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Film Arguments de Pessoa

Sob o rótulo Film Arguments, Fernando Pessoa deixou escritos e datilografados argumentos cinematográficos em três línguas que só agora serão publicados em Portugal, bem como planos para criar uma produtora de cinema, a Ecce Film, e o respetivo logótipo. Com edição, introdução e tradução de Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer, todos esses textos de Pessoa diretamente relacionados com cinema, inéditos em Portugal, foram pela primeira vez reunidos num volume intitulado Argumentos para Filmes, que chegou no passado dia 8 de julho às livrarias, no âmbito da coleção Obras de Fernando Pessoa, coordenada por Jerónimo Pizarro e publicada pela Ática, chancela da Babel.

Cortesia de i

Fernando Pessoa sonhou ser super-Camões

Fernando Pessoa sonhou ser super-Camões. Não o foi e se ele não o foi é porque essa empresa é impossível.

O mostrengo
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse, tremendo:
“El-Rei D. João Segundo!”
“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
“Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu, e disse:
“El-Rei D. João Segundo!”
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que a minha alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!

Fernando Pessoa

Camões, diz Eduardo Lourenço, fez mais do que pintar-nos. Deu-nos o palco do mundo, celebrou nele a nossa aventura descobridora e simbólica em tais termos que não parece ter-nos deixado outra alternativa como entidade colectiva do que refazer sem fim a viagem do Gama ou ficar de braços cruzados na praia deserta do Restelo, a lamentarmo-nos do que fomos e já não somos, assistindo à aventura dos outros.

Foi o que Pessoa quis dizer, quando escreveu que depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia os portugueses ficaram sem emprego. Mas enganou-se. Quem nos desempregou não foram as Descobertas foi o cantor delas. Pessoa bem o sabia que teve de se empregar no desemprego.

Camões e o seu poema “Os Lusíadas” falam-nos da História de Portugal, Transformam factos históricos numa epopeia onde a História do nosso povo anda de mãos dadas com os desígnios e a vontade dos deuses.
O poema estrutura-se com base na viagem de Vasco da Gama. Viagem que une o Oriente ao Ocidente. Viagem que uniu mares e, assim, aproximou continentes, culturas e civilizações.
A descoberta da passagem do Cabo das Tormentas teve o poder histórico e simbólico de ousar confrontar o gigante Adamastor, de atrever-se a ir ver os segredos escondidos / Da natureza e do húmido elemento, / A nenhum grande humano concedidos / De nobre ou de imortal merecimento,...

“Quem vem poder o que só eu posso, Que moro onde nunca ninguém me visse (…) ?, pergunta o mostrengo, pela voz de Pessoa.

A “gente ousada” descobriu mundo. Alargou, geograficamente os domínios terrestres, roubando aos deuses o que antes estava sob a sua autoridade — Adamastor era “capitão do mar, por onde andava a armada de Neptuno”, o deus dos oceanos.

Da ocidental praia lusitana, barões ilustres, levaram a Terra até os céus. Ou, se preferirem, descobriram que os céus estavam aqui na Terra. No final da viagem que os levou à Índia, os marinheiros gozam do prazer físico em encontro amoroso com belas ninfas.

Na obra de Camões confluem e convivem homens e deuses, espaço conhecido e espaço mítico, factos históricos e destino cósmico.

E o poeta, relatando acontecimentos, transforma-os em mitos, em feitos que se fixam num tempo que ultrapassa o da História. Os feitos dos portugueses não ficaram ali, nos anos quatrocentos e quinhentos ou nos de toda a História que os precedeu, eles projectam-se constantemente no futuro.

Somos o que somos, porque fomos. Somos, não o que historicamente fomos, senão o que Camões quis que nós fôssemos.

Camões deu-nos o nosso bilhete de identidade e fez o nosso registo espiritual — deu-nos a alma, a alma que faz com que, cada um de nós, tal como o homem do leme, diga: “Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu.

Sabemos quem fomos, sabemos quem somos. Temos consciência da nossa identidade: somos portugueses.

No tempo, no passado, ficou o que já passou. O que passou no tempo de Camões, Os Lusíadas trouxeram-no para o futuro e chegou até nós em imagem de glória e fama, imagem de grandeza, que alimenta continuamente o nosso ser e faz com que continuemos a ser, tal como ele lembrava ao rei:
Por isso vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto,
Olhai que sois (e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes.
Olhai que ledos vão, por várias vias,
Quais rompentes leões e bravos touros,
Dando os corpos a fomes e vigias,
A ferro, a fogo, a setas e pilouros,
A quentes regiões, a plagas frias,
A golpes de Idolatras e de Mouros,
A perigos incógnitos do mundo,
A naufrágios, a pexes, ao profundo![4]

O poder desta alma, que o poeta nos deu, é a força de união entre todos nós portugueses, hoje e sempre, os que vivem na metrópole ou os que estão dispersos pelo mundo. Na Venezuela, como em Freixo-de-Espada-à-Cinta ou no Machico, somos portugueses. Somos portugueses e temos saudade. Saudade da nossa terra, uma saudade regionalista, mas uma saudade que alimenta o sentimento de um apego a uma tradição histórica, a um inconsciente colectivo, ao espírito de uma língua.

Armas e barões assinalados, da ocidental praia lusitana chegaram aos confins da África e dobraram o Cabo das Tormentas, fazendo dele o Cabo da Boa Esperança.

Unindo o Oceno Atlântico ao Índico, mudaram a face da Terra, mudaram a visão planetária do universo. Para nos darmos conta da importância deste feito, pensemos só o que seria do planeta hoje se, em vez de terem sido os portugueses a ir de cá para lá, a ir do ocidente até ao oriente, tivessem sido os chineses, por exemplo, a descobrir essa passagem.

Em 1420 os chineses chegaram a Quíloa, na costa oriental de África. Não foram mais longe. Coube ao povo luso a façanha histórica de levar a Europa para a Índia e para as longínquas terras da Ásia.

A partir de então, o Atlântico vai transformar-se no centro do planeta e a Europa, passará a ser o centro donde irradia civilização e cultura para todo o mundo. O mapa-mundo adquire uma forma nova: à direita, a Àsia e à esquerda, o Novo Mundo, a América. Ásia e América ficam relegados para os cantos, o centro é ocupado pelo Atlântico. Portugal ocupa um lugar central e, por ele e com ele, também a Europa.

Lisboa é a capital do Império. Um Império que difundiu fé e cultura.
Foi o povo luso quem produziu este mudança. Foi Camões quem a fixou na História e na memória. Ao transformar aqueles acontecimentos em mito, o poeta criou a nossa alma, a alma portuguesa.

Camões conheceu e viveu esta obra de Portugal, ele conheceu os novos mundos que Portugal deu ao mundo, mas viu e sentiu o processo histórico de dissolução que já estava em marcha. Nele há ainda, no entanto, memória e esperança, memória do que viu e conheceu e esperança de que esse império possa regressar ao seu período de auge.

Ele, que foi o criador do mito, vive ainda a realidade de uma fé que crê que Portugal pode tornar a ser Portugal, ou seja a nação que fez os feitos que ele narra.

Fernando Pessoa, na “Mensagem” fala-nos também de Portugal e do seu Império. Fá-lo, séculos mais tarde numa época em que a dissolução do Império já é uma realidade. Em Pessoa, existe a memória de uma imagem de Portugal: a imagem mítica que Camões soube criar. Pessoa faz reviver a alma da nação portuguesa, crê nela e espera o aparecimento de um Supra-Camões, capaz de dar ânimo e alento a essa alma.

O que em Camões era esperança de reconstrução, de ressurgimento do prestígio imperial, em Pessoa assume a forma de sonho, de utopia.

Pessoa, decepcionado com a realidade histórica, mas acreditando numa “Nova Renascença”, alimenta a utopia. Utopia de um império: um império de cultura.

Camões realça a aventura, o risco: a viagem. Para Pessoa a viagem será uma viagem sem limites geográficos, antes uma aventura de espírito. O império de “Os Lusíadas” é um império territorial, o império de “Mensagem” é o império da língua portuguesa.

Em “Os Lusíadas” glorifica-se o passado, enquanto que na “Mensagem” se glorifica o futuro.

Tal como já fizemos o passado, façamos também agora o futuro.

Tinha razão Fernando Pessoa quando dizia “A minha pátria é a língua portuguesa”. A Pátria está na língua, porque ela é o veículo que nos leva aos valores que se identificam com ela, os valores que nos fizeram a nós, povo português.

O carpinteiro precisa da serra para das árvores fazer móveis, o ferreiro precisa da forja. Nós precisamos da língua. Com ela, queremos fazer móveis e queremos moldar o ferro. Queremos continuar a ser — que os nossos filhos continuem a ser — “o homem português”, esse homem que teve de descobrir o caminho marítimo para a Índia e o caminho marítimo ou aéreo para a Venezuela, por exemplo.

Se perdermos a nossa língua, ficamos como o carpinteiro que perde a sua serra ou o ferreiro que perde a sua forja. Deixamos de fazer móveis. Deixamos de moldar o ferro.
Com a língua de Camões sejamos obreiros da construção do futuro.

No tempo do poeta, levámos as caravelas e as naus até à longínquea China e Japão, até às Américas. Infelizmente, lá dentro foi a Europa do poder militar e político.

Continuemos esta obra, mas levando agora cultura, vida.

Amigos, tal como o poeta, digo:

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor falta cumprir-se Portugal!

Por Francisco Nuno Ramos

CITAÇÃO - Fernando Pessoa

Desceu sobre nós a mais profunda e a mais mortal das secas dos séculos - a do conhecimento íntimo da vacuidade de todos os esforços e da vaidade de todos os propósitos.

Inaugurada a Casa Álvaro de Campos em Tavira

“Ir a Tavira, não só para visitar a cidade onde nasceu Álvaro de Campos, mas sim visitar a cidade do Engenheiro de Tavira, como se visita a Lisboa de Fernando Pessoa, Praga de Kafka, Dubilin de James Joyce!”, são palavras da Professora Teresa Rita Lopes, pronunciadas no passado dia 12 de Março, durante a inauguração da Casa Álvaro de Campos.

Tavira, uma das poucas cidades que Fernando Pessoa visitou, foi o lugar de nascimento que escolheu para o nascimento de Álvaro de Campos, o seu mais destacado heterónimo. Nele, Pessoa projectou a sua ligação à sua família de origem algarvia e ao Algarve, patente nos emblemáticos versos do poema “Notas sobre Tavira” de Álvaro de Campos:

“Cheguei finalmente à vila da minha infância.
Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei.
(tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado).
Tudo é velho onde fui novo.”

Fundada em 1987., a Associação Álvaro de Campos retomou a sua actividade em 2010, tendo comemorado os 120 anos do “nascimento” do seu patrono, tendo realizado o I Encontro Internacional Álvaro de Campos, a 15 e 16 de Outubro de 2010, em Tavira com direcção científica da Professora Teresa Rita Lopes e colaboração de destacados pessoanos, membros do Instituto de Estudos sobre o Modernismo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa.

Ao Presidente da Direcção, Dr. Carlos Lopestem cabido a tarefa de aglutinar esforços para criar um centro de estudos sobre Álvaro de Campos, neste espaço que, à semelhança da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, já tem vindo a tornar o Centro num pólo de acção cultural. A Associação conta com o apoio da Câmara Municipal de Tavira e da Direcção Regional de Cultura do Algarve.

Durante a sessão, no espaço que foi pequeno para acolher todos os que quiseram celebrar o evento, procedeu-se ao lançamento das Actas do Congresso. O volume, que conta com apresentação d e Carlos Lopes e textos de Teresa Rita Lopes, Maria João Serrado, Manuela Parerreira da Silva,, Luísa Monteiro, Madalena Dine, Maria do Sameiro Barroso, Ana Raquel Roque, Manuel Moya, Ricardo Marques, Migual Magalhães, Albertina Ruivo, Sílvia Costa, Fernando Cabrita, Juan José Vasquez Avellaneda e Carlos Filipe Moisés.

Cortesia de Textualino

Casa Fernando Pessoa programa ano de Portugal no Brasil 2012

A divulgação da literatura portuguesa com um ciclo de conferências e debates de autores em diferentes cidades brasileiras; a realização de um filme de curta duração em que se apresentam dez novos escritores portugueses e a criação de uma colecção de obras de referência da Literatura Portuguesa para ser distribuída no Brasil são algumas das iniciativas que já estão a ser pensadas para celebrar, em 2012, o ano Portugal-Brasil e Brasil-Portugal.

Considerando que Fernando Pessoa é o maior embaixador da literatura portuguesa, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, assinaram hoje, em Lisboa, um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal. Numa primeira fase é atribuída pela tutela à Casa Fernando Pessoa a verba de 55 mil euros, para que, através da sua directora Inês Pedrosa, seja delineado e executado um programa de iniciativas da celebração de 2012 como o ano de Portugal no Brasil.

“A Casa Fernando Pessoa é o melhor parceiro que nós temos para desenvolver esta política de divulgação da literatura e da língua portuguesa no Brasil”, disse a ministra.

Este foi o primeiro passo de um projecto que no futuro contará também com a parceria do Instituto Camões. Gabriela Canavilhas quer que se aproveitem sinergias para que alguma da produção cultural que irá ser feita especificamente para Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 possa ir ao Brasil e para que projectos brasileiros possam vir a ser integrados na programação de Guimarães.

Vai agora ser criada uma comissão para assegurar a planificação e incluirá portugueses e brasileiros, acrescentou Gabriela Canavilhas, explicando que só ainda não está criada porque se esteve à espera da tomada de posse da nova ministra da Cultura brasileira, Ana de Hollanda. A comissão terá alguém responsável pela programação geral, representantes do Instituto Camões e de Guimarães, Capital Europeia da Cultura.

Cortesia de O Público

Pintor Jacob Porat expõe «Homenagem a Fernando Pessoa»

«Homenagem a Fernando Pessoa» é o nome de uma exposição de pinturas, da autoria do pintor israelita Jacob Porat, que estará patente na Sala de Exposições do Instituto Camões em Lisboa (Avenida da Liberdade, 270), de 9 de Dezembro até 23 de Dezembro de 2010. Esta mesma exposição já esteve em Israel em Novembro, por ocasião de uma conferência e edição da obra de Ricardo Reis em Hebraico.

Cortesia de IC

Académico David Bunyan quer Fernando Pessoa na categoria dos poetas sul-africanos

O académico sul-africano David Bunyan insistiu ontem que os seus compatriotas deveriam incluir Fernando Pessoa na categoria dos poetas sul-africanos.

Bunyan, um destacado professor de línguas em várias universidades da África do Sul e profundo conhecedor de Fernando Pessoa, defendeu numa conferência dedicada ao poeta português que os anos passados por Pessoa na cidade costeira de Durban e a adopção do inglês como língua de expressão, em paralelo com o português, até ao fim da sua vida, fazem dele um escritor também do universo sul-africano.

A conferência, que ontem decorreu na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, foi a primeira de uma série patrocinada pelo Instituto Camões em duas cidades sul-africanas e nas capitais do Botsuana e Zimbabué, e que têm como orador principal o investigador e tradutor de Pessoa Richard Zenith. Como moderador estava outro grande admirador da obra do “poeta de duas línguas e muitas máscaras” (o tema da leitura), o crítico literário e autor sul-africano Stephen Grey.

Para David Bunyan, “embora Pessoa não seja muito conhecido entre os leitores e o público sul-africano, os seus poemas intrigaram um grande número de autores (muitos deles poetas) sul-africanos”, destacando-se entre aqueles Roy Campbell, poeta e autor satírico nascido em Durban, que foi estudante no mesmo liceu que Pessoa e que viveu em Portugal a partir de 1952, até morrer num acidente de viação em Setúbal em 1957.

“A principal razão pela qual eu penso que ele (Pessoa) fascinou tanto os poetas sul-africanos é por o considerarem um poeta dos poetas, alguém que se preocupou tanto com a forma da poesia a um nível muito fundamental”, referiu Bunyan.

Com recurso a imagens de Fernando Pessoa ao longo da sua vida e de alguns dos seus manuscritos originais, Richard Zenith concentrou a sua palestra na mestria da criação de mais de setenta personagens e no crescimento desse ser “tão plural como o próprio universo”.

“O reitor da Durban High School, que era um amante do latim, viu em Pessoa um aluno excepcional e puxou por ele. Começando os estudos secundários naquele estabelecimento aos 11 anos, quando a maioria dos outros alunos tinham já 13, concluiu-os aos 13, e, mesmo quando regressou a Portugal em 1905, com 17 anos, durante três anos não escreveu nada em português, continuando a criar em inglês através dos seus muitos heterónimos”, salientou Zenith.

O mesmo painel conduzirá palestras dedicadas a Pessoa quarta-feira no Durban High School (onde o poeta estudou), sábado, dia 23, em Joanesburgo, a 25 em Gaborone, Botsuana, e a 28 em Harare, Zimbabué.

Cortesia de O Público

Fernando Pessoa debatido na África do Sul

Um ciclo dedicado a Fernando Pessoa vai juntar, a partir de hoje, estudiosos e admiradores do “poeta dos heterónimos” nas cidades sul-africanas de Joanesburgo e Durban, bem como em Gaborone e Harare, capitais do Botsuana e Zimbabué, respetivamente. O académico norte-americano, residente em Lisboa, Richard Zenith (na imagem) dissertará sobre “Pessoa, poeta de duas línguas e muitas máscaras” nas palestras e workshops marcados para as referidas cidades, sendo de particular interesse a vivência do poeta na cidade de Durban, entre 1899 e 1901, onde começou a escrever, com apenas 11 anos, em língua inglesa, um hábito que não perderia ao longo de grande parte da sua vida de poeta. Zenith, que possui uma vasta obra, entre ensaios, estudos e traduções, dedicada a Pessoa, já se encontra em Durban, na costa sul-africana do Índico, onde pesquisa os arquivos do consulado de Portugal (o padrasto do poeta foi cônsul na cidade) e do liceu onde o jovem Pessoa estudou e onde, desde 2005, um busto comemorativo da sua passagem por ali ocupa lugar de relevo entre os campos de jogos e a biblioteca e salas de aula do estabelecimento.

A Universidade de Witwatersrand (ou Wits, abreviatura pela qual também é conhecida), em Joanesburgo, será o palco da primeira de três conferências a realizar na África do Sul. As restantes terão como palcos o próprio liceu onde Fernando Pessoa estudou e a livraria Boekhuis, também em Joanesburgo.

O principal orador, Richard Zenith, será acompanhado em todas as sessões por dois dos maiores estudiosos sul-africanos de Fernando Pessoa, o académico David Bunyan e o crítico literário Stephen Gray.Este último será o moderador de todos os debates.

Na capital do Botsuana, a conferência dedicada ao poeta português realizar-se-á no leitorado de Português da Universidade de Gaborone no dia 25, enquanto a capital do Zimbabué acolherá duas sessões no dia 28 de outubro: na Universidade de Harare e no “Book Café”, uma tertúlia literária da cidade.

Cortesia de Agência Lusa


Biblioteca particular de Fernando Pessoa online

Apresentação da biblioteca particular de Fernando Pessoa alojada no site da Casa Fernando Pessoa decorrerá quinta-feira, 21 de Outubro, pelas 18h00 na Casa Fernando Pessoa. 

A sessão conta com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e do Presidente da Fundação Vodafone Portugal, António Carrapatoso, além de Jerónimo Pizarro e a sua equipa, responsáveis pela digitalização.

A Fundação Vodafone Portugal patrocina a colocação online da biblioteca.


«Sê plural como o universo!»

Fernando Pessoa

A Casa Fernando Pessoa possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1140 volumes, de todos os géneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se património da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.

Graças à dedicação de uma equipa internacional de investigadores coordenada por Jerónimo Pizarro e Patricio Ferrari foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Graças ao apoio da Fundação Vodafone Portugal foi possível colocar online cada uma das páginas digitalizadas. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de Livro do Desassossego, que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo. Procurámos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacámos as páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.

Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.


Inês Pedrosa

Cortesia de CFP

2º Congresso Internacional Fernando Pessoa

A Casa Fernando Pessoa realiza no Teatro Aberto, de 23 a 25 de Novembro, o II Congresso Internacional Fernando Pessoa. A singularidade deste Congresso é a de criar um diálogo entre os especialistas da obra de Pessoa e os criadores que nela se inspiram – poetas, pintores, músicos, cineastas. O ensaísta e músico brasileiro José Miguel Wisnik proferirá a conferência inaugural, às 10h30 do dia 23 de Novembro, e a conferência de encerramento estará a cargo do filósofo José Gil.

Homenagearemos Eduardo Lourenço, José Saramago e Maria Aliete Galhoz. Debateremos, entre muitos outros temas, a relação de Pessoa com o Estado Novo, o Ultraísmo espanhol, o modernismo, o teatro, a literatura popular… e as mulheres. Analisaremos a proximidade dos universos de Pessoa com os de António Botto, Cesário Verde, Leopardi e Shakespeare.

Participam neste encontro: Anna Klobucka, Antonio Cardiello, António Feijó, Antonio Saéz Delgado, Arnaldo Saraiva, Eduardo Lourenço, Fernando Cabral Martins, Fernando J.B. Martinho, Helder Macedo, Inês Pinto Basto, Ivo Castro, Jerónimo Pizarrro, João Botelho, José Barreto, José Blanco, Luis Gruss, Mar Caldas, Maria Andresen, Maria Bochicchio, Maria do Céu Estibeira, Maria Lúcia dal Farra, Mariana de Castro, Mariano Deidda, Mário Cláudio, Onésimo Teotónio de Almeida, Orietta Abatti, Patricio Ferrari, Perfecto E. Cuadrado, Piero Ceccucci, Pierre Léglise-Costa, Richard Zenith, Rodolfo Alonso, Steffen Dix, Teresa Cristina Cerdeira, Teresa Rita Lopes, Steffen Dix e Zbigniew Kotowiez.

O programa do Congresso inclui ainda a exibição de Filme do Desassossego e Lisboa, meu lar, dois filmes de João Botelho em torno da obra e da vida de Fernando Pessoa, e a peça de teatro Audição com Daisy ao vivo no Odre Marítimo, pelo Teatro-Estúdio Fontenova.

As inscrições para o congresso (limitadas a 250, e com condições especiais para estudantes) estão abertas na Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16) até dia 19 de Novembro. A cada participante será entregue um diploma no final do Congresso.

Preço:

Estudantes: 20€; Professores: 30€; Geral: 50€

Cortesia de CFP

Entrevista a João Botelho sobre o «Filme do Desassossego»

Há um ano João Botelho ignorou os conselhos de amigos, familiares e colegas. Avançou para a adaptação ao cinema do "Livro do Desassossego", fingindo não ouvir todos os que lhe chamavam de louco. Quer que Fernando Pessoa lhe retribua um favor que fez há 29 anos e vai andar em digressão pelo país a mostrar o filme - "como uma estrela rock". Durante 42 dias ajudou o desconhecido Cláudio Silva a transformar-se em Bernardo Soares e filmou uma Lisboa que não existe mas todos conhecemos. Um trabalho arriscado? "Sim, mas as pessoas precisam de arriscar mais. Estou tranquilo, sei que fiz um bom filme."

Ia começar por pedir que contasse como lhe foi parar a casa uma arca com os manuscritos do Pessoa.



É "a arca" do Pessoa. Estava a preparar o "Conversa Acabada" que era para ser um documentário sobre a troca de correspondência entre Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Nessa altura a sobrinha-neta do Pessoa ainda não tinha começado a negociar o espólio do poeta com o Estado, tinha-o em casa. Falei com ela, expliquei-lhe o que estava a fazer e ela emprestou-me a arca.

Tinha lá tudo?

Os manuscritos todos, com as anotações, embrulhados em papel. Os óculos, a boquilha, tudo. Milhares de folhas soltas, correspondência não enviada, uma canção que parecia do Cole Porter, em inglês. Coisas inacreditáveis. Mexia naquilo tudo com pinças e devolvi inteirinho, tal como a recebi. Mas há tanta coisa lá ainda por publicar, ficções, contos, um mundo inteiro. Há textos deles sobre cinema, guiões, coisas inacreditáveis que não param de surgir. Suspeito que a arca do Pessoa tenha um fundo falso.

Já lá estava o "Livro do Desassossego". Deu por ele?

Havia na arca uma série de papéis e anotações dispersas, "LD" e coisas assim por lá escritas. O "Livro do Desassossego" é uma coisa fantástica, um puzzle, um labirinto sem fim. Por isso é que eu me atrevi a fazê-lo. Dá para montar aquilo com referências sensoriais, encontrar uma ordem cronológica, tudo. E depois tem outra coisa óptima, que me permitiu fazer este filme: é um texto muito musical que existe "para ser lido em voz alta ou para ser lido em voz baixa, desde que se oiça", como escreveu o Pessoa. Mesmo com o meu sotaque, que é do Alto Douro, aquilo lido em voz alta tem uma dimensão extra-sensorial.

Lembra-se da primeira vez que o leu?

Estava numa fase estranha da minha vida quando o li, mas percebi logo que o meu sofrimento era completamente ridículo ao pé daquilo.

Em que momento decidiu que queria adaptar este livro ao cinema?

Há coisa de um ano. Porque na altura em que fiz o filme "Conversa Acabada" ajudei um pouco o Pessoa a ser conhecido, agora achei que era altura de ele me ajudar a mim.

Disse nessa altura que estava "cheio de medo". Continua?

Continuo com algum medo. Estou a adaptar uma grande obra e não a posso diminuir, tenho medo de não estar à altura de um livro destes. Podem fazer-se 20 mil filmes a partir do "Livro do Desassossego". Não queria que o meu fosse voyeurista ou especulativo - queria fazer um filme seco. E que agradasse as pessoas, que estas tivessem algum prazer a ver e ouvir.

Como conseguiu transformar um livro de 500 páginas feito de fragmentos num filme de duas horas?

Foi uma escolha. O guião ficou definido à 10º tentativa e ainda durante a rodagem cortei texto.

Como escolhia o que ficava e o que saía?

Através das hipóteses de associações cinematográficas . Saber que uma cena tinha de ser diferente da anterior e mesmo assim ligar à seguinte. O cinema são associações e ideias. Podem dizer "ah isto não tem narrativa". Tem narrativa que nunca mais acaba. A narrativa não é uma coisa única e o cinema não são as histórias - é a maneira de as contar.

Existe a ideia de que uma história tem de ter conflito entre personagens. Como é que resolveu isso num livro onde só há diálogos interiores?

Há conflitos parcelares e o conflito supremo: eu e Deus. E há uma luta para ser um génio reconhecido. O conflito em chegar a Deus, a física da metafísica. Este filme no ideal era uma tela escura só com texto, mas o João César Monteiro já fez isso.

O protagonista, Cláudio Silva, destaca-se no filme. Onde o encontrou?

É um tipo maravilhoso, devo-lhe o filme. Reparei nele numa peça do Teatro Nacional D. Maria II, "Tanto Amor Desperdiçado do Shakespeare" onde ele brilhava.

O que viu nele?


Primeiro era bonito, parece o Gabriel García Bernal ou o Johnny Depp. Dei-lhe um conselho no início que ele cumpriu sublimemente: disse para tentar não pestanejar - é uma coisa que se diz dos filmes portugueses, que os actores pestanejam muito. Ora, durante o filme inteiro ele pestanejou uma única vez quando acendeu um cigarro. Tem sempre os olhos abertos, com as luzes dos holofotes ligados, ele aguentou aquilo tudo. É preciso uma concentração, uma dedicação fantásticas. Aliás, ele entrou tanto na personagem que teve problemas em sair.

Como assim?

Dias depois ainda parecia o Bernardo Soares, o cabelo, a barba. Ainda tinha os mesmos gestos, o mesmo olhar, a mesma atitude. Ele esteve muito tempo lá metido. Trabalhei muito com ele um mês antes de começar a filmar. O Bernardo Soares não podia estar metido no realismo, tinha de ser um personagem à parte, sem tiques, tinha de ser fluído. Ele foi magnífico.

A Lisboa do filme é a sua ou a do Bernardo Soares?

Espero que seja a dele, mas no fundo sei que é a minha. É a cidade que eu achava poder coincidir com o percurso do Bernardo Soares, um tipo que inventou as viagens todas sem nunca sair do mesmo lugar. O Bernardo Soares é uma tripe.

Cortesia de i

Quando fui outro


Além de grande poeta, Fernando Pessoa foi também filósofo, interessado por assuntos tão diversos como religião, astrologia, história e política. Um ficcionista que se desdobrava em múltiplas identidades, à procura, quem sabe, de se conhecer e de se esquecer. Nesta antologia da Alfaguara, que reúne uma selecção de poemas, ensaios, anotações e fragmentos de cartas de amor, os heterónimos escondem-se para permitirem ao leitor vislumbrar Fernando Pessoa, o poeta e o homem, na espantosa unidade que espreita por trás da sua multiplicidade.

Cortesia de CFP

Clássico na cidade de Pessoa


Portugal joga em ‘casa’ no encontro com o Brasil hoje, 25 de Junho às 15h00, em Durban. No estádio Moses Mabhida, com 70 mil lugares, cerca de metade dos bilhetes foram adquiridos por portugueses. Na cidade – com 2,7 milhões de habitantes – a presença da comunidade lusa é forte. O nome da província a que pertence, Kwa-Zulu--Natal, integra a palavra Natal por Vasco da Gama ter avistado a região a 25 de Dezembro de 1497. Durban possui um relógio em homenagem ao navegador e conta com uma estátua de Bartolomeu Dias, que dobrou o cabo da Boa Esperança em 1488.

Em 1904, foi nesta cidade que surgiram impressos os primeiros versos de Fernando Pessoa, então com 16 anos. O poeta estreou-se nos heterónimos, pois assinou com C.R. Anon no maior jornal local, o ‘Natal Mercury’. Hoje, a cidade lembra o poeta com uma estátua.

Na cidade sul-africana de Pessoa o momento agora é de expectativa. Para Raul Quintas, presidente do clube português de Durban, "as bancadas do estádio serão um caldeirão português à espera do Brasil".

Adaptado de CM

Apresentação de Studi su Fernando Pessoa


Este livro contém onze “estudos”, dos quais oito já apareceram há pouco mais de quatro anos na revista Letteratura – Tradizione, sendo incluídos no Speciale: Pessoa (1888-1935), unicità e molteplicità, também organizado por Brunello De Cusatis, que foi a forma que a revista escolheu para participar nas homenagens que por todo o lado, e não só em Portugal, foram feitas a Fernando Pessoa nos setenta anos da sua morte. Os onze autores deste livro miscelâneo, que constam entre os maiores conhecedores de Pessoa do mundo, trabalham em vários centros de pesquisa de diferentes países, desde a “Equipa Pessoa” de Lisboa até algumas universidades portuguesas e italianas, como também brasileiras e americanas. A apresentação deste título contará com as presenças de José Blanco, Ivo Castro, Alfredo Margarido, Fernando J. B. Martinho, Jerónimo Pizarro, Manuel Simões, Brunello Natalle De Cusatis (organizador) e Marco Bucaioni (editor) acontece dia 23 de Junho às 19h00.

Cortesia de CFP

Espectáculo Lisboa: O que o Turista Deve Ver


Lisboa: O que o Turista Deve Ver é um espectáculo de André Murraças construído a partir do texto homónimo de Fernando Pessoa, em que o poeta se transforma num cicerone que passeia o leitor, neste caso o espectador, por Lisboa – aquela Lisboa que o turista e todos nós devemos ver. Nos dias 17, 18, 19 e 20 de Junho, das 10:00 às 19:00, existirão 5 postos montados em 5 diferentes locais de Lisboa: Chiado (Quiosque do Largo Camões), Rossio (Livraria do Teatro Nacional D. Maria II – apenas das 14:00 às 19:00), Avenida da Liberdade (Cinema S. Jorge), Saldanha (Espaço Nimas), Jardim de São Pedro de Alcântara (Quiosque de S. Pedro de Alcântara). Em cada posto haverá hospedeiros e actores personalizados que interagem com o público a partir de elementos do texto original, e também leitores de CD que serão disponibilizados com um excerto do texto de Pessoa (em português e inglês) referente àquele local e adaptado com textos originais de André Murraças, música, ambientes sonoros e convidados surpresa. O espectador tem o tempo que desejar para, munido de um actor ou do leitor de CD, usufruir da experiência, podendo escolher o percurso a fazer ao longo dos quatro dias, decidindo quais os postos que quer ver, em que locais e por que ordem. No total os postos e os locais abarcam parte relevante do texto de Pessoa sobre aquilo que deve ser visto em Lisboa, sobretudo por quem nela habita.

O espectáculo é uma produção do grupo Cassefaz e está integrado na programação Outras Cenas das Festas de Lisboa. O acesso é gratuito embora condicionado ao número de leitores de CD e actores disponíveis: reservas através do e-mail: info@cassefaz.com ou do tel. 217 740 892 / 961 880 401 / 919 732 693.

Cortesia de CFP

Exposição Aniversário de Fernando Pessoa


Exposição Colectiva de Artes Plásticas e Internacional de Arte Postal “Aniversário de Fernando Pessoa”, que se realiza no próximo dia 14 de Junho pelas 19h, no Museu da República e Resistência – Espaço Grandella – Estrada de Benfica 419 – 1500 Lisboa.

A exposição estará patente ao público até dia 30 de Junho.

A sessão de Abertura contará com uma sessão de poesia por Joaquim Evónio.

Irá ainda haver uma pequena palestra sobre o Fernando Pessoa pelo seu sobrinho Dr. Luís Rosa Dias

Participam os seguintes artistas:

Carruço, Carmen Lara, Carlos Gomes, H. Mourato, Fernando Infante do Carmo, David Marques, António Sem, Paulo Prates, Theia Roiz, Marco Ayres, Henrique Tigo, entre outros.

Exposição de Internacional de Arte Postal participam:

Alemanha (1) Bernhard Zilling – Austrália (1) Denis Mizzi – Brasil (5) Sérgio Monteiro de Almeida, José Roberto Sechi,Vitor Cavallo,Celso Cintra,Thiago Buoro – Bélgica/ Belgique (2) Baudhuin Simon,Stuka Fabryka – Canada (1) Artopia – Espanha/ Espana(2) Miguel Jiménez, Juan Montero Lobo – Estados Unidos/ USA (9) Jim Leftwich, David L. Alvey, T. Smith, John M. Bennett, Dan Buck, Valery Oisteanu, Mary K. Cain, Sydney Burroughs, Zo Zois – Equador/ Ecuador (1) Monica Garces Conley – França/ France (5) André Robèr, Zav, Jean Hugues, Yves Maraux, Pascal Lenoir – Holanda/ Nederland (2) Jan van dePol, Rael – Itália/ Italia(10) Enrico Pignone, Pinky, Giovanni, Emily Joe, Varese, Lancillotto Bellini, Roberto Scala, Fabio Sassi, Ruggero Maggi, Anna Boschi, Adriano Bonari – Inglaterra/ England (4) Jon Bray, Ray Bass, Skandy, Jordan Ambler – Japão/ Japan (2) Ryosuke Cohen, Keichi Nakamura – Lituania / Lietuva (1) Gytis Skudzinskas – Portugal (20) H. Mourato, Silvia Soares, Henrique Tigo, Manuel Pina, Vera Occhiucci, Gonçalo Beja da Costa, Miguel Barros, Prekatado, Henry Cruz, Aida Espadinha, Fernando Henriques, Lourdes, Ana Maria Malta, Paulo Santos, Eduardo Perestrelo, Maria Arceu,Clo Bourgar, Ana Maria Malta José Manuel Alves-Pereira, Victor Teixeira Lopes, Joaquim Sousa, Raquel Martins, Maria Azenha – República Checa/ Ceská Republika (1) Valentino Sani – Uruguai/ Uruguay (1) Clemente Padin.

BIO - Fernando Pessoa

Nasce a 13 de Junho, dia de Santo António, num prédio em frente do teatro de S. Carlos, filho de Maria Madalena Nogueira e de Joaquim Pessoa. A família do pai é oriunda de Tavira – lugar escolhido mais tarde para berço de Álvaro de Campos – e a família da mãe tem raízes nos Açores.

O pai morre de tuberculose em 1893, aos 43 anos. Dois anos mais tarde, a mãe volta a casar com João Miguel Rosa, que será cônsul português em Durban, na que é então a colónia inglesa de Natal. Em 1896 viaja com a mãe para Durban, onde fará toda a sua instrução primária e secundária. Aí se matricula em 1902 numa Escola Comercial, onde aprende os elementos da sua futura profissão. Por essa altura começa a escrever, em inglês e já sob o nome de outro – Alexander Search, o que continuará a fazer até 1910: é uma poesia de índole tradicional, muito à maneira dos românticos ingleses, e nela afloram todos os grandes temas futuros.

Faz exame de admissão à Universidade do Cabo, recebendo, pelo ensaio que é parte da prova, e entre 899 candidatos, o Queen Victoria Memorial Prize, e no ano seguinte, 1904, matricula-se no liceu de Durban. Aí se prepara para o exame do primeiro ano da Universidade, em que vem a obter a melhor nota, pelo que deveria ter acesso a uma bolsa conferida pela Colónia do Natal para ir para Inglaterra fazer um curso superior. No entanto, a bolsa é entregue ao segundo classificado (aparentemente pelo facto de ser inglês). Em 1905 volta sozinho para Lisboa e matricula-se no Curso Superior de Letras, com tão pouco entusiasmo que não chega a passar do primeiro ano.

Começa em 1907 a trabalhar como correspondente estrangeiro de casas comerciais. E, em 1908, começa a escrever poesia em português.

Publica em A Águia, durante o ano de 1912, uma série de três artigos sobre «A Nova Poesia Portuguesa», em que o «próximo aparecer do supra-Camões» é o tema-chave. Nesse mesmo ano conhece Mário de Sá-Carneiro, que pouco depois parte para Paris, e inicia com ele uma correspondência (publicada em 1951) através da qual se trocam ideias literárias e artísticas que hão-de estar na base dos «ismos» de referência da geração de Orpheu – Paulismo, Interseccionismo, Sensacionismo – na movência contemporânea das Vanguardas europeias, Futurismo, Expressionismo e Cubismo.

Uma carta a Adolfo Casais Monteiro de 1935 situará o aparecimento dos heterónimos – Alberto Caeiro, o camponês sensacionista, Ricardo Reis, o médico neo-clássico, e Álvaro de Campos, o engenheiro extrovertido – com precisão excessiva, no dia 8 de Março de 1914. O que só de certo modo (simbólico, ficcional) corresponde à verdade, pois a consulta dos manuscritos revela que os primeiros poemas de Caeiro datam de Março, e os de Campos e Reis de Junho. Será esta, porém, a fase mais produtiva de Pessoa e de todo o Modernismo. No ano seguinte, saem em Março e Junho os dois números da revista Orpheu, que na altura provocam escândalo e gargalhada mas hão-de transformar o século XX português. Aí apresenta Pessoa a peça O Marinheiro e os poemas de Chuva Oblíqua assinados com o seu nome, e principalmente, Opiário, Ode Triunfal e Ode Marítima de Álvaro de Campos. Começa por essa época, igualmente, a interessar-se por teosofia, o que marca a sua atracção de toda a vida pelos caminhos ocultos do conhecimento.

Em 1917 colabora no Portugal Futurista, outra revista central do Modernismo português, com Ultimatum de Álvaro de Campos - também publicado em separata. Envia The Mad Fiddler a uma editora inglesa, que recusa a sua publicação. Chega a estar em adiantada preparação o n.º 3 do Orpheu, de que se conhecem provas tipográficas, incluindo sete poemas de Pessoa e um longo poema, Para Além Doutro Oceano, assinado por C. Pacheco, singular personagem parecida com Álvaro de Campos que tem aí a sua única aparição.

Em 1918 publica dois opúsculos de poemas em inglês, 35 Sonnets e Antinous. No ano seguinte conhece Ofélia Queirós, e inicia em 1920 o primeiro período do seu namoro com ela: são nove meses, documentados por uma correspondência amorosa publicada em 1978. Em 1921 cria a editora Olisipo, onde publica English Poems I-II (um Antinous reescrito mais Inscriptions) e English Poems III (que contém Epithalamium), e, como escreverá mais tarde numa carta a Rogelio Buendía, só Inscriptions «são consentâneas com a decência normal». A Olisipo edita ainda A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros e a 2ª edição das Canções de António Botto.

Dirige em 1924 Athena. Revista de Arte mensal, que chega aos cinco números, e onde aparece pela primeira vez a poesia dos dois outros heterónimos maiores, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Em 1925 morre a sua mãe: em 1926 publica O Menino da sua Mãe na revista modernista Contemporânea.

Colabora com doze textos de técnica e teoria do comércio nos seis números da Revista de Comércio e Contabilidade, dirigida pelo seu cunhado Francisco Caetano Dias em 1926. Bernardo Soares aparece pela primeira vez publicamente em 1929, e, pelo menos no seu desenho de personagem, é uma espécie de resultado literário da experiência de correspondente comercial de Pessoa, usando um registo que aproxima o seu Livro do Desassossego de uma espécie de diário, o de um homem só entregue à deambulação lisboeta e ao devaneio lírico. Nesse mesmo ano se reacende o amor e a correspondência com Ofélia Queirós, ao longo de quatro meses.

O seu único livro de poemas em português, Mensagem, sai a 1 de Dezembro de 1934, e ganha um dos prémios nacionais instituídos por António Ferro.

Em Janeiro de 1935 envia a Adolfo Casais Monteiro a célebre e já citada carta sobre a génese dos heterónimos. Aí fixa, para além dos detalhes do mítico «dia triunfal» em que os heterónimos aparecem todos de seguida, a encenação daquilo a que chama o «drama em gente», e que virá organizar devidamente as relações que as personagens de poetas estabelecem entre si – e se estabelecem entre as suas obras. Assim, Alberto Caeiro surge como o Mestre, aquele que traz a verdade – a verdade da sensação. Os outros dois são os seus discípulos, um de educação clássica estrita e outro de educação moderna científica: Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O próprio Fernando Pessoa afirma considerar-se discípulo de Alberto Caeiro, acedendo então a um convívio quotidiano com os heterónimos num universo alternativo, e, dentre todos, estabelecendo uma relação privilegiada com Álvaro de Campos, seu verdadeiro alter ego. Outro membro do clã imaginário é Bernardo Soares, um semi-heterónimo por não ser inteiramente um outro como cada um dos outros é. E, é claro, a heteronímia é uma máquina de fantasias complexa e variada, tecido de relações e de contradições à volta de certos temas centrais, o sentir e o pensar, o ver e o imaginar, o saber e o sonhar, o poder criador das palavras e a verdade como contradição essencial.

É internado no Hospital de S. Luís dos Franceses. Escreve aí o seu último verso, imitado mais uma vez de Horácio, mas onde se lê, além de inquietação, a terrível e insaciável curiosidade do esotérico: «I know not what tomorrow will bring». Morre no dia seguinte, a 30 de Novembro.

A sua obra começará a ser publicada sistematicamente, em livro, só a partir de 1942, e a primeira versão de O Livro do Desassossego apenas chegará a sair em 1982. Assim atravessa todo o século XX, de que fica a ser um dos nomes maiores.

Cortesia de IC

Por Fernando Martins

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

Universidade de Florença cria Cátedra Fernando Pessoa

A partir de Setembro de 2010, está em funcionamento a Cátedra Fernando Pessoa, na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Florença.

A cargo do Prof. Doutor Piero Ceccucci, esta Cátedra contará com o apoio permanente do IC quer no que diz respeito à formação científica e pedagógica de docentes, investigadores e estudantes, quer ao disponibilizar materiais audiovisuais e uma obras especializadas em áreas como o ensino do Português Língua Estrangeira, Literatura Portuguesa e dos Países Africanos de Língua Portuguesa, assim como na área do Cinema Português.

Registe-se ainda que a Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Florença conta com cerca de 73 alunos que frequentam os Estudos Portugueses. O IC tem sido representado nesta Universidade pela Leitora Dra. Maria José Chousal.

Cortesia de IC

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