Armando Silva Carvalho vence 7ª edição do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes

O livro Anthero Areia & Água, de Armando Silva Carvalho, ganhou a sétima edição do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes promovido pela autarquia de Amarante. À edição deste ano concorreram 118 obras de 116 autores.

No percurso de Armando Silva Carvalho destacam-se Lírica Consumível (Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Autores) e O Amante Japonês (Grande Prémio de Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2008). O júri da edição de 2010 do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes foi formado pelos escritores António Cândido Franco, em representação da Associação Marânus, António José Queirós, Luís Adriano Carlos, Paula Morão e Virgílio Alberto Vieira. O concurso literário, de periodicidade bienal, foi instituído em 1997, no 120.º aniversário do nascimento de Teixeira de Pascoaes.

Cortesia de DN

Faleceu a poeta russa Bella Akhmadulina

A poeta russa Bella Akhmadulina, um dos nomes maiores da literatura contemporânea russa, faleceu esta segunda-feira, aos 73 anos.

A notícia foi dada pelo marido, Boris Meserer, adiantando que Akhmadulina não resistiu a problemas cardíacos. Estava na sua casa, em Peredelkino, conhecida como a aldeia das “datchas”, nos arredores de Moscovo.

Tanto o Presidente russo, Dmitri Medvedev, como o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin já lamentaram a “perda irreparável” de uma escritora, que recorda a AP, era reconhecida pelo uso ousado da metáfora.

Nascida em 1937, Akhmadulina publicou os primeiros poemas em 1955, na revista “Outubro” e rapidamente se tornou célebre no país, dominado então pelo regime soviético. Um ano antes, casara com Evgueni Evtuchenko, um dos poetas mais célebres da breve abertura cultural que se seguiu à morte de Estaline.

Ao desanuviamento segue-se novo período de chumbo, e nas décadas seguintes não só desafiará o regime – participará no almanaque "Metropol", que desafia a censura – como sairá a público em defesa de poetas ou dissidentes, como o físico nuclear e Nobel da Paz Andrei Sakharov, a quem os ideais pacifistas valeram o exílio interno.

“A Bella era uma figura-chave da geração dos anos 60, uma pluma clara e autónoma, uma grande poeta”, disse Viktor Erofeev, que colaborou com ela no "Metropol".

Cortesia de O Público

BIO - Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão [mais tarde de Almeida Garrett], nasceu no Porto, em 1799. Aí passou a primeira infância, num caloroso ambiente burguês que lhe deixaria gratas recordações. Aos 10 anos parte com a família para os Açores, onde inicia a sua formação literária, sob a tutela do tio Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra.

Em 1816 ingressa na Universidade de Coimbra, para seguir estudos de Leis. A vivência académica seria determinante na sua iniciação política e filosófica. Ainda estudante, participa no movimento conspirativo que conduziria à revolução de 1820. Paralelamente despontava, irreverente, a vocação literária: no ano seguinte surgia o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um ousado poema que lhe mereceu um processo em tribunal.

No período conturbado que se seguiu, o trajecto pessoal do escritor (já casado com uma menina elegante, Luísa Midosi) entrelaça-se com a história política do Liberalismo. A revolução foi um breve momento de entusiasmo liberal, logo desfeito pela chegada ao poder da facção conservadora, que apoiava o Infante D. Miguel. Garrett foi obrigado a deixar o País (entre 1823-26), situação que se repetiria pouco tempo depois (1828-31), na sequência da abdicação de D. Pedro. No entanto, o escritor encontra na circunstância penosa do exílio uma oportunidade intelectualmente vantajosa. A permanência em França e Inglaterra permitiu-lhe conhecer o movimento cultural europeu, na sua dimensão artística e ideológica. A publicação (ainda em Paris) dos poemas Camões e Dona Branca – os primeiros textos românticos portugueses – constitui o resultado mais simbólico e expressivo dessa experiência.

O regresso a Portugal, em 1832, integrando a expedição liberal comandada por D. Pedro, constituiu um momento heróico para o «poeta-soldado», que se incorpora no Batalhão Académico; Garrett foi chamado a participar nas reformas legislativas do novo regime, mas pouco depois afastado do poder, sob pretexto de missões diplomáticas no estrangeiro. Voltará à cena política em 1836, no contexto da «revolução de Setembro», pela mão de Passos Manuel: faz parte das Cortes Constituintes e ajuda a redigir a Constituição de 1838. Além de deputado, desempenha também um papel relevante no programa de educação cultural setembrista, designadamente na renovação da dramaturgia nacional: empenha-se na criação da Inspecção Geral dos Teatros, do Conservatório de Arte Dramática e do futuro Teatro Nacional; no mesmo espírito funda O Entreacto – Jornal de Teatros e leva à cena, com grande êxito, a peça Um Auto de Gil Vicente.

Durante os anos 40, sob o regime autoritário de Costa Cabral, Garrett destaca-se na oposição; no entanto, o entusiasmo e o fervor militante vão-se exaurindo, perante a instabilidade política, o materialismo triunfante e o próprio desvirtuamento do ideal liberal. Descontente com o devir da revolução, afasta-se da vida pública em 1847. Desse desencanto patriótico dão significativo testemunho algumas obras publicadas neste período, o mais fecundo da criação literária garrettiana (O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra e O Arco de Sant’Ana, por exemplo).

Em 1851 regressa ao Parlamento, já sob a acalmia política da Regeneração. Recebe nesta derradeira fase da vida alguns gestos oficiais de consagração: é feito visconde, em 1851 e nomeado Par do Reino, no ano seguinte; chega ainda a ocupar um cargo ministerial (Negócios Estrangeiros), de que seria demitido pouco tempo depois.

Morreu em 9 de Dezembro de 1854, depois de uma vida sentimental romanticamente atribulada: um casamento juvenil mal sucedido, com Luísa Midosi; a morte precoce da segunda companheira, Adelaide Pastor, que lhe deixa uma filha ilegítima; e por fim uma paixão adúltera, com a Viscondessa da Luz, celebrada em versos escandalosos.

Amante de prazeres mundanos, galante e apaixonado, foi sempre um conspícuo actor do palco social romântico, sabendo reverter em seu favor a imagem de dandy cosmopolita que sempre cultivou. No auge de uma carreira brilhante e de uma vida intensamente fruída, Almeida Garrett podia justamente orgulhar-se da sua ecléctica presença na cultura portuguesa de Oitocentos; de ser (palavras suas) «… um verdadeiro homem do mundo, que tem vivido nas cortes com os príncipes, no campo com os homens de guerra, no gabinete com os diplomáticos e homens de Estado, no parlamento, nos tribunais, nas academias, com todas as notabilidades de muitos países – e nos salões enfim com as mulheres e com os frívolos do mundo, com as elegâncias e com as fatuidades do século.»

Por Maria Helena Santana

Pés

Pés.
De pés descalços,
pés que sofrem e
alegres calcorreiam terra batida,…
para ajudarem o “home”,
que anda no alto mar
na faina da pesca.
Pés de mulheres,
vão vender o “quinhão”
as sobras que o Mestre dá.;
que distribui da “traineira”.
Ah! Traneira?!
Está subido na vida…
Já não são as “chalhandras”,
as “chalupas”,
as da apanha da sardinha.
E quando sai o “chicharro”?

E as mulheres?

Ficam em Terra;
remendarem as redes…
Saia travada, chinelo no pé,
avental com um laço bem dado,
de gamela à cabeça,
lá vão elas pelas aldeias…

“Linda Tricana “

Vender o peixe…
o pescado, os “tranchos”,
aquilo que o pilado não comeu…
é marisco na casa dos ricos e,
para os familiares dos Pescadores,
serve para arrecadar, uns simples trocados.
Quando em tempos, lhes perguntavam:
- Como é hoje?
- É a cruzado.
A freguesa respondia:
- É escusado! É escusado!

E no mar?

Lá vão as “lanchinhas”…
Navegando sobre as vagas…
parecem gaivotas, procurando comida,
uma anémona, uma alforreca ou
uma sardinha que caiu,
para saciar a fome.

Lá vão elas…
Lá vão elas…

Vão alar as pontas das bóias,
p’ra apanha da pescada.
E se fica Pescador em Terra?
Perto da costa com o ‘xaveco’
fazem apanha da faneca à linha…
Que as mulheres vendem pelas aldeias, gritando:
- É faneca da liiiiiiinha! Da nossa cooooosta!

E quando arribam as embarcações?

Mar vivo.
À entrada da barra
as correntes se debatem,
a ver qual delas, tem mais força.
Há redemoinhos…
Não há pé,…
é perigoso!
A embarcação é uma casca de noz
naquele emaranhado de luta…

Avança e recua…
Avança e recua…

E no areal, as mulheres
gritam em desesperado:
- Nossa Senhora do Socorro,
socorrei aquele barquinho.
Ó Sra da Guia, da Lapa, dos Aflitos,
Sra da Bonança, torna a onda mansa,
neste mar cão, mar maganão,
deixai-os vir sãos para Terra,
trazem para os filhos pão…
Sra do Bom Despacho,
despachai os nossos homens…
S.Pedro Pescador,
colocamos fora o andor.
Padroeiro do mar.

E lá vencem!

Sra da Guia bendita sejais!
No seu dia, é feriado,
o Pescador a promessa vai pagar a promessa.

Fernanda Garcias

Faleceu a poetisa Saudade Cortesão

A poetisa e tradutora Maria da Saudade Cortesão Mendes, que o poeta brasileiro Murilo Mendes definiu como “Mulher toda sal e espuma”, faleceu ontem, em Lisboa, aos 96 anos, informou um familiar.

Saudade Cortesão faleceu de madrugada no Hospital Curry Cabral. Filha mais velha de Jaime Cortesão (1884-1960), poeta, dramaturgo, pedagogo, político e historiador da projecção portuguesa no mundo, Saudade Cortesão viveu grande parte da sua vida no estrangeiro acompanhando o seu pai no exílio.

Primeiro em Paris, logo após a célebre Revolução do Norte (1927), contra o salazarismo, encabeçada, entre outros, por Jaime Cortesão, mais tarde em Madrid e, por fim, no Rio de Janeiro, onde conheceu o grande poeta brasileiro Murilo Mendes com quem veio a casar em 1947.

“Mulher toda sal e espuma/filha e neta de altos entes/companheira de arte-vida...”, assim a definiu e sobre ela escreveu Murilo Mendes.

Nos anos cinquenta acompanhou o marido pela Europa, em missões culturais de difusão da literatura brasileira, fixando-se em 1957 em Roma, onde privou com escritores e artistas plásticos como Albert Camus, Carlos Drummond de Andrade, Sophia de Mello Breyner e Maria Helena Vieira da Silva – que a retratou - entre outros.

Nos últimos tempos de vida, já num lar, “ainda fazia questão de todos os dias ouvir ler livros”, lembra Bruno Cortesão, sobrinho da poetisa e filho do filósofo, poeta e ensaísta português, Agostinho da Silva, que foi casado com Judite Cortesão, irmã de Saudade Cortesão.

“A minha tia era uma pessoa extremamente inteligente, culta, elegante e com imenso carácter”, disse hoje à agência Lusa Bruno Cortesão.

O sobrinho da poetisa destacou ainda uma mulher “com posições firmes sobre a arte, poesia e literatura, mas também em relação à política”.

Saudade Cortesão foi recentemente galardoada com o Prémio Pen 2009, na categoria de poesia, com “O Desdobrar da Sombra, seguido de "Fragmentos de um Labirinto” (Roma), entre outros prémios como o que reconheceu o seu livro de estreia “Dançado Destino” - Prémio Fábio Prado de Poesia, São Paulo, 1952.

Traduziu para o português, “Murder in the Cathedral” , de T. S. Eliot, “A Midsummer Night's Dream”, de Shakespeare, e “Calígula”, de Albert Camus, e publicou também traduções do italiano e poemas em revistas e antologias no Brasil e em Itália.

Segundo a família, o corpo estará esta sexta-feira em câmara ardente na capela da Basílica da Estrela.

Cortesia de O Público

Lonely Planet classifica a Lello como a terceira melhor livraria do mundo

A livraria centenária portuense Lello foi classificada pela Lonely Planet como a terceira melhor do mundo, no guia que esta editora fundada na Austrália acaba de lançar para o próximo ano. Numa listagem em que faz o “top ten” dos países, regiões e cidades a visitar em 2011, a Lonely Planet coloca a livraria situada na Rua das Carmelitas, no Porto, na terceira posição, depois da City Lights Books, em São Francisco, nos Estados Unidos, e da El Ateneo Grand Splendid, em Buenos Aires.

No guia "Lonely Planet's Best in Travel 2011", a editora classifica a Lello, fundada em 1906, como “uma pérola de arte nova”, que se mantém como uma das livrarias – e talvez mesmo uma das lojas – “mais espantosas do mundo”.

Na descrição que faz do seu interior, destaca “as prateleiras neogóticas” que fazem mesmo concorrência aos livros na atenção dos visitantes, mas também a decoração nas paredes com os bustos esculpidos de escritores portugueses, além, claro, da “escadaria vermelha em espiral” que leva os clientes até ao primeiro andar e que parece “uma flor exótica”. O trilho e o carrinho para o transporte dos livros e a pequena cafetaria no primeiro andar, de onde se vê a luz do dia filtrada por coloridos vitrais, são outras notas deixadas aos leitores deste que se tornou já num dos mais populares guias de viagem em todo o mundo.

Esta classificação da Lello repete aquela que a loja portuense já tinha conquistado em Janeiro de 2008, quando o diário britânico “The Guardian” também a considerou como a terceira mais bela livraria do mundo, igualmente a seguir à Ateneu da capital argentina, que ocupa o lugar de um antigo teatro – dessa vez, em primeiro lugar, surgia a livraria holandesa em Maastricht, Boekhandel Selexyz Dominicanen, instalada numa antiga igreja.

O actual edifício da Livraria Lello, que foi desenhado de raiz para ser uma livraria pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves, já tinha também sido considerado pelo escritor catalão Enrique Vila-Matas como “a mais bonita livraria do mundo”.

No “top ten” agora divulgado pela Lonely Planet, logo após a Lello surge a Shakespeare & Company, em Paris, seguindo-se a Daunt Books, em Londres, a Another Country, em Berlim, a The Bookworm, em Beijing, a já citada Selexyz Dominicanen, em Maastricht, a Bookàbar, em Roma, e, na décima posição, a Atlantis Books, em Santorini, na Grécia.

Cortesia de O Público

Que Portugal é este?

"Que Portugal se espera em Portugal?", perguntava, dramaticamente, Jorge de Sena, num dos seus mais belos poemas.

Tenho revisitado, com frequência, o grande poeta, da estirpe e da grandeza de Pessoa, não o esqueçamos, a fim de procurar respostas para algumas das minhas mais dilemáticas interrogações. Não é só na poesia que, nele, encontramos a súmula do que é ser português. Na prosa, nos ensaios definitivos sobre Camões, e nesse romance definitivo "Sinais de Fogo" lá estão as marcas do nosso comum desespero e da nossa quase colectiva indolência.

Cito Sena e poderia nomear outros. Sophia, por exemplo; ou Carlos de Oliveira; ou Ruy Belo e O'Neill, para os quais Portugal era uma angústia de causa. Ninguém sabia, de entre eles, a forma e o modo de dar volta a estas características letais. O Eça gozou à ufa com este espírito que nos tatua e persegue. Garrett, anteriormente, dissera que o "País é pequeno, e não maior a gente que o habita." Ouvimos, vemos e lemos, nas rádios, nas televisões e nos jornais uns senhores graves e notoriamente impreparados, a falazar sobre tudo e mais alguma coisa, os quais, numa sociedade intelectualmente preparada, iriam para o brejo conversar com hortaliças.
Sempre os mesmos. Com os mesmos tiques de linguagem, os mesmos arrebiques, as mesmas gesticulações. Dos "comentadores" de futebol aos preopinantes da política, a informação e a cultura portuguesas actuais ali se circunscrevem. Prosas canhestras, má assimilação da realidade política nacional e internacional. Convém sempre repetir que estes senhores não prestam para nada.

Porém, destes não somos responsáveis. Somo-lo dos políticos, melhor: dos partidos (também sempre os mesmos) que elegemos para nos governar. Nos últimos trinta anos assistimos ao esganar das nossas mais asseadas esperanças. Tanto o PS quanto o PSD não merecem as nossas qualificações: um é pior do que o outro. Chegámos à situação extrema em que nos encontramos, mas não me venham dizer que somos todos culpados. Acreditámos (continuamos a acreditar) e patranhas e nunca nos ressarcimos das aldrabices que nos envolvem. Uns fugiram e estão muito bem da vidinha. Olhem o Guterres, o Durão, o Vital, o inquietante Correia de Campos, aquele pobre homem Rangel, o Paulo, todos com empregos subordinados aos serviços que prestaram. O Correia, esse, então, acabou com o subsistema de saúde dos jornalistas (o único subsistema a que pôs fim), criado em 1947, e aplicou um golpe quase mortal à Casa da Imprensa, que sobrevive graças à honrada teimosia de alguns jornalistas. Nenhum profissional de Imprensa queria regalias ou privilégios: apenas desejávamos acudir aos velhos jornalistas e às suas famílias, especialmente às viúvas, consignando-lhes a ajuda que a sua dignidade merecia. O Correia, que se refastela nem Bruxelas, não tocou em outros subsistemas, entre os quais os dos fardados. Está tudo dito. Ou não?

Não me sinto responsável por esta gente. Uma gente que não gosta da gente. O meu voto decide-se depois de indecisões dilemáticas. Mas ele incide na possibilidade de as coisas melhorarem. Não melhoram. Não têm melhorado. Com recta consciência, neste momento histórico, para quem nos inclinarmos? No caso do dr. Cavaco, fujo espavorido. Não apenas por ser hirto, inculto, despropositado. Ele foi um dos piores e mais maléficos primeiros-ministros desta II República, e uma monstruosa manipulação tem ocultado os prejuízos deste senhor à pátria. Quanto a Sócrates, já se deixa ver: assim que for corrido arranjam-lhe logo um bom lugar nesses sítios que eles lá sabem. Passos Coelho, com quem pessoalmente simpatizo, é um estropício. Raras vezes assisti a um político que disparasse tantos tiros no pé. No pé, nos pés, nas mãos e em todo o lado. Tem pouco jeito para os jogos malabares e ainda menos para obter uma visão do que acontece, em Portugal e no Mundo.

Estamos condenados a sobrenadar neste lago de infantilidades, de mediocridade e de mentiras? Não o creio. Sou demasiado antigo e conheço razoavelmente a História para saber que nada é definitivo. Além do que a pátria já passou por sobressaltos maiores. Tudo indica que Sócrates está no fim e que Passos é o que há. Todavia, possuímos força suficiente para mudar o rosto e o corpo moral e cultural do nosso país. Afim de que Portugal não continue a esperar para se Portugal.

Por Baptista Bastos

Cortesia de Jornal de Negócios

Metamorfose

O homem não foi morto:
semeado.
Nascem-lhe flores nos olhos nos dedos e no sexo:
primavera em dezembro
no corpo tombado.
Os pássaros cantam no sonho encontrado
e fazem-lhe ninhos
nos cabelos verdes.
Agora quem pode calar uma flor adubada?
Toda a terra é um ventre
a parir a alvorada.

Maria Almira Medina

Revista «Inútil»


A INÚTIL é uma revista de experimentação do registo poético através da ESCRITA e da IMAGEM. Em cada revista 1 tema, 1 convidado central, e muitos textos, poemas, ilustrações e fotografias, de autores conhecidos e reconhecidos, e de autores estreantes. Até agora foram publicados 2 números e colaboraram poetas como José Luís Peixoto, Nuno Júdice, Amadeu Baptista, entre muitos outros, e convidados menos conhecidos pela aventura poética como Nicolau Santos ou Ana Zanatti.

OLGA RORIZ e BERNARDO SASSETTI foram os convidados centrais dos primeiros 2 números. NA INÚTIL 3, a ser lançada agora, esse lugar de destaque pertence à escritora e poetisa MARIA TERESA HORTA, que colabora com poemas, alguns deles inéditos, e responde a 3 perguntas da INÚTIL.

O tema da INÚTIL 3 é A PELE. O lançamento da INÚTIL 3 é no próximo dia 2 de Dezembro, pelas 19 horas na Casa Fernando Pessoa. A apresentação fica a cargo de Inês Fonseca Santos. Albano Jerónimo, André Gago, Ivo Canelas são alguns dos actores convidados para a leitura de poemas. A entrada é livre.

Cortesia de CFP

O poeta que deu vida ao rock português

O eterno letrista de Rui Veloso revolucionou o panorama da música nacional.

Depois dos concertos no Porto, Rui Veloso sobe ao em Lisboa para a consagração de 30 anos de uma carreira que começou a germinar na cave da casa dos pais, perto da Boavista (Porto), quando Carlos Tê se lhe juntou por amigos e gostos comuns.

"Antes de conhecer o Rui, já tinha a letra e a música do Chico Fininho. Tinha escrito aquilo para explorar o lado kitsch da música portuguesa, para me divertir e cantar entre amigos. O Rui fez um bom arranjo e levou a canção com outras que escrevi em inglês à Valentim de Carvalho, em Lisboa...", explica Carlos Tê ao DN.

Dada a resposta da editora, o eterno letrista do "pai do rock português" teve de pôr de parte as influências anglo-saxónicas e encarar o desafio de escrever na sua língua, apesar de desprezar o "nacio- nal-cançonetismo" que dominava o panorama na adolescência e de ter a necessidade de romper com a moda que lhe sucedeu: os cantores do PREC.

"A música era para mim escapatória de um país sombrio e miserável. Era onde conseguia pontos de fuga... Na adolescência comprava discos vindos de Inglaterra e aquilo dava-me estatuto. Juntava amigos em casa, ouvíamos discos, discutíamos as canções... Hoje, isso é impensável. A música é cada vez mais descartável", realça Carlos Tê, que fez as pazes com Portugal só depois do 25 de Abril de 1974.

Durante a ditadura, para fugir à Guerra Colonial, pensou exilar-se na Dinamarca: "Escapei por dois anos, mas mantinha incrível ponte de afectividade musical com os amigos mais velhos que foram para a guerra. Podiam estar em Tete, no mato, a combater a Frelimo, que às vezes lá recebiam um aerograma meu a dizer '...aqui vai a última cassete dos Emerson, Lake & Palmer; dos Jetrho Tull', etc..."

O culto quase tribal à volta da música veio daí e floresceu quando o talento musical de Rui Veloso encontrou a criatividade da escrita de Tê, que quis ficar na sombra: "O Rui desafiava-me e até apareci a tocar com ele, no início dos anos 80, num programa televisivo, A Árvore das Patacas, mas vi logo que aquilo não era para mim..."

O lugar de Carlos Tê era a escrita, onde a inspiração sempre lhe surgiu através das notícias de jornal, de histórias que lhe contavam ou de impressões que juntava a passear pela sua cidade. É por aí que começa o demorado processo de escrita, bem patente em Porto Sentido, que nasceu por contraponto às inúmeras canções sobre Lisboa: "Não havia nenhuma canção sobre o Porto que me agradasse a ponto de apanhar aquele ressentimento em relação a Lisboa. Essa letra teve muita carpintaria; andei muito tempo de martelo e escopo a burilar cada palavra..."

Hoje, Carlos Tê escreve menos letras, também porque se gravam menos discos. Mantém estreita a relação com Rui Veloso, que ainda tem lá por casa uns 15 poemas para transformar em canções.

O letrista tem-se dedicado a projectos que cruzam a afeição pela escrita e pelo Porto. O mais recente é Cimo de Vila (ed. Afrontamento), livro de "textos, impressões e pequenos poemas" sobre a sua cidade, com ilustrações de Manuela Bacelar. E continua a encontrar nas suas canções uma magia que não o deixa de surpreender: "É gratificante ouvir uma plateia a cantar algo que escrevi, mas já trato aquilo como se fosse de outrem. As canções são algo que apenas vagamente nos pertencem."

Cortesia de DNArtes

Sertã exibi a exposição documental «Poesia da Resistência»

A Casa da Cultura da sertã recebe até dia 27 de Novembro a exposição documental “Poesia da Resistência”.

Cedida pela Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa, esta exposição compõe-se de 22 cartazes de grandes dimensões, onde se faz alusão a vinte grandes poetas portugueses do Séc. XX, que lutaram pela liberdade através dos seus versos.

A “Poesia da Resistêcnia” permite revisitar poemas de ilustres personalidades da literatura, como Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre, Natália Correia, António Gedeão, Xanana Gusmão ou Carlos Oliveira. É ainda possível conhecer as apresentações bio-bibliográficas de vinte gigantes da literatura e cidadania portuguesa.

Esta mostra pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 15 às 18 horas.

Cortesia Radio Contestável

Poetas do Mundo - Cesare Pavese

POEMAS

Virá a morte e terá os teus olhos

Virá a morte e terá os teus olhos -
esta morte que nos acompanha
de manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra inútil,
um grito calado, um silêncio.
Assim os vês em cada manhã
quando sobre ti só te inclinas
ao espelho. Ó querida esperança,
nesse dia saberemos também nós,
que és a vida e és o nada.

Para todos a morte tem um olhar.
Virá a morte e terá os teus olhos.
Será como largar um vício,
como ver ressurgir
no espelho um rosto morto,
como escutar lábios fechados.
Desceremos o remoinho mudos.


Indisciplina

O bêbado deixa para trás as casas estupefactas.
Nem todos se aventuram a passear bêbados
à luz do sol. Atravessa tranquilo a rua,
e poderia entrar pelas paredes dentro, pois as paredes estão ali.
Só os cães deambulam assim, mas um cão pára
sempre que sente uma cadela e cheira-a cuidadosamente.
O bêbado não vê ninguém, nem mesmo as mulheres.

Na rua, as pessoas que se perturbam ao vê-lo, não se riem
e gostariam que não estivesse ali o bêbado, mas os muitos que tropeçam
ao segui-lo com os olhos voltam a olhar em frente
com uma praga. Passado que foi o bêbado,
toda a rua se move mais lentamente
à luz do sol. E se uma pessoa começa
a correr, é alguém que não o bêbado.
Os outros olham, sem distinguir, o céu e as casas
que nunca deixaram de estar ali, ainda que ninguém as veja.

O bêbado não vê as casas nem o céu,
mas sabe que estão ali, pois num passo pouco firme percorre um espaço
tão claro como as franjas do céu. As pessoas, embaraçadas,
deixam de compreender o que fazem ali as casas,
e as mulheres já não olham para os homens. Têm
todos, dir-se-ia, medo de que de repente a voz
rouca se ponha a cantar e os persiga pelo ar.

Cada casa tem uma porta, mas não vale a pena entrar.
O bêbado não canta, mas mete por uma rua
onde o único obstáculo é o ar. Felizmente
não vai dar ao mar, pois o bêbado,
caminhando tranquilo, entraria também no mar
e, deixando de se ver, prosseguiria no fundo o mesmo caminho.
Cá fora, a luz seria sempre a mesma.


Agonia

Irei pelas ruas até cair morta de cansaço
saberei viver sozinha e reter nos olhos
cada rosto que passa e continuar a ser a mesma.
Esta frescura que sobe e me busca as veias
é um despertar que em manhã nenhuma sentira
tão real: sinto-me simplesmente mais forte
que o meu corpo e um arrepio mais frio acompanha a manhã.
Longe vão as manhãs em que tinha vinte anos.
E amanhã, vinte e um: amanhã sairei para a rua,
lembro-me de cada pedra da rua e das nesgas do céu.
A partir de amanhã as pessoas ver-me-ão outra vez
de pé e caminharei direita e poderei parar
e mirar-me nas montras. Nas manhãs do passado,
era jovem e não sabia, nem sabia sequer
que era eu que passava – uma mulher, dona
de si mesma. A rapariguinha magra que fui
despertou dum pranto que durou anos:
agora é como se esse pranto nunca tivesse existido.
E desejo só cores as cores não choram,
são como um despertar: amanhã as cores
voltarão. cada mulher sairá para a rua,
cada corpo uma cor – e até as crianças.
Este corpo vestido de vermelho claro
após tanta palidez voltará à vida.
Sentirei à minha volta deslizarem os olhares
e saberei que sou eu: olhando à volta,
ver-me-ei no meio da multidão. Em cada nova manhã,
sairei para a rua em busca das cores.


És a terra e és a morte

“És a terra e és a morte.
Tua estação é a treva
E o silêncio. Não vive
Coisa que mais do que tu
Seja distante da aurora.

Quando pareces desperta
És somente o doer
Que tens nos olhos, no sangue
Mas tu não sentes. Tu vives
Como só vive uma pedra,

Ou como a terra dura.
E vestem-te os sonhos
Movimentos arquejantes
Que ignoras. E a dor
Como a água de um lago
Trepida e te circunda.
São círculos na água.
Tu deixa-los esvair-se.
És a terra e és a morte.”

PEQUENA BIOGRAFIA

Cesare Pavese nasceu em Stefano Belbo a 09 de Setembro de 1908. Foi poeta, romancista, tradutor, crítico literário e editor. Estudou filologia inglesa na Universidade de Turim. Dedicou grande parte da sua vida a traduzir autores como Walt Whitman, Herman Melville, James Joyce, Sherwood Anderson, Gertrude Stein, John Ernst Steinbeck e Ernest Miller Hemingway, entre outros. Os seus artigos anti-fascistas, publicados na revista Cultura, levaram à sua prisão e exílio em 1935. Suicidou-se no dia 26 de Agosto de 1950, num quarto de hotel em Turim. Algumas das páginas mais comoventes de Pavese encontram-se no seu diário que foi publicado postumamente, em 1952, com o título O ofício de viver. Em 1957 foi criado um prémio literário com o seu nome. Alguns livros publicados em Portugal: A Lua e as Fogueiras, (Colecção Mil Folhas); O Ofício de Viver, (Relógio d’Água); O camarada, (Minerva); Trabalhar cansa (Livros Cotovia); O Vício absurdo, (&Etc); Diálogos com Leucó (Assírio & Alvim); Férias de Agosto (Quasi)

Cortesia de Um Buraco na Sombra

A tertúlia de poesia ininterrupta mais antiga do país

Às 0h15, toca a sineta. «Fechou a cloaca», grita Carlos Pinto, proprietário do Púcaros, situado nas arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega do Porto. É sempre assim que começam as noites de poesia, todas as quartas-feiras (muitas vezes, só têm início na madrugada de quinta).

O que se segue, pela noite dentro, é um desfilar de versos mais ou menos conhecidos, ditos por gente mais ou menos inspirada. A única regra é a liberdade total, a raiar a anarquia: não há tema, não há ordem definida, não há hora para acabar.

Os conflitos entre vários participantes desta tertúlia são recorrentes, mas as querelas dificilmente causam mossa. Quando é preciso, Carlos Pinto põe ordem na casa, mas sempre de forma bem humorada. «Digo tudo porque ouço tudo», explica. Há dois ou três palavrões lançados para o ar e a poesia continua.

Um dos habitués é Anthero Monteiro, que já tem várias obras de poesia publicadas. Numa mala, traz uns «cinco quilos de livros» e mais uma pasta cheia de poemas impressos. «O que faz rir é geralmente o que funciona melhor. No entanto, o poema mais dito aqui - e, provavelmente, em qualquer tertúlia poética portuguesa - deve ser o Cântico Negro, de José Régio», observa.


Quem também tem obra publicada é António Pedro Ribeiro, que apresentou no próprio Púcaros, em Maio, uma candidatura independente à presidência da República. «Quero fazer passar uma mensagem anti-mercado, contra o utilitarismo e a transformação de tudo e de todos em mercadorias», afirma. Esta incursão política não é inesperada: em 2006, o poeta escreveu Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro, uma provocação a desafiar o líder do Governo.

As noites de poesia do Púcaros cumprem 14 anos em Novembro e Carlos Pinto orgulha-se de ser o responsável pela «tertúlia poética ininterrupta mais antiga do país». A ideia inicial era «fazer uma noite dedicada aos dizeres populares, mas essa malta não é acessível», relembra.

Por isso, alargou-se o conceito à poesia e, desde então, todas as quartas-feiras, o ritual é sagrado: «Mesmo quando isto fica alagado, cumpre-se a tradição. Vamos ali para o cimo da rampa, recitamos dois ou três poemas e dizemos que nem as cheias nos hão-de calar». Numa sessão comum, a leitura é feita no meio das arcadas que dividem o bar - imaginamos que o espaço tenha sido em tempos idos um armazém de pipas de vinho do Porto. A bebida oficial é a sangria, servida nos púcaros que dão o nome à casa. Quem pedir uma bebida não alcoólica arrisca-se a ouvir uma boca do proprietário.

Muitos participantes lêem poemas de sua autoria e destas noites já resultou a colectânea Um Púcaro de Poesia, da editora Corpos. Mas esta é uma tertúlia de amadores e apaixonados pelas palavras: quem vem apenas ouvir poesia é bem-vindo, quem vem ler pela primeira vez é bem recebido.

As picardias estão reservadas aos veteranos: na noite a que assistimos criticou-se o mau gosto de deixar um poema a meio e a incapacidade dos presentes para «ir até Saturno» através da poesia. As palavras foram azedas , mas na semana seguinte estavam lá todos, amigos como dantes.

PÚCAROS BAR

Rua de Miragaia, 55, Porto
Tel. 936 326 281


Cortesia de Jornal Sol

Sala de Leitura da maior biblioteca do país fecha hoje durante nove meses

Só 50 bolseiros pediram ajuda à biblioteca para poderem localizar livros ou acelerar trabalho antes do encerramento. Outras bibliotecas preparam-se para servir de reforço.

Cinquenta bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) pediram o apoio da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) para lhes facilitar a pesquisa antes do encerramento, para obras, da Sala de Leitura da BNP, que acontece hoje e que se prolonga até Setembro do próximo ano.

"Em Julho enviámos aos 10.600 bolseiros da FCT uma mensagem informando que tínhamos uma linha de apoio para tentar suprir os problemas criados pelo encerramento", explicou ao PÚBLICO Maria Inês Cordeiro, subdirectora da biblioteca. "Recebemos 50 pedidos de apoio e essa ajuda tem estado a ser feita com sucesso."

Mas nem todos os investigadores concordam. Paulo Silveira e Sousa é um dos 50 que pediram apoio nesta fase, mas considera que, apesar do esforço que está a ser feito, continua a haver "má vontade" da parte dos responsáveis da BNP. E dá um exemplo: "A colecção de periódicos não está na torre [de depósito dos livros, a área que está a sofrer obras maiores], está numa cave que só vai ser intervencionada mais tarde. [Um grupo de 37 investigadores] escreveu uma carta pedindo uma sala provisória de acesso condicionado para a consulta desses periódicos e a BNP disse que não era possível."

Os investigadores chegaram mesmo a propor locais alternativos, como uma sala que está a ser usada para exposições ou a utilização das salas de leitura de reservados, mas a resposta da biblioteca foi negativa por razões práticas e de segurança. Esta é, segundo Silveira e Sousa, "a maior colecção nacional de periódicos" e a Hemeroteca não é uma alternativa.

A situação dos bolseiros que estavam a terminar as suas teses era uma das que mais preocupavam a comunidade de investigadores. Com o encerramento da Sala de Leitura Geral durante nove meses e da Leitura de Reservados de 1 de Abril a 1 de Setembro, como iriam os investigadores terminar os seus trabalhos dentro dos prazos impostos pela bolsa? Maria Inês Cordeiro explica que nos últimos meses os bibliotecários receberam as pessoas que pediram ajuda, acompanharam-nas na preparação da bibliografia de que necessitavam, disponibilizaram os livros e fizeram as reproduções pedidas. "Não houve caso nenhum que não pudéssemos resolver."

A partir de hoje, os investigadores poderão continuar a dirigir-se à sala de referência da BNP, onde serão ajudados a localizar, noutras bibliotecas do país, as obras de que precisam. Nessa sala estará ainda disponível o equipamento para leitura de microfilmes.

Alternativas reforçam-se

Joana Baião, bolseira da FCT a iniciar o seu trabalho de investigação, confirma ter recebido um email "a avisar que se podiam requisitar [até sábado passado] as obras que precisaríamos de consultar no próximo ano". Não teve, contudo, que recorrer a esse serviço, porque já tinha organizado o seu trabalho para 2011 de forma a não precisar de consultar obras da BNP.

"Vou usar a consulta de microfilmes, que continua acessível, e vou consultar teses, que estão nas universidades." Vários colegas também bolseiros vão fazer o mesmo, diz.

A BNP colocou no seu site (www.bnportugal.pt) informação sobre o tipo de obras e documentos que existem noutras bibliotecas nacionais. Na da Academia das Ciências, a responsável, Leonor Pinto, diz que os serviços estão preparados para receber mais gente. As estantes do imponente Salão Nobre do antigo convento continuam a guardar a biblioteca dos frades que ali viveram. "Temos 30 mil volumes das mais diversas temáticas, uma colecção preciosa de 100 obras impressas antes de 1500, e cerca de mil manuscritos herdados dos frades, a chamada Série Vermelha", diz Leonor Pinto.

Esta biblioteca, considerada a segunda mais importante de Lisboa e a terceira do país a seguir à BNP e à da Universidade de Coimbra, vai receber um reforço de dois funcionários e algum equipamento de reprodução enviado pela BNP para dar resposta ao previsível aumento de utilizadores.

Na Rua das Portas de Santo Antão fica outra das bibliotecas apresentadas como alternativa - a da Sociedade de Geografia de Lisboa. Esta instituição independente e sem apoio estatal tem apenas dois funcionários na sua biblioteca especializada nas antigas colónias, explica o secretário-geral, João Pereira Neto, mas está disposta a alargar o seu horário, não encerrando, por exemplo, à hora do almoço. A Biblioteca Municipal das Galveias (com Depósito Legal desde 1931) também já se preparou para dar resposta a eventuais investigadores, embora o seu carácter seja generalista e não especializado.

Algumas bibliotecas alternativas

- Academia das Ciências
Das 9h às 17h, todos os dias úteis; 5.ª, só até às 12h30
Mais de um milhão de títulos, Depósito Legal entre 1931 e 2003. Cerca de três mil manuscritos portugueses, árabes, espanhóis e hebraicos, colecção de livros dos séculos XIV a XVII. Arquivos pessoais, entre os quais o de Gago Coutinho.

Faculdade de Letras de Lisboa
De 2.ª a 6.ª, das 9h às 20h; sáb., das 9h às 12h30
300 mil monografias, mais de 1600 títulos de publicações periódicas.

Sociedade de Geografia de Lisboa
De 2.ª a 6.ª, das 10h às 13h e das 14h às 17h
200 mil volumes, seis mil manuscritos, cinco mil mapas antigos.

Biblioteca Universitária João Paulo II, Universidade Católica
Dias úteis, das 9h às 21h; sáb., das 9h às 13h
Mais de 200 mil volumes (inclui Centro de Documentação Europeia e fundo com cerca de nove mil volumes, com destaque para a obra de António Vieira e autores portugueses e brasileiros dos séculos XVII e XVIII).

Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
De 2.ª a 6.ª, das 9h30 às 19h
Especializada em História de Arte, Artes Visuais, Design e Arquitectura.

E ainda as bibliotecas da Ajuda, da Faculdade de Direito de Lisboa, da Assembleia da República, da Marinha, da Torre do Tombo e Arquivo Histórico Ultramarino (lista completa no site da BNP).

Cortesia de O Público

Escritores contestam extinção da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas

Numa carta enviada a Gabriela Canavilhas, os escritores afirmam-se estupefactos com “a extinção do único organismo que representava o empenhamento do Estado português, através do Ministério da Cultura, numa das áreas que melhor tem representado o nosso país na sua transformação democrática: a difusão da sua literatura”. Afirmam os escritores que “a reintegração da gestão dos assuntos do livro e da leitura na Biblioteca Nacional de onde em devido tempo foi autonomizada, significa a desvalorização, secundarização e desprezo por todo um sector que está em mudança, que carece de elos de coordenação, confrontação com as práticas globais, protecção das obras literárias portuguesas e lusófonas, articulação com os agentes nacionais e estrangeiros que as difundem”. Assinam a carta Ana Luísa Amaral, Almeida Faria, António Lobo Antunes, Gastão Cruz, Gonçalo M. Tavares, Helder Macedo, Hélia Correia, Inês Pedrosa, Lídia Jorge, Maria Velho da Costa, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Nuno Júdice, Pedro Tamen e Vasco Graça Moura.

Cortesia de O Público

Ode amatória

Meus livros amados,
Como trepadeiras
Sobem, apinhados,
Paredes inteiras.

Alargam seus flancos
Por cômodos, quinas,
E erguem-se em barrancos
Fabricando esquinas.

Lombadas, brochuras
Me olham das estantes,
Marroquins, nervuras,
Discretos, berrantes,

E neles me espiam
Gregos e sumérios,
Almas que extasiam,
Monstros deletérios.

Quinze mil amantes,
Bem embaixo, em cima,
Livro, o agora e o antes,
Palavra sem rima.

Que vida haveria,
Reles, pouca, porca,
Sem tal companhia,
Taça que se emborca.

Fólios, incunábulos,
Línguas e cidades,
Semblantes, vocábulos,
Desastres, vaidades,

Bulas, manuscritos,
Toda a espécie humana
Em grilhões escritos
Numa caravana

Que cruza o deserto
Nosso, soledade,
O longínquo, o perto,
O agora, a saudade,

De mãos dadas, nisto,
Filho, pai e avô,
Juntos Jesus Cristo
E o Doutor Petiot.

Sarabanda estática,
Vertical loucura,
Viagens, numismática,
Budismo, pintura,

E os autores todos,
Vivíssimos, mortos,
Ancestrais rapsodos,
Místicos absortos,

E entre os que pisaram
Nas poentas paragens
Os que em almas aram,
Tipos, personagens,

Todos, todos juntos,
E os florões, e espelhos,
Colofões defuntos,
Frontispícios velhos...

Que teria eu sido
Sem tal ebriedade,
Meu portão fendido
Para a eternidade,

Para o imenso, a viagem
Da alegria humana,
Sem mais dor, voragem
Que nos unge e irmana?

Alexei Bueno

Banco de Livros vai oferecer leitura a crianças desfavorecidas

Comprar um livro e depositá-lo num “livrão”, para depois ser oferecido a crianças desfavorecidas, é o objectivo do Banco de Livros, uma iniciativa que irá decorrer entre segunda-feira e 5 de Dezembro.

“A acção do Banco de Livros é um decalque do Banco Alimentar, mas em que o bem oferecido é um livro”, explicou a directora de Marketing das Livrarias Bertrand, Teresa Figueiredo, referindo-se a uma iniciativa que irá decorrer durante a época pré-natalícia, de forma a garantir que os livros doados são entregues às crianças mais desfavorecidas na época do Natal.

A iniciativa - que conta com o apoio do Banco de Bens Doados e da Fundação Pró-Dignitate -- é inédita em Portugal, mas as expetativas de que seja um sucesso “são elevadas”, sobretudo porque existe a esperança de que não se resuma a uma acção isolada.

“Gostaríamos que se transformasse numa rotina. Mas esta é a primeira vez, por isso vamos ver como decorre”, disse Teresa Figueiredo, sublinhando que não existem estimativas quanto ao número de livros que poderão ser obtidos ou quanto ao número de crianças que serão beneficiadas.

Questionada sobre a possibilidade de a crise constituir um constrangimento aos actos solidários, a responsável pelo Marketing das Livrarias Bertrand garante que a “solidariedade será maior nesta altura”, sobretudo porque as pessoas estão “mais conscientes e sensíveis”.

As Livrarias Bertrand prepararam um conjunto de livros que são recomendados e que “estão a preços muitos acessíveis”, assim como vales de dois euros que poderão ser adquiridos e depois doados.

O Banco de Livros estará “aberto” entre 15 de novembro e 5 de dezembro, em todas as livrarias do grupo, num total de 54 lojas.

Cortesia de O Público

Ó tu, consolador dos malfadados

Ó tu, consolador dos malfadados

Ó tu, consolador dos malfadados,
Ó tu, benigno dom da mão divina,
Das mágoas saborosa medicina,
Tranquilo esquecimento dos cuidados:

Aos olhos meus, de prantear cansados,
Cansados de velar, teu voo inclina;
E vós, sonhos d'amor, trazei-me Alcina,
Dai-me a doce visão de seus agrados:

Filha das trevas, frouxa sonolência,
Dos gostos entre o férvido transporte
Quanto me foi suave a tua ausência!

Ah!, findou para mim tão leda sorte;
Agora é só feliz minha existência
No mudo estado, que arremeda a morte.

Barbosa du Bocage

Poetas querem mais poesia na Internet

A internet atrai cada vez mais escritores e leitores de poesia, mas a poesia vista na rede ainda mantém os moldes tradicionais de verso e estrofe. Esse foi o tom do segundo Simpósio de Crítica de Poesia, organizado pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, que atraiu jornalistas, professores, pesquisadores e poetas. Eles discutiram as inúmeras possibilidades de fazer poesia diante das tecnologias de mídia do século XXI. O simpósio fez parte da Semana Universitária e contou com a presença dos poetas Nicolas Behr e Luís Turiba.

O gaúcho Fabrício Carpinejar também despejou sua poesia sobre a plateia e explicou de onde vem a inspiração que alimenta livros impressos e textos quase diários na rede mundial de computadores. “O objetivo é pensar o contemporâneo pela via da representação poética”, afirma a coordenadora do simpósio e professora do TEL Sylvia Cyntrão.

Para o professor da Faculdade Comunicação da UnB, Sérgio de Sá, a modernidade traz liberdade no estilo e na forma de se fazer poesia. “O hibridismo é uma marca da contemporaneidade”, diz. “Mas a poesia ainda vem sendo feita nos moldes tradicionais: verso e estrofe”, explica.

O professor defende a internet como o instrumento que mais favorece a poesia na atualidade. “A poesia contemporânea está vivíssima”, afirma, “Resta ao público descobri-la”. Para ele, é preciso que os autores da atualidade criem mecanismos criativos para se inserirem nos meios de comunicação que atraem maior público, como a televisão e a internet. “Não entrar em contato com a mídia parece-me uma forma saudável de suicídio”, completa.

Já Nicolas Behr, integrante da geração mimeógrafo, que nos anos 1970 lutou contra a censura da ditadura militar, acredita que a poesia subversiva acabou incorporada à tradição. “Somos clássicos, e agora?”, perguntou à plateia. “Nós fomos contestadores, e quem vai nos contestar? Se não vier a contestação, vai ser grave”, disse. Para o poeta, uma solução para esse estado atual da poesia marginal é reinventar a própria produção literária. “A saída é romper consigo”, diz.

Um dos poetas mais esperados no simpósio, o gaúcho Fabrício Carpinejar, falou com a plateia vestindo um enorme par de óculos de lentes vermelhas. E garantiu que a feiúra foi o trampolim do sucesso de sua poesia. Cronista, jornalista e professor da Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), aos 37 anos já conquistou reconhecimento nacional e tem mais de 15 livros publicados. Em 2009, ganhou o prêmio Jabuti com o livro de crônicas Canalha!.

Além das publicações, ele alimenta um blog de crônicas e uma página no Twitter. No microblog, em que tem mais de 70 mil seguidores, escreve aforismos com até 140 caracteres. As frases curtas renderam um livro em 2009. Ao falar sobre a interação entre poesia e Academia, ele disse que “a poesia consegue fazer a paz na Faixa de Gaza”. Leia aqui entrevista do poeta à UnB Agência.

No primeiro dia do simpósio, o músico e produtor teatral Oswaldo Montenegro recebeu uma homenagem em reconhecimento à contribuição de seu trabalho para a cultura brasiliense. O prêmio foi entregue pelo vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, em cerimônia realizada no Auditório do Museu da República. “Ele tem um papel muito importante na cidade”, disse o vice-reitor. “É uma referência porque produziu muita cultura e, para muitas obras, a inspiração saiu de Brasília”.

O Grupo de Estudos de Poesia Contemporânea Vivoverso, montou o espetáculo Brasílias de Luz, a partir de poemas sobre a capital do país para presentear o artista. “Escolhemos o Oswaldo Montenegro porque ele é uma síntese da poesia de Brasília”, explicou Sylvia.

UnB Agência

CITAÇÃO - Federico Garcia Lorca

A poesia é a união de duas palavras que nunca se supôs que se pudessem juntar e que formam uma espécie de mistério.

Prémios Literários e a XII edição do Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica

Cerca de 150 obras e 12 trabalhos concorrem aos Prémios Literários Casino da Póvoa e Fundação Dr. Luís Rainha, respectivamente, que serão atribuídos no decorrer da XII edição do Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, entre 23 e 26 de Fevereiro de 2011.

Até 30 de Novembro, decorre o prazo para envio de trabalhos para o Prémio Literário Correntes d’Escritas/ Papelaria Locus e, até 15 de Dezembro, para o Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’ Escritas/ Porto Editora.

As obras concorrentes ao Prémio Literário Casino da Póvoa serão agora analisadas pelo júri, constituído por Almeida Faria, escritor, Carlos Vaz Marques, jornalista, Fernando Pinto do Amaral, escritor, poeta e professor universitário, Patrícia Reis, escritora e directora da Revista Egoísta, e valter hugo mãe, escritor, que em breve indicará a lista dos finalistas. Recorde-se que este Prémio tem um valor de 20 mil euros e, na XII edição do Correntes d’Escritas, distingue poesia. Concorrem autores de língua portuguesa, castelhana e hispânica, com obras em português, editadas em Portugal (1ª Edição) entre Julho de 2008 e Junho de 2010. Excluem-se as Obras Póstumas, Obras Completas e Compilações e Obras de Literatura Infanto-Juvenil. Também não são admitidas a concurso obras de autores que tenham sido galardoados com o Prémio Literário Casino da Póvoa nos últimos seis anos.

Relativamente ao Prémio Fundação Dr. Luís Raínha, os trabalhos recebidos foram já enviados aos membros do júri, constituído por Conceição Nogueira, professora e directora do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, José Carlos de Vasconcelos, escritor, jornalista e director do Jornal de Letras e pelo Padre João Marques, professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que irão nomear o vencedor. Este galardão distingue, anualmente, um livro inédito (romance, contos, ensaio ou poesia) cujo autor seja poveiro ou residente no município há mais de cinco anos ou, não o sendo, concorra com trabalhos dedicados à Póvoa de Varzim. Os participantes habilitam-se ao prémio de mil euros e ainda a verem a sua obra editada pela Fundação.

Para além destes prémios, foram instituídos para o público mais jovem os Prémios Literário Correntes d’Escritas/ Papelaria Locus e Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas/ Porto Editora, cujo prazo para entrega de trabalhos termina a 30 de Novembro e 15 de Dezembro, respectivamente.

O Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus é destinado a jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, naturais de países de expressão portuguesa e distinguirá, na edição de 2011, poesia. Os concorrentes podem entregar, no máximo, dois trabalhos apresentados por escrito e sob pseudónimo. O valor do prémio é mil euros, sendo que o poema premiado será publicado na próxima edição da Revista Correntes d’Escritas. Os interessados em concorrer a este prémio juvenil têm ainda que ter em atenção que deverão enviar três exemplares dactilografados de cada texto.

O Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’ Escritas/Porto Editora destina-se a galardoar, anualmente, um Conto Ilustrado inédito, em língua portuguesa, realizado por alunos – conto e ilustração – que frequentem o 4º. ano de escolaridade do 1º. Ciclo do Ensino Básico. O Prémio visa estimular a criação literária especialmente o desenvolvimento da comunicação escrita e destina-se a trabalhos colectivos (realizados por todos os alunos de uma turma) com um mínimo de três e um máximo de cinco páginas. Cada Escola poderá concorrer com o máximo de dois trabalhos por turma do 4º. ano de escolaridade.

O anúncio dos premiados será feito durante a sessão de abertura da XII Edição de Correntes d’ Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, e a entrega dos prémios aos galardoados ocorrerá na sessão de Encerramento – Cerimónia Pública – do Correntes d’ Escritas.

No portal municipal, está disponível toda a informação relativa aos Prémios Literários, nomeadamente Regulamentos e Listas de livros e trabalhos a concurso.

Cortesia de RTP

a poesia, meu amor, sou eu

a poesia, meu amor, sou eu
sou eu que choro, que rio, que espanto
a poesia, meu amor, verteu
verteu em manhãs claras, tardes quentes, noites cantadas
verteu, meu amor, de mim
nos dias das noites, em noites de sono e de fim
em sorrisos e verdade, em lágrimas de vontades. assim:
poesia, meu amor, sou eu
que vivo para viver entre a menina e a mulher
(porque será que deus, se é justo, não quer?)
poesia, meu amor, sou eu
entre a sombra e o sol, a chuva e o secão
entre as montanhas no vale e dois planos no alto
entre, meu amor, a paz e o sobressalto.
poesia, meu amor, sou eu
que vivo para fazer viver o dia
que escrevo porque acredito em magia.
poesia, meu amor, sou eu
que adormeço com flores no peito e faço colares ao sono do leito.
poesia, meu amor, sou eu, sem prémios e sem louvores
poesia, meu amor, sou eu
um espirro em verso, uma ópera de horrores.

Olinda de Freitas

Fiama, a poeta que gostava de andar por aí

Durante dois dias recordou-se a escritora Fiama Hasse Pais Brandão num colóquio na Casa Fernando Pessoa. Académicos e amigos fizeram o retrato da sua obra e partilharam momentos da sua vida.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007) está a ler poesia e tem sentado a seu lado o poeta Eugénio de Andrade (1923-2005). Este encontro, que aconteceu há muitos anos no Porto, foi filmado e exibido no colóquio dedicado à escritora que, durante sexta e sábado, decorreu na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Académicos portugueses e brasileiros especialistas na sua obra, amigos e poetas recordaram a sua personalidade.

No vídeo, Eugénio de Andrade começa a fazer perguntas à poeta que gostava de "andar por aí". Quer saber como é que a poesia lhe apareceu. Fiama Hasse Pais Brandão, com o seu ar sereno, óculos quase na ponta do nariz e o cabelo com franja, está a contar-lhe que reunia a família com bilhetes pagos. Ela e a avó "poetavam" as duas em conjunto.

Diz a Eugénio de Andrade que o primeiro poeta que leu foi Sophia, o livro Coral. O poeta estranha: "Coral?! Ou primeiro algum livro infantil?" "Não", continua Fiama, "os livros infantis foram os de Aquilino Ribeiro, O Romance da Raposa, que eu não entendia mas ficava admirada com as palavras. Adorava aquelas palavras que não entendia."

O Coral (terceiro livro de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, ed. Caminho) apareceu-lhe quando Fiama tinha 14 ou 15 anos, também oferecido por essa avó. "Foi uma maravilha, foi uma sorte", diz ela nesse encontro gravado em vídeo. "Curiosamente um livro que Sophia destruiu", acrescenta à conversa Eugénio de Andrade. E conta que um amigo muito dedicado o apanhou, reconstituiu e colou pedacinho a pedacinho. Enviou-o a Sophia, que reconsiderou. "Assim se salvou o livro", afirma Eugénio de Andrade, que sabia que Coral era o nome do gato de Sophia. Lembra o poema -"Ia e vinha/ E a cada coisa perguntava/ Que nome tinha" -, exactamente como fazem os gatos, diz, e conta que numa ocasião defendeu essa teoria e Sophia não gostou nada. "Parecia-lhe que o poema assim ficava diminuído. Não sei porquê", conta o poeta a rir-se.

É mais tarde, já no antigo sétimo ano do liceu, que Fiama Pais Brandão descobre a obra de José Régio e se interessa pelo teatro, chegando a fundar o grupo Teatro Hoje, em 1974, com o poeta Gastão Cruz, que foi casado com ela. Esta avó, de que Fiama falava a Eugénio, foi lembrada por diversas vezes nas sessões na Casa Pessoa.

Ao som de Camões

A tia Carolina, irmã do pai de Fiama, esteve os dois dias do colóquio muito atenta na segunda fila da plateia. Conta que a sua mãe, Emília, cultivou a imaginação de Fiama. Numa altura em que viviam na mesma casa, em Coimbra, levantavam-se e vestiam-se todos os dias ao som das poesias de Camões e outras que essa avó de Fiama declamava. "Foi uma preceptora. Já sabem onde vão procurar todo o rigor e toda a cultura que a Fiama levou antes de entrar na universidade. Não estou a diminuí-la, estou só a procurar dar uma solução ao vosso espanto", defende tia Carolina perante os académicos que se encontravam na sala. Gastão Cruz, que foi um dos organizadores deste colóquio, lembrou que a relação de Fiama com os pais nem sempre era a melhor, ela tinha um "espírito indomável" perante um pai superprotector, e a avó, de que falava a tia Carolina, "era de uma grande cultura e sensibilidade" e foi muito importante na sua formação. A poeta Maria Teresa Horta, que, com Fiama Pais Brandão e Luíza Neto Jorge, foi uma das três mulheres publicadas na revista Poesia 61, que integrava também Casimiro de Brito e Gastão Cruz, recordou os tempos em que as três mulheres se conheceram. A co-autora das Novas Cartas Portuguesas juntava os amigos em sua casa (os cineastas João César Monteiro e Seixas Santos viviam no mesmo prédio) naquilo a que chamam agora "sarau literário" e de onde nasceu a ideia de fazerem essa tal revista de poesia. Teresa conheceu Fiama por causa de António Ramos Rosa e é a ele que se deve o encontro desses poetas da mesma geração, que acabaram por criar um movimento.

Tal como aconteceu a Gastão Cruz, o poeta Nuno Júdice também conheceu Fiama na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ela era uma "figura mítica". Mas só depois do 25 de Abril, quando morava no Saldanha e era vizinho de Carlos de Oliveira, é que passou a vê-la mais frequentemente. "Dia sim dia não, depois do almoço eu ia ter com Carlos de Oliveira e por essa mesa de café passou quase toda a literatura portuguesa da segunda metade do século XX: Herberto Hélder, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Mário Castrim, Augusto Abelaira, diga-se um nome e ele passou por lá", afirma.Tudo serve a poesia

Fiama começou a aparecer regularmente nessa tertúlia. Era uma pessoa fascinante pela maneira como falava da poesia, dos livros e da literatura, e também pela selecção que fazia desses livros. "Quando ela falava de um livro, era uma maneira de eu encontrar pistas de leitura", continua a contar Júdice. Das sessões de leitura que teve com ela em festivais de poesia, em Portugal e no estrangeiro, Nuno Júdice lembra-se de uma viagem que fizeram à Roménia. Conta que a importância que ela dava à palavra, quando lia os seus poemas, tocava as pessoas mesmo quando ouviam um poema numa língua que não conheciam. "O que ela dizia até prescindia do sentido, a voz dela, de certo modo, era já a expressão de qualquer coisa a que se podia dar o nome de poesia", afirma.

Nessa viagem foram um dia ao delta do Danúbio. No regresso a Constança, na Roménia, estava marcada uma visita a umas ruínas românicas. Quando lá chegaram era praticamente noite cerrada e os guias insistiram que se cumprisse o programa. Alguns dos poetas ficaram na camioneta, mas Fiama quis ir, mesmo sem se ver absolutamente nada, ouvir a explicação do guia. "Quando volta à camioneta, ela, que também tinha humor, disse: "Estive numa peça do Ionescu."" Isto confirma que Fiama tinha uma enorme curiosidade por tudo porque tudo lhe podia servir, de certo modo, para a poesia.

Houve um tempo em que Nuno Júdice andava muito interessado em doutrinas herméticas e se enfiou na Biblioteca da Ajuda à procura de textos dos séculos XVI e XVII. "No meio disso encontrei um manuscrito, e não estou a inventar, com um poema atribuído ao Camões. Copiei-o, não dei grande importância àquilo, mas quando Fiama publicou O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (1985) mostrei-lhe o poema em que se comparava o sangue de Cristo ao leito da virgem. A Fiama leu-o e disse: "Mas isto é Camões, vai ao encontro da minha tese do Camões hermético"", conta o escritor para quem a poesia de Fiama, à primeira vista, parece que está nas nuvens mas para quem a amiga era uma pessoa extremamente atenta ao real. "Quando ela fala da natureza, das plantas, ela conhecia o que falava", diz. E isso fá-lo recordar outro episódio. Um dia, Nuno Júdice estava num colóquio com Eugénio de Andrade e havia flores pousadas na mesa. Eugénio olhava para as flores e perguntava intrigado: "Como é que estas flores se chamam?" No final da conferência, disseram-lhe o nome das flores e Eugénio respondeu: "Ah, mas eu passo a vida nos meus poemas a falar destas flores!" Isto nunca aconteceria com Fiama, ela própria era jardineira e cultivava flores no seu jardim.

Sempre desarmante

Quem conheceu mais tarde, nos anos 80, a autora de Barcas Novas foi o poeta Fernando Pinto de Amaral. Na Casa Fernando Pessoa lembrou a tradutora que Fiama também foi e que ficava transtornada ao ver certas traduções demasiado literais, que tinham resultados muito pobres, "muito rasteiros em português". Fernando costumava dar-lhe boleia de carro para os seminários de tradução de poesia que se realizavam na Casa de Mateus, em Vila Real. "A conversa dela ao longo da viagem era realmente fascinante. Para lá das referências todas que tinha, a sua conversa não era intelectualizada no mau sentido. Era desarmante em certas coisas e muito engraçada. Tinha um fino sentido de humor. Provavelmente quem não a conheceu poderá, eventualmente, lendo a poesia dela, ficar com essa dúvida. Mas tinha-o de facto."Um dia estavam os dois a regressar da Casa de Mateus e a entrar na auto-estrada. Antes da máquina para se retirar o bilhete, apareceu o aviso onde se lia: "Retire o título." A primeira coisa que Fiama lhe disse foi. "Olhe, se passar aqui o conde, já não é conde. Têm que lhe tirar o título, é uma auto-estrada democrática." Tinha comentários destes a propósito de tudo e de nada, conta Pinto do Amaral, o que contrastava com o tom de voz dela e a sua figura física.

Quem quiser conhecer melhor Fiama Hasse Pais Brandão tem agora mais uma oportunidade. Durante o colóquio foi lançada a antologia poética Âmago, coordenada por Gastão Cruz, com as colaborações de Carlos Mendes de Sousa, Jorge Fernandes da Silveira, Maria de Lourdes Ferraz e Rosa Maria Martelo, e que tem por missão ser mais manuseável que a anterior, Obra Breve, de 1991, também editada na Assírio & Alvim.

Cortesia de O Público

BIO - Eugenio Montale

Eugenio Montale, nascido em 1896, é um dos poucos óbvios "verdadeiros mestres" do último século da literatura italiana. Nascido em Génova, numa família de empresários, interrompeu os seus estudos secundários e iniciou, privadamente, o estudo de canto com o barítono Ernesto Sivori. Mas a guerra de 1915-18 (na qual ele serviu como oficial de infantaria), a morte de Sivori e a sua decisão de ir para uma carreira literária, afastou Montale longe desse percurso, no qual ele havia demonstrado um extraordinário interesse no melodrama, mesmo nos seus aspectos técnicos. Quando começou a dedicar-se à poesia, já estava na posse de uma rica e versátil cultura e um gosto por Bellini e música de Debussy,pintura impressionista e da arte dos grandes romancistas da Europa do século dezanove, ao mesmo tempo, compartilhando os interesses de poetas Ligúrianos Roccatagliata-Cecardi, Boine e Sbarbaro. Foi só depois da guerra que o poeta dedicou-se integralmente às actividades criativas eliterárias. Em 1921, contribuiu para "Primo Tempo", com Solmi e Debenedetti, revelando, além dos seus dotes poéticos, um talento raro para a crítica através de sua acuidade e independência dos padrões convencionais. O seu Omaggio um Svevo, publicado em 1925 no jornal milanês "L'esame", despertou muita atenção, determinando, entre outras coisas, a fortuna de as obras do escritor de Trieste.

Montale estabeleceu-se em Florença no ano de 1928, onde se tornou diretor do
Gabinetto Biblioteca Vieusseux. Ele foi um dos inspiradores do primeiro
"Solaria", sendo sempre um dos mais activos e politicamente não-conformista intelectuais florentinos, até que, em 1938, recusando-se a aderir ao partido então no poder, foi demitido do Gabinetto Vieusseux pela direcção superior.

Em 1925, publica a sua primeira colectânea de poemas, Ossi di seppia,que rapidamente se tornou num dos "clássicos" da poesia contemporânea em língua italiana, em seus versos, o sentimento aparece misturado por um grave rigor intelectual, evocado com plenitude íntima e ardente nas vistas impressionantes da paisagem mediterrânica. Alguns críticos viram acertadamente Ossi di seppia uma continuidade singular introspectiva, como o moderno tubarão romance, ligado à história do protagonista, encontrando a sua forma mais desenvolvida forma no poema "Arsénio".

Quando Le occasioni (1939) foi publicado, trouxe uma coerente confirmação desta linha interna de desenvolvimento que, tendo um novo cunho clássico-moderno, identificou-se com a grande poesia metafísica contemporânea. Em Le occasioni, poesia e cultura italianas foram, a partir de então, o reconhecimento de um livro que reflecte a solidão e a agonia sobre a condição humana de quem lucidamente fez opressão fascista criando uma música de estoicismo nobre.

A biografia de Montale é uma crónica de poesia. A Segunda Guerra Mundial viu
a publicação, em 1943, de Finisterra, uma colecção que, publicada em Lugano em duas sucessivas edições de tiragens modestas, constituiu uma das pedras angulares da bufera volume e La altro, uma consistente manutenção de toda a sua obra, impressa em 1956. La farfalla di Dinard - que a partir de noventa e seis páginas da edição de 1956 foi ampliada, de uma edição para outra, nas 273 páginas da edição de 1960 - apresentou Montale como sendo o escritor original da biografia e prosa imaginativa,
quase um narrador, com flashes de humor malicioso, mas com um elegíaco espírito.

Em 1961, Montale recebeu um diploma honorário da Universidade de Roma e pouco depois, nas universidades de Milão, Cambridge e Basileia. Em 1967, o presidente Saragat nomeou-o senador vitalício, em reconhecimento das suas realizações de destaque na literatura e áreas artísticas. Este evento revelou-lhe, em certo sentido, a obrigação de ir todos os dias à redação do "Corriere della Sera",
onde ele tinha estado a trabalhar como editor de música, crítico e especial
correspondente desde 1948. As seguintes obras, em prosa, assim como em poesia,
confirmaram a vitalidade de um escritor que, fiel aos temas fundamentais do
início da sua carreira (o Universo marcado pelo fracasso inevitável e a dor como
um estigma existencial), conseguiu reunir experiências e importantes momentos das transformações espirituais do nosso tempo. Auto da Fé (1966 e 1972), Fuori di casa (1969 e 1975) e Quaderno di tradazioni (1948 e 1975) são livros que dão uma ideia da vastidão dos seus interesses e da versatilidade do seu talento, mais tarde confirmado por La bufera e altro (1970).

Em 1971, a Mondadori publicou a sua quarta colecção de poesia, Satura, que logo se tornou um bestseller. O livro, exibindo a habitual linguística de ambiguidade típica de Montale, alude a uma poesia que perturba a sua própria e os padrões dos outros, incluindo, de forma paradoxal, muito mais do que é comum (até mesmo para Montale) para incluir na estilística e linguística modelos de poesia: solicitações de meditação, temas existenciais do homem ainda, de alguma forma cristã e ocidental, a sabedoria, mas nada de senil, humor subtil e provocante em face de um mundo que muda e prossegue ao longo de seu percurso trágico e misterioso.

A grande poesia de Montale, na verdade, nasce da busca pelas presenças que revelam e libertar o mundo oculto, como espectros e amuletos. Não é insuscetível às lições de estilo de Pascoli e Gozzano, nem para os contemporâneos que escrevem em Inglês, Montale tem, por sua vez influenciaram jovens poetas italianos, mesmo pós-Ermetismo
poetas e experimentadores.

Depois de um volume de artigos culturais, La farfalla di Dinard, publicou em 1973, ainda com Mondadori, Diario 1971-1972, que contém a mais recente poesia lírica, que nasceu de uma reflexão moral não muito diferente do que trouxe à luz do dia nos poemas de Satura.

Atento aos efeitos da história, a poesia Montale destaca-se como agradável para os espíritos que estão cientes das consequências (das quais, a partir de muitos aspectos, ainda não tenhamos visto o fim) da tragédia segundo mundo, que o escritor viu como reflexos temporários de um mal sem origem e sem fim, de acordo com uma parábola que faz dele pertencer à parte mais consciente do intelecto europeu.

Vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1975, Eugenio Montale faleceu aos 84 anos na cidade de Milão, Itália, a 12 de Setembro de 1981.

Rio de Janeiro: Poesia é o tema de campanha de incentivo à leitura

A poesia é o tema da 18ª edição da campanha Paixão de Ler, considerada o maior evento de incentivo à leitura do Rio de Janeiro, Brasil. De 05 a 12 de novembro, a campanha, que é uma iniciativa da Coordenação de Livro e Leitura da Secretaria Municipal de Cultura, terá música, teatro, bate-papos literários e narração de histórias. O homenageado será o poeta Ferreira Gullar, que estará na abertura do evento em bate-papo com o escritor Antonio Carlos Secchin, no auditório da Biblioteca Nacional.

O maior evento de incentivo à leitura da cidade, que nesta edição apresentará ao todo mais de 100 manifestações artísticas para um público estimado em 25 mil pessoas, que terá uma programação muito especial no segmento literário com atrações por toda a cidade, como praças, parques, orla marítima, centros culturais, bibliotecas e escolas públicas. Serão espetáculos de recitação e interpretação de poemas, saraus poéticos, bate-papos literários, narrações de histórias, troca-troca de livros, intervenções poéticas, apresentações com artistas renomados. Toda a programação é gratuita.

O grande destaque do evento será no dia 6, quando haverá um dia inteiro dedicado à poesia e à música, que acontecerá no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, com atividades que agradarão todos os gostos e idades. Com shows poéticos de George Israel, Arnaldo Brandão e muitos outros. Para completar, o dia termina com um espetáculo poético com Maria Bethânia, que fará leitura de poemas de escritores de todas as gerações: Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Caetano Veloso, entre muitos outros.

No domingo, as atividades irão ocorrer em espaços abertos, como praças e parques, como a Quinta da Boa Vista, Jardim do Méier, Aterro do Flamengo, Parque dos Patins, Lagoa Rodrigo de Freitas e na orla marítima, do Leme ao Arpoador. Em cada ponto da praia, haverá uma sessão de leitura de poemas com música, percussão, performance e distribuição de livros ao público.

Para completar, haverá também intervenções poéticas no Metrô Rio nas estações da Pavuna até Siqueira Campos.

Cortesia de O Dia Online

Hinos à Noite de Novalis lidos em caminha nocturna em Sintra

A Associação Cultural Alagamares promove dia 5 de Novembro de 2010 pelas 21h30m uma caminhada nocturna na serra de Sintra subordinada ao tema «Poetas da Noite».

Tempo de duração: aproximadamente 2,5 horas (excluído as pausas temáticas)

Aconselhável uso de calçado confortável (ténis ou bota de caminhada), agasalho e frontal ou pequena lanterna.

Partindo de S. Pedro de Penaferrim (Largo da Feira),ponto de encontro a partir das 21h15m, as envolventes dos palácios da Pena e Castelo dos Mouros e Santa Eufémia serão percorridos. O poeta Filipe de Fiúza lerá textos alusivos à noite durante as paragens, essencialmente da obra de Novalis, e outros.

Inscrições para o 964135135 ou info@alagamares.net

Excerto da Obra

I.

De entre os seres vivos que têm o dom da sensibilidade haverá algum que não ame, mais do que todas as aparições feéricas do extenso espaço que o rodeia, a luz, em que tudo rejubila as suas cores, os seus raios, as suas vagas; e a suave omnipresença do seu dia que desponta? Como se fora a alma mais íntima da vida, respira-o o gigantesco orbe dos astros sem repouso, que flutua dançando no seu fluxo azul - respira-a a pedra faiscante, em sempiterna paz, as plantas sugadoras e meditativas, e os animais selvagens e ardentes, de tão várias figuras - todavia, mais do que todos, respira-a o excelso Estrangeiro, de olhar pensativo, passos incertos, lábios docemente apertados e repletos de harmonias. Como um rei da terrestre Natureza, ela convoca todas as potências para inúmeras transformações, prende e desprende perenes vínculos e envolve todos os seres terrenos na sua celeste imagem. Somente pela sua presença desvela toda a maravilha dos impérios do mundo.


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