2.º Prémio Literário Irene Lisboa

A Língua e a literatura portuguesas constituem veículos privilegiados da nossa Identidade e Cultura. Através das mesmas é reconhecida a Universalidade do nosso povo. Às autarquias, cabe também a sua preservação e proliferação. Neste âmbito, o Município de Arruda dos Vinhos promove o Concurso Literário Irene Lisboa, destinado a galardoar trabalhos de reconhecida qualidade. A escolha da Patrona do evento deve-se à importância ímpar de Irene Lisboa na nossa Literatura e Pedagogia e porque este é o concelho da sua naturalidade.

Regulamento

Artigo 1.º
Objectivos
1 - O presente regulamento tem como objecto estabelecer as condições e critérios do Concurso Literário Irene Lisboa.
2 - São objectivos deste concurso:
a) Divulgar o nome e a obra de Irene Lisboa;
b) Valorizar a Língua Portuguesa;
c) Valorizar a cultura Arrudense;
d) Criar e/ou consolidar hábitos de leitura;
e) Criar e/ou consolidar hábitos de escrita;
f) Promover a escrita criativa, valorizando a expressão literária.
Artigo 2.º
Periodicidade
O Prémio Literário Irene Lisboa realiza-se anualmente, no concelho de Arruda dos Vinhos.

Artigo 3.º
Modalidades
Os trabalhos a concurso poderão revestir as seguintes modalidades
a) Poesia (tema livre)
b) Prosa-Conto (tema livre)
Artigo 4.º
Participantes
Podem participar no concurso todos os cidadãos portugueses natos ou naturalizados e estrangeiros cuja situação de permanência no país esteja devidamente legalizada.

Artigo 5.º
Formalização das Candidaturas
1 - O trabalho a concurso é entregue dentro de envelope fechado, identificado no exterior com pseudónimo. Dentro do envelope que contém o trabalho, deve ser colocado um segundo envelope fechado, indicando o pseudónimo no exterior e contendo no seu interior a identificação do autor, morada e contacto.
2 - Cada participante pode concorrer com o máximo de dois trabalhos, por modalidade, sob pena de ser excluído do concurso caso se comprove o não cumprimento deste número.
3 - Após a identificação dos trabalhos premiados, caso se verifique a existência de mais de dois prémios do mesmo concorrente, o mesmo será excluído do concurso.


Artigo 6.º
Características das obras
1 - Só são admitidas a concurso obras inéditas, escritas em Língua Portuguesa.
2 - Devem as modalidades respeitar as seguintes características:
a) Poesia: 1 conjunto de 6 poemas, com espaço e meio entre linhas, em letra “Arial”, tamanho 12, em folhas A4. (3 exemplares).b) Prosa (conto): mínimo de 5 páginas e máximo de 15 páginas, com espaço e meio entre linhas, em letra “Arial”, tamanho 12, em folhas A4.(3 exemplares).
3 - Todos os exemplares devem ser identificados com o pseudónimo.
Artigo 7.º
Do Júri
1 - O júri é constituído por 3 elementos indicados pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos.
2 - O júri pode não atribuir qualquer prémio, desde que devidamente fundamentada a respectiva deliberação.
3 - O júri pode atribuir Menções Honrosas, desde que devidamente fundamentada a respectiva deliberação.
4 - Das deliberações do júri não há lugar a recurso.
Artigo 8.º
Dos Prazos, Prémios e Datas dos Eventos
As datas de entrega dos trabalhos, de divulgação dos resultados e da cerimónia da entrega de prémios, bem como os prémios a atribuir e os respectivos valores são fixados, anualmente, pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos e publicitados em anexo a este regulamento, em cada nova edição do prémio literário.

Artigo 9.º
Dos Trabalhos
1 - A Câmara Municipal fica detentora dos trabalhos premiados, reservando para si todos os direitos de publicação ou divulgação dos mesmos.
2 - Os trabalhos não premiados são devolvidos, se solicitados, até dois meses, após a cerimónia de entrega dos prémios.
Artigo 10.º
Sanções
A não observância do disposto em qualquer dos números anteriores implica a desclassificação do trabalho respectivo.


Artigo 11.º
Casos Omissos
Os casos omissos no presente Regulamento são resolvidos por despacho do Presidente da Câmara ou do Vereador do Pelouro da Cultura.
Artigo 12.º
Entrada em Vigor
O presente Regulamento entra em vigor quinze dias após a sua publicação.



Datas
1 - Data limite para entrega dos trabalhos: 30 de Junho 2009. Os trabalhos recepcionados posteriormente são aceites, se essa for a data constante no registo dos correios.
2 - Divulgação dos resultados: Os resultados são tornados públicos no dia 11 de Setembro 2009.
3 - Entrega dos Prémios: A cerimónia da entrega dos prémios é no dia 23 de Setembro 2009.
Prémios
São atribuídos os seguintes prémios nas modalidades de prosa (conto) e poesia:
1.º Prémio: € 500
2.º Prémio: € 300
3.º Prémio: € 200

Estaria o meu terno senhor a assobiar

Estaria o meu terno senhor a assobiar
à sua porta, ou quereria entrar de noite,
sem chave, no meu coração?

Sandro Penna

CITAÇÃO - William Wordsworth

A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade.

«Poemas de Han Shan»: entrevista a António Graça de Abreu

“Poemas de Han Shan” é o nome da antologia que foi ontem lançada na galeria da Livraria Portuguesa. A colectânea foi traduzida para português por António Graça de Abreu, que nesta entrevista fala na importância do clássico poeta budista e nas dificuldades do trabalho de tradução do texto chinês. Licenciado em Filologia Germânica e mestre em História, António da Graça Abreu foi docente de língua e cultura portuguesa em Pequim e Xangai. Para além de tradutor, é autor de diversos livros de poesia e de um livro de memórias sobre a sua participação na Guerra Colonial, entre 1972 e 1974.
HM – Quem foi Han Shan?
AGA – Ninguém sabe quem foi, não se sabe se existiu realmente, em que ano nasceu ou morreu. Mas há uma antologia de poesia da dinastia Tang que tem trinta mil poemas de dois mil poetas e que foi publicada em 1705. Aí aparecem 311 poemas deste homem [dos quais a antologia editada pela COD publica cerca de metade].
No entanto, a sua fama ultrapassa fronteiras. Era um poeta muito querido dos beatnicks, graças às traduções para inglês de Gary Snider, o protagonista do livro “Vagabundos do Dharma”, de Kerouac.
Sim, ele é um clássico da literatura chinesa, embora tenha passado um bocado despercebido na China, onde estou convencido que vai ser recuperado. Mas é muito conhecido no Japão, por ser um poeta do budismo chan (zen, em japonês), que ali foi introduzido no século XII. Nas décadas de 1950 e 1960, a beat generation descobriu-o. Aliás, o Jack Kerouac, que é um nome importante na literatura norte-americana moderna, dedicou o livro “Vagabundos do Dharma” a Han Shan. Este homem é tão importante que, no Japão, o Matsuo Basho [1644-1694], um dos grandes poetas do país, utilizava epígrafes dos seus poemas nos haiku [forma de poesia tradicional japonesa] que escrevia.
Quais são os temas recorrentes na poesia de Han Shan?
É um homem muito curioso, porque se retira para a montanha como eremita, mas depois, de vez em quando, escreve uns poemas com saudades do mundo cá de baixo: sente falta das meninas bonitas, da boa comida... Os temas são os normais na poesia deste período. Por exemplo, a brevidade da vida. “Ontem, apenas com 16 anos/eram jovens, fortes e apaixonados/Hoje têm mais de setenta, extingue-se o vigor, vão perecer/São flores num dia de Primavera, abrem de manhã, murcham ao entardecer.” A ligação com a Natureza é outro tema muito vulgar da poesia chinesa. O homem retira-se da confusão e da selvajaria e vai meditar para a montanha, o que significa, para os budistas, deixar de pensar, esvaziar a mente e procurar ficar com a cabeça livre de qualquer tipo de pensamento pesado. Há também uma crítica ao mau governo permanente do império, assim como aos avarentos e aos ricos, ou à gente que enriquece rapidamente, mas a quem “só as moscas apresentam condolências” quando morre. Embora seja budista, não acredita na imortalidade. O poeta critica os monges, por terem um comportamento pouco conforme com a doutrina – as pessoas entravam para os mosteiros para sobreviver, não era por terem muito amor ao Buda.
Já havia traduções em português de Han Shan antes desta antologia?
Estas traduções já deviam ter sido feitas há muito tempo. Mas penso que fui a primeira pessoa a traduzi-lo em Portugal, em 1996, quando fiz uma pequena folha para os cadernos do Pen Club. A Ana Hatherly fez depois uma tradução de 25 poemas, a partir do francês, publicada pela Cavalo de Ferro.
A sua tradução é feita directamente a partir do chinês?
Sim, mas também utilizo o francês e o inglês. Isto porque quase ninguém consegue saber os caracteres todos. Uso dicionários de chinês-inglês e chinês-francês e consigo descobrir praticamente tudo. A minha mulher, que é chinesa, também me ajuda.
Ouvi-o dizer que as todas as traduções são impossíveis. Traduzir um texto deste género é reescrevê-lo? Não será preciso ser poeta, como o Graça Abreu também é?
O poema, quando aparece em português, já não é o poema em chinês. É por isso que a poesia é intraduzível. Quando chego à fase final do poema, já estou a fazer uma outra coisa, sobretudo se for um poema mais rebuscado. Vou dar um exemplo de um poema fácil de traduzir. Em tradução literal: “Eu habitar montanha/ausência pessoa conhecer/branco nuvem meio/sempre silêncio silêncio.” Na minha tradução, ficou assim: “Habito a montanha/ninguém me conhece/no meio das nuvens brancas/O silêncio, sempre o silêncio.” Isto tem que soar bem em português, essa é sempre a minha preocupação. Se o poema não tiver qualidade na língua de chegada, estamos a assassinar o poema. Quanto ao significado, é o mais próximo possível do que está em chinês, mas, em certos casos, é impossível. Por vezes, os caracteres podem ter vinte ou trinta significados; depois, o texto foi escrito em 700, há caracteres que passaram de um modo e outros que tinham um significado e hoje têm outro.
Portanto, nunca teremos uma tradução definitiva?
Há um poeta de Hong Kong que diz que cada poema é como um quadro: cada pessoa o interpreta como bem entender. O que tem que estar lá é o olhar. Se o quadro é sobre um rio, não podemos estar a ver a montanha.
Que outras traduções pretende fazer de poetas chineses?
O meu plano é traduzir todos os maiores poetas da China. Já traduzi quatro, nomeadamente Han Shan, Li Bai, Wang Wei e Bay Juyi. O problema é ter os apoios necessários para fazer este trabalho. Os livros vendem-se pouco e as pessoas estão cada vez menos motivadas para ler poesia. Mas julgo que estes livros, embora agora possam ter poucos leitores, vão ficando. A poesia de Camões, de Dante ou de Shakespeare nunca se desactualiza. O “D. Quixote” será lido daqui a duzentos anos. Embora em Portugal não se tenha essa ideia, alguns destes poetas que traduzo têm a dimensão de um Camões ou de um Dante.
Estes textos são do século oitavo. Em que condições chegaram até nós?
Na China antiga, as pessoas entretinham-se a copiar poemas, escrevendo com tinta da China sobre papel de arroz. Estavam habituados a copiar – ainda hoje é assim que se aprende chinês, copiando caracteres. Escreviam, por vezes, várias cópias e os poemas foram-se transmitindo de geração em geração através de novas cópias. Isto até à invenção chinesa da imprensa em caracteres móveis, que é anterior a Gutenberg.Mas em todo esse processo há uma adulteração...Há e há muitos poemas que se perderam. As antologias poéticas que foram sendo feitas ajudaram a preservar o legado.Para além de tradutor, é também poeta com obra publicada.
Está a trabalhar em algum novo livro de originais?
No ano passado, publiquei o livro “Cálice de neblinas e silêncios”, que tem uma forte influência chinesa e tenho outro já escrito, chamado “A cor das cerejeiras”. São uma espécie de haiku, onde surgem as inspirações japonesa e chinesa, assim como poemas de viagens, alguns deles retratando os cinco mil quilómetros que fiz de automóvel ao longo dos Estados Unidos. Agora, que estou reformado e tenho tempo livre, quero privilegiar a minha poesia e sobretudo a poesia chinesa, que é muito mais importante do que a minha.

Cortesia de HojeMacau

«Busboys and Poets é um café»

Busboys and Poets, na intersecção da Rua V com a Rua 14, junto ao corredor da Rua U, Washington, D. C. - uma área do Distrito de Columbia que tem sido um centro da cena cultural e activista com lugares como o Lincoln Theatre, o Howard Theatre, o Bens Chili Bowl, as Bohemian Caverns, o Jazz-Utopia. Era esta a grande zona urbana afro-americana dos EUA, até ter sido ultrapassada pelo Harlem nos anos 1920. A cantora de jazz Pearl Bailey chamou-lhe a Broadway Negra, e em 1968 foi palco de motins que se seguiram ao assassínio do Reverendo Martin Luther King. Hoje em dia, reabilitada e quase sem vestígios de incêndios e destruição, é uma zona residencial e de lojas muito agradável. Muito perto fica a Igreja de St. Augustine, onde as missas são acompanhadas por belíssimos espirituais negros cantados ao vivo.

Busboys and Poets é um café, restaurante, livraria, espaço de performance e local de reunião onde as pessoas podem discutir assuntos relacionados com a paz e a justiça social. Busboys and Poets orgulha-se de reflectir e respeitar a área histórica onde se insere, bem como a sua identidade, e de juntar uma clientela diversa, negra e branca, mais jovem e mais velha, em diálogo criativo e formativo. Fundado em 2005, a história de Busboys and Poets confunde-se com a do seu proprietário, Andy Shallal, um americano de origem iraquiana, que veio para os EUA em 1968, com 11 anos. O pai de Shallal era diplomata e traduziu os Rubayat de Omar Khayyam. Busboys and Poets não demorou a tornar-se uma imagem de marca em Washington, D. C., e conta já com quatro cafés, estando para abrir mais um em breve. Andy Shallal estudou Medicina na Howard University e na Universidade Católica, mas depressa se dedicou a abrir restaurantes e cafés com o irmão – Skewers, Cafe Luna e MiMi’s Peace Cafe. Vende entretanto a sua quota nestes cafés para se dedicar só ao Busboys and Poets, que em 2005 logo se torna lugar de referência em Washington, D. C., o “talk of the town”, aquilo de que toda a gente fala. Shallal reuniu-se, durante meses, à procura de raízes locais para o seu projecto, com líderes comunitários, homens de negócios, políticos, organizações episcopais, escolas e estações de rádio e outros organismos locais. Empenha os seus outros cafés para financiar este novo projecto, prometendo inserir o café na vizinhança. Shallal aprendera com os seus outros empreendimentos que, quanto mais um local está imerso e inserido na vida da comunidade circundante, mais essa comunidade muda. Activista e pacifista, os seus heróis são Martin Luther King e Gandhi. A estes se junta o Dalai Lama para formar o trio que preside a todos os eventos na sala de performances. O Dalai Lama aconselha: esperar, Gandhi: observar, Martin Luther King: sonhar – “Waiting”, “Watching”, “Dreaming”, dizem respectivamente cartazes por baixo dos retratos de cada um dos pensadores.

O nome do café, Busboys and Poets, é uma homenagem ao poeta e autor Langston Hughes, que trabalhou como copeiro (busboy) num hotel da vizinhança em 1930, quando começava a afirmar-se como poeta. Conta-se como Hughes, que à época era copeiro no Wardman Park Hotel em Washington, foi “descoberto” pelo poeta Vachel Lindsay. Lindsay estava a jantar neste hotel, quando um copeiro colocou algumas folhas de papel ao lado do seu prato. Apesar de incomodado, Lindsay pegou nos papéis, leu um poema intitulado “The Weary Blues” e o seu interesse ia crescendo à medida que lia. Chamou então o copeiro e perguntou-lhe: “Quem escreveu isto?”, ao que Hughes respondeu: “Fui eu”. Lindsay apresentou o jovem a editores que publicaram o autor de “Shakespeare in Harlem”, “The Dream Keeper”, “Not Without Laughter”, bem como do já referido poema “The Weary Blues”, que acabou por dar nome ao seu primeiro livro publicado em 1925. Hoje em dia uma mais-valia em qualquer área da cidade onde abra um novo café, o Busboys and Poets é um ponto de encontro inclusivo e vibrante que mistura o trabalho manual com o intelectual, frequentado por estudantes da Universidade de Howard, negros que querem reviver o passado da zona, e todos aqueles que se empenham na acção social. Shallal não receou, com a sua radical visão integradora, ser parte de um problema para ser parte também da sua solução, e o local é um cais de abrigo para escritores, pensadores, poetas, performers, que têm em comum pertencer a movimentos sociais e políticos progressistas. Shallal considera missão sua criar uma cultura de paz, num país em que, segundo ele, há um défice de paz. Uma espécie de Speaker’s Corner do Hyde Park em Londres, um lugar onde as pessoas possam dizer aquilo que pensam, mas mais ainda pensar em comum.

O dia de quase Verão leva-me ao Busboys and Poets da Rua V com a Rua 14 às 4 da tarde, para duas horas de poesia, “The World and Me Celebration and Reading”, em que as organizações Sol y Soul e Split this Rock entregarão os prémios aos vencedores do segundo Concurso Anual de Poesia Juvenil The World and Me. As convidadas especiais Naomi Ayala e Toni Asante Lightfoot lêem poemas, depois é a vez das crianças, adolescentes e jovens. Em seguida são entregues os três primeiros prémios e as menções honrosas, sempre acompanhados pelas palmas do público, que enche por completo a sala de performances do café, sempre sob a égide do Dalai Lama, de Gandhi e Martin Luther, eles ali continuam imperturbáveis mas aprovadores, “Waiting”, “Watching”, e “Dreaming”. Troco cartões de visita com dois jovens da Comissão das Artes e Humanidades do Governo do Distrito de Columbia, que trabalham na organização do evento. O público é numeroso, jovem, educado, liberal, classe-média e com grande percentagem de negros. Há brownies (bolo de chocolate) para todos. A poesia flui calma como o tempo lá fora - é simples, lida em voz alta, partilhada, aplaudida com entusiasmo e premiada. Um título fica na memória, “Broken Masterpiece”, assim como alguns versos, “Paint me like I am (...) but most of all / Paint me free”.

Ana Maria Delgado, Georgetown, 21 de Abril de 2009

Cortesia de PNET

Feira do Livro do Porto 2009

A Feira do Livro do Porto é hoje inaugurada, às 17h00, regressando ao coração da cidade: Avenida dos Aliados. A feira vai prolongar-se até meados de Junho e estará aberta entre as 12h30 e as 20h30 aos dias de semana e entre as 11h00 e as 23h00 aos fins-de-semana.

Para além dos novos horários, a grande novidade está no facto de a feira ter saído do Pavilhão Rosa Mota - onde estava limitada em termos de espaço - e ter regressado à Avenida dos Aliados, mas também à Praça da Liberdade e à Praça Humberto Delgado.

Entre as figuras presentes na cerimónia de inauguração vão estar o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, a secretária de Estado da Cultura, Maria Paula Fernandes dos Santos e o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Rui Beja.

O tema desta 79ª edição da Feira do Livro do Porto é "Viver a Leitura" e conta com 128 pavilhões, incluindo os do Grupo Leya, que serão diferenciados dos restantes. Este número representa um aumento de inscrições na ordem dos 25 por cento, em relação ao ano anterior.

Cortesia de O Público

Não me deixes sozinha

Não me deixes sozinha,
uma mulher indefesa.
Minha força, minha coroa,
Sou vazia de virtudes,
Tu, oceano delas.

Música do meu coração,
tu ajudas-me no meu mundo complexo.
Tu protegeste o rei dos elefantes.
Tu dissolves o medo do terrífico.

Onde posso ir? Salva a minha honra
Para que eu me dedique a Ti
Pois agora para mim não há mais ninguém.

Mirabai

"Poeta das Mulheres" falece aos 84 anos

O poeta Miguel de Castro faleceu aos 84 anos, no hospital de São Bernardo, onde estava internado há duas semanas. Teófilo Duarte, amigo e editor de Miguel de Castro na Estuário, considera que este é “o poeta que melhor escreve em Setúbal”, realçando que “até é redutor dizer que é o melhor de Setúbal”, uma vez que é um “grande poeta em qualquer parte do Mundo”. “É um poeta do corpo e das mulheres, que adorava”, lembra Teófilo Duarte, apontando a “carga sexual muito acentuada” da sua obra.

João Reis Ribeiro, da Associação Cultural Sebastião da Gama, realça “a mulher e o erotismo” como as linhas temáticas da obra de Miguel de Castro, considerando que “a figura feminina era quase uma obsessão, do ponto de vista do amor até ao erotismo mais romântico e excessivo”. Além disso, acrescenta “a paisagem ligada ao mar e à região”, lembrando a influência da literatura francesa e, sobretudo, de Sebastião da Gama, que o “descobriu e ajudou”, numa poesia “acentuadamente lírica, dentro da tradição literária portuguesa”.

Também Manuel Medeiros, da livraria Culsete e que, nos anos 80, “empenhou-se a sério em ressuscitar o poeta”, considera que a relação entre o percurso literário de Miguel de Castro e a “grande alma” de Sebastião da Gama foi a “grande lição” que deixou. Manuel Medeiros realça que a morte de Sebastião da Gama foi “traumatizante” para Miguel de Castro, que se sentiu “desamparado e ficou 40 anos sem publicar”. Além disso, considera o poeta “um mestre” na temática erótica e acrescenta que a sua obra se distingue pela “perfeição da sua sensibilidade”.

João Reis Ribeiro entende que é “urgente” que a obra de Miguel de Castro seja reeditada, visto que os seus livros estão todos inacessíveis, com excepção do último, “Sonetos”. Além disso, considera que também “valeria a pena serem divulgados os seus textos inéditos”. Teófilo Duarte revela que “está a reunir” a obra do poeta para a “publicar em breve”, assim como o lançamento de um site sobre a sua vida, uma vez que o “mais importante é divulgar e conhecer a obra” de Miguel de Castro.

Teófilo Duarte, que sublinha que Miguel de Castro seria “o orgulho de qualquer cidade”, considera que o poeta foi algo esquecido em Setúbal. Sem querer “culpar poderes”, aponta que a cidade “está mal servida de política”, a quem acusa de “só promover e perceber que existe quem se dá a mostrar”. João Reis Ribeiro concorda que Miguel de Castro “caiu um pouco no esquecimento” depois da popularidade nos anos 60 e, por isso, revela que vai “formalizar uma proposta” para que seja atribuído o nome do poeta a uma rua de Setúbal, uma vez que é “um valor poético interessante para a região e para Portugal”.

Por sua vez, Manuel Medeiros não acha que tenha havido falta de reconhecimento para com Miguel de Castro. Na sua opinião, o poeta “estabeleceu o seu terreno e, dentro do que procurou, foi respeitado e acarinhado”, lembrando que “toda a gente o tratou com enorme carinho” durante a juventude e quando reapareceu. Além disso, considera que o facto de o seu nome “vir ao de cima” nesta altura em que desapareceu, demonstra o “respeito” que as pessoas têm por si.

Miguel de Castro é o pseudónimo literário de Jasmim Rodrigues da Silva, que nasceu em Valadares em 1925 e mudou-se para Setúbal ainda durante a juventude. O poeta publicou em vida cinco livros, uma obra “curta” que, segundo João Reis Ribeiro, deveu-se ao seu “critério exaustivo”. Teófilo Duarte destaca o livro “Sonetos” como uma “obra ímpar”, uma “pedrada” que surgiu quando “ninguém estava à espera e já poucos faziam sonetos”. Manuel Medeiros sublinha que foi Miguel de Castro, juntamente com Natália Correia, que “ressuscitou o género”. No entanto, considera como sua obra-prima o livro de 1990, “Terral”. Por sua vez, João Reis Ribeiro prefere realçar que “o homem desapareceu, mas a sua obra ficou”.

Cortesia de Setúbal na Rede

Festival Silêncio! com «poetry slam»


É um festival internacional “dedicado às novas tendências artísticas e novas expressões urbanas que cruzam a música com a palavra”. É desta forma que a organização do Festival Silêncio! promove o evento, que decorre entre os dias 18 e 27 de Junho, em Lisboa.

O festival vai ter espaço para actividades diversificadas, incluindo concertos, um poetry slam (uma espécie de concurso de poesia à desgarrada, concentrado em doses de três minutos), conferências, debates sobre audiolivros, leituras encenadas e espectáculos de spoken word (declamações).

Rodrigo Leão, José Luís Peixoto, Olivier Rolin, Adolfo Luxúria Canibal, Rogério Samora, JP Simões, Francisco José Viegas, Sam the Kid, Jorge Silva Melo, DJ Ride, Filipe Vargas, John Banzai, Mark-Uwe Kling, Maria João Seixas, Alex Beaupain e Wordsong são alguns dos nomes que irão desfilar pelos palcos do festival, “para que Lisboa dê lugar à palavra, aceitando o silêncio quando ele se impõe”, refere a organização.

“Debater o futuro de novos suportes como o audiolivro convocando escritores, jornalistas e editores. Dar a conhecer as mais recentes tendências artísticas nesta área é o objectivo do Festival Silêncio!”, indicam ainda os responsáveis.

Uma das actividades que está a gerar mais curiosidade e interesse é o poetry slam. “Considerado uma das mais recentes e cosmopolitas tendências da noite das grandes capitais, o poetry slam tem alcançado enorme sucesso nos bares de Berlim, Nova Iorque, Paris ou Londres. O conceito é simples: basta escolher um tema, tratá-lo de forma crítica e espirituosa, adicionar algumas rimas e declamá-lo de forma dramática no espaço de três minutos no palco de um clube, neste caso, o MusicBox”, refere a organização.

Este concurso vai contar com oito participantes e um júri composto por seis convidados. Confirmados estão Fernando Alvim, Rui Zink, José Luís Peixoto e Ana Padrão. O músico, compositor e escritor JP Simões será o anfitrião da noite.

O festival é organizado pela 101 Noites, MusicBox, Goethe-Institut Portugal e Instituto Franco-Português.
Cortesia de O Público

VIII

Leis sobre a venda dos jumentos. Leis errantes. E nós próprios. (Cor d'homens.)
Nossos companheiros, essas enormes vagas em viagem,
clepsidras em marcha sobre a terra,
e os solenes aguaceiros, duma substância maravilhosa,
tecidos de poeiras e de insectos, que pelas areias perseguiam
os nossos povos com o imposto da capitação.
(Tanta ausência foi consumida à medida dos corações!)

Saint-John Perse

Ruth Padel: a nova professora de poesia de Oxford

Depois de Carol Ann Duffy ter sido a primeira mulher em 341 anos a ser distinguida como “poeta laureado” no Reino Unido, é a vez de Ruth Padel ser eleita para um dos cargos literários mais prestigiados em terras de Sua Majestade.

O tempo delas parece estar finalmente a chegar; neste último mês, a presença feminina tem-se feito notar em posições académicas e literárias onde apenas homens tinham tido lugar. Após um concurso controverso para a ocupação do cargo de professor de poesia na prestigiada Universidade de Oxford, foi Ruth Padel a eleita, quebrando uma tradição masculina existente desde a criação do cargo académico, em 1708.

Trineta de Charles Darwin, Padel diz sentir-se «honrada» em aceitar uma posição que já foi ocupada por nomes como Matthew Arnold ou W.H. Auden: «Devo agradecer à universidade e às pessoas que votaram em mim», declarou ao Guardian.

Derek Walcott, que também concorria ao cargo, desistiu na semana passada após a recepção de um dossier enviado de forma anónima a 200 académicos de Oxford, e que continha detalhes sobre um caso de assédio sexual envolvendo Walcott e um estudante de Harvard, que fez as acusações.

Ruth Padel, cujos 297 votos contra os 129 do poeta e crítico Arvind Mehrotra lhe valeram a vitória no concurso, declarou a sua vontade de difundir a poesia por toda a universidade: «Li para estudantes de Física, Zoologia e Antropologia, e todos se mostraram entusiasmados com a Poesia, principalmente com a ligação entre poesia e ciência (...), e isto é o que eu gostaria de fazer, explorar o que é que a poesia pode oferecer a cada aluno, a cada departamento, a cada universidade». O seu desejo passa por «unir humanidades e ciências na variedade e riqueza da poesia».

Assim, e depois da distinção de Carol Ann Duffy, os tempos parecem mesmo estar a mudar no Reino Unido; Ruth Padel ocupará o seu gabinete em Setembro, com uma posição que significa muito mais para o mundo das Letras do que uma simples vitória — significa que o valor académico e literário se sobrepôs à tradição masculina, e que Oxford pode estar certa de ter incluído nos seus quadros um passo gigante para a igualdade de géneros.

Cortesia de Rascunho

Grandes poetas em Mirandês

Nos últimos 12 anos, traduziu para Mirandês mais de uma centena de autores portugueses e estrangeiros. O seu trabalho está disponível na Internet.

Jurista, professor convidado na Universidade Nova de Lisboa e vice-presidente do Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Amadeu Ferreira é um homem com várias ocupações profissionais. Apesar dos seus afazeres, dedica-se à escrita, investigação, tradução e história da segunda língua oficial em Portugal.

Ao longo dos últimos 12 anos, já traduziu para Mirandês mais de uma centena de autores portugueses e estrangeiros.

Obras como "Os Lusíadas" de Camões, foram traduzidas na íntegra, ou a poesia de Fernando Pessoa e seus heterónimos. Para já, estão disponíveis na Internet, através do http://lhengua.blogspot.com.

Ao consultar aquele espaço, o leitor depressa se apercebe do "atrevimento" de Amadeu Ferreira ao traduzir estilos tão diferentes como o de Bob Dylan, Friedrich Nietzsche ou os clássicos gregos e latinos, como Vergílio, Horácio, Ovídio ou Catulo, entre outros. Os poetas espanhóis, ingleses e franceses têm igualmente um lugar de destaque na galaria de traduções do autor mirandês.

Amadeu Ferreira tem igualmente traduzido para Mirandês a Bíblia e os Quatro Evangelhos, uma tradução pela qual o autor tem particular carinho.

"Eu gosto de ouvir os grandes poetas da literatura mundial na minha língua, o Mirandês. Raro é o dia em que não me envolvo em traduções, há já vários anos que venho traduzindo clássicos da literatura e não só", disse o escritor, ao JN, sublinhando: "Se os autores que traduzi pudessem ouvir os seus trabalhos com a fonética do Mirandês não ficariam decepcionados".

Do ponto de vista comercial, Amadeu Ferreira tem traduzido para Mirandês dois volumes da colecção de aventuras do herói da banda desenhada Astérix, o Gaulês, estando a aguardar uma edição também em banda desenhada de "Os Lusíadas", que assenta em desenhos de José Rui.

Em 2004, Amadeu Ferreira foi distinguido pelo então presidente da República, Jorge Sampaio, com a comenda da Ordem do Mérito (classe Cultura), dado o seu trabalho em prol da defesa e manutenção da língua mirandesa.

Há já um número considerável de publicações na segunda língua oficial portuguesa, "mas é preciso continuar a insistir, para que o Mirandês não seja um parente pobre da cultura nacional".

Cortesia de JN

CITAÇÃO - Forough Farrokhzad

A melhor coisa acontece no vislumbre provocado por um acidente de amor.

«Do tábor da rua escura...»

Pelo turvo arraial, pelo tábor da rua escura,
perdido irei buscando o ramo de cerejas, a touca
de neve, o som eterno de moinho, em carroça negra...

Só lembro as madeixas cortadas castanhas cobertas
de fumo amargo - não, de ácido gosto a formigueiro
desvendado - secura d'âmbar deixada nos lábios.

Nesses momentos o ar é de um castanho de olhos
e os anéis das pupilas vestem-se de orla clara;
e as coisas que eu sei da pele, da pele da maçã rosada...

Mas no trenó do cocheiro rechinam os patins,
as espinhosas estrelas olhavam a esteira trançada
e em trote os cascos batiam pelas teclas geladas.

Única lyz: espíneo logro de estrelas; como espuma
de boné de circo pairando, a vida passará,
e ninguém, ninguém dirá: «do tábor da rua escura...»

Ossip Mandelstam

BIO - Antero de Quental


O nome de Antero de Quental (Ponta Delgada, 18/IV/1842 - 11/IX/1891, ib.) tornou-se no símbolo de uma geração (a Geração de 70 ou a Geração de Antero) e é referência obrigatória na poesia, no ensaio filosófico e literário, no jornalismo, mas também nas lutas pela liberdade de pensamento e pela justiça social, onde se afirmou como ideólogo destacado.

Oriundo de uma das mais antigas famílias de colonizadores micaelenses, alinhada nos sectores liberais da sociedade, Antero continuou essa tradição, a exemplo do avô, André da Ponte de Quental, signatário da Constituição de 1822, e do pai, Fernando de Quental, um dos "7 500 bravos do Mindelo".

Desembarcado em Lisboa aos 10 anos de idade, para estudar no colégio de António Feliciano de Castilho, veio a ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1859, tornando-se rapidamente no líder dos estudantes e seu porta-voz, sendo o autor de vários manifestos contra o conservadorismo intelectual e sócio-político do tempo. Para esse prestígio contribuíam os poemas e artigos de crítica literária e política que ia escrevendo para os jornais e revistas coimbrãs: "A influência da Mulher na civilização", "A ilustração e o operário", "A indiferença em política", "O sentimento da imortalidade". Os Sonetos de Antero, o seu primeiro livro de poesia, data de 1860, e em 1865 publica Odes Modernas, obra por si caracterizada como "a voz da Revolução", resultante da aliança entre o naturalismo hegeliano e o humanismo radical francês de Michelet, Renan e Proudhon. É decisiva a importância das Odes Modernas no panorama literário português, pois a sua edição marca, entre nós, o advento da poesia moderna e está na origem da nossa maior polémica literária de sempre (durou cerca de 6 meses, com mais de 40 opúsculos) a “Questão Coimbra” ou do “Bom Senso e Bom Gosto”, o título da violenta carta-panfleto de resposta à crítica provocatória feita à Escola de Coimbra por A.F. Castilho, que personificava o tradicionalismo retrógrado e ultra-romântico. Manuel Bandeira, o grande poeta brasileiro, escreverá em 1942: "Costuma apontar-se o Eça como o modernizador da prosa portuguesa. Basta, porém, a carta "Bom Senso e Bom Gosto" para provar que se houve reforma da prosa portuguesa, ela já estava evidente no famoso escrito de Antero".

Após a licenciatura, e atraído pelos ideais socialistas de Proudhon, sobretudo, pensa alistar-se nos exércitos de Garibaldi, mas acaba por aprender a arte de tipógrafo, na Imprensa Nacional, deslocando-se depois a Paris, em 1867, para aí exercer o oficio e familiarizar-se com os problemas do proletariado que, no nosso país, longe da industrialização, ainda eram desconhecidos. Durante essa estada, traumatizante e de curta duração, chegou a frequentar aulas no Collège de France. De regresso a Lisboa é convidado pelo partido de Pi y Margall, após o triunfo da revolução republicana em Espanha, para colaborar num jornal democrático e iberista. Escreve então “Portugal perante a Revolução de Espanha”, onde critica duramente a centralização política, defendendo que só através de uma federação republicana democrática se poderia encontrar solução para os males da Península.

Em 1868 viaja para a América do Norte (E.U.A. e Canadá) e, no regresso, fica a residir com Batalha Reis num andar da Travessa do Guarda-Mór (actual Rua do Diário de Notícias), o "Cenáculo", como era conhecido entre os amigos: Oliveira Martins, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, José Fontana, Ramalho Ortigão, entre outros. Inicia então (1870) uma intensa actividade política e social. Colabora na fundação de associações operárias e na introdução, em Portugal, de uma secção da Associação Internacional dos Trabalhadores; publica folhetos de propaganda. Nas palavras de Eduardo Lourenço: "Ninguém entre nós pôs mais paixão no propósito de decifrar e ao mesmo tempo emendar o destino português do que Antero”.

O jornalismo também o atraía, tendo sido um dos directores do República - Jornal da Democracia Portuguesa. Em 1872 publicou anonimamente o folheto “O que é a Internacional”, destinado a angariar fundos para a criação de um novo jornal, O Pensamento Social, que dirige de parceria com Oliveira Martins.

Todavia, o período mais estimulante da sua vida pública foi o que culminou com a organização, junto com Batalha Reis, das Conferências do Casino, que se inauguraram em 22-V-1871, no Casino Lisbonense. A sua finalidade era a reflexão sobre as condições políticas, religiosas e económicas da sociedade portuguesa no contexto europeu, porque "não podia viver e desenvolver-se um povo isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo", lia-se no programa, redigido por Antero. A mais célebre das conferências é a sua: “Causas da decadência dos povos peninsulares”, que foi imediatamente impressa e se tornou no seu mais conhecido texto em prosa. Para ele, a decadência das nações peninsulares, tão prósperas nos séculos XV e XVI, era devida a três causas de diversa natureza: moral, política e económica. A primeira tinha a ver com a transformação pós-Concílio de Trento do Cristianismo, "que é sobretudo um sentimento", no Catolicismo, "que é principalmente uma instituição". Um vive da fé, o outro do dogmatismo e da disciplina cega, que levou à Inquisição. A segunda, atribuiu-a ao Absolutismo, tão nefasto para a vida política e social como o Catolicismo para a Igreja. A terceira causa (sem discutir o carácter heróico das Descobertas) tinha a ver com as conquistas longínquas que levaram à decadência económica da Metrópole, com largas camadas da população a abandonar os campos com o olho nas riquezas da Índia: "Somos uma raça decaída por termos rejeitado o espírito moderno; regenerar-nos-emos abraçando francamente este espírito. O seu nome é Revolução [...] Se o Cristianismo foi a revolução do mundo antigo, a Revolução não é mais do que o Cristianismo do mundo moderno". Nunca em Portugal se fora tão longe na denúncia das consequências do poder temporal da Igreja, e por isso as conferências acabaram por ser proibidas através de portaria real. Da agitação que se seguiu a este atentado às liberdades, consagradas mas não respeitadas, resultou o queda do governo que as suprimira.

Mas nunca a acção política impediu Antero de continuar a vida literária. Em 1872 editam-se Primaveras Românticas - Versos dos 20 anos e Considerações sobre a Filosofia da História Literária Portuguesa. Dois anos depois manifesta-se a primeira crise de uma doença nunca completamente diagnosticada, que o vai impedir de se consagrar continuadamente a qualquer actividade. Ainda assim, fundou em 1875, com Batalha Reis, a Revista Ocidental, que visava a aproximação dos povos peninsulares. Durou apenas seis meses, pois a ideia que presidiu à sua concepção surgiu adiantada no tempo, embora os laços entre intelectuais das duas nações se tivessem então estreitado de modo muito significativo.

Como a medicina nacional (Sousa Martins, Curry Cabral) não conseguisse atinar com o seu mal, decide ir a Paris consultar o célebre médico Charcot, que lhe receita uma cura num estabelecimento termal dos arredores de Paris, em 1878 e 1879.

De volta a Lisboa, e sentindo algumas melhoras, retoma a actividade política e aceita candidatar-se como deputado pelo Partido Socialista nas eleições gerais de 1879 e 1880, embora não alimentando esperanças de vir a ser eleito.

No ano seguinte, após ter adoptado as filhas do seu grande amigo de Coimbra, Germano Meireles, falecido em 1878 (Albertina, de 3 anos, e Beatriz, de ano e meio), decide fixar residência em Vila do Conde, onde irá permanecer 10 anos, os mais calmos e literariamente mais produtivos da sua vida. É lá que escreve os últimos sonetos, reflexo do espiritualismo que lhe permitira ultrapassar a crise pessimista: "Voz interior", "Solemnia Verba", "Na Mão de Deus", entre outros, do último ciclo dos Sonetos Completos, editados em 1886 e que Unamuno considerou "um dos mais altos expoentes da poesia universal, que viverão enquanto viva for a memória das gentes". Para António Sérgio, os Sonetos constituem “o mais alto, luminoso cume a que subiu a poesia no nosso país”, enquanto José Régio considerará os Sonetos “não só um livro único entre nós, como um dos mais belos que possa escrever um poeta por igual rodeado de lucidez crítica e uma imaginação metafísica”. Antero classificou-os como “a verdadeira poesia do futuro, fora das tendências da literatura sua contemporânea”.

A nova orientação de pensamento demonstrada nos últimos poemas e em A Filosofia da Natureza, dos Naturalistas (1886) surge exposta de modo inequívoco no ensaio filosófico Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX, escrito a pedido do amigo Eça de Queirós, então director da Revista de Portugal e aí publicado nos primeiros meses de 1890. Neste estudo, o mais importante que legou à cultura portuguesa, o seu pensamento evoluiu no sentido de um novo espiritualismo, contra o positivismo e os materialismos da época. Na opinião de Jaime Cortesão, trata-se de “páginas das mais belas que jamais se escreveram em língua portuguesa” e que Joaquim de Carvalho definiu como “uma obra onde a beleza moral ofusca a própria beleza literária”. É também em 1890 que se situa a sua última intervenção política, após o Ultimatum Inglês, quando o país se levantou contra a humilhação da Grã-Bretanha. Nesse contexto nasceu no Porto um projecto nacionalista - A Liga Patriótica do Norte - cujos promotores foram a Vila do Conde convidá-lo para Presidente. O movimento em breve se extinguiu, devido a rivalidades partidárias, e com ele a última ilusão de Antero. Surge então o projecto de se fixar definitivamente em Ponta Delgada, juntamente com as filhas adoptivas, tendo embarcado em 5-VI-1891. As primeiras cartas aos amigos são optimistas, mas em breve o seu estado de saúde se agrava. No dia 11 de Setembro, à hora do crepúsculo, após ter comprado um revólver, arma que usou pela primeira vez, Antero suicida-se, no Largo de São Francisco, junto ao Convento da Esperança. Havia escrito na carta autobiográfica enviada a Wilhelm Storck, o tradutor alemão dos Sonetos, em Maio de 1887: “Morrerei, depois de uma vida moralmente tão agitada e dolorosa, na placidez de pensamentos tão irmãos das mais íntimas aspirações da alma humana e, como diziam os antigos, na paz do Senhor - Assim o espero”.

Cortesia de IC

SPA distingue 28 personalidades da cultura

Vinte e oito personalidades de diferentes áreas da Cultura são distinguidas dia 21, Dia do Autor Português, pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) com a Medalha de Honra.

"Esta é uma forma de homenagear os autores portugueses e a criatividade em diferentes áreas", explicou à Lusa fonte da SPA. A mesma fonte sublinhou que "a entrega e empenho de todos os distinguidos, sendo esta uma forma de reconhecimento por esse trabalho".

Na área do teatro são distinguidos, a actriz Alina Vaz, que este ano completa 50 anos de actividade teatral e que adaptou vários romances de autores portugueses para teatro radiofónico, e ainda Edgar Gonçalves Preto, autor de vários textos de revista, José Lopes de Almeida, Nicolau Breyner, Norberto Barroca, e Vítor Pavão dos Santos.

Na área da música é distinguido o compositor e guitarrista José Fontes Rocha, autor de muitos fados e de arranjos musicais para Amália Rodrigues, com mais de 50 anos de carreira, e ainda António Chaínho, Eugénio Pepe, Fernando Ribeiro, o maestro José Atalaya, o poeta Lopes Vítor, Paulo Alexandre e Sílvio Pleno.

Altino Tojal, Casimiro de Brito, Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Mário Cláudio e Vasco Graça Moura são os escritores distinguidos.

Maria Gabriel é a única artista plástica galardoada, enquanto na área da rádio, televisão e cinema receberão a Medalha de Honra Helder Mendes, João Matos Silva, Manuel Jorge Veloso, a realizadora Monique Rutler, o locutor Orlando Dias Agudo e Rogério Ceitil. No mesmo dia o cantor e compositor José Cid será distinguido com o Prémio Consagração de Carreira. A fadista Aldina Duarte encerrará a sessão que decorrerá na Galeria Carlos Paredes, com a apresentação do seu mais recente álbum, "Mulheres ao espelho".


Cortesia de O Público

Eu não pretendo nada - cheguei a casa

Eu não pretendo nada - cheguei a casa
e não tinha criada - não preciso de comer.
Sou a tua paixão, o teu descanso domingueiro,
o teu sétimo dia, o teu sétimo céu.

Aí, na terra, deram-me dinheiro
e mós penduradas ao pescoço.
Meu querido! Será possível que não saibas?
Sou a tua andorinha, a tua Psique!

Marina Tsvetayeva

Pneuma

«Que o importante era o alexandrino, / dois cascos a galope encurvando o verso». Se a literatura moçambicana é rica pela sua diversidade de vozes, então uma das mais interessantes é, sem dúvida, a de Luís Carlos Patraquim, poeta capaz de nos surpreender com versos como «se a tarde tropeçasse no arco-íris» ou «e o sulco da cobra lavrando / o pomar de deus».

Nas poucas páginas de Pneuma (a importância de um livro também nunca se mediu pelo seu tamanho) encontram-se evocações de amigos poetas como Noémia de Sousa, Rui Knopfli ou Rui Nogar, páginas em que chocam línguas universais e idiomas nacionais como se todos fossem «as ancas da ragazza blonde», o solar elogio dos sentidos onde se não esquece essas «Escócias destiladas», «a garrafa de rum da poesia», «o vinho [que] regressa à fonte». E há ainda o sarcasmo com que se olha o perfeição dos géneros - pois «o soneto é um novilho sem cabresto» - ou se evocam as raízes longínquas dos trovadores portugueses - «Do meu amigo chegarão as flores / ai, deus, e u é?» Chega para perceber que a literatura moçambicana não se resume a Mia Couto ou a José Craveirinha. Há muito mais - «pela tarde onde caminho, / e a pedra se inscreve no sol que neva.»

Cortesia de DN

Se

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...
Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança,
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...
Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...
Se vivendo entre o povo és virtuoso e nobre...
Se vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minute se espraie em séculos fecundos...
Então, á ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...

Rudyard Kipling
(tradução de Féliz Bermudes)

Confirmado Museu da Língua Portuguesa em Belém

O Museu da Língua Portuguesa vai, afinal, ficar mesmo instalado no edifício que acolheu o Museu de Arte Popular, em Belém, e a sua instalação vai ficar a cargo da sociedade Frente Tejo, S.A.

A decisão foi hoje tomada em Conselho de Ministros, que a justifica dizendo que a intervenção visa “promover a requalificação do edifício do antigo Museu de Arte Popular, situado na Avenida de Brasília, reconvertendo aquele que foi originalmente o pavilhão da Vida Popular da Exposição do Mundo Português num inovador e contemporâneo espaço multimédia e centro privilegiado de promoção da língua portuguesa”.

A nova instituição, com a localização em Belém atrás referida, foi lançada pela anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, em 2006, então com a designação de Museu do Mar e da Língua Portuguesa, num projecto assumidamente inspirado no museu congénere existente em S. Paulo.

O actual ministro José António Pinto Ribeiro, pouco tempo depois de tomar posse do cargo, confirmou a sua intenção de avançar com o projecto, mas, em Maio do ano passado, admitiu a mudança de localização. Uma hipótese que então colocou em cima da mesa foi a estação ferroviária do Rossio, no centro de Lisboa, invocando, precisamente, o caso do museu brasileiro, que está instalado na Estação da Luz, um interface de metro e comboio.

Mais tarde, Pinto Ribeiro viria a recuar para a primeira localização, que anunciou, por exemplo, na sua mais recente intervenção na Comissão Parlamentar de Cultura da Assembleia da República, no dia 8 de Abril, quando associou o Museu da Língua Portuguesa ao vasto plano de requalificação da zona de Belém, para onde está também projectado o novo Museu dos Coches, com projecto do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha.

Cortesia de O Público

Robô poeta lança livro

ISU é um robot. Mas é poeta. Para que não restem dúvidas, "lança" esta quinta-feira, pelas 18 horas, no Museu da Água de Coimbra, o seu livro de poemas. ISU é a mais recente criação de Leonel Moura, um dos pioneiros da robótica na arte.

"Os poemas reunidos neste livro foram realizados durante o período de uma semana. Dotado de um dicionário baseado num conjunto de poemas de autores conhecidos - com destaque para Herberto Helder - ISU produziu cerca de uma centena", explica Leonel Moura.

O artista, que hoje inaugura no Museu da Água de Coimbra uma exposição alusiva ao tema, refere que "foram escolhidos 30 dos poemas mais legíveis" assinados por ISU ( em homenagem a Isidore Isou, o criador do Movimento Letrista).

Do ponto de vista do inventor de ISU este é, sem dúvida, o primeiro grande poeta da era das máquinas criativas. "Escreve letras e palavras que formam composições sem sentido. ISU é o derradeiro dadaísta", acrescenta numa alusão ao conhecido movimento artístico do início do século passado.

O robot poeta faz uso de processos aleatórios, mas nem tudo na sua acção é fruto do acaso. "As máquinas, quando dotadas de autonomia e alguma inteligência, conseguem gerar criações originais independentes do humano que esteve na origem do processo".

Leonel Moura, reconhecido nacional e internacionalmente, como um dos pioneiros a trabalhar com "criatividade artificial", tem já muitos dos seus trabalhos representados em vários museus e instituiçõess europeias e norte-americanas. Em 2006, criou RAP (Robotic Action Painter). Isto é, um robot pintor. E foi também, nesse ano, que surgiu o ISU (o robô poeta).

Cortesia de JN

Existe uma angústia ácida e dúbia

Existe uma angústia ácida e dúbia, possante como uma faca, e cujo desmembramento tem o peso da terra, uma angústia em clarões, em pontuação de abismos, apertados e prensados como percevejos, como vermes duros e cujos movimentos estão hirtos, uma angústia em que o espírito se estrangula e se corta a si próprio, - e se mata.
Não consome nada que não lhe pertença, nasce da sua própria asfixia.
É uma congelação da medula, uma ausência de fogo mental, uma falta de circulação da vida.
Mas a angústia opiómica tem uma outra cor, não tem esse declive metafísico, essa maravilhosa imperfeição de timbre. Imagino-a cheia de ecos, e de caves, de labirintos, de reversões; cheia de línguas de fogo falantes, de olhos mentais em acção e do estalar de um trovão sombrio e pleno de razão.
Mas imagino a alma então bem centrada, e todavia num infinito divisível, e transportável como uma coisa que é. Imagino a alma sentindo e que luta e também consente, e faz girar em todos os sentidos as suas línguas, multiplica o seu sexo, - e se mata.
Deve conhecer-se o verdadeiro nada absoluto esfiado, o nada já sem órgão. O nada do ópio traz consigo a orma de uma testa que pensa, que situou o lugar do orifício negro.
Aqui falo da ausência do orifício, de uma espécie de sofrimento frio e sem imagens, sem sentimento, e que é como uma colisão indescritível de abortamentos.

Antonin Artaud

Brasil em destaque na Feira do Livro de Lisboa

O escritor Marcelino Freire, o poeta Carlos Nejar e o jornalista Laurentino Gomes são alguns dos destaques do Brasil como o país convidado da 79ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que começou no dia 30 de Abril e dura até 17 de maio.

Eles estarão no espaço dedicado ao Brasil e administrado pelo Ministério de Cultura. Ao todo, mais de 250 expositores de 140 editoras participarão da feira, no parque Eduardo VII.

Entre as novidades da feira, haverá um espaço dedicado unicamente à troca de livros e um escritório especializado em livros infantis.

A programação cultural da feira prevê "mais de 200 eventos em um total de 300 horas dedicadas ao livro e à leitura".

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros pretende nesta edição "transformar a feira em uma experiência memorável em torno ao livro" e fomentar a leitura das crianças, pois "são os leitores do futuro".

Antologia de poemas inéditos lançada no dia da cultura da CPLP

Uma antologia de poemas inéditos de autores cabo-verdianos, organizada pelo jornalista português Francisco Fontes, será lançada em Cabo Verde a 5 de Maio, Dia da Cultura da CPLP, que as embaixadas de Portugal e Brasil, através dos respectivos centros culturais vão assinalar naquele país africano com uma semana cultural, a decorrer até dia 9.

Francisco Fontes, jornalista de Coimbra que foi delegado da Agência Lusa em Cabo Verde entre 2001 e 2004, fará a apresentação no Centro Cultural Português da obra Destino de Bai, editada em 2008 pela ONG ‘Saúde em Português'.

A obra reúne composições inéditas de 32 poetas cabo-verdianos residentes no país e na diáspora, segundo uma nota do CCP/Instituto Camões da Praia.

O jornalista português foi já anteriormente responsável pela organização e lançamento em 2005 de uma outra antologia, Tchuba na Desert, que reúne contos inéditos de autores cabo-verdianos residentes no seu país, diferentemente da que agora é lançada na cidade da Praia, que engloba autores que se encontram fora de Cabo Verde.

Destino de Bai foi lançado em Portugal em Julho de 2008, numa sessão em Coimbra com a presença do primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria das Neves, que tem uma participação especial na obra de 350 páginas.

Na antologia participam José Luís Hopffer Almada, Carlos Araújo, Eileen Barbosa, Kaká Barboza, Paulino Dias, G. T. Didial, Filinto Elísio, Anita Faria, Tchalê Figueira, Jorge Carlos Fonseca, Margarida Fontes, Corsino Fortes, Adriano Gominho, Lay Lobo, José Vicente Lopes, Chissana Magalhães, Vasco Martins, Mito, Jorge Miranda, António de Névada, Oswaldo Osório, Valdemar Pereira, Maria Helena Sato, Luiz Silva, Mário Lúcio Sousa, Danny Spínola, Paula Vasconcelos, Arménio Vieira, Artur Vieira, Elisa Schneble e Vera Duarte.

A semana cultural da CPLP engloba ainda a exibição, a 6 de Maio, no Centro Cultural Brasileiro do filme Dona Flor e os Seus Dois Maridos, clássico do cinema brasileiro baseado na obra homónima de Jorge Amado. Realizado por Bruno Barreto, a obra conta com as interpretações de Sónia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça.

A 7 de Maio, o músico luso-cabo-verdiano Vasco Martins estará no Centro Cultural Português para um concerto a solo de apresentação do seu último CD Lua Água Clara, gravado em Paris com produção de José da Silva.

O Centro Cultural Brasileiro promove ainda a 9 de Maio a Tarde dos Sons da Flauta, um recital de flauta com a participação dos alunos da professora Timea Kiss.

Cortesia de IC

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