Semana Cultural das Ilhas Baleares com Recital Poético em Lisboa


O dia 1 de Março é o dia da Comunidade Autónoma das Ilhas Baleares no qual se festeja a aprovação do Estatuto de Autonomia. Coincidindo com esta efeméride a Conselleria de Cultura del Govern de les Illes Balears e o Institut Ramon Llull organizarão um conjunto de eventos em Lisboa para dar a conhecer uma amostra significativa da cultura insular e muito especialmente da sua literatura em catalão, única língua própria deste território geográfico. A empresa Ballaruga, Serveis Culturals e a associação cultural CatalunyApresenta, implantadas em Lisboa, actuam como colaboradores da organização.

7 poetas para um recital único

Serão sete os poetas das Ilhas Baleares que participarão no dia 2 de Março pelas 18h30 num recital poético na Casa Fernando Pessoa. Helena Alvarado (Eivissa), Ponç Pons (Menorca), Miquel Cardell (Mallorca), Antoni Xumet (Mallorca), Manel Marí (Eivissa), Gabriel Sampol (Mallorca) e Clara Fontanet (Mallorca) são os autores convidados tendo como objectivo mostrar a vitalidade da poesia feita em catalão nas Ilhas Baleares, conseguindo assim unir a cultura mediterrânica e a atlântica. Os poetas recitarão em catalão porque o público assistente será obsequiado com uma antologia bilingue dos poetas convidados, sendo esta a primeira Antologia organizada em Portugal de poetas das Ilhas pelas tradutoras Ana Sofia Henrique e Anna Cortils.

INFO

Cortesia de CFP

«Um coração simples» de Daniel da Silva Gonçalves vence Prémio de Poesia Manuel Alegre

O primeiro Prémio de Poesia Manuel Alegre vai para os Açores. Daniel da Silva Gonçalves venceu o prémio atribuído pelo (IPL) a obra “Um coração simples”. Daniel da Silva Gonçalves concorreu utilizando o pseudónimo Inês Finisterra, conquistando, com “Um coração simples”, as preferências do júri, que lhe atribuiu o primeiro prémio e os correspondentes 7.500 euros.

Residente em Vila do Porto, na Ilha de Santa Maria, Açores, Daniel Gonçalves nasceu na Suíça e é licenciado em Ensino de Português pela Universidade do Minho.

Já foi distinguido com o Primeiro Prémio de Poesia do Concurso Internacional de Poesia do Centro Internazionale Amici Scuola (CIAS), promovido pela UNESCO, Itália, em 1993; o Prémio de Revelação de Poesia em 1997, promovido pela Associação Portuguesa de Escritores/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas; e Prémio Cesário Verde em 2003.

O Prémio de Poesia Manuel Alegre, entregue bianualmente, foi criado em 2008 para estimular a criação literária e o aparecimento de novos autores.

Todos os direitos da primeira edição da obra vencedora são propriedade do IPL.

Cortesia de Região Leiria

Apresentação de POIESIS Vol. XVIII

Editorial Minerva e os autores têm o prazer de convidar V. Exª, família e amigos, para a sessão de apresentação da POIESIS - antologia de poesia e prosa poética portuguesa contemporânea, Vol. XVIII, 53 autores, a realizar no dia 27 de Fevereiro de 2010 pelas 16:30 horas no Auditório Carlos Paredes, Lisboa. Apresentação dos autores e da obra por Ângelo Rodrigues.

Todos os autores interessados terão oportunidade de uma breve intervenção. Selecção e leitura de três poemas da obra por Zélia Filipe e von Trina com momento musical por Cristina Estrompa.

Ciganos em Viagem

A tribo que prevê a sina dos viventes
Levantou arraiais hoje de madrugada;
Nos carros, as mulher', c'o a torva filharada
Às costas ou sugando os mamilos pendentes;

Ao lado dos carrões, na pedregosa estrada,
Vão os homens a pé, com armas reluzentes,
Erguendo para o céu uns olhos indolentes
Onde já fulgurou muita ilusão amada.

Na buraca onde está encurralado, o grilo,
Quando os sente passar, redobra o meigo trilo;
Cibela, com amor, traja um verde mais puro,

Faz da rocha um caudal, e um vergel do deserto,
Para assim receber esses p'ra quem 'stá aberto
O império familiar das trevas do futuro!

Charles Baudelaire

um poema pelo
Ano Europeu de Combate Contra a Pobreza e a Exclusão Social

Entrevista a Ana Luísa Amaral

Ana Luísa Amaral, poeta e professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é uma das presenças habituais nas Correntes d'Escritas, cujo prémio literário, de resto, já venceu, em 2007, pelo seu livro «A Génese do Amor». Este ano, no dia 24 do corrente, às 17h00, participará como oradora na primeira mesa de debate, subordinada ao tema «Escrevo para desiludir com mérito». A seu lado estarão Eduardo Pitta, Fernando J. B. Martinho, Francisco Moita Flores, Gilda Nunes Barata e Zuenir Ventura, moderados por Catherine Dumas. Nesse mesmo dia, às 22h00, lançará o seu novo livro, «Inversos - Poesia - 1990-2010», com o selo da Dom Quixote.

A que tipo de lógica obedece a sua escrita, é um projecto racionalizado ou antes o resultado de uma intimação?
Quando estou a escrever, não tenho um projecto de poema. Há, naturalmente, a (sempre dolorosa) escolha da palavra, mas, muitas vezes, e em muitos momentos, é a palavra que controla, não eu. Diria que o processo é recíproco: organizar palavras em equilíbrio precário. A parte da racionalização vem depois, quando o poema está quase pronto, e o revejo. E, mesmo aí, não raramente há iluminações que surgem – ou a intimação, sim.


É professora na Faculdade de Letras do Porto. Se um aluno lhe perguntasse o que é a poesia, o que lhe respondia?
Respondia-lhe o que já tenho respondido, ou seja, citava-lhe Emily Dickinson (uma grande poeta), ou Cesare Pavese (outro grande poeta). A primeira diz que a poesia e o amor “vêm coevos”; e acrescenta: “Ambos, nenhum provamos. / Um qualquer experimentamos e morremos - / Ninguém vê Deus e vive –“. Cesare Pavese, por seu lado, diz que a poesia começa quando “um idiota olha para o mar e diz ‘parece azeite’”. Não sei de melhores definições de poesia.

Qual a matéria-prima de um poeta? A realidade ou o coração?
Ambas, se entendermos ‘coração’ metaforicamente, bem entendido. E eu acrescentaria “a linguagem mesma – e a imaginação”.

Em 2005 publicou a sua «Poesia Reunida 1990-2005». Porque sente um poeta a determinada altura essa necessidade de condensar a sua obra, mesmo que a saiba necessariamente incompleta?
Achei que já tinha muitos livros, estando alguns deles completamente esgotados, e que, se quisesse algum dia fazer uma antologia, ela ficaria incomportável, em termos de extensão. Como a (infelizmente extinta) Quási já me vinha a propor essa edição há algum tempo, decidi-me a fazê-lo. Mas vai sair outra ‘poesia reunida’ ainda este mês de Fevereiro, que se chama Inversos, Poesia 1990-2010, porque essa de que fala esgotou. Inversos integra os dois últimos livros e ainda poemas inéditos.

O que sente ao entrar numa livraria e ver a poesia confinada a poucas estantes num local esconso do espaço em volta?
Não sinto nada de especial, confesso. Nem ando a ver se os meus livros estão ou não nas livrarias. Tenho é pena que à poesia em geral seja dado sempre um lugar secundário…

Há uns anos, poucos, Amadeu Baptista confessava que se não ganhasse os prémios literários que ia ganhando, morria de fome e miséria… Que comentário isto lhe merece acontecendo com os poetas de um país que se diz de poetas?
É incrível que não haja programas governamentais, como existem em países como a Irlanda, ou a Holanda, em que os escritores podem ter bolsas, sob condição de publicarem livros. Já Sophia dizia de Camões “Irás ao paço, irás pedir que a tença / seja paga na data combinada / Este país te mata lentamente”. Este país maltrata a cultura, sempre a maltratou, e acima dela põe interesses economicistas. Aliás, estamos a assistir a um período terrível, em que aquilo que interessa são os números e em que o indivíduo não passa de uma peça de engrenagem, dispensável, quando já não produz o que é imposto por um sistema desumano e desumanizado. E em que os pobres, os sem abrigo, os desempregados são cada vez mais – e isto é tão mais escandaloso num país onde não vemos um único dos indiciados em crimes de corrupção ser preso! Pelo contrário, até são reintegrados. Exprimo esta opinião, porque entendo que o poético e o político não são universos separáveis.
Não quero com isto dizer que entenda que a escrita é uma “profissão” – não o é, para mim. Eu sou “amadora” e quero continuar a sê-lo, no sentido em que ninguém me diz o que devo escrever, nem quando (o que não acontece enquanto professora universitária, a minha profissão, onde tenho que cumprir horários, deveres, etc.).
Seja como for, esses programas de apoio a quem escreve deviam existir.

Que lugar tem a poesia num mundo dos livros cada vez mais apostado no desempenho comercial?
A poesia, como a arte, é da zona do supérfluo, do “radicalmente inútil”, como diz Maria Irene Ramalho. E, por isso mesmo, é ela absolutamente necessária. Eu acho que a poesia continuará a existir enquanto houver seres humanos, porque se inscreve nesse espaço de desejo da totalidade – e, sendo possibilidade, ela contrariará sempre a lógica da economia.

E que função reconhece à poesia? Há nela, por exemplo, espaço para a subversão?
Sim, claro. A poesia, para mim, é por inerência transgressiva (embora nem sempre subversiva, são processos diferentes, a subversão e a transgressão) porque é um desvio à linguagem enquanto somente comunicação. As palavras são as mesmas, é a sua organização que difere, e dessas organizações surgem as imagens, as metáforas. A ter alguma função, a poesia servirá para preservar memórias – o que nos faz humanos. Neste sentido, para nos lembrar justamente que somos humanos e vivemos todos num espaço que cumpre preservar.
Mesmo se confessional, mesmo se atida a aspectos do quotidiano, a sua poesia estabelece pontes constantes com textos do passado. A poesia é um solilóquio ou um diálogo? E até que ponto é a poesia um reactualizar do já dito?
É as quatro coisas: solilóquio e diálogo; novidade e reactualização do já dito. O poema existe sempre a sós consigo, tal como quem o escreve está sozinho perante si mesmo; ao mesmo tempo, ele existe também em relação (com os outros, leitores, ainda que ideais, e com a tradição). Adicionalmente, e porque existe em relação, a poesia aspira a um trabalho novo com a palavra: embora sabendo quem a escreve que, no essencial, as coisas já foram ditas, o que se deseja é poder dizê-las de outras formas. É na língua, trabalhada e imaginada, que as linhas de fuga se criam.

Para além da nova reunião da sua poesia, que acima referiu, tem algum outro livro para sair em breve?
Tenho um que acabou de sair, pela Civilização: a reedição (com um CD, de que constam as canções e a peça que a Assédio fez no Teatro do Campo Alegre) de A História da Aranha Leopoldina.

Cortesia de PNETLiteratura

Poezz: Ciclo de Jazz com Poesia


Jazz é apenas uma maneira de tocar. De viver. Tudo se pode tocar na língua jazz e em qualquer compasso. Não há pois ritmo jazz. Confusão frequente. Há jazz só quando há improvisação e swing e outras pequenas grandes características. Favor não esquecer que blues também os há e alegres e que, se a alegria se bebesse a copo, muitas adegas se gostaria. (José Duarte)

Poezz foi editado em 2004 e teve por base a pesquisa e organização de José Duarte e Ricardo António Alves. Os dois autores estarão presentes na Casa Fernando Pessoa, nas três sessões em que se falará de e ouvirá jazz, mas também alguma poesia que constitui parte da mesma edição, o outro tópico destas conversas. Calendário e participantes já a seguir:


DIA 24 FEVEREIRO 18H30

José Duarte
Ricardo Alves
Ana Hatherly
Filipe Melo
+
(combo jazz do Hot)

DIA 24 MARÇO 18H30
José Duarte
Ricardo Alves
Fernando Pinto do Amaral
Rodrigo Amado

+
(combo jazz do Hot)

DIA 28 ABRIL 18H30
José Duarte
Ricardo Alves
Vasco Graça Moura
Nuno Miguel Guedes

+
(combo jazz do Hot)

Cortesia de CFP

Ciclo de Divulgação de Poetas do Mundo

Por ocasião do 2º Aniversário do Poetícia, os autores do blogue lançaram a abertura do Ciclo de Divulgação da Obra de Autores Vivos que não se realizará devido ao número de candidaturas insuficientes. Agradece-se o envio dos trabalhos de todos os candidatos.

Assim, a partir do mês de Março, será lançado o Ciclo de Divulgação de Poetas do Mundo através da publicação de poemas e de pequenas biografias de poetas dos continentes Norte e Sul Americanos, Africano, Europeu, Asiático e da Oceania. Esta acção conta com o apoio do sítio Um Buraco Na Sombra.

Curso de Poesia Portuguesa Contemporânea na Casa Fernando Pessoa

O Curso de Poesia Portuguesa Contemporânea dirige-se a professores e alunos, investigadores e amantes da poesia portuguesa. Pretende-se levar os participantes deste curso numa viagem aos textos mais representativos da poesia nacional, problematizando a influência de Fernando Pessoa (1888-1935) em autores que, cada um à sua maneira, contribuíram para a revolução contínua da linguagem poética nessa segunda metade do século passado.

O “corpus” de autores escolhidos apenas contempla o período que medeia entre os anos trinta (1935 é a data da 1ª edição do livro de maturidade de Nemésio), e os anos oitenta (década em que a obra de Luís Miguel Nava ganha notoriedade e se fixa como uma das últimas poéticas verdadeiramente “modernas” no contexto da nossa Modernidade).

HORÁRIO: 2ªs feiras de Abril e Maio, das 18h00 às 19h30.

Assim, em nove sessões, ler-se-ão e problematizar-se-ão os seguintes autores:
5 de Abril: Vitorino Nemésio e Camilo Pessanha;
12 de Abril: Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner;
19 de Abril: Eugénio de Andrade e Carlos de Oliveira;
26 de Abril: Mário Cesariny e Alexandre O’Neill;
3 de Maio: Herberto Hélder e Ruy Belo;
10 de Maio: Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge;
17 de Maio: Gastão Cruz e Armando Silva Carvalho;
24 de Maio: Nuno Júdice e António Osório;
31 de Maio: Luís Miguel Nava e Ana Luísa Amaral.

INSCRIÇÕES: Entre 15 de Fevereiro e 31 de Março, na Casa Fernando Pessoa.

Mínimo de inscrições: 30
Máximo de inscrições: 80
Custo da inscrição: 40 euros

Curso orientado por António Carlos Cortez. [Nasce em Lisboa em 1976. Escreve sobre poesia no Jornal de Letras e tem artigos publicados nas revistas Relâmpago e O Escritor. Como poeta estreou-se em 1999 com Ritos de Passagem a que se seguiram Um Barco no Rio (2002), A Sombra no Limite (2004) e À Flor da Pele (2007) . É ainda autor de um livro de crítica de poesia: Nos Passos da Poesia (2005)].

Cortesia de CFP

80ª Feira do Livro de Lisboa

Estão abertas as inscrições para a próxima Feira do Livro de Lisboa, que terá lugar, uma vez mais, no Parque Eduardo VII, entre os próximos dias 29 de Abril e 16 de Maio.

A APEL terá sob a sua responsabilidade a organização deste evento que é, desde há largos anos, um importante marco no calendário cultural dos lisboetas. O grande propósito desta iniciativa continua a ser a promoção e difusão do livro em língua portuguesa, fomentar os hábitos de leitura dos portugueses e incrementar o nível de literacia.

Prevê-se uma continuidade do projecto iniciado em 2009, tendo por base o pressuposto de dinamizar a feira e toda a sua envolvência.

INFO

Cortesia de APEL

Dois anos de Poetícia

Os autores do blogue Poetícia festejam o 2º Aniversário agradecendo a participação, as leituras, os comentários, as críticas, as referências de todos aqueles que esporádica ou assiduamente visitam o blogue.

O trabalho realizado até hoje é fruto da paixão e do amor à poesia como dádiva social porque é importante promover, publicar, noticiar, apresentar e descobrir tão bela e ancestral arte.

Muito obrigado e bem-vindos.

Bebendo um álcool

7

Crisâtemos no Outono a mais bela cor.
Com orvalho ainda - os colho e faço
Flutuar neste que afoga cuidados
- Põe-me bem longe do mundo.
Encho sozinho um copo de «vinho»
Se fica vazio por ele deita o jarro.
Põe-se o sol, tudo o que é vivo sossega,
Aves de volta entram o bosque cantando.
Assobio, na varanda do leste, alegremente:
Encontrei de novo o sentido à vida.

Tao Yuanming [Tao Qian]

Novos livros de Alegre, Júdice e Luísa Amaral

O novo livro de Manuel Alegre «O Miúdo Que Pregava Pregos Numa Tábua» estará à venda a partir do dia 26 de Março, depois de «Cão Como Nós», lançado em 2002, eis o novo livro de ficção de Manuel Alegre, que poderá ser descrito como uma incursão do autor sobre a sua arte poética trazendo para a reflexão experiências da sua infância.

O novo de poesia de Nuno Júdice, «Guia de Conceitos Básicos», está nas livrarias também a 12 de Março bem como «Inversos – Poesia 1990-2010», de Ana Luísa Amaral, que reune toda a poesia da autora num único volume.

Morreu a poeta Norte-Americana Lucille Clifton

Lucille Clifton, uma respeitada poeta norte-americana cujo trabalho se destacava tanto em grandes linhas quanto em detalhes a experiência de ser mulher e negra nos Estados Unidos do século 20, com a exploração de temas vastos tais como as indignidades da História e temas íntimos tais como as indignidades do corpo, morreu no sábado, em Baltimore. Ela tinha 73 anos e vivia em Columbia, Maryland.

A causa exacta da morte não foi determinada, informou a sua irmã, Elaine Philip, à agência de notícias Associated Press, no domingo. Clifton, que sofria de cancro, havia sido internada recentemente devido a uma infecção.

Recebeu o National Book Award em 2000 com "Blessing the Boats: New and Selected Poems, 1988-2000", uma antologia da sua poesia. Em 2007, tornou-se a primeira escritora negra a conquistar o Ruth Lilly Poetry Prize, um prémio no valor de $10000 que constitui uma das mais elevadas honrarias da poesia norte-americana.

O seu livro "Good Woman: Poems and a Memoir, 1969-1980", de 1987, esteve entre os finalistas do prémio Pulitzer de poesia de 1988.

Além de escrever uma dúzia de livros de poesia, Clifton também foi autora de muitos trabalhos bem recebidos em prosa e de versos infantis que tinham por tema central a experiência de vida dos negros norte-americanos.

A poesia de Clifton tornou-se muito conhecida por meio de antologias e colectâneas, e combinava uma voz intensa e ocasionalmente bastante directa com uma economia seca de linguagem (era comum que os seus poemas dispensassem pontuação e convenções como o uso de maiúsculas, que ela entendia como bagagens desnecessárias). Os temas de que tratou variavam de questões éticas de largo alcance como a escravidão e o seu legado a preocupações mais quotidianas relacionadas com a família e a comunidade.

Os textos de Clifton frequentemente eram autobiográficos. Ela conseguia escrever sem hesitar sobre as dificuldades pessoais que enfrentou, entre as quais o abuso sexual que sofreu da parte de seu pai, na infância, e a sua luta contra o cancro e o colapso renal, na velhice. No entanto, como apontam os críticos literários, a poeta sempre se recusou firmemente a descrever-se na condição de vítima.

O estilo de Clifton, que muitas vezes retomava os ritmos da tradição oral negra, era conhecido pela intensidade moral combinada com humor. No seu poema "desejos para os filhos", afirma:

"desejo-lhes cólicas/desejo-lhes uma cidade desconhecida/e o último absorvente/desejo-lhes o 7-11/desejo-lhes uma semana antes/e usar uma saia branca/desejo-lhes uma semana de atraso".

Thelma Lucille Sayes nasceu em 27 de junho de 1936 em Depew, Nova York, e foi criada em Buffalo, uma cidade próxima. O seu pai, Samuel, era operário siderúrgico, e a sua mãe Thelma trabalhava numa lavandaria. A mãe era uma poeta de talento, mas mantinha os seus escritos ocultos até ao dia em que surgiu a oportunidade de publicá-los. Samuel proibiu. Em "fúria", Clifton registrou a reacção da sua mãe:

"ela está em pé ao lado/da fornalha/o carvão/brilhando como rubis/sua mão chora/sua mão agarra/um maço de folhas/poemas//ela os entrega/eles queimam/joias nas joias.../ela jamais se recuperaria".

Clifton estudou na Universidade Howard mas abandonou o curso antes de se formar, para se dedicar à poesia. De volta a Buffalo, integrou-se num grupo de intelectuais e artistas negros locais. Em 1959, casou-se com Fred Clifton, professor de filosofia e estudos negros na Universidade de Buffalo, e mais tarde radicou-se com ele em Maryland.

Parte dos primeiros trabalhos de Clifton foram publicados em "The Poetry of the Negro, 1746-1970", uma coletânea editada por Langston Hughes e Arna Bontemps, em 1970.

Poeta laureada do estado de Maryland entre 1979 e 1985, Clifton foi escritora residente no Copping State College, hoje Universidade Estatal Coppin, uma faculdade de tradições negras em Baltimore. Mais tarde, leccionou na Universidade da Califórnia em Santa Cruz e, mais recentemente, no St. Mary's College, em Maryland.

O marido de Clifton morreu em 1984; o seu filho Channing e a sua filha Frederica também morreram antes dela. Ela deixa a irmã, Philip, e os filhos Graham, Sidney, Gillian e Alexia; bem como três netos.

Os seus demais livros de poesia são "Good Times" (1969); "Two-Headed Woman" (1980); "Quilting: Poems, 1987-1990" (1991); e "The Book of Light" (1993).

Clifton foi tema de diversos estudos críticos e biográficos, entre os quais "Lucille Clifton: Her Life and Letters", de Mary Jane Lupton, lançado em 2006, e "Wild Blessings: The Poetry of Lucille Clifton", de Hilary Holladay, de 2004.

Cortesia de Terra

CITAÇÃO - Dante Alighieri

É o amor que move o sol e todas as estrelas.

I Encontro de Poesia de Santa Bárbara de Nexe

Numa iniciativa criada por duas alunas do curso de Educação Social da Universidade do Algarve e levada a cabo pela Junta de Freguesia desta localidade, no próximo dia 6 de Março, Santa Bárbara de Nexe recebe a primeira edição do Encontro de Poesia da Freguesia.

Neste sentido, decorrerá paralelamente um Concurso de Poesia aberto a toda a população e cuja entrega de trabalhos deve ser efectuada até ao dia 26 de Fevereiro, sendo que os prémios serão entregues no dia do Encontro, a partir das 17h00.

Para participar, os interessados terão que submeter a concurso produções inéditas escritas em língua portuguesa, seja no Tema A - Santa Bárbara, ou no Tema B, que é livre.

Sendo dividido em dois grupos etários, de jovens até aos 15 anos e de indivíduos com mais de 16 anos, os trabalhos poderão ser enviados para a organização através do email cultura_convivio@sapo.pt ou entregues na Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe.

Os interessados em participar podem consultar o regulamento do concurso no blogue da iniciativa Cultura e Convívio, em www.culturaeconvivio.blogspot.com.

Cortesia de Região Sul

Prémio Europeu de Literatura 2010

A Federação dos Editores Europeus (EBF), o Conselho dos Escritores Europeus (EWC) e a Federação dos Editores Europeus (FEE) foram uma vez mais nomeados pela Comissão Europeia, como consórcio para organizar o Prémio Europeu da Literatura, a ser entregue em Novembro de 2010 a autores emergentes, oriundos de 11 países participantes no Program de Cultura da União Europeia.

Os países seleccionados para 2010 são:
Bélgica, Chipre, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Alemanha, Luxemburgo, Roménia, Eslovénia, Espanha e a Antiga República Jugoslava da República da Macedónia. Como primeiro passo, o consórcio organizará a nomeação do júri em cada um destes países. Os júris irão dar inicio ao seu processo de selecção a partir de Janeiro de 2010 e entregar um relatório final até finais de Junho de 2010.

O propósito do Prémio Europeu de Literatura é chamar a atenção para a criatividade e riqueza da literatura europeia contemporânea, promover a circulação da literatura dentro da Europa e encorajar um maior interesse em obras estrangeiras.

Em 2009, foram galardoados 12 autores do primeiro lote de países, durante uma cerimónia em Bruxelas, que pretendeu celebrar a diversidade da literatura europeia, na presença do Presidente da Comissão José Manuel Barroso, do famoso autor sueco Henning Mankell, a Ministra da Cultura da Suécia, Lena Adelsohn e da Presidente do Comité de Educação e Cultura do Parlamento Europeu, Doris Pack. Em 2011, autores dos 12 países remanescentes, estarão elegíveis para estes prémios.

Para além da organização dos júris, nos países participantes, o papel do consórcio será a coordenação de toda a iniciativa, bem como da cerimónia de entrega dos prémios.

O Prémio Europeu da Literatura é co-financiado através Programa de Cultura da União Europeia. O programa apoia projectos de cooperação cultural transnacionais, envolvendo operadores de um mínimo de três países diferentes. Fornece igualmente apoio específico para a tradução de obras literárias e está aberto a todos os sectores culturais, com excepção do audiovisual, para o qual existe um programa em separado.

Para mais informações acerca do Prémio Europeu da Literatura visite:

www.euprizeliterature.eu 

Feira do Livro em Português na Universidade de Utreque

A apresentação da mais recente geração de autores de língua portuguesa foi o enfoque escolhido pelo leitorado do Instituto Camões na Universidade de Utreque para assinalar a Semana do Livro, que decorre de 8 a 14 de Março na Holanda.

As actividades previstas, na Biblioteca da Universidade de Utreque, compreendem a apresentação de uma exposição, a participação numa mini feira do livro e uma conferência pelo escritor Jacinto Lucas Pires, com o tema ‘Verdade e Ficção’

A exposição Novas Textualidades em Língua Portuguesa, é constituída por 12 cartazes, referentes aos seguintes autores: Jacinto Lucas Pires, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Dulce Maria Cardoso, Manuel de Freitas, Suleiman Cassamo, Tony Tcheka, José Luís Tavares, Maria da Concenção Lima, Luís Cardoso e Adriana Lisboa.

Na mini-feira do livro, entre 10 e 12 de Março, realizada com a colaboração das editoras neerlandesas Meulenhoff, Arbeiderspers, Poetry International e Van Gennep, estarão disponíveis títulos traduzidos de vários autores de língua portuguesa, como Dulce Maria Cardoso, José Eduardo Agualusa, Mia Couto, José Saramago, Nuno Júdice, Gonçalo M. Tavares, António Lobo Antunes, etc.

As actividades com vista à divulgação da literatura de língua portuguesa junto do público neerlandês serão desenvolvidas em parceria com a Embaixada de Portugal na Holanda e com o Departamento de Português da Universidade de Utreque.

Cortesia de IC

Eu e tu

Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, — em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho e a selva
— O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva —
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
— Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...

António Feijó

In the water























by Eugene von Blaas
Ciclo de Pintura Erótica-Poética - Quadro 19/19

Aquele que nos seus mais tenros anos

Aquele que nos seus mais tenros anos
Algo de novo encontra que de amor o rende
Alta esperança cria, e voa firme
Nas viris asas de sentir-se um homem:
Mais que riquezas são seus pensamentos.
Mas o deleite humano cresce em breve tempo,
E no chão tomba quão depressa o arranca
Um fatal pensamento que às raízes torce.

É um dia, um dia só, a vida humana. O Homem
O que é? O que não é? Sombra num sonho
É o Homem. Mas se o Deus nos ilumina
Na terra brilha a vida
E é doce como o mel.
Engina, augusta mãe,
Protege esta cidade na viagem
A que se presta na busca de ser livre:
E Zeus contigo, e Eacos,
Peleus, o nobre Télamon e Aquiles.

Píndaro

BIO - Bertold Brecht


Eugen Berthold Friedrich Brecht nasceu em Augsburg, 1898, e faleceu em Berlim, 1956, foi um poeta e dramaturgo alemão. Apesar de ser um dos dramaturgos mais destacados e inovadores do século XX, cujas obras procuram sempre a reflexão do espectador, tratou também de fomentar o activismo político com os discursos dos seus lideres.

Começou em Munique os seus estudos de Literatura e Filosofia no ano de 1917, seguindo mais tarde os estudos em Medicina. Durante a I Primeira Guerra Mundial começou a escrever e a publicar as suas obras. Desde 1920 frequentava o mundo artístico de Munique e trabalhava como dramaturgo e director de encenação. Nesta época conheceu F. Wedekind, K. Valentin e L. Feuchtwanger, com os quais mantém sempre um estreito contacto. Em 1924 mudou-se para Berlim, onde trabalhou como dramaturgo com a direcção de Max Reinhardt no Teatro Alemão; posteriormente colaborou também em obras de carácter colectivo juntamento com Elisabeth Hauptmann, Erwin Piscator, Kurt Weill, Hans Eisler e Slatan Dudow, tendo-se relacionado com o pintor Georg Grosz.

Em 1926 começou a sua intensiva dedicação ao marxismo e estabeleceu contacto directo com Karl Korsch e Walter Benjamin. A sua obra Dreigroschenoper (Opera de quatro quartos, 1928) obteve em 1928 o maior êxito conhecido na Républica de Weimar. Nesse ano, 1928, casa-se com a actriz Helene Weigel.

É em 1930 que começa a ter mais contactos com o Partido Comunista Alemão. O 28 de fevereiro de 1933, um dia despois do incêndio do Parlamento Alemão, Brecht começou o seu caminho para o seu exílio em Svendborg (Dinamarca). Depois de uma breve temporada na Austria, Suíça e França, ruma à Dinamarca, onde se estabeleceu com a sua mulher e duas colaboradoras, Margarethe Steffin e Ruth Berlau. Em 1935 viajou a Moscovo, Nova York e Paris, onde interveio no Congreso de Escritores Antifascistas, suscitando uma forte polémica.

Em 1939, temendo a ocupação alemã, muda-se para a Suécia; em 1940, a Finlândia, país de que teve que escapar antes da chegada dos nazis; e em 1941, através da União Soviética (vía Vladivostok), a Santa Monica, nos Estados Unidos, onde permaneceu isolado seis anos, vivendo de guiões para Hollywood. Em 1947 leva às salas de cinema GalileoGalilei, con muito pouco êxito. Em 1948 regressa a Berlim.

Em Berlim, junto con a sua esposa Helene Weigel, fundou em 1949 o conhecido Berliner Ensemble, e dedica-se exclusivamente ao teatro. No entanto, observou sempre com cepticismo e duras críticas o processo de restauração política da República Federal, teve também sérios conflitos com a cúpula política da República Democrática.

Brecht é sem dúvida um dos dramaturgos mais destacados do século XX, além de um dos líricos mais pretigiados. À parte destas duas facetas, é importante destacar ainda a sua prosa breve de carácter didáctico e dialéctico. A base de toda a sua produção é, já desde os tempos de Munique, uma posição antiburguesa, uma crítica às formas de vida, à ideologia e à concepção artística da burguesía, pondo em relevo ao mesmo tempo a necessidade humana de felicidade como base para a vida.

Com a sua dedicação ao marxismo, esta postura torna-se muito mais radical e passou de fazer referência a um individuo isolado a considerar o conjunto da sociedade: o individuo autónomo aniquilado pelo capitalismo (Mann ist Mann, O homem é o homem, 1924/25) consegue novas qualidades dentro do colectivo. Com o personagem que da título ao seu drama Baal (1922), Brecht criou um tipo que aparece em toda a sua produção em diversas variações (Schweyk im Zweiten Weltkrieg, Schweyk na Segunda Guerra Mundial, 1943) e que se expressa de maneira muito mais radical nos fragmentos Untergang des Egoisten Johann Fatzer (O caso do egoísta Johann Fatzer, 1927/30) e Die Reisen des Glücksgotts (As viagens do deus da sorte, 1941).

A posição oposta representam-na as figuras maternais junto com o colectivo revolucionário e os dialécticos (Geschichten von Herrn Keuner, Historias do senhor Keuner, 1930). A inovação literário de Brecht, que na sua lírica passa desde um acercamento crítico à "Neue Sachlichkeit" até às formas de resistência colectiva (Lieder-Gedichte-Chöre, Canções-Poemas-Coros, 1934), está influido pela Biblia de Lutero, a obra de Shakespeare e la Antiguidade Clássica, assim como pelo teatro asiático e la filosofia chinesa.

Brecht entende a filosofia como a doutrina do bom comportamento, uma categoria que resulta fundamental na sua obra. Neste sentido enteende os seus textos como tentativas progressivos de provocar assombro, reflexão, reprodução e mudanças de atitude e de comportamento no espectador. Para isso utiliza o conhecido "efeito de distanciamento" ("Verfremdungseffekt"), que não deve ser entendido somente como uma técnica estética, mas sim como "uma medida social". As suas tentativas dramáticas mais radicais de carácter pedagógico e político são Lindberghflug (O voo de Lindbergh, 1929), Das Badener Lehrstück und der Neinsager (A parábola de Baden e o que dizía que não, 1930), Die Maßnahme, (A medida, 1930), Die Ausnahme und die Regel (A excepção e a regra, 1930) e Die Horatier und die Kuratier (Os horacianos e os curacianos, 1934); em todas elas se põe em relevo uma forte separação entre cenário e espectador.

Com aa chegada do nacionalsocialismo todos estas tentativas revolucionárias perderam os seus pressupostos sociais. No seu exílio, Brecht escreveu sem publicar algumas das suas peças mais conhecidas: Leben des Galilei (Vida de Galileo Galilei, que apareceu em 3 versões: uma dinamarquesa de 1938-39, outra americana de 1945-46, e a tercera, berlinesa, de 1953-55), Mutter Courage und ihre Kinder (A Mãe coragem e seus filhos, 1939), Der gute Mensch von Sezuan (O homem bom de Sezuan, 1943), Herr Puntila und sein Knecht Matti (O senhor Puntila e seu criado Matti, 1940), à parte de escritos teóricos sobre teatro (Der Messingkauf, A compra de latão, 1939/40) e alguns apontamentos para umas novelas (Tui-Roman, Novela de Tui, 1930/42; Die Geschäfte des Herrn Julius Caesar, Os negócios do senhor Julio César, 1938/39). Com as suas análises sobre o fascismo e os Svendborger Gedichte (Poemas de Svendborg, 1939) tomou parte activa na luta antifascista.

Condicionado pela situação social, até 1945 trabalhou sozinho nas obras de carácter didáctico, esquecendo as experiências dos primeiros anos. Talvez isso fora o que o converteu num clássico até ao ponto de que o teatro actual (tanto na antiga RDA como na antiga RFA) seria impensável não existir.

José Tolentino de Mendonça e Manuel Alegre distinguidos pela Fundação Inês de Castro

O que é que José Tolentino de Mendonça e Manuel Alegre têm em comum? A resposta não podia ser mais simples: são dois poetas portugueses. Desde ontem, no entanto, partilham algo mais do que os poemas: a distinção pela Fundação Inês de Castro. O padre José Tolentino de Mendonça, com a obra “O viajante sem sono”, publicada em 2009,foi distinguido com o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2009. O político Manuel Alegre viu ser-lhe atribuído o Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2009.

Responsável por falar sobre José Tolentino de Mendonça, José Carlos Seabra Pereira, ensaísta e professor universitário, revelou tratar-se de um poeta cuja «obra tem-se mostrado aberta à reformulação», destacando «a poesia do sentido da falta», antes de revelar que “O viajante sem sono” vem «coroar uma sequência cerrada de obras». Por fim, o também membro do júri do concurso literário destacou «a grande exigência de contenção de um bem precioso e raro» presente nas obras do doutorado em Teologia.
Após receber o prémio das mãos de Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra, José Tolentino de Mendonça, nascido em 1965, lembrou que «o poema faz parte do real», acrescentando que «o poema é a inevitabilidade de uma experiência humana». Quanto à obra premiada “O viajante sem sono», o poeta disse lembrar «alguns amigos que partiram, que morreram», embora queira lembrar, também, «amigos vivos e dizer-lhes que a poesia é uma forma de partilhar com eles o lume».

Esta é já a terceira edição do Prémio Literário, um galardão atribuído pela Fundação Inês de Castro que pretende distinguir obras de expressão literária sobre motivos «inesianos». Além do já mencionado prémio, a Fundação atribuiu o Tributo de Consagração à obra de Manuel Alegre. Frederico Lourenço, ensaísta e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a quem coube falar do premiado, destacou «o fenómeno incrível de originalidade em cada novo poema» de Alegre.
Nascido em 1936, Manuel Alegre foi candidato independente, nas eleições de 2006, a Presidente da República. Frederico Lourenço, também membro do júri, reconheceu que «haverá poucos portugueses que não saibam que Manuel Alegre é poeta», mas, prosseguiu, «poucos conhecerão os atributos de um dos grandes poetas da nossa língua». «O carácter interventivo dos seus poemas, a poesia que nasce da revolta e a poesia que não pode deixar indiferente nenhum cidadão deste país» foram frases utilizadas pelo ensaísta para caracterizar a obra do poeta, antes de destacar «a poesia com forte pendor ético».

Na cerimónia que decorreu na Quinta das Lágrimas, Manuel Alegre recebeu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2009 das mãos de Rui Alarcão, antigo reitor da Universidade de Coimbra. Depois, o poeta disse receber a distinção «com muita alegria e humildade», assumindo, contudo, não se tratar de «uma reforma de vida nem de escrita», antes de encontrar na leitura dos poemas inéditos “Tróia” e “Letra desconhecida” a forma de agradecer o prémio que acabara de lhe ser entregue.

Cortesia de Diário de Coimbra

CITAÇÃO - Charles Baudelaire

Como foi a imaginação que criou o mundo, ela governa-o.

um biombo de açucenas para os espelhos

agora,
entre as duas,
um biombo de açucenas
percorre mil jardinzinhos
no sangue
do
nosso coração.

o espelho da lua partiu-se.

os teus olhos
são ainda
mil
espelhos
floridos em pleno verão.

o teu amor diminuto
foi-se-me
soltando pelos dedos...


ah,
minha alma ferida,
minha chaga
de neve fundida,
junto à flor singela
de um campo de cedros
enfurecido!
as alamedas escrevem por um raio de Sol,
trarei bosques de púrpura
em um combóio de estrelas,
entornando
a mais pura luz branca... sobre o mar do teu coração...
trago-te viva.

ouves os repuxos falando sozinhos?

quantos pássaros de lírios pousam nos choupos,
e um peixe em minha fronte
com dois mares em volta
cantando...

como é difícil
fazer chegar aos teus ouvidos,
búzios!


em nossa casa há uma figueira que grita!
em tua cabeça arde uma estrela magoada ...

livra-me do suplício de te ver florir
em minha mão.

como é difícil cantar no ceptro do chão!

sou uma manta de água que te vai cobrindo
com o arco-íris dos barcos...



ouve, filha,...


logo virão as chuvas,
logo virão... e tu passeando
sobre ramos brancos de neve
com esse traje de mágoa
ante a mágica e viva flor dos lírios...


porque nascemos entre mil espelhos?

ouve,
nas avenidas há uma fonte
alumiando o sol e as estrelas...

o nosso coração arde muito longe...

Maria Azenha

D. A. Powell vence o mais lucrativo Prémio de Poesia dos E.U.A. no valor de $100000

Os poetas não deveriam continuar condenados a uma vida de destituição.

A Claremont Graduate University anunciou os vencedores do mais lucrativo dos prémios de Poesia, o Kingsley and Kate Tufts Award. Nesta edição, o Kingsley Tufts Award, no valor de $100000, foi para o poeta D. A. Powell pela sua obra “Chronic” (Graywolf Press).

D. A. Powell, um poeta da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos da América, é também finalista do Prémio de Poesia National Book Critics Circle’s com a mesma obra; o seu último trabalho “Cocktails,” foi também finalista na edição anterior do mesmo prémio. O Kate Tufts Discovery Award, um prémio de $10000 atribuído à primeira obra de um poeta, foi ganho por Beth Bachmann pela sua obra “Temper” (University of Pittsburgh Press).

A cerimónia de entrega dos prémios decorrerá no dia 22 de Abril no Pasadena Museu de Arte da Califórnia.

2º Aniversário de Poetícia

No próximo dia 20 de Feveveiro Poetícia celebra dois anos de blogosfera.

Para celebrar o 2º aniversário, os autores do blogue têm o prazer de anunciar a abertura do Ciclo de Divulgação da Obra de Autores Vivos (CDOAV), escritores e poetas, de todas as idades e nacionalidades que tenham escrito ou escrevam em língua portuguesa.

O CDOAV decorrerá durante o mês de Março sendo que todos os escritores e poetas interessados em participar podem fazê-lo enviando até ao máximo de cinco (5) textos (prosa e/ou poesia) para o e-mail poeticia.jornalista@gmail.com, indicando o nome do autor, nacionalidade e cidade/país de residência. O envio de uma pequena biografia é opcional. Os textos podem ser enviados até ao dia 20 de Fevereiro.

Esta iniciativa insere-se no conjunto de acções que o blogue Poetícia está a realizar para promover potenciais valores da literatura de língua portuguesa.

Curso de Poesia Contemporânea Leya

Já se encontram abertas as inscrições para o curso “Leya Poesia Portuguesa Contemporânea”, orientado por Fernando Pinto do Amaral. O curso terá início no próximo dia 24 de Fevereiro.

LEYA POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA
Com Fernando Pinto do Amaral

Apresentação

O curso procurará apresentar uma visão das principais linhas de força da poesia portuguesa do século XX, percorrendo os seus movimentos mais significativos e interrogando as suas consequências. Incluirá uma breve panorâmica histórica, mas também a leitura e o comentário de alguns poemas, em conjunto com os participantes no curso. Três sessões serão dedicadas especificamente à abordagem de textos de Mário de Sá-Carneiro, Eugénio de Andrade e Ruy Belo.

Conteúdos

1 – Modernidade e modernismos – Rápida panorâmica da poesia portuguesa desde a revista Orpheu (1915) à década de 1960. Grandes linhas de continuidade e de ruptura na tradição lírica portuguesa: referência a autores como Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O’ Neill, David Mourão-Ferreira, Herberto Helder ou Gastão Cruz, entre outros.

2 – O excesso na obra de Mário de Sá-Carneiro, entre a herança simbolista e o apelo da vanguarda.

3 – O lirismo amoroso e o sentido elegíaco na poesia de Eugénio de Andrade.

4 – A poesia de Ruy Belo como um «transporte no tempo». A melancolia do quotidiano.

5 – Perspectiva da poesia portuguesa desde a década de 1970 à actualidade. Conceitos de pós-modernismo e abordagem panorâmica de algumas tendências e autores: Nuno Júdice, João Miguel Fernandes Jorge, António Franco Alexandre, Joaquim Manuel Magalhães, Vasco Graça Moura, Al Berto e outras vozes mais recentes.

Fernando Pinto do Amaral nasceu em Lisboa em 1960. Começou por frequentar o curso de Medicina, mas foi em Letras que se licenciou e doutorou. Dá aulas na Faculdade de Letras de Lisboa desde 1987.
Poeta, ensaísta e tradutor, a sua carreira conta com várias colaborações em diversas revistas e jornais sobre temas literários.

Leya Poesia Portuguesa do Século XX com Fernando Pinto do Amaral

Datas: 24 de Fevereiro-24 de Março
Horário: quartas-feiras, das 19 às 21h
Duração total: 10h
Preço: 50 Euros
Local: Edifício Leya - Alfragide
Número de alunos: 25 alunos (máximo)
Candidaturas: apresentação de CV + objectivo para frequentar o curso
Inscrições: entre 25 de Janeiro e 13 de Fevereiro
Mais informações: igarcez@caminho.leya.com

Cortesia Grupo Leya

Casa

A luz de carbureto
que ferve no gasómetro do pátio
e envolve este soneto
num cheiro de laranjas com sulfato
(as asas pantanosas dos insectos
reflectidas nos olhos, no olfacto,
a febre a consumir o meu retrato,
a ameaçar os tectos
da casa que também adoecia
ao contágio da lama
e enfim morria
nos alicerces como numa cama)
a pedregosa luz da poesia
que reconstrói a casa, chama a chama.

Carlos de Oliveira

«A Scattering» de Christopher Reid recebe Prémio Costa da Literatura

O poeta britânico Christopher Reid foi distinguido com o Prémio Costa de literatura, pela colectânea de poemas A Scattering, obra que homenageia a sua mulher, a actriz Lucinda Gane, que morreu em 2005. Os poemas de A Scattering (traduzível por A Dispersão), escritos durante a fase final da doença da mulher e nos meses subsequentes à sua morte, foram descritos pelos membros do júri como «intensamente emocionantes, absorventes e sinceros». Reid, de 60 anos, que recebeu o prémio - no valor pecuniário de 30 mil libras (34.500 euros) - em Londres, era um dos cinco finalistas do galardão, que distingue autores radicados no Reino Unido e na Irlanda e que é o único galardão literário que não estabelece distinções entre a literatura infantil e a adulta.

Cortesia de Diário Digital

Faleceu Rosa Lobato Faria

A actriz, escritora e compositora Rosa Lobato Faria, de 77 anos, morreu ontem depois de ter sido internada há uma semana com uma anemia grave num hospital privado de Lisboa. O seu editor na ASA e agora na PortoEditora, Manuel Alberto Valente, recorda-a como "uma pessoa extraordinária" e revela que Lobato Faria desejava publicar um novo romance este ano. Lauro António, realizador, frisa que "ela deixa uma marca forte no mundo do espectáculo e da cultura portuguesa".

Rosa Lobato Faria estava internada num hospital privado de Lisboa há uma semana devido a anemia e já há mais de seis meses que sofria de complicações devidas a uma cirurgia motivada por uma infecção intestinal. É viúva de Joaquim Figueiredo Magalhães, editor literário, desde 26 de Novembro de 2008.

O corpo de Rosa Lobato Faria vai estar hoje de manhã na Igreja de Santa Isabel, perto do Largo do Rato, em Lisboa, onde decorrerá uma missa pelas 15h00, disse à Lusa um familiar. Depois da celebração, o funeral sairá para um cemitério de Lisboa, mas a fonte disse ainda desconhecer qual. Sendo que a actriz será cremada, os cemitérios de Alto S. João e Olivais são as únicas possibilidades em Lisboa.

"É uma grande dor e uma grande perda", lamenta Manuel Alberto Valente ao PÚBLICO, que editou o primeiro romance da autora - "Para além de ser muito bem escrito, trazia para a área da ficção essa marca poética muito forte de todo o trabalho dela" - e quase toda a sua obra desde então.

"Foi crescendo entre nós uma amizade muito grande. Eu era uma das primeiras pessoas a ler cada original que ela terminava. Tinha prometido entregar-nos brevemente o novo romance que queria publicar ainda este ano. Não sei em que fase estava da escrita desse romance, mas vou agora tentar saber junto da família."

Lauro António, realizador de cinema que dirigiu Rosa Lobato Faria em "Paisagem Sem Barcos" (1983) e "O Vestido Cor de Fogo" (1986), elogia a sensibilidade e a elegância da actriz, que "ao mesmo tempo [era] muito intensa ao nível das suas convicções e paixões". O realizador assinala ainda que "a imagem que se tinha dela correspondia muito à sua essência. Tinha uma beleza interior e exterior e uma certa serenidade – curiosamente aproveitei essa serenidade para lhe dar papéis em que era fria, distante, personagens um pouco hipócritas".

"E, não sendo uma feminista militante, tinha uma personalidade forte, e deu um bom retrato da mulher, ajudando a alterar a imagem da mulher em Portugal nos últimos 50 anos", sublinha Lauro António ao PÚBLICO.

O Ministério da Cultura manifestou, em comunicado, "grande pesar pelo falecimento" da poetisa e romancista, destacando que "a actividade que desenvolveu na área da escrita, fundamentalmente como autora de romances, mas também de poemas, contos, peças de teatro, argumentos para televisão e letras de músicas e, ainda, como actriz em filmes e séries televisivas constituem um legado que atesta a sua criatividade e extrema sensibilidade e que perpetuará como fonte de inspiração para novas gerações".

Da poesia ao romance

A escritora (poeta e romancista) e actriz nasceu em Lisboa em abril de 1932. O seu primeiro romance, "O Pranto de Lúcifer", foi editado em 1995, mas publicara já antes vários volumes de poesia - como "Os Deuses de Pedra" (1983) ou "As Pequenas Palavras" (1987). O essencial da sua poesia está reunido no volume "Poemas Escolhidos e Dispersos" (1997). Em 1999, na ASA, publica "A Gaveta de Baixo", um longo poema inédito acompanhado por aguarelas do pintor Oliveira Tavares.

Como romancista publicou ainda "Os Pássaros de Seda" (1996), "Os Três Casamentos de Camilla S." (1997), "Romance de Cordélia" (1998), "O Prenúncio das Águas" (1999, que foi Prémio Máxima de Literatura em 2000) e "A Trança de Inês" (2001). Escreveu também "O Sétimo Véu" (2003), "Os
Linhos da Avó" (2004), "A Flor do Sal" (2005), "A Alma Trocada" (2007) e "A Estrela de Gonçalo
Enes" (2007), além de ter assinado vários livros infantis. Os dois primeiros romances tiveram tradução na Alemanha e "O Prenúncio das Águas" foi publicado em França pelas Éditions Métailié. O seu último livro, "As Esquinas do Tempo", foi publicado em 2008 pela Porto Editora.

Como actriz, Lobato Faria integrou o elenco da primeira novela portuguesa, "Vila Faia" (1983), e trabalhou com Herman José em "Humor de Perdição" também como argumentista. Filmou com João Botelho ("Tráfico, de 1998, e "A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América", de 2003). Foi também dirigida por Lauro António em "Paisagem Sem Barcos" (1983) e "O Vestido Cor de Fogo" (1986). Estreou-se como locutora na RTP na década de 1960.

Escreveu ainda dezenas de letras para canções, muitas delas para festivais da canção. Entre elas o conhecido "Chamar a Música", interpretado por Sara Tavares.

Cortesia de O Público

Correntes d'Escritas - Encontro de Escritores de Expressão Ibérica 2010 com a presença de 66 escritores

“Leitura, Escrita e Educação” será o tema da conferência de abertura do Correntes d’Escritas - Encontro de Escritores de Expressão Ibérica 2010 que será proferida pela escritora e ministra da Educação, Isabel Alçada. Este encontro que decorrerá na Póvoa de Varzim de 24 a 27 de Fevereiro juntará 66 escritores (de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, México, Colômbia, França, Espanha, Angola, Uruguai e Argentina), muitos participam pela primeira vez neste encontro literário que já vai na 11ª edição.

Os portugueses A.M. Pires Cabral, Ana Luísa Amaral, Maria Teresa Horta, valter hugo mãe, Rui Zink, Eduardo Pitta, Inês Pedrosa, Francisco José Viegas, João de Melo, Patrícia Reis, João Tordo, Manuel Jorge Marmelo, Manuel da Silva Ramos, Mário Zambujal, Dulce Maria Cardoso, etc, os brasileiros Zuenir Ventura e Bernardo Carvalho, Luandino Vieira e Manuel Rui (Angola), Germano Almeida (Cabo Verde), Hector Abad Faciolince (Colômbia) Milton Furnaro (Uruguai), Isaac Rosa (Espanha), Catherine Dumas (França), Malangatana (Moçambique), Pablo Ramos (Argentina), Ricardo Menéndez Salmón (Espanha) e Gonzalo Celorio (México) entre outros.

A sessão oficial de abertura está marcada para o dia 24 de Fevereiro no Casino da Póvoa, altura em que será feito o anúncio do vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros. No Correntes serão lançados 22 livros e a organização preparou um “lançamento especial”, a título póstumo, do livro “O Terceiro Reich”, do chileno Roberto Bolaño, que vai decorrer dia 25, à meia-noite.

“É inegável o efeito deste encontro no mercado literário nacional”, disse o vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Luís Diamantino, para quem o encontro de escritores da Póvoa “marca a rentrée literária no país” divulga a agência Lusa.

Durante o evento irá decorrer a cerimónia de atribuição dos Prémios de Edição Booktailors/LER e a IX Revista Correntes d’Escritas, que inclui contos e poesia inédita de escritores que participaram nas várias edições do Encontro, será dedicada a Agustina Bessa-Luís.

Cortesia de O Público

IX Encontro de Poetas do Ribatejo homenageia Albertina Pato e João Vieira Sabino

A Câmara Municipal de Benavente homenageou os poetas João Vieira Sabino e Albertina Pato com a Medalha Municipal de Grau Prata, no dia 30 de Janeiro, durante o IX Encontro de Poetas Ribatejanos, no Palácio do Infantado, em Samora Correia.

A vereadora da cultura aproveitou o momento para “expressar na simbologia de um gesto a importância que nos merece a palavra dos nossos poetas”. É uma homenagem a duas figuras do concelho que ergueram poeticamente as palavras simples dos nossos quotidianos e transformar em arte”, explicou Maria Gabriela Santos.

Começo a rimar e a sentir, rimo para baixo e para cima/ E a malta larga-se a rir, que eu não vou falhar uma rima. Como vêem meus amigos, não custa nada rimar/ Já mostrei os meus sentidos, que rimo, rimo sem parar.”

Assim se apresenta João Vieira Sabino, de 89 anos, o mais velho “trovador” neste Encontro, que juntou cerca de 80 poetas populares, vindos do concelho de Vila Franca de Xira e do distrito de Santarém. O natural de Muge (Salvaterra de Magos) diz que se inspira “no próprio trabalho, na vila em que cresceu, na vida, na transformação que os tempos às gentes e à terra e nas memórias” e que os versos lhe vêm à cabeça de “forma espontânea” e que por isso, muitas vezes, fala a versejar.

Albertina Pato é natural de Samora Correia, e aos 84 anos diz que já cresceu com a poesia nos genes. “A minha veia poética deve vir do meu pai. Lembro-me de ser miúda e adormecer a ouvi-lo recitar quadras”, conta-nos. É uma poesia mais intimista, que nos fala das memórias da infância, dos amores, e da terra natal, das paixões ou do sofrimento da ida dos filhos para o Ultramar: “Com o meu menino irei, à descoberta de novos horizontes/ Olharemos a natureza, as estrelas, /O sol com os seus raiozinhos e a água a correr nas fontes. / O meu menino virá iluminar a minha vida/Será um raio de sol, que deixará toda a minha dor, adormecida”.

Para além do espaço para homenagem, o encontro de poetas populares é também um espaço de convívio e de oportunidade de divulgação para novos “escultores da palavra”. A iniciativa transformou-se num calendário incontornável do programa cultural da região ribatejana, como sublinha o escritor Domingos Lobo. O responsável pelo Encontro de Poetas considera que esta iniciativa é “um estímulo, até para os jovens que de momento estarão a iniciar-se e a escrever as suas coisas”.

Cortesia de O Mirante Diário Online

Memória (extrato de «Só»)

(à minha mãe, ao meu Pai)

Aquele que partiu no brigue Boa Nova
E na barca Oliveira, anos depois, voltou;
Aquele santo (que é velhinho e lá corcova)
Uma vez, uma vez, linda menina amou:
Tempos depois, por uma certa lua-nova,
Nasci eu... O velhinho ainda cá ficou,
Mas ela disse: – «Vou, ali adiante, à Cova,
António, e volto já...» E ainda não voltou!
António é vosso. Tomai lá a vossa obra!
«Só» é o poeta-nato, a lua, o santo, o cobra!
Trouxe-o dum ventre: não fiz mais do que o escrever...
Lede-o e vereis surgir do Poente as idas mágoas,
Como quem vê o Sol sumir-se, pelas águas,
E sobe aos alcantis para o tornar a ver!

António Nobre

Poetas, História e Natureza à descoberta em Sintra

A Câmara Municipal de Sintra lançou recentemente três propostas de percursos turísticos que destacam as forças naturais e o legado humano de Sintra: «Jardins Românticos», «Património e Natureza» e «Místico».

A par dos percursos sugeridos, os itinerários dão a conhecer a vida de Sintra em diferentes aspectos, que vão desde os doces tradicionais, como as queijadas e os travesseiros, às lendas românticas, e aos poetas que por Sintra passaram e nela se inspiraram.

Os itinerários, disponíveis nos postos de Turismo, em português e inglês, sugerem visitas a locais e monumentos emblemáticos como o Cabo da Roca, a Quinta da Regaleira, o Castelo dos Mouros, Monserrate, Seteais ou o Paço Real.

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