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Biblioteca Nacional adquire Espólio de José Gomes Ferreira

A BNP concluiu, em Dezembro de 2010, o processo de aquisição do Espólio de José Gomes Ferreira (Porto, 1900 – Lisboa, 1985). Poeta e ficcionista, filho do Vereador e Deputado Republicano Alexandre Ferreira, um dos impulsionadores da Universidade Livre, José Gomes Ferreira - o “poeta militante” - cursou Direito, em Lisboa (1918-1924), período em que integrou o Batalhão Académico Republicano que defrontou as forças monárquicas (1919). No início do ano de 1926 parte para a Noruega onde desempenhou as funções de cônsul na cidade Kristiansund até 1929. Após o regresso, dedicou-se à Literatura, ao jornalismo e à tradução de legendas de filmes, uma actividade constante na sua vida, tendo sido, nomeadamente, consultor do Cinema Tivoli. Escritor atento e participante dos movimentos políticos e sociais, integrou, por exemplo, o Movimento de Unidade Democrática, colaborou com Lopes Graça em álbum de canções revolucionárias, foi o primeiro presidente da Associação Portuguesa de Escritores, em 1973, mantendo-se em 1975 e 1978.

Colaborador da imprensa periódica, José Gomes Ferreira co-dirigiu, em 1919, Ressurreição: mensário de arte, para literatura, para vida mental - revista em que Fernando Pessoa publicou o poema “Abdicação”. A partir de 1930, foi redactor principal da revista de cinema Imagem, colaborou na Kino, em Sr. Doutor, revista infantil onde publicou os textos posteriormente integrados em Aventuras de João Sem Medo e, entre outras, na Seara Nova, na presença, em Descobrimento, no Diabo, na Revista de Portugal, na Portucale, na Gazeta Musical e de Todas as Artes, na Serpente, onde Alexandre Pinheiro Torres assina um ensaio sobre a sua poesia (1951), em Pentacórnio ou nos Cadernos do Meio Dia.

Estreou-se na edição de poesia com Lírios do Monte em 1918 e, em 1921, editou Longe. Mas o poema considerado como definidor da sua personalidade poética “Viver Sempre também Cansa”, é datado de 1931. Quinze anos depois (1948) e com o apoio do grupo do Novo Cancioneiro, editou Poesia I, considerada a primeira das suas obras principais. Poesia III (1961) recebeu o 1º Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores. Neste género literário e sob este título geral publicou 6 volumes - Poesia VI é de 1976. Foram posteriormente reunidos em Poeta Militante: Viagem do Século XX em MIM (3 v., 1978).

A vasta bibliografia de José Gomes Ferreira regista também contos, crónicas, ensaio, teatro, traduções de obras literárias e de legendas de filmes, obras para jovens e memorialismo, bem como prefácios a edições de obra alheia.

O Espólio de José Gomes Ferreira, recentemente incorporado na BNP, inclui manuscritos autógrafos e/ou dactiloscritos da obra literária do escritor, obras musicais em versão autógrafa e impressa, documentos áudio, fotografias, recortes de imprensa, documentos biográficos, bem como testemunhos do seu universo relacional – a correspondência. Inclui cartas de Adolfo Casais Monteiro, Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, António Ramos Rosa, António Sérgio, Augusto Casimiro, Castelo Branco Chaves, Francine Benoït, Irene Lisboa, João de Barros, João José Cochofel, João Rui de Sousa, José Cardoso Pires, José Rodrigues Miguéis, José Saramago, Luís Amaro, Luís Pacheco, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Urbano Tavares Rodrigues, para apenas referir correspondentes cujos espólios integram o Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da BNP. Parte do acervo é de acesso reservado.

Cortesia de BN

Texto decifrável mais antigo da Europa

Foi encontrado numa antiga lixeira de Peloponeso, na Grécia, aquele que é considerado o texto decifrável mais antigo da Europa.

Michael Cosmopoulos, investigador norte-americano, da Universidade de Missouri, garante que a placa de argila cozida, encontrada durante as escavações realizadas numa antiga lixeira situada na colina de Iklena, a 300 quilómetros de Atenas, na Grécia, tem mais de três mil anos, representando, pelo menos, mais um século do que as descobertas feitas até agora.

“Esta placa sugere que a escrita é muito mais antiga do que aquilo que se acreditava até ao momento”, explicou o investigador à AFP.

Ao que tudo indica, a placa terá sido um documento financeiro, proveniente de uma antiga cidade do período micénico. “Num dos lados da peça podem-se ver nomes e números, e do outro lado um verbo relativo à confecção”, acrescentou Michael Cosmopoulos.

As escavações, sob a supervisão da Escola de Arqueologia de Atenas, começaram em 2006 e desde então ja revelaram algumas descobertas, como uma enorme estrutura com grandes muralhas datada dos anos 1550-1440 a.C. Segundo Cosmopoulos, o local foi destruído provavelmente no ano 1400 a.C., antes de ter sido invadido pelo reino de Pilos, cujo rei, Nestor, é mencionado na Ilíada.

Cortesia de O Público

Descobertas cartas inéditas do poeta Walt Whitman

Os Arquivos Nacionais, em Washington, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de cerca de três mil documentos, nunca antes vistos, do poeta Walt Whitman.

De acordo com o comunicado da instituição, os documentos foram escritos maioritariamente durante o tempo em que Whitman trabalhou como funcionário do governo federal, entre 1865 e 1874. Para o investigador que esteve envolvido nesta descoberta, Kenneth Price, também co-director do arquivo de Whitman, estes documentos dão uma nova visão sobre a obra do poeta, clarificando algumas ideias que Withman transmitia sobre o pós-guerra e o estado da nação.

Os documentos tratam os mais vastos assuntos, desde os crimes de guerra, às ameaças de traição, passando pelo crescimento dos Ku Klux Clan e acabando nas armas usadas durante a guerra civil. Assuntos que terão tido influencia na escrita das suas obras, principalmente na livro “Democratic Vistas”, publicado em 1871, onde Whitman escreve sobre a democracia, criticando os Estados Unidos.

Segundo Kenneth Price, a partir de agora nenhum biógrafo que queira escrever sobre Walt Whitman poderá fazê-lo “sem consultar estes documentos e questionar-se qual foi o efeito deste material na maneira de ele pensar e ver o mundo”.

“Esta foi uma época de grandes esperanças, mas também de grandes problemas e Whitman estava no meio disto”, escreveu o investigador no comunicado, explicando a ligação do poeta ao governo da altura. “Foi quando o poeta foi para Washington, que começou a procurar formas de ganhar dinheiro e aí acabou por ser contratado pelo governo”.

Os documentos dão ainda a entender que Whitman, que morreu aos 72 anos em 1892, terá trabalho como escrivão, uma vez que alguns dos documentos, apesar de estarem escritos com a letra do poeta, estão assinados por outras pessoas.

Os documentos vão estar expostos nos Arquivos Nacionais, em Washington, entre 18 de Abril e 1 de Maio.

Cortesia de O Público

Sebastião da Gama «O poeta beija-tudo»


Montagem Video_Sebastião da Gama por vitor_martinho

Eis um documentário interessante, simples e eficaz sobre Sebastião da Gama, a que a sua autora, Joana Fernandes deu o título de "Sebastião da Gama - O Poeta beija-tudo". Realizado por Vítor Martinho, o documentário, inicialmente produzido para o canal "Plataforma do Sado", data de Abril de 2008. Nas entrevistas e depoimentos recolhidos, constam os nomes de Joana Luísa da Gama, Pedro Lisboa, João Lisboa, Matilde Rosa Araújo, Maria Barroso, Nicolau da Claudina e António Clarinha Romão. As imagens são povoadas pelo arquivo fotográfico de Sebastião da Gama, pela Arrábida, pelo Museu Sebastião da Gama e por Vila Nogueira de Azeitão. São pouco mais de doze minutos de evocação e de viagem que valem a pena e constituem uma boa apresentação do Poeta da Arrábida.

Cortesia de Associação Cultural Sebastião da Gama

Sophia de Mello Breyner Andresen - Uma Vida de Poeta

Tivemos o gosto de comissariar, a convite de Maria Sousa Tavares e da Biblioteca Nacional de Portugal, a exposição apresentada por ocasião da entrega do espólio de Sophia ao Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea.

Seleccionámos as peças que a compõem, a partir de uma pré-selecção feita por Maria Sousa Tavares. Trata-se de manuscritos de correspondência entre Sophia e família ou amigos, de poesia e de prosa, em cadernos e em folhas soltas, onde há textos rescritos, versões acabadas e outras de trabalho em curso ou simplesmente começadas; há também impressos, vários dos quais com emendas autógrafas, e fotografias.

Além destes documentos, indicativos da diversidade e da qualidade do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen, a exposição contém outros conjuntos de objectos que os complementam. Por um lado, primeiras edições e uma escolha de edições ilustradas. Por outro, peças de artistas plásticos e de fotógrafos oferecidas a Sophia pelos seus autores e que em muitos casos ilustraram edições de livros seus. E, finalmente, insígnias recebidas por Sophia em sinal do reconhecimento público que por diversas vezes lhe foi testemunhado e que fica a fazer parte da sua história.

O princípio geral de ordenação das peças expostas e do catálogo que lhes corresponde é o da cronologia; mas este critério dominante não foi aplicado de maneira rígida, porque entendemos fazer associações sugeridas por considerações de outra ordem entre peças e documentos diversos: por exemplo, aproximámos versões de um mesmo texto escritas em diversos suportes e em momentos distantes entre si, ou estabelecemos nexos entre fotografias e escritos.

Esta exposição, tal como o catálogo que agora se edita, pretenderam ser uma aproximação à vida e à obra de Sophia, construída a partir do seu espólio. Esperamos ter, de algum modo, atingido esse objectivo.

EXPOSIÇÃO | 26 Janeiro - 30 Abril | Entrada livre

Paula Morão e Teresa Amado

Cortesia de BN

Edgar Carneiro: Amor pela Poesia


O poeta Edgar Carneiro faleceu recentemente, aos 97 anos, em Vila Nova de Gaia. Em Março do ano passado, o JL traçou-lhe o perfil que aqui o blog Poetícia partilha:

Aos 96 anos acaba de publicar o seu 13.º livro de poemas. Périplo, uma edição da Húmus. "É o amor pela poesia que motiva todos os meus livros", conta ao JL, Edgar Carneiro, poeta e professor que desde os 14 anos se apaixonou pela arte poética. Apesar de se confessar "um pouco cansado", já pensa na antologia da sua obra

Fala com a voz pausada como se pensasse muito bem cada palavra antes de a pronunciar. Mas o seu discurso está longe de ser maçudo. Aos poucos, numa longa conversa, desfia as histórias da sua vida, indissociável da poesia que desde sempre o acompanhou. "As palavras têm que ser a alma do poema", assegura Edgar Carneiro. "Toda a gente pode fazer versos, mas nem todas fazem poesia. Um poema tem sempre uma mensagem do escritor, mas tem que ser dada com beleza. As palavras precisam ser capazes de ultrapassar o significado banal dos termos", explica. Foi, como sempre, "o amor pela poesia" que motivou este novo volume. Escreveu-o sem pretextos, nem ideias de resumo de vida. "Chamei-lhe Périplo como poderia ter-lhe chamado outra coisa. Anda tudo à volta das minhas ideias do que é esta arte", afirma. Tem, desde os tempos da instrução primária, um dicionário pequenino por onde se habituou a procurar significados. Ali pode ler-se que "a poesia é a arte de escrever em verso". Há algum tempo, comprou o Dicionário da Academia de Ciências onde poesia se descreve como "a arte de escrever utilizando a metáfora". Edgar Carneiro procura conciliar as duas definições: "Toda a minha poesia é muito musical, conserva o ritmo, e tento harmonizar a tradição com a modernidade, utilizando muito a metáfora como forma de expressão".Nascido em Chaves, a 12 de Maio de 1913, o poeta recorda a infância passada numa família grande - eram quatro irmãos - na exploração agrícola do pai, perto da aldeia de Faiões. "Lembro-me tão bem das corridas que fazia com os meus irmãos e de como brilhava o sol ao cair da tarde nos campos cultivados". Fez a instrução primária, o primeiro e o segundo ciclo no Colégio de Lamego. Foi aí que, aos 14 anos, conheceu o professor de Português que lhe mudou a vida. Chamava-se Luís Osório e "era um leitor primoroso". O adolescente Edgar lembra-se de ficar horas a ouvi-lo ler Luís de Camões: "Escutava-o como quem escuta Deus. Fiquei preso à poesia desde então". Nessa turma, contrariamente ao que era costume na época, a leitura de Os Lusíadas não era feita para medir e dividir as orações, mas antes para, em conjunto, chegarem ao "valor intrínseco da obra". Depois de cada Canto o professor pedia aos alunos que escrevessem bocadinhos em prosa ou verso que explicassem a leitura. Edgar não era excepção e foi então que descobriu "um certo jeitinho, um bichinho", que Luís Osório ajudou a desenvolver. "Jamais esquecerei este professor", refere. Desde então (corria o ano de 1927) nunca mais parou de escrever.

"Nasci para ser professor"

Não deixa de ser curioso que com tanta escrita só tenha publicado o primeiro livro - Poemas Transmontanos - em 1978. A verdade é que teria pouco mais de 20 quando editou Caminhos de Fogo renegando-o algum tempo depois. Processo idêntico ao do seu grande amigo Adolfo Rocha com o volume A Rampa. "Conhecia o Miguel Torga como à palma da minha mão. A malta costumava gozá-lo dizendo que à Rampa faltava um 'T' no início, para abarcar o verdadeiro espírito da obra", recorda, entre risos. Sobre Caminhos de Fogo recebeu a crítica de Alice Ogando: "Se este livro fosse um bocadinho mais magro, era uma revelação". Edgar Carneiro reconheceu que tinha ali posto poemas a mais e que era necessária uma revisão cuidada mas, como recorda sem saudosismos: "Era o tempo da juventude, a vaidade dos 20 anos, e publicar era fundamental". Apesar de ter esquecido esse primeiro livro não parou de escrever. Entretanto tinha feito o 6.º e 7.º ano (actuais 10.º e 11.º anos) no Liceu de Vila Real onde conheceu "a sua namorada" com quem casou alguns anos depois. Seguiu para a Universidade de Coimbra onde se formou em Ciências Histórico-Filosóficas, com média de 15 valores. Foi depois dar aulas para a Escola Industrial e Comercial Júlio Martins, em Chaves, onde ficou durante alguns anos. Às tantas, a conselho de um colega, resolveu candidatar-se ao Exame de Estado para poder ser colocado numa escola com lugar de efectivo. Passou com boa nota e foi colocado numa escola de Vila Nova de Gaia. Lá chegado soube, pela boca do director, que não ia ter horário. "Eu ia caindo", recorda. Mas o director logo lhe conseguiu uma vaga na Escola Oliveira Martins, no Porto, cidade para onde rumaria já com a mulher e o seu único filho - Eduardo. Moravam perto do Jardim de São Lázaro e certo dia enquanto a criança brincava no jardim, Edgar Carneiro chamou o filho para vir almoçar. Ouviu o chiar de um carro e pensou que Eduardo ficara debaixo do veículo. Não passou de um susto, mas o jovem pai não quis esperar por outro. A família sairia do Porto regressando a Vila Real, onde deu aulas durante vários anos."Nasci para ser professor", afirma. Deu aulas de Português. Geografia, História e também de Organização Política da Nação. "Era uma disciplina que toda a gente odiava, mas dada por mim, até tinha sucesso", recorda com certo orgulho na voz. Aliás, sempre que encontra um antigo aluno na rua é uma festa. "Não é para me gabar, mas sempre me dei muito bem com os meus estudantes".

Cravos em forma de poema

No fim dos anos 60, foi convidado para dirigir a Escola Secundária D. Pedro V, em Fiães, no concelho de Santa Maria da Feira, perto de Espinho. "Tive carta branca e fiz de tudo um pouco, desde a escolha do mobiliário, à contratação dos professores. Isto passava-se já no tempo do Marcelo Caetano e a escola florescia". Entretanto Edgar Carneiro publicou alguns poemas em jornais, como por exemplo, O Primeiro de Janeiro, onde então trabalhava o seu filho Eduardo que viria a falecer alguns anos depois. Foi o caso do poema Laranjas e de outro, de que Edgar Carneiro não se recorda do título, que terminava assim: "Ouvirei sempre o grito dos cravos na boca vermelha".Na escola que dirigia leccionavam duas professoras comunistas e, pouco depois do 25 de Abril, gritavam palavras de ordem no sentido de expulsar o director. Até que alguém trouxe à baila o dito poema, gerando como resposta quase imediata, a calma das professoras: "Este é cá dos nossos! Pode ficar na escola". Quanto ao cravo, o poeta só vê duas hipóteses: "Ou eu adivinhei que seria a flor da revolução ou alguém se lembrou do meu poema para pôr os cravos nas espingardas".Na década de 80 publicou uma série de livros: Tempo de Guerra (1980), A Faca no Pão (1981), Jogos de Amar (1983), Rosa Pedra (1985) e O Signo e a Sina (1989). Seguir-se-iam outros como Vida Plena, A Boca na Fonte ou Lúdica, já em 2000. Espinho tornou-se a sua cidade e foi ali que deu aulas até aos 70 anos, quando se reformou em 1983. A energia vem-lhe, diz, "do sangue da mãe" que morreu com 99 anos. E embora hoje se sinta um pouco cansado, ainda gostava de fazer uma antologia dos seus poemas. O lançamento de Périplo em Espinho "foi um verdadeiro acontecimento" e foi convidado para repeti-lo em Chaves. "Era bonito lança-lo na minha cidade natal. Talvez seja o meu último acto poético". Apesar deste anúncio, um dos poemas de Périplo parece não o confirmar: "Eu canto a pedra dura/ o barro espesso/ o veio da madeira/ e a mão que construiu a casa erguida/ onde entra o claro sol/ a noite escura/ a voz responde à voz/ solícita ou carente/ e a formiguinha errante/ em sua pequenez/ é um sinal de vida.

Cortesia de Jornal de Letras Artes Ideias

Alice Gomes: poesia e prosa de uma vida

Escritora, pedagoga, conferencista, dramaturga, Alice Gomes foi uma mulher de acção, que deixou publicados vários contos, poesias, traduções, ensaios e outros tantos por publicar. De toda a sua experiência de convívio e estudo da criança resulta uma obra diversificada onde a formação de pedagoga se associa à imaginação e ao humor. É com subtileza que procura incutir princípios que dignificam o futuro das crianças e é também com alegria que os procura atrair para a leitura, de modo a que não percam o gosto e a necessidade de ler.

Em estilo dialogante e comunicativo conta histórias do real retocado pelo maravilhoso ou pelo sonho em o Vidrinho de Cheiro e Contos Risonhos, para logo em os Ratos e o Trovador enveredar pelo teatralização da lenda do flautista de Hamlim. A Lenda das Amendoeiras e Nau Catrineta são duas outras peças teatrais de Alice Gomes. Poesia Para a infância (1955) é uma antologia de poesia portuguesa e brasileira. Outras das suas obras dedicadas à poesia são Poesia de infância (1966) e Bichinho poeta (1970), livro de poemas que ocupa um lugar destacado na obra desta escritora que foi elemento proeminente de várias actividades ligadas à criança. As reflexões que deixou expressas em Aprender sorrindo e Literatura para a Infância, 1979, demonstram a sua contínua actividade de escritora e divulgadora de literatura infantil.

Esta mostra pretende homenagear Alice Gomes, a escritora nascida na Granjinha, Tabuaço, em 1910 e falecida em Lisboa, em 1983, e que não se considerava... escritora, conforme escreve na introdução de Pensamento da Poesia e Prosa da Vida (1989) “(…) gostaria de avisar que não sou escritora, mas apenas representa a fuga do meu espírito em dias de solidão…”.

A fotografia é da autoria do artista surrealista Fernando Lemos, datando do início da década de 50 do século XX, tendo sido publicada na obra Retratos de Quem? Anos 50 (São Paulo, Instituto Camões, 2000).

MOSTRA | 11 Janeiro - 7 Março | Sala de Referência | Entrada Livre

Cortesia de BN

O livro inédito de Rachel de Queiroz

“Mandacaru”, livro de poemas inéditos, foi encontrado no espólio de Rachel de Queiroz. No ano do centenário do nascimento da escritora brasileira, o Instituto Moreira Salles lança a edição fac-similada deste manuscrito, escrito aos 17 anos.

Mesmo antes de começar a ser feita a purga dos papéis do Fundo Rachel de Queiroz, que pertence aos arquivos literários do Instituto Moreira Salles (IMS), Brasil, Elvia Bezerra, coordenadora de Literatura deste instituto, e o consultor literário, poeta e professor universitário Eucanaã Ferraz começaram a abrir as caixas com o espólio da escritora brasileira e a “pinçar textos”.

Descobriram então -entre os cinco mil livros e documentos -uma colectânea de poemas manuscritos intitulada “Mandacaru”. São dez poemas de juventude da primeira mulher a entrar para Academia Brasileira de Letras, em 1977, e também a primeira a receber, em 1993, o Prémio Camões.

Nessa obra inédita, Rachel de Queiroz (que nasceu a 17 de Novembro de 1910, em Fortaleza, no Ceará, e morreu no dia 4 de Novembro de 2003, no Rio) já abordava temas e personagens (algumas da mitologia cearense) que apareceram posteriormente nos seus romances, crónicas e peças de teatro: a seca, o êxodo, a fome, o sol escaldante, e também “a cabocla que faz renda no alpendre sentada no chão”, o Lampião, líder de cangaço, “que cabra valente que ele é”, ou D. Bárbara de Alencar, que lutou ao lado dos filhos na Confederação do Equador, em 1824.

Na sequência dessa descoberta, “Mandacaru” foi publicado pelo IMS em Novembro, numa edição fac-similada que reproduz os manuscritos e tem organização de Elvia Bezerra, para comemorar os 100 anos do nascimento da autora de “Memorial de Maria Moura”. Ao lado de outras iniciativas, como a exposição “Rachel de Queiroz Centenária”, que pode ser vista na sede do Instituto, no Rio, até 16 de Janeiro. Ali se mostram alguns dos originais que pertencem ao acervo da escritora: fotografias, projectos de capas, programas de peças de teatro, caricaturas, manuscritos e objectos nunca antes expostos, como as ilustrações originais que abriam cada capítulo do romance “O Galo de Ouro”, datadas de 1951.

Uma garota assim…

Os poemas de “Mandacaru” foram escritos em 1928, quando a autora tinha 17 anos, dois anos antes da publicação de “O Quinze”, o romance de estreia (em Portugal foi editado pela Difel) que levou o escritor Graciliano Ramos a achar que Rachel de Queiroz devia ser um pseudónimo de “sujeito barbado”: “‘Uma garota assim fazer romance!’, duvidou, e concluiu por conta própria: ‘É homem.’”, como explica Elvia Bezerra na apresentação que faz da obra no “site” do IMS.

Mário de Andrade, na crítica a “O Quinze” (1930), que retratava a seca que devastou o Nordeste em 1915, dizia mal do prefácio onde estranhava a versalhada. “Prefácio e verso são literatice mas da gorda. (…) O que surpreende mais é justamente isso: tanta literatice inicial se soverter de repente, e a moça vir saindo com um livro humano, uma seca de verdade, sem exagero, sem sonoridade, uma seca seca, pura, detestável, medonha (…)”, escrevia o autor de “Macunaíma”. Nesse prefácio, Rachel de Queiroz citava alguns dos versos de “Mandacaru” e tentava aproximar-se dos modernistas: “Mandacaru é um dos balbucios com que nós, os do Nordeste, tentamos colaborar na grande harmonia nacional que vocês executam”.

No texto introdutório que abre esta edição, “Nata e Flor do Nosso Povo”, a organizadora afirma: “Mais de uma vez, Rachel de Queiroz mostrou desprezo pela preservação de seus originais ou de inéditos. Não fosse a dedicação da amiga Alba Frota, que inspirou a personagem Maria José no romance ‘As Três Marias’, seria bem minguado o arquivo da escritora”. Foi a Alba que a escritora doou, em 1928, os originais manuscritos de “Mandacaru”.

A amiga de Rachel de Queiroz era chefe do Serviço de Documentação da Universidade Federal do Ceará e queria escrever uma biobibliografia comentada da escritora, por isso guardou a produção literária da amiga durante anos. Mas viria a morrer num acidente de avião, em 1967, quando voltava de Não Me Deixes, a fazenda de Rachel em Quixadá, no sertão, e não pôde concretizar o projecto.

Dos dez poemas -”Nheengarêçaua”, “D. Bárbara de Alencar”, “O êxodo”, “O acre”, “Nascimento”, “Cedro”, “Orós”, “Meu Padrinho”, “Lampião” e “Renda da terra” -agora editados, quatro já tinham sido publicados em jornais e revistas. No espólio depositado no IMS existe ainda um recorte do jornal “O Ceará”, de 5 de Setembro de 1928, onde se dava a notícia de que “a jovem e brilhante poetisa” tinha lido poemas de “Mandacaru”, livro que tinha intenção de publicar proximamente. Do Fundo Rachel de Queiroz fazem também parte recortes que a mãe, Clotilde de Queiroz, fez dos primeiros artigos da filha e uma versão dactilografada dos poemas, datada de 1958, que leva a pensar que nesse ano se terá voltado a tentar publicar estes inéditos.

“Mandacaru” pode ser comprado em http://ims.uol.com.br/Mandacaru/ D534) e custa 16 euros.

Por Isabel Coutinho

Cortesia de O Público

União Árabe de Cuba recorda o pintor e poeta Fayad Jamís

No passado mês de Dezembro, a União Árabe de Cuba (UAC) recordou ao pintor e poeta Fayad Jamís, ao proclamar os prêmios do concurso bianual que auspicia a organização em homenagem a esse insigne intelectual, já desaparecido.

O presidente da UAC, Alfredo Deriche, o embaixador do Estado de Qatar, Alí Bin Saad A o-Kharji, e outros membros do corpo árabe acreditado nesta ilha, entregaram o galardão aos concursantes vencedores.

A presidenta do Comitê Organizador, María Derich, significou que o certamen constitui um médio para expressar o mais sentido tributo a homenagem ao pintor e poeta, e sua visão humanista.

Informou-se que a faz Fragmento de Muro, de Alfredo Otero, resultou a ganhadora do prêmio outorgado pela UAC, enquanto o auspiciado por Qatar o obteve Jorge Díaz, com a peça Me concede Luz.

Por sua vez, Juan J. Blanco foi proclamado o merecedor de similar galardão concedido pela sede diplomática da República Argelina Democrática, ao apresentar Sonho, pintura feita em acrílico.

Elemento dois, obra realizada em técnica mista por Francisco Fernandez, foi a seleção da representação da embaixada de Líbia.

Assim mesmo, Síria outorgou prêmio a Cándido Cuenca, autor de Trilogía, homenagem dos povos árabes.

Mais de 40 trabalhos apresentaram-se neste XI Salão de Artes Visuais Fayad Jamís, que se levou a cabo no ano do 80 aniversário do destacado artista de origem libanês.

Este tipo de concurso, criado faz 20 anos, de alcance nacional, fomenta o estudo das artes visuais desde uma perspectiva que aprofunde na cultura árabe e sua manifestação na de Cuba e suas tradições.

Em declarações a Imprensa Latina, o presidente da UAC destacou que tanto neste prêmio como o de Abdala, de literatura, também organizado pela entidade, participam dezenas de artistas com obras que calam no árabe, seus valores e sua cultura.

Cortesia de Prensa Latina

Publicadas «Memórias» do poeta Rómulo de Carvalho

As «Memórias» de Rómulo de Carvalho, recentemente publicadas, foram escritas pelo professor/poeta «às escondidas» ao longo de 12 anos em mais de mil folhas manuscritas só descobertas após a sua morte, contou à Lusa o filho.


O autor do famoso poema «Pedra Filosofal», com o pseudónimo António Gedeão, deitou mãos à obra em junho de 1985, quando já tinha 79 anos, e decidiu dedicá-la aos futuros «tetranetos».

«Gostaria imenso (adoraria, como se diz hoje) que algum dos meus trinta e dois tetravôs se tivesse lembrado de mim e se dispusesse a deixar-me um maço de folhas bolorentas e amareladas onde me descrevesse a sua vida», escreve o pedagogo na introdução à obra coordenada pelo seu filho Frederico Carvalho e editada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Cortesia de Diário Digital / Lusa

Fiama, a poeta que gostava de andar por aí

Durante dois dias recordou-se a escritora Fiama Hasse Pais Brandão num colóquio na Casa Fernando Pessoa. Académicos e amigos fizeram o retrato da sua obra e partilharam momentos da sua vida.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007) está a ler poesia e tem sentado a seu lado o poeta Eugénio de Andrade (1923-2005). Este encontro, que aconteceu há muitos anos no Porto, foi filmado e exibido no colóquio dedicado à escritora que, durante sexta e sábado, decorreu na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Académicos portugueses e brasileiros especialistas na sua obra, amigos e poetas recordaram a sua personalidade.

No vídeo, Eugénio de Andrade começa a fazer perguntas à poeta que gostava de "andar por aí". Quer saber como é que a poesia lhe apareceu. Fiama Hasse Pais Brandão, com o seu ar sereno, óculos quase na ponta do nariz e o cabelo com franja, está a contar-lhe que reunia a família com bilhetes pagos. Ela e a avó "poetavam" as duas em conjunto.

Diz a Eugénio de Andrade que o primeiro poeta que leu foi Sophia, o livro Coral. O poeta estranha: "Coral?! Ou primeiro algum livro infantil?" "Não", continua Fiama, "os livros infantis foram os de Aquilino Ribeiro, O Romance da Raposa, que eu não entendia mas ficava admirada com as palavras. Adorava aquelas palavras que não entendia."

O Coral (terceiro livro de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, ed. Caminho) apareceu-lhe quando Fiama tinha 14 ou 15 anos, também oferecido por essa avó. "Foi uma maravilha, foi uma sorte", diz ela nesse encontro gravado em vídeo. "Curiosamente um livro que Sophia destruiu", acrescenta à conversa Eugénio de Andrade. E conta que um amigo muito dedicado o apanhou, reconstituiu e colou pedacinho a pedacinho. Enviou-o a Sophia, que reconsiderou. "Assim se salvou o livro", afirma Eugénio de Andrade, que sabia que Coral era o nome do gato de Sophia. Lembra o poema -"Ia e vinha/ E a cada coisa perguntava/ Que nome tinha" -, exactamente como fazem os gatos, diz, e conta que numa ocasião defendeu essa teoria e Sophia não gostou nada. "Parecia-lhe que o poema assim ficava diminuído. Não sei porquê", conta o poeta a rir-se.

É mais tarde, já no antigo sétimo ano do liceu, que Fiama Pais Brandão descobre a obra de José Régio e se interessa pelo teatro, chegando a fundar o grupo Teatro Hoje, em 1974, com o poeta Gastão Cruz, que foi casado com ela. Esta avó, de que Fiama falava a Eugénio, foi lembrada por diversas vezes nas sessões na Casa Pessoa.

Ao som de Camões

A tia Carolina, irmã do pai de Fiama, esteve os dois dias do colóquio muito atenta na segunda fila da plateia. Conta que a sua mãe, Emília, cultivou a imaginação de Fiama. Numa altura em que viviam na mesma casa, em Coimbra, levantavam-se e vestiam-se todos os dias ao som das poesias de Camões e outras que essa avó de Fiama declamava. "Foi uma preceptora. Já sabem onde vão procurar todo o rigor e toda a cultura que a Fiama levou antes de entrar na universidade. Não estou a diminuí-la, estou só a procurar dar uma solução ao vosso espanto", defende tia Carolina perante os académicos que se encontravam na sala. Gastão Cruz, que foi um dos organizadores deste colóquio, lembrou que a relação de Fiama com os pais nem sempre era a melhor, ela tinha um "espírito indomável" perante um pai superprotector, e a avó, de que falava a tia Carolina, "era de uma grande cultura e sensibilidade" e foi muito importante na sua formação. A poeta Maria Teresa Horta, que, com Fiama Pais Brandão e Luíza Neto Jorge, foi uma das três mulheres publicadas na revista Poesia 61, que integrava também Casimiro de Brito e Gastão Cruz, recordou os tempos em que as três mulheres se conheceram. A co-autora das Novas Cartas Portuguesas juntava os amigos em sua casa (os cineastas João César Monteiro e Seixas Santos viviam no mesmo prédio) naquilo a que chamam agora "sarau literário" e de onde nasceu a ideia de fazerem essa tal revista de poesia. Teresa conheceu Fiama por causa de António Ramos Rosa e é a ele que se deve o encontro desses poetas da mesma geração, que acabaram por criar um movimento.

Tal como aconteceu a Gastão Cruz, o poeta Nuno Júdice também conheceu Fiama na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ela era uma "figura mítica". Mas só depois do 25 de Abril, quando morava no Saldanha e era vizinho de Carlos de Oliveira, é que passou a vê-la mais frequentemente. "Dia sim dia não, depois do almoço eu ia ter com Carlos de Oliveira e por essa mesa de café passou quase toda a literatura portuguesa da segunda metade do século XX: Herberto Hélder, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade, Mário Castrim, Augusto Abelaira, diga-se um nome e ele passou por lá", afirma.Tudo serve a poesia

Fiama começou a aparecer regularmente nessa tertúlia. Era uma pessoa fascinante pela maneira como falava da poesia, dos livros e da literatura, e também pela selecção que fazia desses livros. "Quando ela falava de um livro, era uma maneira de eu encontrar pistas de leitura", continua a contar Júdice. Das sessões de leitura que teve com ela em festivais de poesia, em Portugal e no estrangeiro, Nuno Júdice lembra-se de uma viagem que fizeram à Roménia. Conta que a importância que ela dava à palavra, quando lia os seus poemas, tocava as pessoas mesmo quando ouviam um poema numa língua que não conheciam. "O que ela dizia até prescindia do sentido, a voz dela, de certo modo, era já a expressão de qualquer coisa a que se podia dar o nome de poesia", afirma.

Nessa viagem foram um dia ao delta do Danúbio. No regresso a Constança, na Roménia, estava marcada uma visita a umas ruínas românicas. Quando lá chegaram era praticamente noite cerrada e os guias insistiram que se cumprisse o programa. Alguns dos poetas ficaram na camioneta, mas Fiama quis ir, mesmo sem se ver absolutamente nada, ouvir a explicação do guia. "Quando volta à camioneta, ela, que também tinha humor, disse: "Estive numa peça do Ionescu."" Isto confirma que Fiama tinha uma enorme curiosidade por tudo porque tudo lhe podia servir, de certo modo, para a poesia.

Houve um tempo em que Nuno Júdice andava muito interessado em doutrinas herméticas e se enfiou na Biblioteca da Ajuda à procura de textos dos séculos XVI e XVII. "No meio disso encontrei um manuscrito, e não estou a inventar, com um poema atribuído ao Camões. Copiei-o, não dei grande importância àquilo, mas quando Fiama publicou O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (1985) mostrei-lhe o poema em que se comparava o sangue de Cristo ao leito da virgem. A Fiama leu-o e disse: "Mas isto é Camões, vai ao encontro da minha tese do Camões hermético"", conta o escritor para quem a poesia de Fiama, à primeira vista, parece que está nas nuvens mas para quem a amiga era uma pessoa extremamente atenta ao real. "Quando ela fala da natureza, das plantas, ela conhecia o que falava", diz. E isso fá-lo recordar outro episódio. Um dia, Nuno Júdice estava num colóquio com Eugénio de Andrade e havia flores pousadas na mesa. Eugénio olhava para as flores e perguntava intrigado: "Como é que estas flores se chamam?" No final da conferência, disseram-lhe o nome das flores e Eugénio respondeu: "Ah, mas eu passo a vida nos meus poemas a falar destas flores!" Isto nunca aconteceria com Fiama, ela própria era jardineira e cultivava flores no seu jardim.

Sempre desarmante

Quem conheceu mais tarde, nos anos 80, a autora de Barcas Novas foi o poeta Fernando Pinto de Amaral. Na Casa Fernando Pessoa lembrou a tradutora que Fiama também foi e que ficava transtornada ao ver certas traduções demasiado literais, que tinham resultados muito pobres, "muito rasteiros em português". Fernando costumava dar-lhe boleia de carro para os seminários de tradução de poesia que se realizavam na Casa de Mateus, em Vila Real. "A conversa dela ao longo da viagem era realmente fascinante. Para lá das referências todas que tinha, a sua conversa não era intelectualizada no mau sentido. Era desarmante em certas coisas e muito engraçada. Tinha um fino sentido de humor. Provavelmente quem não a conheceu poderá, eventualmente, lendo a poesia dela, ficar com essa dúvida. Mas tinha-o de facto."Um dia estavam os dois a regressar da Casa de Mateus e a entrar na auto-estrada. Antes da máquina para se retirar o bilhete, apareceu o aviso onde se lia: "Retire o título." A primeira coisa que Fiama lhe disse foi. "Olhe, se passar aqui o conde, já não é conde. Têm que lhe tirar o título, é uma auto-estrada democrática." Tinha comentários destes a propósito de tudo e de nada, conta Pinto do Amaral, o que contrastava com o tom de voz dela e a sua figura física.

Quem quiser conhecer melhor Fiama Hasse Pais Brandão tem agora mais uma oportunidade. Durante o colóquio foi lançada a antologia poética Âmago, coordenada por Gastão Cruz, com as colaborações de Carlos Mendes de Sousa, Jorge Fernandes da Silveira, Maria de Lourdes Ferraz e Rosa Maria Martelo, e que tem por missão ser mais manuseável que a anterior, Obra Breve, de 1991, também editada na Assírio & Alvim.

Cortesia de O Público

Poetisa Fiama Hasse Pais Brandão homenageada em Lisboa

Poetas, críticos e académicos homenageiam a 29 e 30 de Outubro Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007), considerada uma das vozes mais representativas da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, num colóquio na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

Ao longo de dois dias, nomes como Eduardo Lourenço, Fernando J.B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo vão debruçar-se sobre a obra de "um dos autores que levaram mais longe a profunda renovação do discurso poético português, no seguimento das experiências modernista e surrealista".

A 29 de Outubro, o colóquio abre, às 11 horas, com uma intervenção da vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, seguida de uma mesa moderada pela escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, em que participam Fernando J.B. Martinho ("Fiama: um canto de epifania"), Joanas Matos Frias ("Às vezes as coisas dentro de nós: figuras inconsúteis no teatro da memória") e Manuel Gusmão ("A nomeação lírica e o Amor pelos Livros").

À tarde, às 14.30 horas, Jorge Fernandes da Silveira proferirá uma conferência subordinada ao tema "Grafia, Epigrafia, Grafiamas".

Segue-se, pelas 15.15 horas, uma mesa de "Testemunhos", em que participam os poetas Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Luís Quintais, com moderação de Filipa Leal.

Às 17 horas, é a vez de Maria de Lourdes Ferraz, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo apresentarem as suas comunicações, intituladas "Uma proposta imodesta: a Poética de Fiama. Breves Apontamentos", "Fiama: a escolha da terra" e ""Ideações da imagem na poesia de Fiama", respectivamente.

Depois, pelas 18 horas, haverá um debate e o lançamento da antologia "Âmago", coordenada e apresentada por Gastão Cruz, com a participação dos colaboradores na organização da obra, editada pela Assírio & Alvim.

A 30 de outubro, com início às 14.30, mais uma sessão de "Testemunhos", com Gastão Cruz, Maria Teresa Horta e Armando Silva Carvalho, e moderação de Filipa Leal.

Pelas 16 horas, Maria do Céu Fialho falará sobre "Fiama e a Grécia: percurso em torno da vida", Nuno Júdice partilhará as suas impressões de "O Contar de Fiama" e António Carlos Cortez abordará "Novas Visões de Fiama".

Seguir-se-á a exibição de um DVD em que Fiama lê alguns dos seus poemas; depois, Eduardo Lourenço proferirá a conferência final e, a encerrar, Luís Miguel Cintra e Luísa Cruz farão uma leitura de poemas de Fiama, que se inseriam numa linha poética de revalorização da palavra.

A entrada é livre.

Cortesia de JN

Fernando Pessoa debatido na África do Sul

Um ciclo dedicado a Fernando Pessoa vai juntar, a partir de hoje, estudiosos e admiradores do “poeta dos heterónimos” nas cidades sul-africanas de Joanesburgo e Durban, bem como em Gaborone e Harare, capitais do Botsuana e Zimbabué, respetivamente. O académico norte-americano, residente em Lisboa, Richard Zenith (na imagem) dissertará sobre “Pessoa, poeta de duas línguas e muitas máscaras” nas palestras e workshops marcados para as referidas cidades, sendo de particular interesse a vivência do poeta na cidade de Durban, entre 1899 e 1901, onde começou a escrever, com apenas 11 anos, em língua inglesa, um hábito que não perderia ao longo de grande parte da sua vida de poeta. Zenith, que possui uma vasta obra, entre ensaios, estudos e traduções, dedicada a Pessoa, já se encontra em Durban, na costa sul-africana do Índico, onde pesquisa os arquivos do consulado de Portugal (o padrasto do poeta foi cônsul na cidade) e do liceu onde o jovem Pessoa estudou e onde, desde 2005, um busto comemorativo da sua passagem por ali ocupa lugar de relevo entre os campos de jogos e a biblioteca e salas de aula do estabelecimento.

A Universidade de Witwatersrand (ou Wits, abreviatura pela qual também é conhecida), em Joanesburgo, será o palco da primeira de três conferências a realizar na África do Sul. As restantes terão como palcos o próprio liceu onde Fernando Pessoa estudou e a livraria Boekhuis, também em Joanesburgo.

O principal orador, Richard Zenith, será acompanhado em todas as sessões por dois dos maiores estudiosos sul-africanos de Fernando Pessoa, o académico David Bunyan e o crítico literário Stephen Gray.Este último será o moderador de todos os debates.

Na capital do Botsuana, a conferência dedicada ao poeta português realizar-se-á no leitorado de Português da Universidade de Gaborone no dia 25, enquanto a capital do Zimbabué acolherá duas sessões no dia 28 de outubro: na Universidade de Harare e no “Book Café”, uma tertúlia literária da cidade.

Cortesia de Agência Lusa


Retrato de Alberto de Lacerda

Num país sem tradição de biografias literárias, Luís Amorim de Sousa cometeu a proeza de fazer o retrato do seu amigo Alberto de Lacerda. Verdade que um retrato não é uma biografia, mas Às Sete no Sa Tortuga vai com certeza ser saudado como embrião de uma obra de maior fôlego.

Lacerda e Amorim de Sousa foram amigos durante décadas. Conheceram-se em Londres, no café Sa Tortuga de King’s Road, creio que em 1960. (O encontro coincide com o regresso de Lacerda a Londres depois de uma temporada no Brasil.) E ficaram amigos para a vida.

O livro lê-se num ápice, tanto pela escrita fluente do autor como pelo sortilégio que emana da figura de Lacerda, alguém que, e são palavras de Eduardo Lourenço, «sob o silencioso desdém ou a fulgurante ironia poucos adivinhariam que Alberto de Lacerda era [...] um exilado de si mesmo, escolhido com infalível mirada pela musa exigente da pura melancolia e da liberdade.» (cf. Alberto de Lacerda. O Mundo de um Poeta, Lisboa: Gulbenkian, 1987) Amorim de Sousa tem a vantagem do happy few entre pares. Quando se conheceram, Lacerda tinha quase dez anos de Londres. A diferença de idade — Lacerda nasceu em 1928, Amorim de Sousa em 1937 — não foi obstáculo a um convívio que sobreviveu às naturais atribulações da vida literária.

Londres foi o ponto de encontro e despedida de ambos. Amorim de Sousa foi a última pessoa que viu Lacerda antes de morrer, no Chelsea and Westminster Hospital, a 26 de Agosto de 2007, um mês antes de completar 79 anos. Na véspera, tinha sido descoberto em coma pelo seu amigo John McEwen, crítico de arte, que o fora buscar para almoço. Um ataque de coração em simultâneo com um derrame apagaram subitamente o autor de Palácio (1961).

Amorim de Sousa faz justiça às peculiares idiossincrasias de Alberto de Lacerda. Acompanha o seu trajecto por Londres, o período americano (primeiro em Austin, depois em Boston), o regresso a uma Londres “desumanizada” e as graves dificuldades materiais dos últimos anos.

No momento em que a Assírio & Alvim e a Fundação Mário Soares dão à estampa os primeiros volumes da Colecção Alberto de Lacerda, sendo um deles O Pajem Formidável dos Indícios, colectânea inédita de poemas escritos entre Outubro de 1995 e Janeiro de 1997, neste momento, dizia eu, o retrato do poeta feito por Amorim de Sousa tem todas as condições para chamar a atenção para a obra de um poeta que foi sempre estrangeiro na sua própria terra.

Eduardo Pitta

Cortesia de PNETLiteratura

«Guerra Junqueiro: de Freixo para o Mundo»


«Guerra Junqueiro: de Freixo para o Mundo» é o mote para uma exposição biobibliográfica patente no jardim municipal de Freixo de Espada à Cinta, iniciativa inserida nas comemorações dos 160 anos do nascimento do poeta.

O trabalho foi desenvolvido por Manuel Henrique Pereira, professor da Universidade Católica do Porto (UCP) e visa 'devolver o prestígio e popularidade que teve o poeta autor de obras tão emblemáticas como 'A Velhice do Padre Eterno''. O propósito do projecto é 'Revisitar/Redescobrir Guerra Junqueiro'.

Henrique Manuel Pereira avançou que está a ser realizado um documentário com 55 minutos que faz um retrato das múltiplas facetas de Guerra Junqueiro, com imagens de arquivo

O documentário deverá ser transmitido num canal generalista da televisão portuguesa, de acordo com o autor.

O trabalho precisava de uma banda sonora 'não só para tapar o silêncio, mas que fosse uma outra forma de o protagonista se dizer', acrescentou.

Assim, foram seleccionadas músicas com poesia de Guerra Junqueiro, num total de duas horas e meia, em linguagens sonoras de áreas tão distintas como hip hop, jazz, bossa nova ou electrónica, incluindo o tema musical mais conhecido da lírica de Junqueiro: 'A Moleirinha'.

Os 40 temas reunidos estão disponíveis em CD integrados no projecto que, além de 'A Música de Junqueiro' e a 'Viagem de Junqueiro' (documentário), inclui ainda uma fotobiografia, e a publicação de 500 páginas com entrevistas 'À volta de Junqueiro'.

O retrato de Junqueiro é ainda composto por documentos com éditos, inéditos e entrevistas a mais de 50 personalidades, entre as quais Eduardo Lourenço, o bispo D. Manuel Clemente, Mário Soares, Manoel de Oliveira e Helena da Rocha Pereira.

Todo o trabalho realizado está a ser divulgado na Internet, em www.artes.ucp.pt/guerrajunqueiro onde é possível também conhecer obras do poeta transmontano como 'A Velhice do Padre Eterno', 'Os simples', 'Pátria' ou 'A Morte de D. João'.

'Agora o trabalho será dado a conhecer aos alunos das escolas onde Junqueiro deixou marcas, com particular incidência na sua terra natal', disse à Agência Lusa José Santos, presidente da câmara de Freixo de Espada à Cinta.

O autarca avançou que a obra de Junqueiro 'A Lágrima' vai ser reeditada, em data a indicar, em espanhol, francês e italiano, além de português.

'Poeta, filósofo, cientista, político, agricultor e até viticultor duriense, Guerra Junqueiro foi uma voz respeitada da República e deixou uma obra literária apreciada pelos seus pares do século XIX, como Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa', conclui Manuel Henrique Pereira.

Cortesia de DNArtes

Benfeita inaugura Casa Memória Simões Dias

O passado domingo, dia 18 de Julho, foi um verdadeiro dia de festa para a população da Benfeita, pois, após duas décadas de reivindicação, a freguesia viu finalmente recuperada a casa onde nasceu o poeta José Simões, que agora passará a ser a Casa Memória, albergando também uma Loja Aldeias do Xisto.

O dia incluiu ainda a inauguração de uma exposição de pintura, em homenagem a Simões Dias, que se encontra patente na sua Casa Memória. De autoria de vários artistas do Porto, os quadros foram criados a partir do tema “Levanta-me do pó nas asas cândidas”.

José Simões Dias foi um poeta natural da Benfeita, formado em Teologia e autor de várias obras, como é o caso do romance “O Pecado”, tendo sido também deputado e colaborador em diversos periódicos literários. Viveu entre 1844 e 1899, tendo recebido várias distinções e prémios diversos.

A Casa da Memória passa, também, a acolher a Loja Aldeias do Xisto da Benfeita, espaço que vai funcionar segunda a sexta-feira, das 14h00 às 1800. Aos fins-de-semana quem a quiser visitar terá que contactar a Junta de Freguesia local. Neste espaço, como explicou Rui Simão, podem-se encontrar essencialmente três tipos de produtos, nomeadamente, produtos locais, quer sejam bens alimentares ou de artesanato, aos quais se juntam os produtos de autor, como é o caso da cerâmica, por exemplo, e os denominados produtos de fusão, isto é, produtos desenvolvidos por artesãos que não estejam no território mas que contactam com outros artesãos que pertençam ao território.

O representante da ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, recordou ainda que esta é a décima loja da rede, contando ainda com duas fora do território, uma das quais a funcionar em Lisboa e outra que abrirá no próximo mês de Agosto, em Barcelona.

Alfredo Martins, presidente da Junta de Freguesia da Benfeita, considerou o dia como «um momento marcante na história de vida desta aldeia», pois, sustentou, referindo-se e à inauguração da loja, «concretizamos hoje um passo decisivo na nossa integração total na Rede Aldeias do Xisto».

O presidente da Junta da Benfeita agradeceu ainda o empenho do presidente da Câmara Municipal de Arganil, uma vez que «há já duas décadas que a população ansiava que este edifício tivesse este destino e o Ricardo Pereira Alves foi sensível a isso desde o seu primeiro mandato», sublinhou.

Também Carlos da Capela, em representação da Editorial Moura Pinto, declarou que «este é um momento histórico para a aldeia», uma vez «que se trata da revitalização de um espaço que tem muita memória e que vai ser o coração da aldeia e onde se irá sentir o seu pulsar».

Por seu turno, o presidente da Câmara de Arganil lembrou que o poeta Simões Dias «foi uma das personalidades mais marcantes do concelho» e a Loja Aldeias do Xisto representa, na sua óptica, «a afirmação e consolidação dos produtos genuinamente locais e que podem ser um factor decisivo em termos de desenvolvimento económico, sobretudo local».

Ricardo Pereira Alves afirmou ainda que este projecto da Rede das Aldeias do Xisto «já é uma referência do turismo ao nível nacional», enquanto a Benfeita «já é hoje identificada por todos como um destino turístico de qualidade e que afirma e consolida a sua posição em termos de turismo no concelho e em termos regionais». E, por todas estas razões, o edil de Arganil sublinhou que «hoje é um dia importante, porque fazemos a simbiose entre a afirmação dos produtos locais, mas também da vocação turística da Benfeita e da Casa Memória Simões Dias».

Cortesia de Diário de Coimbra

Lembrar Guerra Junqueiro 160 anos depois do seu nascimento

A Universidade Católica (UC), no Porto, através da Escola de Artes, apresentou um novo testemunho assente na vida e obra do poeta Guerra Junqueiro. O autor de a “Velhice do padre eterno” está agora imortalizado em “À volta de Junqueiro: vida, obra, pensamento”.

O trabalho conta com testemunhos escritos por 28 figuras da sociedade portuguesa, entre as quais se destacam Mário Soares, Manuel Clemente, Eduardo Lourenço e Nuno Júdice, entre outros. O trabalho de investigação assume-se ?como um retrato daquele que é considerado o poeta da República?, abordando as suas múltiplas facetas ? pensador, político ou coleccionador de arte. A iniciativa foi desenvolvida no âmbito do projecto ?Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro?, coordenado por Henrique Manuel Pereira da UC. O livro ?contém declarações inéditas, assumindo-se como um raro momento de reflexão interdisciplinar e intergeracional?

Numa altura em que se assinala o 160º aniversário do nascimento do autor, e em paralelo ao centenário da República, a UC apostou, em parceria com o município de Freixo de Espada à Cinta ? onde o autor nasceu, a 17 de Setembro ?, numa série de iniciativas em homenagem a Guerra Junqueiro, considerado, pelos estudiosos, um dos mais polémicos e relevantes poetas da literatura portuguesa.

No entanto, o trabalho de investigação não fica só pela componente literária, já que a UC lançou uma obra fonográfica em duplo CD. A par do disco, está a ser preparado um documentário e uma fotobiografia do escritor.

Segundo Henrique Manuel Pereira, este trabalho pretende tratar Guerra Junqueiro na pluralidade do seu trabalho. ?Não foi preciso grande esforço para fazer emergir o grande pensador que foi o autor. Guerra Junqueiro, nos últimos 20 anos de vida, trabalhou num sistema filosófico denominado ?Unidade do Ser??, sintetizou o estudioso da UC.

Para Setembro próximo, está agendado o lançamento da obra de Guerra Junqueiro “A lágrima”.

Cortesia e JN

José Saramago: faleceu o Nobel da Literatura

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

José Saramago

Bem-haja José.

Documentário sobre o poeta Manoel de Barros



Só dez por cento é mentira, do director Pedro Cezar é sobre o poeta matogrossense Manoel de Barros.

«A grande atração, sem dúvida, é o próprio autor dessa obra magnífica que já ocupa mais de 20 livros e será brevemente lançada em conjunto pela editora portuguesa Leya. Ele concede um precioso depoimento de cerca de 40 minutos ao diretor, que aparece intercalado entre as demais imagens do filme e basta para identificar o sorriso grande e a prosa oceânica do escritor

Manoel não aguenta mais falar muito tempo, mas cada coisa que diz é uma fileira de pérolas raras. Abençoados aqueles que moram em Campo Grande e tem a chance de tocar-lhe a campainha e ser acolhidos para um café e um dedo de prosa – o que acontece mais do que as pessoas imaginam. A todos ele dispensa algumas de suas palavras, que são sua fibra e razão, dele e nossa, de viver.» refere a crítica Neusa Barbosa

Cortesia de colunistas.ig.com.br

Bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nascido em Lisboa a 28 de Março de 1810, liberal, seguidor do Romantismo e agricultor de paixão, foi homem do saber, das artes, da escrita, da história, do jornalismo, da poesia e da política. Figura ímpar do século XIX, invejado por uns e admirado por muitos outros, conseguiu uma vida plena de actividades, defendendo os seus ideais com convicção e rejeitando o Absolutismo através da luta armada, o que conduziu ao seu exílio em França, onde escreveu os seus melhores poemas. Mesmo assim, afrontou o clero, com o rigor da história, sobre a batalha de Ourique, defendendo sempre, com verdade científica, os seus escritos. Pela sua obra foi nomeado sócio efectivo da Academia das Ciências.

Apesar de ter sido considerado, por muitos, como o maior historiador português do século XIX e de ser conhecedor dos idiomas inglês, italiano, alemão, francês e latim e de saber lógica, retórica e matemática, como homem simples que era, recusou honrarias e condecorações, retirando-se para a sua quinta de Vale de Lobos, na Azoia de Santarém, ao sentir o apelo da terra. Aí se dedicou à agricultura e assumiu uma vida simples, contrária ao reboliço dos grandes centros, como ele próprio escreveu “ancorado no porto tranquilo e feliz do silêncio e da tranquilidade”, abdicando das lutas inglórias às quais se entregou, sempre, com fulgor.

Nesta última fase da sua vida, inspirado pela força da natureza, dedicou-se à agricultura criando uma granja-modelo, com uma produção diversificada, nomeadamente de cereais, vinho e azeite. Conforme se lê no livro de Jorge Custódio intitulado O Lagar e o “Azeite Herculano”, “não há boas colheitas sem estrumes, não há estrumes sem gado e não há gado sem pastos”. Assentando toda a estrutura da propriedade agrícola nesta dedução lógica, desenvolveu um modelo de exploração que foi um marco de referência no país e no estrangeiro. Experimentou várias práticas de cultura agrícola e introduziu a beterraba como penso para o gado. Herculano foi pois caracterizado como um bom gestor agrícola e um homem com sensibilidade para o cultivo das terras e para a comercialização dos seus produtos.

Mas a área de maior desenvolvimento e a sua grande paixão foi a produção de azeite. Neste domínio explorou dois lagares, o Lagar de Azeite da Quinta de Calhariz (como rendeiro) e o lagar de Vale de Lobos na sua propriedade. As técnicas de exploração eram já muito avançadas para a época e um exemplo a ser seguido. Surge assim um azeite de elevada qualidade e reconhecido internacionalmente, o “Azeite Herculano”, que foi um marco histórico nos azeites portugueses. Todo o processo relacionado com a produção era preparado com o maior cuidado e conhecimento tecnológico no cultivo da oliveira, na apanha da azeitona, no transporte, no fabrico, no envasilhamento e engarrafamento e posteriormente na comercialização, nomeadamente na venda em casas da especialidade. O reconhecimento do seu mérito ultrapassou as fronteiras, tendo em 1876 recebido o diploma conferido pela Comissão Centenária dos Estados Unidos da América no certame de “Philadelphia Olive Oil”.

O seu último suspiro ocorreu a 13 de Setembro de 1877, perdendo o som da vida na sua última ligação à Terra, deixando de desfrutar a calmaria e a tranquilidade de Vale de Lobos, onde adquiriu a paixão pela agricultura e pela vida simples, mas sempre com o intuito de levar a cabo todas as suas tarefas na perfeição. Homem notável, de cultura europeia, ribatejano de coração, foi reconhecido internacionalmente como um dos maiores portugueses do século XIX. Teve as honras de ser sepultado em mausoléu próprio, na Capela Tumular do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.

A comemoração do bicentenário do seu nascimento, para além de legítima, é um tributo ao homem que bem serviu o país, numa época de mudanças e de evolução histórica.

Cortesia de O Mirante

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