Poeta José Luís Tavares galardoado pela segunda vez no Brasil

O poeta cabo-verdiano radicado em Portugal José Luís Tavares foi galardoado pela segunda vez consecutiva com o prémio "Literatura para Todos", promovido pelo Ministério da Educação do Brasil, com a obra inédita "À Bolina ao Redor do Natal".

Em declarações à Agência Lusa, José Luís Tavares mostrou-se "satisfeito" com a atribuição da distinção, cujo valor monetário é de 10 mil reais (cerca de 3.900 euros), que será entregue durante a Conferência Internacional de Jovens e Adultos, marcada para Belém do Pará, às portas da Amazónia, de 04 a 08 de Dezembro.

O autor de "Lisbon Blues" disse que o livro agora premiado será publicado na Colecção Literatura para Todos, com uma tiragem de 300 mil exemplares.

O livro será enviado às entidades parceiras do Programa Brasil Alfabetizado, às escolas públicas que oferecem a modalidade Escolas de Jovens e Adultos (EJA), às universidades da Rede de Formação de Alfabetização de Jovens e Adultos, aos núcleos de EJA das instituições de educação superior e às unidades prisionais, entre outros.

José Luís Tavares já tinha recebido idêntica distinção em 2008 pelo livro "Os Secretos Acrobatas", que estará em breve no mercado.

O galardão junta-se ao Prémio Pedro Cardoso, que lhe foi atribuído o mês passado pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde, pelo livro inédito em Língua Cabo-Verdiana intitulado "Tenpu di Dilubri" ("Tempo de Dilúvio"), no valor de 1,2 milhões de escudos (10.900 euros), o de maior dotação monetária no país.

Além desses prémios, o poeta do Tarrafal - "minino di Txon Bon ("menino de Chã Bom"), como se auto-intitula - conquistou outros prestigiados galardões em Cabo Verde e no estrangeiro.

Entre eles figuram o Prémio Revelação Cesário Verde, da Câmara Municipal de Oeiras (1999), o Prémio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian (2004), o prémio Jorge Barbosa, da Associação dos Escritores Cabo-Verdianos (2006).

Falando de outros projectos, José Luís Tavares indicou que terá nas bancas ainda esta semana o álbum "Cidade do Mais Antigo Nome", que toma como objecto a Cidade Velha de Santiago, Património Mundial da Humanidade, editado pela mais importante editora de poesia do mundo da língua portuguesa, a Assírio e Alvim, de Lisboa.

José Luís Tavares referiu ainda que, em meados de Dezembro, sairá uma nova edição, a terceira, de "Paraíso Apagado por um Trovão", desta vez bilingue, traduzida para o Cabo-Verdiano pelo próprio poeta e escritor, corrigida e aumentada. A edição será da novel editora, a Santiago edições, da Universidade de Santiago.

José Luís Tavares assegurou que as obras em português estão escritas segundo o novo acordo ortográfico, que entrou em vigor em Cabo Verde a 01 de Outubro último, como já acontecera com o livro anterior "Lisbon Blues", editado em 2008 no Brasil, e as em Crioulo usando o alfabeto cabo-verdiano aprovado em Março pelo governo, mas que não está ainda em vigor.

O poeta escritor nasceu em cabo Verde a 10 de Junho de 1967, mas reside em Portugal, onde estudou Literatura e Filosofia e escreve poesia, tendo previsto deslocar-se ao arquipélago cabo-verdiano entre meados de Dezembro e finais de Janeiro de 2010 para a apresentação das obras.

Cortesia de Angola Press

VI Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus

O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus visa estimular novas produções literárias na modalidade Poesia e é dirigido a candidatos de qualquer nacionalidade, residentes no Brasil ou no exterior, desde que seus trabalhos sejam escritos em língua portuguesa.» Inscrições abertas de 1 de Janeiro a 30 de Novembro de 2010.

CITAÇÃO - Novalis

Onde não há deuses reinam os espectros.

Que Encanto é o Teu?

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.

Jorge de Sena

Poeta timorense António José Borges lança «De olhos lavados/ho matan moos»

A Lidel lançou o livro de poemas «De olhos lavados», escritos por António José Borges, em português e tétum.

«De olhos lavados/ho matan moos» é o primeiro livro de poemas do autor. Tem como tema central Timor-Leste, as pessoas que lá vivem, as paisagens e os estados de espírito provocados por uma viagem real e metafísica do autor.

Os poemas reflectem um percurso desde o Douro até Timor-Leste, passando pela Indonésia e pela Tailândia. No final sente-se uma saudade futura de um tempo presente e a esperança global num futuro diferente do passado.

O livro é uma edição bilingue, traduzida para tétum pelo poeta timorense Abé Barreto Soares e conta com ilustrações com colagens da artista plástica suíça Piera Zürchter. Urbano Tavares Rodrigues define a obra como uma, «viagem iniciática, através do amor, da dádiva e do diálogo com a terra, metafórica visão de um paraíso agreste, da humildade e da escassez, ‘de olhos lavados’ é bem a revelação de um autêntico poeta, de quem muito há a esperar».

António José Borges foi professor de Literatura Portuguesa Contemporânea, entre outras disciplinas, na Universidade Nacional Timor Lorosae. Este é o segundo livro do autor visto já ter um livro de crónicas publicado, com o título «Timor – As Rugas da Beleza».

Cortesia de Jornal Digital

BIO - José Gomes Ferreira



José Gomes Ferreira (1900-1985) nasceu no Porto, em 1900. Publicou em 1918 e 1921, respectivamente, duas colectâneas poéticas, Lírios do Monte e Longe, que mais tarde retirou da sua bibliografia. Só em 1931, depois de ter exercido funções de Cônsul de Portugal em Kristiansund, na Noruega, encontra verdadeiramente a sua voz num poema, “Viver sempre também cansa”, que dá a público na revista presença, nesse mesmo ano. Esse texto, em que Gomes Ferreira reconheceu, no relato que fez da sua aparição, em A Memória das Palavras, de 1965, o seu autêntico nascimento como poeta, vem a abrir, dezassete anos depois, o volume com que, realmente, se estreia, Poesia – I.

Entretanto, tinham saído, entre 1941 e 1944, os dez volumes da Col. Novo Cancioneiro, que constituíram a mais visível afirmação do neo-realismo poético, e na qual José Gomes Ferreira, apesar do convite que, para o efeito, recebeu, não veio a figurar. É, no entanto, desses poetas, a alguns dos quais, a partir de certa altura, o ligam fortes laços de amizade, que se sentirá mais próximo, o que, juntamente com a óbvia orientação social da sua lírica, levou a que se enraizasse, na nossa tradição crítica moderna, a ideia de o situar no âmbito do neo-realismo. Mas tal enquadramento periodológico, embora não totalmente desadequado, tem que ter em conta um certo número de factores que aconselham a introdução de matizes nessa classificação. Em primeiro lugar, a influência que a obra de Raul Brandão teve no grupo de que fazia parte nos anos 20. No primeiro volume das Memórias, deixará registo do que para ele e para os seus companheiros terá significado o autor de Húmus: «Durante meia dúzia de anos, Raul Brandão foi, sem o saber, o mestre secreto da primeira fornada que, após a Revolução Formal do Futurismo, e embora concordante com todas as novidades do Orpheu e revistas subsequentes, se opôs por instinto ao seu conteúdo aristocrático, em busca aflita de outro Sinal.»

Os anos passados na Noruega, e a leitura de autores como Ibsen e Knut Hamsun, não terão senão acentuado o pendor expressionista do seu imaginário já muito marcado por Brandão, na origem, como se sabe, do que houve de larvar expressionismo, sem contacto real com o expressionismo literário alemão, em vários autores do nosso Segundo Modernismo. Depois, não deixe de se assinalar que o poema que atesta o seu verdadeiro nascimento como poeta veio a lume numa publicação, a presença, que, nos começos dos anos 30, era indubitavelmente o ponto de convergência de todos os que, em Portugal, estavam empenhados em praticar e em impor uma ideia de arte moderna.

De resto, todo o percurso de José Gomes Ferreira a partir do momento epifânico de “Viver sempre também cansa” se vai pautar pela “Revolução Formal” modernista, e não é possível entender a ampla e conturbada liberdade da sua escrita, o inusitado das suas imagens e da sua sucessão no poema ( «aos cachos», como deixou dito num texto de Eléctrico, 1956 ), sem ser no quadro das transformações da linguagem poética operadas pelo Modernismo. O poeta fazia, de resto, questão, numa passagem de Imitação dos Dias, de 1966, de se afirmar «sem saudades de qualquer passado», em sintonia perfeita com o seu tempo, na diversidade de correntes que, dentro das várias artes, se orientariam mais para uma concepção alargada do Modernismo, hoje por muitos aceite, que o não restringisse às tendências inovadoras das primeiras décadas de Novecentos: «Coincido integralmente com a minha época de neo-realistas, de surrealistas, de abstractos, de neo-figurativos, de concretistas, de dodecafónicos, de pesquisadores de timbres, de Maiakovski, de Kafka, de Prokofiev, de Malraux, de Cholokov, de Sartre, de Aragon, de Drummond de Andrade – e aqui proclamo a glória de ter nascido na Idade de Aquilino, Afonso Duarte, Vieira da Silva e Lopes Graça, sem saudades de qualquer passado.»

Um outro aspecto aproxima José Gomes Ferreira dos «presencistas», a centralidade do eu na sua obra, não apenas nos livros em verso, mas também nos livros em prosa, como já tem sido sublinhado ( cf. Paula Morão, “O poeta andante, um fingidor em prosa”, José Gomes Ferreira – Operário das Palavras, 2000, p. 23 ). O subtítulo escolhido para a edição da sua poesia, a partir da segunda metade dos anos 70, nos três volumes de Poeta Militante, “Viagem do Século Vinte em Mim”, remete também para a importância da experiência pessoal, para a subjectividade em que se fundamenta a sua resposta à História.

A abrir o 1º volume de Poeta Militante, vem uma nota onde pode ler-se o seguinte: «Poeta Militante é a viagem do século vinte em mim. Ou melhor: o testemunho poético [...] da aventura da sombra de um anti-herói que, perdido nos meandros dos caminhos exíguos do tempo, [...] atravessou em bicos dos pés os segundos, os minutos, as horas, as semanas, os anos de quase um século, mais preocupado com as coisas vulgares do quotidiano nos cafés, nas ruas, nas praias, no campo, do que com acontecimentos merecedores no futuro de longos tratados de estudo volumosos que me inspiraram muitas vezes apenas poema e meio./ [...]». O que há de «protesto», de apaixonada denúncia nestes poemas que se organizam, sob a forma de «diários em verso», em séries ou conjuntos, com datas desfasadas do momento de publicação, é o que, em larga medida, justifica a aproximação ao neo-realismo, para além da indefectível perseguição da «Revolução Impossível». Mas, como a nota de abertura de Poeta Militante sublinha, o espanto, o estremecimento lírico que o move ao canto, nasce mais da vulgaridade do quotidiano do que da excepcionalidade dos acontecimentos que moldam a História.

É na indecisa fronteira entre o real e o irreal, como nos lembra um dos seus títulos mais emblemáticos, O Irreal Quotidiano, de 1971, que melhor se afirma, afinal, a aventura literária de José Gomes Ferreira, encarada na sua globalidade e sem o artifício da divisão de géneros.

Cortesia de IC

Espólio de Luiz Pacheco a leilão

Perto de uma centena de cartas, enviadas pelo escritor Luiz Pacheco (1925-2008) a diversos destinatários, vai amanhã a leilão em Lisboa, juntamente com um importante acervo de outros documentos do autor, incluindo manuscritos, dactiloscritos e provas tipográficas de alguns dos seus textos essenciais. No total, são 158 documentos, a vender num só lote, a partir de uma base de licitação de 12 mil euros, valor que o organizador do leilão, Nuno Gonçalves, da livraria Otium Cum Dignitate, espera ver ultrapassado.

O leilão iniciou-se ontem, pelas 21h30, no hotel Fénix - onde estarão expostos, a partir das 15h, os 664 lotes a leiloar -, mas o espólio de Luiz Pacheco só irá à praça hoje. Neste primeiro dia, a peça mais interessante é, provavelmente, um exemplar do Cartucho, a célebre obra colectiva editada em 1976 por António Franco Alexandre, Helder Moura Pereira, João Miguel Fernandes Jorge e Joaquim Manuel Magalhães. Contendo poemas dos quatro autores, amarrotados e acondicionados dentro de um desses antigos pacotes de mercearia em papel pardo, Cartucho marca um momento de viragem na poesia portuguesa da segunda metade do século XX e tornou-se há muito um objecto mítico para alfarrabistas e bibliófilos. Será licitado com o preço base de oitocentos euros e é bem provável que o venha a ultrapassar.

Não há muitas outras verdadeiras raridades bibliográficas no catálogo, mas este leilão vale também pelo seu eclectismo, reunindo livros, manuscritos, correspondência, cartazes, fotografias, serigrafias e vários outros objectos mais dificilmente classificáveis, como uma carteira de fósforos na qual o poeta e ensaísta Alberto Pimenta fez imprimir a frase "A Cultura é o Desporto da Classe Média", ou um avental criado pela artista plástica Lourdes Castro para uma exposição de 1967.

O primeiro conjunto de lotes é constituído por correspondência e integra três cartas autógrafas de Salazar enviadas, no final dos anos 30, ao ministro da Guerra, general Ernesto Morais Sarmento. Uma delas é de carácter estritamente pessoal - Salazar lamenta nela a morte do filho de Morais Sarmento -, mas as outras tratam de questões militares e têm relevância histórica.

Não menos importante é o núcleo de cartas régias, assinadas por diversos monarcas portugueses, de D. João III a D. Maria I. Na mais antiga, datada de 1525, D. João III determina que o bacharel João Fernandes, cirurgião do rei e da infanta D. Maria, "haja em cada dia na despensa da Casa da Infanta uma iguaria de carne ou pescado, segundo o dia for".

Neste primeiro núcleo, a peça que poderá atingir uma licitação mais elevada é uma bula papal de Pio IV (1499-1565), relativa ao Mosteiro de Santa Maria de Oliveira, no bispado de Braga, um documento em pergaminho, que, segundo a leiloeira, se encontra em perfeito estado de conservação. O preço de partida será de 750 euros. Mas também não faltarão oportunidades para compradores menos endinheirados. Um conjunto de duas cartas de António José Forte a Luiza Neto Jorge, dois nomes fundamentais da poesia portuguesa contemporânea, irá à praça por uns modestos 20 euros.

O leilão do lote 477

Apesar de incluir algumas revistas literárias raras e valiosas e uma outra peça mais procurada, como Ansiedade, de Miguel Torga, este não é um leilão que tenha muitos lotes para bibliófilos puros e duros. Mas, em contrapartida, os genuínos leitores terão oportunidade de adquirir a baixo preço livros excelentes que, mesmo não estando demasiado valorizados no mercado alfarrabista, começam a ser difíceis de encontrar, desde primeiras edições de Ruy Belo até à obra de estreia de Cardoso Pires, Os Caminheiros e Outros Contos, editada em 1949.

O conjunto seria pouco mais do que uma miscelânea simpática, com coisas para todas as posses e gostos, se não fosse o lote 477, com o espólio de Luiz Pacheco. Logo a seguir ao leilão, no dia 26, a Biblioteca Nacional (BN) irá inaugurar uma exposição evocativa da vida e da obra do escritor. E não é de excluir que a BN tente comprar este conjunto de documentos.

Mesmo tendo em conta que Pacheco foi um epistológrafo prolífico e que esta centena de cartas é apenas uma parte das muitas que escreveu, sempre constituiria, a par dos muitos outros manuscritos e dactiloscritos aqui reunidos, um bom ponto de partida para se ir começando a formar um arquivo do autor de Teodolito (1963) ou Comunidade (1964).

Os organizadores dividiram os documentos em quatro grupos principais: cartas, textos diversos, provas tipográficas e um pequeno conjunto de dispersos, que inclui textos publicados em jornais, mas também as várias entrevistas que o autor deu e algumas das críticas que os seus livros receberam.

As cartas distribuem-se por 13 destinatários, com destaque para Mário Cesariny, a quem são dirigidas 35. Em algumas delas, o autor trata de assuntos editoriais que interessam a ambos, noutras ironiza com a conjuntura política da época e os seus moralistas de serviço, por vezes insulta o amigo e, mais frequentemente, pede-lhe dinheiro, um tema, aliás, recorrente na sua vasta correspondência. Mas este lado de escritor marginal - e poucos o terão sido tão literalmente como Pacheco - não deve fazer esquecer o facto de estarmos perante um grande prosador, que revia obsessivamente as provas de tudo o que publicava, como o demonstram as várias provas tipográficas emendadas que este mesmo lote inclui.

Cortesia de Público

Meteorológica

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia tão bonito
e eu
não fornico

Adília Lopes

Fernando Pessoa: 75 anos de "Mensagem"

No próximo dia 1 de Dezembro assinala-se os 75 anos da publicação da primeira edição de Mensagem de Fernando Pessoa, o único livro de poemas em português que publicou em vida. A Câmara Municipal de Lisboa, a Biblioteca Nacional e a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, promovem uma sessão comemorativa no anfiteatro da BNP, às 17h30m, com a presença de Eduardo Lourenço, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e do actor Luís Lucas. Nessa sessão, a Guimarães Editores, em parceria exclusiva com a FNAC, vai lançar uma edição de Mensagem clonada do dactiloescrito original, que faz hoje parte do espólio da BNP. Essa edição terá venda exclusiva nas lojas Fnac e na Livraria de Arte.

Ainda no âmbito do programa da comemoração dos 75 anos de Mensagem vão realizar-se na FNAC do Chiado e na Casa Fernando Pessoa debates moderados por Carlos Vaz Marques, dias 2 e 9 de Dezembro, pelas 18h30m:

Dia 2 “- É a hora!”, O sentido da “Mensagem”: com a presença de Paulo Borges, Manuel Gandra e Miguel Real;

Dia 9 "Mensagem", o Poema, o Prémio e o Estado Novo": com a presença de José Blanco, Richard Zenith e José Carlos Seabra Pereira.

Cortesia de CFP

Alagamares promove 1º Encontro Literário de Sintra

Dia 26 de Novembro,pelas 21h 30m a Alagamares propõe-se iniciar um ciclo de divulgação de escritores e poetas de Sintra e das causas sintrenses, o qual será moderado nesta sua primeira edição pelo escritor Miguel Real.

O local, será na Casa de Teatro de Sintra, do Chão de Oliva,na R.Veiga da Cunha,à Estefânea.

Nesta primeira sessão, serão abordadas as temáticas dos modernos caminhos da literatura nacional, com enfoque em nomes que vão surgindo e querendo criar espaço na cena literária.A Alagamares convidou para tanto António Augusto Sales, Ana Martins,Filipe de Fiúza,Luis Bento e Ana Costa Ribeiro para falaram do seu trabalho, em diálogo com os leitores, actuais e futuros, lerem partes da sua obra e divulgarem a mesma.Assim se pensa encorajar novos valores em torno das palavras escritas num contexto de palavras ditas.

Leia aqui sobre os autores propostos para esta primeira sessão.

Cortesia de Alagamares

Iris













by John Atkinson Grimshaw
Ciclo de Pintura Erótica-Poética - Quadro 13/19

CITAÇÃO - Simin Behbahani

Não desistam de lutar pela liberdade.

6ª edição do Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa

O concurso chama-se Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa e é desenvolvido pelo Instituto Piaget. Já vai na 6.ª edição, ou seja, já se fizeram cinco concursos e este é o sexto. Acontece de três em três anos.

O objectivo é recolher os poemas de toda a gente que goste de escrever e editar um livro com as poesias escolhidas por um júri. Quem vencer este concurso ganha um destes livros, onde estará o seu texto.

Pode-se enviar vários trabalhos (como explicamos mais abaixo) e de diferentes géneros como poesia, lenga-lengas e trava-línguas.

Podem apresentar-se a concurso cinco grupos de concorrentes.

GRUPO 1 – Crianças até aos 6 anos inclusive
GRUPO 2 – Crianças dos 7 aos 11 anos inclusive
GRUPO 3 – Adolescentes dos 12 aos 15 anos inclusive
GRUPO 4 – Jovens dos 16 aos 20 anos inclusive
GRUPO 5 – Maiores de 21 anos

Para os grupos 1, 2, 3 e 4 é tema livre. Para o grupo 5 têm de ser temáticas relacionadas com a infância ou a juventude.

Os trabalhos apresentados devem ser inéditos, ou seja, textos originais que nunca foram publicados. O número de poemas enviados por cada concorrente não deve ultrapassar (em princípio) o que a seguir se indica:

Grupo 1 e 2 – 25 poemas
Grupos 3 e 4 – 20 poemas
Grupo 5 – 5 poemas

Aceitam-se poemas colectivos para os grupos 1 e 2.

Prazo de entrega: 29 de Janeiro de 2010. Os resultados serão anunciados até 20 de Abril de 2010

Cortesia de Visão Online

Al-MaSRAH levam à cena «Álvaro e outras pessoas»

A poesia de Álvaro de Campos vai estar em destaque no espectáculo que o Al-MaSRAH Teatro vai estrear amanhã, dia 21 de Novembro, pelas 21h30, no Café-Teatro do Espaço da Corredoura, em Tavira.

As palavras do heterónimo pessoano, na sua lucidez amarga por onde ressoa uma solidão reflexiva, vão ser interpretadas, lidas e ditas, num encontro que o grupo pretende que seja de grande intimidade com o público e por onde poderão passar ainda outros ‘rostos’ de Fernando Pessoa.

É nessa perspectiva que o AL-MaSRAH espera que, no espectáculo, apareçam "pessoas interessantes" para escutar os poemas que o grupo quer partilhar mas também que tragam poemas, histórias ou divagações sobre o poeta e o seu ‘engenheiro’ Álvaro de Campos.

‘Álvaro e outras pessoas’ é a 15ª produção do AL-MaSRAH. Com direcção de Pedro Ramos, conta com as interpretações de Bruno Martins, Cátia Agria, Patrícia Amaral, Pedro Carvalho e Pedro Ramos.

O espectáculo terá outras sessões a 30 de Novembro e a 4, 5 e 7 de Dezembro, sempre no mesmo espaço e à mesma hora. O grupo informa ter ainda "música e vinho em ambiente de café--teatro" e desafia o público a participar.

Cortesia de Correio da Manhã

Florbela Espanca: Chá & Poesia

A Biblioteca Municipal Dr. Laureano Santos apresenta dia 21 de Novembro, pelas 15h30, a 4.ª sessão de Chá & Poesia, numa iniciativa da Câmara Municipal de Rio Maior.

Esta sessão será dedicada à vida e obra de Florbela Espanca, a poetisa portuguesa nascida em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894.

Neste evento participarão vários poetas de Rio Maior, que irão declamar poemas da sua própria autoria.

Cortesia de O Ribatejo

Natal do Livro

Mais uma vez o Instituto dos Museus e da Conservação promove o Natal do Livro em todas as lojas dos Museus e Palácios Nacionais. Com bibliografia de referência nacional ao nível das artes plásticas, artes decorativas, arqueologia e etnologia, o público pode adquirir publicações com descontos que podem chegar até aos 90%. O público também tem à sua disposição um conjunto diversificado de produtos inspirados em peças do acervo dos Museus e Palácios Nacionais do IMC.

Cortesia de Agenda Cultural Lisboa

Montecinos conquista Prémio Neruda 2009

O escritor Héctor Hernández Montecinos conquistou o Prémio Pablo Neruda 2009, instituído em 1987 para premiar os poetas chilenos com menos de 40 anos que se tenham destacado pelo contributo dado à poesia do país. O júri foi presidido pelo director da Fundação Pablo Neruda, Manuel Jofré, e composto ainda por Waldo Rojas, designado pela mesma instituição, Matías Rafide, em representação da Academia Chilena da Língua, e Raúl Zurita pela Sociedade de Escritores do Chile. O prémio ascende a 6.000 dólares, cerca de 4.000 euros, e consiste ainda numa medalha e um diploma que serão entregues ao vencedor em Dezembro deste ano, numa sessão ainda a marcar pela Fundação Neruda. Hernández, que actualmente reside no México, é licenciado em Literatura e doutorado em Filosofia, publicou 18 livros entre 2001 e 2009.

Cortesia de Público

Nejar apresenta a conferência «Cecília Meireles e o Mar das Descobertas»

O poeta brasileiro Carlos Nejar virá apresentar na Casa Fernando Pessoa, dia 26 de Novembro pelas 18h30, a conferência Cecília Meireles e o Mar das Descobertas. Nejar tratará do vínculo de Cecília às raízes portuguesas, relacionando o mar de Cecília e o de Pessoa (Álvaro de Campos), e o mar de Sophia de Mello Breyner Andresen. Haverá ainda lugar à leitura de poemas da autoria desta voz singular e universal.

Cortesia de CFP

Há fogo sob a terra

Há fogo sob a terra,
e a chama é pura.

Há fogo sob a terra,
e é líquida a pedra dura.

Há uma corrente sob a terra,
que entra em nós às golfadas.

Há uma corrente sob a terra,
que nos chamusca as ossadas.

Virá um grande fogo,
virá uma corrente sob a terra.

Nós seremos as testemunhas.

Ingeborg Bachmann

Três portugueses entre as «Personalidades da Neolatinidade de 2009»

Três portugueses encontram-se entre 14 personalidades às quais foi atribuído o ‘Diploma de Personalidade da Neolatinidade de 2009’ pelo III Festlatino, um evento que terá lugar no Recife, Brasil, de 24 a 27 de Novembro próximos.

São eles Simonetta Luz Afonso, ex-presidente do Instituto Camões, convidada a intervir no fórum, Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal em França, e Patrícia Salvação Barreto, directora do gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Cultura de Portugal.

Juntamente com estas personalidades foram também distinguidos os ministros da Cultura do Brasil e da Venezuela, respectivamente Juca Ferreira e Héctor Sotto, o presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, e o secretário-geral da União Latina, José Luis Dicenta Bellester, entre outras personalidades brasileiras e espanholas, segundo uma listagem da organização do festival.

Além destas figuras da neolatinidade, o Festlatino, que foi idealizado e é coordenado por Humberto França, da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, e que goza de vários apoios federais e estatais brasileiros, atribuiu à brasileira Nélida Piñon o diploma de escritora ‘Símbolo da Neolatinidade de 2009’.

III Festival Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas Neolatinas – que decorre sob o tema Os desafios da Neolatinidade: o diálogo cultural e as línguas neolatinas na Europa – África – CPLP – América Latina – MERCOSUL – apresenta uma longa lista de convidados e vai reunir representantes de 27 países das chamadas línguas neolatinas.

O presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, fará a intervenção inaugural na sessão solene de abertura, que terá lugar no Gabinete Português de Leitura do Recife, a 24 de Novembro.

O projecto Festlatino, que teve edições em 2005 e 2008, foi concebido por Humberto França partindo da consideração de que «o Brasil é o país que concentra a maior população de neolatinos falantes no mundo, quase duzentos milhões de habitantes» e que «necessita fortalecer e ampliar os seus laços culturais» na América Latina, Europa e África.

Entre as línguas neolatinas referenciadas pelo Festlatino estão o português, o francês, o italiano, o espanhol, o galego, o catalão, o romeno, o romanche, o ladino, o sardo e o provençal.

O evento consiste na realização de debates, seminários, espectáculos, cinema e exposições, destinados a divulgar os valores do património latino e a fomentar o diálogo entre os povos das línguas neolatinas e aprendizagem dessas mesmas línguas.

A participar são convidados «escritores, filólogos, professores, artistas, estudantes, jornalistas, líderes e promotores culturais dos países e das regiões de línguas neolatinas dos três continentes».

Os organizadores esperam que um total de 1.200 pessoas participe nas palestras, debates, exibições de filmes e espectáculos musicais.

O Festlatino pretende também estabelecer-se como entidade promotora de concursos literários para jovens de regiões e países de línguas neolatinas, bem como conceder bolsas de estudos tecnológicos e humanísticos e de estágio para jovens estudantes.

Contando com um amplo leque de entidades patrocinadoras e apoiantes, entre as quais os ministérios da Cultura do Brasil e de Portugal, a União Latina e o Instituto Camões, o Festlatino apresenta como instituições «realizadoras» do evento a Aliança Francesa do Recife, a Fundação Gilberto Freyre, a CIVITATE –Brasil e a Mares Navegados – Portugal.

Cortesia de IC

À noite o teu ventre...

À noite o teu ventre é castanho da febre de Deus.
A minha boca agita tochas sobre a tua face.
Nada pesa a quem nunca ouviu uma canção de embalar.
Com a mão cheia de neve e incerto

como os teus olhos azuis, à hora redonda,
dirigi-me a ti. (A lua de outrora era mais redonda.)
O milagre soluça nas tendas vazias,
o jarrinho do sonho enregelou - que fazer?

Lembra-te: uma folha enegrecida pendia no sabugueiro
belo sinal para a taça do sangue

Paul Celan

Nova Convenção-Quadro sobre o valor do Património Cultural para a Sociedade – actualização e perspectivas

No próximo dia 20 de Novembro, o Centro Nacional de Cultura organiza, em colaboração com o Conselho da Europa e com o IGESPAR, na Fundação Calouste Gulbenkian, o colóquio “Património Cultural – Ir mais além...”

O Centro Nacional de Cultura esteve associado à elaboração da recém-ratificada Convenção-Quadro do Conselho da Europa relativa ao valor do Património Cultural para a Sociedade, cujo grupo de trabalho o seu Presidente dirigiu. Trata-se de um instrumento inovador no qual, pela primeira vez, se reconhece que o património cultural é uma realidade dinâmica, envolvendo monumentos, tradições e criação contemporânea.

A nova Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o Valor do Património Cultural para a Sociedade Contemporânea constitui um instrumento com inesgotáveis potencialidades, uma vez que pressupõe um conceito aberto de património cultural, não apenas centrado numa lógica conservadora, mas sim ligado ao património material e imaterial (e à sua protecção) e à criação contemporânea (e ao seu incentivo). Longe de uma oposição, temos uma complementaridade. No fundo, o desenvolvimento humano exige uma maior valorização da cultura e da educação como factores de criação, de eficiência e de equidade, uma vez que aquilo que distingue o desenvolvimento e o atraso está na cultura e na capacidade de aprender.

Nesta Conferência intervirão os maiores especialistas intervenientes na redacção do texto da nova Convenção.

Programa

Cortesia de CNC

N.º 4 da Nova Águia apresentado em Lisboa


A revista, segundo Renato Epifânio, um dos seus directores, "é a única que assume o legado do movimento cultural da Renascença Portuguesa".

O quarto número da revista evoca os 20 anos da queda do Muro de Berlim e "procura reflectir sobre três vértices: Pascoaes; Portugal e a Europa".

Adriano Moreira, Miguel Real, Pinharanda Gomes e Manuel Ferreira Patrício são alguns dos colaboradores deste número que inclui um CD com uma palestra de Teixeira Pascoaes gravada em 1952, no Porto.

"A gravação estava na posse da família e permite-nos hoje ouvir a voz mítica e lendária de Pascoaes. O filósofo José Marinho, quando a ouviu, afirmou que teve medo. É de facto uma voz cava, forte e profunda", disse Renato Epifânio.

Na palestra, o autor de "A arte de ser português" disserta sobre a "alma ibérica".

"Trata-se de um texto que seria o prólogo de uma obra a publicar intitulada 'Epistolário ibérico - Cartas de Pascoaes a Unamuno', e que foi já publicado na revista Colóquio de Letras", explicou o responsável.

O CD é inédito e, segundo Renato Epifânico, a revista não conta em próximos números voltar a editar qualquer CD.

A Nova Águia, com uma tiragem de 2 000 exemplares.

Teixeira de Pascoaes é o pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos nascido em Amarante (Porto) em 1877, escritor que se distinguiu como uma das principais vozes do movimento literário-filosófico "Saudosismo", que faleceu em Gatão (Amarante), em 1952.

Entre as suas obras em poesia destacam-se os títulos "Marânus", "O Doido e a Morte" ou "Versos Pobres", enquanto em prosa escreveu as biografias romanceadas de S. Paulo, S. Jerónimo, Santo Antão e Camilo Castelo Branco, e para teatro publicou "Jesus Cristo em Lisboa", em colaboração com Raul Brandão. Colaborou também com Afonso Lopes Vieira no livro de poesia "Profecia".

Cortesia de Jornal Hardmusica

BIO - Vladimir Maiakovski


Filho de um guarda-florestal, nasceu e passou a infância na aldeia de Bagdádi, nos arredores de Kutaíssi (hoje Maiakovski), na Geórgia. Frequentou o ginásio de Kutaíssi. Após a morte súbita do pai, a família ficou na miséria e transferiu-se para Moscovo, onde Vladimir continuou os seus estudos.

Fortemente impressionado pelo movimento revolucionário russo e impregnado desde cedo de obras socialistas, ingressou aos quinze anos na facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Detido em duas ocasiões, foi solto por falta de provas, mas em 1909-1910 passou onze meses na prisão. Entrou na Escola de Belas Artes, onde se encontrou com David Burliuk, que foi o grande incentivador da sua iniciação poética. Os dois amigos fizeram parte do grupo fundador do assim chamado cubo-futurismo russo, ao lado de Khlébnikov, Kamiênski e outros. Foram expulsos da Escola de Belas Artes. Procurando difundir as suas concepções artísticas, realizaram viagens pela Rússia. Após a Revolução de Outubro, todo o grupo manifestou a sua adesão ao novo regime.

Durante a Guerra Civil, Maiakovski dedicou-se a desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início da consolidação do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc. Fundou em 1923 a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), que reuniu a “esquerda das artes”, isto é, os escritores e artistas que pretendiam aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social. Fez inúmeras viagens pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos.

Viajou também pela Europa Ocidental, México e Estados Unidos. Entrou frequentemente em choque com os “burocratas’’ e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Foi homem de grandes paixões, arrebatado e lírico, épico e satírico ao mesmo tempo. Suicidou-se com um tiro em 1930. A sua obra, profundamente revolucionária na forma e nas ideias que defendeu, apresenta-se coerente, original, veemente, una.

A linguagem que emprega é a do dia a dia, sem nenhuma consideração pela divisão em temas e vocábulos “poéticos” e “não-poéticos”, a par de uma constante elaboração, que vai desde a invenção vocabular até o inusitado arrojo das rimas. Ao mesmo tempo, o gosto pelo desmesurado, o hiperbólico, alia-se em sua poesia à dimensão crítico-satírica. Criou longos poemas e quadras e dísticos que se gravam na memória; ensaios sobre a arte poética e artigos curtos de jornal; peças de forte sentido social e rápidas cenas sobre assuntos do dia; roteiros de cinema arrojados e fantasiosos e breves filmes de propaganda. Tem exercido influência profunda em todo o desenvolvimento da poesia russa moderna.

Cortesia de Boris Schnaiderman do livro Poesia Russa Moderna

Tu és mortal

Tu és mortal meu filho
isto que um dia a morte te virá buscar
e tu não mais serás que um grão de milho
para a morte debicar

Tu és mortal anjo
tu és mortal meu amor
isto que um dia a morte virá de banjo
insinuar-se-te senhor

É-se mortal meu Deus
tu és mortal meu Deus
isto que um dia a morte há-de descer
ao comprimento dos céus

António Gancho

Correntes d’ Escritas 2010

A entregar três prémios literários, um para obras já publicadas - Prémio Literário Casino da Póvoa, outro - Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, dirigido a jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, para trabalhos inéditos e o mais recente – Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d'Escritas/Porto Editora dirigido às escolas e aos alunos do 4º ano do ensino básico.

O anúncio dos premiados será feito durante a sessão de abertura e a entrega dos prémios aos galardoados ocorrerá na sessão de Encerramento – Cerimónia Pública – da XI Edição de Correntes d’ Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica que se realizará entre 24 e 27 de Fevereiro de 2010.

Cortesia de CM Varzim

CITAÇÃO - Guerra Junqueiro

Há mais luz nas 24 letras do alfabeto do que em todas as constelações do firmamento.

Poesia de Ary dos Santos revisitada

A obra poética de José Carlos Ary dos Santos, falecido há 25 anos, é revistada pelas cantoras Luanda Cozetti, Mafalda Arnauth, Susana Félix, e Viviane, num CD intitulado Rua da Saudade que é hoje posto à venda.

Editado pela Farol, o CD reúne canções com letras como Canção de Madrugar, Estrela da Tarde, Retalhos, Cavalo a Solta, com novos arranjos musicais de Renato Júnior.

Esta nova «roupagem musical» de Renato Júnior passa pela música pop, fado, jazz e bossa nova.

O título do álbum remete para a rua onde o poeta viveu durante mais tempo, na zona do Castelo, em Lisboa.

As letras de Ary dos Santos escolhidas para este álbum foram musicadas por Fernando Tordo, Nuno Nazareth Fernandes e Tozé Brito.

As canções agora editadas em CD foram cantas pela primeira vez por Tordo, Carlos do Carmo e Hugo Maia de Loureiro.

José Carlos Ary dos Santos, como letrista, venceu vários Festivais RTP da Canção, designadamente com os temas Desfolhada portuguesa, Tourada, e Menina do alto da serra.

Amália Rodrigues também se encontra entre os interpretes que cantaram os seus textos.

Aos 14 anos a família de Ary editou-lhe o primeiro livro de poemas, mas a estreia literária efectiva deu-se em 1963 quando publicou A liturgia do sangue.

Criativo publicitário, Ary dos Santos inscreveu-se em 1969 clandestinamente no Partido Comunista Português, tendo escrito também para o teatro revista.

Os seus poemas encontram-se reunidos em várias colectâneas, designadamente uma que deixou preparada, As palavras das cantigas, prefaciada pela escritora Natália Correia. José Carlos Ary dos Santos morreu em 1984, aos 46 anos.

Cortesia de Sol

Silves com humor poético

A Biblioteca Municipal de Silves recebe esta semana vários recitais de poesia humorística, com a actriz Andreia Macedo.

Assim, logo no dia 12 de Novembro, pelas 16h00 e a 13 de Novembro, pelas 10h00, terá lugar o recital “Diz-se poesia para acordar”, dirigido a alunos do 3.º ciclo e secundário. No dia 13 de Novembro haverá ainda uma outra sessão, às 21h00, intitulada “Stand up Poetry – diz-se poesia com Andreia Macedo”, dirigida ao público em geral.

As duas primeiras sessões requerem marcação prévia e terão lugar nas escolas, sendo que para mais informações, os interessados deverão contactar a Divisão de Educação, Cultura, Turismo e Património da Câmara de Silves, através do telefone 282440800 ou a Biblioteca Municipal, através do telefone 282442112 ou do endereço de correio electrónico biblioteca@cm-silves.pt.

Cortesia de Região Sul

Nu Sur La Plage










by John William Godward
Ciclo de Pintura Erótica-Poética - Quadro 12/19

Espólio de Camilo Pessanha

O espólio de Camilo Pessanha dispersou-se em 1926 na sequência do seu falecimento. Sabe-se que João Manuel Pessanha, dias depois do óbito do pai, iniciou a venda dos objectos de arte chinesa que o poeta naquele ano não doara, por intermédio do governador de Macau Maia Magalhães, ao Museu Nacional de Machado de Castro. No que particularmente concerne aos seus manuscritos, a avaliar pelo depoimento de Sebastião da Costa, que visitou o poeta dois anos antes do seu falecimento e testemunhou o seu quotidiano caótico e a sua incúria, sofreram a usura do tempo e do acaso, sendo de lamentar o desaparecimento, por exemplo, da correspondência de Ana de Castro Osório, de Wenceslau de Moraes, quiçá do primeiro Presidente da República chinesa, Sun-Yat-Sen, com quem o poeta aparece em pelo menos duas fotografias, bem como aquela que se prendia com a sua actividade no seio da Maçonaria. Os poucos manuscritos que resistiram à insensibilidade de João Manuel Pessanha foram recolhidos em 1931, na sequência da sua chegada a Macau, por Danilo Barreiros. O presente núcleo documental pertenceu à família Castro Osório, que se relacionou amplamente com Camilo Pessanha, havendo inclusivamente laços familiares remotos, como é visível na correspondência mantida com João Baptista de Castro.

O presente núcleo, constituído por 189 documentos, foi adquirido, em 1979, pela Biblioteca Nacional a Pedro Falcão de Azevedo; mais tarde, integraram-no duas colecções de fotocópias que se prendem com o Caderno Poético 9 de Camilo Pessanha, surpreendentemente revelado, corria o ano de 1966, pelas vicissitudes e pelas ondas de choque da «Revolução Cultural» em Macau, no âmbito dos tumultos ali registados contra a soberania portuguesa.

Camilo Pessanha é, tal como Nicolau Tolentino, António Nobre e Cesário Verde, um escritor de livro único. Caracteriza-se a sua obra poética pela brevidade e pela depuração que a existência de múltiplas versões dos seus textos permite aferir. Os seus manuscritos autógrafos são raros por motivos que se prendem com a sua abulia, as suas fracturas, a incapacidade de se adaptar aos valores prevalecentes.

Cortesia de BN

A língua dos «Nobel»

"Surgis de novo, figuras fugidias / Que ao turvo olhar vos mostraste outrora." Como Homero, Dante, Shakespeare, Hugo ou Tolstoi, o alemão Goethe (1749-1832) é universal e intemporal. E mesmo quem nunca leu os versos iniciais de Fausto, aqui na tradução de João Barrento (Relógio d'Água), conhece o nome do autor cujo talento, na síntese de Eça de Queirós, é "vasto como o universo".

Bastava, pois, um Goethe para fazer uma literatura.

E, no entanto, das lendas germânicas que inspiraram Wagner à moderna dramaturgia de Marius von Mayenburg (nasceu em 1972), dos Hinos à Noite de Novalis a Berlin Alexanderplatz de Alfred Döblin, da épica Canção de Hildebrando ao filosófico A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica de Walter Benjamin, dos manifestos políticos aos tratados científicos, de A Marquesa de O de Kleist a Austerlitz de W. G. Sebald, não há biblioteca que não esteja recheada de títulos assinados por alemães.

Na estante da poesia, em convívio com Goethe, esse monstro do romantismo, além de Shiller, o seu companheiro no movimento Sturm und Drang (que tanta importância teve na unificação alemã) e cuja Ode à Alegria inspirou Beethoven a compor um movimento da Nona Sinfonia, é fácil encontrar Heine, Hölderlin, Trakl, Rilke. E, também, a inquietação do filósofo Adorno: "Depois de Auschwitz não há poesia possível."

Nas prateleiras do romance uma multidão de autores entre os compatriotas do escritor de Werther e de Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meisters. Afinal, não será por acaso que o país de Goethe tem ao todo 11 Nobel da Literatura (e aqui apenas a França, com um total de 12, supera a Alemanha): o historiador Theodor Mommsen, o filósofo Rudolf Eucken, o novelista Paul Heyse, o dramaturgo Gerhart Hauptmann, o poeta Carl Spitteler, Thomas Mann (Os Budden- brook, Morte em Veneza, A Montanha Mágica, O Doutor Fausto), Hermann Hesse (Siddhartha, O Lobo da Estepe, Gertrud, Narciso e Goldmund), a poetisa Nelly Sachs, Heinrich Böll (A Honra Perdida de Katharina Blum), Günter Grass (O Tambor, O Gato e o Rato, A Ratazana, O Meu Século, Descascando a Cebola, A Caixa), Herta Müller.

E, depois, nem sequer faltam autores na área da literatura infantil, numa extensa lista de clássicos que vai de A Branca de Neve dos Irmãos Grimm a Emílio e os Detectives de Erich Kästner.

Mude-se, então, para a secção de teatro, género que Goethe também cultivou com, por exemplo, Ifigénia na Taúrida: a escolha vai de George Büchner (Woyzeck, A Morte de Danton, Lenz, Leôncio e Lena) a Frank Wedekind (O Despertar da Primavera, A Caixa de Pandora), de Heiner Müller (A Missão, Germânia 3: Os Espectros do Morto-Homem, Mauser, Máquina Hamlet), a Botho Strauss (O Parque, Sete Portas, Rumor, O Tempo e o Quarto, O Bobo e a sua Mulher esta Noite na Pancomédia), embora o mais famoso de todos tenha sido, de facto, Bertolt Brecht (A Ópera dos Três Vinténs, A Excepção e a Regra, Mãe Coragem, O Círculo de Giz Caucasiano).

E se não há páginas que cheguem para fazer a devida justiça aos autores alemães, de Tankred Dorst a Hans Magnus Enzensberger, de Erich Maria Remarque a Christa Wolf, há ainda o problema de excluir mestres de língua germânica como o checo Franz Kafka ou o romeno-francês Paul Celan, os austríacos Robert Musil, Thomas Bernhard e Peter Handke, os suíços Max Frisch e Friedrich Dürrenmatt. Mas todos conhecerão os versos de Goethe: "Cabem em meu coração tais fantasias? / Serei capaz de vos reter agora?"

Cortesia de DN

Canto da fronteira

lua escura
alto revoo de gansos selvagens
o chefe dos bárbaros
fugiu noite adentro
prestes no encalço
cavalos fogosos:
arcos e flechas
alvejam a neve.

Lu Lun

«Electric Literature»














“Conteúdos com alta qualidade + marketing inovador + multimédia pode ser o novo modelo da literatura pós-impressão.”

The Washington Post

Concurso de poesia pela ACAT

Criado com o objectivo de "fomentar a produção literária e estimular a criatividade", a Associação Cultural Artística de Tavira promove um Concurso de Poesia aberto a toda a população.

Para participar, os interessados devem criar um poema subordinado ao tema "O Fado", tendo também a oportunidade de escrever em tema livre.

De acordo com o regulamento do concurso, apenas serão admitidos a concurso as produções inéditas em língua portuguesa, estando dividido em dois grupos etários, o primeiro dos jovens até aos 15 anos e o segundo dos participantes com mais de 16 anos.

Os trabalhos deverão ser entregues até ao dia 27 de Novembro, sendo que os vencedores e a distribuição de prémios será efectuada no dia 12 de Dezembro no Cine-Teatro António Pinheiro, em Tavira, a partir das 21h00, com a realização do espectáculo «Fado com Letras - Tavira 09».

Para obter mais informações, os interessados devem contactar a organização através do telefone 962570854 ou do email acat.tavira@gmail.com, enquanto o regulamento do concurso pode ser encontrado em acat-tavira.blogspot.com

Cortesia de Região Sul

CITAÇÃO - Robert Burns

Deus sabe que eu não sou aquilo que devia ser nem mesmo aquilo que podia ser.

Poesia e Ciência

O Exploratório Ciência Viva, no Parque Verde do Mondego, Coimbra, inicia na próxima sexta-feira, dia 6, um ciclo de tertúlias intitulado «Novos diálogos com a Ciência».

O tema do primeiro encontro é «Poesia e Ciência» e conta com as intervenções de Eugénio Lisboa (professor universitário, engenheiro electrotécnico e poeta), Luís Serrano (investigador científico em geociências e poeta), bem como de elementos da cooperativa de teatro Bonifrates.

Embora abertas ao público em geral as tertúlias inscrevem-se nas Oficinas de Formação de professores que o Exploratório acaba de retomar como Centro de Formação acreditado.

O objectivo destes encontros é promover uma ciência acessível a todos, o diálogo entre gerações, a integração de cidadãos de outras nacionalidades, tudo isto dando voz a várias expressões culturais.

O encontro de sexta-feira tem entrada livre e começa às 17h45 com um «Pôr-do-sol: mãos na Ciência & Poesia» (várias actividades experimentais centradas em poemas seleccionados, misturadas com biscoitos e bebidas). Às 18h15 terão lugar as apresentações e as intervenções.

Cortesia de Ciência Hoje

A página do livro da noite

Caminhei na costa numa noite de Maio
ao luar frio
onde ervas e flores eram cinzentas
mas o cheiro verde.

Deslizei pelo declive acima
na noite de cor cega
enquanto pedras brancas
sinalizavam à lua.

Um período de tempo
em poucos minutos passaram
cinquenta e oito anos ao todo.

E atrás de mim
além do chumbo cintilante das águas
era a outra margem
e aqueles que governaram.

Pessoas com futuro
Em vez de face.

Tomas Tranströmer

Revista japonesa «Ginyu» publica obra de António Cruz

O escritor António Barroso Cruz, natural de Lisboa mas a residir há largos anos na Madeira, acaba de ver cerca de uma dúzia de poemas, extraídos da sua obra “Poesia Minimalista - Livro de Haiku”, traduzidos em japonês.

Foi com «muito orgulho» que o autor recebeu a notícia de que os seus textos constam da edição de Outubro último da revista Ginyu, «a publicação mais conceituada e divulgada no Japão no género Haiku».

Membro da Sociedade Portuguesa de Autores, António Barroso Cruz tem várias obras publicadas, desde infanto-juvenis até romances para adultos, todos elas com a chancela da editora O Liberal. “Vidas (e pedaços do mundo)” (2006), “Personagens (ir)reais para contos inventados” (2007), “Palavras (O)usadas” (2008), “O Vendedor de Sonhos” (2008) e“ Santos Pecados & Contos do (Im)possível” (2009) são alguns dos títulos que constam da sua bibliografia.

Marca presença em várias antologias poéticas publicadas em Portugal, Itália e Brasil, tendo sido galardoado pelas edições Clube Amigos das Letras (São Paulo), na categoria de Consagrados e premiado pelas Edições Arnaldo Giraldo (São Paulo) como vencedor na área da Poesia entre mais de 2.500 trabalhos de concorrentes de 12 países. Foi distinguido em duas edições do Concurso Literário de Santa Maria Maior (Funchal) com uma Menção Honrosa (2007) e com o segundo prémio (2008).

Cortesia de Jornal da Madeira

Poesia no Tejo

O diseur Nuno Miguel Henriques é o capitão do “Barco Poético” que, a partir de hoje, parte da Doca do Espanhol, em Alcântara, Lisboa, levando a bordo “variadíssimos textos poéticos, de aventura e pedagógicos”, que fazem parte do plano pedagógico de alunos aprendem de entre o sexto e o 12.º anos, público-alvo desta acção.

O "Barco Poético" é iniciativa que já percorreu o País e, conta a organização – a cargo do Museu da Poesia – levou milhares de pessoas a «viajar» pela poesia portuguesa, conta a organização nas suas viagens regulares no Tejo, Douro e Mondego.

Cortesia de Ciência Hoje

BIO - Alfred de Musset


Alfred de Musset nasceu em Paris, filho de Victor-Donatien de Musset-Pathay e de sua mulher Edmée Guyot-Desherbiers, uma família culta e equilibrada, desde há longa data ligada às letras. O seu avô fora poeta e o seu pai, também escritor de mérito, mantinha uma relação estreita com Jean-Jacques Rousseau, cujas obras editava. Por esta via, Rousseau exerceu uma grande influência sobre o jovem poeta, em cuja obra recebe diversas homenagens, enquanto atacava violentamente Voltaire, o grande adversário de Rousseau.

Matriculou-se no Lycée Henri-IV com 9 anos de idade. Em 1827 ganhou o segundo lugar no prémio de escrita em latim do Concours général com o ensaio A origem de nossos sentimentos, revelando assim o seu talento literário. Ainda hoje um busto assinala naquele liceu a passagem de Musset como aluno distinto.

Depois de tentar iniciar uma carreira em Medicina, que abandonou devido à sua repugnância pelas dissecções, tentou Direito, desenho, ensino da língua inglesa, piano e saxofone. Foi então que, com a ajuda de Paul Foucher, um cunhado de Victor Hugo, começou a frequentar, com apenas 17 anos de idade, o Cénacle, o salão literário de Charles Nodier na Bibliothèque de l'Arsenal, descobrindo a sua vocação para a literatura e decidindo seguir carreira literária.

No Cénacle simpatiza com Charles Augustin Sainte-Beuve e Alfred de Vigny, mas recusa-se a adular o «mestre» Victor Hugo. Mais tarde ridicularizou os passeio nocturnos dos membros do Cénacle pelas torres da catedral de Notre-Dame e outras actividades do grupo.

Publicou em 1829 o seu primeiro livro, intitulado Contos de Espanha e da Itália, que despertou ao mesmo tempo admiração e protesto, por conter paródias em verso a algumas das mais reverenciadas obras românticas da época.

Sendo o mais novo integrante da nova escola literária francesa, ombreando com grandes nomes, como Alfred de Vigny, Prosper Mérimée, Charles Augustin Sainte-Beuve, entre outros, quando tinha 20 anos a sua fama literária era já grande, colocando-o entre os melhores cultores do Romantismo, mas também já o ligando a hábitos de dandy e a uma vida amorosa desregrada e boémia.

Musset tentou então a sua sorte no teatro, tentando produzir obras dramáticas que lhe permitissem ganhar a vida. Em Dezembro de 1832 aparece o seu primeiro Spectacle dans un fauteuil, que se compunha de um drama, La Coupe et les Lèvres, uma comédia, À quoi rêvent les jeunes filles?, e um conto oriental, Namouna. Musset exprime já nesta recolha a dolorosa tensão entre deboche e pureza de costumes que dominará muita da sua obra.

Contudo, após o fracasso da sua obra Nuit Vénitienne, escreveria, numa carta a P. Calais «adieu à la ménagerie, et pour longtemps» (adeus à ribalta, e por muito tempo), num afastamento que duraria até 1847, ano em que, já alcoólico, retorna às lides teatrais com outra serenidade.

Em 1832 parte para Itália na companhia de George Sand, com quem mantinha um escandaloso relacionamento amoroso. Esta viagem inspirou-lhe a obra Lorenzaccio, um drama romântico escrito em 1834. Publica então os Contes d'Espagne et d'Italie.

Durante esta viagem Musset adoece e George Sand torna-se na amante do seu médico, Pietro Pagello. Regressa então a Paris, onde faz representar as comédias Le Chandelier, On ne badine pas avec l'Amour e Il ne faut jurer de rien, que se mantêm no repertório do Théâtre-Français. Escreve também novelas em prosa e a Confession d'un enfant du siècle, autobiografia anónima dedicada a George Sand, onde ele descreve os sofrimentos que ela lhe teria infligido com a sua infidelidade.

Entre 1835 e 1837, Musset compõe a sua principal obra lírica, intitulada Les Nuits (Nuits de mai, d'août, d'octobre, de décembre), em torno de temáticas relacionadas com o sofrimento amoroso, o amor e a inspiração. Estas poesias, muitos sentimentais, são hoje consideradas como as obras mais representativas do romantismo francês.

Foi entretanto nomeado bibliotecário do Ministério do Interior durante a Monarquia de Julho, envolvendo-se durante esse período numa polémica relacionada com as pretensões francesa nas margens do Reno, agudizadas durante a Crise Franco-Alemão de 1840. A polémica iniciou-se quando o primeiro-ministro francês Adolphe Thiers, que enquanto Ministro do Interior tinha chefiado Musset, exigiu que o território francês se prolongasse até à margem esquerda do Reno, então assumida como a "fronteira natural" da França a leste. Essa pretensão, apesar da população da região ser de língua alemã, baseava-se no domínio sobre a zona exercido durante o consulado de Napoleão Bonaparte, mas era fortemente rejeitada pelos alemães.

Surgiram então canções e poemas rejeitando a pretensão francesa, entre os quais um poema heróico de Nikolaus Becker intitulado Rheinlied (Canção do Reno), que continha o verso: "Sie sollen ihn nicht haben, den freien, deutschen Rhein …" (Jamais o terão, o livre Reno alemão). Musset respondeu a este poema com o seu: "Nous l'avons eu, votre Rhin allemand" (Já o tivemos, o vosso Reno alemão).

Musset foi exonerado do seu lugar de bibliotecário na sequência da Revolução de 1848, mas foi depois nomeado bibliotecário do Ministério da Instrução Pública durante o Segundo Império.

Musset recebeu a Légion d'honneur em 24 de Abril de 1845, ao mesmo tempo que Honoré de Balzac, e foi eleito para a Académie française em 1852, depois de duas tentativas frustradas em 1848 e 1850.

De saúde frágil devido a uma malformação cardíaca congénita, estava frequentemente adoentado, situação que se foi agravando devido ao alcoolismo e a um estilo de vida desregrado. A sua malformação cardíaca provocava abalos cervicais concomitantes com a sua pulsação, fenómeno comum em situações como a insuficiencia aórtica. Como Musset tinha essa condição, ela ficou consagrado pela medicina francesa, e hoje por todo mundo, como Sinal de Musset.

Faleceu em Paris a 2 de Maio de 1857, quase esquecido. A influência do seu irmão mais velho, Paul de Musset, levou a que fosse sepultado no cemitério de Père Lachaise, em Paris, onde hoje uma artística obra funerária o relembra. Foi também Paul de Musset quem exerceu um importante papel na redescoberta da obra de Musset, redigindo a sua biografia e reeditando muitas das suas obras.

A polémica e os comentários despertados pela sua célebre relação amorosa entre Musset e George Sand, que durou entre 1833 e 1835, levou a que escrevesse a novela autobiográfica La Confession d'un Enfant du Siècle, a que ela ripostou com Elle et lui, recontando a história do seu ponto de vista. Esta obra de Sand, publicada em 1859, não foi bem recebida pelos admiradores de Musset, em particular por Paul de Musset, o irmão do visado, que a parodiou seis meses mais tarde com a obra Lui et Elle.

Sobre esta relação têm sido publicadas diversas obras, entre as quais Les Amants de Venise, George Sand et Musset de Charles Maurras (1902), que leva a cabo um aturado estudo do envolvimento amoroso e do relacionamento intelectual entre eles.

Cortesia de Wikipedia

Montras d'Arte e Poesia na 4ª Edição do Outono Vivo

Poemas, alguns de autores açorianos, como Vitorino Nemésio, estão expostos nas montras da Praia Vitória durante o festival Outono Vivo. O projecto envolve o comércio tradicional e intitula-se "Montras d'Arte e Poesia". Sobretudo na Rua de Jesus, a principal artéria da cidade, as montras exibem poesia a par dos produtos para venda.

É uma das iniciativas do Outono Vivo que decorre fora da tenda principal, na Marina da Cidade.O Festival, que arrancou na última Sexta-feira, prolonga-se até Domingo, oito de Novembro.

www.outonovivo.com

Faleceu a poetisa italiana Alda Merini

A poetisa italiana Alda Merini, a quem o cineasta Pier Paolo Pasolini chamava carinhosamente de "a garota milanesa", morreu neste domingo, aos 78 anos de idade, em Milão, informou a agência de notícias Ansa.

Com vários poemas compilados, entre eles A Terra Santa, que relata sua própria experiência de loucura e internamento, ela obteve, em 1993, o prêmio Librex Montale, a maior consagração na Itália aos poetas contemporâneos.

Numerosas personalidades políticas e culturais italianas prestaram homenagem a esta "voz poética inspirada e límpida", segundo os termos do presidente da República, Giorgio Napolitano.

Para o prêmio Nobel, Dario Fo, "era uma extraordinária figura poética".

"A minha poesia tem para mim a importância da minha própria vida, é a minha palavra interior, a minha vida", dizia Alda Merini.

A poetisa nasceu em Milão em 1931. Seu primeiro livro de poesia, La presenza di Orfeo (A presença de Orfeu), publicado em 1953, foi muito bem recebido pela crítica. Seguiram-se Paura di Dio (Medo de Deus, 1955), Nozze romane (Núpcias romanas, 1955), Tu sei Pietro. Anno 1961 (Tu és Pedro. Ano 1961, 1962).

Após um silêncio editorial que se prolongou por 20 anos, Alda Merini voltou a publicar poesia: Destinati a morire. Poesie vecchie e nuove (Destinados a morrer. Poemas velhos e novos, 1980), La Terra Santa (A Terra Santa, 1985) e Testamento (1988).

Nos anos 90 deu início a uma nova fase, com o aparecimento dos livros em prosa centrados em sua própria pessoa. Assim, surge L?altra verità. Diario di una diversa (A outra verdade. Diário de uma pessoa diferente, 1986), Delirio Amoroso (Delírio Amoroso, 1989), Il tormento delle figure (O tormento das figuras, 1990), Le parole di Alda Merini (As palavras de Alda Merini, 1991), La pazza della porta accanto (A louca do lado, 1995), La vita facile. Sillabario (A vida fácil. Silabário, 1996) e Lettere a un racconto. Prose lunghe e brevi (Cartas a um conto. Prosas longas e breves, 1998).

Cortesia de AFP

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