Poema visual de Constança Lucas
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Até ao fim do mundo
Beladona, que estás no Céu brilhando,
Ó Musa, a mais amada de Citera,
Ó deusa que apar'ceste em Primavera
E ora afagas no Outono, magoando...
O que sou, o que posso e o que mando,
O que rezo, o que sonho e o que espera,
Tudo é teu, tudo é vosso, ó minha Fera,
Ó minha Mater Dona imaginando.
Meu letreiro tu és... e já não sei
Outra causa, nas cousas que medito.
Noite e dia, Raquel do «Agnus Dei»,
Caroável, as brasas e o fito...
Amor, se em cor e carne eu te abracei,
Amor, tu és a Morte e és o Mito.
Lisboa, 24/ 05/ 2005
Nota do Autor: no segundo verso do último terceto, a palavra «cor» é sinónimo de «coração» e deve, portanto, ser lida como «cór»
Paulo Jorge Brito e Abreu
Ó Musa, a mais amada de Citera,
Ó deusa que apar'ceste em Primavera
E ora afagas no Outono, magoando...
O que sou, o que posso e o que mando,
O que rezo, o que sonho e o que espera,
Tudo é teu, tudo é vosso, ó minha Fera,
Ó minha Mater Dona imaginando.
Meu letreiro tu és... e já não sei
Outra causa, nas cousas que medito.
Noite e dia, Raquel do «Agnus Dei»,
Caroável, as brasas e o fito...
Amor, se em cor e carne eu te abracei,
Amor, tu és a Morte e és o Mito.
Lisboa, 24/ 05/ 2005
Nota do Autor: no segundo verso do último terceto, a palavra «cor» é sinónimo de «coração» e deve, portanto, ser lida como «cór»
Paulo Jorge Brito e Abreu
VOLTE-FACE: Procuro o Teu Nome
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Polisoir milagroso
No inverno os gritos dos semáforos caem ao mar
crivados de vento e de crucificação
Numa gota do meu sangue pode afundar-se um barco
do meu sangue caindo sobre o peito
de uma marquesa Luís XV de espuma
Esta paisagem gela menos ao espelho
do que sobre as unhas dos mortos
que hão-de ressuscitar com os dedos em flor
flor de agonia extinta e de salvação
Dividida como um vale de Josafat
espera-a a risca do meu cabelo
enquanto Cristo condena
a virgem Maria com um penteador branco
dará um naco de pão aos condenados
e porá um pássaro de carícias
na testa dos que se salvarem
Luis Buñuel
crivados de vento e de crucificação
Numa gota do meu sangue pode afundar-se um barco
do meu sangue caindo sobre o peito
de uma marquesa Luís XV de espuma
Esta paisagem gela menos ao espelho
do que sobre as unhas dos mortos
que hão-de ressuscitar com os dedos em flor
flor de agonia extinta e de salvação
Dividida como um vale de Josafat
espera-a a risca do meu cabelo
enquanto Cristo condena
a virgem Maria com um penteador branco
dará um naco de pão aos condenados
e porá um pássaro de carícias
na testa dos que se salvarem
Luis Buñuel
Viver
Ainda não sei ao certo,
Se o rumo ou o mar em que navego,
Servem para minha viagem.
Tem coisas que se descobrem aos poucos
E se entendem no tempo.
Há que navegar entre o medo e o destino
Enfrentar o que me faz tremer
Pois um dia de cada vez, neste mar,
Faz a diferença, entre estar e ser.
Navegante de mim mesmo,
Neste oceano que muda a cada instante,
Tento entender os sinais, para acalmar
Meu coração aflito.
Um mar revolto e inquieto
Assalta a mente e a faz estremecer.
Inseguro barco que navega ao vento
Com as marés a encher o peito
Na busca de um porto distante.
Na busca de uma rota
Procuro entender e fico a ler as estrelas.
Finalmente, o destino é claro
Navegar é preciso,
Viver também o é.
Um dia de cada vez…
cada emoção, cada sentir, cada saber, ou o amor…
É mergulhar em mim mesmo,
Dentro deste mar, que é meu ser,
Com a certeza do novo,
Na coragem de querer, sempre
Viver, navegar!
Luis Pardal
Se o rumo ou o mar em que navego,
Servem para minha viagem.
Tem coisas que se descobrem aos poucos
E se entendem no tempo.
Há que navegar entre o medo e o destino
Enfrentar o que me faz tremer
Pois um dia de cada vez, neste mar,
Faz a diferença, entre estar e ser.
Navegante de mim mesmo,
Neste oceano que muda a cada instante,
Tento entender os sinais, para acalmar
Meu coração aflito.
Um mar revolto e inquieto
Assalta a mente e a faz estremecer.
Inseguro barco que navega ao vento
Com as marés a encher o peito
Na busca de um porto distante.
Na busca de uma rota
Procuro entender e fico a ler as estrelas.
Finalmente, o destino é claro
Navegar é preciso,
Viver também o é.
Um dia de cada vez…
cada emoção, cada sentir, cada saber, ou o amor…
É mergulhar em mim mesmo,
Dentro deste mar, que é meu ser,
Com a certeza do novo,
Na coragem de querer, sempre
Viver, navegar!
Luis Pardal
Alguns gostam de poesia
Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
Wislawa Szymborska
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
Wislawa Szymborska
O Pai
Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda
Ainda não
Ainda não
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço de mais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar
ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem.
ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer
ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer à frente de quem quer que desça.
ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração
António José Forte
não há dinheiro para partir de vez
não há espaço de mais para ficar
ainda não se pode abrir uma veia
e morrer antes de alguém chegar
ainda não há uma flor na boca
para os poetas que estão aqui de passagem
e outra escarlate na alma
para os postos à margem.
ainda não há nada no pulmão direito
ainda não se respira como devia ser
ainda não é por isso que choramos às vezes
e que outras somos heróis a valer
ainda não é a pátria que é uma maçada
nem estar deste lado que custa a cabeça
ainda não há uma escada e outra escada depois
para descer à frente de quem quer que desça.
ainda não há camas só para pesadelos
ainda não se ama só no chão
ainda não há uma granada
ainda não há um coração
António José Forte
Fantasia
Há uma mulher em toda a minha vida,
Que não se chega bem a precisar.
Uma mulher que eu trago em mim perdida,
Sem a poder beijar.
Há uma mulher na minha vida inquieta.
Uma mulher? Há duas, muitas mais,
Que não são vagos sonhos de poeta,
Nem formas irreais.
Mulheres que existem, corpos, realidade,
Têm passado por mim, humanamente,
Deixando, quando partem, a saudade
Que deixa toda a gente.
Mas coisa singular, essa que eu não beijei,
É quem me ilude, é quem me prende e quer.
Com ela sonho e sofro... Só não sei
Quem é essa mulher.
Alfredo Brochado
Que não se chega bem a precisar.
Uma mulher que eu trago em mim perdida,
Sem a poder beijar.
Há uma mulher na minha vida inquieta.
Uma mulher? Há duas, muitas mais,
Que não são vagos sonhos de poeta,
Nem formas irreais.
Mulheres que existem, corpos, realidade,
Têm passado por mim, humanamente,
Deixando, quando partem, a saudade
Que deixa toda a gente.
Mas coisa singular, essa que eu não beijei,
É quem me ilude, é quem me prende e quer.
Com ela sonho e sofro... Só não sei
Quem é essa mulher.
Alfredo Brochado
O Teu Olhar nos Meus Olhos
Sempre onde tu estás
Naquilo que faço
Viras-te agarras os braços
Toco-te onde te viras
O teu olhar nos meus olhos
Viro-me para tocar nos teus braços
Agarras o meu tocar em ti
Toco-te para te ter de ti
A única forma do teu olhar
Viro o teu rosto para mim
Sempre onde tu estás
Toco-te para te amar olho para os teus olhos.
Harold Pinter
Naquilo que faço
Viras-te agarras os braços
Toco-te onde te viras
O teu olhar nos meus olhos
Viro-me para tocar nos teus braços
Agarras o meu tocar em ti
Toco-te para te ter de ti
A única forma do teu olhar
Viro o teu rosto para mim
Sempre onde tu estás
Toco-te para te amar olho para os teus olhos.
Harold Pinter
Dá-me a tua mão
Dá-me a tua mão.
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.
José Gomes Ferreira
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.
José Gomes Ferreira
O Divino
Nobre seja o homem,
Caridoso e bom!
Pois isso apenas
É que o distingue
De todos os seres
Que conhecemos.
Glória aos incógnitos
Mais altos seres
Que pressentimos!
Que o homem se lhes iguale!
Seu exemplo nos ensine
A crer naqueles!
Pois insensível
É a natureza:
O sol 'spalha luz
Sobre maus e bons,
E ao criminoso
Brilham como ao santo
A lua e as 'strelas.
Vento e torrentes,
Trovão e saraiva
Rugem seu caminho
E agarram,
Velozes passando,
Um após outro.
Tal a sorte às cegas
Lança mãos à turba
E agarra os cabelos
Do menino inocente
Ou a fronte calva
Do velho culpado.
Por eternas leis,
Grandes e de bronze,
Temos todos nós
De fechar os círculos
Da nossa existência.
Mas somente o homem
Pode o impossível:
Só ele distingue,
Escolhe e julga;
E pode ao instante
Dar duração.
Só ele é que pode
Premiar o bom,
Castigar o mau,
Curar e salvar,
Unir com proveito
Tudo o que erra e divaga.
E nós veneramos
Os Imortais
Como se homens fossem,
Em grande fizessem
O que em pequeno o melhor de nós
Faz ou deseja.
Que o homem nobre
Seja caridoso e bom!
Incansável crie
O útil, o justo,
E nos seja exemplo
Dos Seres pressentidos.
Johann Goethe
Caridoso e bom!
Pois isso apenas
É que o distingue
De todos os seres
Que conhecemos.
Glória aos incógnitos
Mais altos seres
Que pressentimos!
Que o homem se lhes iguale!
Seu exemplo nos ensine
A crer naqueles!
Pois insensível
É a natureza:
O sol 'spalha luz
Sobre maus e bons,
E ao criminoso
Brilham como ao santo
A lua e as 'strelas.
Vento e torrentes,
Trovão e saraiva
Rugem seu caminho
E agarram,
Velozes passando,
Um após outro.
Tal a sorte às cegas
Lança mãos à turba
E agarra os cabelos
Do menino inocente
Ou a fronte calva
Do velho culpado.
Por eternas leis,
Grandes e de bronze,
Temos todos nós
De fechar os círculos
Da nossa existência.
Mas somente o homem
Pode o impossível:
Só ele distingue,
Escolhe e julga;
E pode ao instante
Dar duração.
Só ele é que pode
Premiar o bom,
Castigar o mau,
Curar e salvar,
Unir com proveito
Tudo o que erra e divaga.
E nós veneramos
Os Imortais
Como se homens fossem,
Em grande fizessem
O que em pequeno o melhor de nós
Faz ou deseja.
Que o homem nobre
Seja caridoso e bom!
Incansável crie
O útil, o justo,
E nos seja exemplo
Dos Seres pressentidos.
Johann Goethe
Escreve!
Não sei o que supor
Do teu silêncio. Escreve!
Quem é amado deve
Ser grato ao menos, flor!
Se eu fosse tão feliz
Que te falasse um dia,
De viva voz diria
Mais do que a carta diz.
Mas olha, tal qual é,
Não rias desse escrito,
Que pouco ou muito é dito
Tudo de boa-fé.
Há nesse teu olhar
A doce luz da Lua,
Mas luz que se insinua
A ponto de abrasar...
Pareça nele, sim,
Que há só doçura, embora,
Há fogo que devora...
Que me devora a mim!
Que mata, mas que dá
Uma suave morte;
Mata da mesma sorte
Que uma árvore que há;
Que ao pé se lhe ficou
Acaso alguém dormindo
Adormeceu sorrindo...
Porém não acordou!
Esse teu seio então...
Que encantadora curva!
Como de o ver se turva
A vista e a razão!
Como até mesmo o ar
Suspende a gente logo,
Pregando olhos de fogo
Em tão formoso par!
Ó seio encantador,
Delicioso seio!
Que júbilo, que enleio,
Libar-lhe o néctar, flor!
Eu tenho muita vez
Já visto a borboleta
Na casta violeta
Pousar os leves pés;
E num enlevo tal,
Numa avidez tamanha,
Que a gente a não apanha
Com dó de fazer mal!
Pegada à flor então
No pé curvinho e mole,
As asas nem as bole
Toda sofreguidão!
Pousou... adormeceu!
Só vê, só ouve e sente
O cálix rescendente
Daquele mel do céu!
Pois vê com que prazer
E com que ardente sede
Te havia... que não hei-de!...
Também beijar, sorver!
Mas eu só peço dó,
Só peço piedade!
Mata-me a saudade
Com duas Unhas só!
Eu, a não ser em ti,
Achar alívios onde?
Escreve-me! responde
A carta que escrevi!
Cansado de esperar
Às vezes quando saio,
Pensas que me distraio?
Pois volto com pesar!
Concentra-se-me em ti
A alma de tal modo,
Que esse bulício todo
Nem o ouvi, nem vi!
Ninguém te substitui
Porque só tu és bela!
Que estrela a minha estrela,
E que infeliz que eu fui!
Mas devo-te supor
Sempre indulgente e boa:
Escreve-me e perdoa
Meu violento amor!
Respeita uma afeição
Inútil mas sincera!
Tu és mulher, pondera
O que é uma paixão.
Com sangue era eu capaz
De te escrever; portanto,
Tinta não custa tanto,
E não me escreverás?
Uma palavra, sim,
Que me não amas... queres?
Enquanto me escreveres,
Tu pensarás em mim!
Só essa ideia, crê,
Encerra mais doçura
Que as provas de ternura
Que outra qualquer me dê!
João de Deus
Do teu silêncio. Escreve!
Quem é amado deve
Ser grato ao menos, flor!
Se eu fosse tão feliz
Que te falasse um dia,
De viva voz diria
Mais do que a carta diz.
Mas olha, tal qual é,
Não rias desse escrito,
Que pouco ou muito é dito
Tudo de boa-fé.
Há nesse teu olhar
A doce luz da Lua,
Mas luz que se insinua
A ponto de abrasar...
Pareça nele, sim,
Que há só doçura, embora,
Há fogo que devora...
Que me devora a mim!
Que mata, mas que dá
Uma suave morte;
Mata da mesma sorte
Que uma árvore que há;
Que ao pé se lhe ficou
Acaso alguém dormindo
Adormeceu sorrindo...
Porém não acordou!
Esse teu seio então...
Que encantadora curva!
Como de o ver se turva
A vista e a razão!
Como até mesmo o ar
Suspende a gente logo,
Pregando olhos de fogo
Em tão formoso par!
Ó seio encantador,
Delicioso seio!
Que júbilo, que enleio,
Libar-lhe o néctar, flor!
Eu tenho muita vez
Já visto a borboleta
Na casta violeta
Pousar os leves pés;
E num enlevo tal,
Numa avidez tamanha,
Que a gente a não apanha
Com dó de fazer mal!
Pegada à flor então
No pé curvinho e mole,
As asas nem as bole
Toda sofreguidão!
Pousou... adormeceu!
Só vê, só ouve e sente
O cálix rescendente
Daquele mel do céu!
Pois vê com que prazer
E com que ardente sede
Te havia... que não hei-de!...
Também beijar, sorver!
Mas eu só peço dó,
Só peço piedade!
Mata-me a saudade
Com duas Unhas só!
Eu, a não ser em ti,
Achar alívios onde?
Escreve-me! responde
A carta que escrevi!
Cansado de esperar
Às vezes quando saio,
Pensas que me distraio?
Pois volto com pesar!
Concentra-se-me em ti
A alma de tal modo,
Que esse bulício todo
Nem o ouvi, nem vi!
Ninguém te substitui
Porque só tu és bela!
Que estrela a minha estrela,
E que infeliz que eu fui!
Mas devo-te supor
Sempre indulgente e boa:
Escreve-me e perdoa
Meu violento amor!
Respeita uma afeição
Inútil mas sincera!
Tu és mulher, pondera
O que é uma paixão.
Com sangue era eu capaz
De te escrever; portanto,
Tinta não custa tanto,
E não me escreverás?
Uma palavra, sim,
Que me não amas... queres?
Enquanto me escreveres,
Tu pensarás em mim!
Só essa ideia, crê,
Encerra mais doçura
Que as provas de ternura
Que outra qualquer me dê!
João de Deus
Trovas à morte de Inês de Castro
Qual será o coração
tão cru e sem piedade
que lhe não cause paixão
uma tão grã crueldade
e morte tão sem razão?
Triste de mim, inocente,
que, por ter muito fervente
lealdade, fé, amor
ao príncipe, meu senhor,
me mataram cruamente!
A minha desaventura
não contente d’acabar-me,
por me dar maior tristura
me foi pôr em tant’ altura,
para d’alto derribar-me;
que, se me matara alguém,
antes de ter tanto bem,
em tais chamas não ardera,
pai, filhos não conhecera,
nem me chorara ninguém.
Eu era moça, menina,
por nome Dona Inês
de Castro, e de tal doutrina
e virtudes, qu’era Dina
de meu mal ser ao revés.
Vivia sem me lembrar
que paixão podia dar
nem dá-la ninguém a mim:
foi-m’o príncipe olhar,
por seu nojo e minha fim
Começou-m’a desejar,
trabalhou por me servir;
Fortuna foi ordenar
dous corações conformar
a uma vontade vir.
Conheceu-me, conheci-o,
quis-me bem e eu a ele,
perdeu-me, também perdi-o:
nunca té morte foi frio
o bem que, triste, pus nele.
Dei-lhe a minha liberdade,
não senti perda de fama;
pus nele minha verdade,
quis fazer sua vontade,
sendo mui formosa dama.
Por m’estas obras pagar
nunca jamais quis casar;
pelo qual, aconselhado
foi el-rei qu’era forçado,
pelo seu, de me matar.
Estava mui acatada,
como princesa servida,
em meus paços mui honrada,
de tudo mui abastada,
de meu senhor mui querida.
Estando mui de vagar,
bem fora de tal cuidar,
em Coimbra, d’assossego
pelos campos do Mondego
cavaleiros vi somar.
Como as cousas qu’hão de ser
logo dão no coração,
comecei entristecer
e comigo só dizer:
“Estes homens onde irão?”
E tanto que perguntei,
soube logo qu’era el-rei.
Quando o vi tão apressado,
meu coração trespassado
foi, que nunca mais falei.
E quando vi que descia,
saí à porta da sala,
devinhando o que queria:
com grão choro e cortesia
lhe fiz uma triste fala.
Meus filhos pus de redor
de mim com grande humildade;
mui cortada de temor
lhe disse: — “Havei, senhor,
desta triste piedade!
“Não possa mais a paixão
que o que deveis fazer;
metei nisso bem a mão,
qu’é de fraco coração
sem porquê matar mulher;
quanto mais a mim, que dão
culpa não sendo razão,
por ser mãe dos inocentes
qu’ante vós estão presentes
os quais vossos netos são.
“E tem tão pouca idade
que, se não forem criados
de mim só, com saudade
e sua grande orfandade
morrerão desamparados.
Olhe bem quanta crueza
fará nisto Voss’ Alteza,
e também, senhor, olhai
pois do príncipe sois pai,
não lhe deis tanta tristeza.
“Lembre-vos o grand’amor
que me vosso filho tem,
e que sentir grã dor
morrer-lhe tal servidor
por lhe querer grande bem.
Que, s’algum erro fizera,
fora bem que padecera
e qu’estes filhos ficaram
órfãos tristes e buscaram
quem deles paixão houvera;
“Mas, pois eu nunca errei
e sempre mereci mais,
deveis, poderoso rei,
não quebrantar vossa lei,
que, se morro, quebrantais.
Usai mais de piedade
que de rigor nem vontade,
havei dó, senhor, de mim,
não me deis tão triste fim,
pois que nunca fiz maldade!”
El-rei, vendo como estava,
houve de mim compaixão
e viu o que não olhava:
qu’eu a ele não errava
nem fizera traição.
E vendo quão de verdade
tive amor e lealdade
ao príncipe, cuja são,
pôde mais a piedade
que a determinação;
Que, se m’ele defendera
que seu filho não amasse,
e lh’eu não obedecera,
então com razão pudera
dar-m’a morte qu’ordenasse;
mas vendo que nenhum’hora,
dês que nasci até’gora,
nunca nisso me falou,
quando se disto lembrou,
foi-se pela porta fora,
Com seu rosto lagrimoso,
co propósito mudado,
mui triste, mui cuidoso,
como rei mui piedoso,
mui cristão e esforçado.
Um daqueles que trazia
consigo na companhia,
cavaleiro desalmado,
de atrás dele, mui irado,
estas palavras dizia:
“— Senhor, vossa piedade
é digna de reprender,
pois que, sem necessidade,
mudaram vossa vontade
lágrimas duma mulher.
E quereis qu’abarregado,
com filhos, como casado,
este, senhor, vosso filho?
De vós mais me maravilho
que dele, qu’é namorado.
“Se a logo não matais,
não sereis nunca temido
nem farão o que mandais,
pois tão cedo vos mudais
do conselho qu’era havido.
Olhai quão justa querela
tendes, pois, por amor dela,
vosso filho quer estar
sem casar e nos quer dar
muita guerra com Castela.
“Com sua morte escusareis
muitas mortes, muitos danos;
vós, senhor, descansareis,
e a vós e a nós dareis
paz para duzentos anos.
O príncipe casará,
filhos de bênção terá,
será fora de pecado;
qu’agora seja anojado,
amanhã lhe esquecerá.”
E ouvindo seu dizer,
el-rei ficou mui torvado
por se em tais extremos ver,
e que havia de fazer
ou um ou outro, forçado.
Desejava dar-me vida,
por lhe não ter merecida
a morte nem nenhum mal:
sentia pena mortal
por ter feito tal partida.
E vendo que se lhe dava
a ele tod’esta culpa,
e que tanto o apertava,
disse àquele que bradava:
“—Minha tenção me desculpa.
Se o vós quereis fazer,
fazei-o sem mo dizer,
qu’eu nisso não mando nada,
nem vejo essa coitada
por que deva de morrer.”
Dous cavaleiros irosos,
que tais palavras lh’ouviram,
mui crus e não piedosos,
perversos, desamorosos,
contra mim rijo se viram;
com as espadas na mão
m’atravessam o coração,
a confissão me tolheram:
este é o galardão
que meus amores me deram
Garcia de Resende
tão cru e sem piedade
que lhe não cause paixão
uma tão grã crueldade
e morte tão sem razão?
Triste de mim, inocente,
que, por ter muito fervente
lealdade, fé, amor
ao príncipe, meu senhor,
me mataram cruamente!
A minha desaventura
não contente d’acabar-me,
por me dar maior tristura
me foi pôr em tant’ altura,
para d’alto derribar-me;
que, se me matara alguém,
antes de ter tanto bem,
em tais chamas não ardera,
pai, filhos não conhecera,
nem me chorara ninguém.
Eu era moça, menina,
por nome Dona Inês
de Castro, e de tal doutrina
e virtudes, qu’era Dina
de meu mal ser ao revés.
Vivia sem me lembrar
que paixão podia dar
nem dá-la ninguém a mim:
foi-m’o príncipe olhar,
por seu nojo e minha fim
Começou-m’a desejar,
trabalhou por me servir;
Fortuna foi ordenar
dous corações conformar
a uma vontade vir.
Conheceu-me, conheci-o,
quis-me bem e eu a ele,
perdeu-me, também perdi-o:
nunca té morte foi frio
o bem que, triste, pus nele.
Dei-lhe a minha liberdade,
não senti perda de fama;
pus nele minha verdade,
quis fazer sua vontade,
sendo mui formosa dama.
Por m’estas obras pagar
nunca jamais quis casar;
pelo qual, aconselhado
foi el-rei qu’era forçado,
pelo seu, de me matar.
Estava mui acatada,
como princesa servida,
em meus paços mui honrada,
de tudo mui abastada,
de meu senhor mui querida.
Estando mui de vagar,
bem fora de tal cuidar,
em Coimbra, d’assossego
pelos campos do Mondego
cavaleiros vi somar.
Como as cousas qu’hão de ser
logo dão no coração,
comecei entristecer
e comigo só dizer:
“Estes homens onde irão?”
E tanto que perguntei,
soube logo qu’era el-rei.
Quando o vi tão apressado,
meu coração trespassado
foi, que nunca mais falei.
E quando vi que descia,
saí à porta da sala,
devinhando o que queria:
com grão choro e cortesia
lhe fiz uma triste fala.
Meus filhos pus de redor
de mim com grande humildade;
mui cortada de temor
lhe disse: — “Havei, senhor,
desta triste piedade!
“Não possa mais a paixão
que o que deveis fazer;
metei nisso bem a mão,
qu’é de fraco coração
sem porquê matar mulher;
quanto mais a mim, que dão
culpa não sendo razão,
por ser mãe dos inocentes
qu’ante vós estão presentes
os quais vossos netos são.
“E tem tão pouca idade
que, se não forem criados
de mim só, com saudade
e sua grande orfandade
morrerão desamparados.
Olhe bem quanta crueza
fará nisto Voss’ Alteza,
e também, senhor, olhai
pois do príncipe sois pai,
não lhe deis tanta tristeza.
“Lembre-vos o grand’amor
que me vosso filho tem,
e que sentir grã dor
morrer-lhe tal servidor
por lhe querer grande bem.
Que, s’algum erro fizera,
fora bem que padecera
e qu’estes filhos ficaram
órfãos tristes e buscaram
quem deles paixão houvera;
“Mas, pois eu nunca errei
e sempre mereci mais,
deveis, poderoso rei,
não quebrantar vossa lei,
que, se morro, quebrantais.
Usai mais de piedade
que de rigor nem vontade,
havei dó, senhor, de mim,
não me deis tão triste fim,
pois que nunca fiz maldade!”
El-rei, vendo como estava,
houve de mim compaixão
e viu o que não olhava:
qu’eu a ele não errava
nem fizera traição.
E vendo quão de verdade
tive amor e lealdade
ao príncipe, cuja são,
pôde mais a piedade
que a determinação;
Que, se m’ele defendera
que seu filho não amasse,
e lh’eu não obedecera,
então com razão pudera
dar-m’a morte qu’ordenasse;
mas vendo que nenhum’hora,
dês que nasci até’gora,
nunca nisso me falou,
quando se disto lembrou,
foi-se pela porta fora,
Com seu rosto lagrimoso,
co propósito mudado,
mui triste, mui cuidoso,
como rei mui piedoso,
mui cristão e esforçado.
Um daqueles que trazia
consigo na companhia,
cavaleiro desalmado,
de atrás dele, mui irado,
estas palavras dizia:
“— Senhor, vossa piedade
é digna de reprender,
pois que, sem necessidade,
mudaram vossa vontade
lágrimas duma mulher.
E quereis qu’abarregado,
com filhos, como casado,
este, senhor, vosso filho?
De vós mais me maravilho
que dele, qu’é namorado.
“Se a logo não matais,
não sereis nunca temido
nem farão o que mandais,
pois tão cedo vos mudais
do conselho qu’era havido.
Olhai quão justa querela
tendes, pois, por amor dela,
vosso filho quer estar
sem casar e nos quer dar
muita guerra com Castela.
“Com sua morte escusareis
muitas mortes, muitos danos;
vós, senhor, descansareis,
e a vós e a nós dareis
paz para duzentos anos.
O príncipe casará,
filhos de bênção terá,
será fora de pecado;
qu’agora seja anojado,
amanhã lhe esquecerá.”
E ouvindo seu dizer,
el-rei ficou mui torvado
por se em tais extremos ver,
e que havia de fazer
ou um ou outro, forçado.
Desejava dar-me vida,
por lhe não ter merecida
a morte nem nenhum mal:
sentia pena mortal
por ter feito tal partida.
E vendo que se lhe dava
a ele tod’esta culpa,
e que tanto o apertava,
disse àquele que bradava:
“—Minha tenção me desculpa.
Se o vós quereis fazer,
fazei-o sem mo dizer,
qu’eu nisso não mando nada,
nem vejo essa coitada
por que deva de morrer.”
Dous cavaleiros irosos,
que tais palavras lh’ouviram,
mui crus e não piedosos,
perversos, desamorosos,
contra mim rijo se viram;
com as espadas na mão
m’atravessam o coração,
a confissão me tolheram:
este é o galardão
que meus amores me deram
Garcia de Resende
Vinham rosas na bruma florescidas
Vinham rosas na bruma florescidas
rodear no teu nome a sua ausência.
E a si se coroavam, e tingiam
a apenas sombra de sua transparência.
Coroavam-se a si. Ou no teu nome
a mágoa que vestiam madrugava
até que a bruma dissipasse o bosque
e ambos surgissem só lugar de mágoa.
Mágoa não de antes ou de depois. Presente
sempre actual de cada bruma ou rosa,
relativos ou não no espelho ausente.
E ausente só porque, se não repousa,
é nome rodopio que, na mente,
em bruma a brisa em que se aviva a rosa.
Fernando Echevarría
rodear no teu nome a sua ausência.
E a si se coroavam, e tingiam
a apenas sombra de sua transparência.
Coroavam-se a si. Ou no teu nome
a mágoa que vestiam madrugava
até que a bruma dissipasse o bosque
e ambos surgissem só lugar de mágoa.
Mágoa não de antes ou de depois. Presente
sempre actual de cada bruma ou rosa,
relativos ou não no espelho ausente.
E ausente só porque, se não repousa,
é nome rodopio que, na mente,
em bruma a brisa em que se aviva a rosa.
Fernando Echevarría
O coração
Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor
suspensa. Prodígio doendo. Enganador
relâmpago. Donde se enreda esta coragem
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são
as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo.
A emoção real do presságio. O aceno
cordial do outro lado do jogo. Inscrição
única do pólen, jogada que se arrasta.
Gota de tédio na lonjura das casas.
O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a
visão possível. Cordato, o lance destrói
a memória do que já não vejo ou sei.
Orlando Neves
suspensa. Prodígio doendo. Enganador
relâmpago. Donde se enreda esta coragem
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são
as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo.
A emoção real do presságio. O aceno
cordial do outro lado do jogo. Inscrição
única do pólen, jogada que se arrasta.
Gota de tédio na lonjura das casas.
O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a
visão possível. Cordato, o lance destrói
a memória do que já não vejo ou sei.
Orlando Neves
Falaram-me de amor
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia
O sol baixo de estio longe repousando ia
O sol baixo de estio longe repousando ia
Para lá do mar vítreo aos poucos fugia
Afivelando ao dia o seu último raiar
Entre a rua estreita tomando o seu lugar.
O Forte de Santiago guardava-nos o beijo
Que o nosso amor se fundou em Sesimbra
O tempo corria na melodia desse desejo
À frente das muralhas que o mar timbra.
O teu garço olhar vislumbrava o meu
Cegando meus olhos feitos condenados
A serem só teus no mais triste dos fados
Como o terrível de Eurídice e Orfeu.
Do cálido silêncio das altas ruas desertas
Vinha o rumor esbatido da nossa presença
Onde ecoavas palavras de coisas tão certas
Iguais às que eu sentia na alma suspensa.
Ninguém deu pelo nosso amor clandestino
Vagueando pelos segredos de cada esquina
Só atento se mantinha impassível o destino
Vigiando a hora da partida do alto da colina.
Que o tempo chegue quando tiver que chegar
Assim dizia tomando-te nos meus braços
Como se fosse o farol fixo dos teus passos
Que um rumor deixou isto algures no ar.
Mas o ponteiro grave do relógio ameaçava
Chegar ao derradeiro tempo da despedida
E fazia-o no deleite de apontar a dor brava
Que há entre dois amantes ávidos de vida.
Tic-Tac!
O céu gritou por gaivotas de um coro triste
Era tempo de recolher onde só a noite principia.
O mar recolheu da costa como tu própria viste.
E a lua subiu insegura sabendo que nos traía.
Incandescências de breves lâmpadas intrusas
Que se irrompiam pela noite fora aqui e ali
No sinal último da metamorfose que eu vi
Apartar-se o dia de nós entre lágrimas difusas.
Mas não choremos que só o dia acaba nesta linha.
O amor, esse, repousa e cresce em cima da saudade
E com o seu peso desperta uma terrível moinha:
A real prova quando o amor é grande de verdade.
Ricardo Pereira Dias
Para lá do mar vítreo aos poucos fugia
Afivelando ao dia o seu último raiar
Entre a rua estreita tomando o seu lugar.
O Forte de Santiago guardava-nos o beijo
Que o nosso amor se fundou em Sesimbra
O tempo corria na melodia desse desejo
À frente das muralhas que o mar timbra.
O teu garço olhar vislumbrava o meu
Cegando meus olhos feitos condenados
A serem só teus no mais triste dos fados
Como o terrível de Eurídice e Orfeu.
Do cálido silêncio das altas ruas desertas
Vinha o rumor esbatido da nossa presença
Onde ecoavas palavras de coisas tão certas
Iguais às que eu sentia na alma suspensa.
Ninguém deu pelo nosso amor clandestino
Vagueando pelos segredos de cada esquina
Só atento se mantinha impassível o destino
Vigiando a hora da partida do alto da colina.
Que o tempo chegue quando tiver que chegar
Assim dizia tomando-te nos meus braços
Como se fosse o farol fixo dos teus passos
Que um rumor deixou isto algures no ar.
Mas o ponteiro grave do relógio ameaçava
Chegar ao derradeiro tempo da despedida
E fazia-o no deleite de apontar a dor brava
Que há entre dois amantes ávidos de vida.
Tic-Tac!
O céu gritou por gaivotas de um coro triste
Era tempo de recolher onde só a noite principia.
O mar recolheu da costa como tu própria viste.
E a lua subiu insegura sabendo que nos traía.
Incandescências de breves lâmpadas intrusas
Que se irrompiam pela noite fora aqui e ali
No sinal último da metamorfose que eu vi
Apartar-se o dia de nós entre lágrimas difusas.
Mas não choremos que só o dia acaba nesta linha.
O amor, esse, repousa e cresce em cima da saudade
E com o seu peso desperta uma terrível moinha:
A real prova quando o amor é grande de verdade.
Ricardo Pereira Dias
Flores
Elas cresceram dentro de uma casa quente,
sob a orientação de uma célula,
as suas raízes foram afundadas em gordura e nutrição,
e pétalas - sempre magras e boas.
Quente era a casa que elas fizeram sentar-se dentro
Deram-lhes água, solo e luz:
não pela razão de pena
ou pelo desejo de uma longa vida.
Elas são os alegres presentes - de lembrar.
Mas um mau destino espera-as,
porque elas nunca serão capazes
de cheirar como os seus parentes jardins.
Elas não iriam ficar meio lábios vermelhos,
não iriam influenciar a abelha de ouro,
que não iria nunca resolver o enigma
qualquer que fosse a terra molhada.
Bella Akhmadulina
sob a orientação de uma célula,
as suas raízes foram afundadas em gordura e nutrição,
e pétalas - sempre magras e boas.
Quente era a casa que elas fizeram sentar-se dentro
Deram-lhes água, solo e luz:
não pela razão de pena
ou pelo desejo de uma longa vida.
Elas são os alegres presentes - de lembrar.
Mas um mau destino espera-as,
porque elas nunca serão capazes
de cheirar como os seus parentes jardins.
Elas não iriam ficar meio lábios vermelhos,
não iriam influenciar a abelha de ouro,
que não iria nunca resolver o enigma
qualquer que fosse a terra molhada.
Bella Akhmadulina
Primeiro Amor
Ó Mãe... de minha mãe!
Explica-me o segredo
Que eu mesmo a Deus sem medo
Não ia confessar:
Aquele seu olhar
Persegue-me, e receio,
Pressinto no meu seio
Ergue-se-me outro altar!
Eu em o vendo aspiro
Um ar mais puro, e tremo...
Não sei que abismo temo
Ou que inefável bem...
Oh! e como eu suspiro
Em êxtase o seu nome!...
Que enigma me consome,
Ó Mãe de minha mãe!
João de Deus
Explica-me o segredo
Que eu mesmo a Deus sem medo
Não ia confessar:
Aquele seu olhar
Persegue-me, e receio,
Pressinto no meu seio
Ergue-se-me outro altar!
Eu em o vendo aspiro
Um ar mais puro, e tremo...
Não sei que abismo temo
Ou que inefável bem...
Oh! e como eu suspiro
Em êxtase o seu nome!...
Que enigma me consome,
Ó Mãe de minha mãe!
João de Deus
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