Florbela, a Princesa Desalento

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Florbela não consegue dormir, embora a noite tenha chegado há muito, sorrateira, com seus passos de cetim negro. Acende mais um cigarro - companheiro constante e traiçoeiro, cada vez mais presente e necessário.

Corre o dia 7 de Dezembro de 1930 e está quase a cumprir mais um aniversário. Pela primeira vez quer oferecer-se a si própria uma prenda única e derradeira. Contudo, não sabe se terá coragem, não sabe se terá mesmo chegado a hora. Já o tentou duas vezes e sente ainda o gosto amargo do fracasso, da frustração, mesclado com o ar piedoso dos outros. Sim, porque os outros sabem viver. Tudo para eles é fácil, tudo tem sentido, mesmo o que é inteiramente vazio e incongruente. Pelo contrário, ela é uma exilada da vida, uma inadaptada, imersa num oceano de tédio e incompreensão. Há pouco dias, escreveu no seu Diário «E não haver gestos novos e palavras novas». Tudo se gastou, até as palavras. O amor, aquela fonte de poesia, onde germinava a raiz de cada verso, também secou, como uma árvore esquecida, plantada por um agricultor negligente e preguiçoso.

A criada bate à porta suavemente.

- A senhora quer tomar alguma coisa? Posso trazer-lhe um copo de leite? – pergunta.

- Sim, Teresa, traga-o. Hoje fico neste quarto, talvez consiga dormir melhor. Peço-lhe que não volte a bater à porta e que não me venha acordar amanhã. Quero ter finalmente o meu merecido descanso, um repouso infinito, total e profundo. Há tanto tempo que não durmo!

A criada pousa, poucos minutos depois o copo cheio de leite sobre a cómoda de pinho castanho e deseja-lhe as boas noites. Sempre tão discreta e dedicada, aquela Teresa! Possui uma eficiência mecânica, mas simultaneamente suave e humana.

Lá fora, o vento entoa um lânguido lamento, que apenas o sussurrar da chuva acalma. Em Matosinhos, os dias cinzentos são mais frequentes, húmidos e sombrios se comparados com os da sua viçosa vila natal alentejana. Aí, embora nesta altura do ano o frio abrace a planície com garras de mármore, há mais luz e mais azul no céu.

Decide deitar-se, fecha os olhos e sente-se embalada pelo rumor daquela tempestade teimosa, mas algo serena. Dentro de poucos minutos, o irmão Apeles visita-lhe os sonhos, vem sempre habitar esse espaço onde o vazio começa a germinar. De novo, surge o radioso e trágico 6 de Junho de 1927. O hidroavião pilotado por Apeles Espanca, 1º tenente da Marinha, precipita-se no Tejo, cerca de meia milha a sul da Torre de Belém. No entanto, nos sonhos dela, ele flutua ileso nas águas transportando nas mãos dois fragmentos do aparelho... Sorri e estende-lhe a mão. Porém, quando ela o tenta abraçar, afasta-se rápida e progressivamente, desvanecendo-se como o nevoeiro. Mergulha como um filho de Neptuno nas águas do rio que ondulam na suavidade azul. Volta ainda a erguer os braços até se desvanecer definitivamente.

Solta um grito, sobressaltada, e o seu olhar choca com o branco das paredes do quarto.


Por Dora Gago

Cortesia de TRIPLOV

Art Project: o mundo da arte à distância de um clique

As obras de arte ao alcance de todos. O Art Project, do Google, um site que usa a tecnologia do serviço Street View, para mostrar o acervo dos mais importantes museus do mundo, foi lançado numa cerimónia na Tate Britain, em Londres.

Através do Art Project (www.googleartproject.com) podemos percorrer as salas e as obras de arte do Museu Rainha Sofia, em Madrid; do MoMA-The Museum of Modern Art, em Nova Iorque; do Museu Van Gogh, em Amesterdão; da Tate Britain e da National Gallery, em Londres; do Hermitage, em São Petersburgo; da galeria dos Uffizi, em Florença; do Palácio de Versailles, em França; do Museum Kampa, em Praga, entre outros.

São 17 os museus e galerias que aderiram ao projecto, estão espalhados por 11 cidades de nove países. Mas faltam museus importantes, como o Louvre ou o Prado. Não foram dadas explicações para a sua ausência mas foi dito que o projecto que terá mais participantes no futuro.

Um pequeno veículo com uma câmara que regista imagens de 360º, andou nas galerias e salas de museus e por isso podem visualizar-se, virtualmente, mais de mil obras de arte em alta resolução. Dezassete delas foram digitalizadas com super resolução (gigapixel) e têm um nível de detalhe extremo (caso de "Noite Estrelada de Van Gogh" e "Regresso do Filho Pródigo", de Rembrandt). Especialistas falam dos quadros, e podemos procurar outras obras do mesmo artista, organizar as nossas próprias colecções, comentar e enviar para amigos e redes sociais.

“O projecto começou quando um grupo de funcionários do Google apaixonados por arte se juntou para pensar como poderiam usar a tecnologia para ajudar os museus a tornarem as obras de arte mais acessíveis”, contou Amit Sood na sessão de apresentação do projecto.

Para Nelson Mattos, vice-presidente de engenharia do grupo Google, o Art Project permitirá às crianças que vivem longe destes museus — na América Latina, Índia e em África —, uma experiência próxima do real, através da Internet. “Isto realmente representa um grande passo na maneira como as pessoas vão passar a interagir com os tesouros de arte espalhados pelo mundo”, cita a agência Reuters. Acreditam que o projecto levará mais pessoas aos museus.

Cortesia de O Público

CITAÇÃO - Thiruvalluvar

O caminho do amor é a vida; sem ela os seres humanos são apenas ossos revestidos de pele.

Pedro Tamen vence Prémio Correntes d'Escritas 2011

O escritor Pedro Tamen venceu o prémio Correntes d'Escritas com a obra de poesia O Livro do Sapateiro, editado pela D. Quixote. O júri do prémio literário Casino da Póvoa reuniu-se no dia 22 de Fevereiro de 2011 atribuindo por maioria o galardão.

Este prémio, que tem um valor de 20 mil euros, distingue este ano a poesia. Para além de "O Livro do Sapateiro", a lista de finalistas de dez finalistas a este prémio integrava também "A Inexistência de Eva" de Filipa Leal (Deriva), "Anthero, Areia & Água" de Armando da Silva Carvalho (Assírio & Alvim), "Arado" de A. M. Pires Cabral (Cotovia), "Curso Intensivo de Jardinagem" de Margarida Ferra (&Etc), "Guia de Conceitos Básicos" de Nuno Júdice (Dom Quixote), "Mais Espesso que a Água" de Luís Quintais (Cotovia), "Necrophilia" de Jaime Rocha (Relógio d'Água), "O Anel do Poço" de Paulo Teixeira (Caminho) e "O Viajante sem Sono" de José Tolentino Mendonça (Assírio & Alvim).

O júri do prémio foi constituído por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe.

Na Sessão Oficial de Abertura foram também anunciados os vencedores do Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, do Prémio Literário Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas/Porto Editora e do Prémio Fundação Dr. Luís Rainha.

Ao poema Esquecimento, de Ana Filipa Cravina dos Reis, foi atribuído o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, entre os 82 poemas a concurso. Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, Francisco Guedes e Manuela Ribeiro, membros da organização do Correntes d’Escritas, constituíram o júri do Prémio que, nesta edição, distingue trabalhos em poesia elaborados por jovens dos 15 aos 18 anos.

Foram atribuídas menções honrosas a Indícios para um cântico poveiro, de Pedro Manuel Martins Baptista, e a Patrão Lagoa – o sonho de ser Cabo-do-Mar, de José António Ribeiro de Azevedo.

Cortesia de O Público

Sobre a poesia de António José Forte

Dizia Ernesto Sampaio em “A única real tradição viva” que “É esta a orla de um tempo onde todo o pensamento grande e rigoroso vai dar ao Inferno”.

Noutro continente, por seu turno, referia Chesterton que “Todo o encadeamento de palavras leva ao êxtase, todos podem levar ao país das fadas”. É pois entre florestas e sombras inquietantes ou surpreendentes que se movem as vozes dos Poetas, uma vez que a razia social, se acaso consente a maravilha, muito mais desejaria essas vozes perenemente sob um sol negro de amargura. Nestes tempos do fim como lhes chamou André Coyné, a Poesia move-se com dificuldade e é deslocando-se entre Sila e Caríbdis que a nave poética busca chegar a bom porto.

Não tenhamos ilusões: o Poeta que o é e não simples abonador de prestígios em verso para maior glória dos seus donos, tem sempre pela frente a insídia das horas do quotidiano policiado – mesmo sendo homem de paz – da intolerância social das aparelhagens sediadas nos pólos onde a avidez, o interesse orientado, a mesquinhez, a corrupção judicial e a fraude pública ditam as suas leis.

Para os que persistem em opor aos desvigamentos sociais do dia-a-dia uma palavra alta e clara, já Gilbert Proteau nos esclareceu qual o destino mais provável: a corda, o punhal, o garrote, as difamações geralmente impunes, o calabouço e, nos casos mais suaves, a marginalização. Aos que acaso escapam, resta em geral uma vida de dificuldades que, entre nós, se cifra na “apagada e vil tristeza” dum mundo que não pode e não quer consentir a liberdade luminosa de ser-se “profeta e aedo num país onde só querem que haja lapuzes e vilões”, para citar Manuel Carreira Viana.

A poesia de António José Forte, falecido em meados de 1988, ilustra de maneira perfeita o trajecto de quem não cede e persiste em procurar a casa encantada em cujo telhado crescem floridas excrescências carnosas, o “palácio ideal” que Cheval levou à prática e tantos outros tentam erguer ora aqui ora ali, entre bosques primordiais e estranhas muralhas de granito.

Desde o seu primeiro livro “Trinta noites de insónia de fogo nos dentes numa girândola implacável” até aos poemas finais dados a lume na Editorial Estampa, passando pelo texto que tinha como personagem nuclear Daniel Cohn-Bendit vindo a público na revista “Grifo”, imediatamente retirada de circulação pela PIDE que impediu a publicação de novos números, sente-se perpassar uma grande inquietação temperada, todavia, pela ternura dos seus melhores momentos. As imagens encadeiam-se de forma inusitada, sempre muito próximas de um “real absoluto” que punha em destaque o amor e o conhecimento do mundo onde as figuras estendiam salutarmente de mão em mão os objectos comuns como um cigarro ou uma chave.

Lembro, das conversas havidas ao velejar dos minutos ao fim da tarde ou já na noite colectiva, o interesse que Forte tinha pelos grandes mistérios da existência (pirâmides de Tenochtitlan, as construções desenhadas na planície desértica de Nazca…) e, em contraponto, os enigmas contidos na existência quotidiana habitual, que lhe pareciam ultrapassar os outros em fascínio e estranheza. Esse quotidiano onde ele “passasse a fumar/ e o fumo fosse para se ler”.

A poesia de António José Forte foi-me dada pela primeira vez a ler por Donato Faria, seu companheiro de emprego nas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, numa das nossas habituais reuniões (já Forte saíra de Portalegre para ir trabalhar na Casa mãe) na pensão da Rua 31 de Janeiro, frente à taberna Capote e cujas janelas de terceiro andar deitavam para o Largo da Sé – sempre repleto de gente, principalmente rapazes e raparigas alunos da Escola do Magistério Primário, nesses anos em que a cidade não mergulhara ainda na desertificação que hoje a caracteriza em geral e no casco histórico em particular.

Foi ali que este me mostrou os “Cadernos Pirâmide” da responsabilidade de Carlos Loures e Máximo Lisboa. Era a segunda vaga surrealista, que trazia nela autores como Manuel de Castro, o magnífico poeta de “Estrela Rutilante” que teria como pares, no desenho e na pintura, as explosões singulares de Mário Botas e José Escada, posto que actuassem por outras bandas.

Mergulhando inelutavelmente no sonho de todas as horas, interiores e exteriores, a poesia surrealista desses tempos, seguidos logo de outros onde mais autores se forjavam, forçava por libertar-se dos enleios do hábito, do conformismo imposto por condottieri exteriores, geralmente literatos subidos ao poder administrativamente e nele mantidos pelos mandantes dentro e fora dos órgãos de comunicação e das estantes desses lugares de massacre que demasiadas vezes são os “estabelecimentos de ensino” de alto coturno. E em que o lirismo, mais que ser apenas “um epigonismo da prisão de ventre” como Cesariny dizia com justa ferocidade, seria luz revelada na noite geral.

O lirismo de Forte, separado – por uma brusca mutação interior – daquele que ainda hoje se expande em revoadas de folhas propiciadas por tanto vate de ocasião (ou, o que ainda é pior, por operadores de safada carreira cimentada por áulicos), aspirava à realidade, essa realidade outra (surrealidade) em que as mãos, por exemplo, já não são objectos para prender os movimentos alheios mas sinal palpável de fraternal sabedoria alcançada, pomo finalmente liberto abrindo fulgores diferentes e mais autênticos.

Contra a quinquilharia que frequentemente fere o viajante, a sua poesia é susceptível de criar em quem a lê um apetite de melhor e menos banal. A sua adjectivação, que nunca bordeja as margens do efémero ou do destrambelhadamento pseudo-original, que nunca reside e se deixa cair na redundância pretensiosa mas é antes um sublinhar de adequadas iluminações, faz passar de estrofe para estrofe símbolos que extinguem a inutilidade das escritas que acatitam a leitura.

Dizia Étienne de Sénancour: “O homem é perecível; pode ser…Mas pereçamos resistindo e se, ao fim, o que nos espera é o vazio e o nada façamos com que isso seja uma injustiça”. A poesia de António José Forte, que permanece nos nossos ouvidos e na nossa cabeça muito depois de ser lida, ilustra de forma soberana como é possível lançar, aos deuses programados e programadores, o grande desafio dos que sabem ser e dar-se a si mesmos como penhor de que não foi em vão a passagem dum Poeta pelas planícies do tempo destroçado.

Por Nicolau Saião

Cortesia de TRIPLOV

Recital «Poesia das três Culturas» no Palácio Foz

O Palácio Foz, em Lisboa, acolhe dia 23 de Fevereiro, às 18:30, o recital «Poesia das três Culturas», integrado na «Série: encontros na poesia».

O recital do Instituto Cervantes debruça-se sobre as três religiões e três culturas diferentes que conviveram na Península Ibéria Medieval: cristãos, muçulmanos e judeus.

São deste modo apresentadas as poesias do «místico cristão San Juan da Cruz e o seu Cántico Espiritual», do «místico Sufí Ibn Al Arabí, cuja poesia figura no El Intérprete de los deseos», e do «místico Sefardí Ibn Gabirol, retirada do seu livro El alma lastimada», informa a organização.

Protagonizam a iniciativa Curro Piñana (cante) e Francisco Tornero (guitarra). A sessão decorrerá na Sala dos Espelhos do palácio situado na Praça dos Restauradores. A entrada é livre.

Cortesia de Diário Digital

Poetas do Mundo - Robert Walser

POEMAS

Para Quê?

Quando de repente o dia voltou
tão puro,
falou lentamente e com firmeza,
branda e sinceramente:
alguma coisa deve mudar,
entro na luta,
eu também quero ajudar, como tantos outros,
a erradicar o mal do mundo,
quero sofrer e vaguear
até que o povo se liberte.
Não quero voltar a declinar, cansado;
alguma coisa tem que
acontecer. Mas nesse momento apoderou-se dele uma vaga sensação,
um torpor: oh, deixemos isso agora!


No Escritório

A lua observa-nos do lado de fora,
e repara em mim, pobre empregado,
a desfalecer sob o olhar implacável
do chefe.
Atrapalhado, coço o pescoço.
Nunca conheci um sol perdurável
em toda a minha vida.
A privação é a minha sina:
coçar o pescoço
sob o olhar do chefe.

A lua é a ferida da noite
e todas as estrelas são gotas de sangue.
A felicidade permanece muito longe de mim,
por isso a minha natureza é modesta.
A lua é a ferida da noite.

Estrela D'Alva

Abro a janela,
uma luz opaca matinal perdura.
Já parou de nevar,
a grande estrela está no seu lugar.

A estrela, a estrela
como é maravilhosa!
O horizonte está branco de neve,
brancos de neve estão todos os cumes.

Fresca e sagrada
a quietude matinal no mundo.
Cada voz ressoa clara,
os telhados brilham como carteiras de escola.

Tão silencioso e branco:
um deserto enorme e magnífico,
cuja fria quietude torna inútil
qualquer pensamento. Dentro de mim tudo arde.

As Àrvores

Eles não deviam cerrar os punhos
é o meu desejo que se aproxima;
não deviam enfurecer-se assim,
é o meu desejo que se aproxima timidamente;
não deviam preparar-se para atacar como cães raivosos,
como se quisessem esquartejar o meu desejo;
não deviam ameaçar assim com as patas traseiras,
tudo isso faz mal ao meu desejo.
Porque se transformaram tão de repente?
O meu desejo também é grande e profundo.
Mesmo sendo tão difícil e tão perigoso:
devo caminhar até eles, pronto, já lá estou.

PEQUENA BIOGRAFIA

Robert Walser nasceu em Biel, na Suiça, em 1878. Depois de abandonar a escola, aos 14 anos, trabalhou como empregado de escritorio ao mesmo tempo que escrevia poesia. Em 1898 foi viver com o imão mais velho, em Berlim. Levou uma vida errante e precária. Publicou o primeiro livro em 1904, As composições de Fritz Kocher. Escreveu obras magníficas como Os irmãos Tanner (1907), O Ajudante (1908), Jakob von Gunten (1909). Em 1909 regressou a Biel mas foi acometido de uma depressão profunda e de crises alucinatórias recorrentes. Durante esse período escreveu livros de prosas curtas como O passeio e outras histórias (1917), Vida de poeta (1918) e A rosa (1925). Escreveu os seus últimos livros a lápis numa letra cada vez mais miúda- microgramas, dificílimos de decifrar. O Salteador, escrito em 1925-26, só viria a ser decifrado e publicado em 1972. Em 1933, Robert Walser foi internado numa clínica para doentes psiquiátricos em Herisau, onde passou o resto da vida. Dava longos passeios a pé e não voltou a escrever uma única linha. "I am not here to write, but to be mad" disse Walser.
Morreu sozinho, durante um passeio, no dia de natal de 1956. A sua obra, que inclui ainda poemas, ensaios e crónicas, foi admirada por escritores como Robert Musil, Walter Benjamin e Franz Kafka. A sua tradução e divulgação foi tardia. Em Portugal (um século depois) foram publicados 5 livros: Branca de neve, A Bela Adormecida e A Gata Borralheira, &etc, 2000, O passeio e outras histórias; Granito Editores e Livreiros, 2001, O Salteador, Relógio D’Água, 2003; A Rosa, Relógio D’Água, 2004; Jakob Von Gunten- Um diário, Relógio D’Água, 2005 e O Ajudante, Relógio D'Água, 2006.

Cortesia de Um Buraco na Sombra

BIO - Johann Goethe

Johann Wolfgang von Goethe é considerado como a maior personalidade da literatura alemã, seu maior poeta, grande também como dramaturgo, romancista e ensaísta; e são notáveis suas obras autobiográficas, seus estudos de ciências naturais e suas conversações, fielmente notadas, com amigos.

Pata toda essa obra polimorfa vale o que o próprio Goethe dizia das suas poesias: são "ocasionais", isto é, ligadas aos acontecimentos de sua vida e a experiências pessoais, de modo que não é possível separar as obras e a vida.

De família burguesa, culta e abastada, Goethe recebeu educação enciclopédica. Em 1765 matriculou-se na Universidade de Leipzig para estudar direito. Conheceu literatos e artistas, envolveu-se em aventuras amorosas e escreveu poesias anacreônticas, à moda da época.

Interrompidos os estudos por grave doença, matriculou-se em 1770 na Universidade de Strasbourg. Conheceu Herder, o grande crítico pré-romântico, que o iniciou na leitura de Shakespeare e lhe sugeriu passeios pelos campos da Alsácia, para colecionar canções populares.

A catedral gótica de Strasbourg encheu-o de entusiasmo pela Idade Média alemã, quando surgiu a primeira idéia de escrever o Fausto. Em 1772 apaixonou-se por Charlotte Buff, noiva de um amigo íntimo, conflito que o abateu profundamente. Procurando alívio no estudo do passado, escreveu Götz von Berlichingen, uma tragédia shakespeariana, glorificando a época das lutas do tempo da Reforma. A peça obteve estrondoso sucesso.

A forte paixão por Charlotte ainda renderia outra obra: Os sofrimentos do jovem Werther. Embora influenciado por A nova Heloísa, de Rousseau, Goethe criou uma obra totalmente original, de permanente atualidade psicológica, cheia de sentimentalismo pré-romântico, mas elevada a alturas trágicas pelo desfecho, o suicídio de Werther.

O romance obteve sucesso imenso e foi traduzido para todas as línguas. O jovem autor transformou-se em personalidade de fama internacional e foi convidado a fixar residência em Weimar, nomeado ministro do pequeno ducado, e recebeu título nobreza.

As relações de Goethe com Charlotte von Stein, sua nova amante, mulher altamente sofisticada, inspiraram-lhe nova série de poesias líricas. Mas não são eróticas. São grandes odes em versos livres, manifestações de um idealismo estético e moral. Ou, então, graves meditações em estilo hermético - e também pequenos poemas. São as mais belas poesias líricas da literatura alemã, mas dificilmente traduzíveis e por isso menos conhecidas no estrangeiro. Elas desmentem a tese de que Goethe teria sido mais ensaísta que poeta.

Sentindo necessidade de sair do pré-romantismo, pela contemplação das obras de arte da Antiguidade clássica, Goethe viajou em 1786 para a Itália, onde ficou até 1788, principalmente em Roma. Seus estudos de arte o tornaram um classicista ortodoxo, à maneira de Winckelmann.

De volta a Weimar, Goethe publicou Fausto - um fragmento, terminando definitivamente a fase pré-romântica de sua vida. A tragédia Torquato Tasso, de 1790, resume suas experiências na corte: é a renúncia ao idealismo poético e a adoção de uma atitude realista ante as exigências da vida. Goethe torna-se realista.

Assume, então, a direção do teatro de Weimar, criando um repertório em que predomina Shakespeare. Dedica-se cada vez mais às ciências naturais, sobretudo à botânica e à óptica.

A Revolução Francesa ameaçava destruir os fundamentos de sua existência aristocrática de esteta culto. Assistindo, em 1792, a primeira derrota dos exércitos monárquicos pelos revolucionários franceses, em Valmy, ele diagnostica com acerto a situação histórica, dizendo: "Daqui e hoje começa uma nova época da história universal".

Em 1794 começam as relações de amizade com Schiller. Lê as obras de Kant. Aprofunda, filosoficamente, o seu classicismo. É desse período o romance Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister, um romance de formação de um jovem poeta que se torna realista amadurecido.

Em 1805 escreve, em prosa clássica, Winckelmann e seu século, espécie de manifesto do classicismo. Em 1808, publica a primeira parte do Fausto. Nessa versão definitiva, a obra começa com as meditações metafísicas de Fausto, que formam um dos mais profundos poemas filosóficos da literatura universal.

Goethe manteve, inicialmente boa relação com os românticos, principalmente com com August Wilhelm Schlegel e com Friedrich Schlegel. Mas não estava de acordo nem com as tendências cristianizantes nem com a preferência pela Idade Média em detrimento do classicismo pagão. Separando-se dos românticos, acentua seu relativo realismo.

Parece que acreditava terminada sua carreira literária, quando a paixão pela linda Marianne von Willemer lhe inspirou O divã ocidental-oriental, volume de poesias eróticas e filosóficas, cheias de paixão violenta e de anticristianismo decidido. São os poemas mais belos que Goethe escreveu.

A velhice de Goethe, que se havia transformado em ídolo literário do mundo, incondicionalmente idolatrado, pertence às tentativas de encontrar a continuação do Fausto e à elaboração do romance Anos de viagens de Wilhelm Meisters, publicado a partir de 1821, obra em que Goethe resume seu ideal de formação total da cultura do indivíduo, sonhando com uma utópica sociedade educativa para esse fim, a "província pedagógica".

São os anos em que Goethe conversava diariamente, sobre todos os assuntos possíveis, com seu secretário, Johann Peter Eckermann (1791-1854), que publicou em 1837 suas notas sob o título de Conversações com Goethe, obra da mais alta sabedoria, revelando também o interesse do poeta pelas novas tendências literárias e seu ideal de uma comunidade literária de todas as nações.

A calma desses últimos anos foi perturbada pela repentina paixão erótica do homem de 70 anos pela jovem Ulrike von Levetzow. A resignação inevitável produziu o comovente poema Elegia de Marienbad. Goethe dedicou o resto de sua vida à elaboração da segunda parte do Fausto, que foi concluída em 1830, mas publicada só depois da morte do poeta.

Cortesia de Enciclopédia Mirador Internacional

Sintra terá festival literário inspirado na FLIP de Paraty

"A FLIP vai inspirar outros festivais", disse uma vez Liz Calder, presidente da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), no Brasil. Gonçalo Bulhosa pegou na deixa e criou a Festa Literária Internacional de Sintra (FLIS) que vai acontecer a 11, 12 e 13 de Novembro naquela vila do distrito de Lisboa.

O director desta primeira edição é o editor Manuel Alberto Valente e o Centro Cultural Olga Cadaval, o local onde se realiza o evento. A primeira FLIS terá cerca de 30 escritores convidados, que debaterão diversos temas (literatura, "prosa marginal", humor, sociologia, escrita jornalística, etc.).

Tal como na brasileira FLIP, os debates serão moderados por personalidades convidadas e o público - que paga bilhete para assistir - participa através de perguntas escritas, dirigidas à mesa. No final, os escritores realizam sessões de autógrafos e naquele espaço funcionará a Livraria Oficial da FLIS, cafés literários e uma loja de merchandising. "O espírito é tornar o Centro Cultural Olga Cadaval um espaço aberto, muito dinâmico, com acontecimentos durante os intervalos entre palestras. O espírito de festa é o mesmo da FLIP, mas tudo o resto será diferente, pois Sintra, no Inverno, não é comparável ao calor das ruas de Paraty."

João Tordo, Pedro Paixão e Joana Amaral Dias são os primeiros portugueses confirmados. Escritores internacionais estão a ser convidados.

Cortesia de O Público

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.

José Gomes Ferreira

«Poetas do Mediterrâneo» em Lisboa

Por ocasião do lançamento do livro Os Poetas do Mediterrâneo, co-editado pelas Edições Gallimard e o Istituto Francês, o Instituto Francês de Portugal, a Casa Fernando Pessoa, o Instituto Cervantes e o Instituto Italiano organizam uma semana dedicada aos poetas participantes. Menos mar e mais costa, a poesia mediterrânica corre de Portugal à Turquia. Na Casa Fernando Pessoa o encontro terá lugar dia 16 de Fevereiro, quarta-feira, pelas 18h30 e reunirá os poetas Ana Marques Gastão, Jaime Siles, Valerio Magrelli, Jean-Pierre Siméon, Casimirio de Brito, Gastão Cruz e Vasco Graça Moura.

Cortesia de CFP

Bolsas Criar Lusofonia 2011

Este concurso, promovido pelo CNC e apoiado financeiramente pela DGLB, termina a 18 de Fevereiro.

Pretende-se com este programa criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço da lusofonia. São instituídas duas bolsas de criação/investigação literária, para candidatos de nacionalidade angolana, brasileira, cabo-verdiana, guineense, moçambicana, portuguesa, são-tomense e timorense.

O prazo de recepção de candidaturas termina no dia 18 de Fevereiro de 2011.

Consulte aqui o regulamento ­

Mais informações: alexandra.prista@cnc.pt / 213 466 722

Cortesia de DGLB

Da «Selenographia in Cynthia» ou da essência da poesia

Rege a Lua a quimera do sonho e do êxtase; o sonho se comporta, dessarte, como uma aparição, separação temporária entre a Alma e o corpo. Para os preclaros ocultistas, trata-se da via ou da viagem por o chamado mundo astral, e, para os povos da Antiguidade, era a forma preciosa de comunicação com o Sobrenatural. Daí que possamos considerar a visão e a «rêverie» como o estado e a estação do misticismo, daí que, no significante ou ciência das Letras, Jorge Telles de Menezes se mova numa linha onde se encontram, e bem, Teresa de Ávila, Plotino e S. João da Cruz.

É no endeusamento ou entusiasmo do sonho que Menezes se cura, que Menezes procura os arquétipos e símbolos do inconsciente colectivo; daí que, na mistagogia ou misteriosofia, o arquétipo seja, simultaneamente, a arcaico e o arcano. Na sua escola, escala ou didascália, o Jorge nos educa ou nos eduz, o Jorge nos conduz, hierogrâmato, para uma gramática gnósica, hermética e alquímica: a selenographia, então, além de ser rimance, é qual iniciação nos mistérios românticos – e alcandorado, e alteado, é o Percy Bysshe Shelley.

Da Lua o «daimôn», como vemos, é o domínio, não da razão, mas sim do sentimento, do encantamento, e da magia das imagens. Ora a «imago» é o que tende para se tornar real, e o mundo imaginal é o medianeiro ou médium entre a monda sensível e o mundo inteligível; e trata-se, aqui, das formas ou fantasmas em suspenso. Em estrénuo espiritual deixou escrito, o Estagirita, que não pode, o ser humano, pensar ou compensar-se sem imagem ou fantasma… Se a imaginação do homem é, de facto, um pequeno universo, através das imagens o Menezes labora na magia, colabora, desse modo, com Deus, no projecto criacionista…

Se Deus iniciou a Criação, então cabe ao Iniciado, que é Poeta, o aumentá-la e terminá-la; e através da catarse, que é uma purga, reflecte-se, com fé, o macrocosmo em microcosmo. Ora «catharsis» é uma palavra grega proveniente dos mistérios iniciáticos, e o drama e psicodrama de Menezes, isto é, a questa e a busca da flor invisível, é, acima de tudo, uma forma de libertar o Parnaso e as paixões, vivendo-os, com Alma, de modo imaginário. Porque o sonho é, portanto, uma faxina para a mente, a metáfora ou mentira que, à força de ser matutada, se transforma, mirificamente, na verdade promissora. Podemos falar, à guisa de Janet, da moral desinfecção; se compensar é pôr o penso na nossa turvação, exprimir um poema, no mental automatismo, é bem espremer, premente, o pus e o fel da ferida narcísica.

Na linha, então, dos românticos, simbolistas, ou surrealistas, temos visto e aventado que a selenographia é privilegiado portal para a exploração do inconsciente, e o mesmo inconsciente, para Lacan, é o curso e discurso do Outro. E, no século XIX, nos ensinava Rimbaud que «je est un autre»; numa hermenêutica ou no escólio, dilata-se e completa-se o Ego, com quê? Com o limo e a lava das furnas, do antro das Mães, e da palavra ou do palácio da Morte: e aqui dormir, portanto, é ser Iniciado.

Atenta no senso, amigo leitor. Nós não explicamos um poema tal como explica, o cientista, a liquefacção ou locomotiva; nós compreendemos o mesmo poema, isto é, deixamo-nos prender por a magia de Jorge. Tal é o significado do Historicismo ou das chamadas, por Dilthey, de ciências do espírito, porque a vida do Autor, segundo cremos, reflecte-se e repete-se na vivência do ledor. E se o digesto é o digerido, assimilar um poema é tornar-se similar à metáfora sua. Pois através da didascália ou psicodrama, isto é, só por meio da didáctica léxis, o pão do Pneuma é extensivo ou compreensivo ao complemento e à «communio»; na católica Eclésia, também, a «messis» da Méssia é primórdio para o Messias…

Destarte e na arte, para Menezes, a Natura é natal e bem nutrice, e a melhor maneira de lidar ou atinar com a natural fisiologia será através da personificação, prosopopeia ou fantástico animismo; e temos, desse modo, a mitologia, como o espaço privilegiado da Poesia ou «rêverie». E ecologia é qual «école», é qual morada e namorada do filho do homem. A Bíblia da escola é a Sacerdotisa. O bétilo, na Pítia, clama por «Beth». Na sideral agricultura ou na geórgica celeste, o que faz o nosso Jorge é transportar, para a vida vígil, a feeria ou fantástico do sonho; e essa, pois, é a profecia, esse é o estado teológico de que falava, com força, o positivo Augusto Comte. Crismava o sociólogo a Teologia como a fábula fictícia; não será, pois, a ficção, como o adágio ou apanágio do Poeta que finge, ou melhor, do que afivela e revela uma plástica «persona»?

Estamos quase a terminar. Uma questão, agora, de enlevo, o relevante quesito se impõe, preponderante: quem é, no fim de contas, Jorge Telles de Menezes? Na hermenêutica fausta da hermética festa, redarguiremos, em resposta: acima de tudo, o nosso amigo Jorge é um bardo e um rapsodo. E, na ciência das Letras, ou seja, em letradura, o vocábulo «bardo» tem duas acepções: dilucidemos, dessarte, elucidemos o ledor. Para os antigos gauleses, com efeito, o bardo era um Poeta pertencente à escola sacerdotal, era o homem que, cantando e encantando, defendia, providente, o Panteão do seu povo. Temos visto que tal é o Profeta; visto havemos, também: provençal é professor.

O segundo significado é mais premente e abrangente, releva problemas da santa Teosofia. «Bardô» é uma palavra tibetana que significa, etimologicamente, «entre duas estâncias, estados ou estações»: ora uma, amável leitor, é a vida; a outra, dessarte, é a Morte. Pois indo ao imo, e vendo o âmago do lance, «bardô», para os Budistas, é o estado limiar ou liminar entre duas reencarnações. E se o ledor, agora, ponderar, que o seu sono e o seu sonho é qual a Morte quotidiana, cortado terá, em boa hora, o nó górdio do problema, terá, previdente, resolvido o dilema. Haverá, o homem que lê, de ser, também, o homem que vê; haverá, qual vidente, quiçá, concluído: Morfeu informa Orfeu, e morrer, de certa forma, é ser Iniciado: é tal a insígnia, a signa, e o significante, da selenographia; é tal a parição, e o par, da celeste aparição, ou pra dizer, com fulgor, de uma vez só: tal é pois, com Lucina, o sentido e o som da língua latina.

Por Paulo Jorge Brito e Abreu

Cortesia de TRIPLOV

Jay-Z: o poeta que decorava rimas para vender crack

No Verão de 1978, quando tinha nove anos e vivia no bairro social de Marcy, em Nova Iorque, Shawn Carter - mais tarde, Jay-Z - viu um círculo de pessoas formar-se à volta de um miúdo chamado Slate, que estava a "rimar - 30 minutos de improviso, sem nunca perder o ritmo", transformado "como uma beata tocada pelo espírito". O jovem Shawn foi para casa nessa noite e começou a escrever as suas próprias rimas num caderno e a estudar o dicionário.

"Escrevia em todo o lado onde ia", recorda Jay-Z no seu novo e absorvente livro, "Decoded". "Se estivesse a atravessar uma rua com os meus amigos e me ocorresse uma rima, abria a minha pasta em cima de um marco do correio ou candeeiro público e escrevia a rima antes de atravessar." Se não tivesse o caderno com ele, corria para a "loja da esquina, comprava qualquer coisa, depois arranjava uma caneta e escrevia no saco de papel castanho". Isso tornou-se impraticável durante a adolescência, enquanto subia e descia ruas a vender crack, por isso começou a trabalhar a memória, criando "cantinhos na minha cabeça onde armazenava as rimas".

A seu tempo, esse amor pelas palavras daria a Jay-Z mais álbuns no primeiro lugar dos tops que Elvis e alimentaria a realização do seu sonho de rapazinho: tornar-se, como escreveu numa das suas primeiras letras, o poeta com "rimas tão provocadoras" que fosse "a key in the lock" - "o rei do hip-hop."

Em parte autobiografia, em parte comentários magnificamente ilustrados sobre o trabalho do autor, "Decoded" oferece ao leitor um retrato perturbador dos mundos duros por onde Jay-Z navegou na juventude. "Decoded" é menos uma memória ou manifesto artístico convencional que uma colagem elíptica, ao jeito dos puzzles: entre reminiscências descritas com toda a clareza, há lições apaixonadas de história da música que levam o rap a um contexto social e político, menções entusiásticas a Notorious B.I.G. e a Lauryn Hill, aulas de recuperação em calão das ruas ("cheese" e "cheddar", aprenderá o turista casual do hip-hop, traduzem-se como "dinheiro"), e comentários pessoais acerca da natureza extremamente competitiva do rap e das similaridades entre o rap e o boxe, e entre o boxe e a venda de drogas.

Jay-Z já antes mitificou a sua vida - muitas das suas letras mais relevantes são trabalhos de obstinada dramatização pessoal. As linhas básicas da história são conhecidas: a sua infância em Bed-Stuy durante a epidemia de crack, o abandono da família pelo pai, deixando-o "um miúdo despedaçado", a sua carreira como traficante, "tentando ascender no jogo e acrescentar alguns cifrões ao meu nome", o seu álbum de estreia, "Reasonable Doubt", em 1996 (altura em que, segundo ele, "era o rapaz de 26 anos mais velho que se podia conhecer"), a sua ascensão como estrela do rap, seguida pelo seu sucesso como produtor, empreendedor e director-executivo ("Não sou um homem de negócios/Sou um negócio, homem.").

Confiança não é coisa que falte a Jay-Z. Mas o abandono do pai e o duro código das ruas fizeram de Jay-Z, nas suas palavras, "uma pessoa reservada" - receosa de sentimentos ou de se expor demasiado, e experiente na arte do desprendimento. Momentos comoventes de vulnerabilidade (ver o seu pai muitos anos mais tarde, escreve ele, foi "como ver-me a um espelho", e "fez-me perguntar como podia alguém abandonar uma criança que era tão parecida com ele") estão disfarçados em notas de rodapé ou disseminados ao longo de cenas inquietantes do passado do autor e da sua infância no bairro social, quando "os adolescentes usavam armas automáticas como se fossem ténis", e ele vendia "crack a toxicodependentes que estavam a matar-se, acumulando as notas enrugadas que eles arranjavam sabia Deus onde, garantindo que tinham sempre as suas pedras para fumar".

"Decoded" não fala de vários episódios sombrios da vida do autor, como os alegados tiros, tinha ele 12 anos, contra seu irmão viciado em crack (que, de acordo com um artigo recente no "The Guardian", "não apresentou queixa e pediu desculpa ao irmão mais novo pela sua dependência"), ou o ter escapado ao que um artigo da Forbes.com chamou "uma tentativa falhada contra a sua vida" depois de "uma disputa com traficantes rivais".

Jay-Z também não romantiza os seus dias na rua nem se desculpa por eles. Acerca da agora omnipresente "Empire State of Mind", diz que, quando ouviu pela primeira vez a música, tomou a decisão de a "sujar", de "contar histórias do lado duro da cidade", incluindo algumas referências ao tráfico de droga - "Welcome to the melting pot/ Corners where we selling rocks" (Bem-vindo ao melting pot/Esquinas onde vendemos pedras) - e ao sexo promíscuo - "The city of sin is a pity on a whim,/Good girls gone bad, the city''s filled with them" (A cidade do pecado dá pena/As boas raparigas tornaram-se más, a cidade está cheia delas).

No final, "Decoded" mostra ao leitor como os artistas de rap trabalham sempre na mesma série de temas familiares (tráfico, festas e "o tema mais familiar na história do rap - porque estou drogado"). "Éramos miúdos sem pais, por isso encontrámos os nossos pais nos discos e nas ruas e na história e isso foi uma dádiva. Pudemos escolher os ancestrais que inspirariam o mundo que construiríamos para nós mesmos. Isso fez parte do ethos desse tempo e desse lugar e ficou incrustado na cultura que criámos. O rap pegou nos restos de uma sociedade moribunda e criou algo de novo. Os nossos pais tinham partido, normalmente porque não queriam saber, mas nós pegámos nos seus velhos discos e usámo-los para construir algo novo", escreve Jay-Z no final.

Cortesia de i

O Divino

Nobre seja o homem,
Caridoso e bom!
Pois isso apenas
É que o distingue
De todos os seres
Que conhecemos.

Glória aos incógnitos
Mais altos seres
Que pressentimos!
Que o homem se lhes iguale!
Seu exemplo nos ensine
A crer naqueles!

Pois insensível
É a natureza:
O sol 'spalha luz
Sobre maus e bons,
E ao criminoso
Brilham como ao santo
A lua e as 'strelas.

Vento e torrentes,
Trovão e saraiva
Rugem seu caminho
E agarram,
Velozes passando,
Um após outro.

Tal a sorte às cegas
Lança mãos à turba
E agarra os cabelos
Do menino inocente
Ou a fronte calva
Do velho culpado.

Por eternas leis,
Grandes e de bronze,
Temos todos nós
De fechar os círculos
Da nossa existência.

Mas somente o homem
Pode o impossível:
Só ele distingue,
Escolhe e julga;
E pode ao instante
Dar duração.

Só ele é que pode
Premiar o bom,
Castigar o mau,
Curar e salvar,
Unir com proveito
Tudo o que erra e divaga.

E nós veneramos
Os Imortais
Como se homens fossem,
Em grande fizessem
O que em pequeno o melhor de nós
Faz ou deseja.

Que o homem nobre
Seja caridoso e bom!
Incansável crie
O útil, o justo,
E nos seja exemplo
Dos Seres pressentidos.

Johann Goethe

SPA lança novo Prémio Literário António Rebordão Navarro

A SPA lançou o Prémio Literário António Rebordão Navarro, destinado a galardoar primeiras obras de ficção narrativa e poesia publicadas em cada ano.

O prémio, com periodicidade anual e o valor pecuniário de 2.500 €, será atribuído, alternadamente, a livros de estreia no domínio da ficção narrativa (romance ou novela) e poesia.

No primeiro ano de existência do prémio (2011), as obras a enviar a concurso deverão ser as publicadas em 2010 na área da ficção, por ser a que inaugura o prémio.

O regulamento poderá ser consultado no portal da SPA e na imprensa escrita.

Com a instituição deste prémio, a SPA distingue um autor com uma obra marcante nas duas áreas a premiar e que se tem destacado também por uma posição activa e solidária em relação à SPA.

Para mais informações cunsulte o regulamento.

Cortesia de SPA

Casa Fernando Pessoa programa ano de Portugal no Brasil 2012

A divulgação da literatura portuguesa com um ciclo de conferências e debates de autores em diferentes cidades brasileiras; a realização de um filme de curta duração em que se apresentam dez novos escritores portugueses e a criação de uma colecção de obras de referência da Literatura Portuguesa para ser distribuída no Brasil são algumas das iniciativas que já estão a ser pensadas para celebrar, em 2012, o ano Portugal-Brasil e Brasil-Portugal.

Considerando que Fernando Pessoa é o maior embaixador da literatura portuguesa, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, assinaram hoje, em Lisboa, um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal. Numa primeira fase é atribuída pela tutela à Casa Fernando Pessoa a verba de 55 mil euros, para que, através da sua directora Inês Pedrosa, seja delineado e executado um programa de iniciativas da celebração de 2012 como o ano de Portugal no Brasil.

“A Casa Fernando Pessoa é o melhor parceiro que nós temos para desenvolver esta política de divulgação da literatura e da língua portuguesa no Brasil”, disse a ministra.

Este foi o primeiro passo de um projecto que no futuro contará também com a parceria do Instituto Camões. Gabriela Canavilhas quer que se aproveitem sinergias para que alguma da produção cultural que irá ser feita especificamente para Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 possa ir ao Brasil e para que projectos brasileiros possam vir a ser integrados na programação de Guimarães.

Vai agora ser criada uma comissão para assegurar a planificação e incluirá portugueses e brasileiros, acrescentou Gabriela Canavilhas, explicando que só ainda não está criada porque se esteve à espera da tomada de posse da nova ministra da Cultura brasileira, Ana de Hollanda. A comissão terá alguém responsável pela programação geral, representantes do Instituto Camões e de Guimarães, Capital Europeia da Cultura.

Cortesia de O Público

Poetisa japonesa bestseller aos 99 anos

Uma senhora de 99 anos escrevendo sobre o amor, sonhos e esperança tocou os corações de japoneses desgastados por anos de atraso econômico, tornando o livro publicado pela própria autora um bestseller.

O sucesso de Toyo Shibata com sua primeira antologia, nomeada “Não fique muito frustrada”, é ainda mais surpreendente, pois ela só começou a escrever aos 92 anos.

“Eu estou viva até agora graças ao apoio de familiares, amigos, acompanhantes e médicos e estou transformando minha gratidão em poesia para demonstrá-la, ‘ Obrigada. Eu estou muito feliz,” disse Shibata, que fará 100 anos em junho, em respostas escritas às perguntas.

Sua coleção de 42 poemas, que inclui mensagens como “Todos são igualmente livres para sonhar” e “Não tente de forma exagerada” é o livro mais popular no ranking Oricon [paradas japonesas] pelas últimas duas semanas e foi um dos 10 mais vendidos em 2010, de acordo com Touhan, um dos maiores editores do Japão.

“Apesar de ter 98 anos, eu ainda me apaixono. Eu tenho sonhos, um deles é cavalgar uma nuvem,” confessa Shibata em um poema com o título “Segredo”.

Semana passada, ajudado por um último impulso publicitário de um documentário televisivo em dezembro, o livro atingiu a marca de 1,5 milhões de cópias impressas, disse o editor Asukashinsha. Imprimir 10 mil cópias é geralmente visto como uma demonstração de sucesso para livros de poesia no Japão.

Shibata começou sua jornada literária aos 92 quando ela não podia continuar com seu hábito de décadas,dança japonesa clássica, devido a dores nas costas. Seu filho Kenichi, atualmente em seus 60 e poucos anos, recomendou que ela tentasse escrever poesia.

“Quando meu primeiro poema foi publicado em um jornal, eu estava muito, muito feliz. Eu os enviei a um outro jornal e eles também foram publicados. Então, eu continuei escrevendo.” disse ela.

Ela anota suas inspirações poéticas no momento em que elas aparecem, se ela está na cama ou sentada em sua casa nos subúrbios de Tóquio, onde vive sozinha. Muito de seus escritos é feito à noite, depois de seus auxiliares domésticos deixarem sua casa.

“Eu penso sobre várias coisas: memórias do meu passado e da minha família, minha vida atual. Eu adentro em mim mesma com essas memórias e escrevo sobre elas,” disse Shibata.

Escritos em o que os críticos chamaram um estilo mundano com palavras “joviais”, seus poemas se provaram encorajadores para milhares de leitores.

“Eu recebi a coragem e os sonhos para viver de você,” disse um leitor de 70 anos em uma carta ao editor de Shibata.

Outro fã, um homem que estava sendo evitado pelos colegas de trabalho, disse “Eu levo seus poemas para ler quando estou frustrado.”

Shibata espera que seu sucesso apresente o exemplo vivo de um desabrochar artístico tardio, dando esperança para a sociedade japonesa em rápido envelhecimento.

“Uma flor desabrochando de uma árvore centenária, e tudo por causa do seu apoio,” disse Shibata, que está escrevendo poemas para uma nova coleção, a ser publicada depois de seu centésimo aniversário.

“Agora eu tenho uma lembrança para levar ao outro mundo e me vangloriar para meu marido e para a minha mãe lá,” ela acrescentou.

Cortesia de Correio Internacional

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