Abril 2010 faz crescer Poetícia


Abril 2010 foi o mês melhor na história do blogue Poetícia registando 1272 visitantes e 2542 cliques sendo que a média de visitantes por dia foi de 42 com origem nos quatro cantos do mundo.

 


Mais uma vez os autores do blogue agradecem a presença e a participação de todos os menos e mais habituais leitores de Poetícia.

Continuaremos a publicar e a divulgar o máximo e o melhor possível sobre a actualidade da Poesia sem esquecer a promoção de poetas novos e de poetas consagrados.

Festival Tordesilhas - Poetas de Língua Portuguesa

O Festival Tordesilhas — Poetas de Língua Portuguesa, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de Maio de 2010, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, é um encontro internacional que reunirá poetas novos e consagrados do Brasil, Portugal e África para um ciclo de palestras, debates, recitais e performances, com o objetivo de ampliar o diálogo entre os autores dos países da comunidade de língua portuguesa.

Entre os temas abordados no encontro estão os seguintes: “A poesia de língua portuguesa na era da globalização”, sobre a repercussão das literaturas escritas em nosso idioma na nova ordem internacional; “O diálogo literário entre Brasil e Portugal”, e “A poesia contemporânea de língua portuguesa em países africanos”. O evento, que tem a curadoria dos poetas brasileiros Virna Teixeira e Claudio Daniel, contará também com recitais, performances, lançamentos de livros e revistas de editoras brasileiras e portuguesas.

A primeira edição do Festival Tordesilhas foi realizada em 2007, em São Paulo, também com curadoria de Virna Teixeira e Claudio Daniel, e contou com cerca de 25 convidados estrangeiros ibero-americanos, entre eles o uruguaio Roberto Echavarren, a argentina Tamara Kamenszain, os espanhóis Adolpho Montejo Navas e Joan Navarro e a mexicana Coral Bracho, para citar alguns. O festival reuniu também poetas de vários estados do Brasil. 

Agonia

Morrer como as sedentas cotovias
na miragem

Ou como a codorniz
uma vez atravessado o mar
nos primeiros arbustos
porque de voar
já não tem desejos

Mas não viver de lamentos
como um pintassilgo cego

Giuseppe Ungaretti

80ª Feira do Livro de Lisboa


A Feira do Livro de Lisboa estará ao Parque Eduardo VII, de 29 de Abril a 16 de Maio. Este ano, a feira festeja o seu 80º aniversário e será, certamente, uma iniciativa a marcar o panorama cultural da cidade. Com novos horários e novas proposta culturais, a Feira do Livro de Lisboa apresentará também uma agenda musical que animará as dezoito noites da Feira.

Uma das novidades da 80ª edição da Feira do Livro reside na introdução de um programa musical. Durante a semana, das 21h30 às 22h15, a Feira do Livro acrescenta os momentos de música ao vivo à programação cultural, nomeadamente as Sextas-feiras: jazz, a música brasileira, a música clássica, etc.

Tal como sucedeu o ano passado, o público infantil continuará a merecer uma especial atenção por parte da Feira do Livro, com um programa que respeitará os gostos e tendências dos “pequenos leitores”. Além de uma melhoria geral de todo o espaço em si, foi construída uma programação à medida, que conta com a colaboração da Câmara Municipal de Lisboa e da rede de Bibliotecas Públicas e Bibliotecas Municipais.

«A tónica da modernidade que destacámos na edição anterior mantém-se na 80ª Feira do Livro de Lisboa e Porto e os visitantes serão testemunhas deste facto. Este ano, a inovação reflecte-se nas novas dinâmicas culturais introduzidas na programação.», explica Paulo Teixeira Pinto, Presidente da APEL.

A organização do espaço da Feira do Livro continua a evoluir no sentido de permitir um melhor acesso dos visitantes à oferta disponível e tornar mais aprazível a sua permanência. Com quatro praças que serão locais de encontro e descontracção – Praça Azul, Praça Verde, Praça Amarela e Praça Lilás – haverá lugar para uma maior interacção com o público através de diferentes realizações, a par das acções que cada participante realizará nos seus pavilhões.

A introdução dos novos pavilhões, cujas características permitem configurações diversas, possibilita nesta edição, assim como no futuro, uma permanente transformação do espaço da Feira.

A 80ª Feira do Livro de Lisboa traz de volta à cidade uma vasta oferta de propostas culturais que preencherão os dias com debates, apresentações, lançamentos e outras actividades centradas no livro.

Cortesia de Novos Livros

Rosa Alice Branco convidada de recital poético promovido pela Fundação Cupertino de Miranda

A Fundação Cupertino de Miranda promove esta terça-feira, às 21:30, no Auditório, um momento do ciclo de música e poesia dirigido à comunidade escolar.

O programa vai abrir com o pianista Vasco Rocha e, de seguida, decorrerá um recital de poesia com apresentação de Isaque Ferreira e Rosa Alice Branco como convidada, segundo a organização.

Na parte da poesia, serão recitados autores como Rosa Alice Branco, Luiza Neto Jorge, Egito Gonçalves, Natália Correia, Anna Akhmátova, Ernesto Cardenal, Nizar Kabanni, Oliverio Girondo e Tristan Tzara.

A entrada é livre. Aceitam-se reservas para grupos.

Cortesia de Diário Digital

Poeta António Salvado nas comemorações do centenário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior

As comemorações do centenário do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior prosseguem esta terça-feira, pelas 18H00, com uma tarde de poesia com António Salvado.

Esta iniciativa, marcada para o Salão do Museu, surge em parceria com a autarquia albicastrense e integra a iniciativa “O distrito de Castelo Branco no MFTPJ”.

Considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, António Salvado faz uma abordagem pessoal à sua obra poética.

Esta tarde cultural inclui a declamação de poesia de António Salvado, por Maria de Lurdes Barata, e um momento musical em que o grupo “RádioActividade”, constituído por jovens músicos albicastrenses, da Escola EB 2/3 Cidade de Castelo Branco, que vão apresentar o 1.º CD de música PopRock e declamar poemas de António Salvado.

Cortesia de Jornal Reconquista

Palavra Encantada na Casa Fernando Pessoa

Palavra (En)Cantada é um documentário de longa-metragem (86min), dirigido por Helena Solberg, que faz uma viagem pela história do cancioneiro brasileiro com um olhar especial para a relação entre poesia e música. Dos poetas provençais ao rap, do carnaval de rua aos poetas do morro, da bossa nova ao tropicalismo, Palavra (En)cantada passeia pela música brasileira até aos dias de hoje, costurando depoimentos de grandes nomes da cultura do Brasil, performances musicais e surpreendente pesquisa de imagens.

O filme conta com a participação de Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan. Imagens de arquivo resgatam momentos sublimes de Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Tom Jobim.

A maioria das entrevistas foi realizada na casa dos entrevistados, em atmosfera intimista, com o registo de declamações e canções especialmente realizadas para o documentário. Poemas de Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Hilda Hilst e pérolas de grandes compositores conduzem o guião de Palavra (En)Cantada. Entre as músicas do filme estão Choro Bandido (Chico Buarque/Edu Lobo), Alegria, Alegria (Caetano Veloso), Alvorada (Cartola), História do Brasil (Lamartine Babo), Inclassificáveis (Arnaldo Antunes), Fábrica do Poema (Adriana Calcanhotto/Waly Salomão), 2001 (Tom Zé/Rita Lee) e O Mar (Dorival Caymmi).

O visionamento do filme PALAVRA (EN)CANTADA (com a presença do argumentista e co-produtor Marcio Debellian) acontece na Casa Fernando Pessoa, dia 29 de Abril às 18h30. A entrada é livre.

Cortesia de CFP

Podemos crer-nos livres

Aqui, Neera, longe
De homens e de cidades,
Por ninguém nos tolher
O passo, nem vedarem
A nossa vista as casas,
Podemos crer-nos livres.

Bem sei, é flava, que inda
Nos tolhe a vida o corpo,
E não temos a mão
Onde temos a alma;
Bem sei que mesmo aqui
Se nos gasta esta carne
Que os deuses concederam
Ao estado antes de Averno.

Mas aqui não nos prendem
Mais coisas do que a vida,
Mãos alheias não tomam
Do nosso braço, ou passos
Humanos se atravessam
Pelo nosso caminho.

Não nos sentimos presos
Senão com pensarmos nisso,
Por isso não pensemos
E deixemo-nos crer
Na inteira liberdade
Que é a ilusão que agora
Nos torna iguais dos deuses.

Ricardo Reis

Prémio Literário «Esfera das Letras» 2010

Instituído pela Esfera do Caos, «este Prémio destina-se a galardoar uma obra original de carácter romanesco, novelístico, ou poético (romances, novelas, contos e poemas), redigida em língua portuguesa por um autor português ou de um país pertencente ao universo da lusofonia. Os autores devem submeter as suas obras a concurso até ao dia 7 de Maio de 2010.

Regulamento

José Emilio Pacheco distinguido com Prémio Cervantes 2010

O poeta mexicano José Emilio Pacheco recebeu ontem o Prémio Cervantes, distinção máxima das letras em língua espanhola, das mãos do rei Juan Carlos I de Espanha na Universidade de Alcalá de Henares (perto de Madrid). Pacheco, de 70 anos, também recebeu um prémio de 125.000 euros. O poeta e romancista mexicano da geração dos anos 1950 é autor de obras como As Batahas no Deserto (Oficina do Livro). O Prémio Cervantes, que é concedido tradicionalmente a cada 23 de Abril, é entregue de forma alternada a autores espanhóis e latino-americanos. 

Cortesia de Diário Digital

CITAÇÃO - Alphonse Lamartine

Aqueles que nós definimos como os nossos dias mais belos não são mais do que um brilhante relâmpago numa noite de tempestade.

Dia Mundial do Livro 2010


A DGLB está a articular este dia (23 de Abril) com o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social através da campanha Um livro faz-me mais rico, em colaboração com as Bibliotecas Municipais.(BM) Conheça as BM participantes.

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram escritores como Cervantes e Shakespeare.

A ideia da comemoração do DIA MUNDIAL DO LIVRO teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, é oferecida uma rosa a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Em 2010, a DGLB vai articular esta data com o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Também a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas estará presente nesse dia, pelas 11 horas, na Biblioteca da Associação Cultural Moinho da Juventude no Alto da Cova da Moura, numa cerimónia simbólica de oferta de livros. Esta biblioteca, inaugurada em Janeiro de 2006, recebeu o nome do poeta António Ramos Rosa, que a apadrinhou. Desde então, vários projectos de promoção da leitura têm vindo a ser desenvolvidos com crianças, jovens e famílias. Alguns deles, dinamizados por Miguel Horta, têm recebido o apoio da DGLB.

Os cartazes que assinalam as duas efemérides são da autoria do ilustrador José Manuel Saraiva.

Um livro faz-me mais rico Bibliotecas aderentes (aqui)

Cortesia de DGLB

Poetas do Mundo - Yehuda Amichai

POEMAS


O lugar em que temos razão




Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.


tradução: Nancy Rozenchan



Eu, que eu possa descansar em paz




Eu, que eu possa descansar em paz
eu, que ainda estou vivo e digo:
que eu possa ter paz no que tenho de vida.
eu quero paz agora mesmo, enquanto ainda estou vivo.
não quero esperar como aquele piedoso que almejava
uma perna do trono de ouro do Paraíso. Quero uma cadeira
de quatro pernas, aqui mesmo, uma cadeira simples de madeira.
Quero o resto de minha paz agora.
Vivi minha vida em guerras de toda espécie: batalhas dentro e fora,
combate cara a cara, a cara sempre a minha mesmo,
minha cara de amante, minha cara de inimigo
Guerras com velhas armas, paus e pedras, machado enferrujado, palavras,
rasgão de faca cega, amor e ódio,
e guerra com armas de último forno, metralha, míssil,
palavras, minas terrestres explodindo, amor e ódio.
Não quero cumprir a profecia de meus pais de que vida é guerra
Eu quero paz com todo meu corpo e em toda minha alma.
Descansem-me em paz...

tradução: Millor Fernandes


Na história do nosso amor


Na história do nosso amor
Um foi sempre uma tribo nómada,
Outro uma nação no seu próprio solo.
Quando trocamos de lugar,
tudo tinha acabado,
O tempo passará, como paisagens
passaram por trás dos actores
parados em suas marcas
quando se roda um filme
as palavras passarão
por nossos lábios,
Até as lágrimas passarão
por nossos olhos.
O tempo passará por
cada um em seu lugar.
E na geografia do resto
de nossas vidas,
Quem será uma ilha,
quem uma península.
Ficará claro para cada um de nós
No resto de nossas vidas
Em noites de amor com outros...



Estatísticas




Por cada homem enfurecido há sempre
dois ou três que o acalmam com palmadinhas nas costas,
por cada chorão, muitos mais limpadores de lágrimas,
por cada homem feliz, uma profusão de infelizes
a querer aquecer-se no calor da sua alegria.

E todas as noites pelo menos um homem
não consegue encontrar o caminho de casa
ou a sua casa mudou-se para outro lugar
e ele vagueia pelas ruas,
supérfluo.

Uma vez estava com o meu filho pequeno na estação
e um autocarro vazio passou por nós. O meu filho disse:
“Olha, um autocarro cheio de gente vazia.”



Violino de Palmo e Meio


Sento-me no jardim onde brinquei em criança.
A criança brinca ainda na areia. As suas mãos fazem ainda
pat-pat, depois cavam a destroem,
depois outra vez pat-pat.

Entre as árvores a pequena casa está ainda de pé
onde a alta voltagem zumbe e ameaça.
Na porta de ferro a caveira é
outra conhecida de infância.

Quando tinha nove anos deram-me
um violino de palmo e meio
e palmo e meio de emoções.

Às vezes sou ainda assaltado por orgulho
e alegria: Já me sei vestir e despir
sozinho.



PEQUENA BIOGRAFIA

Yehuda Amichai nasceu em Wurzburg, na Alemanha, em 1924. Em 1936, emigrou com a sua família para a Palestina e mais tarde, naturalizou-se como cidadão israelita. Participou na II Guerra Mundial, como soldado das brigadas semitas do exército britânico e lutou na guerra israelo-árabe de 1948. Depois da guerra estudou literatura hebraica e textos bíblicos. Foi professor do ensino secundário. Amichai publicou o seu primeiro livro de poesia, Achshav Uve-Yamim HaAharim (“Now and in Other Days”), em 1955. Escreveu onze volumes de poesia em hebraico, duas novelas e um livro de contos. A forma inovadora como utiliza a língua hebraica, influenciou a linguagem moderna em Israel. A sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas. Morreu em Jerusalém no dia 27 de Setembro de 2000.

Cortesia de Um Buraco na Sombra

BIO - Teixeira de Pascoães


Uma das figuras mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas do século XX, Teixeira de Pascoaes (Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos) é estruturalmente um poeta-filósofo, mesmo quando se instaura como mentor do Saudosismo ou resvala da poesia para outros géneros literários, cujo hibridismo (de géneros e de linguagem) tem vindo a ser explorado pela crítica moderna. Nascido a 2 de Novembro de 1877, em Amarante (Gatão), cursa Direito em Coimbra (1896-1901) e chega a exercer profissão, durante dez anos, no Porto, entregando-se depois, e até à data da sua morte (1952), à escrita, recolhido no solar cujo nome adoptou (Pascoaes), no seio da paisagem da sua intimidade – o Marão e o Tâmega, que eleva, enquanto canto à Terra e à Natureza, em termos míticos e místicos, a uma figura integral do Mundo e do destino humano.

A sua estreia no parnaso português, numa procura de rumo entre as diversas tendências herdadas da viragem do século, não foi brilhante. Em 1895 publica a primeira obra poética, Embriões, que merece a crítica menos favorável de Guerra Junqueiro. Nas obras que imediatamente se seguem, Belo I (1896) e Belo II (1897) e À Minha Alma (1898), transparece já uma vivência original, que toma o Homem como centro e caminho de uma ascensão espiritual crescente, transformando o material em espiritual, a memória em sonho, o Real em Irreal, a presença corpórea em ausência saudosa. As coordenadas do seu universo imaginário, já imbuído do que mais tarde chamaria Saudade, estavam lançadas. Mas a sua consagração só seria alcançada com Sempre (1898), que simboliza o encontro do poeta consigo mesmo. Nesta obra estão já patentes traços que tornarão a sua poesia inconfundível: a fusão do subjectivo e do objectivo; o sentimento religioso das coisas, esse além que, num mesmo instante, se esconde e se revela nas sombras, nos fantasmas e nos espectros; o fascínio pelo mistério e pela substância enigmática de tudo o que o rodeia; a vocação mística, que tudo transforma.

Depois de Sempre, o seu ímpeto de criação parece imparável: surgem Terra Proibida (1900), À Ventura (1901), Jesus e Pã (1903), Para a Luz (1904), Vida Etérea (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marânus (1911) e Regresso ao Paraíso (1912), ou seja, grandes colectâneas de poesia, cuja redacção acompanha a reformulação consecutiva da sua obra, em que refunde, amplia e transfere poemas, o que demonstra, contrariamente à visão tradicional que se possuía do poeta, uma atenção extrema pelo aperfeiçoamento formal da sua escrita. Um breve apontamento a algumas destas composições: Para a Luz, dedicado ao irmão que se suicidou, representa, pelos poemas de intuito realista e social que contém, um certo desvio a uma poesia vocacionada para a transcendência; Vida Etérea é, enquanto hino à harmonia cósmica e à procura ansiosa de Absoluto, considerado um dos melhores livros do poeta; As Sombras têm merecido destaque por mais tipicamente desenharem a atmosfera espiritual pascoaesiana; de Senhora da Noite afirma a crítica ter inspirado os dois “finais” de “Ode de Álvaro de Campos”; finalmente, em Jesus e Pã, destaca-se o pendor filosófico do poema, onde estão já presentes os princípios orientadores do Saudosismo como doutrina de restauração nacional, que consubstanciarão também Marânus e Regresso ao Paraíso. De fôlego e estrutura épica, estas duas obras exaltam a Saudade, embora o cunho nacionalista da primeira (a Saudade como deusa portuguesa da redenção) se veja, na segunda, amplificado a uma dimensão universal (a Saudade como valor humano mais perfeito que reconduzirá o Homem ao Paraíso).

Serão estes dois vectores da Saudade – o nacional e o universal – que ditarão a cruzada saudosista do poeta nas páginas d’A Águia, de que é o director artístico desde que esta revista se torna órgão da “Renascença Portuguesa” em 1912. Vulto maior desta Associação, transforma-se no teorizador, por excelência, da Saudade, nos seus aspectos políticos, filosóficos e estéticos, entendendo esta como sentimento-ideia caracterizador da fisionomia lusitana e motor do ressurgimento nacional, mas também, enquanto ideia, como criadora de tensões dinâmicas (Lembrança/Esperança, Passado/Futuro, Matéria/Espírito, etc.), nunca abandonadas por completo na sua obra posterior. Desta actividade, a que o seu nome ficou sempre ligado e que obscureceu, durante largos anos, a potencialidade estética da sua escrita, incluem-se textos e conferências como O Espírito Lusitano e o Saudosismo (1912), O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa (1913), A Era Lusíada (1914), Arte de Ser Português (1915) e, já afastado da revista onde se mantém até 1917, Os Poetas Lusíadas (1919). Pela força da sua personalidade e pela grandeza da sua obra, reúne à sua volta, apesar da célebre polémica sobre a Saudade que, nas páginas d’ A Águia, o opôs a António Sérgio, uma série de poetas de tendências afins, os chamados poetas saudosistas, de que se salientam aqui António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Afonso Duarte ou Mário Beirão.

Depois de Elegias (1912) e de O Doido e a Morte (1913), onde, com mais intensidade, a concepção filosófica se une ao lirismo emotivo, a edição de Verbo Escuro (1914) inaugura uma nova via de expressão, a da prosa poética. Prosa e verso passam a coexistir na obra do autor. Citem-se, por exemplo, O Bailado (1921) e O Pobre Tolo (1924), onde os aforismos invadem a tónica lírica da escrita, ou os Cantos Indecisos (1921) e os Cânticos (1925), ou, ainda, a versão, em elegia satírica, de O Pobre Tolo (1930). O acento lírico da prosa e o prosaísmo filosófico do verso tornam-se uma constante na obra de Pascoaes. Desta época, e ainda em verso, são o drama D. Carlos (1925), espécie de contrapanfleto da Pátria de Junqueiro – experiência teatral a que se junta a colaboração com Raul Brandão na tragicomédia Jesus Cristo em Lisboa (1924) –, Painel (1935), curiosa panorâmica de Portugal vislumbrada do Marão, Versos Pobres (1949) e Últimos Versos (1953). A Versos Brancos, de que ainda hoje se não conhece a totalidade das composições, referia-se Pascoaes já como “pensamentos metrificados”.

A partir, pois, de 1914, a prosa conquista terreno no panorama literário do autor, com grande variedade de géneros e de interesses, desembocando na redacção de grandes biografias que lhe deram renome internacional. A Beira (Num Relâmpago), de 1916, é um livro de viagens que propicia a entrada no mundo imagético do autor – tal como acontece em Duplo Passeio (1942) –, onde cada pormenor avistado, paisagem ou gesta humana, é símbolo de uma realidade transcendente, desveladora do sentido mais íntimo das coisas; O Bailado (1921) constitui-se como, nas palavras de Pascoaes, “uma espécie de romaria”, viagem pelos “outros” na tentativa de construção de um “eu” simultaneamente individual e universal; O Pobre Tolo, de teor autocaricatural, dá conta do drama da existência humana na sua consciência de Ser e de não Ser ao mesmo tempo; o Livro de Memórias (1927), mais do que um documento histórico preciso, é uma anotação autobiográfica que prima pela reelaboração imposta pela memória, tal como acontece em Uma Fábula (o Advogado e o Poeta), de publicação póstuma em 1978.

Mas é em 1934 que Pascoaes envereda pelas biografias romanceadas que lhe abrem novos caminhos na perscrutação da alma humana. Todos os biografados são figuras relevantes na história espiritual do Homem ou são movidos por sentimentos ou ideias de alcance universal. Irrompem, assim, São Paulo (1934), São Jerónimo (1936), Napoleão (1940), O Penitente: Camilo Castelo Branco (1942) e Santo Agostinho (1945). Porque polémicas (sobretudo a primeira), as biografias contribuíram para chamar, mais uma vez, a atenção do nosso meio cultural para a obra de Pascoaes. Talvez por isso tenha o autor sentido a necessidade de esclarecer quer o seu pensamento poético, o que faz em O Homem Universal (1937), quer o seu conceito religioso, que explicita em A Minha Cartilha, escrita em 1951, mas só editada em 1954.

Duas obras de ficção narrativa marcam ainda a última fase do percurso vivencial do poeta: O Empecido (1950) e Dois Jornalistas (1951), onde, respectivamente, o tema da Saudade e o do Medo são tratados com uma ironia que mais realça o sentido da dúvida que se pretende inculcar como fonte dinamizadora do sentir e do pensar do Homem.

Herdando, pois, o neogarrettismo e o idealismo finissecular, este antipositivista e antinaturalista por definição (com ecos de Antero, Junqueiro, Gomes Leal, António Nobre e da poética simbolista do Vago e do Indefinido), Teixeira de Pascoaes cria algo de novo na literatura portuguesa com o seu universo imaginário virado para o mistério da alma, para a essência das coisas, para o paradoxo da existência em que tudo e o seu contrário se implicam numa amálgama inesperada, feita de antinomias que, conceptualmente, se harmonizam. Desligando-o do Saudosismo de escola, que, descontextualizado, passou a ser lido como sinónimo de nacionalismo reaccionário, a crítica dos últimos vinte anos tem vindo a valorizar, no campo literário e no filosófico, inúmeros aspectos da modernidade de Pascoaes, quer pela concepção filosófica do Homem (ser imaginante e imaginário) como substância mesma da Realidade (Eduardo Lourenço), quer pela virtualidade da sua escrita, com aspectos ainda hoje surpreendentes. A publicação, em curso, da imensa obra de Teixeira de Pascoaes pela Assírio & Alvim, depois de ter ficado incompleto o projecto das suas Obras Completas (ed. de Jacinto do Prado Coelho) pela Livraria Bertrand, os numerosos estudos críticos entretanto surgidos e, até, a recente atenção pela sua obra plástica, revelam o interesse renovado na redescoberta de Pascoaes.

por Maria das Graças Moreira de Sá

Instalação poética “Entre o Livro e a Liberdade”

Convocam-se todos os poetas, de todas as línguas, com uma pátria do tamanho do mundo, a enviar um, dois ou três poemas, para a instalação poética “Entre o Livro e a Liberdade”, que vai acontecer nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 2010, no jardim da Avenida Júlio Graça em Vila do Conde.O Colectivo Silêncio da Gaveta, depois de a 21 de Março de 2009, dia Mundial da Poesia, ter colocado mais de 2000 poemas, em mais duzentas árvores do jardim, traduzindo em seiva e fruto as palavras dos poetas, de cerca de duas dezenas de países, pretende este ano, com a colaboração da Nuvem Voadora, no mesmo jardim, fazer nascer entre as flores, as palavras dos poetas.Nesta nova instalação poética os poemas erguem-se do chão, como girassóis à procura do leitor.O colectivo agradece que o poema traga consigo o nome do autor e não ultrapasse uma folha A4, para que as palavras não se separem do mesmo cacho. Podem ser inéditos ou já editados. A convocatória pretende apenas os vossos poemas, os dos outros nós já temos.

INFO

Cortesia de Colectivo Silêncio da Gaveta

Semana dos Livreiros 2010

Decorre entre os próximos dias 22 e 29 de Abril, a 2ª edição da Semana dos Livreiros, numa organização da APEL, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa.

O objectivo desta iniciativa é dar às Livrarias de Lisboa a oportunidade de comemorar, em conjunto, o Dia Mundial do Livro, que se celebra a 23 de Abril, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvem a sua actividade de forma mais visível nas vésperas da Feira do Livro, que faz 80 anos.

Tendo em vista a comemoração conjunta com o Dia Mundial da Terra (que se comemora a 22 de Abril) e atendendo ao mote lançado pela Câmara Municipal de Lisboa, os livreiros darão um especial destaque, nesta acção de rua que se propõem realizar, a temas relacionados com o Ambiente, a Alimentação, a Saúde e o Bem-Estar.

A imagem que ilustrará esta segunda Semana dos Livreiros é da autoria de Frederico Rocha. Autodidacta, desde muito cedo encontrou a sua própria linguagem visual dentro da ilustração infantil. Nascido em Minas Gerais, Brasil, em Fevereiro de 1980, Frederico Rocha frequentou desde muito cedo todas as aulas de uma pequena escola de artes local, onde descobriu o prazer da arte. Começou por ilustrar os dois primeiros livros da sua mãe, a escritora Tânia Colares, editados pela editora mineira "Armazém de Ideias". Em 2000, muda-se para Lisboa, cidade onde vive e trabalha actualmente.

É com uma colaboração com a revista “Actual/Expresso” que entra no campo da ilustração editorial, encontrando também nesta área um traço muito pessoal.

Hoje dedica-se principalmente à ilustração para livros infantis, ilustração editorial e design gráfico/web, colaborando com clientes como o Expresso, a editora Gradiva e o Jornal i. Neste momento está a trabalhar em dois projectos de livros infantis e a desenvolver uma curta de animação, 2D.

Cortesia de APEL

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«A poesia salva.»

Jacques de Coulon, pedagogo suíço, diz que a poesia salva. Os gestores Costa e Silva e Vítor Bento afiançam que liberta.

Escrevia Juan Gelman, o grande poeta argentino, Prémio Cervantes 2007: "Aí está a poesia. De pé contra a morte", porque a poesia salva. Já Carlos Drummond de Andrade, o brasileiro modernista que muito prosou sobre o amor, gostava de afirmar que o seu "divã" era a poesia. Porque a "poesia cura", e agora quem o diz é Jacques de Coulon, filósofo e pedagogo suíço, que lançou os livros "Soyez Poéte de Votre Vie" e "Exercices Pratiques de Poésie-Thérapie" e a quem a revista francesa "Psychologies" dedica um extenso artigo.

Coulon, que recentemente passou por Lisboa para falar sobre a importância da poesia no nosso quotidiano, revela que a magia das palavras pode ter um efeito terapêutico e servir-nos como um veículo prodigioso para entrarmos em contacto com o centro do nosso ser.

António Costa e Silva, professor no Instituto Superior Técnico (IST) e presidente da Partex, uma empresa petrolífera da Fundação Gulbenkian, conta-nos como a poesia o salvou, literalmente, da loucura e da tortura, nos anos em que esteve preso em Luanda. Foi entre 1977 e 1980. Diz Costa e Silva: "No início, quando nem sequer uma cama tinha para me deitar, quanto mais uma caneta ou papel, compunha poemas na minha cabeça que ia memorizando, para mais tarde transcrevê-los para o papel. Depois, quando já podia escrever, o desafio era pôr em papel os poemas que viviam na minha cabeça." Passava horas nisto.

Mais do que um exercício de memória nos anos em que esteve na prisão, António Costa e Silva servia-se da relação com as rimas e o ritmo das frases para revisitar a sua vida. Neste sentido, a poesia e o prazer das palavras foi a aliança que estabeleceu para se orientar no caminho da sobrevivência. Como uma bússola. Essencial e reformadora da sua integridade. "Quem escreve não morre", conclui. A escrita de poemas era uma prática antiga, vinha do tempo da adolescência - nos anos em que descobriu Homero - interrompida mais tarde e retomada nos anos da prisão. Até hoje. "Ensinou-me, sobretudo, a profundidade do silêncio e a não prescindir desse tempo interior", diz o gestor. "São momentos importantíssimos na vida frenética que levo. Escrevo sempre que posso, sobretudo quando viajo."

Para Vítor Bento, presidente da SIBS - empresa que gere o Multibanco - e um dos nomes apontados para suceder a Vítor Constâncio no Banco de Portugal, o que o leva a escrever poesia é, sobretudo, o prazer de brincar com as palavras: "Por ser uma forma de expressão que está para além do significado literal. A prosa poética é uma comoção que nos transcende e que no diz sempre mais do que aquilo do que é escrito", justifica. O líder da SIBS, que também começou a escrever poemas na sua adolescência, apesar de considerar quase embaraçoso falar desta prática por não se considerar um poeta, diz: "Escrever pode ser libertador. As melhores palavras surgem de forma espontânea, mas depois vem o trabalho modelar. Como numa escultura." Esculpir um texto até ganhar a forma e o corpo de um poema. "É um exercício libertador", confessa, mostrando um maço de folhas redigidas com poemas seus. "Escrevo por fases. A minha vida não me permite fazê-lo em contínuo. Neste momento, por exemplo, tenho a cabeça mais ocupada com a economia. Naturalmente, por causa da crise." O gosto pela poesia levou-o a traduzir poemas de Yeats, apenas pelo prazer de desfrutar da poesia do poeta irlandês. De resto, gosta de Sophia, Eugénio de Andrade... e de Pessoa, "claro". Sobretudo de Ricardo Reis. "O mais racional e o mais clássico entre os heterónimos", indica Vítor Bento.

"É inerente à condição artística esse desejo de proximidade com aquilo que é mais profundo no nosso ser", esclarece Maria Antónia Carreira, psicanalista e professora no ISPA, que dedicou a sua tese de doutoramento à poesia de Paul Célan, sobrevivente do Holocausto, e um dos grandes poetas do século XX. "É impossível descrever o ser humano. A nossa vivência e a expressão daquilo que somos é de um outro nível. Neste sentido, a escrita poética é a procura da palavra mais justa para descrever essa vivência emocional." E a poesia salva? Responde-nos a psicanalista: "Para escrever é preciso entrar em contacto, fazê-lo com verdade. Escrever tem um lado restabilizador e organizador do pensamento. Pode ser catártico."

Jacques de Coulon, o filósofo que acredita que a poesia cura, avança com ideias muito simples para quem não escreve: "Escolha um poema que represente, para si, a liberdade, o convite à mudança, ou à viagem. Recite-o em voz alta, enquanto caminha. A cada sílaba faça corresponder um passo. Durante este exercício relaxe as costas, inspire e expire de maneira confortável. Vá repetindo o texto até se sentir embalado e ficar quase hipnotizado pelas palavras."

E já que falamos de poesia, todas as quartas-feiras, ao fim da tarde, Fernando Pinto do Amaral, poeta e comissário do Plano Nacional de Leitura, orienta na livraria Leya um curso de Poesia Contemporânea. Escrever, ler, aprender... Qualquer um pode experimentar. Todos os pretextos são bons para nos pôr em contacto com as palavras dos poetas.

Cortesia de Revista Única do Expresso

8ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura Portuguesa

A oitava edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura Portuguesa será disputada por 408 livros de quatro países lusófonos. “Caim”, de José Saramago, “Avenida Paulista”, de João Pereira Coutinho, “Boa noite, Sr. Soares”, de Mário Cláudio, “O meu nome é legião”, “ Que Cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?” de António Lobo Antunes e “Poemas do Brasil” de Maria Teresa Horta são algumas das obras portuguesas inscritas.

Entre os inscritos há 12 livros portugueses (sete romances, três de poesia, um de contos e um de crónicas), dois romances angolanos, um romance moçambicano e 393 obras brasileiras. Entre os portugueses contam-se ainda “Das estações entre portas”, de Joana Ruas e “O Sétimo Selo” de José Rodrigues dos Santos.

Nos brasileiros destacam-se “A Cidade Ilhada” de Milton Hatoum, “As Vozes do Sótão” de Paulo Rodrigues, “Coração Andarilho” de Nélida Piñon, “Estive em Lisboa e lembrei de você”, de Luiz Ruffato, “Leite Derramado” de Chico Buarque, “Miguel e os Demónios” de Lourenço Mutarelli, “O Albatroz Azul” de João Ubaldo Ribeiro, “O Seminarista” de Rubem Fonseca, “Os Espiões” de Fernando Veríssimo e “O Filho da Mãe” de Bernardo Carvalho.

Entre as obras africanas inscritas estão “Barroco Tropical”, de José Eduardo Agualusa, “Avô 19 e o segredo do soviético”, de Ondjaki e “Antes de nascer o mundo”, de Mia Couto (“Jesusalém” é o título do livro em Portugal).

Formado por professores, críticos literários, escritores e pelos comissários do galardão, o júri escolherá os 50 primeiros finalistas, que serão conhecidos no final de Abril.

Em Agosto, os jurados anunciarão os dez finalistas, que disputarão os três principais prémios a 8 de Novembro em São Paulo. O prémio, que no ano passado teve mais de 500 obras inscritas, distinguirá romances, contos, poesias, crónicas, dramaturgias e autobiografias, escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição no Brasil, entre 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2009. Participam igualmente obras com primeira edição no estrangeiro, entre 1 de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2009, desde que tenham tido a primeira edição no Brasil em 2009.

Os vencedores receberão prémios de 100 mil reais (41.322 euros), 35 mil reais (14.463 euros) e 15 mil reais (6198 euros), respectivamente para o primeiro, segundo e terceiro classificados.

No ano passado, o escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro “Ó”, venceu o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Os também autores brasileiros João Gilberto Noll, com “Acenos e Afagos”, e Lourenço Mutarelli, com “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, ficaram em segundo e terceiro lugares, respetivamente.

Cortesia de O Público

Resposta

Alma: não tiveste um lugar. Assim,
te foste ao reino prometido, e dobras-te
agora em quanta solidão venceste,
impelida num mundo de retorno.

Nem a razão expectante permitiu
o maior pensamento de certezas!
Alma: da terra ao céu o traço fino
da tua directriz — mais não ficou...

Eis a vida — pó cruel, ansiedade
que deu a forma à tua acção perfeita
em sombras de tristeza e dia a dia.

Desvendado segredo! A dor que seja
o fogo, tua lembrança encontrou
nesse vazio a única palavra...

António Salvado

Poema «Manucure» de Mário de Sá-Carneiro em publicação bilingue na Rússia

O poema «Manucure» de Mário de Sá-Carneiro acaba de chegar às livrarias russas numa edição bilingue, tendo a tradução sido realizada por Maria Mazniak, professora de português na Universidade Estatal de São Petersburgo.

O poema é ilustrado por 44 reproduções de quadros de Amadeo de Souza-Cardoso, selecionados pela tradutora para representar visualmente as ideias e sensações dos vários "fragmentos" que constituem o poema, de tal forma que quase temos a sensação de que poeta e pintor trabalharam em conjunto, quando, na verdade, os uniu o olhar perspicaz e sensível de Maria Mazniak.

Esta não é a primeira vez que poemas de Mário de Sá-Carneiro são publicados em língua russa, mas as edições anteriores não se comparam, pela sua envergadura, ao novo livro "O poema Manucure de Mário de Sá-Carneiro no contexto das artes comparadas".

Cortesia de Lusa

IV edição do Prémio Literário José Luís Peixoto

A Câmara Municipal de Ponte de Sôr promove a IV edição deste prémio destinado a jovens até aos 25 anos de idade, de nacionalidade portuguesa ou residentes ou naturais de países de língua oficial portuguesa. Os trabalhos poéticos devem ser entregues até ao próximo dia 30 de Abril.

Regulamento

Encontrada fotografia inédita de Rimbaud


A fotografia inédita (em cima) de Arthur Rimbaud, que mostra o poeta sentado numa varanda do Hotel de l’Univers, em Aden, na Abissínia, foi encontrada por acaso por dois livreiros numa feira de rua de antiguidades. A imagem, a única que existe de boa qualidade mostrando Rimbaud adulto, não está datada, mas os dois livreiros, Jacques Desse e Alban Caussé, acreditam que pode ter sido captada no início de 1880.

A descoberta, que aconteceu há cerca de dois anos, foi um puro acaso. A fotografia, que mostra um grupo de seis homens e uma mulher, fazia parte de um conjunto de imagens de Aden e chamou a atenção de Desse e Caussé por ter escrito na parte de trás Hotel de l’Univers – um dos dois estabelecimentos hoteleiros administrados por franceses na colónia, e precisamente aquele em que Rimbaud estivera instalado em Aden, onde viveu os últimos anos da sua vida, antes de morrer em França, aos 37 anos.

São muito raras as imagens de Rimbaud durante o período em que viveu em África, e em nenhuma é possível distinguir claramente os traços do seu rosto. Na que agora os dois livreiros divulgaram o rosto vê-se nitidamente, os olhos tristes, um pequeno bigode.

Para confirmarem as suspeitas de que poderia tratar-se do poeta, os dois homens pediram a ajuda de Jean-Jacques Lefrère, biógrafo de Rimbaud, que, ao fim de uma investigação, e de comparações com as imagens de adolescência do poeta, confirmou que se trata efectivamente dele.

Cortesia de O Público

Podia dar-se início à pequena odisseia

[...]
Podia dar-se início à pequena odisseia
Do Esteves e ouvir ele ao despertar
Uma suave canção cantada por aquela
Cuja máscara havíeis posto e em que
Ele reconhecia, não a vós, mas a Ophélia,
Um dia sua Musa e hoje tortura. Ergueu
O Esteves de súbito os olhos por sobre
O rebordo dos óculos de ler. Ergueu-os de
O Povo, o jornal e as últimas notícias em cima
De que tinha adormecido, e viu, na
Fronteira entre armação e vidro, aí onde num
Lampejo se celebrara o casamento
Entre o céu e inferno, o mundo desviar-se
Um milímetro, rachar-se uma frincha.
Como se, por mais nítida, a imagem se
Fizesse demasiada para a moldura e dela
Houvesse parcialmente tombado.
Fosse essa greta um precipício, igual
Àquele a cuja beira o anjo caído usurpara
Um céu, e Swedenborg teria embalado
O túmulo a uma nova crença.
Diante dele, os seus escritos jaziam
Como camisas de linho engomado.
[...]

René Huigen

Poeta argentino Juan Gelman em Portugal

O poeta e jornalista argentino, prémio Cervantes 2007, estará esta semana em Portugal, nos dias 14 e 15, para um conjunto de iniciativas agendadas pela Fundação José Saramago.

Juan Gelman dá uma aula aberta na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta quarta-feira. A iniciativa faz parte de um conjunto de actividades previstas para a estadia de dois dias do poeta e jornalista argentino em Portugal.

Durante a visita à capital haverá tempo para um encontro com a comunicação social aberto ao público (no Instituto Cervantes, às 12h00 de quarta-feira, dia 14), a aula aberta na FCSH ─ UNL (16h00 do mesmo dia) e ainda um encontro com o embaixador da Argentina e José Saramago na Casa do Alentejo, durante o qual Nuno Júdice lerá poemas de Gelman e Gonçalo Pescada interpretará temas de Astor Piazzolla (dia 15, 18h00).

A vinda de Juan Gelman, prémio Cervantes 2007 e considerado por Jorge Enrique Adoum como «o maior poeta vivo de língua espanhola», foi organizada pela Fundação José Saramago, tendo contado com inúmeras parcerias, entre as quais as instituições já mencionadas, além da Casa da América Latina e a Libros del Zorro Rojo.

Cortesia de Rascunho

País de poetas que não lê poesia

Fernando Pessoa, Herberto Hélder e Manuel Alegre são os poetas que mais livros vendem em Portugal. No país dos poetas, há cada vez menos editoras a apostar na edição de poesia. Aquelas que o fazem dizem que as vendas estão a crescer. Já os livreiros apontam na direcção contrária e afirmam que a poesia se vende pouco. Apesar disto, as caixas de correio das editoras não cessam de se encher com manuscritos de aspirantes a poetas.

Para Vasco David, da Assírio & Alvim, "as vendas de poesia têm aumentado, em parte devido ao tipo de obras que estão a editar-se, nomeadamente as obras completas de autores clássicos".

Já o dono da livraria Poesia Incompleta, um espaço exclusivamente dedicado a este género literário, declara que "passa muitos dias sem vender livro nenhum" e considera que muitas vezes "se lê, se fala ou se compra poesia de forma superficial, porque as pessoas não têm coragem de assumir que não lhes interessa".

Símbolo máximo da elevação da linguagem humana, criadora de experiências intelectuais e estéticas profundas, difícil, aborrecida, bela ou sublime, a poesia é, desde há muito, um género amado ou odiado.

"As coisas só nos interessam como entretenimento; tudo o que foge disso é rejeitado, como é o caso da poesia , we are all now entertainers, como cantavam os Nirvana ", diz Changuito, que também é responsável, há 11 anos, pela dinamização de sessões de leitura de poesia no teatro A Barraca. "É só isso que somos hoje."

Se o volume de obras editadas e vendidas do género ficção tende a aumentar, "a poesia será sempre para franjas da população", diz Vasco David. "Há um boom editorial que não é acompanhado pela poesia, porque a aposta é sempre na vertente mais comercial."

O facto de sermos um país com níveis de literacia muito baixos e com uma educação que "cria pessoas com medo da leitura" não ajuda a que sejamos verdadeiros leitores de poesia", defende Changuito.

Opinião diferente tem o poeta Nuno Júdice, para quem "há uma nova geração muito aberta para a poesia", algo que não se traduz em vendas, "pois a leitura e a troca de poesia faz-se, cada vez mais, na Internet".

Já Jorge Silva Melo, que vai ler poesia de Mário Cesariny na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (ver caixa), ressalva o facto de em Portugal "ainda haver várias editoras de grande dimensão a apostarem na edição de poesia, algo que noutros países está a deixar de acontecer".

As tiragens de poesia em Portugal "são muito superiores às de Espanha, por exemplo", diz Júdice, que sublinha ainda que "a leitura de poesia não pode ser medida pelas vendas e, em Portugal, a poesia nunca perdeu a sua capacidade de comunicar com os leitores".

O percurso feito pela poesia nos seus movimentos modernista, surrealista, futurista, formalista, entre outros, está ele próprio ligado à forma como o público se aproximou ou afastou deste género literário.

"A poesia formalista assustou as pessoas e é responsável pelo afastamento de muitos leitores", defende Nuno Júdice.

Na opinião do editor da Assírio & Alvim, o crescimento que esta editora tem verificado na venda de poesia prende-se "com um maior esforço de promoção das obras", embora reconheça, tal como o faz o proprietário da livraria Poesia Incompleta, que os autores mais vendidos são os poetas portugueses que pertencem ao cânone, ao passo que os poetas mais jovens têm mais dificuldade em chegar ao público.

Jorge Silva Melo e Nuno Júdice defendem que, neste momento, a música é a forma por excelência da divulgação e da conquista de públicos para a poesia.

"Para que serve, afinal, este Dia Mundial da Poesia?", interroga-se Changuito. "Para debitar mais uns quantos lugares-comuns, porque amanhã tudo continuará igual."

Com lugares-comuns ou "capelinhas onde tantas vezes ancora", a poesia "está inscrita de alguma maneira na vida das pessoas, e as pessoas estão cada vez mais à procura de coisas vivas, à procura de alternativas", conclui Silva Melo.

Cortesia de DN Artes

Faleceu o poeta e dramaturgo Jaime Salazar Sampaio

O poeta e dramaturgo Jaime Salazar Sampaio morreu esta terça-feira, em Lisboa, aos 84 anos, informou a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

O corpo do escritor está hoje em câmara ardente no edifício 2 da SPA, de onde seguirá o funeral na quinta-feira de manhã para o cemitério do alto de São João, em Lisboa.

Jaime Salazar Sampaio nasceu em Lisboa a 5 de Maio de 1925. Formado em Engenharia, foi nas artes de palco que se distinguiu, tanto na criação como na tradução de dramaturgias estrangeiras, de autores como Samuel Beckett e Harold Pinter.

De acordo com o Centro de Estudos de Teatro, Jaime Salazar Sampaio estreou-se no Teatro Nacional em 1961 com a peça “Pescador à linha”. Em 1969 viu encenada a peça “Os Visigodos”, também pelo Teatro Nacional, e em 1970 “A batalha naval”, pela Casa da Comédia. Só com a mudança de regime, em 1974, é que as suas peças regressam aos palcos.

No total, mais de 60 espectáculos foram produzidos a partir de textos seus, como “Fernando talvez Pessoa” (1983), pelo Teatro Nacional D. Maria II, “O pescador à linha (sem deus nem chefe)” (1998), pelos Artistas Unidos, e “Árvores, verdes árvores” (2008), pelo Teatro Independente de Loures.

Num estudo publicado em 2003, a investigadora Maria João Brilhante refere que Jaime Salazar Sampaio foi influenciado pelo teatro do absurdo e que a sua dramaturgia “constituiu um ato de resistência contra a censura, o que justifica em parte a ambiguidade e o hermetismo dos seus textos de antes da revolução”.

“O seu projecto não era menos político ao denunciar o desconcerto dos valores humanos no seio de uma sociedade burguesa que pactuava com o fascismo, por temer a desordem e a diferença”, defendeu a investigadora do Centro de Estudos de Teatro.

Em 1999 Jaime Salazar Sampaio recebeu o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores pela obra “Um homem dividido”, em 2005 foi distinguido com a medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores.

Colaborou durante duas décadas com a SPA, organizando dezenas de sessões do ciclo “Dramaturgia e Prática Teatral”.

Além de teatro, publicou poesia como “Poemas Propostos” (1954) e “Silêncio de um Homem” (1960).

Cortesia de O Público

Alagamares promove 2º Encontro Literário de Sintra

A Associação Cultural Alagamares realiza, dia 14 de Abril pelas 21:00 horas, o 2º Encontro Literário de Sintra com a presença dos escritores Sérgio Luís de Carvalho, Marta Amado, Augusto Carlos e Gonçalo Nuno Neves no Espaço Reflexo, em Sintra (R. Heliodoro Salgado,pedonal). O moderador é o poeta Jorge Telles de Menezes. Os autores falarão das suas obras e autografarão algumas delas.

INFO

Cortesia de Associação Cultural Alagamares

Ankara recebe exposição de Fotografia e Poesia “Dos Tempos de Lisboa”

É inaugurada hoje, dia 12 de Abril, a Exposição de Fotografia e Poesia “Dos Tempos de Lisboa”, da autoria de João Tibério, artista e investigador universitário.

No decorrer da sua visita, João Tibério conhecerá os alunos de língua portuguesa da Universidade de Ancara com os quais terá oportunidade de partilhar a sua experiência.

A Exposição terá lugar na Entrada de Honra da Faculdade de Língua, História e Geografia da Universidade de Ancara entre os dias 12 e 26 de Abril do corrente.

A acompanhar as fotografias do autor estarão em exibição poemas de Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Ana Hatherly, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, M. Tiago Paixão, entre outros.

Cortesia de IC


Sòzinha no bosque

Sòzinha no bosque
Com meus pensamentos,
Calei as saudades,
Fiz trégua aos tormentos.

Olhei para a lua,
Que as sombras rasgava,
Nas trémulas águas
Seus raios soltava.

Naquela torrente
Que vai despedida
Encontro assustada
A imagem da vida.

Do peito, em que as dores
Já iam cessar,
Revoa a tristeza,
E torno a penar.

Marquesa de Alorna

Jornadas de Poesia em Espanhol

O poeta boliviano Eduardo Mitre será o autor de encerramento em Espanha, na próxima sexta-feira 16 de Abril, na décima segunda edição das Jornadas de Poesia em Espanhol.

O poeta de maior projecção editorial da Bolívia é professor na Universidade de Saint John em Nova York e membro de Número da Academia Boliviana correspondente da Real Academia Espanhola.

Os seus poemas, traduzidos em inglês, francês, italiano e português, distinguem-se por um forte impulso narrativo e desmarcam-se da predominante corrente romântica da poesia para acercar-se à oralidade como fonte de contágio artístico.

Segundo os organizadores, as Jornadas de Poesia em Espanhol celebram-se com caráter anual na comunidade autónoma espanhola da Rioja e constituem um das aproximações mais sólidas à cultura ibero-americana.

As leituras inauguram-se na segunda-feira 12 de abril com a visita do poeta murciano Eloy Sánchez Rosillo, Prémio Nacional da Crítica em 2005 com o livro "La certeza".

Outros autores espanhóis farão parte das Jornadas deste ano, previstas na Casa dos Jornalistas da localidade de Logroño.

Cortesia de Prensa Latina

UNICEPE promove «Noites de Poesia e Música»

A UNICEPE organiza mensalmente as suas noites de poesia e música. Todas as quartas Quartas-feiras de cada mês, das 21h30 às 23h, a proposta é recordar «um dos nossos sempre tão esquecidos poetas, com apresentação do José Alves Silva e acompanhamento musical de amigos da Cooperativa».

No primeiro trimestre, o destaque foi para a poesia de Gomes Leal, Manuel Laranjeira e Augusto Gil. Além da poesia, há sempre momentos musicais. Para 2010, o programa é diversificado e ambicioso.

Abril, dia 28
- José Gomes Ferreira - José Ramalho
Maio, dia 26
- Camilo Pessanha - João Teixeira
Julho, dia 28
- Mário de Sá-Carneiro - Jorge Gomes da Silva
Setembro, dia 22
- Cesário Verde - Ana Ribeiro
Outubro, dia 27
- Jaime Cortesão - Francisco Carvalho
Novembro, dia 24
- José Régio - Fernando Ribeiro

O Quê? Noites de Poesia e Música
Quando? Quarta-Feira, 24 de Fevereiro - 21,30h
Onde? UNICEPE (Praça de Carlos Alberto, 128-A, Porto). Telefone: 222 056 660
Web www.unicepe.com

Cortesia de novoslivros.online

CITAÇÃO - Maharshi Valmiki

Eu curvo-me de novo e de novo ao Sri Rama, aquele que remove (todos) os obstáculos, garante a todos riqueza e agrada a todos.

Brasília: 1º Café Camões 2010

O 1º Café Camões tem como tema de abertura da temporada 2010 o Centenário da República Portuguesa e os homens que ajudaram a sua construção, entre eles poetas e escritores que lutaram por aquilo que acreditaram ser um acto de coragem e de modernização política em Portugal, realiza-se dia 8 de Abril de 2010 às 19H30 no Centro Cultural Português (Av. das Nações, SES Quadra 801, Lote 02) em Brasília.

Manoel de Barros com Caeiro em Castelo Branco na «Conversa com Poesia»

A editora Alma Azul, que muito tem feito para a divulgação da poesia no centro do país e sobretudo na região de Castelo Branco, organiza mais um evento em redor de Fernando Pessoa, ou, mais precisamente, de Alberto Caeiro.

Amanhã, dia 8 de Abril, a editora junta o poeta brasileiro Manoel de Barros a Alberto Caeiro. O tema da discussão, intitulada "Conversa com Poesia" é o "Guardador de Rebanhos". Será no Parque da Cidade, em Castelo Branco, a partir das 17H00. Diga-se, por curiosidade, que o poeta brasileiro é poeta e criador de gado no Brasil, o que o coloca certamente numa posição interessante para falar do livro de Caeiro.

Cortesia de Jornal Reconquista

IV Bienal de Poesia de Silves


A IV Bienal de Poesia de Silves, nas margens da poesia - Poemarte realiza-se entre os dias 22 e 25 de Abril de 2010 na Biblioteca Municipal de Silves. Nesta edição os poetas Fernando Assis Pacheco e Pedro Tamen são os autores homenageados. O evento conta com a presença dos poetas Alice Macedo Campos António Simões, Cristina Néry, Domingos Lobo, Eduardo Pitta, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Filipa Leal, Henrique Dória, João Rasteiro, Jorge Velhote, José Ribeiro Marto, Luís Serrano, Maria Azenha, Maria Costa, Maria do Sameiro Barroso, Maria Estela Guedes, Maria Gomes, Maria Toscano, Nuno Júdice, Pedro Afonso, Porfírio Al Brandão, Risoleta Pinto Pedro, Rui Mendes, Soledade Santos, Susana Miguel, Teresa Tudela, Torquato da Luz, Vicente Ferreira da Silva, com o diseur Paulo Moreira e a diseuse Marta Vargas, com os artistas plásticos António Ferraz, Daniel Vieira, Maria João Franco, Sérgio Sá, Teresa Mendonça e com os cineastas Adão Contreiras e António Castanheira. A moderação está a cargo de Inês Ramos, Nassalete Miranda e Silvestre Raposo.

Programa

IV Bienal de Poesia de Silves

Pessoa tema da 1ª edição da Revista «Entre Voces - Entre Vozes»

«Se desejar fosse ser», um dos versos do poema ‘Há uma música do povo’, da autoria do escritor português Fernando Pessoa, foi o tema da primeira edição bilingue (Português e Espanhol) da revista “Entre Voc/zes”, recentemente lançada na Universidade de York, em Toronto.

A revista “Entre Voc/zes” foi fundada em 2008/09 pelos alunos de Espanhol do Departamento de Línguas, Literaturas e Linguísticas da Universidade de York

O objectivo era criar um espaço para apresentação de trabalhos criativos em diversas áreas artísticas, da literatura, à fotografia e à pintura que, de alguma forma, reflectisse a diversidade cultural do mundo hispânico.

No ano lectivo de 2009/10, os alunos de Estudos Portugueses da Universidade de York associaram-se à iniciativa para a criação de uma publicação que celebrasse as culturas de ambas as línguas, orientando todos os trabalhos reunidos pela inspiração da poesia pessoana.

Assim, na sua 3ª edição, a revista “Entre Voces” passou a chamar-se “Entre Voces - Entre Vozes” e incluiu vários poemas e contos originais em português.

A edição bilingue da revista “Entre Voces - Entre Vozes” foi apresentada a 24 de Março, numa noite organizada pelos alunos de Espanhol e de Português da Universidade de York, que contou com actuações musicais de cariz português e hispânico e com a leitura dos trabalhos literários dos alunos apresentados por esta publicação.

Entre Voces - Entre Vozes

Cortesia de IC

Poetas do Mundo - Jacques Prévert

POEMAS

O Discurso Sobre a Paz (bilingue)

Vers la fin d'un discours extrêmement important
le grand homme d'Etat trébuchant
sur une belle phrase creuse
tombe dedans
et désemparé la bouche grande ouverte
haletant
montre les dents
et la carie dentaire de ses pacifiques raisonnements
met à vif le nerf de la guerre:
la délicate question d'argent.


Já no final de um discurso extremamente importante
o grande homem de Estado engasgado
com uma bela frase oca
escorrega
e desamparado com a boca escancarada
sem fôlego
mostra os dentes
e a cárie dentária dos seus pacíficos raciocínios
deixa exposto o nervo da guerra:
a delicada questão do dinheiro.

tradução: Luís Eusébio

Bairro Livre

Meti o bivaque na gaiola
e saí com um pássaro na cabeça
Então não se faz a continência
perguntou o comandante
Não
não se faz a continência
respondeu o pássaro
Ah bom
desculpe julgava que se fazia a continência
disse o comandante
Ora essa toda a gente se pode enganar
disse o pássaro.


Para fazer o retrato de um pássaro

Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
depois pintar
qualquer coisa de bonito
qualquer coisa de simples
qualquer coisa de belo
qualquer coisa de útil...
para o pássaro
depois pendurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem dar um pio
sem mover um dedo...
Às vezes o pássaro chega sem demora
mas pode também levar longos anos
até se decidir
Não se abater
esperar
esperar anos e anos se preciso
pois a rapidez ou a demora
do pássaro não têm nada a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
manter o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando entrar
fechar suavemente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar sem querer nas penas do pássaro
Fazer depois o retrato da árvore
reservando o galho mais belo de todos
para o pássaro
pintar ainda a folhagem verde e o frescor do vento
a poeira do sol
e o rumor dos insetos na relva no calor do verão
depois é só esperar que o pássaro comece a cantar
Se o pássaro não cantar
é mau sinal
sinal de que o quadro é mau
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
então você deve arrancar devagarinho
uma das penas do pássaro
e escrever seu nome num canto do quadro.


Para ti meu amor

Fui à feira dos pássaros
E comprei pássaros
Para ti
meu amor
Fui à feira das flores
E comprei flores
Para ti
meu amor
Fui à feira das ferragens
E comprei cadeias
Pesadas cadeias
Para ti
meu amor
E depois fui à feira dos escravos
E andei à tua procura
Mas não te encontrei
meu amor

Tradução: José Lima

Cet amour

Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blémir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l'avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C'est le tien
C'est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelles
Et qui n'a pas changé
Aussi vraie qu'une plante
Aussi tremblante qu'un oiseau
Aussi chaude aussi vivante que l'été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi j'écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s'aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Là où tu es
Là où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t'en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t'avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n'avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n'importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d'un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.

PEQUENA BIOGRAFIA

Jacques Prévert nasceu em 1900 em Neuilly-sur-Seine. Passou a juventude em Paris, onde exerceu diferentes ofícios antes de se ligar a artistas de vanguarda, ligados ao surrealismo. Relacionou-se com Marcel Duhamel, Yves Tanguy, Raymond Queneau, Georges Sadoul e muitos outros. Começou a escrever teatro no Grupo Outubro, escreveu poemas (em 1945 a colectânea Paroles obteve um enorme sucesso), fez colagens, compôs canções (mais tarde interpretadas, entre outros, por Juliette Gréco, Yves Montand, Mouloudji e os Frères Jacques). Trabalhou no cinema e é autor de inúmeros argumentos, nomeadamente para Marcel Carné (Drole de Drame, Quai des Brumes, Les Visiteurs du Soir, Les Enfants du Paradis), Jean Renoir (Le Crime de Monsieur Lange) ou para o seu irmão Pierre Prévert (L'Affaire est dans le Sac).
Morreu na aldeia de Omonville le Petit em 1977.

Cortesia de Um Buraco na Sombra

XVIII Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista

O XVIII Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista tem os objectivos de revelar poesias e trabalhos em prosa, inéditos; aprimorar o gosto pela arte literária e incentivar novos talentos.

O prazo para a entrega dos trabalhos será de 01 de março a 28 de maio de 2010.

Edital do Concurso Literário

Dia Internacional do Livro Infantil 2010


Para assinalar este dia, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga anualmente uma mensagem de incentivo à leitura dirigida às crianças de todo o mundo.

O cartaz da DGLB é da autoria de Madalena Matoso vencedora do Prémio Nacional de Ilustração 2009.

Mensagem do IBBY 2010

Palavra dos Poetas pelo Comuna Teatro de Pesquisa

Palavra dos Poetas trata-se de um espectáculo de divulgação da Poesia Portuguesa, com som, luz e montagem simples, acompanhado ao vivo por um músico que utiliza vários instrumentos, com a duração aproximada de 60 minutos, e que foca a vida e a obra de cada poeta, fazendo uma leitura da sua obra com o percurso da vida do autor, permitindo uma leitura mais aprofundada e contextualizada da obra apresentada. O espectáculo é realizado por Carlos Paulo e Marcos Paiva todas as quartas-feiras pelas 19h00. A entrada é livre.

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