente dos registos de ornitologia.

Numa escala de valoração artística, Birds of America não ultrapassará o First Folio de Shakespeare. Não foi esse o factor determinante para que tenha disparado até aos 8,8 milhões. Foi, isso sim, o seu valor enquanto objecto e o seu apelo abrangente. "É um livro impresso que suscita o interesse de públicos muito diversos", aponta David Goldthorpe. "É muito visual, e muito apelativo para o público especificamente americano, ou interessado em coleccionar "americana". Shakespeare é obviamente uma figura imensa na literatura inglesa, mas a verdade é que posso entrar numa livraria e encontrar as peças [incluídas em First Folio]. Já o Birds [Of America]", assinala, "não tem substituto. O seu valor é mais proteico, se é que posso utilizar esse adjectivo."Como um pioneiro do Oeste

Em 1826, aos 41 anos, John James Audubon desembarcou em Londres. Levava consigo um portfolio de 300 desenhos originais, a aguarela, que acumulara nos anos anteriores em viagem pelos Estados Unidos. Viajara até à capital inglesa por conselho de amigos bem colocados, cujas cartas de recomendação lhe abririam as portas da nobreza a alta burguesia britânicas, e procurava os meios técnicos, então inexistentes nos Estados Unidos, que lhe permitissem reproduzir cópias da obra.

O sucesso foi imediato e as digressões pelo Reino Unido, exibindo os pássaros e a paisagem natural americana, causaram furor. Não só as pinturas. David Goldthorpe descreve Audubon como um homem de traços rudes e de cabelo comprido que "encarnava na perfeição a figura romântica do homem do Novo Mundo". Também ele suscitava espanto e admiração: um homem culto e fluente na cultura europeia, que contava histórias das tribos índias em que vislumbrava "a grandeza do Criador em todo o seu esplendor".

Vendida por assinatura em fascículos, trabalho naturalista e obra artística, Birds Of America funcionava como uma fascinante digressão visual por um continente misterioso para os europeus. Os americanos, por seu lado, viam-no como uma elegia à riqueza natural dos seus territórios. Num e do outro lado do Atlântico Audubon venceu. O rei britânico George IV foi um dos assinantes do livro, tal como Charles X de França, e o pintor foi admitido na London Royal Society - após Benjamin Franklin, foi o primeiro americano a conhecer tal distinção.

De regresso aos Estados Unidos em 1829, continuaria o seu trabalho até a sua saúde se deteriorar definitivamente em 1848. Morreria três anos depois, em 1851.

O livro a que dedicou a sua vida tornou-se o mais caro de sempre há dez anos. Dia 7 de Dezembro, será a grande atracção do leilão da Sotheby"s. "Está em óptimas condições de conservação e tem a encadernação original. É realmente maravilhoso", despede-se David Goldthorpe.

Cortesia de O Público

Com a Terra

Como a Terra,
tenho o corpo encharcado
pelas chuvas de Fevereiro.
Surges nos breves espraiares do Sol…
Os grãos que do restolho sobraram,
alcatifarão de verde os campos…

Sinto meu corpo a verdejar!

Com seu melodioso assobio,
volta o despertar matinal do melro,
desaparecendo em mim a inquietude do frio…

De novo o amor renasce…
como Sol envergonhado, ao corpo causa arrepio,
e o peito explode lavas em erupção.

Nossos corpos têm sabor a fruta verde.

Nas asas rendadas das mariposas,
voláteis, nossos pecados dançam,
dançam danças libidinosas…

Teu corpo procuro com sede!

Bamboleantes meus seios
como dois dióspiros suculentos,
despertam em ti o desejo.
Tu trinca-os como cerejas maduras.
Escorrem-te pelos cantos da boca,
o suco do gosto e do prazer.

Levantam-se em nós marés vivas,
em ondulações de vertigem.
Meus flancos abrem e sugas no cálice
a polpa adocicada com avidez e desejo.
Eu entrego-me por inteiro!

Fernanda Garcias

Mãe-Mão - Teatro Poético para bebés e crianças

Era uma vez uma criança que queria estar sempre de mãos dadas com a sua mãe. Que precisava das mãos da mãe para conseguir usar as suas próprias mãos. Que pensava nada poder fazer sem aquelas mãos grandes, meigas, acolhedoras, protectoras. Até que um dia...

Mãe-Mão

Mãe, quero a tua mão.
A mão da minha mãe,
A mãe da minha mão.

A minha mão na mão da mãe,
A mão da mãe na minha mão.
A minha mão, não. A minha mãe.

A mão da mãe, não, a minha mão.
A minha mão sem mão da mãe
A mão da mãe é a minha mão.

O Teatro do Biombo leva à cena Mãe-Mão, um espectáculo para bebés e crianças dos 6 meses aos 3 anos, que retrata de forma poética uma história sobre a importância das rotinas diárias para a conquista da autonomia afectiva.

Com encenação por Joana Pavão e Ana Lázaro, Mãe-Mão está em cena nos dias 4 e 11 de Setembro, 2 e 16 de Outubro, 6 e 27 de Novembro, 13 a 16, 21 e 22 de Dezembro de 2010 sempre com sessões às 10:00h, 11:00h e 12:00h. Preço do bilhte é de 5 euros.

Reservas
teatrodobiombo@me.com
915.816.107

Levantei sombras

Levantei sombras
onde pus espadas.

Onde era o estusiasmo
de acreditar «valer a pena»
riscaram, verdadeira e inquestionável,
uma pobre palavra delida,
uma pobre palavra sagrada

que todos traziamos
aprisionada e fulgurantes...

Agora é sombra
onde, talvez, deviamos
ter vibrado espadas.

Henrique Lima Freire

Terras de Bouro promove X Encontro Nacional de Poetas 2010

À semelhança de anos anteriores, o Município de Terras de Bouro irá promover amanhã, dia 18 de Setembro, na Vila do Gerês, o X Encontro Nacional de Poetas.

O evento, que tem o seu início marcado para as 9h30h, irá reunir cerca de uma centena de poetas oriundos de todo o país, cabendo a sua organização ao jornal “Poetas & Trovadores” e à Associação de Escritores Minhoto – Galaicos, “Calidum”. De destacar a apresentação de trabalhos dos poetas presentes além da realização de um concurso de quadras populares a que o Município se associa, premiando os três melhores concorrentes e atribuindo menções honrosas para os dez melhores trabalhos.

Segundo os serviços do município, a Câmara de Terras de Bouro pretende com esta iniciativa «continuar a intenção de implementação e desenvolvimento da expressão cultural e artística no Concelho, além de contribuir para o importante desenvolvimento social e cultural dos terrabourenses e de todos aqueles que se queiram associar ao evento».

Cortesia de Jornal Vilaverdense

Poesia na Rua em Cacela Velha

Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António, celebra a poesia no mês de Setembro. A iniciativa “Poesia na Rua”, que decorrerá nos dias 17 e 18, promete ser um grande momento cultural em redor das palavras escritas ou ditas em voz alta, mas também de animação, de festa e de partilhas.

O programa centrar-se-á na poesia enquanto género literário e artístico, e oferecerá diversas actividades com entrada livre que poderão ser desfrutadas por visitantes de todas as idades.

Previstas estão, entre outras, actividades infantis, jogos poético-populares, leituras de histórias e poemas, conversas sobre poesia, apresentações de livros, aulas de poesia, recitais e concertos de Janita Salomé e Carlos Mota de Oliveira, de B-Fachada e do grupo de jazz Miguel Martins Trio.

Um dos momentos altos do programa – a “Festa da Poesia” – terá lugar no dia 18 de Setembro, no qual serão ditos poemas por poetas populares, acompanhados pela Banda Filarmónica de Vila Real de Santo António. Prevista está também a leitura de poemas por valter hugo mãe, Juan Andrés Garcia Román, José Carlos Barros, Teresa Rita Lopes, José Mário Silva, Carlos Mota de Oliveira, Luís Filipe Cristóvão, Angél Nunez, António Baeta, José Vela Hernandez, Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené, Pedro Afonso e Dinis Nunes.

Durante todo o evento, estará ainda em funcionamento um ponto da Biblioteca Municipal com uma área de leitura de livros de poesia, um mercado de livros da responsabilidade da Livraria “Pátio de Letras” e um ponto de troca de livros, contando os espaços de restauração com algumas ementas poéticas.

Organizada pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, a iniciativa “Poesia na Rua” tem como ponto de partida a herança poética de Ibn Darraj al-Qastalli, nascido em Cacela no ano de 958, bem como de outros poetas que escreveram sobre esta povoação ou que aqui viveram: Abû al-‘Abdarî, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Teresa Rita Lopes, Adolfo C. Gago.

“Cacela Velha é um lugar mágico, muito poético. Foi aqui que nasceu Ibn Darraj al-Qastalli no ano de 958, por muitos considerado o maior poeta do seu tempo. Por essa razão, por ser uma localidade tradicionalmente associada à poesia, resolvemos celebrá-la, fazendo-a chegar a cada vez mais pessoas, sejam elas munícipes ou visitantes” refere José Carlos Barros, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.


PROGRAMA

Encontro de poetas ibero-americanos em Espanha homenageia português António Salvado

O Encontro de Poetas Ibero-americanos, que se realiza anualmente na cidade espanhola de Salamanca, terá este ano Portugal e o poeta António Salvado como protagonistas.

A Câmara de Salamanca vai homenagear o poeta natural de Castelo Branco e, desta feita, Portugal num evento onde Salvado acompanhará outros 14 poetas que são tradicionalmente convidados a deslocar-se a Salamanca.

O encontro anual que se realizará nos dias 8 e 9 de Outubro permitirá a Salamanca “reconhecer a qualidade poética do país de Camões e Pessoa”, segundo o anúncio feito no portal oficial da Câmara da cidade.

Segundo o seu coordenador, o poeta hispano-peruano Alfredo Pérez Alencart, o encontro “terá efeitos duradouros no coração do povo lusitano, porque Salamanca continua a ser altamente valorizada em Coimbra, Porto, Lisboa e demais enclaves culturais portugueses”.

Alfredo Pérez Alencart, professor da Universidade de Salamanca, está a concluir a tradução de uma ampla antologia bilingue (português e espanhol) da obra de Salvado, sob o título “A Hora Sagrada”, que incluirá ainda versos de alguns dos poetas convidados para o encontro do próximo mês de Outubro e obras do pintor salmantino Miguel Elías.

O Encontro de Poetas Ibero-americanos, que conta com a colaboração da Fundação Caminho da Língua Castelhana, homenageou, em edições anteriores, países como o México, Brasil, Cuba e Chile, entre outros.

Nesta XIII edição participarão, entre outros autores espanhóis, o último Prémio Nacional de Poesia, Juan Carlos Mestre, bem como os poetas latino-americanos Isel Rivero (Cuba), Ernesto Román Orozco (Venezuela), Boris Rozas (Argentina), Marcelo Gatica (Chile) e os colombianos Harold Alvarado Tenorio, Juan Carlos Galeano y Rómulo Bustos Aguirre.

A língua portuguesa, para além de António Salvado, estará ainda representada pelo brasileiro Carlos Nejar e pelo português António Osório, que encerrará o encontro com uma leitura.

António Forte Salvado, referido como um “claro humanista”, desempenha actividades variadas, que vão desde a direcção de museus e revistas, a tradutor e ensaísta de temas etnológicos e é licenciado em filologia românica pela Universidade de Lisboa. Nos seus 55 anos de vida literária publicou 56 livros de poesia, para além de diversas antologias da sua obra, traduzida em francês, espanhol e japonês.

António Salvado foi recentemente condecorado com a Ordem de Santiago de Espada pelo Presidente da República.

Cortesia de O Público

«Guerra Junqueiro: de Freixo para o Mundo»


«Guerra Junqueiro: de Freixo para o Mundo» é o mote para uma exposição biobibliográfica patente no jardim municipal de Freixo de Espada à Cinta, iniciativa inserida nas comemorações dos 160 anos do nascimento do poeta.

O trabalho foi desenvolvido por Manuel Henrique Pereira, professor da Universidade Católica do Porto (UCP) e visa 'devolver o prestígio e popularidade que teve o poeta autor de obras tão emblemáticas como 'A Velhice do Padre Eterno''. O propósito do projecto é 'Revisitar/Redescobrir Guerra Junqueiro'.

Henrique Manuel Pereira avançou que está a ser realizado um documentário com 55 minutos que faz um retrato das múltiplas facetas de Guerra Junqueiro, com imagens de arquivo

O documentário deverá ser transmitido num canal generalista da televisão portuguesa, de acordo com o autor.

O trabalho precisava de uma banda sonora 'não só para tapar o silêncio, mas que fosse uma outra forma de o protagonista se dizer', acrescentou.

Assim, foram seleccionadas músicas com poesia de Guerra Junqueiro, num total de duas horas e meia, em linguagens sonoras de áreas tão distintas como hip hop, jazz, bossa nova ou electrónica, incluindo o tema musical mais conhecido da lírica de Junqueiro: 'A Moleirinha'.

Os 40 temas reunidos estão disponíveis em CD integrados no projecto que, além de 'A Música de Junqueiro' e a 'Viagem de Junqueiro' (documentário), inclui ainda uma fotobiografia, e a publicação de 500 páginas com entrevistas 'À volta de Junqueiro'.

O retrato de Junqueiro é ainda composto por documentos com éditos, inéditos e entrevistas a mais de 50 personalidades, entre as quais Eduardo Lourenço, o bispo D. Manuel Clemente, Mário Soares, Manoel de Oliveira e Helena da Rocha Pereira.

Todo o trabalho realizado está a ser divulgado na Internet, em www.artes.ucp.pt/guerrajunqueiro onde é possível também conhecer obras do poeta transmontano como 'A Velhice do Padre Eterno', 'Os simples', 'Pátria' ou 'A Morte de D. João'.

'Agora o trabalho será dado a conhecer aos alunos das escolas onde Junqueiro deixou marcas, com particular incidência na sua terra natal', disse à Agência Lusa José Santos, presidente da câmara de Freixo de Espada à Cinta.

O autarca avançou que a obra de Junqueiro 'A Lágrima' vai ser reeditada, em data a indicar, em espanhol, francês e italiano, além de português.

'Poeta, filósofo, cientista, político, agricultor e até viticultor duriense, Guerra Junqueiro foi uma voz respeitada da República e deixou uma obra literária apreciada pelos seus pares do século XIX, como Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa', conclui Manuel Henrique Pereira.

Cortesia de DNArtes

Poesia de Marilyn Monroe à venda em Outubro


Será lançado em Outubro, um livro intitulado ‘Fragmentos’ da autoria de Marilyn Monroe, que, aparentemente, “escrevia todos os dias”.

De acordo com Michel Schneider, escritor e psicanalista responsável pela publicação deste livro, muitos dos poemas que estão na obra estiveram durante anos na posse do FBI, que os confiscou após a morte da actriz em 1962.

Schneider adianta que os “textos são bastantes frios, sem pathos, o que revela uma grande qualidade a nível literário".

"Marilyn tinha uma pena de poeta e algum talento para guionista", conclui o escritor.

Cortesia de Correio da Manhã

200 candidatos à 1ª Edição do Prémio Manuel António Pina

A Câmara Municipal da Guarda recebeu mais de duas centenas candidaturas à primeira edição do Prémio Manuel António Pina. Este é o primeiro prémio literário instituído pela autarquia guardense, com o objectivo de homenagear o escritor e poeta natural do Distrito.

O período para apresentação de candidaturas decorreu de 1 de Junho a 30 de Julho, tendo sido entregues candidaturas de trabalhos inéditos de poesia de autores portugueses provenientes de todo o País, revela o Município.

O Prémio Literário Manuel António Pina, com periodicidade anual, pretende divulgar obras de poesia e de literatura infanto-juvenil, a atribuir alternadamente (em anos pares, poesia, e em anos ímpares, literatura infanto-juvenil). O Prémio foi apresentado aquando da realização de um Ciclo dedicado a Manuel António Pina, que decorreu de 18 a 22 de Janeiro e que constou de Exposições, Teatro, Seminário, Actividades com as Escolas, tendo na ocasião sido celebrado o protocolo com a Editora Assírio e Alvim, que viabiliza a edição da obra premiada.

O Prémio tem o valor pecuniário de 2.500 euros, correspondendo este montante aos direitos de autor respeitantes à edição da obra premiada, a editar pela Câmara Municipal da Guarda (CMG), em parceria com a editora Assírio & Alvim.


Entregue em Novembro

O Júri, constituído pelo escritor Manuel António Pina, um representante da Editora “Assírio & Alvim”, um representante da Associação Portuguesa de Escritores e pelo vereador do Pelouro da Cultura da CMG, Virgílio Bento, irá agora proceder à selecção e avaliação das obras submetidas a concurso.

A atribuição do Prémio será feita em sessão solene, na Guarda, no dia do aniversário do escritor, 18 de Novembro.

Cortesia de Jornal Nova Guarda

Faleceu poetisa açoriana Madalena Férin

O Presidente do Governo dos Açores manifestou pesar pelo falecimento de Madalena Férin, no passado fim-de-semana, sublinhando "a grande perda para as Letras açorianas que representa o desaparecimento da poetisa e escritora".

Carlos César realça que Madalena Férin "foi participante activa na luta desenvolvida nos Açores pela democracia em Portugal", e com a sua obra literária de quase vinte títulos "e as suas atitudes de firmeza, uma lutadora pelos ideais do 25 de Abril".

Falecida em Lisboa, Madalena Férin nasceu em 1929, em Vila Franca do Campo, na Ilha de São Miguel, mas foi criada em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria.

Era licenciada em Filosofia e técnica superior do Instituto de Meteorologia e Geofísica.

Está representada em diversas antologias poéticas, tendo traduzido volumes da Colecção "Nosso Mundo" e compilou textos em inglês para Culture and Civilization in Portugal (Universidade de Santa Bárbara, Califórnia.

Autora de romances, contos, designadamente para crianças, ensaios e poesia, Madalena Férin recebeu o Prémio Antero de Quental, na modalidade de Poesia, do Concurso Literário dos Açores/1990.

Cortesia de Carlos Tavares/RTP Açores

Poesia ao ar livre em Cascais

Em noite de luar as estrelas brilham à espera do momento em que os versos são lidos como cantigas de embalar. Nesta noite especial, o soninho chegará com os aromas das árvores, a magia das palavras e a ternura de quem as lê. Acampados no parque, os participantes têm de trazer, além do pijama, da escova de dentes e da merenda, um saco-cama individual e uma lanterna. Para crianças dos 3 aos 10 anos, acompanhadas por um adulto da família.

Os Versos ao luar são lidos das 18h00 de dia 11 às 10h00 do dia 12 de Setembro na Biblioteca Municipal de Cascais / Parque Marechal Carmona.

Inscrições de 2ª feira a sábado das 10h às 18h00 pelo tel.: 214815326/7

O misterioso Paul Celan


Num dia de abril de 1970, um homem de 50 anos suicidou-se atirando-se ao rio Sena, em Paris. O mundo perdia então um dos maiores poetas de expressão alemã do pós-guerra (leia-se Segunda Guerra Mundial, que as guerras não acabaram ainda).

Romeno de nascimento, Paul Antschel, na versão germânica, ou Ancel (cuja inversão de sílabas usou para definir seu pseudônimo), sobreviveu ao Holocausto. Mas nos campos de extermínio nazistas perdeu todos os outros a quem amava. Essa desgraça, como naturalmente se pode deduzir, marcou para sempre sua vida e sua obra.

Paul criava neologismos, o que sempre dificulta um pouco as traduções. Focos de luz solar ou sol em pedaços são, para ele, fiapossóis (fadensonne) entre as cuidadosas traduções de Flávio R. Köthe:

Fiapossóis
Sobre o grisnegro ermo
Um pinho –
alto pensamento
agarra o tomluz: ainda
há canções a cantar além dos
homens.


Talvez pela sonoridade e estética que disponibiliza aos que escrevem, além de rica em possibilidades, a língua alemã foi escolhida por autores significativos de diversas nacionalidades para a realização de suas obras. Isso não era incomum. Até nosso Guimarães Rosa apresenta influências dos encantos dessa língua, provavelmente fortalecidas durante o período em que morou em Hamburgo. Escritores hoje clássicos como o tcheco Franz Kafka, criador do inquietante (e sensível, poucos se lembram disso) A metamorfose ou o búlgaro Elias Canetti, Prêmio Nobel de Literatura, optaram pelo alemão como forma de expressão de sua literatura. Na verdade, a mãe de Paul Celan era uma admiradora e leitora assídua de autores alemães e insistiu para que fosse essa a língua de sua família romena quando ele ainda era um menino.


Rosa, Kafka e Canetti, atraídos pela língua alemã.

Paul não trabalha com imagens explícitas, mas com sugestões que abrem opções interpretativas. Isso confere a seus versos uma parcela de enigma que não se transpõe. Também a sensação, à primeira vista, de que não estamos lendo exatamente o que estamos lendo:

Em vão desenhas corações na janela:
o conde do silêncio
conclama os soldados no pátio do castelo.


Será que os mais sensíveis conseguiriam evitar as guerras? Será que é isso mesmo que o poeta nos sugere? Será que é essa a única interpretação possível? Certamente não. Deve haver outras dentro de cada leitor, aguardando decifrações:

Abraçados à janela, as pessoas nos olham da rua:
É tempo de saberem!
É tempo de a pedra querer florescer,
tempo de o coração pulsar pelo que se agita.
É tempo de o tempo ser.


Com a mesma estratégia da repetição, Paul consegue efeitos surpreendentes em suas imagens – por vezes de tirar o sono aos leitores mais atentos, como neste trecho:

Sombria noite.
Sombria noite com prata de sino e oliveiras.
Sombria noite com a pedra que trouxeste.
Sombria noite com a pedra.


Ou neste, do mesmo poema:

Urna de barro.
Urna de barro que a mão de um oleiro concresceu.
Urna de barro que a mão de uma sombra encerrou para sempre.
Urna de barro com o selo da sombra.


Paul nunca viveu na Alemanha. Mas para completar a dimensão trágica que delineou sua vida, entre as pedras que o destino lhe trouxera, escreveu primorosamente na língua daqueles que um dia assassinaram seus pais. A obra de Paul Celan não foi encerrada pela mão de uma sombra. Sua poesia nos conta que sempre é tempo de interpretá-la. Que o tempo não passou como pensávamos. Que os horrores não devem ser esquecidos. Que nosso coração não deve fugir. Que sempre é tempo. Que ainda é tempo.

Nota: somente os dois primeiros fragmentos citados foram extraídos da obra traduzida de Köthe.

Cortesia de Perce Polegatto 

Sequencial

Naquela manhã, como uma presença envolta em arabescos. Dissimulada. Escorregadia por entre becos, esquinas, frestas. À distância. Tão perto. Até que nos entreolhamos e um arrepio fino. Onde o sol? Cruzei a praça.

Mais tarde, no galho seco do oiti à altura da minha janela. Um olho aberto. Difícil o outro: Cego. Ave errante que afugentei. O ar crestante.

A janela entreaberta e a madrugada azul e uma névoa seca e o tilintar dos pingentes do lustre antigo. Um silêncio depois. Um empecimento. O negror.

Ernane Catroli

CITAÇÃO - Rudyard Kipling

As palavras são a mais poderosa droga utilizada pela humanidade.

Poetas do Mundo - Dylan Thomas

POEMAS

The force that through the green fuse drives the flower

The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.

The force that drives the water through the rocks
Drives my red blood; that dries the mouthing streams
Turns mine to wax.
And I am dumb to mouth unto my veins
How at the mountain spring the same mouth sucks.

The hand that whirls the water in the pool
Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind
Hauls my shroud sail.
And I am dumb to tell the hanging man
How of my clay is made the hangman's lime.

The lips of time leech to the fountain head;
Love drips and gathers, but the fallen blood
Shall calm her sores.
And I am dumb to tell a weather's wind
How time has ticked a heaven round the stars.

And I am dumb to tell the lover's tomb
How at my sheet goes the same crooked worm.


.....


A força que impele através do verde rastilho a flor
impele os meus verdes anos; a que aniquila as raízes das árvores
é o que me destrói.
E não tenho voz para dizer à rosa que se inclina
como a minha juventude se curva sobre a febre do mesmo inverno.

A força que impele a água através das pedras
impele o meu rubro sangue; a que seca o impulso das correntes
deixa as minhas como se fossem de cera.
E não tenho voz para que os lábios digam às minhas veias
como a mesma boca suga as nascentes da montanha.

A mão que faz oscilar a água no pântano
agita ainda mais as da areia; a que detém o sopro do vento
levanta as velas do meu sudário.
E não tenho voz para dizer ao homem enforcado
como da minha argila é feito o lodo do carrasco.

Como sanguessugas, os lábios do tempo unem-se à fonte;
fica o amor intumescido e goteja, mas o sangue derramado
acalmará as suas feridas.
E não tenho voz para dizer ao dia tempestuoso
como as horas assinalam um céu à volta dos astros.

E não tenho voz para dizer ao túmulo da amada
como sobre o meu sudário rastejam os mesmos vermes.

tradução: Fernando Guimarães


And death shall have no dominion


And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.


....

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.


E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.


E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corda em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.


Poem in October


It was my thirtieth year to heaven
Woke to my hearing from harbour and neighbour wood
And the mussel pooled and the heron
Priested shore
The morning beckon
With water praying and call of seagull and rook
And the knock of sailing boats on the net webbed wall
Myself to set foot
That second
In the still sleeping town and set forth.

My birthday began with the water-
Birds and the birds of the winged trees flying my name
Above the farms and the white horses
And I rose
In the rainy autumn
And walked abroad in a shower of all my days.
High tide and the heron dived when I took the road
Over the border
And the gates
Of the town closed as the town awoke.

A springful of larks in a rolling
Cloud and the roadside bushes brimming with whistling
Blackbirds and the sun of October
Summery
On the hill's shoulder,
Here were fond climates and sweet singers suddenly
Come in the morning where I wandered and listened
To the rain wringing
Wind blow cold
In the wood faraway under me.

Pale rain over the dwindling harbour
And over the sea wet church the size of a snail
With its horns through mist and the castle
Brown as owls
But all the gardens
Of spring and summer were blooming in the tall tales
Beyond the border and under the lark full cloud.
There could I marvel
My birthday
Away but the weather turned around.

It turned away from the blithe country
And down the other air and the blue altered sky
Streamed again a wonder of summer
With apples
Pears and red currants
And I saw in the turning so clearly a child's
Forgotten mornings when he walked with his mother
Through the parables
Of sun light
And the legends of the green chapels

And the twice told fields of infancy
That his tears burned my cheeks and his heart moved in mine.
These were the woods the river and sea
Where a boy
In the listening
Summertime of the dead whispered the truth of his joy
To the trees and the stones and the fish in the tide.
And the mystery
Sang alive
Still in the water and singing birds.

And there could I marvel my birthday
Away but the weather turned around. And the true
Joy of the long dead child sang burning
In the sun.
It was my thirtieth
Year to heaven stood there then in the summer noon
Though the town below lay leaved with October blood.
O may my heart's truth
Still be sung
On this high hill in a year's turning.


....


Era o meu trigésimo ano rumo ao céu
Quando chegou aos meus ouvidos, vindo do porto
e do bosque ao lado,
E da praia empoçada de mexilhões
E sacralizada pelas garças
O aceno da manhã

Com as preces da água e o grito das gralhas e gaivotas
E o chocar-se dos barcos contra o muro emaranhado de redes
Para que de súbito
Me pusesse de pé
E descortinasse a imóvel cidade adormecida.

Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos
E levantei-me
No chuvoso outono
E perambulei sem rumo sob o aguaceiro de todos os meus dias.
A garça e a maré alta mergulhavam quando tomei a estrada
Acima da divisa
E as portas da cidade
Ainda estavam fechadas enquanto o povo despertava.

Toda uma primavera de cotovias numa nuvem rodopiante
E os arbustos à beira da estrada transbordante de gorjeios
De melros e o sol de outubro
Estival
Sobre os ombros da colina,
Eram climas amorosos e houve doces cantores
Que chegaram de repente na manhã pela qual eu vagava e ouvia
Como se retorcia a chuva
O vento soprava frio no bosque ao longe que jazia a meus pés.

Pálida chuva sobre o porto que encolhia
E sobre o mar que humedecia a igreja do tamanho de um caracol
Com seus cornos através da névoa e do castelo
Encardido como as corujas Mas todos os jardins
Da primavera e do verão floresciam nos contos fantásticos
Para além da divisa e sob a nuvem apinhada de cotovias.
Ali podia eu maravilhar-me
Meu aniversário ia adiante mas o tempo girava em derredor.

Ao girar me afastava do país em júbilo
E através do ar transfigurado e do céu cujo azul se matizava
Fluía novamente um prodígio do verão
Com maçãs
Peras e groselhas encarnadas
E no girar do tempo vi tão claro quanto uma criança
Aquelas esquecidas manhãs em que o menino passeava com sua mãe Em meio às parábolas
Da luz solar
E às lendas da verde capela

E pêlos campos da infância duas vezes descritos
Pois suas lágrimas me queimavam as faces e seu coração
se enternecia em mim.
Esses eram os bosques e o rio e o mar
Ali onde um menino
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.

E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor. Mas a verdadeira
Alegria da criança há tanto tempo morta cantava
Ardendo ao sol.
Era o meu trigésimo ano
Rumo ao céu que então se imobilizara no meio-dia do verão
Embora a cidade repousasse lá embaixo coberta de folhas no sangue de outubro.

Oh, pudesse a verdade de meu coração
Ser ainda cantada
Nessa alta colina um ano depois.


PEQUENA BIOGRAFIA

Dylan Marlais Thomas, nasceu em Swansea, no País de Gales, em 1914. Sem estudos superiores, foi jornalista e escritor. Escreveu sobretudo poemas e contos. Saído de uma escola literária que teve autores como T. S. Eliot, Edith Sitwell, W. H. Auden ou Stephen Spender, deixou-nos uma poesia, intensa, contemporânea, plena de vivência dos sentidos, que toca a sensibilidade de gerações e se mantém viva, em muitas línguas. «Deaths and Entrances" (1946) é um dos seus livros mais conhecidos, a par com os seus «Collected Poems» (1934-1952). Actualmente é considerado um dos mais importantes poetas universais do século XX. A sua obra é estudada nas Universidades. Bob Dylan usou o seu sobrenome como pseudónimo artístico. Dylan Thomas levou uma vida desordenada e alcoólica, em breve consumida. Faleceu aos trinta e nove anos, em 1953, durante uma tournée de leitura de poemas, em Nova Iorque.

Cortesia de Um Buraco na Sombra

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