Ao cair da noite

Ao cair da noite
um sapo
vomita a lua!

Masaoka Shiki

«A poesia é a essência de toda a literatura»

Se a essência da literatura é a poesia então a obra neo-realista deixa um legado de peso. Rótulos à parte, no que toca as correntes literárias, ficam as memórias dos grandes poetas e permanecem as grandes poesias. Como a de Mário Dionísio.

“A poesia é a essência de toda a literatura”. A frase de Eduardo Lourenço ecoou no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, na noite de sábado, 23 de Outubro, que encheu para ouvir o professor no âmbito da iniciativa “Encontros e Desencontros com o Neo-Realismo” que foi ao mesmo tempo uma oração de sapiência sobre História.

“Porque a poesia é sempre aquilo que é mais elevado, mais alto, aquilo que o Homem projecta, vértice incandescente da vida”, frisou o ensaísta e crítico literário licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, natural de S. Pedro do Rio Seco, Almeida, 87 anos.

“Isso é válido para todos os poetas do Neo-Realismo”, disse Eduardo Lourenço, que na sua obra de análise poética do movimento não abordou o poeta da Póvoa de Santa Iria, Arquimedes da Silva Santos, por fixar o seu estudo numa fase anterior.

Lamentou igualmente não ter incluído na análise a referência a Mário Dionísio, que actualmente considera um dos grandes do movimento e um poeta de grande complexidade. “Foi gente que não deixou escapou, nem podia escapar, de um lado existencialista sem o qual a grande poesia não funciona”, salientou.

O Neo-Realismo foi na opinião de Eduardo Lourenço, uma espécie de golpe bastante preciso que aconteceu sobretudo no Alentejo e Ribatejo e que ajudou a dar voz a gente do campo que sentia que não tinha estatuto, realidade que está bem patente nos livros sobre os avieiros e gaibéus muito marcada pela angústia.

“As primeiras criações do Neo-Realismo em prosa são uma reinvenção de um homem que não tinha estatuto literário”, analisou Eduardo Lourenço lembrando que o Neo-Realismo foi o discurso cultural que teve uma componente de resistência e fez oposição à ditadura.

Manuel da Fonseca, Joaquim Namorado, Carlos de Oliveira foram outros poetas do Novo Cancioneiro publicados nos anos 40 do século passado. E para provar que, rótulos à parte, mais do que poesia neo-realista há sobretudo grande poesia citou a Mário Dionísio: “Quando eu continuar na minha marcha eterna, / direito no caixão, sereno e branco, / tu ficarás sozinha. / E talvez só então entendas claramente / que, além de ti, eu era a única pessoa”.


Museu do Neo-Realismo recebeu 55 mil visitantes em três anos

O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, que assinalou na última semana o terceiro aniversário, já recebeu um total de 55 mil visitantes desde a abertura ao público.

Desde 20 de Outubro 2007, data da inauguração, que foram realizadas 30 exposições, o que representa uma média de 10 exposições por ano, contabilizou o director do Museu do Neo-realismo, David Santos, no sábado à noite, antes de apresentar o convidado de mais uma sessão “Encontros e desencontros com o Neo-Realismo”, professor Eduardo Lourenço (ver texto nesta página). O espaço cultural recebeu ainda mais de uma centena de sessões de auditório.

Na tarde de quinta-feira, 21 de Outubro, o aniversário do museu foi também assinalado com um concerto do pianista Samuel Lercher.

Cortesia de O Mirante

Brasil: o poeta que votou nulo e depois se zangou

Carlito Azevedo deu-se ao luxo de ser anarquista na primeira volta, mas domingo vai votar. Porque quem não quer dividir com os pobres merece perder.

O centro do Rio de Janeiro é um mistério. Por exemplo, hoje, sol-sol depois de tanta chuva. Casarões brancos com pedra de cantaria, casas vermelhas ou cor-de-mostarda com janelas em arco, varandas, varandins, candeeiros de ferro forjado, ao fundo uma igreja, um arco, as barcas na baía. Mas da cintura para cima toda esta maravilha está desabitada, ou feita armazém, grafitada, tapada. Muita gente cá trabalha mas ninguém cá dorme. Enquanto isso, na Zona Sul, as pessoas esgadanham-se por apartamentos mínimos, caríssimos.

Carlito de Azevedo levanta a cabeça para a bela fachada sem vidros, paredes negras por dentro, ao lado do café-sebo Al-Farabi. Acordou optimista: "O centro está mudando. Antes não tinha aquela placa a dizer "Vende-se."" E aponta o airoso boteco ao lado: "Era um boteco muito vagabundo." Agora nas mãos do "cheff Santos", um português, deu uma cor na rua. O centro vai dar a volta, acha Carlito. "Só é preciso que dê a volta com a gente certa, não com os chatos, os shoppings..." Plano bom era juntar amigos e comprar um prédio. "A gente ocupava isso aí..."

Sebo é alfarrabista, portanto no café Al-Farabi tem livros antigos. Fica na Rua do Rosário, e daqui à Rua do Ouvidor, toda pedonal, são dois passos. "Esta é a rua que mais se encontra em romance do século XIX. Era onde se sabiam as novidades. O Machado de Assis estava sempre passando."

Poeta, editor e grande leitor, Carlito de Azevedo, 48 anos, veio de barca esta manhã, da Ilha do Governador, onde mora, mas conhece o centro de muito andar, além dos livros. Fazendo um cotovelo, mete pela Rua do Arco do Telles, porque quer mostrar uma casa. Ficamos de queixo levantado a olhar para as janelas fechadas, a porta romba, presa com uma trave. "A Carmen Miranda morava aqui."

O arco dá para a Praça XV de Novembro. "Ali é o Paço Imperial, a casinha da família real vossa. Agora é um centro cultural e tem lá uma exposição de Hélio Oiticica." Bom futuro para a queda da monarquia.

No porto das barcas, vê-se a Ilha Fiscal, uma fiada de casas com um palacete neogótico que a uma visitante francesa já pareceu coisa da Disney. "Ali foi o último baile do império." O aeroporto está logo ao lado e um avião vem a pousar, como se fosse na água.

"Olha a distância a que passou da barca..." Por cima da cabeça. O sol queima, finalmente.

Briga geral

Sendo hora de almoço, Carlito propõe uma salada no café do Paço. Como editor, acaba de publicar a poesia reunida de Chacal, um símbolo da poesia marginal carioca, anos 70, e conta isto: "O Chacal diz que a diferença entre o Rio e São Paulo é que em São Paulo você lê mas não discute e no Rio você discute mas não lê. Aqui, você encontra alguém, o livro mudou a vida dele, mas o cara não leu. Em São Paulo o cara leu mas isso não mudou nada!"

É uma das conversas favoritas no eixo Rio-São Paulo, a comparação entre as duas cidades. Politicamente, neste momento, isso significa que São Paulo alinha por Serra e o Rio por Dilma.

E o momento é de briga. Amigos que se insultam pelo Facebook e no Twitter. Até como antes, ao vivo. "Quando começa o jantar, não vamos falar de política. E quando você vê, está todo o mundo discutindo." Um conhecido de Carlito acabou de pé no meio do restaurante a declarar: "Prefiro votar numa mulher que venceu um cancro do que em sujeito que vai fazer tomografia por causa de uma bolinha de papel!"

Dilma teve cancro, e Serra fez um TAC depois de levar com um rolo de autocolantes, aquilo a que todos chamam bolinha de papel. "E ainda bem que não era de sabão, senão iam dizer que era arma química!", rematou o conhecido de Carlito.

Assim vai a discussão, a dois dias do voto.

Mas Carlito não discute. "A minha desilusão é mais profunda. Eu peguei o final da ditadura. Para mim, uma eleição disputada entre PT e PSDB é um sonho. Mas é com pessoas concretas. Então o nosso encontro com o sonho dá-se em forma de colisão."

Por isso, na primeira volta Carlito votou nulo. Os brasileiros dizem anular o voto. "Todo o mundo diz que é uma inutilidade anular, mas tem um restinho de anarquista em mim. Uma eleição sem voto nulo é prémio para quem não merece. Então na primeira volta houve essa percentagem dizendo: "Nenhum de vocês. E não desse jeito.""

Mas agora Carlito vai votar Dilma. O que é que aconteceu? "Tudo o que li na Internet convencendo-me a não votar na Dilma acabou me levando a votar na Dilma."

O boom da Net

Esta é a primeira eleição em que a Internet está tão presente. "Não existe favela sem LAN House, uma salinha com um monte de computadores. O que você falava no seu quarto passa a ter repercussão mundial. A truculência está ali, não nos debates da televisão."

Coisas como um vídeo no YouTube em que um rapaz canta a música Aborte a Dilma. Tem versos como "O presidente Lula acha que manda no povão/ para enfiar essa merda goela abaixo da nação", "Eu vou abortar a Dilma no dia da eleição /Vou-te abortar/ de uma vez." Ao lado há links para vídeos como Dilma Roussef Bruxeff confessa aborto em 2007 e Dilma confessa: sou abortista sim. Ou o vídeo em que um homem anuncia que tem o áudio com as sessões em que Dilma foi torturada e denunciou gente. "Eu acho que as pessoas que fazem isso merecem essa contrariedade de ver a Dilma Presidente", diz Carlito.

O poeta zangou-se com "a forma desrespeitosa" como Dilma é tratada, incluindo Serra. "Duvido que o Serra falasse assim com o Lula ou com Collor. Tem um lado bem machista brasileiro. Acho que ele considera que perder para uma mulher seria mais grave do que para um homem. No primeiro turno pude dar-me ao luxo de ser anarquista, mas agora, notando que o inimigo é capaz de tanta coisa, a gente faz uma frente popular. As pessoas que criam esse terror merecem perder. Essas pessoas que ficam horrorizadas de ir no aeroporto e ver gente que antes não andava de avião. Essas pessoas estão muito chateadas por ter de dividir."

Carlito está longe de satisfeito com o PT: "As alianças do PT são horríveis. O recuo do PT para fazer aliança com a Igreja é horrível." Mas o outro lado é pior. "Este país em dado momento colidiu com a possibilidade de riqueza sem estar preparado." Tal como sonho quando se torna concreto. O sonho agora é uma colisão.

E tem mais: "Nós somos os tardios. A gente chega no momento do planeta esgotado, com seis mil milhões que em breve serão dez mil milhões. Se cada chinês consumisse o que consome um americano médio, os recursos do planeta iam acabar em seis meses."

Então, o que preferimos, deixar centenas de milhões a comerem só arroz, ou igualdade para todos e acabar com o planeta? "Prefiro gastar os recursos do que os pobres continuarem pobres. A grande arte de viver vai ser dizer não a 99 por cento das possibilidades para ficar com o que realmente interessa." Serra, diz Carlito, representa ficar com a opção mais rentável. "Lula e Dilma, apesar de tudo, representam escolhas que vão além disso."

Mas Lula e Dilma não são a mesma coisa.

"No Lula tinha uma ideia de felicidade e não vejo a Dilma ligada a uma ideia de felicidade", diz Carlito. "O Serra ataca: "Ela não vai dar conta." A Dilma responde: "Eu vou dar conta." Mas o Lula não ficava respondendo. Com o Lula era: "As pessoas vão ser mais felizes.""

Cortesia de O Público

Poetas do Mundo - Ángel González

POEMAS

Inventário de Lugares Propícios ao Amor

São poucos.
A primavera tem muito prestígio, mas
é melhor o verão.
E também essas frestas que o outono
forma quando interfere com os domingos
em algumas cidades
já de si amarelas como bananas.
O inverno elimina muitos sítios:
gonzos de portas orientadas a norte,
margens de rios,
bancos de jardins.
Os contrafortes exteriores
das velhas igrejas
deixam às vezes vãos
a utilizar, ainda que a neve caia.
Mas desenganemo-nos: as baixas
temperaturas e os ventos húmidos
dificultam tudo.
As leis, além do mais, proíbem
as carícias (à excepção
de determinadas zonas epidérmicas
sem qualquer interesse -
em crianças, cães e outros animais)
e "não tocar, perigo de ignomínia"
pode ler-se em milhares de olhares.
Para onde fugir, então?
Por todo o lado olhos de viés,
córneas torturadas,
implacáveis pupilas,
retinas reticentes,
vigiam, desconfiam, ameaçam.
Resta talvez o recurso de andar sozinho,
de esvaziar a alma de ternura
e enchê-la de fastio e indiferença,
neste tempo hostil, propício ao ódio.



Soneto Para Cantar Uma Ausência



As horas passam, pesam lentamente
vazias de ti, cheias da tua memória.
A tua ausência rompe o fio da minha história,
isola como um fosso este presente.

deixando-me indefeso e inocente
entre a espada afiada da glória
de ter-te amado ontem, e a ilusória
esperança de amar-te eternamente.

Não dirijo a minha vida, e o futuro
apresenta-se inseguro, turvo, incerto.
Atenho-me só a ti, que não te tens.

Inclino-me sobre ti, débil muro
das minhas lamentações: arruinado, aberto,
fendido dique no qual me conténs.



Canção de Inverno e de Verão

Quando é Inverno no Mar do Norte
é verão em Valparaíso.
Os barcos fazem soar as suas sirenes ao entrar no
porto de Bremen com bandeiras de névoa e de
gelo nos seus cabos,
enquanto as balandras batidas pelo sol arrastam pela
superfície do Pacífico Sul belas banhistas.
Isso sucede ao mesmo tempo,
mas jamais no mesmo dia.
Porque quando é dia no Mar do Norte
- brumas e sombras absorvendo restos
de uma suja luz –
é noite em Valparaíso
- rutilantes estrelas lançando afiados dardos
às ondas adormecidas.

Como duvidar de que nos quisemos,
que me perseguia o teu pensamento
e a tua voz me procurava – por trás.
muito perto ia a minha boca.
Quisemo-nos. é certo, e eu não sei quanto:
primaveras, verões, sóis, luas.

Contudo jamais no mesmo dia.



Cidade zero

Uma revolução.

Depois, uma guerra.

Naqueles dois anos - que eram
a quinta parte de toda a minha vida ?
eu havia experimentado sensações distintas.

Imaginei mais tarde
o que é a luta na qualidade de homem.
Mas para mim, criança, a guerra era apenas:


suspensão das aulas na escola,
Isabelita em cuecas na cave,
cemitérios de automóveis, andares
abandonados, fome indescritível,
sangue descoberto
na terra ou nas pedras da calçada,
um terror que durava
o mesmo que o frágil rumor dos vidros
depois da explosão,
e a quase incompreensível
dor dos adultos,
suas lágrimas, seu medo,
sua ira sufocada,
que, por alguma ponta,
entrava na minha alma
para desvanecer-se logo, rapidamente,
perante um dos muitos
prodígios quotidianos: descobrir
uma bala ainda quente,
o incêndio
de um edifício próximo,
os restos de um saque
-papéis e retratos
no meio da rua...
Tudo passou,
é tudo confuso agora, tudo
menos aquilo que apenas entendia
naquele tempo
e que, anos mais tarde,
ressurgiu dentro de mim, então para sempre:
este medo difuso,
esta ira repentina,
estas imprevisíveis
e verdadeiras vontades de chorar.



Preâmbulo a um silêncio

Porque tem consciência da inutilidade de tantas
coisas
às vezes uma pessoa senta-se tranquilamente à sombra de
uma árvore – no verão –
e cala-se.
(Disse tranquilamente?: falso, falso:
uma pessoa senta-se inquieta fazendo estranhos gestos,
calcando as folhas abatidas
pela fúria de um Outono sombrio,
destruindo com os dedos o cartão inocente de uma caixa
de fósforos,
mordendo injustamente as unhas desses dedos,
cuspindo nos charcos invernais,
golpeando com o punho fechado a pele rugosa das
casas que permanecem indiferentes à passagem da
primavera,
uma primavera urbana que faz assomar com timidez as ma-
deixas dos seus cabelos verdes lá no alto,
por trás do zinco escuro dos algerozes,
levemente arreigada à matéria efémera das telhas
prestes a tornar-se pó).
Isso é certo, tão certo
como eu ter um nome de asas celestiais,
arcangélico nome que a nada corresponde:
Ángel,
dizem-me,
e eu levanto-me disciplinado e direito
com as asas mordidas


PEQUENA BIOGRAFIA

Ángel González nasceu em 1925 em Oviedo. Tinha 11 anos quando começou a Guerra Civil Espanhola. Aos 19 anos foi-lhe diagnosticada tuberculose e passou três anos num sanatório nas montanhas de León, onde começou a ler poesia. Posteriormente estudou Direito na Universidade de Oviedo. Em 1955 publicou o seu primeiro livro de poesia, Áspero mundo. Em 1972 recebeu um convite da Universidade do Novo México onde passou a dar aulas de Literatura espanhola. Em 1996 foi eleito como membro da Royal Academy for the Spanish Language. Foi galardoado com vários prémios. Os seus poemas encontram-se traduzidos em diversos idiomas. Em Portugal a «Fenda» editou o livro «Tratado de Urbanismo», em 2001, com tradução de Helder Moura Pereira. A sua poesia é dominada por temas como a história, a política, o amor e a música. Mesmo quando o tom é pessimista, existe subjacente uma leve ironia. Ángel González faleceu em Madrid, no dia 12 de Janeiro de 2008.

Cortesia de Um Buraco na Sombra

Poeta Manoel de Barros ganha mais um prémio literário

O poeta mato-grossense conquistou o prémio de melhor artista da recente produção cultural brasileira. Aos 93 anos, Manoel de Barros lançou neste ano um novo livro, "Menino do Mato", e sua "Poesia Completa" (Editora Leya, 96 págs., R$ 29,90 e 496 págs, R$ 69,90).

O autor de Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda, entre quase 30 obras, conquistou por duas vezes o Prêmio Jabuti, além de ganhar o Prêmio Academia Brasileira de Letras (com o livro Exercício de Ser Criança) e o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto da obra, entre vários outros.

O poeta é tema de um documentário poético, premiado no Festival de Paulínia de 2009: "Só Dez Por Cento É Mentira", do diretor Pedro Cezar.

Cortesia de Estadão

Poesia e arte são apostas da nova Livraria Latina

Mudou de designação – “Leya na CE Latina” é agora o nome oficial – e renovou ambições, mas quer manter o prestígio que a tornou em tempos num dos espaços culturais mais emblemáticos do Porto. Hoje, dia 27 de Outubro, é o primeiro dia da nova Livraria Latina.

Nem Camões quis faltar à chamada. Trajado a rigor como o imortal poeta e patrono da livraria – cujo busto está em lugar de destaque na fachada do edifício, na rua de Santa Catarina –, um actor passeava-se ao final da tarde entre as dezenas de convidados que quiseram testemunhar o novo fôlego da Livraria Latina, apostada em recuperar a aura que a notabilizou em tempos como uma das principais livrarias do Porto.

Ser “uma alternativa às grandes redes comerciais e livrarias” é, segundo o administrador da Coimbra Editora Livrarias, José da Ponte, o grande propósito da Latina, que promete aliar a oferta das principais novidades aos livros de longo curso, obras que, não figurando nos tops de venda, acabam por ter sempre compradores fiéis.

A intenção é reiterada pela gerente do espaço, Margarida Gaspar, que dá como exemplo dessa estratégia “a promoção de montras com livros de poesia, em vez de apenas ‘best-sellers, como todas as livrarias fazem“. Por isso, a nova responsável não acredita que exista uma saturação do mercado livreiro. “Há sempre espaço para livrarias de qualidade e centradas nas necessidades dos leitores”, enfatiza.

A dinamização cultural é uma das apostas fortes da nova gerência. Só entre hoje e sábado, às 18 horas, vão passar pela livraria Mário Cláudio, Richard Zimler e Ana Luísa Amaral. Outros escritores vão ser convidados durante os próximos tempos, mas a Latina promete não se quedar pelas iniciativas em redor da literatura. A música e o cinema irão também ser contemplados.

Cortesia de JN

Poetisa Fiama Hasse Pais Brandão homenageada em Lisboa

Poetas, críticos e académicos homenageiam a 29 e 30 de Outubro Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007), considerada uma das vozes mais representativas da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, num colóquio na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

Ao longo de dois dias, nomes como Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo vão debruçar-se sobre a obra de "um dos autores que levaram mais longe a profunda renovação do discurso poético português, no seguimento das experiências modernista e surrealista".

A 29 de Outubro, o colóquio abre, às 11 horas, com uma intervenção da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, seguida de uma mesa moderada pela escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, em que participam Fernando J.B. Martinho ("Fiama: um canto de epifania"), Joanas Matos Frias ("Às vezes as coisas dentro de nós: figuras inconsúteis no teatro da memória") e Manuel Gusmão ("A nomeação lírica e o Amor pelos Livros").

À tarde, às 14.30 horas, Jorge Fernandes da Silveira proferirá uma conferência subordinada ao tema "Grafia, Epigrafia, Grafiamas".

Segue-se, pelas 15.15 horas, uma mesa de "Testemunhos", em que participam os poetas Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Luís Quintais, com moderação de Filipa Leal.

Às 17 horas, é a vez de Maria de Lourdes Ferraz, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo apresentarem as suas comunicações, intituladas "Uma proposta imodesta: a Poética de Fiama. Breves Apontamentos", "Fiama: a escolha da terra" e ""Ideações da imagem na poesia de Fiama", respectivamente.

Depois, pelas 18 horas, haverá um debate e o lançamento da antologia "Âmago", coordenada e apresentada por Gastão Cruz, com a participação dos colaboradores na organização da obra, editada pela Assírio & Alvim.

A 30 de outubro, com início às 14.30, mais uma sessão de "Testemunhos", com Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Armando Silva Carvalho, e moderação de Filipa Leal.

Pelas 16 horas, Maria do Céu Fialho falará sobre "Fiama e a Grécia: percurso em torno da vida", Nuno Júdice partilhará as suas impressões de "O Contar de Fiama" e António Carlos Cortez abordará "Novas Visões de Fiama".

Seguir-se-á a exibição de um DVD em que Fiama lê alguns dos seus poemas; depois, Eduardo Lourenço proferirá a conferência final e, a encerrar, Luís Miguel Cintra e Luísa Cruz farão uma leitura de poemas de Fiama, que se inseriam numa linha poética de revalorização da palavra.

A entrada é livre.

Cortesia de JN

Académico David Bunyan quer Fernando Pessoa na categoria dos poetas sul-africanos

O académico sul-africano David Bunyan insistiu ontem que os seus compatriotas deveriam incluir Fernando Pessoa na categoria dos poetas sul-africanos.

Bunyan, um destacado professor de línguas em várias universidades da África do Sul e profundo conhecedor de Fernando Pessoa, defendeu numa conferência dedicada ao poeta português que os anos passados por Pessoa na cidade costeira de Durban e a adopção do inglês como língua de expressão, em paralelo com o português, até ao fim da sua vida, fazem dele um escritor também do universo sul-africano.

A conferência, que ontem decorreu na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, foi a primeira de uma série patrocinada pelo Instituto Camões em duas cidades sul-africanas e nas capitais do Botsuana e Zimbabué, e que têm como orador principal o investigador e tradutor de Pessoa Richard Zenith. Como moderador estava outro grande admirador da obra do “poeta de duas línguas e muitas máscaras” (o tema da leitura), o crítico literário e autor sul-africano Stephen Grey.

Para David Bunyan, “embora Pessoa não seja muito conhecido entre os leitores e o público sul-africano, os seus poemas intrigaram um grande número de autores (muitos deles poetas) sul-africanos”, destacando-se entre aqueles Roy Campbell, poeta e autor satírico nascido em Durban, que foi estudante no mesmo liceu que Pessoa e que viveu em Portugal a partir de 1952, até morrer num acidente de viação em Setúbal em 1957.

“A principal razão pela qual eu penso que ele (Pessoa) fascinou tanto os poetas sul-africanos é por o considerarem um poeta dos poetas, alguém que se preocupou tanto com a forma da poesia a um nível muito fundamental”, referiu Bunyan.

Com recurso a imagens de Fernando Pessoa ao longo da sua vida e de alguns dos seus manuscritos originais, Richard Zenith concentrou a sua palestra na mestria da criação de mais de setenta personagens e no crescimento desse ser “tão plural como o próprio universo”.

“O reitor da Durban High School, que era um amante do latim, viu em Pessoa um aluno excepcional e puxou por ele. Começando os estudos secundários naquele estabelecimento aos 11 anos, quando a maioria dos outros alunos tinham já 13, concluiu-os aos 13, e, mesmo quando regressou a Portugal em 1905, com 17 anos, durante três anos não escreveu nada em português, continuando a criar em inglês através dos seus muitos heterónimos”, salientou Zenith.

O mesmo painel conduzirá palestras dedicadas a Pessoa quarta-feira no Durban High School (onde o poeta estudou), sábado, dia 23, em Joanesburgo, a 25 em Gaborone, Botsuana, e a 28 em Harare, Zimbabué.

Cortesia de O Público

Poesia Urbana – de novo a voz de Valete

A Mentira do Vosso Amor

A Mentira do vosso amor
Está na fonética da própria palavra que tu banalizas diariamente
Eu nunca amei com o vosso amor
Eu sempre deixei o bater do meu coração compassar os meus movimentos

Hoje chamam-me de sonhador
Porque eu trago comigo os vossos sonhos para realizá-los antes que o Sol se aposente
Eu apenas quero o calor
Do teu abraço quando a vitória chegar e nos deixar seguir em frente

Não é amor esse amor que me entregas timidamente
Não é amor esse sorriso que nasce hipocritamente
Não é amor esse amor que fazes selvaticamente
O amanhecer vos deixará mais diferentes e indiferentes

Meu amor vem da agonia dessa mulher que te venera
E vem da melodia da balada mais sincera
Meu amor vem desse Inverno que te oferece a primavera
Meu amor vem desse amor que ainda te espera

[Micro-biografia: Balanço de um percurso pela música, na primeira pessoa:

«Setembro de 2002, saiu o meu primeiro álbum “Educação Visual”. Foi pesado, superou qualquer expectativa que pudesse ter. Recebia props de norte a sul do país. Senti mesmo que tinha feito algo importante para o rap português.

Em 2004 pela Horizontal, lançámos Poesia Urbana vol 1, fiz para essa compilação um som chamado “Fim Da Ditadura”. Senti que foi um som que também que teve muito impacto, inclusive pessoas muito distantes do HipHop, vinham-me falar desse som, e de como aquela música lhes tinha tocado. Esses elogios iam-me deixando cada vez mais confiante, comecei a acreditar mesmo que fazer rap, era quase como uma missão para mim. Devia isso às pessoas que me seguiam.

Em 2006, saiu o meu segundo álbum “Serviço Público”, o álbum teve um impacto bem para além da esfera do HipHop. Foi eleito pelos leitores do Blitz como uns dos 10 melhores álbuns de toda a música portuguesa em 2006, e foi também considerado por várias publicações como uma referência da música de intervenção em Portugal. O videoclip Anti-Herói teve 4 meses no top 20 dos videoclips mais votados da MTV, e sons como o “Roleta Russa” andavam na boca de toda a gente. Com o “Serviço Público” percebi mesmo que não era um mc só para “HipHoppers”. Senti mesmo que tinha esse dom para fazer rap comunicativo e para chegar com facilidade a todas as pessoas.]

Estou agora a trabalhar no meu 3º álbum. Para mim será quase como um início porque nesta altura sinto que estou na minha melhor forma de sempre, e quero mostrar ás pessoas toda a minha versatilidade no rap. Depois do álbum, virão concertos, e mais projectos ligados à Horizontal. Acreditem, agora é mesmo um só caminho.»]

Cortesia de PNETLiteratura

Fogo-Fátuo

Cabelos brancos! dai-me, enfim, a calma
A esta tortura de homem e de artista:
Desdém pelo que encerra a minha palma,
E ambição pelo mais que não exista;

Esta febre, que o espírito me encalma
E logo me enregela; esta conquista
De ideias, ao nascer, morrendo na alma,
De mundos, ao raiar, murchando à vista:

Esta melancolia sem remédio,
Saudade sem razão, louca esperança
Ardendo em choros e findando em tédio;

Esta ansiedade absurda, esta corrida
Para fugir o que o meu sonho alcança,
Para querer o que não há na vida!

Olavo Bilac

VII Maratona de Poesia de Sintra

Depois do sucesso que foram as anteriores edições da Maratona de Poesia de Sintra, a festa da poesia, a sétima, que se realiza a 22 de Outubro, na Vila Alda, volta a apostar no prazer de juntar os que escrevem, os que dizem e os que gostam de ler e ouvir poesia. A ideia é envolver cada vez mais professores e alunos, bem como 3ª idade.

A Maratona de Poesia decorrerá na Vila Alda, em Sintra, e começa logo pela manhã com poesia para meninos do 1º, 2º e 3º Ciclos. A tarde e a noite serão dedicadas aos adultos.

Nas sessões dedicadas aos mais novos, os grandes protagonistas serão eles próprios, os jovens vindos de várias escolas do Concelho, onde a poesia e a declamação fazem parte da respiração quotidiana do processo educativo.

A noite será dedicada aos declamadores, aos poetas de todas as cores, ao convívio em torno da palavra poética. Como é costume o início será pelas 21H00 e, depois, correrá sem limite pela noite dentro enquanto alguém tiver palavras de poesia para partilhar com os outros.

Cortesia de CMSintra

BIO - Li Bai

Um dos maiores poetas da China, se não o maior, a par de Du Fu. Foram contemporâneos e amigos. Li Bai encarna de certo modo o taoísta: vagabundo, boémio, poeta de inspiração súbita, de fluir universal, possuidor do «divino dom».
Segundo a lenda, embriagado, teria morrido afogado no Rio Azul, ao tentar agarrar a imagem da Luz aí reflectida. Curiosamente, do ponto de vista formal, não é inovador.

Por Gil de Carvalho, in Uma Antologia de Poesia Chinesa

Lançamento do Dicionário de Escritoras

A "carência" de um trabalho que fizesse "um balanço" da produção literária feminina portuguesa levou três autoras a escreverem o Dicionário de Escritoras Portuguesas, que será apresentado amanhã.

Conceição Flores, professora e uma das autoras do Dicionário, disse à Lusa que esta obra - que oferece uma listagem exaustiva de nomes e obras de mulheres portuguesas - veio colmatar uma "falha".

Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira, três professoras de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil), são as autoras da obra, que resulta de uma "pormenorizada investigação sobre autoras femininas na literatura portuguesa", indicou Conceição Flores.

O objectivo do dicionário é "auxiliar estudantes e demais estudiosos" a conhecer o universo das escritoras portuguesas, muitas vezes desconhecido para muitos, acrescentou.

Maria Teresa Horta, Florbela Espanca, Natália Correia e Inês Pedrosa "são algumas" das escritoras portuguesas eleitas por Conceição Flores, que está disposta a avançar para novos projectos direccionados para a "escrita feminina".

Já Isabel Lousada, investigadora do centro de estudos Faces de Eva, da Universidade Nova de Lisboa, e "orientadora" do lançamento da obra, não tem dúvidas: as escritoras têm sido "desvalorizadas" em relação aos escritores, havendo uma "discriminação de género na literatura".

Falando da "paixão" pela literatura portuguesa, Isabel Lousada destacou, nomeadamente, "a importância corrente da solidariedade feminina".

A docente sublinhou que a "causa das mulheres deve ser entendida como a causa que pode levar ao progresso da Humanidade". Consciencializar a comunidade de leitores, adeptos e apoiantes da "causa feminina, que também pode ser feminista e em muitos casos deve ser feminista", é um dos objectivos da obra, realçou.

O Dicionário (ed. Mulheres) - que será apresentado amanhã, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa - reúne cerca de "duas mil escritoras" do século XV à actualidade. E é um instrumento "indispensável" para todos os que se interessam pela literatura escrita por mulheres", resumiu Conceição Flores.

Cortesia de O Público

Fernando Pessoa debatido na África do Sul

Um ciclo dedicado a Fernando Pessoa vai juntar, a partir de hoje, estudiosos e admiradores do “poeta dos heterónimos” nas cidades sul-africanas de Joanesburgo e Durban, bem como em Gaborone e Harare, capitais do Botsuana e Zimbabué, respetivamente. O académico norte-americano, residente em Lisboa, Richard Zenith (na imagem) dissertará sobre “Pessoa, poeta de duas línguas e muitas máscaras” nas palestras e workshops marcados para as referidas cidades, sendo de particular interesse a vivência do poeta na cidade de Durban, entre 1899 e 1901, onde começou a escrever, com apenas 11 anos, em língua inglesa, um hábito que não perderia ao longo de grande parte da sua vida de poeta. Zenith, que possui uma vasta obra, entre ensaios, estudos e traduções, dedicada a Pessoa, já se encontra em Durban, na costa sul-africana do Índico, onde pesquisa os arquivos do consulado de Portugal (o padrasto do poeta foi cônsul na cidade) e do liceu onde o jovem Pessoa estudou e onde, desde 2005, um busto comemorativo da sua passagem por ali ocupa lugar de relevo entre os campos de jogos e a biblioteca e salas de aula do estabelecimento.

A Universidade de Witwatersrand (ou Wits, abreviatura pela qual também é conhecida), em Joanesburgo, será o palco da primeira de três conferências a realizar na África do Sul. As restantes terão como palcos o próprio liceu onde Fernando Pessoa estudou e a livraria Boekhuis, também em Joanesburgo.

O principal orador, Richard Zenith, será acompanhado em todas as sessões por dois dos maiores estudiosos sul-africanos de Fernando Pessoa, o académico David Bunyan e o crítico literário Stephen Gray.Este último será o moderador de todos os debates.

Na capital do Botsuana, a conferência dedicada ao poeta português realizar-se-á no leitorado de Português da Universidade de Gaborone no dia 25, enquanto a capital do Zimbabué acolherá duas sessões no dia 28 de outubro: na Universidade de Harare e no “Book Café”, uma tertúlia literária da cidade.

Cortesia de Agência Lusa


Biblioteca particular de Fernando Pessoa online

Apresentação da biblioteca particular de Fernando Pessoa alojada no site da Casa Fernando Pessoa decorrerá quinta-feira, 21 de Outubro, pelas 18h00 na Casa Fernando Pessoa. 

A sessão conta com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e do Presidente da Fundação Vodafone Portugal, António Carrapatoso, além de Jerónimo Pizarro e a sua equipa, responsáveis pela digitalização.

A Fundação Vodafone Portugal patrocina a colocação online da biblioteca.


«Sê plural como o universo!»

Fernando Pessoa

A Casa Fernando Pessoa possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1140 volumes, de todos os géneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se património da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.

Graças à dedicação de uma equipa internacional de investigadores coordenada por Jerónimo Pizarro e Patricio Ferrari foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Graças ao apoio da Fundação Vodafone Portugal foi possível colocar online cada uma das páginas digitalizadas. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de Livro do Desassossego, que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo. Procurámos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacámos as páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.

Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.


Inês Pedrosa

Cortesia de CFP

Não me agrada casar com uma virgem nem com uma velha

Não me agrada casar com uma virgem nem com uma velha.
A uma lastimo-a; à outra respeito-a.
Nem bago verde, nem passa de uva. A beleza sazonada
é que está madura para o leito de Cípris.

Onestes

2º Encontro Escritos e Escritores em Avis

O lançamento de "Versejando", uma compilação de 80 poemas de quarenta poetas populares do concelho de Avis, prefaciada por Rui Cardos Martins, e o encontro de Jacinto Lucas Pires com os seus leitores, são dois pontos em destaque no programa da segunda edição do Escritos e Escritores, que hoje começou em Avis, distrito de Portalegre, e se prolonga ao longo do fim-de-semana.

O evento, organizado pela associação cultural Amigos do Concelho de Aviz, terá a apresentação de vários livros, exposições, debates, dramatização de poesia e espectáculos musicais.Para além da presença de uma dezena de autores portugueses, o Escritos e Escritores conta com a participação da poetisa galega Asun Estévez que declamará alguns dos seus poemas, integrada num espectáculo de poesia portuguesa do grupo de teatro Fazigual.

Será também inaugurada a exposição de fotografias produzida pela Estação Imagem, de Mora, resultante do livro "Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa", uma mostra dos trabalhos realizados por uma dezena dos melhores fotojornalistas portugueses. António Carrapato, apresentará a obra impressa, num painel que contará, ainda, com a presença da historiadora Maria Antónia Pires de Almeida, autora de "Memórias Alentejanas do Século XX", um livro com entrevistas a protagonistas da Reforma Agrária, em meados da década de 1970.

No campo da literatura infantil, "O Alfabeto Trapalhão", editado pela Gatafunho, será apresentado pelas autoras Lurdes Breda (texto) e Rute Reimão (ilustração) e a literatura fantástica está representada por Bruno Matos e Bruno Martins Soares.

Cortesia de O Público

2º Congresso Internacional Fernando Pessoa

A Casa Fernando Pessoa realiza no Teatro Aberto, de 23 a 25 de Novembro, o II Congresso Internacional Fernando Pessoa. A singularidade deste Congresso é a de criar um diálogo entre os especialistas da obra de Pessoa e os criadores que nela se inspiram – poetas, pintores, músicos, cineastas. O ensaísta e músico brasileiro José Miguel Wisnik proferirá a conferência inaugural, às 10h30 do dia 23 de Novembro, e a conferência de encerramento estará a cargo do filósofo José Gil.

Homenagearemos Eduardo Lourenço, José Saramago e Maria Aliete Galhoz. Debateremos, entre muitos outros temas, a relação de Pessoa com o Estado Novo, o Ultraísmo espanhol, o modernismo, o teatro, a literatura popular… e as mulheres. Analisaremos a proximidade dos universos de Pessoa com os de António Botto, Cesário Verde, Leopardi e Shakespeare.

Participam neste encontro: Anna Klobucka, Antonio Cardiello, António Feijó, Antonio Saéz Delgado, Arnaldo Saraiva, Eduardo Lourenço, Fernando Cabral Martins, Fernando J.B. Martinho, Helder Macedo, Inês Pinto Basto, Ivo Castro, Jerónimo Pizarrro, João Botelho, José Barreto, José Blanco, Luis Gruss, Mar Caldas, Maria Andresen, Maria Bochicchio, Maria do Céu Estibeira, Maria Lúcia dal Farra, Mariana de Castro, Mariano Deidda, Mário Cláudio, Onésimo Teotónio de Almeida, Orietta Abatti, Patricio Ferrari, Perfecto E. Cuadrado, Piero Ceccucci, Pierre Léglise-Costa, Richard Zenith, Rodolfo Alonso, Steffen Dix, Teresa Cristina Cerdeira, Teresa Rita Lopes, Steffen Dix e Zbigniew Kotowiez.

O programa do Congresso inclui ainda a exibição de Filme do Desassossego e Lisboa, meu lar, dois filmes de João Botelho em torno da obra e da vida de Fernando Pessoa, e a peça de teatro Audição com Daisy ao vivo no Odre Marítimo, pelo Teatro-Estúdio Fontenova.

As inscrições para o congresso (limitadas a 250, e com condições especiais para estudantes) estão abertas na Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16) até dia 19 de Novembro. A cada participante será entregue um diploma no final do Congresso.

Preço:

Estudantes: 20€; Professores: 30€; Geral: 50€

Cortesia de CFP

Faleceu o poeta e tradutor Alfredo Margarido

O poeta e tradutor Alfredo Margarido faleceu na terça-feira, em sua casa, em Lisboa, vítima de enfarte, aos 82 anos, informou fonte familiar.

Natural de Moimenta, em Vinhais, Alfredo Augusto Margarido esteve vários anos em África: em Angola foi responsável pelo Fundo das Casas Económicas, uma organização de luta pelos problemas de habitação da classe média. A sua intervenção na imprensa levou à sua expulsão do país determinada pelo então governador-geral, Horácio Viana Rebelo.

Estudioso de Fernando Pessoa e da literatura africana de expressão portuguesa, colaborou com as publicações “Árvore”, “Cadernos do Meio-Dia”, “Jornal do Fundão”, “Jornal de Letras”, “Persona” ou “Colóquio/Letras”.

Alfredo Margarido também se notabilizou na tradução, tendo traduzido obras de Anouilh, Faulkner, James Joyce, Steinbeck, Dylan Thomas, Nietzche, Saint-John Perse, Kafka, entre muitos outros autores. Radicado em Paris desde 1964, Alfredo Margarido foi investigador na École des Hautes Études e docente na Sorbonne.

A ele se deve a divulgação em Portugal do movimento ‘nouveau roman’, teorizado, com Artur Portela Filho, em “O Novo Romance”, de 1963.

Os locais do velório e do funeral ainda não foram determinados.

Cortesia de O Público

Fernando Cabrita vence Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2010

O poeta algarvio Fernando Cabrita é o vencedor da edição portuguesa do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2010. O prémio resulta de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e o Sulscrito – Círculo Literário do Algarve, em parceira com a Câmara de Punta Umbría (Espanha).

O valor do prémio é de 2500 euros e a obra vencedora é publicada na colecção Palavra Ibérica, em edição bilingue.

Além de Fernando Cabrita, o júri decidiu atribuir duas menções honrosas aos originais "Um Coração Simples", de Daniel Gonçalves, e "Sonetos de Pasmo, Esperança e Solidão", de Joaquim da Conceição Barão Rato.

Fernando Cabrita, que nasceu em Olhão em 1954, teve a sua primeira obra, “Os Amantes em Silêncio”, editada em 1980. A sua obra anterior a “Ode à Liberdade e Outros Poemas”, “O Livro da Casa”, foi publicada em 2008 pela editora Gente Singular,e valeu-lhe o Prémio Nacional de Poesia Mário Viegas. Entre os outros prémios que recebeu ao longo da sua carreira estão o Prémio Sílex (1980), Prémio Cidade de Olhão (1987) e Prémio Nacional de Poesia João de Deus (1997). Colaborou também com diversos jornais e revistas.

Na edição anterior do Prémio Internacional de Poesia Ibérica, o vencedor tinha sido Maria do Sameiro Barroso, com “Uma Ânfora no Horizonte”, enquanto em 2008 o vencedor foi Amadeu Baptista, com o livro “Sobre as Imagens”.

Cortesia de O Público

Quase um Fado: In memoriam de Maria Ondina Braga

Aqui, o céu negro e fixo. Março pelo meio. O vento frio lá dos lados do rio: um introito. Assim, evitando detalhes. Que se fosse contar, só olhos vermelhos e choro desamparado. Que também, nem era hora de morrer! Onde um deserto? Que para chorar... Pois é o que eu lhe digo. E revejo o antigo casarão de frente para a avenida ladeada das centenárias tílias. Os escaninhos da memória devolvendo-me inteira, nítida, a casa paterna que deixara ainda jovem e a cidade natal que a marcara para sempre. Braga. Não esquecer: também e sempre, o seu desejo de outras terras. Uma errância que lhe caíra como uma sina. A Inglaterra, a França e a Escócia onde estudara e trabalhara na sua juventude. E aí, então, os lares alheios. As marcas indeléveis. Mais tarde, Angola, Goa, Macau. Pequim depois. Uma vida dedicada a escrever, a traduzir. A lecionar. Em Macau, no antigo colégio de freiras onde também ocupava um quarto – um cubículo, separado de outro por biombos - na casa destinada às professoras, atrás da igreja do convento. Alta madrugada, e ouvia-se o ressonar das companheiras. Tão próximas. Irmanadas, no sono, no ofício e no salário pouco. A sua vida de recolhimento. De exílio. E que também muito dada ao silêncio. À solidão. Às vozes dos seus mortos. Um cotidiano povoado de personagens misteriosos, sedutores. As filigranas do seu texto, o seu sentir. Isso o que lhe sobrara, o que lhe ocupara, atendendo a um apelo interior, antigo, desde a infância. A infância. Esse território. Territórios. O certo é que regressou à terra natal: aquela manhã envolta em brumas... Uma senhora. De xale negro. Os ombros arqueados, um rosto de sombras. Digna. Respeitabilíssima.

Ernane Catroli

Entrevista a João Botelho sobre o «Filme do Desassossego»

Há um ano João Botelho ignorou os conselhos de amigos, familiares e colegas. Avançou para a adaptação ao cinema do "Livro do Desassossego", fingindo não ouvir todos os que lhe chamavam de louco. Quer que Fernando Pessoa lhe retribua um favor que fez há 29 anos e vai andar em digressão pelo país a mostrar o filme - "como uma estrela rock". Durante 42 dias ajudou o desconhecido Cláudio Silva a transformar-se em Bernardo Soares e filmou uma Lisboa que não existe mas todos conhecemos. Um trabalho arriscado? "Sim, mas as pessoas precisam de arriscar mais. Estou tranquilo, sei que fiz um bom filme."

Ia começar por pedir que contasse como lhe foi parar a casa uma arca com os manuscritos do Pessoa.



É "a arca" do Pessoa. Estava a preparar o "Conversa Acabada" que era para ser um documentário sobre a troca de correspondência entre Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Nessa altura a sobrinha-neta do Pessoa ainda não tinha começado a negociar o espólio do poeta com o Estado, tinha-o em casa. Falei com ela, expliquei-lhe o que estava a fazer e ela emprestou-me a arca.

Tinha lá tudo?

Os manuscritos todos, com as anotações, embrulhados em papel. Os óculos, a boquilha, tudo. Milhares de folhas soltas, correspondência não enviada, uma canção que parecia do Cole Porter, em inglês. Coisas inacreditáveis. Mexia naquilo tudo com pinças e devolvi inteirinho, tal como a recebi. Mas há tanta coisa lá ainda por publicar, ficções, contos, um mundo inteiro. Há textos deles sobre cinema, guiões, coisas inacreditáveis que não param de surgir. Suspeito que a arca do Pessoa tenha um fundo falso.

Já lá estava o "Livro do Desassossego". Deu por ele?

Havia na arca uma série de papéis e anotações dispersas, "LD" e coisas assim por lá escritas. O "Livro do Desassossego" é uma coisa fantástica, um puzzle, um labirinto sem fim. Por isso é que eu me atrevi a fazê-lo. Dá para montar aquilo com referências sensoriais, encontrar uma ordem cronológica, tudo. E depois tem outra coisa óptima, que me permitiu fazer este filme: é um texto muito musical que existe "para ser lido em voz alta ou para ser lido em voz baixa, desde que se oiça", como escreveu o Pessoa. Mesmo com o meu sotaque, que é do Alto Douro, aquilo lido em voz alta tem uma dimensão extra-sensorial.

Lembra-se da primeira vez que o leu?

Estava numa fase estranha da minha vida quando o li, mas percebi logo que o meu sofrimento era completamente ridículo ao pé daquilo.

Em que momento decidiu que queria adaptar este livro ao cinema?

Há coisa de um ano. Porque na altura em que fiz o filme "Conversa Acabada" ajudei um pouco o Pessoa a ser conhecido, agora achei que era altura de ele me ajudar a mim.

Disse nessa altura que estava "cheio de medo". Continua?

Continuo com algum medo. Estou a adaptar uma grande obra e não a posso diminuir, tenho medo de não estar à altura de um livro destes. Podem fazer-se 20 mil filmes a partir do "Livro do Desassossego". Não queria que o meu fosse voyeurista ou especulativo - queria fazer um filme seco. E que agradasse as pessoas, que estas tivessem algum prazer a ver e ouvir.

Como conseguiu transformar um livro de 500 páginas feito de fragmentos num filme de duas horas?

Foi uma escolha. O guião ficou definido à 10º tentativa e ainda durante a rodagem cortei texto.

Como escolhia o que ficava e o que saía?

Através das hipóteses de associações cinematográficas . Saber que uma cena tinha de ser diferente da anterior e mesmo assim ligar à seguinte. O cinema são associações e ideias. Podem dizer "ah isto não tem narrativa". Tem narrativa que nunca mais acaba. A narrativa não é uma coisa única e o cinema não são as histórias - é a maneira de as contar.

Existe a ideia de que uma história tem de ter conflito entre personagens. Como é que resolveu isso num livro onde só há diálogos interiores?

Há conflitos parcelares e o conflito supremo: eu e Deus. E há uma luta para ser um génio reconhecido. O conflito em chegar a Deus, a física da metafísica. Este filme no ideal era uma tela escura só com texto, mas o João César Monteiro já fez isso.

O protagonista, Cláudio Silva, destaca-se no filme. Onde o encontrou?

É um tipo maravilhoso, devo-lhe o filme. Reparei nele numa peça do Teatro Nacional D. Maria II, "Tanto Amor Desperdiçado do Shakespeare" onde ele brilhava.

O que viu nele?


Primeiro era bonito, parece o Gabriel García Bernal ou o Johnny Depp. Dei-lhe um conselho no início que ele cumpriu sublimemente: disse para tentar não pestanejar - é uma coisa que se diz dos filmes portugueses, que os actores pestanejam muito. Ora, durante o filme inteiro ele pestanejou uma única vez quando acendeu um cigarro. Tem sempre os olhos abertos, com as luzes dos holofotes ligados, ele aguentou aquilo tudo. É preciso uma concentração, uma dedicação fantásticas. Aliás, ele entrou tanto na personagem que teve problemas em sair.

Como assim?

Dias depois ainda parecia o Bernardo Soares, o cabelo, a barba. Ainda tinha os mesmos gestos, o mesmo olhar, a mesma atitude. Ele esteve muito tempo lá metido. Trabalhei muito com ele um mês antes de começar a filmar. O Bernardo Soares não podia estar metido no realismo, tinha de ser um personagem à parte, sem tiques, tinha de ser fluído. Ele foi magnífico.

A Lisboa do filme é a sua ou a do Bernardo Soares?

Espero que seja a dele, mas no fundo sei que é a minha. É a cidade que eu achava poder coincidir com o percurso do Bernardo Soares, um tipo que inventou as viagens todas sem nunca sair do mesmo lugar. O Bernardo Soares é uma tripe.

Cortesia de i

Nós

Quem não quer vir, que não venha.
que o dó me faz perdoar
e persistir na campanha.
Talvez,
quando eu já for percebido,
se arrependam,
e a troça então se lhes mude
num sorriso constrangido.

Não venham, que eu vou por eles
e gritam por minha boca
suas bocas,
fechadas, ou por vergonha,
ou por orgulho, ou por falta
de aquela fé que me arrasta.

Descansem!....
Se eu lá chegar, faz de conta
que quem chegou foram eles;
e faço da multidão
a capa para os meus ombros;
e Deus, que não me distingue
(eu com todos me pareço),
pra não deixar-me sem prémio
há-de dar a cada qual
que eu só mereço.

Se eu lá chegar....
Mas eu chego!...
Nem que de aqui a três passos
se me cansassem os braços
e as pernas se me partissem
e a vida se me acabasse,
ali, na terra, caído,
eu já teria chegado:
tanto vale minha Esperança,
que o Céu começa onde quer
que eu solte a última voz;
e a Mão que as feridas me afague,
no gesto de as afagar,
deixou as portas do Céu
abertas de par em par.

Onde eu morrer, já cheguei.
As portas hão-de se abrir,
por Prémio que Deus me deu.
E eu vou entrar, arrastado
por todos vós, meus Irmãos,
tão convosco embaralhado
que ao ver-me dentro do Céu
não posso já precisar
qual de nós é que sou eu.

Sebastião da Gama

Poeta Millares Sall recebeu prémio póstumo

O poeta espanhol José María Millares Sall recebeu na terça-feira prémio póstumo de literatura na modalidade poesia por sua obra "Cadernos (2000-2009)", informou o Ministério de Cultura da Espanha, que concede a premiação com 20 mil euros.

Millares, que faleceu em 2009 aos 88 anos, nasceu no cerne de uma família de artistas e intelectuais republicanos, razão pela qual sua adolescência e juventude foram praticamente condicionadas à guerra civil (espanhola) e ao pós-guerra.

Laureado com o Prémio Canárias de Literatura, "Cadernos" e "Essa luz que nos queima" foram suas últimas obras, publicadas depois de seu falecimento, em setembro do ano passado.

Cortesia de Reuters

Confirmada presença de Rimbaud em foto inédita

Rimbaud é o segundo a contar da direita.

Após meses de dúvida, a presença do poeta Arthur Rimbaud na foto tirada em Aden (Iémen), em Agosto de 1880, já surge como uma certeza. Aquela que agora se confirma ser uma foto inédita de Rimbaud foi divulgada em Abril deste ano e suscitou discussão sobre a identidade do homem na foto. A confirmação da presença do poeta faz parte do dossier “A história da foto de Rimbaud”, publicada na revista mensal cultural francesa “Revue des deux mondes”.

A revista, a mais antiga em actividade da Europa, publica assim o resultado de uma pesquisa realizada por Jean-Jacques Lefrère, biógrafo de Rimbaud, e com a ajuda de muitos investigadores, instituições e de particulares, contou Jacques Desse, um dos dois livreiros que descobriu e apresentou a fotografia ao público em Abril.

Os resultados da investigação “confirmam que a fotografia foi tirada em Agosto de 1880 pelo explorador Georges Revóil no terraço do hotel Univers, em Aden”. De acordo com Desse, o autor de “Bateau ivre” “tinha acabado de chegar” quando a fotografia foi tirada.

Esta é a primeira imagem do poeta que mostra com clareza as suas feições adultas (tinha 26 anos à data) e uma das poucas que mostra a nova fase da vida de Rimbaud, longe da literatura. Uma segunda história de vida, que começou aos 19 anos quando o jovem que tinha marcado a poesia francesa decidiu pôr fim à sua carreira nas letras. Deixou os versos e a vida boémia, o seu amante Paul Verlaine e despediu-se da Europa, alistando-se como soldado colonial na Abissínia.

Rimbaud morreu aos 37 anos, vítima de complicações pós-operatórias e de cancro.

Cortesia de O Público

Poetas do Mundo - Pia Tafdrup

POEMAS

Entre o sempre e o nunca

Entre o sempre e o nunca
é que as coisas acontecem
um segundo sem fôlego
quando menos se espera
o mundo transforma-se

afundado em si próprio
sete corações abaixo
é que de repente se imagina
uma época em que as pedras
começam a sangrar.


Dá-me chuva

Dá-me chuva
como mãos vivas
ou passa-me
o instante
na ponta de um faca
eu fico aberta.


Água em chamas

…e ele parecia um deus ao sair do banho.

Um banho te darei como as servas de Circe o deram a Ulisses,
como essas filhas dos bosques e das fontes
e dos rios sagrados que desaguam no mar,
encho a banheira de água e sirvo-te vinho.

Misturo num jacto de água quente com outra que arrefece,
enquanto os espelhos se embaciam e o silêncio vem de mansinho;
um longo banho terás, o vinho iluminarão teu sangue,
descontrairá os músculos que eu banho com um jarro de água.

Tal como a quarta serva afastou a fadiga dos membros de Ulisses,
Continuarei a dar-te banho, para que o mundo seja do tamanho deste quarto,
onde os suaves vapores se adensam cada vez mais e as fragrâncias do teu corpo
se expandem no quarto à medida que o calor te inunda tanto por fora como por dentro.

Aproximo-me, lavo o teu pescoço e o teu peito,
acaricio o teu rosto, a tua nuca e os teus ombros,
reparo no prazer que avança à medida que depões as tuas armas,
vejo que deixas relaxar os teus ombros e mergulhas no banho.

Tem de haver água para haver vida,
e os homens precisam de banhos demorados...
ensaboo-te e enxaguo-te de novo, o teu corpo torna-se pesado,
não és só um homem mas todos os homens.

E quando te levantas do banho para emergir
és tão encantador como Telémaco
que foi banhado pela adorável donzela Policasta,
antes de ser ungido com óleo cintilante e coberto com túnica e manto.

De quem é o amor que brilha através do mundo como um rio que corre,
e porque flui tão puro como a alma
que vem em direcção a mim, tão deferente de tudo o que conheci
no labirinto do palácio onde vagueei sozinha durante tanto tempo.



Mil Vezes Nascido
(…)


71.

Se formos para o céu,
pergunta a criança,
o esqueleto também vai,
e todos os ossos que o cão comeu’



97.


Não procurem a caixa negra da poesia,
não tem respostas gravadas,
está cheia de perguntas e perguntas dos sonhos
ou de um silêncio onde é penoso entrar.

(…)


Tradução colectiva coordenada por Laureano Silveira


PEQUENA BIOGRAFIA

Pia Tafdrup nasceu em Copenhaga em 1952 e iniciou a sua carreira literária em 1980. Viveu em Elsinore de 1971 a 1978. Até agora publicou onze livros de poesia, duas peças de teatro, um livreto para dança, uma novela e um ensaio. Editou seis antologias de poesia contemporânea dinamarquesa. Em 1989 foi eleita para a Academia Literária da Dinamarca. Os seus poemas foram traduzidos para sueco, finlandês, islandês, português, espanhol, alemão, francês, italiano, macedónio, romeno, russo, eslovaco, turco, hebraico, árabe e outras línguas. Recebeu vários prémios literários.


Cortesia de Um Buraco na Sombra

«A poesia nunca poderá contribuir para o PIB de Portugal»

Em todo o lado se fala de crise. Querem-se medidas concretas. Acções. O problema é que ninguém parece saber o que fazer. Talvez seja uma boa altura para se voltarem a discutir ideias sem constrangimentos, porque quando não se sabe qual o caminho a seguir, mais vale tentar traçar um.

É, pois, tempo de reflectir. É isso que vai acontecer hoje, às 18h30, na Culturgest, em Lisboa, no debate Afinal para que serve a arte?, uma iniciativa do Institute of Ideas, um think tank britânico que organiza anualmente o festival londrino Battle of Ideas. Durante os dois dias do festival sucedem-se dezenas de debates sobre os temas mais variados, com alguns especialistas introduzindo a discussão que se alarga ao público, sendo esse um dos seus principais objectivos.

Em paralelo, o Institute of Ideas organiza eventos-satélite noutros contextos, escolhendo agora a Culturgest, também como co-organizadora. No debate, moderado pela inglesa Claire Fox, do instituto, vão participar, num primeiro momento, Augusto Mateus (responsável pelo estudo O sector cultural e criativo em Portugal, que concluiu que a cultura é um factor de desenvolvimento), Jorge Silva Melo (encenador e director artístico dos Artistas Unidos), Miguel Wandschneider (programador da Culturgest) e Angus Kennedy (responsável pelas relações externas daquele instituto inglês).

Solução ou problema?

No contexto de recessão, por um lado, as artes, e a cultura em geral são encaradas como fazendo parte do leque de soluções, ou seja, como factor de desenvolvimento económico, à luz das teorias em torno das indústrias culturais e criativas. Mas o que se assiste nos países europeus, e Portugal não é excepção, é a cortes orçamentais em ministérios e organismos culturais. Afinal, a cultura é solução ou problema?

"Neste período de recessão, muitas instituições culturais estão preocupadas com as suas fontes de financiamento e utilizam o argumento que devem ser apoiadas porque as indústrias culturais e criativas desempenham um papel relevante na economia, mas essa posição coloca-nos perante uma série de questões", diz Angus Kennedy. Entre elas, o facto de haver sectores da esfera da cultura que nunca farão dinheiro.

"A poesia, por exemplo, nunca poderá contribuir para o PIB de Portugal. Justificar o valor das artes apenas em termos de contribuição económica é estreitar, inclusive, as opções de financiamento." Com a investigação científica, por exemplo, acontece qualquer coisa de semelhante. "Os cientistas não podem dizer "se nos derem tantos euros estaremos em condições de retribuir com o triplo", muito simplesmente, porque ninguém sabe quais serão os resultados das pesquisas a que se propõem."

Para justificar atenção e financiamentos, as narrativas que validam as artes e a cultura assentam, cada vez mais, em factores que lhe são exteriores: têm que ser fonte de sociabilização; ajudar os jovens a serem bons cidadãos; favorecer a participação cívica; alimentar o sentimento de pertença colectiva ou de orgulho social; ou contribuir para a regeneração urbana das cidades, ressuscitando zonas industriais. Mas também há quem rejeite este tipo de justificação instrumental, argumentando que as artes é o que os artistas fazem. Ou seja, que é inteiramente subjectiva.

Dialogar e persuadir

Um dos objectivos da iniciativa do Institute of Ideas é alargar a discussão à assistência, até porque nas últimas décadas parece ter-se acentuado a distância entre o público comum e as chamadas elites da política ou das artes. Do lado do público argumenta-se que a Academia tem dificuldade em comunicar complexidade de forma simples. Os académicos argumentam que os debates no espaço público são superficiais. "Existe um fosso", concorda Kennedy. "Isso vê-se na relação entre políticos e cidadãos, com os primeiros a utilizarem a linguagem da sedução, tentando atrair audiências. Mas também é verdade para as artes, com instituições culturais atrás das audiências, tornando o seu trabalho mais acessível."

O problema é se esta atitude não acarretará mais efeitos nocivos do que positivos. "É como se quem lidera, seja político ou director de um teatro nacional ou de uma galeria de arte, assumisse o fracasso da sua liderança", analisa Kennedy. Na sua versão, quem detém poder deve tentar convencer a opinião pública de que aquilo que programa vale a pena. Mas aquilo que se assiste hoje é algo completamente diverso. "O que é válido para si? Do que gosta? Queremos dar-lhe mais disso" - segundo Kennedy são estas as premissas pelas quais a maior parte dos organizadores culturais se rege na sua relação com o público, desistindo de argumentar, dialogar, persuadir. Ou seja, quem programa nem sempre consegue assegurar que os efeitos sociais e culturais da sua actuação correspondem de facto às suas escolhas e orientações culturais de base. "No século passado, intelectuais como Jean-Paul Sartre e cientistas como Einstein conseguiram estreitar o desnivelamento da linguagem existente entre o público e as chamadas elites, fazendo palestras em bares para pessoas comuns, por exemplo. Hoje não temos isso. As pessoas refugiam-se na especialização. Nas universidades utiliza-se uma linguagem considerada difícil. Não se traz o debate para a rua. Mas as ideias têm que ser debatidas abertamente."

E a Internet pode mudar isso? Kennedy não parece convencido. "Torna a comunicação mais rápida, mas não muda a sua qualidade. O que temos é comunicação mais rápida de má qualidade." A solução pode passar, então, por debater em conjunto, em locais como a Culturgest.

Cortesia de O Público

CITAÇÃO - Giorgos Seferis

Para a poesia não existe nem grandes nem pequenos países. O seu domínio é no coração de todos os homens.

Retrato de Alberto de Lacerda

Num país sem tradição de biografias literárias, Luís Amorim de Sousa cometeu a proeza de fazer o retrato do seu amigo Alberto de Lacerda. Verdade que um retrato não é uma biografia, mas Às Sete no Sa Tortuga vai com certeza ser saudado como embrião de uma obra de maior fôlego.

Lacerda e Amorim de Sousa foram amigos durante décadas. Conheceram-se em Londres, no café Sa Tortuga de King’s Road, creio que em 1960. (O encontro coincide com o regresso de Lacerda a Londres depois de uma temporada no Brasil.) E ficaram amigos para a vida.

O livro lê-se num ápice, tanto pela escrita fluente do autor como pelo sortilégio que emana da figura de Lacerda, alguém que, e são palavras de Eduardo Lourenço, «sob o silencioso desdém ou a fulgurante ironia poucos adivinhariam que Alberto de Lacerda era [...] um exilado de si mesmo, escolhido com infalível mirada pela musa exigente da pura melancolia e da liberdade.» (cf. Alberto de Lacerda. O Mundo de um Poeta, Lisboa: Gulbenkian, 1987) Amorim de Sousa tem a vantagem do happy few entre pares. Quando se conheceram, Lacerda tinha quase dez anos de Londres. A diferença de idade — Lacerda nasceu em 1928, Amorim de Sousa em 1937 — não foi obstáculo a um convívio que sobreviveu às naturais atribulações da vida literária.

Londres foi o ponto de encontro e despedida de ambos. Amorim de Sousa foi a última pessoa que viu Lacerda antes de morrer, no Chelsea and Westminster Hospital, a 26 de Agosto de 2007, um mês antes de completar 79 anos. Na véspera, tinha sido descoberto em coma pelo seu amigo John McEwen, crítico de arte, que o fora buscar para almoço. Um ataque de coração em simultâneo com um derrame apagaram subitamente o autor de Palácio (1961).

Amorim de Sousa faz justiça às peculiares idiossincrasias de Alberto de Lacerda. Acompanha o seu trajecto por Londres, o período americano (primeiro em Austin, depois em Boston), o regresso a uma Londres “desumanizada” e as graves dificuldades materiais dos últimos anos.

No momento em que a Assírio & Alvim e a Fundação Mário Soares dão à estampa os primeiros volumes da Colecção Alberto de Lacerda, sendo um deles O Pajem Formidável dos Indícios, colectânea inédita de poemas escritos entre Outubro de 1995 e Janeiro de 1997, neste momento, dizia eu, o retrato do poeta feito por Amorim de Sousa tem todas as condições para chamar a atenção para a obra de um poeta que foi sempre estrangeiro na sua própria terra.

Eduardo Pitta

Cortesia de PNETLiteratura

Casa de apostas britânica dá poeta sueco como favorito do Nobel da Literatura 2010

Se as apostas de casas britânicas, como a Ladbrokes, estiverem certas, o Nobel da Literatura premiará este ano a poesia. Entre os quatro favoritos, na lista de apostas, todos são poetas: o sueco Tomas Tranströmer, o polaco Adami Zagajewski, o sul-coreano Ko Un e o sírio Adónis (pseudónimo de Ali Ahmad Said Esber). A escolha será anunciada na próxima quinta-feira dia 7 de Outubro.

Entres estes, Tomas Tranströmer parte claramente à frente com uma probabilidade de 1 em 5 ou 6 de vencer o prémio. Os restantes têm uma probabilidade de ganhar de 1 em 8. Com uma menor probabilidade, está ainda o o dramaturgo paraguaio Nestor Amarilla.

“Tomas Tranströmer certamente deve estar à frente”, disse David Williams da Ladbrokes citado pela Reuters. “Ele já tem sido mencionado para o prémio há muito tempo.”

O galardão pode tonar célebres nomes relativamente pouco conhecidos da literatura, escreve a Reuters que ao mesmo admite ser o desfecho difícil de adivinhar, tendo em conta as surpresas dos últimos anos. No ano passado, a notícia apanhou desprevenida a própria escritora Herta Müller, alemã de origem romena. Em 2008, o Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio.

Este ano, além dos cinco favoritos, a casa de apostas Ladbrokes avança outros escritores cujos nomes têm sido falados como possíveis: Thomas Pynchon e Philip Roth, ambos citados há bastante tempo na corrida ao Nobel, mas com remotas chances de 18/1 de vencerem o prémio – as mesmas estimadas para quatro escritoras: Joyce Carol Oates, Margaret Atwood, Alice Munro e A.S. Byatt.

Cortesia de O Público

Associação Juvenil Arruaça promove Concurso de Poesia Pablo Neruda

A Associação Juvenil Arruaça, de Beja, está a promover, até 07 de Dezembro, a segunda edição do Concurso de Poesia Pablo Neruda para promover aquele género literário e divulgar a obra do poeta chileno.

O Alentejo é uma região "bastante rica em poesia popular" e o concurso quer "estimular as pessoas a escrever e a puxar pela criatividade" e, desta forma, é uma "oportunidade para promover a poesia", explicou à Lusa Ricardo Neves, da Arruaça.

O concurso pretende também "divulgar" a obra de Pablo Neruda, que dá nome à rua que divide um dos dois bairros sociais, o Beja II, onde a Arruaça desenvolve um projecto de intervenção social desde 2007 e no âmbito do programa "Escolhas".

Segundo o regulamento, cada concorrente poderá submeter a concurso até três poemas, que deverão ser alusivos ao tema "Diversidade", inéditos e enquadrar-se em registo de soneto ou poema livre.

O júri do concurso será composto por três elementos, o primeiro e o segundo classificados serão anunciados a 20 de Dezembro e irão receber prémios em dinheiro e todos os participantes terão direito a um livro de Pablo Neruda ou subordinado ao tema do concurso.

Cortesia de Correio Alentejo


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