Se nada há de novo e tudo
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.
William Shakespeare
Textos de Shakespeare doados ao Globe Theatre
Um coleccionador norte-americano vai doar edições raras das primeiras peças de Shakespeare ao Globe Theatre, de Londres, especializado na apresentação da obra do escritor. John Wolfson prometeu doar a sua biblioteca de 450 textos de Shakespeare ao teatro, uma reconstrução do teatro em que Shakespeare apresentou as suas peças e que fica situado no mesmo local do teatro original, na margem do rio Tâmisa.
Uma porta-voz do teatro disse que a colectânea de textos dos século 16, 17 e 18 tem "valor inestimável". Inclui um Primeiro Fólio completo de Shakespeare -- um volume de 900 páginas de suas obras publicado em 1623, que, na época, teria sido vendido por apenas 1 libra. Hoje sobrevivem apenas 200 cópias do volume, e exemplares em boas condições de conservação já foram vendidos por até 2,8 milhões de libras (3,45 milhões de euros).
Também fazem parte da colecção de Wolfson exemplares raros do Segundo, Terceiro e Quarto Fólios de Shakespeare. Existem poucas cópias do Terceiro Fólio, segundo o teatro, porque a maioria foi destruída no grande incêndio que devastou Londres em 1666. Agora o Globe vai procurar levantar fundos para construir uma nova biblioteca e centro de estudos para abrigar a doação, que vai receber após a morte de Wolfson.
O coleccionador, que está na casa dos 60 anos, começou a colecionar os textos na década de 1970. Ele também vai doar ao teatro edições primeiras de obras de contemporâneos de Shakespeare, como Ben Jonson, Christopher Marlowe e John Lyly.
Wolfson disse que decidiu fazer a doação para que sua colecção não seja fragmentada. "Eu considero-me com sorte por ter encontrado para os meus livros um lugar tão apropriado quanto o Globe", disse ele. "Aqui a colecção que eu constituí poderá permanecer reunida e será usada com grande proveito por estudantes, académicos e educadores das gerações vindouras."
First Folio de Shakespeare regressa ao Reino Unido
Uma valiosa edição das obras de William Shakespeare, considerada pelos eruditos um dos livros mais importantes em língua inglesa, voltou hoje ao Reino Unido, dez anos após ser roubada na Universidade de Durham, no norte da Inglaterra.
O livro em questão é um exemplar do chamado "First Folio" ("Primeiro Fólio"), um volume publicado em 1623, após a morte do escritor (1564-1616), que serviu de base para todas as edições posteriores de sua obra.
O livro foi roubado em dezembro 1998 da biblioteca da Universidade de Durham junto a outras obras.
A obra reapareceu em junho passado, quando um homem se apresentou na Folger Shakespeare Library de Washington assegurando que tinha descoberto o livro em Cuba e pedindo que um especialista verificasse sua autenticidade.
Os especialistas logo se deram conta de que o livro tinha sido roubado e alertaram a Embaixada Britânica nos Estados Unidos, a Polícia de Durham e o FBI (polícia federal americana).
As investigações policiais levaram à detenção de Raymond Scott, de 51 anos, um marchand de moda e que foi solto pagando fiança.
O tesouro literário voltou hoje ao Reino Unido em um avião procedente dos EUA que aterrissou no aeroporto londrino de Heathrow, escoltado por dois policiais que passaram a semana passada no país americano entrevistando várias testemunhas.
O livro, que foi transportado a um lugar secreto do norte da Inglaterra, "será guardado agora em condições de segurança e controle enquanto continuam as investigações", disse o inspector Mick Callan, um dos agentes.
"First Folio" de Shakespeare recuperado
Trata-se de um exemplar do "First Folio" ("Primeiro Fólio"), um volume de compilação publicado em 1623, depois da morte do escritor, que foi a base de todas as edições posteriores de sua obra, já que em vida ele só publicou 16 trabalhos.
O livro foi roubado da Universidade de Durham (noroeste inglês) em dezembro de 1998. A Polícia desse condado disse que o detido, de 51 anos e cuja identidade não foi revelada, tinha pedido ao pessoal de uma biblioteca em Washington (EUA) que avaliasse o livro. O homem foi detido na passada quinta-feira num domicílio de Washington depois da embaixada britânica nos EUA ter alertado a Polícia de Durham há duas semanas. O preso foi então levado ao condado inglês, onde está a ser interrogado.
Um porta-voz da polícia disse que o detido, que disse ser um empresário internacional e ter adquirido o volume em Cuba, mostrou o livro ao pessoal da prestigiada Folger Shakespeare Library, em Washington, e pediu-lhes que verificassem se era autêntico. O homem concordou em deixar o volume com os bibliotecários, que descobriram que a obra tinha sido roubada.
Trata-se de uma das primeiras edições das obras de Shakespeare editadas, das quais se acredita que apenas 200 ou 300 tenham sobrevivido.
Um porta-voz da Universidade de Durham, citado pela agência britânica de notícias "PA", disse que os trabalhadores do centro sentiam grande alegria pela recuperação do livro, descrito pelos especialistas como o "mais importante" em língua inglesa, quando foi roubado.
Os objectos roubados faziam parte de uma exposição sobre a literatura inglesa desde a Idade Média até o século XX, da qual também foi furtado um manuscrito traduzido para o inglês do Novo Testamento, do século XIV.
Um porta-voz da Polícia de Durham disse que seus agentes estavam trabalhando com agentes do FBI.
"Trata-se de uma maravilhosa notícia não só para a Universidade de Durham, mas também para todos os eruditos e os admiradores de Shakespeare no mundo todo", disse o reitor da Universidade, Bill Bryson, autor de um aclamado livro sobre o escritor, citado pela "PA". O "First Folio" roubado foi adquirido por John Cosin, antigo bispo de Durham, e fez parte da biblioteca que estabeleceu nessa cidade em 1669.
Segundo os especialistas, o volume, que se mantém bem guardado na biblioteca de Washington, poderia alcançar um valor no mercado de 15 milhões de libras (mais de 18 milhões de euros).
75 obras digitalizadas de Shakespeare
Uma biblioteca americana e outra britânica querem reproduzir online todas as 75 edições das peças de William Shakespeare impressas no pequeno formato conhecido como "in quarto" até ao ano de 1641.
As bibliotecas Bodleian, de Oxford, e Folger Shakespeare, de Washington, uniram-se para colocar suas colecções online, ampliando o trabalho iniciado pela British Library, que digitalizou a sua colecção de edições in quarto, em que uma folha é dobrada em quatro, em 2004.
"Não existem manuscritos sobreviventes das peças de Shakespeare escritas de punho próprio pelo autor, de modo que as edições in quarto são o mais próximo que podemos chegar do que Shakespeare realmente queria", disse uma porta-voz da Bodleian, Oana Romocea.
"Mas algumas das edições in quarto apresentam anotações feitas por Shakespeare em volta do texto impresso."
O projecto tem o objectivo de disponibilizar para o público mais amplo todas as primeiras versões impressas das peças de Shakespeare, muitas das quais só são acessíveis a académicos.
O processo de digitalização das edições in quarto começou durante Abril e levará um ano para ser concluído. Os internautas poderão comparar imagens lado a lado, realizar buscas nas peças e marcar os textos.
"Nós (da Bodleian Library) temos cerca de 55 cópias, embora algumas sejam reproduções", disse Romocea. "Cada in quarto é diferente, então, desde o ponto de vista da pesquisa, é muito interessante poder compará-los."
"Por exemplo, alguns dos versos famosos de 'Hamlet' existem num in quarto e não noutro, ou, então, são muito diferentes em cada edição."
Shakespeare escreveu pelo menos 37 peças e colaborou na redação de várias outras entre aproximadamente 1590 e 1613. Ele morreu em 1616.