
by Henri Matisse
Ciclo de Pintura Erótica-Poética - Quadro 1/19
Atrai-me o que é cantabile em tudo, aquilo a que Leonard Bernstein chamou nas Harvard Lectures “A Poesia da Terra”, referindo-se à tonalidade, que em música está presente mesmo na música atonal. Em literatura, seria o sentido; na filosofia, a racionalidade.
É isto que guia os meus passos na direcção do Healy Hall, o edifício central da Universidade de Georgetown, sua alma mater, e aí na direcção de Gaston Hall. Este é a “Jóia da Coroa” da Universidade, um auditório imponente de 750 lugares, que tem recebido inúmeros líderes mundiais – ainda há poucos dias este espaço se encheu por completo de público que quis ouvir o Presidente Obama falar sobre a situação económica.
Hoje é o Coro de Concertos da Universidade de Georgetown que apresenta, como todos os anos, o seu Concerto Anual de Primavera, festejando Abril, o Mês Nacional da Poesia. Dirigido por C. Paul Heins, o Coro vai interpretar um programa de adaptações musicais de poemas em língua inglesa desde 1500 até aos nossos dias.
Notes Inspiring, o título do Concerto retoma versos do poema de John Dryden “A Song for St. Cecilia’s Day” (1687). Esta canção, dedicada à santa padroeira da música, inspirou a composição de D. E. Wagner And Music Shall Untune the Sky (2005), uma adaptação livre de 24 dos 63 versos originais do poema de Dryden.
Seguem-se Weep O Mine Eyes, de Halsey Stevens sobre poema provavelmente de John Bennet, e duas canções de William Blake musicadas por David Dickau em 2007, Two Blake Songs (“Piping Down the Valley Wild” e “Laughing Song”).
O programa propõe ainda uma adaptação do poema dito a Alice por Humpty Dumpty no cap. 6 de Through the Looking-glass de Lewis Carroll, um texto surrealista avant la lettre questionando a temática da autoridade - The Little Fishes of the Sea de Robert Convery (2008). Do mesmo compositor ouviremos ainda uma estreia mundial neste Concerto, Dream-Dove (2008-09).
Outras propostas incluem Three Choruses from e. e. cummings (1960), música de Peter Shickele, e “Harlem Night Song”, um dos três poemas de Langston Hughes musicados pela compositora americana Gwyneth Walker em Harlem Songs (2001). A composição fica no ouvido com elementos dos blues, recriando a atmosfera nocturna do Harlem.
Todo o concerto é acompanhado pela pianista Jennifer Jackson e encerra com uma composição de Ralph Vaughan Williams, Toward the Unknown Region (1906), sobre poesia de Walt Whitman, Whispers of Heavenly Death. No número de despedida, Georgetown Alma Mater, os alunos do coro que estão na assistência juntam-se ao grupo no palco, vestido a rigor. O espaço festivo e solene de Gaston Hall está em perfeita harmonia com as composições que fazem a moldura do Concerto, And Music Shall Untune the Sky e Toward the Unknown Region, e em singular contraste com aquelas que são as minhas composições preferidas deste programa, The Little Fishes of the Sea e a Harlem Song – e também destas harmonias e contrastes se faz a riqueza de um programa de música e poesia inesquecível em Georgetown.
Conversámos com uma das alunas do Coro, Emily Miller, uma estudante do 2º ano (“Sophomore”) que está a fazer o “College”, um “Major” em Espanhol e “Premed”. Esta futura médica participou, só neste ano lectivo, em várias produções teatrais e espectáculos do Coro de Concertos, de que destaca a sua estreia teatral em Georgetown na comédia de Caldéron de la Barca No hay burlas con el amor (Love Is no Laughing Matter), sob direcção de Barbara Mujica, na qual desempenhou o papel feminino principal. Dos espectáculos do Coro, Emily diz que aqueles que mais vivamente a marcaram foram o Concerto dado durante a Missa no Estádio Nacional por ocasião da visita do Papa Bento XVI em Abril de 2008 a Washington, D.C., e o Concerto dado em Abril de 2009 na American Judicature Society em honra de Janet Reno, “Attorney General” (Procuradora Geral) da anterior administração. Fala ainda de quanto gostou de participar no espectáculo do Coro em Fevereiro de 2009 no Gaston Hall, dedicado a musicais da Broadway, A Tribute to Broadway. Quando lhe pergunto a razão de toda esta actividade extra-curricular, Emily Miller responde com uma simplicidade e sorriso desarmantes: “For fun!”, “Pelo prazer que me dá, e para experimentar algo de diferente, que alargue os meus horizontes – muitas das peças escolhidas pelo Director do Coro, ouvi-as pela primeira vez.”
Música e poesia, poesia e música – quem escolhe quem e porquê? Não há música sem pausas, sem silêncio, e há muitas coisas que não sei ainda, talvez as mais belas, por serem aquelas na direcção das quais escrevo e me interrogo.
Georgetown, 17 de Maio de 2009
Ana Maria Delgado
Cortesia de PNET
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
José Régio
CIDADE, Hernâni [António]. Tendências do lirismo contemporâneo: do «Oaristos» às "Encruzilhadas de Deus". Lisboa: Livraria Portugália, 1939. 8ª edição.
Segunda edição ampliada e acompanhada de uma antologia de poesia moderna. No capítulo entitulado "O interesse pelo mundo exterior" há uma secção significante sobre Fernando Pessoa e Mensagem (pag. 39-44), enquanto no capítulo "Os poetas modernistas", embora fale sobre Camilo Pessanha, Mário Sá Carneiro, António Botto, Almada Negreiros, José Régio, etc., também refere Pessoa (p. 73). As páginas de 89 a 130 contêm antologias, incluindo poemas líricos de Eugénio de Castro, Guerra Junqueiro, António Nobre, João de Barros, Afonso Duarte, Afonso Lopes Vieira, Teixeira de Pascoais, João Osório de Castro, António Patrício, José Duro, Júlio Dantas, Jaime Cortesão, Américo Durão, Flor Bela Espanca, Fernanda de Castro, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Côrtes Rodrigues, Luís de Mantalvor, José Régio, Casais Monteiro, Miguel Torga, Carlos Queiroz, António Botto, and Alberto de Serpa, entre outros.
Hernâni Cidade (Redondo 1887–Évora 1975) leccionou nas escolas de Coimbra, Leiria, Porto e Lisboa antes de se lançar na ilustre carreira universitária nas Universidades de Lisboa e do Porto. Famoso como autor de literatura e cultura históricas, assim como biográfica, na sua juventude, Cidade esteve ligado ao movimento modernista, tendo estado envolvido nas publicações Águia e Seara Nova, entre outras. Por meo século, Cidade foi a força maior da vida cultural portuguesa, colaborando em publicações como das Faculdade de Letras de Lisboa e do Porto, jornais, especialmente O Primeiro de Janeiro, bem como outros numerosos projectos como A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e o Dicionário de Literatura. Com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes, editou o Diário Liberal (Lisboa, 1934–1935); com Reynaldo dos Santos e Bernardo Marques fundou o Colóquio–Revista de Artes e Letras (1959–1970), e com Jacinto do Prado Coelho em 1971 a Colóquio / Letras, os dois últimos publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Exilado político, o pai de Petrarca refugiou-se durante um tempo em Arezzo e, em 1312, transferiu-se para Avignon, na França, que era então a sede do Papado, servindo junto à corte pontifícia. Os seus filhos, Francesco e Gherardo, seguiram os estudos jurídicos, iniciados em Montpellier (França) em 1316 e concluídos em Bolonha, em 1326.
Francesco retornou a Avignon após a morte do pai e frequentou a alta sociedade local. Em 6 de abril de 1327, na igreja de Santa Clara, viu pela primeira vez a mulher que amou por toda a vida e que imortalizou em sua obra poética em italiano: Laura, tradicionalmente identificada com uma certa Laura de Noves, esposa de um nobre francês.
Por volta de 1330, entrou para o clero, tendo como finalidade obter uma renda segura, como era muito comum no fim da Idade Média. Nessa condição, tornou-se amigo e protegido da poderosa família Colonna (cujo poder se estendia à Itália, França e Provença). Assim, fez parte da corte do Cardeal Giacomo Colonna e tornou-se capelão do castelo de Giovanni Colonna.
Devido à proteção dessa família, entrou em contato com os mais importantes intelectuais de seu tempo, pôde estudar e possuir livros caros e raros, além do reconhecimento público de sua obra poética. De facto, recebeu uma coroa de louros como poeta, de onde veio a expressão "poeta laureado", em 18 de abril de 1341, cerimónia que, embora comum na Antiguidade clássica, era celebrada pela primeira vez naquela época.
Na biografia de Petrarca evidencia-se uma inquietude que o levou a viajar por grande parte da Itália e da Europa, visitando bibliotecas, lugares e monumentos antigos. Periodicamente, porém, recolhia-se em lugares solitários para meditar ou escrever. A partir dos anos 1340 a sua fama aumenta cada vez mais e ele é acolhido com honra em todos os lugares e mantinha contacto com várias famílias italianas nobres.
Após 1350, estreitou amizade com Giovanni Boccaccio, que o considerava seu mestre espiritual e cultural. Ainda assim, vivia cada vez mais recolhido e recusou diversos cargos honoríficos, até o de secretário do cardeal de Provença, que lhe foi oferecido pelo papa. O seu recolhimento aumentou com a morte precoce de seu filho Giovanni e de Laura, em 1348, em virtude da peste que assolou a Europa naqueles anos. Além disso, aborrecia-se com a falta de renovação política e com o agravamento da corrupção eclesiástica.
Estabeleceu-se definitivamente na Comuna de Arquà, em 1370, onde morreria quatro anos depois. A obra que lhe deu definitivamente fama foram os poemas em italiano, língua da qual, juntamente com Dante e com outros poetas da Toscana, foi um aprimorador. Os 366 textos, compostos ao longo de toda sua vida, foram recolhidos no "Cancioneiro". Além disso, escreveu várias outras obras em latim.
Do fundo do coração, eu odeio a turba
dos grandes deste mundo, e dos seus
mensageiros.
E, mais ainda, a genialidade que eles
praticam.
Friedrich Holderlin
A Presidente do Chile, Michelle Bachelet, condecorou o poeta russo Yevgueni Yevtushenko com o grau de comendador da Ordem de Mérito Bernardo O'Higgins numa cerimónia que decorreu na quinta-feira do Palácio de La Moneda.
Autor de poemas, romances, peças de teatro e guiões de filmes, Yevgueni Alexandrovitch Yevtushenko, de 76 anos, mostrou-se agradecido pelo reconhecimento do seu trabalho que remonta a 1949 quando, com 16 anos, surgiu no panorama literário soviético.
O poeta prodigioso, como ficou conhecido, que enchia estádios com jovens que vinham expressamente para o ouvir declamar os seus poemas, foi ganhando rapidamente uma aura de escritor incómodo e de dissidente pelas suas convicções pacifistas em plena Guerra Fria.
A cerimónia em Santiago do Chile foi presidida por Michelle Bachelet e contou com a presença de nomes importantes da literatura chilena, além de dignitários e diplomatas.
"Nunca me senti como um turista, porque a arte é sempre uma paternidade que abraça o sofrimento e o sofrimento nunca é estrangeiro", disse o escritor que, aos 19 anos, ingressou na União dos Escritores Soviéticos, tornando-se o seu membro mais jovem de sempre.
Esta é a segunda condecoração recebida no Chile por Yevtushenko, admirado pela sua "poesia cívica" e que reside actualmente nos Estados Unidos: o anterior Presidente chileno, Ricardo Lagos, já o havia agraciado.
Cortesia de Lusa
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou dia 10 de Junho uma mensagem de comemoração em lembrança do dia do poeta Luis de Camões, de Portugal e das comunidades portuguesas.
"Envio com orgulho os meus melhores desejos àqueles que celebram a cultura e a herança portuguesa nesta ocasião", afirma Obama em comunicado, no qual ressaltou a "longa e firme amizade" entre EUA e Portugal.
Na nota, Obama ressaltou a contribuição dos americanos de origem portuguesa ao país.
"É adequado que Camões, que viveu de 1524 a 1580, seja reconhecido principalmente por seu poema épico 'Os Lusíadas', um tributo à época dourada dos descobrimentos portugueses", opinou o presidente americano.
Cortesia de EFE
Recital de canto e piano
Casa Fernando Pessoa, 25 de Junho, 21.00
Tomámos a vila depois de um intenso bombardeamento
David de Souza
(1880-1918)
4 Canções portuguesas: Barca bela (Almeida Garrett), Serenata (Delphim Guimarães), A Fiandeira (João Saraiva), A uma borboleta (B. de Bocage)
2 Canções italianas: Il passato (Giovanni Pascoli), Pianto (Giovanni Pascoli)
3 Canções francesas: Tout près de mon coeur (Maxime Sinionnot), Chanson d’Automne (Paul Verlaine), Ne me console pas (Francis James)
Francisco Lacerda
(1869-1934)
3 Trovas: Desde que os cravos e rosas, Canção triste, Bailado
Croner de Vasconcellos, J.
Três redondilhas (Luís de Camões)
1.Descalça vai para a fonte
2.Pus meus olhos numa funda
3.Na fonte está Leonor
Não, não digas nada (F. Pessoa)
Lopes-Graça, F.
(1906-1994)
3 Odes de Ricardo Reis
Coroai-me de rosas
Aqui, dizeis
Já sobre a fronte vã
Sol nulo dos dias vãos (F. Pessoa)
Tomámos a vila (F. Pessoa)
O menino de sua mãe (F. Pessoa)
Ana Leonor Pereira – Soprano
António Ferreira – Piano
Será apresentada uma pintura inédita do Mestre Gil Teixeira Lopes que retrata o compositor Fernando Lopes-Graça. Co-Organização: Junta de Freguesia do Santo Condestável.
Cortesia de CFP
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
Bertold Brecht
REGULAMENTO
1. Os Prémios de Revelação, a atribuir pela Associação Portuguesa de Escritores, com o patrocínio de Guimarães Editores, SA, destinam-se a distinguir obras de autores portugueses inéditos em quatro modalidades: poesia, ficção narrativa, ensaio literário e literatura para a infância e a juventude.
2. As obras submetidas a concurso serão sempre inéditas e o autor, no género a que concorre, não pode ter publicado anteriormente qualquer livro.
3. Os Prémios de Revelação funcionam rotativamente, por forma a assegurar, num ano, o concurso para originais de poesia e de ensaio literário, e, no ano subsequente, o concurso destinado a originais de ficção narrativa e de literatura para a infância e a juventude.
3.1. Na edição relativa a 2008, o concurso é aberto a trabalhos de poesia e de ensaio literário.
4. Os Prémios - até ao máximo de três, em cada modalidade - traduzem-se na garantia de publicação das respectivas obras, pela Editora que os patrocina, a qual também pagará os direitos de autor.
5. Os originais - não mais que um por autor, em cada modalidade - deverão ser entregues na sede da APE (Rua de São Domingos à Lapa, 17 - 1200-832 Lisboa), ou enviados pelo correio, em 3 cópias, dactilografadas a dois espaços ou impressas após processamento de computador, em folhas A4, com indicação pelo autor do título e do género a que concorre.
6. Os autores indicarão os seus nomes nas capas das cópias apresentadas a concurso, devidamente encapadas ou agrafadas, estando o uso de pseudónimos apenas previsto para as situações em que se constituam como identidade literária dos concorrentes.
7. O conjunto das 3 cópias de cada obra será acompanhado por uma carta, com indicação, exterior, do seu título, género a que concorre e nome do autor, e contendo a indicação da sua morada e respectivo telefone.
8. Com os serviços de secretaria da APE encerrados durante o mês de Agosto, o concurso relativo ao ano de 2008 estará aberto de 1 de Junho a 15 de Setembro de 2009.
9. A APE não devolverá as cópias que lhe sejam remetidas pelos concorrentes.
10. Cabe à APE nomear um seu Director para a organização dos Prémios, bem como um Júri que apreciará as obras de poesia e de ensaio literário, e, no próximo ano, outro destinado a apreciar as obras de ficção narrativa e de literatura para a infância e a juventude.
11. Cada Júri integrará três personalidades de reconhecido mérito e manter-se-á, salvo manifesta impossibilidade de qualquer dos seus membros, em duas edições consecutivas do mesmo par de modalidades.
12. Os Júris decidirão por unanimidade ou maioria simples, lavrando actas circunstanciadas dos seus trabalhos, e poderão, se assim o entenderem, não atribuir os Prémios, desde que a falta de qualidade das obras a concurso o justifique.
13. As cerimónias de consagração dos premiados ocorrerão com o lançamento dos respectivos livros.
Os balcões dos CTT de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso já têm à venda a versão em mirandês de "Os Lusíadas", de Luís de Camões. O trabalho surge em banda-desenhada, com desenhos de José Ruy e tradução de Amadeu Ferreira.
O álbum chega durante este mês às livrarias e contará com apresentações públicas no Porto(no próximo dia 19, no Clube Literário), em Lisboa (a 2 de Julho, na Fundação Mário Soares) e em Miranda do Douro (a 10 de Julho, dia em que se celebram os 564 anos da cidade-berço da "lhéngua").
Amadeu Ferreira, estudioso do mirandês e escritor, levou mais de cinco anos a traduzir os dez cantos e 1102 estrofes de "Os Lusíadas" para mirandês.
Além de "Os Lusíadas", a dupla Amadeu Ferreira/José Ruy tem já concluído, também em BD, um trabalho que dá pelo título "História de um povo e de uma língua" e que conta as venturas e desventuras do povo mirandês e da sua peculiar forma de comunicar.
Para Amadeu Ferreira, estas publicações são importantes para a divulgação da "lhéngua" junto dos alunos das escolas, para, assim, terem um contacto de proximidade com uma forma que sobreviveu ao longo dos séculos através da expressão oral. "Foi uma odisseia traduzir 'Os Lusíadas', em que episódios com um cariz mais lírico como o 'Adamastor', a 'Ilha dos Amores' ou o 'Velho do Restelo' foram muito exigentes, mas provou-se que o mirandês tem capacidade para transmitir uma obra desta complexidade", sublinhou.
Cortesia de JN
O júri do Prémio Camões decidiu atribuir o galardão deste ano ao poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, disse fonte oficial.
Arménio Vieira disse que, a título pessoal, já esperava "ganhar" mas sublinhou que era ainda cedo para um autor de Cabo Verde ser distinguido. "A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também. Seria muito difícil Cabo Verde apanhar o prémio", disse, visivelmente emocionado.
"É uma honra pessoal. Eu é que sou o autor dos livros que ganharam o prémio, porque é atribuído à obra e não à pessoa. Acho que é uma honra para Cabo Verde. É histórico, Cabo Verde nunca tinha ganho. Desta vez lembraram-se do nosso pequeno país", acrescentou Arménio Vieira.
O galardoado manifestou a esperança de que, a partir de agora, a sua obra venha a ser estudada em Cabo Verde e no estrangeiro. "Espero bem que sim, (a sua obra) será mais estudada. Mas ainda não se estuda. Às vezes as pessoas compram livros mas não os lêem", referiu.
Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941.
Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o “Boletim de Cabo Verde”, a revista “Vértice”, de Coimbra, “Raízes”, “Ponto & Vírgula”, “Fragmentos” e “Sopinha de Alfabeto”. Arménio Vieira foi redactor no jornal “Voz di Povo”.
O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos.
Cortesia de O Público
O XIX Congresso da Uniao Latina aprovou, por unanimidade, uma resolucao, proclamando o Dia da Latinidade a 15 de Maio, aniversar io da assinatura da Convencao de Madrid, a qual criou a organizacao, em 1954. A partir de entao, os Estados-Membros acordaram realizar diferentes tipos de actividades dest inadas a assinalar a efemeride, com o objectivo de “promover a consciencia da identidade cultural comum aos povos de origem latina”.
A Uniao Latina promove, desde 2000, na maioria dos seus Estados-Membros, um concurso multilingue – o Concurso Dialogo Latino – destinado a estudantes do ensino secundário. Este concurso tem como object ivo promover a aprendizagem das linguas lat inas e o seu estudo comparativo. Contribuem para a realizacao deste concurso o Departamento de Estudos Classicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Instituto Camoes, o Instituto Cervantes, o Instituto Franco-Portugues, o Instituto Italiano de Cultura em Portugal, a Embaixada da Romenia e a Embaixada de Andorra.
Em 2009, o Dia da Latinidade celebra-se em Lisboa no dia 3 de Junho pelas 16h30 no Instituto Camões com a seguinte agenda:
Sessao Solene presidida por S. Exa. a Secretaria de Estado Adjunta e dos Assuntos Europeus, Dra. Teresa Ribeiro
Entrega dos diplomas do Concurso Diálogo Latino
Entrega do Premio da Latinidade, “Joao Neves Fontoura”, a Júlio Pomar
Intervencao de Julio Pomar
Encerramento por S. Exa. a Secretaria de Estado Adjunta e dos Assuntos Europeus
Visita a exposicao Da Junta Nacional de Educação ao Instituto Camões
Porto de Honra
Cortesia de IC
A poetisa Glória de Sant´Anna faleceu esta terça-feira, no Hospital de Gaia, aos 84 anos, disse fonte próxima da família.
Glória de Sant´Anna nasceu em Lisboa, a 25 de Maio de 1925, fez o curso complementar de Letras no Colégio de Odivelas e em 1951, já casada, partiu para Nampula, em Moçambique. Em 1974, regressou a Portugal, disse o escritor e crítico literário Eugénio Lisboa.
A poetisa vivia em Ovar e foi uma das vozes do lirismo de Moçambique. Recentemente, a editora moçambicana Nadjira, do grupo LeYa, editou uma colectânea de poesia de Glória de Sant´Ana, intitulada "Solamplo", com prefácio de Eugénio Lisboa. "Mas aquilo a que poderíamos, sem exagero, chamar a sua 'glória', nada teve de ruidoso. Foi sempre uma personagem de um pudor e 'retiro' exemplares", escreveu.
Cortesia de JN