Biblioteca Nacional adquire Espólio de José Gomes Ferreira
Texto decifrável mais antigo da Europa
Descobertas cartas inéditas do poeta Walt Whitman
De acordo com o comunicado da instituição, os documentos foram escritos maioritariamente durante o tempo em que Whitman trabalhou como funcionário do governo federal, entre 1865 e 1874. Para o investigador que esteve envolvido nesta descoberta, Kenneth Price, também co-director do arquivo de Whitman, estes documentos dão uma nova visão sobre a obra do poeta, clarificando algumas ideias que Withman transmitia sobre o pós-guerra e o estado da nação.
Os documentos tratam os mais vastos assuntos, desde os crimes de guerra, às ameaças de traição, passando pelo crescimento dos Ku Klux Clan e acabando nas armas usadas durante a guerra civil. Assuntos que terão tido influencia na escrita das suas obras, principalmente na livro “Democratic Vistas”, publicado em 1871, onde Whitman escreve sobre a democracia, criticando os Estados Unidos.
Segundo Kenneth Price, a partir de agora nenhum biógrafo que queira escrever sobre Walt Whitman poderá fazê-lo “sem consultar estes documentos e questionar-se qual foi o efeito deste material na maneira de ele pensar e ver o mundo”.
“Esta foi uma época de grandes esperanças, mas também de grandes problemas e Whitman estava no meio disto”, escreveu o investigador no comunicado, explicando a ligação do poeta ao governo da altura. “Foi quando o poeta foi para Washington, que começou a procurar formas de ganhar dinheiro e aí acabou por ser contratado pelo governo”.
Os documentos dão ainda a entender que Whitman, que morreu aos 72 anos em 1892, terá trabalho como escrivão, uma vez que alguns dos documentos, apesar de estarem escritos com a letra do poeta, estão assinados por outras pessoas.
Os documentos vão estar expostos nos Arquivos Nacionais, em Washington, entre 18 de Abril e 1 de Maio.
Cortesia de O Público
Sebastião da Gama «O poeta beija-tudo»
Montagem Video_Sebastião da Gama por vitor_martinho
Sophia de Mello Breyner Andresen - Uma Vida de Poeta
Tivemos o gosto de comissariar, a convite de Maria Sousa Tavares e da Biblioteca Nacional de Portugal, a exposição apresentada por ocasião da entrega do espólio de Sophia ao Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea.Seleccionámos as peças que a compõem, a partir de uma pré-selecção feita por Maria Sousa Tavares. Trata-se de manuscritos de correspondência entre Sophia e família ou amigos, de poesia e de prosa, em cadernos e em folhas soltas, onde há textos rescritos, versões acabadas e outras de trabalho em curso ou simplesmente começadas; há também impressos, vários dos quais com emendas autógrafas, e fotografias.
Além destes documentos, indicativos da diversidade e da qualidade do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen, a exposição contém outros conjuntos de objectos que os complementam. Por um lado, primeiras edições e uma escolha de edições ilustradas. Por outro, peças de artistas plásticos e de fotógrafos oferecidas a Sophia pelos seus autores e que em muitos casos ilustraram edições de livros seus. E, finalmente, insígnias recebidas por Sophia em sinal do reconhecimento público que por diversas vezes lhe foi testemunhado e que fica a fazer parte da sua história.
O princípio geral de ordenação das peças expostas e do catálogo que lhes corresponde é o da cronologia; mas este critério dominante não foi aplicado de maneira rígida, porque entendemos fazer associações sugeridas por considerações de outra ordem entre peças e documentos diversos: por exemplo, aproximámos versões de um mesmo texto escritas em diversos suportes e em momentos distantes entre si, ou estabelecemos nexos entre fotografias e escritos.
Esta exposição, tal como o catálogo que agora se edita, pretenderam ser uma aproximação à vida e à obra de Sophia, construída a partir do seu espólio. Esperamos ter, de algum modo, atingido esse objectivo.
EXPOSIÇÃO | 26 Janeiro - 30 Abril | Entrada livre
Paula Morão e Teresa Amado
Cortesia de BN
Edgar Carneiro: Amor pela Poesia

Alice Gomes: poesia e prosa de uma vida
Escritora, pedagoga, conferencista, dramaturga, Alice Gomes foi uma mulher de acção, que deixou publicados vários contos, poesias, traduções, ensaios e outros tantos por publicar. De toda a sua experiência de convívio e estudo da criança resulta uma obra diversificada onde a formação de pedagoga se associa à imaginação e ao humor. É com subtileza que procura incutir princípios que dignificam o futuro das crianças e é também com alegria que os procura atrair para a leitura, de modo a que não percam o gosto e a necessidade de ler.Em estilo dialogante e comunicativo conta histórias do real retocado pelo maravilhoso ou pelo sonho em o Vidrinho de Cheiro e Contos Risonhos, para logo em os Ratos e o Trovador enveredar pelo teatralização da lenda do flautista de Hamlim. A Lenda das Amendoeiras e Nau Catrineta são duas outras peças teatrais de Alice Gomes. Poesia Para a infância (1955) é uma antologia de poesia portuguesa e brasileira. Outras das suas obras dedicadas à poesia são Poesia de infância (1966) e Bichinho poeta (1970), livro de poemas que ocupa um lugar destacado na obra desta escritora que foi elemento proeminente de várias actividades ligadas à criança. As reflexões que deixou expressas em Aprender sorrindo e Literatura para a Infância, 1979, demonstram a sua contínua actividade de escritora e divulgadora de literatura infantil.
Esta mostra pretende homenagear Alice Gomes, a escritora nascida na Granjinha, Tabuaço, em 1910 e falecida em Lisboa, em 1983, e que não se considerava... escritora, conforme escreve na introdução de Pensamento da Poesia e Prosa da Vida (1989) “(…) gostaria de avisar que não sou escritora, mas apenas representa a fuga do meu espírito em dias de solidão…”.
A fotografia é da autoria do artista surrealista Fernando Lemos, datando do início da década de 50 do século XX, tendo sido publicada na obra Retratos de Quem? Anos 50 (São Paulo, Instituto Camões, 2000).
MOSTRA | 11 Janeiro - 7 Março | Sala de Referência | Entrada Livre
Cortesia de BN
O livro inédito de Rachel de Queiroz
“Mandacaru”, livro de poemas inéditos, foi encontrado no espólio de Rachel de Queiroz. No ano do centenário do nascimento da escritora brasileira, o Instituto Moreira Salles lança a edição fac-similada deste manuscrito, escrito aos 17 anos.Mesmo antes de começar a ser feita a purga dos papéis do Fundo Rachel de Queiroz, que pertence aos arquivos literários do Instituto Moreira Salles (IMS), Brasil, Elvia Bezerra, coordenadora de Literatura deste instituto, e o consultor literário, poeta e professor universitário Eucanaã Ferraz começaram a abrir as caixas com o espólio da escritora brasileira e a “pinçar textos”.
Descobriram então -entre os cinco mil livros e documentos -uma colectânea de poemas manuscritos intitulada “Mandacaru”. São dez poemas de juventude da primeira mulher a entrar para Academia Brasileira de Letras, em 1977, e também a primeira a receber, em 1993, o Prémio Camões.
Nessa obra inédita, Rachel de Queiroz (que nasceu a 17 de Novembro de 1910, em Fortaleza, no Ceará, e morreu no dia 4 de Novembro de 2003, no Rio) já abordava temas e personagens (algumas da mitologia cearense) que apareceram posteriormente nos seus romances, crónicas e peças de teatro: a seca, o êxodo, a fome, o sol escaldante, e também “a cabocla que faz renda no alpendre sentada no chão”, o Lampião, líder de cangaço, “que cabra valente que ele é”, ou D. Bárbara de Alencar, que lutou ao lado dos filhos na Confederação do Equador, em 1824.
Na sequência dessa descoberta, “Mandacaru” foi publicado pelo IMS em Novembro, numa edição fac-similada que reproduz os manuscritos e tem organização de Elvia Bezerra, para comemorar os 100 anos do nascimento da autora de “Memorial de Maria Moura”. Ao lado de outras iniciativas, como a exposição “Rachel de Queiroz Centenária”, que pode ser vista na sede do Instituto, no Rio, até 16 de Janeiro. Ali se mostram alguns dos originais que pertencem ao acervo da escritora: fotografias, projectos de capas, programas de peças de teatro, caricaturas, manuscritos e objectos nunca antes expostos, como as ilustrações originais que abriam cada capítulo do romance “O Galo de Ouro”, datadas de 1951.
Uma garota assim…
Os poemas de “Mandacaru” foram escritos em 1928, quando a autora tinha 17 anos, dois anos antes da publicação de “O Quinze”, o romance de estreia (em Portugal foi editado pela Difel) que levou o escritor Graciliano Ramos a achar que Rachel de Queiroz devia ser um pseudónimo de “sujeito barbado”: “‘Uma garota assim fazer romance!’, duvidou, e concluiu por conta própria: ‘É homem.’”, como explica Elvia Bezerra na apresentação que faz da obra no “site” do IMS.
Mário de Andrade, na crítica a “O Quinze” (1930), que retratava a seca que devastou o Nordeste em 1915, dizia mal do prefácio onde estranhava a versalhada. “Prefácio e verso são literatice mas da gorda. (…) O que surpreende mais é justamente isso: tanta literatice inicial se soverter de repente, e a moça vir saindo com um livro humano, uma seca de verdade, sem exagero, sem sonoridade, uma seca seca, pura, detestável, medonha (…)”, escrevia o autor de “Macunaíma”. Nesse prefácio, Rachel de Queiroz citava alguns dos versos de “Mandacaru” e tentava aproximar-se dos modernistas: “Mandacaru é um dos balbucios com que nós, os do Nordeste, tentamos colaborar na grande harmonia nacional que vocês executam”.
No texto introdutório que abre esta edição, “Nata e Flor do Nosso Povo”, a organizadora afirma: “Mais de uma vez, Rachel de Queiroz mostrou desprezo pela preservação de seus originais ou de inéditos. Não fosse a dedicação da amiga Alba Frota, que inspirou a personagem Maria José no romance ‘As Três Marias’, seria bem minguado o arquivo da escritora”. Foi a Alba que a escritora doou, em 1928, os originais manuscritos de “Mandacaru”.
A amiga de Rachel de Queiroz era chefe do Serviço de Documentação da Universidade Federal do Ceará e queria escrever uma biobibliografia comentada da escritora, por isso guardou a produção literária da amiga durante anos. Mas viria a morrer num acidente de avião, em 1967, quando voltava de Não Me Deixes, a fazenda de Rachel em Quixadá, no sertão, e não pôde concretizar o projecto.
Dos dez poemas -”Nheengarêçaua”, “D. Bárbara de Alencar”, “O êxodo”, “O acre”, “Nascimento”, “Cedro”, “Orós”, “Meu Padrinho”, “Lampião” e “Renda da terra” -agora editados, quatro já tinham sido publicados em jornais e revistas. No espólio depositado no IMS existe ainda um recorte do jornal “O Ceará”, de 5 de Setembro de 1928, onde se dava a notícia de que “a jovem e brilhante poetisa” tinha lido poemas de “Mandacaru”, livro que tinha intenção de publicar proximamente. Do Fundo Rachel de Queiroz fazem também parte recortes que a mãe, Clotilde de Queiroz, fez dos primeiros artigos da filha e uma versão dactilografada dos poemas, datada de 1958, que leva a pensar que nesse ano se terá voltado a tentar publicar estes inéditos.
“Mandacaru” pode ser comprado em http://ims.uol.com.br/Mandacaru/ D534) e custa 16 euros.
Por Isabel Coutinho
Cortesia de O Público
União Árabe de Cuba recorda o pintor e poeta Fayad Jamís
No passado mês de Dezembro, a União Árabe de Cuba (UAC) recordou ao pintor e poeta Fayad Jamís, ao proclamar os prêmios do concurso bianual que auspicia a organização em homenagem a esse insigne intelectual, já desaparecido.O presidente da UAC, Alfredo Deriche, o embaixador do Estado de Qatar, Alí Bin Saad A o-Kharji, e outros membros do corpo árabe acreditado nesta ilha, entregaram o galardão aos concursantes vencedores.
A presidenta do Comitê Organizador, María Derich, significou que o certamen constitui um médio para expressar o mais sentido tributo a homenagem ao pintor e poeta, e sua visão humanista.
Informou-se que a faz Fragmento de Muro, de Alfredo Otero, resultou a ganhadora do prêmio outorgado pela UAC, enquanto o auspiciado por Qatar o obteve Jorge Díaz, com a peça Me concede Luz.
Por sua vez, Juan J. Blanco foi proclamado o merecedor de similar galardão concedido pela sede diplomática da República Argelina Democrática, ao apresentar Sonho, pintura feita em acrílico.
Elemento dois, obra realizada em técnica mista por Francisco Fernandez, foi a seleção da representação da embaixada de Líbia.
Assim mesmo, Síria outorgou prêmio a Cándido Cuenca, autor de Trilogía, homenagem dos povos árabes.
Mais de 40 trabalhos apresentaram-se neste XI Salão de Artes Visuais Fayad Jamís, que se levou a cabo no ano do 80 aniversário do destacado artista de origem libanês.
Este tipo de concurso, criado faz 20 anos, de alcance nacional, fomenta o estudo das artes visuais desde uma perspectiva que aprofunde na cultura árabe e sua manifestação na de Cuba e suas tradições.
Em declarações a Imprensa Latina, o presidente da UAC destacou que tanto neste prêmio como o de Abdala, de literatura, também organizado pela entidade, participam dezenas de artistas com obras que calam no árabe, seus valores e sua cultura.
Cortesia de Prensa Latina
Publicadas «Memórias» do poeta Rómulo de Carvalho
O autor do famoso poema «Pedra Filosofal», com o pseudónimo António Gedeão, deitou mãos à obra em junho de 1985, quando já tinha 79 anos, e decidiu dedicá-la aos futuros «tetranetos».
«Gostaria imenso (adoraria, como se diz hoje) que algum dos meus trinta e dois tetravôs se tivesse lembrado de mim e se dispusesse a deixar-me um maço de folhas bolorentas e amareladas onde me descrevesse a sua vida», escreve o pedagogo na introdução à obra coordenada pelo seu filho Frederico Carvalho e editada pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Cortesia de Diário Digital / Lusa
Fiama, a poeta que gostava de andar por aí
Poetisa Fiama Hasse Pais Brandão homenageada em Lisboa
Ao longo de dois dias, nomes como Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo vão debruçar-se sobre a obra de "um dos autores que levaram mais longe a profunda renovação do discurso poético português, no seguimento das experiências modernista e surrealista".
A 29 de Outubro, o colóquio abre, às 11 horas, com uma intervenção da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, seguida de uma mesa moderada pela escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, em que participam Fernando J.B. Martinho ("Fiama: um canto de epifania"), Joanas Matos Frias ("Às vezes as coisas dentro de nós: figuras inconsúteis no teatro da memória") e Manuel Gusmão ("A nomeação lírica e o Amor pelos Livros").
À tarde, às 14.30 horas, Jorge Fernandes da Silveira proferirá uma conferência subordinada ao tema "Grafia, Epigrafia, Grafiamas".
Segue-se, pelas 15.15 horas, uma mesa de "Testemunhos", em que participam os poetas Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Luís Quintais, com moderação de Filipa Leal.
Às 17 horas, é a vez de Maria de Lourdes Ferraz, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo apresentarem as suas comunicações, intituladas "Uma proposta imodesta: a Poética de Fiama. Breves Apontamentos", "Fiama: a escolha da terra" e ""Ideações da imagem na poesia de Fiama", respectivamente.
Depois, pelas 18 horas, haverá um debate e o lançamento da antologia "Âmago", coordenada e apresentada por Gastão Cruz, com a participação dos colaboradores na organização da obra, editada pela Assírio & Alvim.
A 30 de outubro, com início às 14.30, mais uma sessão de "Testemunhos", com Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Armando Silva Carvalho, e moderação de Filipa Leal.
Pelas 16 horas, Maria do Céu Fialho falará sobre "Fiama e a Grécia: percurso em torno da vida", Nuno Júdice partilhará as suas impressões de "O Contar de Fiama" e António Carlos Cortez abordará "Novas Visões de Fiama".
Seguir-se-á a exibição de um DVD em que Fiama lê alguns dos seus poemas; depois, Eduardo Lourenço proferirá a conferência final e, a encerrar, Luís Miguel Cintra e Luísa Cruz farão uma leitura de poemas de Fiama, que se inseriam numa linha poética de revalorização da palavra.
A entrada é livre.
Cortesia de JN
Fernando Pessoa debatido na África do Sul
A Universidade de Witwatersrand (ou Wits, abreviatura pela qual também é conhecida), em Joanesburgo, será o palco da primeira de três conferências a realizar na África do Sul. As restantes terão como palcos o próprio liceu onde Fernando Pessoa estudou e a livraria Boekhuis, também em Joanesburgo.
O principal orador, Richard Zenith, será acompanhado em todas as sessões por dois dos maiores estudiosos sul-africanos de Fernando Pessoa, o académico David Bunyan e o crítico literário Stephen Gray.Este último será o moderador de todos os debates.
Na capital do Botsuana, a conferência dedicada ao poeta português realizar-se-á no leitorado de Português da Universidade de Gaborone no dia 25, enquanto a capital do Zimbabué acolherá duas sessões no dia 28 de outubro: na Universidade de Harare e no “Book Café”, uma tertúlia literária da cidade.
Cortesia de Agência Lusa
Retrato de Alberto de Lacerda
Lacerda e Amorim de Sousa foram amigos durante décadas. Conheceram-se em Londres, no café Sa Tortuga de King’s Road, creio que em 1960. (O encontro coincide com o regresso de Lacerda a Londres depois de uma temporada no Brasil.) E ficaram amigos para a vida.
O livro lê-se num ápice, tanto pela escrita fluente do autor como pelo sortilégio que emana da figura de Lacerda, alguém que, e são palavras de Eduardo Lourenço, «sob o silencioso desdém ou a fulgurante ironia poucos adivinhariam que Alberto de Lacerda era [...] um exilado de si mesmo, escolhido com infalível mirada pela musa exigente da pura melancolia e da liberdade.» (cf. Alberto de Lacerda. O Mundo de um Poeta, Lisboa: Gulbenkian, 1987) Amorim de Sousa tem a vantagem do happy few entre pares. Quando se conheceram, Lacerda tinha quase dez anos de Londres. A diferença de idade — Lacerda nasceu em 1928, Amorim de Sousa em 1937 — não foi obstáculo a um convívio que sobreviveu às naturais atribulações da vida literária.
Londres foi o ponto de encontro e despedida de ambos. Amorim de Sousa foi a última pessoa que viu Lacerda antes de morrer, no Chelsea and Westminster Hospital, a 26 de Agosto de 2007, um mês antes de completar 79 anos. Na véspera, tinha sido descoberto em coma pelo seu amigo John McEwen, crítico de arte, que o fora buscar para almoço. Um ataque de coração em simultâneo com um derrame apagaram subitamente o autor de Palácio (1961).
Amorim de Sousa faz justiça às peculiares idiossincrasias de Alberto de Lacerda. Acompanha o seu trajecto por Londres, o período americano (primeiro em Austin, depois em Boston), o regresso a uma Londres “desumanizada” e as graves dificuldades materiais dos últimos anos.
No momento em que a Assírio & Alvim e a Fundação Mário Soares dão à estampa os primeiros volumes da Colecção Alberto de Lacerda, sendo um deles O Pajem Formidável dos Indícios, colectânea inédita de poemas escritos entre Outubro de 1995 e Janeiro de 1997, neste momento, dizia eu, o retrato do poeta feito por Amorim de Sousa tem todas as condições para chamar a atenção para a obra de um poeta que foi sempre estrangeiro na sua própria terra.
Eduardo Pitta
Cortesia de PNETLiteratura
«Guerra Junqueiro: de Freixo para o Mundo»
O trabalho foi desenvolvido por Manuel Henrique Pereira, professor da Universidade Católica do Porto (UCP) e visa 'devolver o prestígio e popularidade que teve o poeta autor de obras tão emblemáticas como 'A Velhice do Padre Eterno''. O propósito do projecto é 'Revisitar/Redescobrir Guerra Junqueiro'.
Henrique Manuel Pereira avançou que está a ser realizado um documentário com 55 minutos que faz um retrato das múltiplas facetas de Guerra Junqueiro, com imagens de arquivo
O documentário deverá ser transmitido num canal generalista da televisão portuguesa, de acordo com o autor.
O trabalho precisava de uma banda sonora 'não só para tapar o silêncio, mas que fosse uma outra forma de o protagonista se dizer', acrescentou.
Assim, foram seleccionadas músicas com poesia de Guerra Junqueiro, num total de duas horas e meia, em linguagens sonoras de áreas tão distintas como hip hop, jazz, bossa nova ou electrónica, incluindo o tema musical mais conhecido da lírica de Junqueiro: 'A Moleirinha'.
Os 40 temas reunidos estão disponíveis em CD integrados no projecto que, além de 'A Música de Junqueiro' e a 'Viagem de Junqueiro' (documentário), inclui ainda uma fotobiografia, e a publicação de 500 páginas com entrevistas 'À volta de Junqueiro'.
O retrato de Junqueiro é ainda composto por documentos com éditos, inéditos e entrevistas a mais de 50 personalidades, entre as quais Eduardo Lourenço, o bispo D. Manuel Clemente, Mário Soares, Manoel de Oliveira e Helena da Rocha Pereira.
Todo o trabalho realizado está a ser divulgado na Internet, em www.artes.ucp.pt/guerrajunqueiro onde é possível também conhecer obras do poeta transmontano como 'A Velhice do Padre Eterno', 'Os simples', 'Pátria' ou 'A Morte de D. João'.
'Agora o trabalho será dado a conhecer aos alunos das escolas onde Junqueiro deixou marcas, com particular incidência na sua terra natal', disse à Agência Lusa José Santos, presidente da câmara de Freixo de Espada à Cinta.
O autarca avançou que a obra de Junqueiro 'A Lágrima' vai ser reeditada, em data a indicar, em espanhol, francês e italiano, além de português.
'Poeta, filósofo, cientista, político, agricultor e até viticultor duriense, Guerra Junqueiro foi uma voz respeitada da República e deixou uma obra literária apreciada pelos seus pares do século XIX, como Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa', conclui Manuel Henrique Pereira.
Cortesia de DNArtes
Benfeita inaugura Casa Memória Simões Dias
O dia incluiu ainda a inauguração de uma exposição de pintura, em homenagem a Simões Dias, que se encontra patente na sua Casa Memória. De autoria de vários artistas do Porto, os quadros foram criados a partir do tema “Levanta-me do pó nas asas cândidas”.
José Simões Dias foi um poeta natural da Benfeita, formado em Teologia e autor de várias obras, como é o caso do romance “O Pecado”, tendo sido também deputado e colaborador em diversos periódicos literários. Viveu entre 1844 e 1899, tendo recebido várias distinções e prémios diversos.
A Casa da Memória passa, também, a acolher a Loja Aldeias do Xisto da Benfeita, espaço que vai funcionar segunda a sexta-feira, das 14h00 às 1800. Aos fins-de-semana quem a quiser visitar terá que contactar a Junta de Freguesia local. Neste espaço, como explicou Rui Simão, podem-se encontrar essencialmente três tipos de produtos, nomeadamente, produtos locais, quer sejam bens alimentares ou de artesanato, aos quais se juntam os produtos de autor, como é o caso da cerâmica, por exemplo, e os denominados produtos de fusão, isto é, produtos desenvolvidos por artesãos que não estejam no território mas que contactam com outros artesãos que pertençam ao território.
O representante da ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, recordou ainda que esta é a décima loja da rede, contando ainda com duas fora do território, uma das quais a funcionar em Lisboa e outra que abrirá no próximo mês de Agosto, em Barcelona.
Alfredo Martins, presidente da Junta de Freguesia da Benfeita, considerou o dia como «um momento marcante na história de vida desta aldeia», pois, sustentou, referindo-se e à inauguração da loja, «concretizamos hoje um passo decisivo na nossa integração total na Rede Aldeias do Xisto».
O presidente da Junta da Benfeita agradeceu ainda o empenho do presidente da Câmara Municipal de Arganil, uma vez que «há já duas décadas que a população ansiava que este edifício tivesse este destino e o Ricardo Pereira Alves foi sensível a isso desde o seu primeiro mandato», sublinhou.
Também Carlos da Capela, em representação da Editorial Moura Pinto, declarou que «este é um momento histórico para a aldeia», uma vez «que se trata da revitalização de um espaço que tem muita memória e que vai ser o coração da aldeia e onde se irá sentir o seu pulsar».
Por seu turno, o presidente da Câmara de Arganil lembrou que o poeta Simões Dias «foi uma das personalidades mais marcantes do concelho» e a Loja Aldeias do Xisto representa, na sua óptica, «a afirmação e consolidação dos produtos genuinamente locais e que podem ser um factor decisivo em termos de desenvolvimento económico, sobretudo local».
Ricardo Pereira Alves afirmou ainda que este projecto da Rede das Aldeias do Xisto «já é uma referência do turismo ao nível nacional», enquanto a Benfeita «já é hoje identificada por todos como um destino turístico de qualidade e que afirma e consolida a sua posição em termos de turismo no concelho e em termos regionais». E, por todas estas razões, o edil de Arganil sublinhou que «hoje é um dia importante, porque fazemos a simbiose entre a afirmação dos produtos locais, mas também da vocação turística da Benfeita e da Casa Memória Simões Dias».
Cortesia de Diário de Coimbra
Lembrar Guerra Junqueiro 160 anos depois do seu nascimento
O trabalho conta com testemunhos escritos por 28 figuras da sociedade portuguesa, entre as quais se destacam Mário Soares, Manuel Clemente, Eduardo Lourenço e Nuno Júdice, entre outros. O trabalho de investigação assume-se ?como um retrato daquele que é considerado o poeta da República?, abordando as suas múltiplas facetas ? pensador, político ou coleccionador de arte. A iniciativa foi desenvolvida no âmbito do projecto ?Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro?, coordenado por Henrique Manuel Pereira da UC. O livro ?contém declarações inéditas, assumindo-se como um raro momento de reflexão interdisciplinar e intergeracional?
Numa altura em que se assinala o 160º aniversário do nascimento do autor, e em paralelo ao centenário da República, a UC apostou, em parceria com o município de Freixo de Espada à Cinta ? onde o autor nasceu, a 17 de Setembro ?, numa série de iniciativas em homenagem a Guerra Junqueiro, considerado, pelos estudiosos, um dos mais polémicos e relevantes poetas da literatura portuguesa.
No entanto, o trabalho de investigação não fica só pela componente literária, já que a UC lançou uma obra fonográfica em duplo CD. A par do disco, está a ser preparado um documentário e uma fotobiografia do escritor.
Segundo Henrique Manuel Pereira, este trabalho pretende tratar Guerra Junqueiro na pluralidade do seu trabalho. ?Não foi preciso grande esforço para fazer emergir o grande pensador que foi o autor. Guerra Junqueiro, nos últimos 20 anos de vida, trabalhou num sistema filosófico denominado ?Unidade do Ser??, sintetizou o estudioso da UC.
Para Setembro próximo, está agendado o lançamento da obra de Guerra Junqueiro “A lágrima”.
Cortesia e JN
José Saramago: faleceu o Nobel da Literatura
Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
José Saramago
Bem-haja José.
Documentário sobre o poeta Manoel de Barros
Só dez por cento é mentira, do director Pedro Cezar é sobre o poeta matogrossense Manoel de Barros.
«A grande atração, sem dúvida, é o próprio autor dessa obra magnífica que já ocupa mais de 20 livros e será brevemente lançada em conjunto pela editora portuguesa Leya. Ele concede um precioso depoimento de cerca de 40 minutos ao diretor, que aparece intercalado entre as demais imagens do filme e basta para identificar o sorriso grande e a prosa oceânica do escritor
Manoel não aguenta mais falar muito tempo, mas cada coisa que diz é uma fileira de pérolas raras. Abençoados aqueles que moram em Campo Grande e tem a chance de tocar-lhe a campainha e ser acolhidos para um café e um dedo de prosa – o que acontece mais do que as pessoas imaginam. A todos ele dispensa algumas de suas palavras, que são sua fibra e razão, dele e nossa, de viver.» refere a crítica Neusa Barbosa
Cortesia de colunistas.ig.com.br