Faleceu Gil Scott-Heron, o precursor do R.A.P.

O poeta, cantor, figura icónica da música negra e precursor do rap Gil Scott-Heron faleceu no passado dia 27 em Nova Iorque, aos 62 anos, por causas ainda não divulgadas.

O anúncio foi feito por Jamie Byng, o seu produtor no Reino Unido, através da rede social Twitter, onde escreveu que o seu "amigo e uma das pessoas mais inspiradoras" que alguma vez conheceu morreu na última noite.
Gil Scott-Heron nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1949 e lançou o seu primeiro disco em 1970 com o título "Small talk at 125th and Lenox", onde tecia duras críticas à classe média americana, os activistas negros e o consumismo norte-americano. O trabalho ficou célebre pela sua canção mais icónica: "The revolution will not be televised".

Durante muitos anos foi apresentado como o "Bob Dylan negro", pela costela política. Mas sempre foi mais directo ao assunto, ou não tivesse escrito uma canção sobre segregação racial na África do Sul chamada "Johannesburg"; ou outra sobre alcoolismo, "The bottle". No final dos anos 60 e primórdios dos 70, num período de lutas cívicas, convulsões económicas e mudanças sociais aceleradas, poucos conseguiram capturar as contradições de um país como ele.

Apesar de ser muitas vezes apontado como precursor ou padrinho do rap, este era um título que não agradava a Gil Scott-Heron, que preferia descrever o seu trabalho como "bluesology", isto é, uma espécie de fusão entre poesia, soul, blues e jazz, com uma grande consciência social e fortes mensagens políticas, nomeadamente sobre temas como as armas nucleares ou o apartheid, descreve o jornal inglês Guardian.

Dos livros para a música

Inicialmente através da escrita publicou o primeiro livro, "The Vulture", aos 19 anos. Mais tarde, quando ia publicar o terceiro livro, e depois de ter conhecido o músico e produtor Brian Jackson que o viria a acompanhar durante mais duas décadas, entendeu que o método de comunicar teria que mudar e a soul, o funk ou o jazz tornaram-se no veículo de difusão da sua paixão: a poesia.
Nesse período debitava acima de tudo para audiências negras, aprendendo com a "spoken-word" do poeta e activista Amiri Baraka ou com o jazz de Coltrane e Miles Davis. Mais tarde, no final dos anos 70 e primórdios dos 80, quando o hip-hop irrompeu, foi considerado um dos pioneiros do género. Grupos como Public Enemy ou Disposable Heroes Of Hiphoprisy citavam-no e novas gerações, de todas as cores, redescobriam-no.

Mas Gil Scott-Heron assumia-se sobretudo marcado pela sua avó, que viu morrer no sul dos Estados Unidos quando tinha apenas 15 anos. "Ensinou-me a não esperar que as pessoas descobrissem o meu pensamento, mas a exprimir-me por mim próprio. Quando penso nela, vejo-me a mim", disse uma vez o cantor, numa entrevista. Depois da morte da avó, mudou-se para o Harlem, Nova Iorque, onde ainda habitava. Foi já em Nova Iorque, na Universidade Lincoln, que conheceu outra personalidade importante na sua vida, o poeta e escritor Langston Hughes.

Ao longo de quatro décadas, o cantor lançou mais de 20 discos. "We're New Here", lançado já este ano, foi o seu último álbum, tratando-se de uma recriação do álbum "I'm New Here" de 2010, concretizada por Jamie xx (do grupo The xx) e Gil Scott-Heron. O trabalho do ano passado foi lançado 16 anos depois do seu último registo de originais e numa altura em que tinha estado envolvido em algumas polémicas com a polícia por pose drogas e violação da liberdade condicional. Era também portador de VIH.

O responsável pela ressurreição do veterano foi Richard Russell, produtor inglês também responsável pela XL Recordings. Foi ele que percebeu que não valia a pena regressar no modelo soul-funkjazz do passado. Havia que preservar o essencial, a sua voz, mas fazendo-o com uma arquitectura sonora renovada. Richard Russell apresentou-se a Scott-Heron quando este ainda estava na prisão e disse que quando fosse libertado queria produzir um disco com ele. Em Junho de 2007, quando Scott-Heron saiu da prisão Richard Russell contactou-o em Londres e um acordo foi selado. As gravações iniciaram-se em Janeiro de 2008, depois de uma última passagem por uma casa de correcção em Manhattan.

O músico esteve em Lisboa e no Porto no ano passado, em Maio.

Cortesia de Ípsilon

Linton Kwesi Johnson fundador da dub poetry


Linton Kwesi Johnson, considerado por muitos como o pai fundador da dub poetry (que é precisamente o tema do ensaio, e por isso podiam ter feito isto em Abril) e co-autor de um dos melhores discos reggae de sempre, o essencial Dread Beat An' Blood.

CITAÇÃO - Fernando Pessoa

Desceu sobre nós a mais profunda e a mais mortal das secas dos séculos - a do conhecimento íntimo da vacuidade de todos os esforços e da vaidade de todos os propósitos.

Novo Hino de Portugal (não oficial)

I


Heróis do nada, pobre povo
Nação decadente, imoral,
Trabalhai hoje de novo,
Para a pensão bestial!
Entre os traumas da memória,
Compatriotas abafem as vozes
Destes políticos atrozes
Que hão-de-nos comer a escória!


Às armas, às armas!
Vamos po-los a andar
Às armas, às armas!
Já chega de chupar!
Contra os borrões
Votar, votar!


II


Descobre a verdade financeira,
À luz viva do FMI e do Banco Central Europeu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal empobreceu!
Seja o teu presente furibundo
Neste cantinho pequenino
Já é hora meu menino
de abrires os olhos ao mundo!


Às armas, às armas!
Vamos po-los a andar
Às armas, às armas!
Já chega de chupar!
Contra os borrões
Votar, votar!


III


Senti a dor que desponta
Quando a economia não cresce;
É o povo que paga a conta
Só assim Portugal floresce!
É povo sempre o povo
A esperança do ressurgir
Há que levantar de novo
E produzir, produzir!


Às armas, às armas!
Vamos po-los a andar
Às armas, às armas!
Já chega de chupar!
Contra os borrões
Votar, votar!


Anónimo

Se nada há de novo e tudo

Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.

William Shakespeare

Poeta Luís Felício vence Prémio Edmundo Bettencourt

Luís Felício é o vencedor do Prémio Edmundo Bettencourt – Poesia 2011. “O cânone contínuo” foi o texto poético eleito unanimemente pelo júri que considerou “muito bem conseguida a contiguidade entre os poemas, configurando estes como que um longo poema narrativo”, foi hoje anunciado na Feira do Livro do Funchal.

Luís Felício é estudante de Filosofia, tem 28 anos e é natural de Lisboa. Actualmente vive na Polónia onde ensina português em regime de voluntariado. O anúncio da atribuição do Prémio foi comunicado ao vencedor via telefone pela comissão científica do prémio, tendo este declarado estar “bastante satisfeito» com a distinção, a mais importante que já lhe foi atribuída. E mostrou-se honrado pelo patrono da distinção, Edmundo Bettencourt, um poeta madeirense que muito aprecia.

Este ano apresentaram-se a concurso 316 originais, submetidos à apreciação de um júri constituído por professores da Universidade da Madeira e presidida pela directora do Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Funchal, Teresa Brazão. Além do prémio monetário de cinco mil euros, dada a excepcional qualidade do texto vencedor, o município promotor do certame decidiu financiar a sua edição.

O Prémio Edmundo Bettencourt foi instituído pela Câmara Municipal do Funchal com o objectivo de incentivar a criatividade e descobrir novos talentos, premiando a cada ano as modalidades de romance, poesia e conto. Na edição do ano passado foi distinguida a escritora madeirense Ana Cristina Pereira com o conto “A outra”.

Cortesia de O Público

O R.A.P. como literatura?

O Estadão publicou uma notícia/comentário sobre as letras de canções como material que nem sempre é visto por académicos como de dom literário. Escreveu Lucas Nobile: “E a conversa piora quando o assunto se trata das criações (sub)urbanas feitas nas periferias. Aos desavisados seria bom lembrar que a poesia já surgiu cantada, lá atrás, com os menestréis. Aos conservadores, basta avisar que já está mais do que na hora de o rap ser encarado como música e que, no começo de maio, será lançado mais um disco assertivo da crescente qualidade do gênero: Nó na Orelha, de um maluco, no melhor sentido da palavra, conhecido como Criolo Doido.”

Festa do Livro 2011

A Festa do Livro do Funchal, que decorre de 20 a 29 de Maio, receberá nomes como Lídia Jorge, Nuno Markl, Pedro Vieira, José Luís Peixoto, Francisco José Viegas, Eduardo Pitta, Valter Hugo Mãe, Patrícia Reis, Mário Zambujal e Helena Marques. Conheça o programa, os autores, os lançamentos e todas as notícias sobre o evento em Festa do Livro.

Cortesia de CFP

Mostra Alves Redol, Manuel da Fonseca e o ciclo histórico do Neo-Realismo português

No centenário do nascimento dos dois escritores, a mostra bibliográfica pretende situar a obra de ambos no contexto histórico em que a corrente neo-realista configurou um ciclo de pertinência (1937-1959) de uma opção realista na literatura e na arte, não obstante as soluções de mediação estética diversas. Ora, justamente, o autor de Glória, uma Aldeia do Ribatejo e do romance Gaibéus, com forte influência etnográfica inicial, surge na linha de um realismo documental que forma dicotomia com o autor dos poemas de Rosa dos Ventos ou dos contos de Aldeia Nova, cujo realismo é marcadamente lírico.

Alves Redol (1911-1969) e Manuel da Fonseca (1911-1991) iriam posteriormente evoluir: o primeiro para a sua obra clássica, abandonada a tendência para a recolha de campo, a partir do romance A Barca dos Sete Lemes, em 1958, a Muro Branco, de 1966; o segundo, abandonada a tematização alentejana, deu lugar aos temas citadinos de Um Anjo no Trapézio, de 1968, ou de Tempo de Solidão, em 1969.

O cabeçalho do artigo mostra-nos os dois autores, em fotografia (pormenor) de cerca de 1940, da Col. de António da Mota Redol.

Patente até 2 de Julho, na Sala de Referência da Biblioteca Nacional. Entrada livre.

Cortesia de BN

Poetas do Mundo - Charles Cros

POEMAS

Le Hareng Saur

Era um grande muro branco - nu, nu, nu,
Posta no muro uma escada - alta, alta, alta,
No chão, um arenque fumado - seco, seco, seco.

Ele chega, trazendo nas mãos - porcas, porcas, porcas,
Um martelo pesado, um prego - bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio - grosso, grosso, grosso.

Subindo então à escada - alta, alta, alta,
Espeta o prego bicudo - toque, toque, toque,
Ao alto do muro branco - nu, nu, nu.

Deixa fugir o martelo - que cai, que cai, que cai,
ao prego amarra a corda - longa, longa, longa,
E à ponta o arenque fumado - seco, seco, seco.

Volta a descer a escada - alta, alta, alta,
Leva-a, e ao martelo - pesado, pesado, pesado,
E lá se afasta para - longe, longe, longe.

Então o arenque fumado - seco, seco, seco,
Na ponta da corda - longa, longa, longa,
Balança devagarinho - sempre, sempre, sempre.

E eu inventei esta história - banal, banal, banal,
Para enfurecer as pessoas - graves, graves, graves,
E divertir as criancinhas - pequenas, pequenas, pequenas.


Réponse

Ce que je te suis te donne du doute ?
Ma vie est à toi, si tu la veux, toute.
Et loin que je sois maître de tes voeux,
C'est toi qui conduis mon rêve où tu veux

Avec la beauté du ciel, en toi vibre
Un rhythme fatal ; car mon âme libre
Passe de la joie aux âpres soucis
Selon que le veut l'arc de tes sourcils.

Que j'aye ton coeur ou que tu me l'ôtes,
Je te bénirai dans des rimes hautes,
Je me souviendrai qu'un jour je te plus
Et que je n'ai rien à vouloir de plus.



Moi, je vis la vie à côté

Moi, je vis la vie à côté,
Pleurant alors que c'est la fête.
Les gens disent : Comme il est bête!
En somme, je suis mal coté.
J'allume du feu dans l'été,
Dans l'usine je suis poète ;
Pour les pitres je fais la quête.
Qu'importe ! J'aime la beauté.

Beauté des pays et des femmes,
Beauté des vers, beauté des flammes,
Beauté du bien, beauté du mal.

J'ai trop étudié les choses ;
Le temps marche d'un pas normal;
Des roses, des roses, des roses !

PEQUENA BIOGRAFIA

Charles Cros, poeta e cientista francês, nasceu em Fabrezan no dia 1 de Outubro de 1842. Poeta de um humor e de uma ironia incomparáveis, foi também um inventor de méritos reconhecidos. Desenvolveu alguns métodos de fotografia, aperfeiçoou a tecnologia telegráfica e esteve perto de ficar para a história como o inventor do fonógrafo. Cros faleceu em Paris, no ano de 1888, onde levou uma vida de boémia relacionando-se com outros poetas como, por exemplo, Verlaine. Publicou os seus primeiros poemas em 1869 na revista L'Artiste. Foi, entre outras coisas, redactor e editor de La Revue du monde nouveau. À altura da sua morte, grande parte da sua obra estada inédita. Só mais tarde, Robert Desnos e Aragon lhe renderam homenagem. Assim como Breton, que o incluiu na sua Antologia do Humor Negro.

A Cultura "à rasca"

O que já parece inaceitável é que, neste quadro de crise e de cortes no sector, se opte por "dividir o mal pelas aldeias", sem olhar a manifestos irrealismos, a estrangulamentos e a pontos que deviam ser estratégicos.

É dramática em vários países europeus, Portugal incluído, a situação de cortes nos apoios públicos à cultura.

Para abordar o quadro geral, começo por invocar uma cena altamente simbólica ocorrida no passado 12 de Março, na Ópera de Roma, quando do começo na capital das comemorações dos 150 anos do "Risorgimento", a unificação política da Itália. Riccardo Muti dirigia o "Nabucco" de Verdi - e, como se sabe, "Viva Verdi!" foi uma palavras de ordem do processo de unificação, entre outros devido ao mais célebre momento daquela ópera, o coro dos hebreus cativos, "Va pensiero". O entusiasmo foi delirante e os pedidos de "bis" também. Que conste dos anais, Muti apenas tinha concedido um "bis", quando jovem estreante do Scala em 1986. Pois desta vez não só repetiu o coro e apelou o público a cantá-lo também, como, facto inédito, usou da palavra num discurso claramente político: apelou ao "Risorgimento" da Cultura, "que só ela fez a História e a unidade da Itália". Como na cena inicial do "Senso" de Visconti, em que caem panfletos no La Fenice de Veneza após o "Di quella pira" de outra ópera de Verdi, "O Trovador", o mesmo se passou agora em Roma: "Itália ressurge na defesa do património da cultura"!

No dia 30 de Março, o Arts Council England anunciou a distribuição de subsídios. O Conselho, cujos fundos, note-se, provêm no fundamental de receitas de lotaria, estava num dilema entre os objectivos estratégicos por ele próprio delineado para um horizonte de 10 anos, num documento do ano passado, "Achieving great art for everyone", e um corte determinado pelo governo conservador de 15 por cento do orçamento. Das 1330 instituições que solicitaram apoios apenas 685 o obtiveram.
Claro que tem sempre de haver uma avaliação de múltiplos parâmetros na atribuição de fundos culturais públicos. Mas há razões para nos determos nas linhas gerais desta decisão. As grandes instituições culturais como o National Theatre, a Royal Opera House, a Royal Shakespeare Company ou a Tate foram das que tiveram cortes menos acentuados, supostamente por serem aquelas que maior capacidade têm de atrair mecenato, um factor pertinente. Mas foram drasticamente cortadas ou não houve nenhum subsídio, duas instituições londrinas de continuada tradição de modernidade, o Institut of Contemporary Arts e o Almeida Theatre, como sobretudo muitas outras dispersas pelo país - "Achieving great art for everyone" ou afinal apenas para os das grandes metrópoles?

Podia também falar da situação difícil de muitos museus espanhóis, sobretudo de arte contemporânea, que vinham sendo implementados e apoiados pelas Regiões. Mas gostaria um pouco de me deter no caso e história do Arts Council England.

Quando se pensa num paradigma de ministério da Cultura, logo ocorre a figura tutelar de André Malraux, nomeado para o cargo por De Gaulle em 1959. Compreende-se o facto porque se tratava mesmo de um ministério, mas há injustiça em obnubilar quem, além do mais, foi uma das figuras mais influentes do século XX: nada menos que John Maynard Keynes, o autor de "General Theory of Employment, Interest and Money", o teórico das políticas públicas e do Estado Social. Foi ele, com efeito, em 1941, o primeiro presidente do CEMA, o Comittee for Encouragement of Music and the Arts, que antecedeu o Arts Council, e que em 1945 pela primeira vez atribuiu fundos públicos a entidades artísticas e culturais.

A partir deste "tópico keynesiano" há uma derivação possível que importa considerar. Embora, que me ocorra, o economista americano Robert Graves não a mencione expressamente, a cultura pode ser considerada no conceito por ele teorizado de "merit goods", "bens de mérito", isto é o vector das políticas públicas não implementadas por razões financeiras mas outras do interesse geral, como a educação, a saúde e segurança social.

Há portanto toda uma História e todo um lastro teórico que justifica que a Cultura deva ser considerada um bem público e como tal objecto de apoios - os que estigmatizam a "subsiodiodependência" deviam ao menos fazer um esforço de discurso articulado, em vez das meras diatribes. Mas atenção, e isto há também que dizê-lo: há artistas e agentes culturais, sobretudo alguns com maior proeminência pública, que andam sempre a queixar-se de que não tiveram os subsídios suficientes. Em razão dos seus "curricula" e actividades até podem por vezes ter razão, mas não pode é haver um equívoco: o ministério da Cultura tem que apoiar os projectos artísticos e culturais mais relevantes, mas como ministério que é, o seu quadro é bem mais amplo e tem como horizonte último o conjunto dos cidadãos.

A cultura e nomeadamente o apoio às artes foram drasticamente atingidos pelos cortes orçamentais e cativações dos sucessivos PECs e do OE. Tenhamos contudo presente que essa é uma situação geral, num quadro de gravíssima crise financeira e económica e de emergência social. Infelizmente, pagaremos todos por múltiplos erros de governação, até ao desnorte actual.

O que já parece inaceitável é que, neste quadro de crise e de cortes no sector, se opte por "dividir o mal pelas aldeias", sem olhar a manifestos irrealismos, a estrangulamentos e a pontos que deviam ser estratégicos.

Não tem o mínimo dos sentidos, por exemplo, que o Instituto do Cinema e do Audiovisual tenha decidido dividir o apoio atribuível a uma longa-metragem para a produção de duas no concurso do Programa de Apoio às Co-produções com Países de Língua Portuguesa, tornando os projectos ainda mais sub-financiados e de difícil concretização. Já que falo de cinema, veja-se a situação da Cinemateca, que não é devida aos cortes orçamentais mas ao rígido aperto imposto pelo ministério das Finanças, no caso pela Portaria 4-A/2001, que, abrangendo a execução das despesas, faz depender da autorização prévia daquele ministério a circulação de cópias de filmes vindo do estrangeiro, limitando a instituição à programação do seu acervo próprio, e fazendo prolongar o anúncio de "sessão temporariamente suspensa".
Mas há mais notícias e de especial gravidade.

Detesto a expressão "descentralização" no que ela supõe um movimento que irradia do "centro" para a "periferia". Mas, mudando os termos, acho em absoluto crucial uma redistribuição territorial dos equipamentos culturais públicos - e daí que fosse tão importante concretizar a rede nacional de cine-teatros. Neste aspecto, aliás, invoco sim o modelo francês: criados (ou designados enquanto tal) em 1990, os diversos espaços culturais designados por "scène national", são hoje 70 estruturas no conjunto do território, e custam ao Estado menos que só os quatro Teatros Nacionais de Paris (sem falar da "pera), a Comédie-Française, o Odéon, Chaillot e La Colline!
Apesar do muito que falta, também muita coisa já realmente mudou em Portugal, com estruturas como o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, o Teatro Municipal da Guarda, o Teatro Viriato em Viseu, a Casa das Artes de Famalicão, o Centro de Artes Performativas do Algarve, etc., sem esquecer dois dos mais importantes festivais portugueses, aliás em concelhos limítrofes, as Curtas de Vila do Conde e o Festival de Música da Póvoa do Varzim.

Já havia indícios de que os cortes poderiam afectar em particular estruturas como estas. Mas na semana passada soube-se o pior, inaudito mesmo: a Rede 5 Sentidos, englobando o Vila Flor, o Teatro da Guarda, o Viriato, a Virgínia (Torres Novas) e também um teatro de Lisboa, o Maria Matos, anunciou estarem obrigados a cortes e aos custos elevados de recorrer à banca, devido a um atraso nos financiamentos do Quadro de Referência Estratégica Nacional, QREN, isto é, têm atribuídas verbas do Fundos Europeu de Desenvolvimento Regional, mas não as contrapartidas de investimento nacional que o FEDER exige. A propósito escrevia-se justamente em Editorial deste jornal de 27-04: "Ontem, cinco teatros vieram a público dar conta desta realidade, lembrando que a falta de comparticipação do Estado de 1,2 milhões de euros os impede de receber verbas europeias no valor de 1,8 milhões. Bem se sabe que, face aos actuais constrangimentos, terá de haver mais critério e controlo nos gastos; mas uma coisa é rigor e exigência, outra é desperdício. No actual estado do país, não aproveitar até ao limite a ajuda europeia é um erro que raia o absurdo".

Há semanas, uma das mais singulares instituições culturais de Lisboa, a Galeria Zé dos Bois, ou ZDB, publicou como anúncio neste suplemento um comunicado que exige ponderação. A ZDB é a única estrutura cultural de relevo que resta na zona do Bairro Alto, e uma instituição pluridisciplinar muito singular: galeria, espaço de música e de espectáculos e uma livraria. Ora, também neste caso, não há sinal do "reforço" prometido pela ministra da Cultura, após o corte global e único de 23 por cento dos apoios. "Os contornos inexplicáveis que caracterizam este processo fazem com que, até à data, a ZDB não tenha recebido uma única parcela do montante que lhe foi adjudicado para o presente ano e, consequentemente, tenha sido obrigada a recorrer ao créditos e a prescindir de colaboradores essenciais".

Os cortes são infelizmente inevitáveis mas será demasiado pedir que sejam feitos com um mínimo de discernimento e não estrangulando estruturas das mais importantes?

Cortesia de Ípsilon

XII Concurso de Poesia Agostinho Gomes


Organizada pelo município de Oliveira de Azeméis, atrvés da Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, em parceria com a Junta de Freguesia da Vila de Cucujães e o Núcleo de Atletismo de Cucujães, a iniciativa tem como objectivo estimular a produção de originais de poesia. Entrega de trabalhos até 31 de Maio.

http://www.cm-oaz.pt/agenda.4/xii_concurso_de_poesia_agostinho_gomes.e1647.html


Nunquam flebilis

Ferida chora a vida sobre o ulmeiro,
A noite chora orvalho na devesa,
No tegúrio misérrimo, a pobreza,
E sobre o rio, o pálido salgueiro.

Do mimo e prazer chora o amor primeiro,
0 orfãozinho, de medo c de tristeza,
D'ambições mal logradas, a grandeza.
De saudades, o amante e o aventureiro.

Só tu, qual se o vulcão d'íntimas fráguas,
Que mata à superfície a flor e o fruto.
Dos teus olhos secam as puras águas,

Andas serena, envolta no teu luto,
E seja imenso o horror das tuas mágoas,
Sempre o teu rosto há-de ficar enxuto!

Tomás Ribeiro

Manuel António Pina ganha Prémio Camões 2011

O escritor português Manuel António Pina ganhou o Prémio Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa.

“É a coisa mais inesperada que poderia esperar”, disse o poeta Manuel António Pina, que acabara de saber que lhe fora atribuído o Prémio Camões de 2011, no valor de cem mil euros. “Nem sabia que estava hoje a ser discutida a atribuição do prémio”, acrescentou.

Todos os jurados levavam nas suas listas o nome de Manuel António Pina e não precisaram sequer de meia hora para chegar a uma decisão unânime na reunião que mantiveram esta manhã na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Pina torna-se assim o 23º Prémio Camões e o décimo português a receber esta consagração, se excluirmos o autor angolano nascido em Portugal, Luandino Vieira, que recusou o prémio em 2006.

O júri integrou dois jurados portugueses (a ensaísta e poetisa Rosa Martelo e o ensaísta e professor de literatura brasileira Abel Barros Baptista), dois brasileiros (o poeta António carlos Secchim e a ficcionista Edla Van Steen) e ainda dois representantes dos países africanos de expressão portuguesa: a poetisa e ficcionista angolana Ana Paula Tavares e a ensaísta são-tomense Inocência Mata.

Nascido no Sabugal, Guarda, em 1943, Manuel António Pina foi jornalista durante várias décadas e estreou-se na poesia em 1974 com o livro “Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde”. No ano anterior publicara o seu primeiro livro para crianças, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”. Consensualmente reconhecido como um dos melhores cronistas de língua portuguesa – ainda hoje assina uma crónica diária no Jornal de Notícias –, Manuel António Pina publicou dezenas de livros de poesia e de literatura para crianças, mas só em 2003 se aventurou na ficção “para adultos”, com “Os Papéis de K.”.

Se a sua obra de ficção é menos conhecida internacionalmente, a sua poesia está traduzida na generalidade das línguas europeias. O seu mais recente livro de poemas, intitulado “Os Livros” (Assírio & Alvim, 2003) venceu os prémios de poesia da Associação Portuguesa de Escritores e a da Fundação Luís Miguel Nava.

Cortesia de O Público

Entrevista com o poeta Manuel Gusmão

O poeta e ensaísta português, distinguido pela APE com o Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho", falou, em entrevista ao JPN, sobre a obra que motivou a distinção e também sobre a carreira que o faz feliz.

"Tatuagem & Palimpsesto - da poesia em alguns poetas e poemas" foi a obra que fez com que o prémio de ensaio da Associação Portuguesa de Escritores (APE) fosse atribuído a Manuel Gusmão. "Por unanimidade", foi como a instituição definiu a decisão. Nascido em 1945 e com uma carreira "multifacetada", o também professor apenas começou a publicar poemas a partir dos anos 90, mas já leva um reconhecido "historial" que faz com que diga: "mais vale tarde do que nunca".

Que significado tem, para si, receber esta distinção, tomada por unanimidade pelo júri da APE?
É um sinal de que, o meu trabalho, ao longo dos anos, tem valido alguma coisa.

O que é que os leitores podem encontrar na obra "Tatuagem & Palimpsesto", que acaba por galardoá-lo?
A obra é constituída por um conjunto diversificado de ensaios sobre poesia, sobretudo. Uma parte mais teórica sobre o ensino da poesia e, depois, um ensaio, que se individualiza, sobre a poesia de Rimbaud. Depois tem uma série de textos sobre poesia portuguesa moderna e contemporânea, a partir de Cesário [Verde] e [Fernando] Pessoa. Depois disso vêm ensaios sobre Sophia [Andresen], Carlos de Oliveira, Herberto Helder, Mário Cesariny, e acabo com poetas fugidos nos anos 60.

Ao longo dos anos, escreveu sobre obras de autores portugueses, mas também estrangeiros, como os franceses. Sobre os quais lhe dá mais prazer escrever?
Pode depender muito. Não é bem por serem portugueses ou estrangeiros que me dá mais prazer. Agora, é evidente que há textos que são difíceis de escrever e, por isso mesmo, dão-me bastante prazer quando consigo acertar, sejam portugueses, sejam franceses. Por exemplo, Rimbaud é um autor sobre quem tenho tido sempre prazer em escrever e falar, porque quando dava aulas de literatura francesa na Universidade, tinha de o fazer, e daí a razão por ter muitos ensaios sobre autores franceses, como também Francis Ponge, sobre quem fiz a tese de doutoramento.

Na sua opinião, a literatura portuguesa está de boa saúde?
Eu faria uma distinção entre poesia portuguesa e literatura portuguesa. A poesia portuguesa do século XX, penso que toda a gente concorda, está de bastante boa saúde. Embora se ponha a questão de saber se hoje, entre os jovens poetas, há aqueles que mantêm o nível que a tornaram com esta qualidade. Eu penso que sim, que os há. Tendo a olhar mais desconfiadamente, perdoe-se-me a expressão, para o romance. Acho que alguns dos grandes escritores portugueses de romance, deste século, são já autores que morreram ou que não têm escrito muito ultimamente. Entretanto, penso que há alguns grandes autores de ficção, ainda vivos e jovens. Há um menos jovem de que eu gosto muito, o Rui Nunes, e outro novo, que é o Gonçalo M. Tavares.

Apesar de antes já ter escrito alguns poemas, só a partir dos anos 90 começou a publicar poesia. Partilha daquele ditado popular "mais vale tarde do que nunca"?
(risos) Se valeu a pena começar a publicar tão tarde, terão que ser os outros a dizer. Mas só o comecei a fazer tão tarde, porque vivia obcecado por fazer um livro que fosse uma unidade, um projecto, que não fosse apenas uma sequência aleatória de poemas. Depois de 90 é que tenho vindo a publicar com alguma regularidade, mas não com muita pressa.

Já com um considerável número de obras, ainda existem coisas que quer alcançar e escrever?
Quero continuar a escrever, não porque quero ganhar mais prémios, mas porque acho que me devo, que devo às pessoas que gostam de ler, à língua portuguesa, à cultura portuguesa, e enquanto tiver autores sobre os quais ainda não tenha escrito aquilo que eu penso escrever, continuarei.

Professor, poeta, ensaísta... O que é que gosta mais de ser?
Nós somos um pouco da diversidade das coisas que fazemos. Eu sempre gostei muito de dar aulas, entretanto aposentei-me, mas participo, de vez em quando, em algumas sessões extraordinárias. Mas quando dava aulas, era na vida de professor universitário que tinha mais prazer, porque era o confronto com outros e o ver outros a crescerem. Ter a sensação, talvez enganada, talvez não, de que, comigo, alguma coisa teriam aprendido. Agora, isso sem a poesia e os ensaios, não sou capaz de imaginar.

Cortesia de Jornalismo Porto Net

4ª edição do Prémio Literário Irene Lisboa

Promovido pela Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, podem participar neste concurso todos os cidadãos portugueses natos ou naturalizados e estrangeiros cuja situação de permanência no país esteja devidamente legalizada. Entrega de trabalhos até 31 de Maio de 2011.

http://www.wix.com/cjaleco/premios-literario-e-de-artes

Exposição «Os livros de M. S. Lourenço»

Está patente a exposição "Os livros de M. S. Lourenço" na Biblioteca da Faculdade de Letras de Lisboa entre os dias 9 e 21 de Maio. No dia 17, às 17h30, na sala 5.2 da Faculdade de Letras realiza-se uma evocação do Professor Manuel Lourenço, com a participação de Ana Maria Bénard da Costa, Elisabete de Sousa e João Dionísio.

«Poems from the portuguese»

Está online desde o início do ano o site www.poemsfromtheportuguese.org que publica tradução inglesa de poesia escrita neste século por poetas portugueses vivos.

Cada poeta é sugerida/o por outra/o poeta participante que a/o apresenta num pequeno texto. Esta cadeia significa que outros poetas continuam progressivamente a ser adicionados. Será destacado um poeta em cada mês: ou porque participa pela primeira vez, ou porque manda novos poemas para a sua página.

Deste modo, são os próprios poetas que mantêm a dinâmica do site.

Esta iniciativa surgiu a partir de uma ideia de Guilherme d'Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura e é da responsabilidade de Ana Hudson.

Cortesia de CNC

Filo-Café: Arte, Cultura e Agricultura

Vai realizar-se em Britiande (a 5 kms de Lamego, na estrada de Lamego para Moimenta da Beira) o Filo-Café «Arte, Cultura e Agricultura» no Restaurante Castiço, a 21 de maio de 2011.

«Pretendemos sensibilizar os artistas para a sua ascendência agricultora, os lavradores para a arte como estímulo do desenvolvimento do cérebro, e chamar a atenção para a (agri)cultura, enquanto motivo da nossa sobrevivência em Gaia.

Inscrições abertas nas áreas da música, artes plásticas, letras, botânica e outras.

Tempo de actuação: 10 minutos.

Os trabalhos apresentados serão publicados no TriploV (www.triplov.com), estando conformes com as normas.»

Entrevista com Lee Chandong realizador de «Poesia»

Poesia, o filme coreano que conquistou o prémio de argumento em Cannes, realizado por um homem das imagens preocupado com a sobrevivência das palavras.

A história de uma avó que procura beleza em todo o lado mas está rodeada pela rudeza insuportável da realidade. De uma velhota simpática e tonta, que fala e olha demais e que procura pela primeira vez na vida escrever um poema mas as palavras já lhe vão sendo roubadas pelo Alzheimer. Poesia, um filme coreano onde a delicadeza e a brutalidade se tocam sem melodramatismos, chega finalmente a Portugal. O premiado realizador, Lee Changdong, argumentista, romancista e ex-Ministro da Cultura e do Turismo da Coreia do Sul, falou à VISÃO sobre palavras e incomunicação, sobre a decadência da poesia e deum certo tipo de filmes, e sobre as medidas proteccionistas coreanas que contribuem para manter o cinema coreano no mapa internacional.

Entrevista:

FINAL CUT: O seu filme insiste muito na questão da poesia como algo em vias de extinção... Pode dizer-se que a avó (a extraordinária atriz Yun Junghee) encarna a poesia e busca a beleza das coisas nas roupas garridas que veste, nos pássaros, nas ameixas, nas flores, mas está a desvanecer-se aos poucos e a perder a memória? Acha mesmo que a poesia vai morrer?


LEE CHANGDONG: Penso que as pessoas escrevem cada vez menos poesia e lêem-na cada vez menos. Parece-me que os alunos aprendem poemas na escola como se aprendessem palavras arcaicas e que, na vida quotidiana, os poemas existem apenas na publicidade. Isto acontece também no cinema.

Quem terá uma morte mais súbita, a poesia ou o cinema?

Alguns filmes ainda estão a ser consumidos em grande quantidade. Alguns filmes que gostava de produzir e de ver tornam-se cada vez mais difíceis de encontrar. Agora, estes filmes não circulam em 'supermercados' e são como um objecto raro que podemos comprar numa feira da ladra que se realiza uma vez por ano. A feira da ladra é o festival de filmes. Nestas circunstâncias, acha que vale a pena medir pulsações para ver quem vai morrer primeiro?

Pensa que este sentimento em relação à poesia como uma coisa para loucos, sonhadores, com os pés pouco assentes na terra é algo de universal? Em Portugal, houve um candidato a presidente da Republica e muita gente comentava depreciativamente "mas é um poeta"... Pelo facto de também ter sido político ligado à arte sentiu esta espécie de desconfiança ou preconceito?

Acho que os coreanos têm uma dualidade de pensamento sobre os poemas. Se um político escrever bem poemas na Coreia, ganhará mais crédito. Mas se um poeta se tornar político, as pessoas irão rir-se. Não sei se haverá também esta dualidade de atitudes noutros países? As pessoas dizem que os poemas devem ser respeitados, que são valiosos mas por outro lado desprezam-nos dizendo que não enchem barrigas.

É ao mesmo tempo comovente e cruel assistir a alguém a tentar escrever o seu primeiro poema na vida e encontrar as palavras justas, quando descobre que tem Alzheimer e já começa a esquecer-se das palavras mais óbvias...

Essa é exactamente a ironia da vida. A vida é algo que tem de se ganhar e algo que tem de se perder. Escrever poemas também é a mesma coisa. Escrever poemas é descobrir beleza, mas ela não existe por si só. Tal como existe luz e escuridão, a beleza coexiste com sujidade, fealdade e sofrimento.

O filme põe em confronto diferentes tipos de alheamento. O da velhota que vai perdendo a memória porque tem Alzheimer. O do adolescente, alienado pela televisão e jogos de computador. O do velhote acamado que quer a ilusão de ter sexo. Todos aquele pais mais preocupados em resolver o crime dos filhos mais através do dinheiro do que com a ética...

Adicionalmente, podemos dizer que a Mija, a personagem principal, é marginalizada pelo mundo. Ela não tem uma amiga íntima e não tem empatia pelo neto com quem vive. Ela também não sente empatia pela filha com quem está sempre a comunicar pelo telefone, apesar de lhe chamar eterna amiga. A sua pureza de criança é tratada ainda como uma imprudência estranha no mundo sofisticado.

Também considera, tal como diz o professor de poesia, que para saber criar o principal é saber olhar?

As palavras do poeta representam de algum modo os meus pensamentos. Como olhar para o mundo? Isso é essencial para escrever poemas e produzir filmes. Os filmes mostram o mundo pelos olhos dos espectadores. Mas como é que os filmes que produzimos mostram o mundo aos espectadores?

A poesia também não pode ser uma forma de nos alhearmos da realidade - no bom sentido da expressão?

Acredito que os bons poemas nos mostram as coisas, para além da realidade e do mundo. Isso não é fugir ou afastar-se da realidade e do mundo, é em vez disso, entrar dentro deles.

O seu filme contém uma parte quase documental em que uma série de pessoas nos falam do seu conceito de felicidade. Se para uns é o amor, ou o nascimento dos filhos para outros pode ser mudar de apartamento para um andar superior...

O modo de sentir a beleza varia de pessoa para pessoa. O professor que ensina poemas no filme queria que cada aluno o contra-interrogasse sobre o que sentem pelo belo na vida deles. Mija, a personagem principal, conta a primeira memória da sua vida.

A memória de quando ela andou, e deu o primeiro passo no mundo... E ela está agora a perder as memórias da sua vida.

Enquadra sempre a televisão de costas para nós, de forma a que o adolescente fique quase a fitar a câmara, mas ao mesmo tempo, com um olhar distante e ausente?

Criei a cena em que o Wooki está a ver televisão à noite, jantando à mesa e a Mija está de pé atrás dele, e a olhar para ele. Esta cena demonstra a sua relação com o neto e é uma cena simbólica que mostra a lacuna entre as gerações do nosso tempo. Isso é constituído pelo chamado triângulo ortodoxo e há uma televisão no meio de toda a cena (claro que não podemos ver o écrã). Parece-nos que o miúdo só está interessado em ver televisão. A avó, afastada, está a olhar para as costas dele. Essa é a forma como a televisão contribui como modo de comunicação entre as gerações do nosso tempo.

Porque é que ela concede o desejo sexual ao velho, humilhando-se? Por compaixão, por calculismo ou por alguma relação com a violação em que o grupo do neto está envolvido?

Na cena anterior ela está de pé, na ponte em que a menina se atirou, olhando para baixo, para a água que corre. E está a pensar profundamente em algo, sentada debaixo da ponte à chuva. Esta cena é o ponto de viragem para ela e para o filme. Em que terá pensado? Talvez tivesse pensado no desejo sexual de um macho imaturo que não se responsabiliza e no desejo sexual de um macho velho que agora se tornou impotente e que suplica por desempenhar pelo menos uma vez o papel do homem. E ela visita o velho. Mas ninguém sabe porque é que ela teve aquele comportamento. Isso é algo que não se pode explicar

Há um sentido sacrificial que funciona como um paralelismo ... Ela denuncia o neto que violou mas deixa-se violar pelo velho... E no final, há uma espécie de transferência de personalidades, quando a velhota assume o destino fatal da rapariga...

Ou seja, aquilo é compaixão pelo sofrimento dos outros. Normalmente é fácil pensarmos que o sofrimento dos outros neste mundo não tem nada a ver connosco, no entanto os sofrimentos estão interligados. O sofrimento da mãe palestiniana que chora pela perda do filho (é apresentado na primeira parte do filme através de uma notícia de televisão numa cena no hospital) está ligado ao de uma mãe coreana.

Essa velhota é uma pessoa demente mas é a única que tem a lucidez de perceber que há uma vítima que está ser transaccionada por dinheiro...

Ela também é uma figura única que tem uma determinação ética. O enredo escondido deste filme, na verdade, está ém seguir a sua opção ética. É claro que tentei não mostrar directamente a opção dela, porque queria que os próprios espetadores a avaliassem. Claro que deixei várias pistas. Por exemplo, comprar a pizza ao menino como se fosse a última ceia, dar-lhe banho e cortar-lhe as unhas dos pés....

Ao contrário de Portugal e de tantos outros países, a Coreia do Sul tem uma cinematografia sólida e muito apoiada oficialmente. Pode explicar-nos como isso funciona?

Existem várias políticas para incentivar a indústria cinematográfica e também há uma instituição chamada Conselho de Promoção Cinematográfica na Coreia. Mas acima de tudo, a razão pela qual a indústria cinematográfica da Coreia pôde manter o seu dinamismo deveu-se ao sistema de quotas de tela, para que os filmes coreanos não entrassem em declínio com a ofensiva quantitativa dos filmes de Hollywood. Por isso a Coreia pôde permanecer como um dos raros países do mundo onde os filmes coreanos são produzidos a pedido do mercado. Mas a quota da tela tornou-se impotente devido à sua redução há alguns anos. No entanto os filmes coreanos ainda estão a competir contra os filmes de Hollywood. Até quando conseguirão? Ninguém o sabe.

Cortesia de Final Cut

Pedro Tamen vence Grande Prémio de Poesia da APE

O escritor Pedro Tamen venceu o Grande Prémio de Poesia 2010 da Associação Portuguesa de Escritores (APE)/CTT com a obra de poesia “O Livro do Sapateiro”, editado no ano passado pela D. Quixote.

O galardão, actualmente no valor de cinco mil euros, foi instituído em 1989, tendo já distinguido, entre outros, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa, Natália Correia, Fernando Echevarria, Fernando Guimarães, Manuel Gusmão, Gastão Cruz, Manuel António Pina, José Agostinho Baptista, Ana Luísa Amaral e Fiama Hasse Pais Brandão.

Segundo o comunicado da APE, o júri do prémio, constituído por Ana Marques Gastão, Fernando J. B. Martinho e Francisco Duarte Mangas, decidiu, por maioria, premiar Pedro Tamen.

A cerimónia de entrega do prémio ainda não foi divulgada.

Esta é a segunda vez que o escritor é distinguido com esta obra, depois de em Fevereiro ter vencido o premio Correntes d’Escritas, no valor de 20 mil euros.

Cortesia de O Público

BIO - Gérard de Nerval

Boémio escritor francês, foi uma das principais figuras do movimento romântico. Também simbolistas e surrealistas encontraram um idolo em Nerval, que descreveu o seu estado de sonho como "supernaturalista". A palavra apareceu pela primeira vez na sua tradução de Fausto, do poeta alemão Goethe.

Gérard de Nerval nasceu Gérard Labrunie, em Paris. O seu pai, Etienne Labrunie, foi um médico do exército de Napoleão. A sua mãe, Marie-Antoinette-Marguerite Laurent, morreu em 1810 na Silésia. O seu tio,que vivia em Valois em Mortefontaine, cuidou dele durante os próximos quatro anos. Após o regresso de seu pai, Nerval instala-se em Paris. Uma figura taciturna, de qualquer modo o seu pai queria que Gerard seguisse os seus passos e estudasse medicina. Embora nunca tenha se tornado médico, ele ajudou o seu pai em 1832 durante uma epidemia de cólera.

Em 1822 Gerard entrou no Charlemange College, onde conheceu o futuro poeta e crítico de literatura Théophile Gautier (1811-1872), eles tornaram-se amigos para a vida. Gautier foi um dos mais proeminentes advogados da l'art pour l'arte, movimento que nasceu como uma reacção contra os valores burgueses. O próprio Nerval acreditava mesmo que a poesia abre as portas para o mundo invisível, argumentando que, de modo semelhante, "em repouso entramos numa nova vida, livre de espaço e tempo ". Para espantar os burgueses, Nerval, muitas vezes, levava o seu animal de estimação, uma lagosta, a passear pelas ruas de Paris.

Os primeiros poemas de Nerval, Napoléon et la France Guerriere e Elegias nationales, apareceram em 1826-27. Aos vinte anos de idade, Nerval publica a tradução de J.W. Faust von Goethe (1828), que o autor alemão elogiou. O compositor Hector Berlioz usou partes desta
tradução para o seu concerto parte de La Damnation de Faust. Outros autores alemães que Nerval admirava e traduziu foram Heinrich Heine (1797 - 1856), que viveu exilado em Paris desde 1831, e E.T.A. Hoffmann (1776-1822), cuja influência é visível nos primeiros contos de Nerval, La main de gloire (1832). Os poemas de Heine traduziu para o Revue des Deux Mondes.

O grande amor de Nerval foi a cantora de ópera de segunda classe Marguerite ('Jenny') Colon (1808-1842), actriz na Opéra-Comique. Frívola, mas encantadora mulher, ela tornou-se, para sua própria surpresa, uma das musas do romantismo francês. Jenny não era de uma beleza tradicional, mas ela desempenhava um papel central na opereta Piquillo (1837), da co-autoria de Nerval o pai de Alexandre Dumas (1802-1970). Nerval idolatrou-a durante quatro anos, enviou-lhe cartas anónimas, fundou a sua opinião teatral, "Le Monde" dramatique, e elogiou-a nos seus escritos. No entanto, Jenny casou-se com o flautista Louis-Gabriel Leplus.

Os amigos de Nerval incluiam Charles Baudelaire (1821-1867), muito mais jovem poeta. Nerval foi o homenageado original do poema de Baudelaire, "Un voyage à Cythère ", que mais tarde integrou a obra Les Fleurs du mal. Baudelaire também compartilhou com Nerval uma paixão pela Orient e haxixe - que ambos frequentam nas reuniões do famoso "Club des Hachischins", e escreveu sobre a droga. O clube, criado no início de 1840, realizava reuniões semanais no Hotel Luzan em Ile Saint-Louis.

A partir de 1832, Nerval foi associado com um grupo de artistas e escritores conhecidos como Jeune-France. Em 1834, Nerval herdou de seu avô soma considerável de dinheiro, o que permitiu-lhe viajar pelo sul da França e Itália e encontrou um breve teatro de revista, Le Monde dramatique. Após a falência da revista, Nerval virou-se para o jornalismo, devido às suas
dívidas. Ele passou alguns meses em Viena em 1839 numa missão para o Ministério do Interior, mas acabou por regressar a Paris sem um tostão, fazendo parte do percurso a pé. No ano seguinte, o Ministério da Educação mandou-o para a Bélgica.

Nerval viaja com Dumas em 1838 para a Alemanha. Também colaborou em duas peças de teatro, L'Alchimiste (1839) e Léo Burckart (1839), um fracasso. Depois a morte de Jenny Colon, em 1842, Nerval viajou para o Levante, retornando em 1844 para Paris.

Voyage en Orient (1843-1851), narrativa de viagem de Nerval, tanto interior como exterior, é considerada um dos seus melhores trabalhos. ''Para uma pessoa que nunca viu o Oriente, uma flor de lótus ainda é uma flor de lótus, para mim é apenas um tipo de cebola'', referiu Nerval.

Lolery, souvenirs d'Allemagne (1852) baseou-se na sua viagem à Alemanha em 1850. Les Chimères (1854) esboçou sobre a mitologia egípcia e grega, as lendas medievais, o Tarô e a Cabala. O seu mais famoso soneto, "El Desdichado" (os deserdados), composto em um "estado de devaneio sobrenatural ", como ele mesmo disse, tem resistido a todas as interpretações desde a sua publicação na revista de Alexandre Dumas, Le Mousquetaire (1853).

Desde o início de 1840 até à sua morte, Nerval sofreu de intermitentes ataques de loucura; o seu primeiro colapso mental deu-se em fevereiro de 1841. Nerval esteve internado no hospital durante nove meses e escreveu 'Le aux Cristo Oliviers '(Cristo no Monte das Oliveiras). Os seus contemporâneos acreditavam amplamente que Nerval está irremediavelmente louco, e que por um longo período isto foi um obstáculo à crítica da obra de Nerval. Nerval foi muitas vezes tratado na clínica do Dr. Esprit Blanche, tomada mais tarde por seu filho, Dr. Emílio Blanche, cujos pacientes incluíam Guy de Maupassant, em 1890. Até 1854, Nerval estava em bons termos com o médico, embora fosse ocasionalmente, tratado com banhos frios ou amarrado a camisas de força.

A mais importante colecção de poemas de Nerval, Les Chimères, foi publicada juntamente com a colectânea de contos Les filles du feu, em 1854. O último trabalho, em parte autobiográfico, foi Aurélia (1855), escrito em prosa lúcida mas alucinante. Em Sylvie (1853), um romance de vários níveis, a perda dos centros de amor real e ideal em três personagens femininas. Em Aurélia, as imagens de amor estão sobretudo relacionadas com a mulher do título, Jenny Colon de alter ego. O narrador descobre o poder dos sonhos e a sua fé no amor é restabelecida após a sua descida para a loucura, o mundo além da razão.

Nerval cometeu suicídio aos quarenta e seis anos de idade. Em Aurélia, o seu testamento espiritual, Nerval disse: "Eu disse a mim mesmo: é a noite eterna sobre nós, e as trevas serão terríveis. O que vai acontecer quando eles todos percebem que não há mais sol?". O corpo de Nerval foi encontrado a 26 de janeiro 1855, pendurado num parapeito na Rue de la Vielle Lanterne, um dos seus lugares preferidos em Paris. Durante algumas décadas, Nerval caiu no esquecimento, até que o romancista e crítico de Rémy de Gourmont produziu uma nova edição dos seus trabalhos em 1905.

Maternidade

Escuta, sorrindo,
a morte que bate
de leve em seu corpo
com ávidos, doces
punhos da infância;
com beijos que vão
enchendo seu rosto
de tempo e ternura;
e alimenta, secreta,
a chama tranquila
que em seu ser ilumina
o mistério da vida.

Vítor Matos e Sá

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